Cinema e Argumento

Melhores de 2019 – Ator Coadjuvante

Song-kang Ho é um ator interessado em interpretar homens comuns que tentam sobreviver às adversidades da vida, e as suas constantes colaborações com o diretor Bong-joon Ho atestam exatamente isso. Não há nada de heroísmo idealizado no protagonista de O Hospedeiro, por exemplo. E muito menos no pai de família que ele interpreta no aclamado Parasita, onde, com um papel coadjuvante, consegue se destacar em um elenco afinadíssimo e talentoso. Mesmo estando do lado mais dramático da história, Song-kang Ho não usa as difíceis condições sociais e emocionais de seu personagem para construir uma interpretação vaidosa. Trata-se do oposto: ele é silencioso e sutil em todos os diferentes gêneros abarcados pela história, recebendo, em determinado ponto, o presente de se tornar o coração de Parasita. Quando esse momento chega, logo entendemos que todas as escolhas do ator até ali foram fundamentais para dimensionar os tocantes sentimentos trazidos pelo filme. Ainda disputavam a categoria: Al Pacino (O Irlandês), Joe Pesci (O Irlandês), Leonardo Sbaraglia (Dor e Glória) e Richard E. Grant (Poderia Me Perdoar?).

EM ANOS ANTERIORES: 2018 – Michael Stuhlbarg (Me Chame Pelo Seu Nome) |  2017 – Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar| 2016 – Steve Carell (A Grande Aposta| 2015 – Edward Norton (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)) | 2014 – Jared Leto (Clube de Compras Dallas| 2013 – Philip Seymour Hoffman (O Mestre| 2012 – Nick Nolte (Guerreiro| 2011 – Alan Rickman (Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2| 2010 – Michael Douglas (Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme| 2009 – Christoph Waltz (Bastardos Inglórios| 2008 – Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez| 2007 – Casey Affleck (O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford)

 

Melhores de 2019 – Canção Original

“(I’m Gonna) Love Me Again” é a rara canção sobre redenção que não flerta com pesar, arrependimentos ou melodias tristes. Ela está, inclusive, totalmente alinhada com a proposta de Rocketman, uma cinebiorafia que, em seu melhor, abraça a vida de Elton John sem maquiagens, provando que assumir os erros é tão importante quanto glorificar os acertos. Escrita por Bernie Taupin e emoldurada com as reconhecidas melodias do próprio Elton John, a canção ilustra a ascensão, a queda e o reerguimento do cantor com o espírito que moldou sua trajetória musical, tendo sido idealizada com o objetivo de dialogar com “I’m Still Standing”, o último sucesso de Elton (re)interpretado por Taron Egerton no longa-metragem. É o tipo de homenagem que, em termos musicais, pode até ser um lugar-comum, mas que conforta justamente por ser algo tão familiar. Ainda disputavam a categoria: “A Glass of Soju” (Parasita), “I Can’t Let You Throw Yourself Away” (Toy Story 4), “Revelation” (Boy Erased: Uma Verdade Anulada) e “Zero” (WiFi Ralph: Quebrando a Internet).

EM ANOS ANTERIORES: 2018“Shallow” (Nasce Uma Estrela) | 2017 – “Another Day of Sun” (La La Land: Cantando Estações| 2016 – “Simple Song #3” (A Juventude| 2015 – “Glory” (Selma: Uma Luta Pela Igualdade| 2014 – “Let it Go” (Frozen – Uma Aventura Congelante| 2013 – “Last Mile Home” (Álbum de Família| 2012 – “Skyfall” (007 – Operação Skyfall| 2011 – “Life’s a Happy Song” (Os Muppets| 2010 – “Better Days” (Comer Rezar Amar| 2009 – “By the Boab Tree” (Austrália| 2008 – “Falling Slowly” (Apenas Uma Vez)

Melhores de 2019 – Trilha Sonora

Com uma carreira relativamente recente em longas-metragens, Nicholas Britell encontrou, na parceria com o diretor Barry Jenkins, aquele tipo de trabalho compartilhado que, ao que tudo indica, sempre será capaz de gerar verdadeiras pérolas. Se a trilha sonora de Moonlight já era um acontecimento, a de Se a Rua Beale Falasse vem para firmar o nome de Britell como um dos mais talentosos de sua geração. Em entrevista à revista The Atlantic, ele revela, contudo, que a fórmula de trabalho com Jenkins é muito simples, tendo como norte as emoções e o que elas ensinam ao longo do processo de composição.

A lógica parece óbvia, mas, para um filme tão sensorial e dividido entre o amor e a melancolia como Se a Rua Beale Falasse, é o que faz a diferença. Britell mergulhou no jazz e em outras sonoridades da Nova York do século XX, trazendo para a trilha inspirações vindas de Miles Davis, John Coltrane e Nina Simone. Resultado: as composições inebriam com uma leitura delicada sobre o amor e sobre tudo aquilo que inevitavelmente o assombra. Agape, que foi a trilha sonora de todas as vitórias de Regina King como melhor atriz coadjuvante na temporada de premiações, é a maior prova desse sentimento. Ainda disputavam a categoria: Ad Astra: Rumo às Estrelas, Cafarnaum, Coringa e História de Um Casamento.

EM ANOS ANTERIORES: 2018 – Trama Fantasma | 2017 – La La Land: Cantando Estações | 2016 – Carol | 2015 – Sicario: Terra de Ninguém | 2014 – Ela | 2013 – Gravidade | 2012 – Tão Forte e Tão Perto | 2011 – A Última Estação | 2010 – Direito de Amar | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Desejo e Reparação | 2007 – A Rainha

Melhores de 2019 – Efeitos Visuais

À frente de uma ficção científica cuja força dramática se encontra na jornada pessoal de um personagem solitário, o diretor James Gray tomou uma decisão importantíssima: a de que os efeitos visuais de Ad Astra: Rumo às Estrelas deveriam ser os mais realistas possíveis, sem que eles se tornassem uma atração à parte ou levassem a história para um patamar excessivamente futurístico. Com essa perspectiva, o quarteto Allen Maris, Guillaume Rocheron, Jedediah Smith e Scott R. Fisher atuou de forma colaborativa com a equipe de design de produção para criar, por exemplo, o interior de naves e foguetes, além de cenários na Lua e em Marte. Atenção microscópica também foi dada, claro, a detalhes de escala e luz para que tudo parecesse real, em atividade conjunta com efeitos especiais práticos para materializar poeiras e tempestades. Munidos de grande precisão, os efeitos visuais de Ad Astra impressionam sem ânsia de impressionar, o que costuma caracterizar os melhores trabalhos desse segmento. Ainda disputavam a categoria: O Irlandês e Vingadores: Ultimato.

EM ANOS ANTERIORES: 2018 – Jogador Nº 1 | 2017 – Blade Runner 2049 | 2016 – Doutor Estranho | 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – Planeta dos Macacos: O Confronto| 2013 – Gravidade | 2012 – O Hobbit: Uma Jornada Inesperada | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – Tron: O Legado | 2009 – Avatar (primeiro ano da categoria)

 

Melhores de 2019 – Figurino

O trabalho do figurinista Julian Day em Rocketman foi acompanhado de perto pelo cantor Elton John. A proximidade, entretanto, não aponta para o vaidoso controle criativo de uma estrela que tem sua vida contada em um longa-metragem, mas sim para um saudável espírito colaborativo. Prova disso é o fato de Elton não ter vetado nenhuma peça de figurino proposta por Julian, que encontrou, nas reuniões com o cantor, a fonte perfeita de inspiração para um guarda-roupa idealizado a partir de memórias. Isso quer dizer que o figurino de Rocketman deixa de lado a mera cópia de peças emblemáticas para, a partir delas, expandir a lembrança e o estado de espírito que cada roupa desperta no cantor. Através do redesenho de cada look, Julian colaborou com vibração e inventividade para uma cinebiografia que, em toda a sua concepção, consegue se diferenciar dentro do gênero por ser autêntica a seu biografado e por permitir total liberdade criativa para todos os envolvidos nos bastidores. Ainda disputavam a categoria: A Favorita, Hebe – A Estrela do Brasil, O Irlandês e Se a Rua Beale Falasse.

EM ANOS ANTERIORES: 2018 – Trama Fantasma | 2017 – Jackie | 2016 – Carol | 2015 – Macbeth: Ambição e Guerra | 2014 – O Grande Hotel Budapeste | 2013 – Anna Karenina | 2012 – W.E. – O Romance do Século | 2011 – O Discurso do Rei | 2010 – A Jovem Rainha Victoria | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Elizabeth – A Era de Ouro | 2007 – Maria Antonieta

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