Cinema e Argumento

Melhores de 2019 – Filme

Foi com um misto de choque e maravilhamento que o diretor Bong Joon-ho recebia cada uma das estatuetas entregues a Parasita na última cerimônia do Oscar. O êxtase do cineasta era mais do que compreensível, pois nunca uma produção de língua não-inglesa havia chegando tão longe na cerimônia, recebendo, inclusive, a histórica estatueta de melhor filme. E ainda foi pouco: com Parasita, Bong Joon-ho entrega uma obra que será eternamente referenciada como um dos melhores títulos dos anos 2010, mas também como um brilhante retrato sobre as contradições e as disparidades sociais vividas pelo mundo nesse período. É um registro poderoso e surpreendente, potencializado pelas possibilidades narrativas do cinema que Bong Joo-ho domina com imensa sabedoria e rigor. Aqui no blog, também faz história: consagrado em sete categorias (filme, direção, elenco, ator coadjuvante, roteiro original e design de produção), o longa desbanca o então recordista Gravidade como o recordista de vitórias na nossa premiação. Ainda disputavam a categoria: Bacurau, Cafarnaum, Dor e Glória e A Favorita.

EM ANOS ANTERIORES: 2018 Trama Fantasma | 2017 – Mãe! | 2016 – Carol | 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – Relatos Selvagens | 2013 – Gravidade | 2012 – Precisamos Falar Sobre o Kevin | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – Direito de Amar | 2009 – Dúvida | 2008 – WALL-E | 2007 – O Ultimato Bourne

Melhores de 2019 – Direção

Após realizar filmes mais alegóricos e de grande orçamento (Expresso do AmanhãOkja), o diretor Bong Joon-ho resolveu voltar para a escala cotidiana e microscópica que ele já havia explorado em títulos como MotherMemórias de Um Assassino. E o fez criando esse clássico instantâneo chamado Parasita, que é grandioso ao maximizar ideias aparentemente simples com criatividade e inteligência. O rigor apresentado por Bong Joon-ho atrás das câmeras é embasbacante: partindo de um roteiro originalíssimo, ele explora um punhado de personagens sem perder qualquer um deles de vista, faz do design de produção um componente fundamental para a identidade de seu filme, confere um pique invejável ao desenvolvimento da trama e ainda acerta nas camadas de todos os gêneros que busca pincelar aqui ou ali para compôr uma tremenda leitura sobre esse país chamado capitalismo em que todos nós vivemos. Parasita é lindo de se ver pois, como uma grande orquestra, tem cada precioso detalhe funcionando no tempo certo, o que é resultado direto da irretocável direção de um contador de histórias que sabe exatamente onde e como quer chegar, da forma mais envolvente e surpreendente possível. Ainda disputavam a categoria: Barry Jenkins (Se a Rua Beale Falasse), Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles (Bacurau), Nadine Labaki (Cafarnaum) e Pedro Almodóvar (Dor e Glória).

EM ANOS ANTERIORES: 2018 – Gabriela Amaral Almeida (O Animal Cordial) e Lynne Ramsay (Você Nunca Esteve Realmente Aqui) | 2017 – Darren Aronofsky (Mãe!| 2016 – José Pedro Goulart (Ponto Zero| 2015 – George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria| 2014 – David Fincher (Garota Exemplar| 2013 – Alfonso Cuarón (Gravidade| 2012 – Leos Carax (Holy Motors| 2011 – Darren Aronofsky (Cisne Negro| 2010 – Christopher Nolan (A Origem| 2009 – Danny Boyle (Quem Quer Ser Um Milionário?| 2008 – Paul Thomas Anderson (Sangue Negro| 2007 – Alejandro González Iñárritu (Babel)

Melhores de 2019 – Elenco

Em janeiro deste ano, antes de marcar época no Oscar como a primeira produção de língua não-inglesa a levar o prêmio de melhor filme em mais de 90 anos de história, Parasita já havia deixado sua marca pioneira no Screen Actors Guild Awards, onde levou a estatueta de melhor elenco, algo até então também inédito para produções em outro idioma que não seja o inglês. A consagração é inquestionável, pois o elenco de Parasita é a perfeita definição de um talentoso grupo de atores que sustenta com louvor a equação quantidade versus qualidade. Por mais que alguns atores tenham mais destaque do que outros em função do que a própria história exige (Song-kang Ho, Cho Yeo-jeong são dois destaques pontuais) todos estão em perfeita sintonia e inspiração, especialmente se tratando de um coletivo que, durante o desenrolar da trama, precisa alternar entre tantos gêneros diferentes sem jamais perder consistência e unidade. Ainda disputavam a categoria: Assunto de Família, Bacurau, Entre Facas e Segredos e A Favorita.

EM ANOS ANTERIORES: 2018 – O Animal Cordial | 2017 – Um Mergulho no Passado | 2016 – Animais Noturnos | 2015 – Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) | 2014 – Relatos Selvagens | 2013 – Álbum de Família | 2012 – O Impossível | 2011 – Tudo Pelo Poder | 2010 – Minhas Mães e Meu Pai | 2009 – Dúvida | 2008 – Vicky Cristina Barcelona | 2007 – Bobby

Melhores de 2019 – Ator

Sem saber escrever seu próprio nome, Zain al Rafeea foi descoberto aos 12 anos pela cineasta Nadine Labaki nas ruas de Beirut, quando ela procurava o protagonista de Cafarnaum. Refugiado, pobre e desamparado nesse país que lhe obrigou a crescer muito antes do esperado, o pequeno Zain, assim como outros tantos outros integrantes do elenco, tem em Cafarnaum a sua primeira experiência com interpretação, o que não transparece ao longo do filme: trazendo dentro de si vivências muito próximas àquelas que são mostradas ao longo da projeção, além de um grandioso talento, Zain dá vida a um personagem dolorosamente real, fruto de uma performance tão verdadeira quanto devastadora.

Ainda que pese o fato de Cafarnaum ter um tom praticamente documental ao colocar pessoas da vida real para interpretar fatos muito parecidos com os de sua própria existência — e há quem considere isso um demérito —, é simplesmente impossível diminuir o talento de Zain al Rafeea. Certamente nós vimos filmes diferentes se você, assim como eu, não testemunhou um desempenho miraculoso, onde um garoto inexperiente domina a tela e carrega quase sozinho um filme de duas horas. E não qualquer filme, mas um absurdamente triste, fulminante e narrado quase como uma jornada solo, algo capaz de intimidar até mesmo atores experientes.

Com carisma e profundidade, Zain faz o retrato perfeito de uma criança obrigada a ser adulta e que diariamente se vê agredida por uma vida que jamais lhe dá a mão. Suas lágrimas são genuínas e a empatia que ele desperta no espectador é inquestionável. Como ele conseguiu fazer tudo o que vemos em Cafarnaum? Nem Nadine Labaki sabe explicar. Quando o longa foi exibido pela primeira vez no Festival de Cannes, a diretora disse que apenas ligava a câmera e Zain entregava tudo aquilo que está registrado em Cafarnaum, praticamente sem orientações, como um ator nato. Há quem passe a vida inteira tentando despertar um fascínio como esse. Ainda disputavam a categoria: Adam Driver (História de Um Casamento), Antonio Banderas (Dor e Glória), Joaquin Phoenix (Coringa) e Marco Nanini (Greta).

EM ANOS ANTERIORES: 2018 – Daniel Day-Lewis (Trama Fantasma) | 2017 – Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar| 2016 – Nelson Xavier – A Despedida | 2015 – David Oyelowo (Selma: Uma Luta Pela Igualdade| 2014 – Jake Gyllenhaal (O Abutre| 2013 – Joaquin Phoenix (O Mestre| 2012 – Rodrigo Santoro (Heleno| 2011 – Colin Firth (O Discurso do Rei| 2010 – Colin Firth (Direito de Amar| 2009 – Sean Penn (Milk – A Voz da Igualdade| 2008 – Daniel Day-Lewis (Sangue Negro| 2007 – Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia)

Melhores de 2019 – Atriz

Uma das raríssimas atrizes agraciadas com o Oscar pelo papel certo, Olivia Colman é um furacão em A Favorita. Mesmo quando ela não está em cena, o filme de Yorgos Lanthimos respira a sua presença, o que não é pouca coisa, especialmente quando também temos Rachel Weisz e Emma Stone em momentos inspirados. Não há como contestar: é genial a forma como ela dá vida à conturbada rainha Anne, sempre com muita humanidade e sem cair no risco de torná-la caricata. E a missão era muito difícil, visto que a personagem transita por uma gama de emoções com extrema velocidade e tem na insanidade a matéria-prima para variáveis de drama e humor.

Quando questionada sobre como conduziu sua performance, Olivia pede desculpas e revela que ela, como atriz, não têm processos muito claros. Isso pode ser motivo de decepção para muitos entrevistadores (o que ela mais cita sobre sua vivência em A Favorita é o fato de ter comido muito durante as gravações), mas talvez seja a sua maior qualidade como intérprete. Esse mistério de não se encaixar em definições fáceis e que lhe permite ser escalada para qualquer papel acabou encantando Yorgos Lanthimos, que deu a Colman o palco perfeito para ela criar o tipo de performance que define uma carreira. Ainda disputavam a categoria: Camila Morgado (Vergel), Glenn Close (A Esposa), Lupita Nyong’o (Nós) e Scarlett Johansson (História de Um Casamento).

EM ANOS ANTERIORES: 2018 – Karine Teles (Benzinho) | 2017 – Jennifer Lawrence (Mãe!| 2016 – Isabelle Huppert (Elle| 2015 – Camila Márdila e Regina Casé (Que Horas Ela Volta?) | 2014 – Rosamund Pike (Garota Exemplar| 2013 – Adèle Exarchopoulos (Azul é a Cor Mais Quente| 2012 – Tilda Swinton (Precisamos Falar Sobre o Kevin| 2011 – Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg (Melancolia| 2010 – Carey Mulligan (Educação| 2009 – Kate Winslet (Foi Apenas Um Sonho| 2008 – Meryl Streep (Mamma Mia!| 2007 – Marion Cotillard (Piaf – Um Hino ao Amor)

Melhores de 2019 – Roteiro Original

Em mais de 20 anos de carreira, o cineasta Bong Joon-ho sempre trabalhou com todo tipo de gênero, e Parasita não deixa de ser mais um trabalho onde ele mistura e subverte muitos deles, mas sua maior preocupação ao escrever o roteiro do filme era contar uma história sobre pessoas mundanas e que podem muito bem ser nossos vizinhos. Inicialmente pensado como uma peça de teatro, Parasita aos poucos foi tomando forma como uma experiência cinematográfica, com sua gênese dramática centrada na relação entre ricos e pobres, discussão já presente em Expresso do Amanhã, ficção científica assinada por Bong Joon Ho ainda quando o roteiro de Parasita estava sendo escrito por ele em parceria com Jin Won Han.

Sem estereótipos, a dupla cria dois núcleos de poder aquisitivo muito distintos, desfiando perspectivas inteligentíssimas, como a questão da (falta de) privacidade de cada família (os ricos moram em uma espécie castelo isolado, enquanto os pobre vivem em um apartamento subterrâneo cuja única janela está à altura do chão da rua, como se eles fossem mendigos). Conjugando uma trama de disparidades sociais e dinâmicas familiares, o roteiro de Parasita não limita seus personagens à mera definição de mocinhos e vilões, desenvolvendo todos com desenvoltura em um emaranhado de acontecimentos surpreendentes e empolgantes. Ainda disputavam a categoria: Bacurau, Dor e Glória, Entre Facas e Segredos e A Favorita.

EM ANOS ANTERIORES: 2018 – Trama Fantasma | 2017 – Manchester à Beira-Mar | 2016 – Aquarius | 2015 – Que Horas Ela Volta? | 2014 – Relatos Selvagens | 2013 – Antes da Meia-Noite | 2012 – A Separação | 2011 – Melancolia | 2010 – A Origem | 2009 – (500) Dias Com Ela | 2008 – WALL-E | 2007 – Ratatouille

Melhores de 2019 – Roteiro Adaptado

Foi necessário um período dois anos para que o roteiro de A Vida Invisível chegasse à sua estrutura final. Ao longo desse tempo, Karim Aïnouz e Murilo Hauser, que tomavam como base, claro, o livro A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, de Martha Batalha, discutiram muitos pontos que poderiam funcionar na literatura, mas que, no cinema, talvez pudessem soar menos orgânicos para o ritmo da narrativa (a grande quantidade de saltos no tempo, por exemplo). Procurando manter a essência do romance de Martha Batalha, a dupla também propôs ajustes pontuais, como o fato de Eurídice tocar piano — e não flauta, como originalmente escrito —, um instrumento muito mais visual e que amplia a linguagem corporal da personagem.

A mistura de reverência ao livro de origem com a plena consciência de que literatura é uma coisa e cinema é outra confere ao roteiro de A Vida Invisível uma grande delicadeza. Estruturalmente bem resolvido (Karim e Murilo ainda desconstruíram o texto original para colocá-lo em ordem cronológica e, a partir daí, definirem a gênese dramática e o formato da narrativa), a adaptação contempla diversos temas — a emancipação feminina, o machismo, a relação entre irmãs, a passagem do tempo — com grande comoção, provando que é possível sim fazer um melodrama bem dosado e com raízes novelescas admiráveis. Ainda disputavam a categoria: Greta, Poderia Me Perdoar?, Querido Menino e Se a Rua Beale Falasse.

EM ANOS ANTERIORES: 2018 – Me Chame Pelo Seu Nome | 2017 – Minha Vida de Abobrinha | 2016 – Carol |  2015 – 45 Anos | 2014 – Garota Exemplar | 2013 – Azul é a Cor Mais Quente | 2012 – Precisamos Falar Sobre o Kevin | 2011 – A Pele Que Habito | 2010 – Direito de Amar | 2009 – Dúvida | 2008 – Desejo e Reparação | 2007 – Notas Sobre Um Escândalo

Melhores de 2019 – Montagem

Ao aceitar o convite para assinar a montagem de Parasita, Jinmo Yang já tinha em mente que Bong Joon-ho é um cineasta que escreve roteiros com espírito de montador. Por isso mesmo, a primeira conversa entre Bong e Yang foi outra: ao invés de discutirem como a casa que foi construída especialmente para o filme seria explorada pela montagem ou sobre como se dariam as transições de gênero, a dupla debateu a amplitude de cada personagem. Nas entrevistas que concedeu desde o lançamento do filme, Yang ressaltou que o grande foco da montagem de Parasita foi criar uma unidade dramática para a interação entre famílias tão diferentes. Lançando um olhar meticuloso para aquilo que estava faltando ou sobrando em cada personagem, ele leva o filme a um patamar completamente diferenciado: além de ter um excelente ritmo e de se movimentar entre variados gêneros, Parasita é, em sua gênese, um filme sobre seres humanos e suas relações, algo amplamente reverenciado por uma das montagens mais brilhantes dos últimos anos. Trabalho de mestre. Ainda disputavam a categoria: Bacurau, Cafarnaum, Democracia em Vertigem e A Favorita.

EM ANOS ANTERIORES: 2018 – Você Nunca Esteve Realmente Aqui | 2017 – Em Ritmo de Fuga | 2016 – A Grande Aposta | 2015 – Whiplash: Em Busca da Perfeição | 2014 – O Lobo Atrás da Porta | 2013 – Capitão Phillips | 2012 – Guerreiro | 2011 – 127 Horas | 2010 – A Origem | 2009 – Quem Quer Ser Um Milionário? | 2008 – Onde os Fracos Não Têm Vez | 2007 – Babel

Melhores de 2019 – Fotografia

James Laxton acumula até aqui mais de 40 produções como diretor de fotografia, mas sua carreira está um degrau acima quando ele colabora com o cineasta Barry Jenkins. O primeiro encontro entre os dois foi em Moonlight: Sob a Luz do Luar, que rendeu a Laxton uma indicação ao Oscar. Infelizmente, reconhecimento equivalente não lhe foi dado por Se a Rua Beale Falasse, onde ele mais uma vez realiza um trabalho excepcional. Tendo como inspiração as habilidades singulares da literatura de James Baldwin — autor do livro homônimo em que o filme se baseia —, especialmente aquela de narrar sentimentos de maneira tão palpável, Laxton constrói uma fotografia pulsante para Se a Rua Beale Falasse, que, assim como a obra de Baldwin, é atmosférica nos sentimentos que busca despertar no espectador.

Em parceria com Jenkins, Laxton incorporou no trabalho outras inspirações da dupla, como o cinema de Wong Kar-Wai e Claire Denis, voltando-se também para os contrastes do romance que se materializa na tela, onde o amor é cercado pelo sofrimento ou onde o racismo e o preconceito são enfrentados com resiliência. A fotografia captura literalmente de perto as emoções dos personagens e dialoga no uso cores com a paleta de figurinos e cenários que homenageiam grandes melodramas da chamada Era de Ouro de Hollywood. Com técnicas e referências sublimes, mas, acima de tudo, com muita paixão, Laxton inebria e cria composições que deixariam Baldwin muito orgulhoso. Ainda disputavam a categoria: Ad Astra: Rumo às Estrelas, Coringa, A Favorita e Vergel.

EM ANOS ANTERIORES: 2018 – Roma |  2017 – Blade Runner 2049 | 2016 – Ponto Zero | 2015 – Macbeth: Ambição e Guerra | 2014 – Ida | 2013 – Gravidade | 2012 – As Aventuras de Pi | 2011 – A Árvore da Vida | 2010 – Direito de Amar | 2009 – Quem Quer Ser Um Milionário? | 2008 – Ensaio Sobre a Cegueira

Melhores de 2019 – Som

Formado por Nicolas Hallet, Ricardo Cutz e Cyril Holtz, o trio responsável por capitanear o trabalho de som de Bacurau traz para o filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles a experiência acumulada tanto em produções brasileiras quanto estrangeiras. Enquanto Nicolas e Ricardo já trabalharam separadamente em títulos como Edifício MasterTatuagemO Lobo Atrás da PortaA História da Eternidade, além dos longas anteriores assinados por Kleber, o francês Cyril Holtz tem na bagagem, por exemplo, o premiado Elle, de Paul Verhoeven. Ou seja, experiência é o que não falta ao trio, algo que está evidente em Bacurau, onde o som é ferramenta primordial para situar o espectador em um universo muito particular e que transita por diferentes gêneros. Da atmosfera de um povoado que vive em uma humilde (e fictícia) cidade do nordeste brasileiro aos imprevisíveis acontecimentos que, em tons de suspense e até mesmo de ficção científica, passam a assombrar os personagens do longa, Nicolas, Ricardo e Cyril usam o som para ampliar os sentidos do espectador desde os primeiros minutos de projeção. É com essa preciosa contribuição do trio que tudo em Bacurau acaba nos parecendo muito próximo e, em diversas passagens, angustiante. Ainda disputavam a categoria: Ad Astra: Rumo às Estrelas, Coringa, Nós e Rocketman.

EM ANOS ANTERIORES: 2018 – Um Lugar Silencioso | 2017 – Dunkirk | 2016 – Ponto Zero | 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – Até o Fim | 2013 – Gravidade | 2012 – 007 – Operação Skyfall | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – Tron: O Legado | 2009 – Avatar | 2008 – WALL-E | 2007 – O Ultimato Bourne

Melhores de 2019 – Design de Produção

Uma informação que redimensiona a nossa relação de fascínio com o universo de Parasita é a de que os principais ambientes em que o filme desenvolve a sua ação (a casa da família rica e a casa da família pobre) foram construídos especialmente para o projeto, tornando o design de produção um elemento fundamental na narrativa criada por Bong Joon-Ho. Em sua segunda coleboração com o diretor, Lee Ha-Jun imaginou espaços que deveriam cumprir duas funções básicas: instigar visualmente e viabilizar toda a mise-en-scène, bem como os jogos de câmera propostos por Bong Joon-Ho. Ele ainda teve o desafio extra de projetar a casa da família rica como se fosse um arquiteto, já que, em determinado momento da trama, uma personagem menciona que aquela moradia teria sido planejada sob encomenda. Enquanto isso, na casa da família pobre, tudo se afunila: com cômodos pequenos, estreitos e habitados por várias pessoas, Ha-Jun saiu de escalas amplas para dimensões quase claustrofóbicas. O resultado é um design de produção que entrega a Parasita um universo muito particular e que reforça a necessidade de sempre apurarmos o nosso olhar para trabalhos contemporâneos como esse. Ainda disputavam a categoria: Coringa, A Favorita, Rocketman e Vergel.

EM ANOS ANTERIORES: 2018 – A Forma da Água | 2017 – Blade Runner 2049 | 2016 – Animais Fantásticos e Onde Habitam | 2015 – Expresso do Amanhã | 2014 – O Grande Hotel Budapeste | 2013 – Anna Karenina | 2012 – A Invenção de Hugo Cabret | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet | 2007 – Maria Antonieta

Melhores de 2019 – Atriz Coadjuvante

Após ter saído da Eritreia para morar ilegalmente no Líbano, onde sequer tinha uma carteira de identidade, Yordanos Shiferaw pôde contar parte de sua própria história de vida no poderoso Cafarnaum. Como Zahil, uma imigrante ilegal que enfrenta o que for necessário para poder cuidar de seu bebê, Shiferaw (re)viveu emoções e experiências de sua própria trajetória, traduzindo para o espectador o fulminante desespero de uma existência sem perspectiva e sem o mínimo amparo de qualquer pessoa, poder ou instituição. Através da invisibilidade de Zahil, ela, que não tinha nenhuma experiência prévia em atuação, colocou a realidade e a solidariedade de muitas mulheres como ela sob os holofotes, especialmente ao cruzar o caminho de Zain, o protagonista de Cafarnaum. Quando os dois estão juntos em cena, o filme se ilumina de certa maneira, como se Zahil fosse, mesmo tão devastada, um raio de esperança para uma realidade talvez mais desoladora do que a dela. A linha aqui tão tênue entre a ficção e a realidade é matéria-prima para que Shiferaw impulsione os toques de urgência e comoção que definem todo Cafarnaum. Ainda disputavam a categoria: Cho Yeo-jeong (Parasita), Fernanda Montenegro (A Vida Invisível), Penélope Cruz (Dor e Glória) e Regina King (Se a Rua Beale Falasse).

EM ANOS ANTERIORES: 2018 – Laurie Metcalf (Lady Bird: A Hora de Voar) | 2017 – Clarisse Abujamra (Como Nossos Pais| 2016 – Juliana Paes (A Despedida| 2015 – Kristen Stewart (Acima das Nuvens| 2014 – Lesley Manville (Mais Um Ano) | 2013 – Helen Hunt (As Sessões| 2012 – Viola Davis (Histórias Cruzadas| 2011 – Amy Adams (O Vencedor| 2010 – Marion Cotillard (Nine| 2009 – Kate Winslet (O Leitor| 2008 – Marcia Gay Harden (O Nevoeiro| 2007 – Imelda Staunton (Harry Potter e a Ordem da Fênix)

%d blogueiros gostam disto: