Melhores de 2017 – Ator Coadjuvante

Na pele de um jovem que se vê obrigado a equilibrar a vida de adolescente com a repentina e dolorosa morte do pai, Lucas Hedges desponta como uma grande revelação no poderoso Manchester à Beira-Mar, que chegou a lhe render uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante. Considerando somente o roteiro, ele já é beneficiado por um texto que não coloca seu personagem como o mero adolescente alheio ao mundo que desmorona à sua volta, mas, tratando-se de interpretação, o garoto é mesmo de alto calibre: basta revisitar a cena em que ele explode de forma inesperada apenas ao abrir uma geladeira para captar seu inegável talento. Recentemente visto em Três Anúncios Para Um Crime e Lady Bird: A Hora de Voar, Hedges, ao que tudo indica, deve seguir uma carreira promissora se levarmos em conta os projetos bem sucedidos de sua carreira até aqui, mas não vamos nos enganar: anterior a isso, o que o vemos fazer em Manchester à Beira-Mar é o suficiente para atestarmos a promessa. Afinal, não é todo jovem ator que administra tão bem as camadas de um drama pesadíssimo como o de Kenneth Lonergan. Ainda disputavam a categoria: Jeff Bridges (A Qualquer Custo), Mahershala Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar), Matthias Schoenaerts (Um Mergulho no Passado) e Patrick Stewart (Logan).
EM ANOS ANTERIORES: 2016 – Steve Carell (A Grande Aposta) | 2015 – Edward Norton (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)) | 2014 – Jared Leto (Clube de Compras Dallas) | 2013 – Philip Seymour Hoffman (O Mestre) | 2012 – Nick Nolte (Guerreiro) | 2011 – Alan Rickman (Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2) | 2010 – Michael Douglas (Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme) | 2009 – Christoph Waltz (Bastados Inglórios) | 2008 – Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez) | 2007 – Casey Affleck (O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford)
Melhores de 2017 – Som

Em um filme de guerra onde o inimigo jamais é visto, parece lógico que a parte técnica também dê conta de construir a inevitável tensão que uma opção narrativa como essa proporciona. E Christopher Nolan, que é muito melhor diretor do que roteirista, maximiza os sentidos de Dunkirk justamente para abraçar o medo, a imprevisibilidade e a paranoia de uma ameaça invisível. Premiado no Oscar 2018, o quinteto formado por Alex Gibson, Gary Rizzo, Gregg Landaker, Mark Weingarten e Richard King transforma a mixagem e a edição de som em ferramentas primordiais para jogar o espectador no centro de toda a ação. E o melhor: tanto na mais sofisticada sala de cinema quanto em qualquer tela, essa grandiosidade do trabalho de som pode ser percebida e apreciada. Ainda disputavam a categoria: Até o Último Homem, Blade Runner 2049, Em Ritmo de Fuga e La La Land: Cantando Estações.
EM ANOS ANTERIORES: 2016 – Ponto Zero | 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – Até o Fim | 2013 – Gravidade | 2012 – 007 – Operação Skyfall | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – Tron: O Legado | 2009 – Avatar | 2008 – WALL-E | 2007 – O Ultimato Bourne
Melhores de 2017 – Design de Produção

Colosso técnico como poucas vezes vimos em um filme de natureza blockbuster, Blade Runner 2049 fez valer cada um dos 150 milhões de dólares investidos em sua produção. Você pode dizer que o dinheiro corre solto em longas ambiciosos do ponto de vista comercial como esse, mas aqui há a diferença crucial de que todos os setores técnicos, muito além da qualidade, foram milimetricamente pensados para construir um universo com inteligência e sofisticação. No design de produção assinado por Dennis Gassner, profissional com longa e respeitada trajetória em filmes como O Show de Truman, Estrada Para a Perdição e Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas, a visão futurística está intimamente associada à tese de que a tecnologia, mesmo que grandiosa e tão enraizada em nossas vidas, pode nos tornar pequenos, solitários e distantes. Parece existir, em cada cenário de dimensão magnífica e em cada decoração impactante de Blade Runner 2049, algum tipo de desolação, ideia que não deixa até de ser um tanto clichê, mas que é desenhada com um impacto poucas vezes visto no cinema recente do gênero. Ainda disputavam a categoria: A Bela e a Fera, A Criada, O Estranho Que Nós Amamos e La La Land: Cantando Estações.
EM ANOS ANTERIORES: 2016 – Animais Fantásticos e Onde Habitam | 2015 – Expresso do Amanhã | 2014 – O Grande Hotel Budapeste | 2013 – Anna Karenina | 2012 – A Invenção de Hugo Cabret | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet | 2007 – Maria Antonieta
Melhores de 2017 – Canção Original

O número musical mais ambicioso de La La Land: Cantando Estações está logo na abertura do longa, quando dezenas de personagens cantam e dançam em meio a um congestionamento em Los Angeles, nos Estados Unidos. A lógica é clara: com Another Day of Sun, o mais recente trabalho do diretor Damien Chazelle (Wiplash: Em Busca da Perfeição) não quer deixar dúvidas sobre qual é o espírito desse trabalho repleto de cores e sonhos, mas que também tem os pés bem firmados no chão. Composta pela dupla Benj Pasek e Justin Paul, com música de Justin Hurwitz, Another Day of Sun é contagiante em sua graça, grandiosidade e diversidade musical, servindo como uma perfeita introdução para essa mistura entre o clássico e o contemporâneo de um filme que conquistou milhões de plateias ao redor do mundo. E mais: funciona na tela, onde foi perfeitamente coreografada e capturada, e também isoladamente (é bem provável que você queira reproduzir toda a trilha após ouvi-la). Ainda disputavam a categoria: “Audition (The Fools Who Dream)” (La La Land: Cantando Estações), “City of Stars” (La La Land: Cantando Estações), “How Far I’ll Go” (Moana: Um Mar de Aventuras) e “This is Me” (O Rei do Show).
EM ANOS ANTERIORES: 2016 – “Simple Song #3” (A Juventude) | 2015 – “Glory” (Selma: Uma Luta Pela Igualdade) | 2014 – “Let it Go” (Frozen – Uma Aventura Congelante) | 2013 – “Last Mile Home” (Álbum de Família) | 2012 – “Skyfall” (007 – Operação Skyfall) | 2011 – “Life’s a Happy Song” (Os Muppets) | 2010 – “Better Days” (Comer Rezar Amar) | 2009 – “By the Boab Tree” (Austrália) | 2008 – “Falling Slowly” (Apenas Uma Vez)
Melhores de 2017 – Atriz Coadjuvante

O papel é tão corriqueiro quanto irresistível: o da complexa matriarca que, entre verdades reveladas em almoços e jantares, vive uma difícil relação com a filha, uma mulher igualmente ampla em pensamentos e sentimentos. A experiência aqui se faz valer, pois Clarisse Abujamra interpreta a personagem com uma sabedoria que somente o tempo pode trazer a qualquer intérprete. De maneira elegante e inteligente, ela deixa em segundo plano o apelo do choque inicial causado pela honestidade dessa mãe, optando por buscar a sabedoria de uma mulher que finalmente compreende como a verdade, ainda que nua, crua e eventualmente dolorosa, talvez seja um dos maiores legados que qualquer pessoa pode deixar para seus filhos. Justificada de forma plena e sutil pelo filme, que ainda lhe confere um tocante arco dramático, a personagem destrincha boa parte dos conflitos da história, fazendo Abujamra brilhar absoluta a cada aparição, mesmo em um elenco tão coeso. Ainda disputavam a categoria: Michelle Pfeiffer (Mãe!), Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar), Naomie Harris (Moonlight: Sob a Luz do Luar) e Nicole Kidman (Lion: Uma Jornada Para Casa).
EM ANOS ANTERIORES: 2016 – Juliana Paes (A Despedida) | 2015 – Kristen Stewart (Acima das Nuvens) | 2014 – Lesley Manville (Mais Um Ano) | 2013 – Helen Hunt (As Sessões) | 2012 – Viola Davis (Histórias Cruzadas) | 2011 – Amy Adams (O Vencedor) | 2010 – Marion Cotillard (Nine) | 2009 – Kate Winslet (O Leitor) | 2008 – Marcia Gay Harden (O Nevoeiro) | 2007 – Imelda Staunton (Harry Potter e a Ordem da Fênix)