Bom Comportamento

Something happened. I don’t know exactly what.

Direção: Benny e Josh Safdie

Roteiro: Josh Safdie e Ronald Bronstein

Elenco: Robert Pattinson, Benny Safdie, Jennifer Jason Leigh, Barkhad Abdi, Taliah Webster, Necro, Peter Verby,  Saida Mansoor, Gladys Mathon, Rose Gregorio, Hirakish Ranasaki, Maynard Nicholl

Good Time, EUA, 2017, Drama, 101 minutos

Sinopse: O plano de Constantine Nikas (Robert Pattinson) era assaltar um banco e descolar uma boa quantia em dinheiro, mas nada sai como o planejado e seu irmão mais novo acaba sendo preso. Decidido a resgatá-lo, Constantine embarca em uma perigosa corrida contra o relógio, e onde ele mesmo é o próximo alvo da polícia. (Adoro Cinema)

Desde que estreou mundialmente na competição do Festival de Cannes deste ano, Bom Comportamento tem transformado a carreira do jovem Robert Pattinson, que, antes execrado (com toda razão) por seu desempenho apático e inexpressivo na saga Crepúsculo e em filmes como Água Para ElefantesPoucas CinzasBel Ami – O Sedutor, agora, de repente, desponta como um ator promissor (ele fez Cosmópolis, com David Cronenberg, onde também era elogiado, mas, ali sua palidez servia aos propósitos do personagem, o que não lhe dava muitos méritos). Entretanto, Pattinson, que realmente está revigorado em Bom Comportamento, é apenas a porta de entrada para que sejam descobertas todas as outras qualidades desse filme que é um entretenimento consistente, mas que, como todo bom filme de ação, ultrapassa a linha de perseguições, assaltos ou sequestros para narrar uma jornada emocional.

Sem precisar de discursos prontos, Bom Comportamento é desolador ao evocar destinos que, à parte o que se faça pelo caminho, já parecem traçados desde a maternidade: Connie (Pattinson) faz tudo com a maior das boas intenções em relação ao irmão mais novo, mas os resultados são sempre catastróficos, seja por suas escolhas atrapalhadas e impulsivas ou simplesmente pelo azar do próprio acaso. Prático, mas ansioso e tempestuoso, o protagonista vive, em menos de 24 horas, uma jornada onde parece não haver luz ao final do túnel. Tudo o que Connie executa de forma inegavelmente torta é para tentar mudar ou ao menos amenizar uma história que sempre lhe foi imposta – e, se não for por ele, que seja então para o irmão, que já sofre tanto no mundo com suas próprias limitações (ao que tudo indica, ele sofre de algum nível de surdez, além de problemas mentais, o que não é muito bem explicado pela trama).

Para cada momento em que Connie parece ter finalmente acertado algum plano em uma busca desenfreada, há sempre consequências que tornarão sua trajetória novamente problemática, o que desenvolve uma dinâmica eficiente para que o longa se torne devidamente desgastante (e, nesse caso, o adjetivo ganha conotação positivo). E não é só pela estrutura da história, contada de forma crua e quase rústica, que Bom Comportamento desperta sentimentos incômodos: o estilo de direção dos irmãos Benny e Josh Safdie amplia a claustrofobia emocional com cenas filmadas basicamente em ambientes pequenos, escuros, e fechados. Até mesmo sequências de ação decisivas se configuram dessa forma, como a que conta com a participação de Barkhad Abdi em um parque de diversões desligado à noite e a de uma negociação envolvendo uma garrafa de ácido e um nervoso pitbull.

Com ritmo exemplar, Bom Comportamento é um filme elétrico, que, por vezes, causa mal estar ao não dar alento para um protagonista que está sempre em estado de alerta. E Robert Pattinson mergulha na proposta sem qualquer tipo de vaidade e com toda a segurança do mundo, sem mostrar qualquer hesitação ou limitação como em todas as obras anteriores de sua filmografia. Ainda que Bom Comportamento não seja um filme necessariamente de interpretação, é importante que o protagonista tenha presença em cena, o que definitivamente é o caso aqui. Pattinson é parte de tantos outros méritos que merecem ser descobertos e que minimizam as soluções eventualmente fáceis do roteiro, às vezes simplista demais ao abreviar situações com acasos um tanto impossíveis e que até exigem uma dose boa vontade do espectador (os policiais descuidados, as pessoas certas nos momentos certos, os golpes devidamente certeiros em situações de desespero). Mais do que continuar nessa batida de atuação, se Pattinson continuar optando por projetos assim, é de se esperar mesmo um futuro muito interessante para a sua carreira. Tomara que ele tenha aprendido com a colega Kristen Stewart.

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