Melhores de 2017 – Roteiro Original

Atravessando os diferentes estágios do luto, Manchester à Beira-Mar marca o auge da carreira de Kenneth Lonergan (Conte Comigo, Gangues de Nova York, Máfia no Divã) como roteirista. E não é por menos: escrito com maestria, o drama, além de explorar como a morte tem diferentes efeitos nos seres humanos, contextualiza cada personagem com inteligência, sobriedade e economia, inclusive aqueles com espaço limitadíssimo em cena, como a Randi de Michelle Williams, que, apesar do tempo restrito, é peça fundamental na potência dramática da história. Em 140 minutos de projeção, o roteiro encaixa fatos, revelações e desdobramentos com uma precisão cirúrgica para, ao longo e ao fim, comover e arrebatar sem qualquer apelação. Estudo íntimo e universal de personagens, o texto de Manchester à Beira-Mar é uma grande aula que deve ser sempre revisitada. Ainda disputavam a categoria: Bom Comportamento, Corra!, Mãe! e Personal Shopper.
EM ANOS ANTERIORES: 2016 – Aquarius | 2015 – Que Horas Ela Volta? | 2014 – Relatos Selvagens | 2013 – Antes da Meia-Noite | 2012 – A Separação | 2011 – Melancolia | 2010 – A Origem | 2009 – (500) Dias Com Ela | 2008 – WALL-E | 2007 – Ratatouille
Melhores de 2017 – Roteiro Adaptado

Animação francesa de temática delicadíssima, Minha Vida de Abobrinha acompanha a história de um garoto que, após causar acidentalmente a morte da própria mãe, é enviado a um orfanato. Lá, encontra crianças que, assim como ele, praticamente desconhecem o que é amor ou amizade e que, em muitos casos, também vieram de lares desfeitos por tragédias familiares. É fenomenal como a roteirista Céline Sciamma, que dirigiu e escreveu o ótimo Tomboy, adapta o livro homônimo de Gilles Paris, especialmente ao tratar de temas dificeis como abuso infantil, abandono e bullying: construído a partir de infinitas sutilezas, o roteiro captura o impacto de todos esses dramas ao mesmo tempo em que projeta, através do convívio entre tantos personagens solitários e sem perspectiva, algum tipo de luz no fim do túnel. O Oscar 2017 de melhor animação pode não ter vindo (o consagrado pela Academia foi o superestimado Zootopia), mas a França deu o devido valor ao filme de Claude Barras: no Festival de Annecy, levou o prêmio principal e o do público, enquanto os votantes do César concederam ao filme as estatuetas de melhor animação e roteiro adaptado. Ainda disputavam a categoria: Extraordinário, O Filme da Minha Vida, Logan e Moonlight: Sob a Luz do Luar.
EM ANOS ANTERIORES: 2016 – Carol | 2015 – 45 Anos | 2014 – Garota Exemplar | 2013 – Azul é a Cor Mais Quente| 2012 – Precisamos Falar Sobre o Kevin | 2011 – A Pele Que Habito | 2010 – Direito de Amar | 2009 – Dúvida | 2008 – Desejo e Reparação | 2007 – Notas Sobre Um Escândalo
Melhores de 2017 – Trilha Sonora

La La Land: Cantando Estações trata predominantemente sobre uma relação amorosa, mas tão importante quanto ela é o fato do filme dirigido por Damien Chazelle ser sobre música. Isso eleva a trilha sonora a um outro patamar: assim como as canções interpretadas pelos atores compõem a narrativa da história, a parte instrumental assinada por Justin Hurwitz é peça fundamental na construção de identidade do musical. Memoráveis, as composições acompanham, com delicadeza, criatividade e encantamento, os altos e baixos da relação amorosa entre os protagonistas. A homenagem ao jazz é clara, mas se tem algo que a trilha de La La Land faz de forma magnífica, assim como o filme, é unir o clássico ao contemporâneo sem jamais perder o afeto e a ternura, sempre permanecendo com o espectador ao fim de cada revisão. Ainda disputavam a categoria: Bom Comportamento, A Criada, Dunkirk e Moonlight: Sob a Luz do Luar.
EM ANOS ANTERIORES: 2016 – Carol | 2015 – Sicario: Terra de Ninguém | 2014 – Ela | 2013 – Gravidade | 2012 – Tão Forte e Tão Perto | 2011 – A Última Estação | 2010 – Direito de Amar | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Desejo e Reparação| 2007 – A Rainha
Melhores de 2017 – Figurino

Para recriar as peças do icônico guarda-roupa da ex-primeira dama Jacqueline Kennedy, o diretor Pablo Larraín contou com o trabalho de uma figurinista francesa de mão cheia: Madeline Fontaine, que leva no currículo filmes como O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, Eterno Amor e Yves Saint-Laurent. O que Madeline faz em Jackie é mais do que simplesmente reproduzir as roupas tão emblemáticas de ex-primeira dama, como o terno rosa que ela usava quando teve o marido John Kennedy assassinado ao seu lado, mas compreender que o visual, ainda hoje, é parte fundamental do folclore envolvendo Jaqueline. Nesse processo, a figurinista fez uma pesquisa de caminho inverso, priorizando a busca do estilo que marcou toda a geração da protagonista em cortes, tecidos e composições para depois chegar ao que de fato Jacqueline vestia. É uma escolha fundamental que tira os figurinos de Jackie da mera curiosidade: no filme de Larraín, eles são, indiscutivelmente, uma peça crucial para a construção da personagem. Ainda disputavam a categoria: A Bela e a Fera, A Criada, La La Land: Cantando Estações e Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha.
EM ANOS ANTERIORES: 2016 – Carol | 2015 – Macbeth: Ambição e Guerra | 2014 – O Grande Hotel Budapeste | 2013 – Anna Karenina | 2012 – W.E. – O Romance do Século | 2011 – O Discurso do Rei | 2010 – A Jovem Rainha Victoria | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Elizabeth – A Era de Ouro | 2007 – Maria Antonieta
Melhores de 2017 – Maquiagem & Penteados

Donald Mowat e Kerry Warn, responsáveis pela maquiagem e pelos penteados de Blade Runner 2049, seguiram à risca o pedido do diretor Denis Villeneuve: imaginar o futuro, mas de forma mais realista e sem tentar reproduzir o visual do longa original dirigido por Ridley Scott. Inteligentíssimos no uso de uma maquiagem que foge completamente daquilo que as premiações estão acostumadas a celebrar (transformações pesadíssimas para papéis biográficos), Mowat e Warn pensam o universo de Blade Runner 2049 com um trabalho minucioso de cortes de cabelo, perucas, lentes de contato, pinturas corporais, sangue, poeira e suor, elementos que, em boa parte do tempo, não são associados ou valorizados em trabalhos dessa natureza. Desafiada a se adaptar às idas e vindas das filmagens que não foram realizadas em ordem cronológica, a dupla ainda precisou enfrentar imposições climáticas, já que eventuais sequências do filme se desenrolam em meio à chuva, neve e vento. Ainda disputavam a categoria: Extraordinário e Okja.
EM ANOS ANTERIORES: 2016 – Ave, César! | 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – O Grande Hotel Budapeste | 2013 – A Morte do Demônio | 2012 – A Dama de Ferro (primeiro ano da categoria)