Cinema e Argumento

Melhores de 2018 – Filme

Filme que logo após a sessão já concluímos que será lembrado como um futuro clássico, Trama Fantasma é outro trabalho de altíssimo nível do diretor Paul Thomas Anderson, que já marcou época com títulos inesquecíveis como Boogie NightsMagnóliaSangue NegroO Mestre. Nesta sua nova investida, Anderson encena uma sinuosa e por vezes perturbadora relação romântica com foco em personagens únicos em suas complexidades. Ao observar com proximidade o dia a dia de Reynolds (Daniel Day-Lewis, em seu último trabalho antes da aposentadoria) e Alma (Vicky Krieps), o espectador se depara como uma história que, lá no fundo, diz muito sobre a forma torta com que encaramos o amor, sentimento embaralhado por vícios, egos, perfeccionismos e idealizações.

Como em toda a filmografia de Anderson, tal abordagem, entretanto, em nada se assemelha a qualquer expectativa nutrida antes de assistir ao longa. Trama Fantasma tem grandes interpretações, uma trilha sonora marcante, belos figurinos e uma impactante fotografia, mas é fascinantemente estranho e incômodo, uma vez que tudo no filme acontece no seu próprio tempo e na sua própria forma, criando uma clássica atmosfera Andersoniana, onde drama, romance e até mesmo mistério se entrelaçam de maneira muito tênue, quase imperceptível. Irretocável em todo o seu conjunto — não há o que tirar nem por nas atuações centrais, no roteiro, na direção e no trabalho técnico —, Trama Fantasma é outra experiência inebriante proporcionada por um dos maiores realizadores da nossa geração.

Ainda disputavam a categoria: O Animal Cordial, Benzinho, As Boas Maneiras e Você Nunca Esteve Realmente Aqui.

EM ANOS ANTERIORES: 2017 – Mãe! | 2016 – Carol | 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – Relatos Selvagens | 2013 – Gravidade | 2012 – Precisamos Falar Sobre o Kevin | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – Direito de Amar | 2009 – Dúvida | 2008 – WALL-E | 2007 – O Ultimato Bourne

Melhores de 2018 – Direção

Dois dos filmes mais destemidos e anti-convencionais que assisti em 2018 foram dirigidos por mulheres. E elas têm muito em comum: tanto a brasileira Gabriela Amaral Almeida quanto a britânica Lynne Ramsay costumam tocar em inquietudes humanas e traduzi-las para as telas com uma linguagem que caminha na direção oposta do que o grande público está acostumado a ver. Enquanto Gabriela revigorou o chamado cinema de “gênero” brasileiro com o terror O Animal Cordial, Lynne Ramsay lançou um olhar cru e provocador para a violência através da sombria e solitária trajetória de um matador de aluguel. Não à toa, a penúltima categoria da lista de melhores de 2018 do blog acaba com um empate entre duas realizadoras excepcionais e responsáveis por filmes que merecem ser referenciados e analisados por muito tempo.

Sobre Gabriela Amaral Almeida, que já contabiliza oito títulos como diretora e 26 como roteirista, é fundamental salientar sua vocação para criar personagens cujas contradições humanas ela própria diz não saber resolver. E, em O Animal Cordial, Gabriela firma os pés nessa zona de desconforto, transpondo para o terror tudo aquilo que, atualmente, contribui para o verdadeiro pânico social e político instalado em um Brasil despedaçado. Entre o preconceito em suas mais variadas formas e todas as tortas consequências originadas pela falência moral e social do sexo masculino, ela filma um elenco excepcional em um único ambiente (um restaurante na cidade de São Paulo), reproduzindo —  e também questionando —  muitos elementos do chamado terror slasher. O resultado é um longa imprevisível do início ao fim, comandando pela cineasta com uma vitalidade invejável.

Tão incômodo quanto fascinante é o trabalho de direção de Lynne Ramsay em Você Nunca Esteve Realmente Aqui. Ramsay, que não filmava desde 2011, quando realizou o assombroso Precisamos Falar Sobre o Kevin, dispensa qualquer expectativa neste novo trabalho onde dirige Joaquin Phoenix como um atormentado matador de aluguel. Primeiro porque Você Nunca Esteve Realmente Aqui não se encaixa em qualquer pré-conceito que o espectador possa ter sobre um filme centrado em um matador de aluguel e segundo porque Ramsay levanta infinitas perguntas, mas praticamente nenhuma resposta sobre o misterioso protagonista. A partir disso isso, a cineasta radiografa a natureza e as reverberações da violência com muita crueza, mas também com um plano muito bem elaborado para cada gota de sangue, trauma ou ato violento encenado em cena.

Ainda disputavam a categoria: Alfonso Cuarón (Roma), Juliana Rojas e Marco Dutra (As Boas Maneiras) e Paul Thomas Anderson (Trama Fantasma).

EM ANOS ANTERIORES: 2017 – Darren Aronofsky (Mãe!| 2016 – José Pedro Goulart (Ponto Zero| 2015 – George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria| 2014 – David Fincher (Garota Exemplar| 2013 – Alfonso Cuarón (Gravidade| 2012 – Leos Carax (Holy Motors| 2011 – Darren Aronofsky (Cisne Negro| 2010 – Christopher Nolan (A Origem| 2009 – Danny Boyle (Quem Quer Ser Um Milionário?| 2008 – Paul Thomas Anderson (Sangue Negro| 2007 – Alejandro González Iñárritu (Babel)

Melhores de 2018 – Elenco

Se olharmos bem de perto, veremos o Brasil inteiro dentro do restaurante onde se passa O Animal Cordial. Em maior ou menor grau e com uma boa dose alegórica, estamos lá, expostos com nossas cicatrizes e idiossincrasias. E é entusiasmante como o elenco talentoso e plural do longa-metragem dirigido por Gabriela Amaral Almeida abraçou tanto a forte identidade de personagens tão distintos e pressionados contra a parede quanto a proposta violenta e sanguinolenta de um filme de terror. Pois Murilo Benício e Luciana Paes, ambos excepcionais, lideram com proeza esse grupo de atores que também reúne, no âmbito dos coadjuvantes, excelentes performances de (re)conhecidos talentos do nosso cinema, a exemplo de Irandhir Santos e Camila Morgado, bem como nomes em ascensão (caso de Humberto Carrão, que já foi ao Festival de Cannes com Aquarius). Por si só, O Animal Cordial favorece o trabalho de cada um deles ao desenvolver uma história ambientada em um único local, mas todos são maiores do que essa valiosa circunstância. Afinal, não é todo elenco que consegue, por experiência e talento, criar personas tão fortes e simbólicas para um filme de gênero, seja ele brasileiro ou estrangeiro. Ainda disputavam a categoria: Benzinho, Infiltrado na Klan, The Post: A Guerra Secreta e As Viúvas.

EM ANOS ANTERIORES: 2017 Um Mergulho no Passado | 2016 – Animais Noturnos | 2015 – Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) | 2014 – Relatos Selvagens | 2013 – Álbum de Família | 2012 – O Impossível | 2011 – Tudo Pelo Poder | 2010 – Minhas Mães e Meu Pai | 2009 – Dúvida | 2008 – Vicky Cristina Barcelona | 2007 – Bobby

Melhores de 2018 – Ator

Nem Jack Nicholson que é Jack Nicholson conseguiu se aposentar com grandeza semelhante a de Daniel Day-Lewis. Enquanto o veterano de filmes como Um Estranho no Ninho, O Iluminado e Melhor é Impossível abandonou a carreira de ator com um pequeno papel em Como Você Sabe (uma comédia insípida e tediosa dirigida por seu amigo James L. Brooks), Day-Lewis deixou o ofício com Trama Fantasma, a mais recente obra-prima dirigida pelo mestre Paul Thomas Anderson. E não só esse filme nos lembra o quanto o terceiro Oscar do ator foi protocolar (ele é ótimo em Lincoln, mas o ano era tão forte para os atores que fica difícil nutrir maior entusiasmo com tal consagração) como registra um dos melhores momentos da carreira de um intérprete que sempre colecionou desempenhos inesquecíveis.

Como o perfeccionista estilista Reynolds Woodcock, o ator alcança um timbre que só alguém com um talento à altura do seu conseguiria alcançar: o de criar complexidade e algum tipo de interesse pela natureza egocêntrica, machista e intolerante de um personagem essencialmente insuportável. Day-Lewis, que é conhecido por não sair de seus personagens quando está no set de filmagens, realmente se torna Woodcock ao surgir em cena com a imensa presença que lhe é tão característica e ao estabelecer um comportamento muito peculiar e complexo para um estilista que parece desprezar praticamente tudo e todos. É um trabalho impressionante até mesmo para o padrão Daniel Day-Lewis, algo que, para quem conhece o trabalho do ator, realmente não é pouca coisa. Ainda disputavam a categoria: Joaquin Phoenix (Você Nunca Esteve Realmente Aqui), Murilo Benício (O Animal Cordial), Shico Menegat (Tinta Bruta) e Timothée Chalamet (Me Chame Pelo Seu Nome).

EM ANOS ANTERIORES: 2017 – Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar) | 2016 – Nelson Xavier – A Despedida | 2015 – David Oyelowo (Selma: Uma Luta Pela Igualdade| 2014 – Jake Gyllenhaal (O Abutre| 2013 – Joaquin Phoenix (O Mestre| 2012 – Rodrigo Santoro (Heleno| 2011 – Colin Firth (O Discurso do Rei| 2010 – Colin Firth (Direito de Amar| 2009 – Sean Penn (Milk – A Voz da Igualdade| 2008 – Daniel Day-Lewis (Sangue Negro| 2007 – Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia)

Melhores de 2018 – Atriz

Nada necessariamente extraordinário acontece com Irene, a humilde protagonista de Benzinho que, de repente, recebe a notícia de que o filho está prestes a se mudar para Alemanha, onde jogará handebol. Ela, como tantas mulheres desse Brasil, carrega uma família nas costas, busca soluções para os mais diversos problemas, trabalha com o que pode para sustentar os filhos e, no meio disso, tudo, ainda encontra força e afeto para distribuir carinho aos que dividem o mesmo teto que ela. Como a atriz extraordinária que é, Karine Teles mergulha em todas as camadas de uma personagem que é uma clara homenagem às tantas mulheres que passam pelas ruas despercebidas e também àquelas que fazem toda a diferença dentro das nossas próprias casas. Interiorizando o turbilhão de emoções de uma mãe que busca não transparecer sua insegurança, Karine dá vida a uma mulher incrivelmente real e comovente, elevando a beleza das tantas complexidades que a vida em si nos traz todos os dias e que o filme ilumina com delicadeza. Ela, que já era grandiosa em filmes como Riscado Que Horas Ela Volta?, tem em Benzinho o tipo de papel que marca uma carreira. Ainda disputavam a categoria: Charlize Theron (Tully), Charlotte Rampling (Hannah), Toni Collette (Hereditário) e Vicky Krieps (Trama Fantasma).

EM ANOS ANTERIORES: 2017 – Jennifer Lawrence (Mãe!) | 2016 – Isabelle Huppert (Elle| 2015 – Camila Márdila e Regina Casé (Que Horas Ela Volta?) | 2014 – Rosamund Pike (Garota Exemplar| 2013 – Adèle Exarchopoulos (Azul é a Cor Mais Quente| 2012 – Tilda Swinton (Precisamos Falar Sobre o Kevin| 2011 – Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg (Melancolia| 2010 – Carey Mulligan (Educação| 2009 – Kate Winslet (Foi Apenas Um Sonho| 2008 – Meryl Streep (Mamma Mia!| 2007 – Marion Cotillard (Piaf – Um Hino ao Amor)

Melhores de 2018 – Roteiro Original

Normalmente reverenciado pelo sua grandeza como cineasta, Paul Thomas Anderson também é um roteirista excepcional, e deveria receber mais reconhecimento por isso. Trama Fantasma, seu mais recente filme, é outro exemplo que corrobora essa afirmação. Ambientado na Londres dos anos 1950, o longa explora a linha tênue entre o amor e o poder, no melhor estilo Andersoniano de inverter expectativas e convencionalidades. Ao mergulhar nos malefícios das disputas de controle que contaminam relações amorosas, o diretor traz para o roteiro ecos romanticamente sinistros de muitos de seus filmes favoritos, alguns deles clássicos dos anos 1940, como Rebecca, a Mulher Inesquecível, de Alfred Hitchcock, e À Meia-Luz, estrelado por Ingrid Bergman.

Anderson está focado primordialmente em um comportamento que ele próprio diz perceber a sua volta — a alternância de poderes entre os envolvidos em qualquer relação amorosa — para descortinar as idiossincrasias e as contradições da natureza relativa aos romances. Daniel Day-Lews, que colaborou ativamente na construção dos personagens, afirma que não existe estranheza maior no universo do que aquela que habita a vida aparentemente normal de pessoas comuns entre quatro paredes. Verdade. E se, de um jeito ou de outro, Anderson já dissecava tudo isso em filmes como Embriagado de AmorO Mestre, é de se considerar que, com Trama Fantasma, ele alcança sua discussão mais sofisticada acerca de tal temática. Ainda disputavam a categoria: As Boas ManeirasBenzinhoSem Amor Tully.

EM ANOS ANTERIORES: 2017 Manchester à Beira-Mar | 2016 – Aquarius | 2015 – Que Horas Ela Volta? | 2014 – Relatos Selvagens |  2013 – Antes da Meia-Noite | 2012 – A Separação | 2011 – Melancolia | 2010 – A Origem | 2009 – (500) Dias Com Ela | 2008 – WALL-E | 2007 – Ratatouille

Melhores de 2018 – Fotografia

Quando o multipremiado diretor de fotografia Emmanuel Lubezki precisou desistir de Roma em função de conflitos de agenda, o cineasta Alfonso Cuarón imediatamente assumiu, pela primeira vez, o cargo do seu amigo e colaborador de longa data. Para essa nova empreitada, Cuarón diz ter sempre se perguntado quais seriam as escolhas que Lubezki teria feito para a fotografia de Roma, reproduzindo os tantos aprendizados de colaborações como E Sua Mãe Também, Filhos da Esperança e Gravidade. Mesmo inspirado pelo amigo, o diretor quis criar uma identidade própria, o que começa logo na decisão de filmar Roma em preto-e-branco: descartando o mero apelo estético, Cuarón cria um filme que, visualmente falando, não parece vintage ou datado, mas de certa forma moderno e contemporâneo ao capturar, com imensa beleza, memórias distantes e muito íntimas. Essa dualidade entre presente e passado é fascinante porque a câmera flutua e captura histórias como se estivesse em um tempo diferente e como se soubesse todos os detalhes e reverberações de um universo que os próprios personagens só virão a (re)conhecer com o passar dos anos. Lubezki, que assistiu ao longa, diz que a fotografia de Roma é elegante e cadenciada como um complexo número de jazz. Para um trabalho de estreia, Cuarón nem precisaria do Oscar que recebeu na respectiva categoria para se sentir realizado: somente esse elogio de um mestre como Lubezki já é o suficiente para coroar o seu trabalho. Ainda disputavam a categoriaA Forma da ÁguaSem FôlegoTrama Fantasma Você Nunca Esteve Realmente Aqui.

EM ANOS ANTERIORES: 2017 Blade Runner 2049 | 2016 – Ponto Zero | 2015 – Macbeth: Ambição e Guerra | 2014 – Ida | 2013 – Gravidade | 2012 – As Aventuras de Pi | 2011 – A Árvore da Vida | 2010 – Direito de Amar | 2009 – Quem Quer Ser Um Milionário? | 2008 – Ensaio Sobre a Cegueira

Melhores de 2018 – Roteiro Adaptado

Delicada adaptação do romance homônimo escrito pelo egípcio André Aciman em 2007, Me Chame Pelo Seu Nome tem como base uma história que, literariamente falando, já oferece um riquíssimo material para uma boa transposição ao cinema. Eis, no entanto, que o diretor e produtor Luca Guadagnino convoca James Ivory (Retorno a Howards End, Vestígios do Dia) para cuidar da adaptação. Ivory, aos 89 anos, tornou-se a pessoa mais velha a concorrer (e a vencer) um Oscar, e seu prêmio de melhor roteiro adaptado não poderia ser mais justo: iluminando uma jornada de autodescoberta sexual que normalmente é tratada pelo cinema (e pela vida) com dor e pesar, ele descomplica qualquer discussão em torno da sexualidade de dois personagens para simplesmente encará-los como pessoas apaixonadas e que, assim como todos nós, passam por desencontros, mágoas, frustrações e amadurecimentos. Em cada personagem, há uma imensidão de sentimentos, inclusive naqueles que aparecem tão pouco em cena, como o pai vivido por Michael Stuhlbarg. O que Ivory faz na adaptação de Me Chame Pelo Seu Nome é de uma maturidade ímpar, aliando, com discrição e sabedoria, o talento de um profissional veterano com um material que lhe proporciona todas as munições para o surgimento de uma delicada pérola. Ainda disputavam a categoriaDesobediênciaInfiltrado na KlanPaddington 2 Você Nunca Esteve Realmente Aqui.

EM ANOS ANTERIORES: 2017 – Minha Vida de Abobrinha | 2016 – Carol |  2015 – 45 Anos | 2014 – Garota Exemplar | 2013 – Azul é a Cor Mais Quente| 2012 – Precisamos Falar Sobre o Kevin | 2011 – A Pele Que Habito | 2010 – Direito de Amar | 2009 – Dúvida | 2008 – Desejo e Reparação | 2007 – Notas Sobre Um Escândalo

Melhores de 2018 – Montagem

Com maestria, Joe Bini ligou todos os pontos de Você Nunca Esteve Realmente Aqui através de uma montagem que carrega o difícil desafio de encontrar um perfeito equilíbrio entre drama, ação e suspense. Se o mais recente filme de Lynne Ramsay é harmônico nos tantos gêneros que se desdobram ao longo da história, certamente é em função da montagem de Bini, que já havia trabalhado com a diretora no também excepcional Precisamos Falar Sobre o Kevin. Boa parte da carga dramática de Você Nunca Esteve Realmente Aqui vem dessa mistura que orquestra com inventividade as potencialidades técnicas de um filme igualmente impactante em trilha sonora e fotografia, por exemplo. Ou seja, além de encontrar o timing perfeito ao transitar por diversas camadas emocionais e de gênero, o montador cria um filme ainda mais sensorial ao interseccionar, de maneira sempre surpreendente, segmentos técnicos que já seriam fascinantes por si só. Ainda disputavam a categoria: Eu, Tonya, O ProcessoRoma As Viúvas.

EM ANOS ANTERIORES: 2017 Em Ritmo de Fuga | 2016 – A Grande Aposta | 2015 – Whiplash: Em Busca da Perfeição | 2014 – O Lobo Atrás da Porta | 2013 – Capitão Phillips | 2012 – Guerreiro | 2011 – 127 Horas | 2010 – A Origem | 2009 – Quem Quer Ser Um Milionário? | 2008 – Onde os Fracos Não Têm Vez | 2007 – Babel

Melhores de 2018 – Efeitos Visuais

Com o desafio de tornar dinâmico e envolvente um filme ambientado praticamente por inteiro em um universo de videogame, o quarteto David Shirk, Grady Cofer, Matthew E. Butler e Roger Guyett misturou técnicas de animação e de capturas de movimento (aquela mesmo que tanto consagrou Andy Serkis em sagas como O Senhor dos Aneis e Planeta dos Macacos) para reproduzir as relações que Jogador Nº1 estabelece entre o real e o virtual, além da infinidade de referências pop que somente um diretor como Steven Spielberg conseguiria colocar na tela com tanta propriedade. É fato que o longa usa e abusa de efeitos visuais sem se preocupar com sutilezas ou economia (seria difícil, considerando as cenas de ação e a gama de personagens recriados e idealizados especialmente para o filme), mas poucas vezes, assim como nos melhores momentos da carreira de Spielberg, o uso das tecnologias serviu tão bem a um entretenimento grandioso, empolgante e inventivo nas mesmas proporções. Ainda disputavam a categoriaPaddington 2Pantera NegraO Primeiro Homem Vingadores: Guerra Infinita.

EM ANOS ANTERIORES: 2017 Blade Runner 2049 | 2016 – Doutor Estranho | 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – Planeta dos Macacos: O Confronto| 2013 – Gravidade | 2012 – O Hobbit: Uma Jornada Inesperada | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – Tron: O Legado | 2009 – Avatar (primeiro ano da categoria)

Melhores de 2018 – Canção Original

Como toda canção marcante escrita especialmente para um longa-metragem, “Shallow” é uma excelente síntese em versão musical de tudo aquilo que acompanhamos em Nasce Uma Estrela. Tanto na tela quanto na canção, o espectador se depara com dois personagens insatisfeitos com suas próprias vidas e que, quando se conhecem, passam a enxergar, no amor e na música, uma razão para seguir em frente e criar, mesmo que a vida obviamente continue com inúmeras pedras no caminho. Escrita por Andrew Wyatt, Anthony Rossomando, Lady Gaga e Mark Ronson, “Shallow” é o ponto alto de uma trilha sonora que molda os caminhos emocionais de um filme sobre dois músicos. Também é uma canção que reafirma a incrível potência musical de Lady Gaga e que, acima de tudo, carrega toda a força e a emoção que, para o escriba que vos fala, não se desenha de maneira equivalente no filme em si. Merecidamente premiada com o Oscar, “Shallow” já se firmou como uma das mais canções marcantes premiadas recentemente na categoria, e não por menos: se há uma razão para Nasce Uma Estrela ser lembrado, essa é, sem dúvida alguma, esse hit que ainda levou para casa um Grammy na categoria de melhor performance de uma dupla ou grupo pop. Ainda disputavam a categoria: “All the Stars” (Pantera Negra), “Mystery of Love” (Me Chame Pelo Seu Nome), “Remember Me” (Viva – A Vida é Uma Festa) e “Visions of Gideon” (Me Chame Pelo Seu Nome).

EM ANOS ANTERIORES: 2017 – “Another Day of Sun” (La La Land: Cantando Estações) | 2016 – “Simple Song #3” (A Juventude| 2015 – “Glory” (Selma: Uma Luta Pela Igualdade| 2014 – “Let it Go” (Frozen – Uma Aventura Congelante| 2013 – “Last Mile Home” (Álbum de Família| 2012 – “Skyfall” (007 – Operação Skyfall| 2011 – “Life’s a Happy Song” (Os Muppets| 2010 – “Better Days” (Comer Rezar Amar| 2009 – “By the Boab Tree” (Austrália| 2008 – “Falling Slowly” (Apenas Uma Vez)

Melhores de 2018 – Maquiagem & Penteados

Pouco reconhecido na temporada de premiações deste ano, o trabalho de maquiagem e penteados de Pantera Negra é tão interessante e sofisticado quanto outros segmentos do filme que chegaram a vencer o Oscar, como o design de produção, os figurinos e a trilha sonora. Tomando como base uma ampla e meticulosa pesquisa envolvendo as identidades de inúmeros povos africanos através dos séculos, o trio formado por Camille Friend, Joel Harlow e Ken Diaz buscou criar para o longa determinados grupos de personagens que, em termos de maquiagem e penteados, perfeitamente se equivalem a tribos e guerreiros que realmente existiram em países como Etiópia, Namíbia, Gana e República do Congo. A pesquisa realizada in loco na África não se limita, no entanto, à mera cópia, uma vez que Camille, Joel e Ken idealizaram todo o seu trabalho sob a luz dos dias atuais: para eles, era questão de honra, por exemplo, que as mulheres do fictício país Wakanda fossem fortes, belas e imponentes a sua própria maneira, estabelecendo uma referência de beleza que a sociedade como um todo nunca se interessou em criar para mulheres negras. Excelência com consciência: uma combinação impecável. Ainda disputavam a categoriaO Destino de Uma Nação Eu, Tonya.

EM ANOS ANTERIORES: 2017Blade Runner 2049 | 2016 – Ave, César! | 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – O Grande Hotel Budapeste | 2013 – A Morte do Demônio | 2012 – A Dama de Ferro (primeiro ano da categoria)

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