Cinema e Argumento

Melhores de 2017 – Fotografia

Nova prova de que prêmios são muito relativos é saber que o mestre Roger Deakins ganhou seu primeiro Oscar apenas em 2018, quando, aos 68 anos, ergueu a estatueta por Blade Runner 2049. Ainda que tardia, a consagração é mais do que merecida, pois o longa se destaca dentro da filmografia de um diretor de fotografia que, ao longo de uma grande carreira, compôs muitas das mais belas imagens do cinema norte-americano contemporâneo. Parte da imponência do longa assinado por Denis Villeneuve vem da fotografia de Deakins, que não procurou emular o longa original do diretor Ridley Scott. Em 2049, a fotografia é baseada em uma minuciosa pesquisa que Deakins revela ter feito sobre a relação entre arquitetura e iluminação, o que contribuiu diretamente na sua proposta de fazer com que cada cenário, seja ele grandioso ou não, fosse capturado de maneira viva e influente em seu respectivo universo. Mais do que isso, a magnífica relação estabelecida entre luz, sombra e cores permeia todo o filme: é ela que define o quanto vemos e somos impactados por sequências fundamentais da drama. Até mesmo para um veterano talentosíssimo como Deakins, essa é uma fotografia que está realmente um degrau acima de todas as outras. Ainda disputavam a categoriaDunkirk, La La Land: Cantando Estações, Moonlight: Sob a Luz do Luar e Roda Gigante.

EM ANOS ANTERIORES: 2016 Ponto Zero | 2015 – Macbeth: Ambição e Guerra | 2014 – Ida | 2013 – Gravidade | 2012 – As Aventuras de Pi | 2011 – A Árvore da Vida | 2010 – Direito de Amar | 2009 – Quem Quer Ser Um Milionário? | 2008 – Ensaio Sobre a Cegueira

Melhores de 2017 – Montagem

Jonathan Amos e Paul Machliss venceram um enorme desafio ao assinar a montagem de Em Ritmo de Fuga. Fazendo muito mais do que apenas trazer agilidade a um filme de ação, a dupla precisou costurar, com inteligência e originalidade, um filme altamente coreografado nas perseguições de carro, nas batalhas corporais e na forma como a trilha sonora está intrinsecamente ligada a toda adrenalina da trama. Em Ritmo de Fuga não é um musical propriamente dito, mas sua lógica técnica pode até sugerir que Amor e Machliss tenham realizado seu trabalho como se o longa de fato o fosse. Se o novo projeto de Edgar Wright tem estilo, personalidade e a capacidade de fazer com que o espectador perceba e se divirta com a fluidez técnica, isso acontece graças ao indiscutível talento da dupla. Ainda disputavam a categoriaAté o Último Homem, Bom Comportamento, Dunkirk e La La Land: Cantando Estações.

EM ANOS ANTERIORES: 2016 – A Grande Aposta | 2015 – Whiplash: Em Busca da Perfeição | 2014 – O Lobo Atrás da Porta | 2013 – Capitão Phillips | 2012 – Guerreiro | 2011 – 127 Horas | 2010 – A Origem | 2009 – Quem Quer Ser Um Milionário? | 2008 – Onde os Fracos Não Têm Vez | 2007 – Babel

Melhores de 2017 – Ator

Considerando exclusivamente méritos de atuação, é surpreendente Casey Affleck ter levado o Oscar 2017 de melhor ator por Manchester à Beira-Mar. Tudo bem que estamos falando de um drama universal e que abrange questões poderosas como a força implacável do luto, mas a interpretação de Casey está fora dos padrões da Academia: econômica, busca sempre o que se passa dentro de Lee, um homem que, solitário e assombrado por uma terrível tragédia do passado, de repente se vê obrigado a enfrentar uma perda repentina e a assumir papeis que, dado o seu desolador histórico de dores, talvez nunca estivesse pronto para assumir. Casey já era um grande ator em O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford, e aqui entrega uma atuação forte, que também se torna o norte para todos os outros ótimos atores em cena, como Lucas Hedges e Michelle Williams. Ainda disputavam a categoria: Hugh Jackman (Logan), James McAvoy (Fragmentado), Ralph Fiennes (Um Mergulho no Passado) e Steve Carell (A Guerra dos Sexos).

EM ANOS ANTERIORES: 2016 – Nelson Xavier – A Despedida | 2015 – David Oyelowo (Selma: Uma Luta Pela Igualdade| 2014 – Jake Gyllenhaal (O Abutre| 2013 – Joaquin Phoenix (O Mestre| 2012 – Rodrigo Santoro (Heleno| 2011 – Colin Firth (O Discurso do Rei| 2010 – Colin Firth (Direito de Amar| 2009 – Sean Penn (Milk – A Voz da Igualdade| 2008 – Daniel Day-Lewis (Sangue Negro| 2007 – Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia)

Melhores de 2017 – Efeitos Visuais

O Curioso Caso de Benjamin Button, trilogia MatrixTron: O LegadoHomem de Ferro, GladiadorEu, Robô... Os quatro nomes envolvidos nos efeitos visuais de Blade Runner 2049 já fizeram de tudo um pouco ao longo da carreira. Entretanto, experiência como a do filme de Denis Villeneuve é rara por razões que não são as de criar um universo grandioso e épico do ponto de vista visual, mas sim de atribuir essas características sem que o espectador perceba o uso dos efeitos. É o que de fato acontece: de tão minuciosos e bem produzidos, fica fácil acreditar que o universo visto na tela realmente exista, já que a qualidade alcança uma unidade certeira entre os grandes cenários criados digitalmente, os impactantes hologramas que transitam pela cidade, a recriação de personagens do filme original e as não-tão-simples sequências de ação corpo a corpo (é importante lembrar que efeitos visuais não se resumem a artimanhas criadas em computadores). Simplesmente magnífico. Ainda disputavam a categoriaPlaneta dos Macacos: A GuerraStar Wars: Os Últimos Jedi.

EM ANOS ANTERIORES: 2016 – Doutor Estranho | 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – Planeta dos Macacos: O Confronto| 2013 – Gravidade | 2012 – O Hobbit: Uma Jornada Inesperada | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – Tron: O Legado | 2009 – Avatar (primeiro ano da categoria)

Melhores de 2017 – Roteiro Original

Atravessando os diferentes estágios do luto, Manchester à Beira-Mar marca o auge da carreira de Kenneth Lonergan (Conte ComigoGangues de Nova YorkMáfia no Divã) como roteirista. E não é por menos: escrito com maestria, o drama, além de explorar como a morte tem diferentes efeitos nos seres humanos, contextualiza cada personagem com inteligência, sobriedade e economia, inclusive aqueles com espaço limitadíssimo em cena, como a Randi de Michelle Williams, que, apesar do tempo restrito, é peça fundamental na potência dramática da história. Em 140 minutos de projeção, o roteiro encaixa fatos, revelações e desdobramentos com uma precisão cirúrgica para, ao longo e ao fim, comover e arrebatar sem qualquer apelação. Estudo íntimo e universal de personagens, o texto de Manchester à Beira-Mar é uma grande aula que deve ser sempre revisitada. Ainda disputavam a categoriaBom Comportamento, Corra!, Mãe! e Personal Shopper.

EM ANOS ANTERIORES: 2016 – Aquarius | 2015 – Que Horas Ela Volta? | 2014 – Relatos Selvagens |  2013 – Antes da Meia-Noite | 2012 – A Separação | 2011 – Melancolia | 2010 – A Origem | 2009 – (500) Dias Com Ela | 2008 – WALL-E | 2007 – Ratatouille