Cinema e Argumento

Melhores de 2017 – Som

Em um filme de guerra onde o inimigo jamais é visto, parece lógico que a parte técnica também dê conta de construir a inevitável tensão que uma opção narrativa como essa proporciona. E Christopher Nolan, que é muito melhor diretor do que roteirista, maximiza os sentidos de Dunkirk justamente para abraçar o medo, a imprevisibilidade e a paranoia de uma ameaça invisível. Premiado no Oscar 2018, o quinteto formado por Alex Gibson, Gary Rizzo, Gregg Landaker, Mark Weingarten e Richard King transforma a mixagem e a edição de som em ferramentas primordiais para jogar o espectador no centro de toda a ação. E o melhor: tanto na mais sofisticada sala de cinema quanto em qualquer tela, essa grandiosidade do trabalho de som pode ser percebida e apreciada. Ainda disputavam a categoriaAté o Último HomemBlade Runner 2049, Em Ritmo de Fuga La La Land: Cantando Estações.

EM ANOS ANTERIORES: 2016 – Ponto Zero | 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – Até o Fim | 2013 – Gravidade | 2012 – 007 – Operação Skyfall | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – Tron: O Legado | 2009 – Avatar | 2008 – WALL-E | 2007 – O Ultimato Bourne

Melhores de 2017 – Design de Produção

Colosso técnico como poucas vezes vimos em um filme de natureza blockbusterBlade Runner 2049 fez valer cada um dos 150 milhões de dólares investidos em sua produção. Você pode dizer que o dinheiro corre solto em longas ambiciosos do ponto de vista comercial como esse, mas aqui há a diferença crucial de que todos os setores técnicos, muito além da qualidade, foram milimetricamente pensados para construir um universo com inteligência e sofisticação. No design de produção assinado por Dennis Gassner, profissional com longa e respeitada trajetória em filmes como O Show de TrumanEstrada Para a PerdiçãoPeixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas, a visão futurística está intimamente associada à tese de que a tecnologia, mesmo que grandiosa e tão enraizada em nossas vidas, pode nos tornar pequenos, solitários e distantes. Parece existir, em cada cenário de dimensão magnífica e em cada decoração impactante de Blade Runner 2049, algum tipo de desolação, ideia que não deixa até de ser um tanto clichê, mas que é desenhada com um impacto poucas vezes visto no cinema recente do gênero. Ainda disputavam a categoriaA Bela e a Fera, A CriadaO Estranho Que Nós Amamos La La Land: Cantando Estações.

EM ANOS ANTERIORES: 2016  Animais Fantásticos e Onde Habitam | 2015 – Expresso do Amanhã | 2014 – O Grande Hotel Budapeste | 2013 – Anna Karenina | 2012 – A Invenção de Hugo Cabret | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet | 2007 – Maria Antonieta

Melhores de 2017 – Canção Original

O número musical mais ambicioso de La La Land: Cantando Estações está logo na abertura do longa, quando dezenas de personagens cantam e dançam em meio a um congestionamento em Los Angeles, nos Estados Unidos. A lógica é clara: com Another Day of Sun, o mais recente trabalho do diretor Damien Chazelle (Wiplash: Em Busca da Perfeição) não quer deixar dúvidas sobre qual é o espírito desse trabalho repleto de cores e sonhos, mas que também tem os pés bem firmados no chão. Composta pela dupla Benj Pasek e Justin Paul, com música de Justin Hurwitz, Another Day of Sun é contagiante em sua graça, grandiosidade e diversidade musical, servindo como uma perfeita introdução para essa mistura entre o clássico e o contemporâneo de um filme que conquistou milhões de plateias ao redor do mundo. E mais: funciona na tela, onde foi perfeitamente coreografada e capturada, e também isoladamente (é bem provável que você queira reproduzir toda a trilha após ouvi-la). Ainda disputavam a categoria: “Audition (The Fools Who Dream)” (La La Land: Cantando Estações), “City of Stars” (La La Land: Cantando Estações), “How Far I’ll Go” (Moana: Um Mar de Aventuras) e “This is Me” (O Rei do Show).

EM ANOS ANTERIORES: 2016  “Simple Song #3” (A Juventude) | 2015 – “Glory” (Selma: Uma Luta Pela Igualdade| 2014 – “Let it Go” (Frozen – Uma Aventura Congelante| 2013 – “Last Mile Home” (Álbum de Família| 2012 – “Skyfall” (007 – Operação Skyfall| 2011 – “Life’s a Happy Song” (Os Muppets| 2010 – “Better Days” (Comer Rezar Amar| 2009 – “By the Boab Tree” (Austrália| 2008 – “Falling Slowly” (Apenas Uma Vez)

Melhores de 2017 – Atriz Coadjuvante

O papel é tão corriqueiro quanto irresistível: o da complexa matriarca que, entre verdades reveladas em almoços e jantares, vive uma difícil relação com a filha, uma mulher igualmente ampla em pensamentos e sentimentos. A experiência aqui se faz valer, pois Clarisse Abujamra interpreta a personagem com uma sabedoria que somente o tempo pode trazer a qualquer intérprete. De maneira elegante e inteligente, ela deixa em segundo plano o apelo do choque inicial causado pela honestidade dessa mãe, optando por buscar a sabedoria de uma mulher que finalmente compreende como a verdade, ainda que nua, crua e eventualmente dolorosa, talvez seja um dos maiores legados que qualquer pessoa pode deixar para seus filhos. Justificada de forma plena e sutil pelo filme, que ainda lhe confere um tocante arco dramático, a personagem destrincha boa parte dos conflitos da história, fazendo Abujamra brilhar absoluta a cada aparição, mesmo em um elenco tão coeso. Ainda disputavam a categoria: Michelle Pfeiffer (Mãe!), Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar), Naomie Harris (Moonlight: Sob a Luz do Luar) e Nicole Kidman (Lion: Uma Jornada Para Casa).

EM ANOS ANTERIORES: 2016 – Juliana Paes (A Despedida) | 2015 – Kristen Stewart (Acima das Nuvens| 2014 – Lesley Manville (Mais Um Ano) | 2013 – Helen Hunt (As Sessões| 2012 – Viola Davis (Histórias Cruzadas| 2011 – Amy Adams (O Vencedor| 2010 – Marion Cotillard (Nine| 2009 – Kate Winslet (O Leitor| 2008 – Marcia Gay Harden (O Nevoeiro| 2007 – Imelda Staunton (Harry Potter e a Ordem da Fênix)

Melhores de 2017: indicados

Dirigido por Damien Chazelle, La La Land: Cantando Estações é finalista em 11 categorias nos melhores do ano do Cinema e Argumento, quebrando os recordes de O Grande Hotel Budapeste e Mad Max: Estrada da Fúria.

Selecionar os melhores filmes para um balanço anual tem se tornando um desafio cada vez mais complicado visto a crescente diversidade e democratização de todo e qualquer tipo de cinema, seja aquele produzido para a tela grande ou para uma plataforma on demand. Quando se trata de cinema brasileiro, então, a coisa fica ainda pior: este ano, excelentes obras produzidas aqui na nossa terra tiveram que ficar de fora da seleção final aqui do blog simplesmente por falta de espaço (Bingo – O Rei das ManhãsDivinas DivasCorpo Elétrico), o que não quer dizer, claro, que elas não seriam merecedoras de figurar em diversas categorias. 

Como vocês poderão observar abaixo, a nossa lista tenta refletir de forma orgânica o melhor dessa multiplicidade de gêneros, estilos e produção: na categoria principal, por exemplo, concorrem um musical, um filme de super-herói, uma obra amada e destroçada com a mesma intensidade, um drama poderosíssimo sobre a força do luto (e também dos laços que nos recompõem) e um filme de difícil definição estrelado por uma atriz outrora desacreditada. Mesmo com o coração partido por deixar de fora determinados longas e atores, essa é uma lista que foi elaborada sem concessões, além de guiada totalmente pela emoção e pela identificação. Os vencedores vocês descobrirão ao longo das próximas semanas! Lembrando que histórico completo da nossa premiação pode ser conferido aqui.

MELHOR FILME
La La Land: Cantando Estações
Logan
Mãe!
Manchester à Beira-Mar

Personal Shopper

MELHOR DIREÇÃO
Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações)

Darren Aronofsky (Mãe!)
Jordan Peele (Corra!)
Kenneth Lonnergan (Manchester à Beira-Mar)
Olivier Assayas (Personal Shopper)

MELHOR ELENCO
Como Nossos Pais
Estrelas Além do Tempo

O Estranho Que Nós Amamos
Um Mergulho no Passado
Moonlight: Sob a Luz do Luar

MELHOR ATRIZ
Emma Stone (A Guerra dos Sexos)
Jennifer Lawrence (Mãe!)
Jessica Chastain (Armas na Mesa)
Kate Winslet (Roda Gigante)
Kristen Stewart (Personal Shopper)

MELHOR ATOR
Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
Hugh Jackman (Logan)
James McAvoy (Fragmentado)
Ralph Fiennes (Um Mergulho no Passado)
Steve Carell (A Guerra dos Sexos)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Clarisse Abujamra (Como Nossos Pais)
Michelle Pfeiffer (Mãe!)

Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)
Naomie Harris (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
Nicole Kidman (Lion: Uma Jornada Para Casa)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)
Mahershala Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
Matthias Schoenaerts (Um Mergulho no Passado)
Patrick Stewart (Logan)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Bom Comportamento
Corra!
Mãe!
Manchester à Beira-Mar
Personal Shopper

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Extraordinário
O Filme da Minha Vida
Logan
Moonlight: Sob a Luz do Luar
Minha Vida de Abobrinha

MELHOR TRILHA SONORA
Bom Comportamento
A Criada
Dunkirk

La La Land: Cantando Estações
Moonlight: Sob a Luz do Luar

MELHOR MONTAGEM
Até o Último Homem
Bom Comportamento
Dunkirk
Em Ritmo de Fuga

La La Land: Cantando Estações

MELHOR FOTOGRAFIA
Blade Runner 2049
Dunkirk
La La Land: Cantando Estações
Moonlight: Sob a Luz do Luar
Roda Gigante

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
A Bela e a Fera
Blade Runner 2049
A Criada
O Estranho Que Nós Amamos
La La Land: Cantando Estações

MELHOR FIGURINO
A Bela e a Fera
A Criada
Jackie
La La Land: Cantando Estações
Victoria & Abdul: O Confidente da Rainha

MELHOR SOM
Até o Último Homem
Blade Runner 2049
Dunkirk
Em Ritmo de Fuga
La La Land: Cantando Estações

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Another Day of Sun” (La La Land: Cantando Estações)
“Audition (The Fools Who Dream)” (La La Land: Cantando Estações)
“City of Stars” (La La Land: Cantando Estações)
“How Far I’ll Go” (Moana: Um Mar de Aventuras)
“This is Me” (O Rei do Show)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Blade Runner 2049
Planetas dos Macacos: A Guerra
Star Wars: Os Últimos Jedi

MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADOS
Blade Runner 2049
Extraordinário
Okja