Cinema e Argumento

Melhores de 2018 – Efeitos Visuais

Com o desafio de tornar dinâmico e envolvente um filme ambientado praticamente por inteiro em um universo de videogame, o quarteto David Shirk, Grady Cofer, Matthew E. Butler e Roger Guyett misturou técnicas de animação e de capturas de movimento (aquela mesmo que tanto consagrou Andy Serkis em sagas como O Senhor dos Aneis e Planeta dos Macacos) para reproduzir as relações que Jogador Nº1 estabelece entre o real e o virtual, além da infinidade de referências pop que somente um diretor como Steven Spielberg conseguiria colocar na tela com tanta propriedade. É fato que o longa usa e abusa de efeitos visuais sem se preocupar com sutilezas ou economia (seria difícil, considerando as cenas de ação e a gama de personagens recriados e idealizados especialmente para o filme), mas poucas vezes, assim como nos melhores momentos da carreira de Spielberg, o uso das tecnologias serviu tão bem a um entretenimento grandioso, empolgante e inventivo nas mesmas proporções. Ainda disputavam a categoriaPaddington 2Pantera NegraO Primeiro Homem Vingadores: Guerra Infinita.

EM ANOS ANTERIORES: 2017 Blade Runner 2049 | 2016 – Doutor Estranho | 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – Planeta dos Macacos: O Confronto| 2013 – Gravidade | 2012 – O Hobbit: Uma Jornada Inesperada | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – Tron: O Legado | 2009 – Avatar (primeiro ano da categoria)

Melhores de 2018 – Canção Original

Como toda canção marcante escrita especialmente para um longa-metragem, “Shallow” é uma excelente síntese em versão musical de tudo aquilo que acompanhamos em Nasce Uma Estrela. Tanto na tela quanto na canção, o espectador se depara com dois personagens insatisfeitos com suas próprias vidas e que, quando se conhecem, passam a enxergar, no amor e na música, uma razão para seguir em frente e criar, mesmo que a vida obviamente continue com inúmeras pedras no caminho. Escrita por Andrew Wyatt, Anthony Rossomando, Lady Gaga e Mark Ronson, “Shallow” é o ponto alto de uma trilha sonora que molda os caminhos emocionais de um filme sobre dois músicos. Também é uma canção que reafirma a incrível potência musical de Lady Gaga e que, acima de tudo, carrega toda a força e a emoção que, para o escriba que vos fala, não se desenha de maneira equivalente no filme em si. Merecidamente premiada com o Oscar, “Shallow” já se firmou como uma das mais canções marcantes premiadas recentemente na categoria, e não por menos: se há uma razão para Nasce Uma Estrela ser lembrado, essa é, sem dúvida alguma, esse hit que ainda levou para casa um Grammy na categoria de melhor performance de uma dupla ou grupo pop. Ainda disputavam a categoria: “All the Stars” (Pantera Negra), “Mystery of Love” (Me Chame Pelo Seu Nome), “Remember Me” (Viva – A Vida é Uma Festa) e “Visions of Gideon” (Me Chame Pelo Seu Nome).

EM ANOS ANTERIORES: 2017 – “Another Day of Sun” (La La Land: Cantando Estações) | 2016 – “Simple Song #3” (A Juventude| 2015 – “Glory” (Selma: Uma Luta Pela Igualdade| 2014 – “Let it Go” (Frozen – Uma Aventura Congelante| 2013 – “Last Mile Home” (Álbum de Família| 2012 – “Skyfall” (007 – Operação Skyfall| 2011 – “Life’s a Happy Song” (Os Muppets| 2010 – “Better Days” (Comer Rezar Amar| 2009 – “By the Boab Tree” (Austrália| 2008 – “Falling Slowly” (Apenas Uma Vez)

Melhores de 2018 – Maquiagem & Penteados

Pouco reconhecido na temporada de premiações deste ano, o trabalho de maquiagem e penteados de Pantera Negra é tão interessante e sofisticado quanto outros segmentos do filme que chegaram a vencer o Oscar, como o design de produção, os figurinos e a trilha sonora. Tomando como base uma ampla e meticulosa pesquisa envolvendo as identidades de inúmeros povos africanos através dos séculos, o trio formado por Camille Friend, Joel Harlow e Ken Diaz buscou criar para o longa determinados grupos de personagens que, em termos de maquiagem e penteados, perfeitamente se equivalem a tribos e guerreiros que realmente existiram em países como Etiópia, Namíbia, Gana e República do Congo. A pesquisa realizada in loco na África não se limita, no entanto, à mera cópia, uma vez que Camille, Joel e Ken idealizaram todo o seu trabalho sob a luz dos dias atuais: para eles, era questão de honra, por exemplo, que as mulheres do fictício país Wakanda fossem fortes, belas e imponentes a sua própria maneira, estabelecendo uma referência de beleza que a sociedade como um todo nunca se interessou em criar para mulheres negras. Excelência com consciência: uma combinação impecável. Ainda disputavam a categoriaO Destino de Uma Nação Eu, Tonya.

EM ANOS ANTERIORES: 2017Blade Runner 2049 | 2016 – Ave, César! | 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – O Grande Hotel Budapeste | 2013 – A Morte do Demônio | 2012 – A Dama de Ferro (primeiro ano da categoria)

Melhores de 2018 – Som

Realizar um filme de terror onde a tensão e os sustos são construídos através da discrição e não a partir de barulhos estridentes ou de trilhas acima do tom não é prática muito comum no gênero, especialmente se considerarmos as grandes produções hollywoodianas. Por isso mesmo é precioso o trabalho de som realizado pela dupla Ethan Van Der Ryn e Erik Aadahl para Um Lugar Silencioso. Tratando o silêncio como um personagem muito mais importante do que os próprios protagonistas de carne e osso, Van Der Ryn e Aadahl articulam a sensação de ameaça e perigo por meio de cada inflexão de som, potencializando-o com a sua quase ausência e não com a sua excessiva presença. O feito é grandioso: tanto Um Lugar Silencioso envolve por completo as plateias hiper-conectadas e dispersas dos dias de hoje como constrói uma narrativa própria de suspense e drama através do som, revitalizando no cinema comercial aquela máxima por vezes tão esquecida e subestimada: a de que menos é sempre mais. Ainda disputavam a categoriaBohemian Rhapsody, Ilha dos CachorrosNasce Uma Estrela e Você Nunca Esteve Realmente Aqui.

EM ANOS ANTERIORES: 2017 Dunkirk | 2016 – Ponto Zero | 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – Até o Fim | 2013 – Gravidade | 2012 – 007 – Operação Skyfall | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – Tron: O Legado | 2009 – Avatar | 2008 – WALL-E | 2007 – O Ultimato Bourne

Melhores de 2018 – Figurino

Figurinista dos filmes de Paul Thomas Anderson desde quando o cineasta estreou em longas-metragens com Jogada de Risco em 1996, Mark Bridges recriou para Trama Fantasma toda a inspiração da moda britânica dos anos 1950, imaginando o que vestiria a geração que chegava ao fictício ateliê House of Woodcock para encomendar as desejadas criações do estilista vivido por Daniel Day-Lewis. É um trabalho sofisticado que não torna as peças hiperbólicas, como se elas fossem um personagem à parte, já que, em cada vestido projetado por Reynolds, existe muito do perfeccionismo e da forte personalidade do protagonista. Dessa forma, Mark Bridges trabalhou de forma muito próxima com Day-Lewis, definindo junto ao ator quais seriam os traços não das roupas daquela época, mas sim daquelas que o personagem teria criado com tanto controle e orgulho. O belíssimo resultado rendeu ao figurinista um segundo e incontestável Oscar (o primeiro veio por O Artista em 2012). Ainda disputavam a categoriaAnimais Fantásticos: Os Crimes de GrindelwaldO Destino de Uma NaçãoA Forma da Água O Retorno de Mary Poppins.

EM ANOS ANTERIORES: 2017 Jackie | 2016 – Carol | 2015 – Macbeth: Ambição e Guerra | 2014 – O Grande Hotel Budapeste | 2013 – Anna Karenina | 2012 – W.E. – O Romance do Século | 2011 – O Discurso do Rei | 2010 – A Jovem Rainha Victoria | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Elizabeth – A Era de Ouro | 2007 – Maria Antonieta

Melhores de 2018 – Design de Produção

Inicialmente idealizado como uma obra em preto e branco, A Forma da Água logo se coloriu quando o diretor Guillermo Del Toro convocou Paul D. Austerberry para assinar o design de produção do filme junto à dupla Jeffrey A. Melvin e Shane Vieau. Austerberry não apenas convenceu Del Toro que seu filme seria muito mais pulsante e instigante caso abandonasse a ideia do preto e branco como analisou com o diretor cada uma das 3.500 cores da paleta proposta para o design de produção do projeto. Mais do que isso, Austerberry, Melvin e Vieau mergulharam criativamente nas assumidas referências estéticas do cineasta, como o longa Os Sapatinhos Vermelhos, de 1948, para moldar os cenários e as decorações dos diferentes núcleos de A Forma da Água. Entre os laboratórios onde Elisa (Sally Hawkins) trabalha e os apartamentos envelhecidos em cima de um cinema de rua, o design de produção do filme transita entre a fantasia e o realista estado emocional de seus personagens com detalhes tão mínimos quanto impressionantes. Ainda disputavam a categoriaAnimais Fantásticos: Os Crimes de GrindelwaldO Retorno de Mary PoppinsRoma Sem Fôlego.

EM ANOS ANTERIORES: 2017 Blade Runner 2049 | 2016 – Animais Fantásticos e Onde Habitam | 2015 – Expresso do Amanhã | 2014 – O Grande Hotel Budapeste | 2013 – Anna Karenina | 2012 – A Invenção de Hugo Cabret | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet | 2007 – Maria Antonieta

Melhores de 2018 – Ator Coadjuvante

Coadjuvante no filme com um todo, mas protagonista da cena indiscutivelmente mais bela de Me Chame Pelo Seu Nome, Michael Stuhlbarg tinha uma missão muito difícil ao dar vida ao pai de Elio (Timothée Chalamet). Como, afinal, em apenas uma cena, sintetizar a gama de emoções construída pelo texto e fazer com que o espectador acredite que o personagem, de fato, diz, sente e já viveu tudo aquilo que está posto pelo roteiro? Em poucos minutos, muito é dito na cena entre os dois personagens — e é verdade que o texto dá conta de boa parte do sentimento avassalador dessa sequência —, mas é loucura subestimar Stuhlbarg, que, em cada movimento e em cada olhar, esbanja a delicadeza, a generosidade e a sabedoria que todo pai deveria compartilhar com um filho. É um trabalho sutil e meticuloso que engrandece o momento que tanto faz Me Chame Pelo Seu Nome reverberar após a sessão. Ainda disputavam a categoria: Barry Keoghan (O Sacrifício do Cervo Sagrado), Bruno Fernandes (Tinta Bruta), Daniel Kaluuya (As Viúvas) e Irandhir Santos (O Animal Cordial).

EM ANOS ANTERIORES: 2017  Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar) | 2016 – Steve Carell (A Grande Aposta) | 2015 – Edward Norton (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)) | 2014 – Jared Leto (Clube de Compras Dallas| 2013 – Philip Seymour Hoffman (O Mestre| 2012 – Nick Nolte (Guerreiro| 2011 – Alan Rickman (Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2| 2010 – Michael Douglas (Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme| 2009 – Christoph Waltz (Bastados Inglórios| 2008 – Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez| 2007 – Casey Affleck (O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford)

Melhores de 2018 – Atriz Coadjuvante

Com mais de 80 produções no currículo, Laurie Metcalf é uma veterana da TV e do teatro que, em 2018, viveu tardiamente o momento mais expressivo de sua carreira cinematográfica. Consagrada em inúmeras associações de críticos por seu desempenho em Lady Bird: A Hora de Voar, Metcalf concentra uma imensa parcela do afeto transmitido por esse longa que marca a estreia de Greta Gerwig na direção. Como a mãe da protagonista-título, a atriz busca toda a delicadeza e, principalmente, os contrastes emocionais de uma mãe que, pelas mais diferentes razões, pouco consegue se comunicar com a própria filha. Entre duras exigências maternas e reprimidas demonstrações de carinho, Metcalf encanta ao iluminar, com inteligência e sutileza, as camadas de um papel incrivelmente cotidiano, mas que, por meio de sua performance, torna-se tão complexo, vivo e fascinante quanto a própria vida. Ainda disputavam a categoria: Elizabeth Debicki (As Viúvas), Lesley Manville (Trama Fantasma), Mackenzie Davis (Tully) e Rachel McAdams (Desobiência).

EM ANOS ANTERIORES: 2017 – Clarisse Abujamra (Como Nossos Pais) | 2016 – Juliana Paes (A Despedida| 2015 – Kristen Stewart (Acima das Nuvens| 2014 – Lesley Manville (Mais Um Ano) | 2013 – Helen Hunt (As Sessões| 2012 – Viola Davis (Histórias Cruzadas| 2011 – Amy Adams (O Vencedor| 2010 – Marion Cotillard (Nine| 2009 – Kate Winslet (O Leitor| 2008 – Marcia Gay Harden (O Nevoeiro| 2007 – Imelda Staunton (Harry Potter e a Ordem da Fênix)

Melhores de 2018 – Trilha Sonora

Guitarrista da banda Radiohead, Jonny Greenwood é, facilmente, uma das grandes revelações dos últimos anos em termos de trilha sonora para o Cinema. Tudo graças ao cineasta Paul Thomas Anderson, que, em 2007, lhe confiou a trilha do épico Sangue Negro. A colaboração entre os dois se aperfeiçoou em outros títulos como O Mestre e Vício Inerente, até alcançar a legítima perfeição em Trama Fantasma. Ao longo de 18 composições, Greenwood captura tanto o relacionamento tortuoso entre Reynolds (Daniel Day-Lewis) e Alma (Vicky Krieps) quanto a sofisticação do mundo da alta costura britânica dos anos 1950. Após idealizar a trilha tendo como conceito o tipo de música que o próprio protagonista ouviria, Greenwood apresentou o resultado para o diretor, que logo disparou que o resultado era tão poderoso a ponto de contar toda a história por si só, sem a necessidade de imagens. Impossível discordar: dentro e fora do filme, o que Greenwood faz para Trama Fantasma nos conduz por diferentes emoções e reações como se fosse uma relato com vida própria, mas sem jamais se desvincular do filme em si. Ainda disputavam a categoriaA Forma da ÁguaO Primeiro HomemSem Fôlego Você Nunca Esteve Realmente Aqui.

EM ANOS ANTERIORES: 2017 La La Land: Cantando Estações | 2016 – Carol | 2015 – Sicario: Terra de Ninguém | 2014 – Ela | 2013 – Gravidade | 2012 – Tão Forte e Tão Perto | 2011 – A Última Estação | 2010 – Direito de Amar | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Desejo e Reparação| 2007 – A Rainha

Melhores de 2018: “Trama Fantasma” lidera lista do Cinema e Argumento com nove indicações

Trama Fantasma é o líder de indicações na lista de melhores de 2018 do Cinema e Argumento. Concorrendo em nove categorias, o filme é seguido de perto por Você Nunca Esteve Realmente Aqui, com oito indicações.

Quando elaboradas por uma única pessoa, listas costumam ser, claro, muito particulares. Não poderia seria diferente aqui no Cinema e Argumento, quando chego agora a mais uma edição da tradicional lista de melhores do ano. Como sempre, para organizá-la, procurei o mais alto grau de coerência e fidelidade em relação às melhores experiências que tive com o Cinema ao longo de 2018. Sem amarras ou concessões, a lista, antes de tudo, tem como objetivo ser esse apanhado de tudo aquilo que mais me comoveu, impactou e surpreendeu. Simples assim, sem qualquer outra lógica. Distribuídos em 18 categorias, todos os títulos selecionados estão mais mais uma vez juntos, sem distinção por nacionalidade ou gênero, como acredito que sempre deva ser em qualquer premiação.

A categoria principal, por sinal, é uma fidelíssima representação das grandes experiências que tive ao longo do ano, além de um belo resumo de tudo aquilo que mais admiro no Cinema. Em síntese, três títulos nacionais (O Animal Cordial, Benzinho e As Boas Maneiras, fazendo jus ao marcante ano vivido pela cinematografia nacional), uma grande obra assinada por um dos melhores cineastas em atividade (Trama Fantasma, do genial Paul Thomas Anderson) e uma produção altamente independente que subverte diversas convencionalidades e expectativas (Você Nunca Esteve Realmente Aqui, novo trabalho da sempre provocadora Lynne Ramsay). Dos cinco filmes selecionados, três, inclusive, levam a assinatura de mulheres na direção.

Considerando todas as categorias, Trama Fantasma lidera a lista com nove indicações (filme, direção, ator, atriz, atriz coadjuvante, roteiro original, trilha sonora, figurino e fotografia), seguido de perto por Você Nunca Esteve Realmente Aqui, que disputa oito categorias (filme, direção, ator, roteiro adaptado, montagem trilha sonora, fotografia e som). No mais, como é tradição aqui no blog, revelaremos, ao longo das próximas semanas de janeiro, os vencedores de cada segmento, com comentários e uma pequena retrospectiva de vencedores dos anos anteriores. Lembrando que o Cinema e Argumento escolhe os seus melhores do ano desde a criação do blog, em 2007, e o histórico completo, categoria por categoria, pode ser conferido aqui. Fiquem abaixo com a lista completa de 2018!

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MELHOR FILME
O Animal Cordial
Benzinho
As Boas Maneiras
Trama Fantasma
Você Nunca Esteve Realmente Aqui

MELHOR DIREÇÃO
Alfonso Cuarón (Roma)
Gabriela Amaral Almeida (O Animal Cordial)
Juliana Rojas e Marco Dutra (As Boas Maneiras)
Lynne Ramsay (Você Nunca Esteve Realmente Aqui)
Paul Thomas Anderson (Trama Fantasma)

MELHOR ELENCO
O Animal Cordial
Benzinho
Infiltrado na Klan
The Post: A Guerra Secreta
As Viúvas

MELHOR ATRIZ
Charlize Theron (Tully)
Charlotte Rampling (Hannah)
Karine Telles (Benzinho)
Toni Collette (Hereditário)
Vicky Krieps (Trama Fantasma)

MELHOR ATOR
Daniel Day-Lewis (Trama Fantasma)
Joaquin Phoenix (Você Nunca Esteve Realmente Aqui)
Murilo Benício (O Animal Cordial)
Shico Menegat (Tinta Bruta)
Timothée Chalamet (Me Chame Pelo Seu Nome)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Elizabeth Debicki (As Viúvas)
Laurie Metcalf (Lady Bird: A Hora de Voar)
Lesley Manville (Trama Fantasma)
Mackenzie Davis (Tully)
Rachel McAdams (Desobiência)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Barry Keoghan (O Sacrifício do Cervo Sagrado)
Bruno Fernandes (Tinta Bruta)
Daniel Kaluuya (As Viúvas)
Irandhir Santos (O Animal Cordial)
Michael Stuhlbarg (Me Chame Pelo Seu Nome)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
As Boas Maneiras
Benzinho
Sem Amor
Trama Fantasma
Tully

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Desobediência
Infiltrado na Klan
Me Chame Pelo Seu Nome
Paddington 2
Você Nunca Esteve Realmente Aqui

MELHOR MONTAGEM
Eu, Tonya
O Processo
Roma
As Viúvas
Você Nunca Esteve Realmente Aqui

MELHOR FOTOGRAFIA
A Forma da Água
Roma

Sem Fôlego
Trama Fantasma
Você Nunca Esteve Realmente Aqui

MELHOR TRILHA SONORA
A Forma da Água
O Primeiro Homem
Sem Fôlego
Trama Fantasma
Você Nunca Esteve Realmente Aqui

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald
A Forma da Água
O Retorno de Mary Poppins
Roma
Sem Fôlego

MELHOR FIGURINO
Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald
O Destino de Uma Nação
A Forma da Água
O Retorno de Mary Poppins
Trama Fantasma

MELHOR SOM
Bohemian Rhapsody
Ilha dos Cachorros
Um Lugar Silencioso
Nasce Uma Estrela
Você Nunca Esteve Realmente Aqui

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“All the Stars” (Pantera Negra)
“Mystery of Love” (Me Chame Pelo Seu Nome)
“Remember Me” (Viva – A Vida é Uma Festa)
“Shallow” (Nasce Uma Estrela)
“Visions of Gideon” (Me Chame Pelo Seu Nome)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Jogador Nº 1
Paddington 2
Pantera Negra
O Primeiro Homem
Vingadores: Guerra Infinita

MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS
O Destino de Uma Nação
Eu, Tonya
Pantera Negra

Adeus, 2018! (e as melhores cenas do ano)

Para quem ama Cinema, talvez os filmes tenham sido uma espécie de salvação em um ano extremamente complicado para o Brasil. Para mim, ao menos, eles realmente foram. Além disso, na medida do possível, entre os malabarismos exigidos pela vida adulta, vi a maioria dos títulos que eu desejava — e, apesar do baixo número de filmes conferidos em comparação a tantos outros anos, fiquei muito satisfeito com a média das minhas experiências, algo que é consequência direta do exercício cada vez mais consciente que faço de escapar daqueles filmes que, de longe, já desconfio que não podem ter resultado em coisa boa. Uma imensa parte dessas experiências está registrada aqui no blog (algumas outras ainda estou em dívida e prometo tirar o atraso o quanto antes). Aliás, mesmo com uma frequência inegavelmente menor de postagens, sempre tive o compromisso de deixar o Cinema e Argumento vivo. Ele faz parte de mim e eu não teria como mudar isso, inclusive por causa de vocês, caros leitores, que são sempre tão presentes para mim, especialmente na página do blog no Facebook. Em 2019, seguimos em frente, e logo teremos a lista de melhores do ano. Por ora, dou adeus a 2018 com a tradicional seleção das minhas cenas favoritas do ano. Nos vemos em seguida, combinado?

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#10 – “Eu sou a sua mãe!” (Hereditário)

Toni Collette como há muito tempo não víamos. Rancor e dor em uma discussão familiar que explora o que existe de melhor em Hereditário: a utilização do luto como riquíssima matéria-prima para complexidades dramáticas e para a construção do terror psicológico.

#9 – Assumindo a direção no OASIS (Jogador Nº1)

Adrenalina pura e referências de sobra tornam a primeira corrida no jogo OASIS uma experiência de tirar o fôlego. É o primeiro grande impacto desse blockbuster que está à altura do que Steven Spielberg criou em seus melhores entretenimentos para o grande público.

#8 – Abraço na praia (Roma)

Em um abraço, todo o universo de uma mulher invisível e de uma família desmantelada pelo abandono paterno. É a mais simples demonstração de afeto pode tornando menos solitário esse mundo que, para determinadas parcelas da sociedade, é um desafio diário.

#7 – A dança de Pedro (Tinta Bruta)

Como encontrar cores e conexões em uma cidade que tanto insiste em julgar e afastar? Como encontrar sua própria voz quando nada parece ser uma certeza? Com a dança de Pedro (Shico Menegat), no entanto, um universo de possibilidades parece se abrir em Tinta Bruta.

#6 – Ally e Jackson cantam “Shallow” (Nasce Uma Estrela)

Duas pessoas perdidas na vida encontram na música e na existência do outro uma razão para seguir em frente. Nos palcos ou fora deles, todos nós merecemos ser protagonistas de vez em quando. É tudo o que Nasce Uma Estrela deveria ter sido como um todo.

#5 – De mãos dadas (As Boas Maneiras)

Um dos grandes momentos do cinema brasileiro em 2018, a sequência final de As Boas Maneiras é um comovente e esperançoso registro de resistência em um país afogado em intolerância e preconceito. Ninguém solta a mão de ninguém. Inclusive no Cinema.

#4 – Show do Queen no Live Aid (Bohemian Rhapsody)

Rami Malek alcança sua sua nota mais impressionante como Freddie Mercurie. Além disso, a arriscada (mas acertada) decisão de reproduzir uma longa apresentação musical praticamente na íntegra coloca qualquer espectador no centro de toda a imensa emoção de um momento histórico do rock mundial.

#3 – Miguel canta para a avó (Viva: A Vida é Uma Festa)

Poucas vezes tivemos, ao menos entre as animações recentes, uma sequência tão potente do ponto de vista emocional como essa em que Miguel canta para a avó em Viva. Nela, vemos um pouquinho de todos nós e de tantos queridos familiares que passaram pelas nossas vidas.

#2 – Irene, a camiseta do filho e o desfile musical (Benzinho)

Testamento máximo do imenso talento dramático de Karine Teles. Uma carta de amor para as mulheres que nos criam e que diariamente levam o Brasil para frente. Mais do que isso, um poderoso e comovente retrato da força transformadora do afeto.

#1 – Conversa entre pai e filho (Me Chame Pelo Seu Nome)

O texto mais belo do ano. Michael Stuhlbarg em estado de graça. Quando a sabedoria é passada de uma geração para a outra. A vida como um constante aprendizado, apesar da dor e dos corações partidos. O que seria de todos nós sem compreensão e apoio?

Melhores de 2017 – Filme

Filme que ficará para a posteridade independente da avaliação rasteira por boa parte do público e da crítica, Mãe! brilha por sua provocação e por sua falta de padrões, qualidades que, ao contrário do que se percebe na banalização do exercício da crítica de cinema, não deveriam ser tratadas como deméritos e sim como grandes qualidades. Darren Aronofsky, que fez o filme que bem entendeu, pouco se preocupando com o que qualquer pessoa (estúdio, público, crítica) acharia ou não de seu trabalho, restaura nossa fé não na realização de um cinema pretensioso, mas sim livre, autêntico e convicto. Rico em análises, o longa pode ser visto como uma releitura de questões bíblicas, como a via crucis do que é ser uma mulher sem voz em um mundo dominado por homens ou como o retrato do lado mais obscuro do amor, onde nos doamos e nos anulamos tanto que, ao fim, o que resta é simplesmente arrancar nossos corações para seguir em frente. E por que não colocar drama, suspense, guerra, metáforas, hipérboles e literalmente todo o universo dentro de uma casa para discutir tudo isso? Cinema que divide plateias, Mãe! terá o tempo ao seu lado, sendo lembrada infinitamente mais do que obras unanimemente premiadas mundo afora. Ainda disputavam a categoriaLa La Land: Cantando Estações, Logan, Manchester à Beira-Mar e Personal Shopper.

EM ANOS ANTERIORES: 2016 – Carol | 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – Relatos Selvagens | 2013 – Gravidade | 2012 – Precisamos Falar Sobre o Kevin | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – Direito de Amar | 2009 – Dúvida | 2008 – WALL-E | 2007 – O Ultimato Bourne

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