Cinema e Argumento

Melhores de 2018 – Efeitos Visuais

Com o desafio de tornar dinâmico e envolvente um filme ambientado praticamente por inteiro em um universo de videogame, o quarteto David Shirk, Grady Cofer, Matthew E. Butler e Roger Guyett misturou técnicas de animação e de capturas de movimento (aquela mesmo que tanto consagrou Andy Serkis em sagas como O Senhor dos Aneis e Planeta dos Macacos) para reproduzir as relações que Jogador Nº1 estabelece entre o real e o virtual, além da infinidade de referências pop que somente um diretor como Steven Spielberg conseguiria colocar na tela com tanta propriedade. É fato que o longa usa e abusa de efeitos visuais sem se preocupar com sutilezas ou economia (seria difícil, considerando as cenas de ação e a gama de personagens recriados e idealizados especialmente para o filme), mas poucas vezes, assim como nos melhores momentos da carreira de Spielberg, o uso das tecnologias serviu tão bem a um entretenimento grandioso, empolgante e inventivo nas mesmas proporções. Ainda disputavam a categoriaPaddington 2Pantera NegraO Primeiro Homem Vingadores: Guerra Infinita.

EM ANOS ANTERIORES: 2017 Blade Runner 2049 | 2016 – Doutor Estranho | 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – Planeta dos Macacos: O Confronto| 2013 – Gravidade | 2012 – O Hobbit: Uma Jornada Inesperada | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – Tron: O Legado | 2009 – Avatar (primeiro ano da categoria)

Melhores de 2018 – Canção Original

Como toda canção marcante escrita especialmente para um longa-metragem, “Shallow” é uma excelente síntese em versão musical de tudo aquilo que acompanhamos em Nasce Uma Estrela. Tanto na tela quanto na canção, o espectador se depara com dois personagens insatisfeitos com suas próprias vidas e que, quando se conhecem, passam a enxergar, no amor e na música, uma razão para seguir em frente e criar, mesmo que a vida obviamente continue com inúmeras pedras no caminho. Escrita por Andrew Wyatt, Anthony Rossomando, Lady Gaga e Mark Ronson, “Shallow” é o ponto alto de uma trilha sonora que molda os caminhos emocionais de um filme sobre dois músicos. Também é uma canção que reafirma a incrível potência musical de Lady Gaga e que, acima de tudo, carrega toda a força e a emoção que, para o escriba que vos fala, não se desenha de maneira equivalente no filme em si. Merecidamente premiada com o Oscar, “Shallow” já se firmou como uma das mais canções marcantes premiadas recentemente na categoria, e não por menos: se há uma razão para Nasce Uma Estrela ser lembrado, essa é, sem dúvida alguma, esse hit que ainda levou para casa um Grammy na categoria de melhor performance de uma dupla ou grupo pop. Ainda disputavam a categoria: “All the Stars” (Pantera Negra), “Mystery of Love” (Me Chame Pelo Seu Nome), “Remember Me” (Viva – A Vida é Uma Festa) e “Visions of Gideon” (Me Chame Pelo Seu Nome).

EM ANOS ANTERIORES: 2017 – “Another Day of Sun” (La La Land: Cantando Estações) | 2016 – “Simple Song #3” (A Juventude| 2015 – “Glory” (Selma: Uma Luta Pela Igualdade| 2014 – “Let it Go” (Frozen – Uma Aventura Congelante| 2013 – “Last Mile Home” (Álbum de Família| 2012 – “Skyfall” (007 – Operação Skyfall| 2011 – “Life’s a Happy Song” (Os Muppets| 2010 – “Better Days” (Comer Rezar Amar| 2009 – “By the Boab Tree” (Austrália| 2008 – “Falling Slowly” (Apenas Uma Vez)

Três atores, três filmes… com Fatimarlei Lunardelli

Foto: Taiane Lunardelli

Em dezembro do ano passado, quando completei 11 anos ininterruptos de atividades com o Cinema e Argumento, recebi, com muita honra, o convite para integrar a Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul – ACCIRS. Quem me fez esse convite foi a queridíssima jornalista Fatimarlei Lunardelli, atual vice-presidente da associação e que agora recebo aqui na coluna Três atores, três filmes. A entrada na ACCIRS foi uma honra dupla porque, fora a alegria de ter meu trabalho vinculado a essa respeitada entidade, o convite veio especificamente da Fatimarlei, uma grande profissional com vasta atuação no campo da crítica de cinema. Jornalista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mestre em Artes e doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, a Fati é professora de História do Cinema Internacional no Curso de Realização Audiovisual da Unisinos. Também é autora de livros e artigos sobre cinema, e tem um site de autoria própria, o Escrita Crítica, onde compartilha periodicamente suas percepções acerca dos mais variados filmes. Para a coluna, ela propôs um formato inédito: falar sobre três atores não a partir de três desempenhos específicos, mas através de alguns dos tantos diretores que contribuíram para a formação de suas mitológicas carreiras. São análises imperdíveis. Confiram abaixo!

Clint Eastwood
Aprecio o cinema pelos diretores, mais do que pelos atores. Minha relação com os filmes é sempre a partir desse sujeito que cria ou, no mais das vezes, é o orquestrador dos múltiplos talentos que se conjugam em sons e imagens que ocupam a tela. Não é comum que diretores sejam também atores e quando isso acontece o resultado nem sempre é satisfatório. Não é o caso de Clint Eastwood, que admiro tanto como cineasta quanto intérprete. Foi no western recriado como spaghetti por Sérgio Leone que Clint começou. Em 1992 ele dirigiu e protagonizou Os Imperdoáveis, obra-prima definitiva desse gênero que se confunde com a própria origem do cinema. Quando Clint se lançou como diretor em 1971, com Perversa Paixão, criou para si o personagem do radialista de jazz que rompeu com o estereótipo do cara durão do velho oeste e dos filmes de ação. Amante de jazz, ele mesmo compositor, Clint dirigiu Bird (1988), ousada cinebiografia de Charlie Parker, o documentário Piano Blues (2003), e resgatou nas trilhas nomes esquecidos como o de Johnny Hartman em As Pontes de Madison (1995), no qual contracena com Meryl Streep, um dos filmes mais românticos da história do cinema. Como intérprete nos próprios filmes ele encenou o personagem caído que busca redenção, solitário, com uma sensibilidade relutante, protegida por um sarcasmo mal-humorado. Dos filmes que dirigiu e interpretou, Menina de Ouro (2004), Gran Torino (2008) e, agora A Mula (2018), na qual Clint Eastwood aparece em cena com 88 anos, estão entre os melhores já realizados no cinema. Nos personagens que encarna, no drama que desenvolve, seus filmes tocam nas questões básicas da existência.

Marcello Mastroianni
Marcello Mastroianni fez quase 150 filmes e foi protagonista de vários que estão entre os que mais amo no cinema, dirigidos por Ettore Scola e Federico Fellini. Em Nós que nos Amávamos Tanto (1974) numa homenagem emocionante de Scola ao amigo Federico, Marcello aparece como ele mesmo na cena cinematográfica mais linda já criada, aquela do banho na Fontana di Trevi, em A Doce Vida (1960). Nas mãos de gênio de Fellini Marcelo foi seu alter ego em crise no 8 ½ (1963). Sedutor e seduzido pelas mulheres, dócil e ao mesmo tempo exasperante, seu personagem antecipa o Snáporaz perdido de Cidade das Mulheres (1980). Mastroianni começou diretamente no cinema, no início dos anos 40, foi aprendendo a interpretar nos sets de filmagem e só depois fez aulas de teatro. Tinha presença física marcante, uma beleza masculina que o transformou logo em símbolo sexual. Foi para quebrar o mito do latin lover que interpretou o macho impotente em O Belo Antônio (1960), de Mauro Bolognini. Mas foi com Ettore Scola, com o qual iniciou em 1970, em Dramma della Gelosia, que Mastroianni fez um de seus personagens antológicos, o radialista homossexual de Um Dia Muito Especial (1977). A arte do ator é o teatro, lugar por excelência do artista da interpretação; no cinema, na maior parte das vezes, é preciso apenas entregar o corpo para o trabalho criativo do diretor. Mastroianni, que tinha uma certa melancolia meio tímida, se deu com doçura e plena entrega a essa arte do século XX, inscrevendo-se em alguns dos momentos mais sublimes da história do cinema.

Juliete Binoche
Juliette Binoche me encanta. O sistema de estrelas, que ajudou a estruturar a indústria do cinema, se desenvolveu junto com os recursos da câmera de se aproximar dos corpos, percorrer as superfícies, chegar tão perto do rosto a ponto de revelar os sentimentos dos personagens sem que nada seja dito. É no corpo frágil de Juliette que se mostra o espírito valente da mulher de A Liberdade é Azul (1993) que perde tudo e, ainda assim, escolhe viver. Francesa nascida em Paris, com formação em arte dramática, Juliette tem uma carreira desigual, protagonizou filmes insignificantes, mas também deu sorte, tornou-se inesquecível como protagonista do primeiro filme da fabulosa Trilogia das Cores, de Krzysztof Kieslowski. Na mão de grandes diretores, como Abbas Kiarostami em Cópia Fiel (2010), a atriz deixou sua marca na cena belíssima em que corrige o batom diante do espelho e, logo adiante, contracena com Jean-Claude Carrière. O roteirista, que é uma lenda, escreveu a adaptação para o cinema de A Insustentável Leveza do Ser (1988), do tcheco Milan Kundera, filme que projetou Juliette, no início de sua carreira. A diferença entre os grandes filmes e aqueles que são apenas artesanato bem-feito são os artistas que se conjugam num momento único que resulta no filme. Ao lado de Daniel Day-Lewis e Lena Olin, Juliete foi filmada pelo grande Sven Nykvist, o fotógrafo de Ingmar Bergman, o maior decifrador de rostos da história do cinema. Outro momento memorável da atriz é O Paciente Inglês (1997) num papel secundário que lhe deu um merecido Oscar.

Melhores de 2018 – Maquiagem & Penteados

Pouco reconhecido na temporada de premiações deste ano, o trabalho de maquiagem e penteados de Pantera Negra é tão interessante e sofisticado quanto outros segmentos do filme que chegaram a vencer o Oscar, como o design de produção, os figurinos e a trilha sonora. Tomando como base uma ampla e meticulosa pesquisa envolvendo as identidades de inúmeros povos africanos através dos séculos, o trio formado por Camille Friend, Joel Harlow e Ken Diaz buscou criar para o longa determinados grupos de personagens que, em termos de maquiagem e penteados, perfeitamente se equivalem a tribos e guerreiros que realmente existiram em países como Etiópia, Namíbia, Gana e República do Congo. A pesquisa realizada in loco na África não se limita, no entanto, à mera cópia, uma vez que Camille, Joel e Ken idealizaram todo o seu trabalho sob a luz dos dias atuais: para eles, era questão de honra, por exemplo, que as mulheres do fictício país Wakanda fossem fortes, belas e imponentes a sua própria maneira, estabelecendo uma referência de beleza que a sociedade como um todo nunca se interessou em criar para mulheres negras. Excelência com consciência: uma combinação impecável. Ainda disputavam a categoriaO Destino de Uma Nação Eu, Tonya.

EM ANOS ANTERIORES: 2017Blade Runner 2049 | 2016 – Ave, César! | 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – O Grande Hotel Budapeste | 2013 – A Morte do Demônio | 2012 – A Dama de Ferro (primeiro ano da categoria)

Melhores de 2018 – Som

Realizar um filme de terror onde a tensão e os sustos são construídos através da discrição e não a partir de barulhos estridentes ou de trilhas acima do tom não é prática muito comum no gênero, especialmente se considerarmos as grandes produções hollywoodianas. Por isso mesmo é precioso o trabalho de som realizado pela dupla Ethan Van Der Ryn e Erik Aadahl para Um Lugar Silencioso. Tratando o silêncio como um personagem muito mais importante do que os próprios protagonistas de carne e osso, Van Der Ryn e Aadahl articulam a sensação de ameaça e perigo por meio de cada inflexão de som, potencializando-o com a sua quase ausência e não com a sua excessiva presença. O feito é grandioso: tanto Um Lugar Silencioso envolve por completo as plateias hiper-conectadas e dispersas dos dias de hoje como constrói uma narrativa própria de suspense e drama através do som, revitalizando no cinema comercial aquela máxima por vezes tão esquecida e subestimada: a de que menos é sempre mais. Ainda disputavam a categoriaBohemian Rhapsody, Ilha dos CachorrosNasce Uma Estrela e Você Nunca Esteve Realmente Aqui.

EM ANOS ANTERIORES: 2017 Dunkirk | 2016 – Ponto Zero | 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – Até o Fim | 2013 – Gravidade | 2012 – 007 – Operação Skyfall | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – Tron: O Legado | 2009 – Avatar | 2008 – WALL-E | 2007 – O Ultimato Bourne

Os vencedores do Oscar 2019

Olivia Colman e o Oscar de melhor atriz por A Favorita: apesar da sétima derrota de Glenn Close, prêmio foi para um papel e uma interpretação que ficarão para a posteridade.

Provando que um apresentador não faz falta alguma, o Oscar 2019 trouxe um desfecho inacreditavelmente indigesto para uma temporada tortuosa e de ideias muito confusas. Afinal, como a mesma Academia premia o fabuloso desempenho de Olivia Colman em A Favorita e o roteiro de Spike Lee em Infiltrado na Klan, mas consagra o empoeirado Green Book: O Guia como melhor filme e dá o título de longa mais premiado da noite para Bohemian Rhapsody? É simplesmente inexplicável. Há pouco o que se dizer de uma noite marcada por alguns prêmios disruptivos (além dos já citados, foi lindo ver Pantera Negra faturando trilha sonora, design de produção e figurino) que parecem ofuscados pela vitória de um filme antiquado, de mensagens ultrapassadas e que em qualquer universo sensato se equivale tematicamente a Infiltrado na Klan Pantera Negra.

O que se leva da cerimônia são os discursos de Olivia Colman (por uma vitória merecida e ao mesmo tempo intrigante em melhor atriz), Spike Lee e Regina King, todos marcantes, e também a tradicional e poderosa performance vocal de Lady Gaga com “Shallow”, que lhe rendeu o prêmio de melhor canção. De resto, nada a ser lembrado. Se você pensava que as amargas vitórias de Crash – No LimiteO Discurso do Rei não poderiam ser superadas, a Academia sempre nos lembra, assim como o Brasil e o mundo ultimamente, que tudo sempre pode piorar.

Confira abaixo a lista completa de vencedores:

MELHOR FILME: Green Book: O Guia
MELHOR DIREÇÃO: Alfonso Cuarón (Roma)
MELHOR ATRIZ: Olivia Colman (A Favorita)
MELHOR ATOR: Rami Malek (Bohemian Rhapsody)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Regina King (Se a Rua Beale Falasse)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Mahershala Ali (Green Book: O Guia)
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Green Book: O Guia
MELHOR ROTEIRO ADAPTADOInfiltrado na Klan
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Roma
MELHOR ANIMAÇÃO: Homem-Aranha no Aranhaverso

MELHOR TRILHA SONORA: Pantera Negra
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “Shallow” (Nasce Uma Estrela)
MELHOR MONTAGEM: Bohemian Rhapsody
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO: Pantera Negra
MELHOR FOTOGRAFIA: Roma
MELHOR FIGURINO: Pantera Negra

MELHOR MIXAGEM DE SOMBohemian Rhapsody
MELHOR EDIÇÃO DE SOM: Bohemian Rhapsody
MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOSVice
MELHORES EFEITOS VISUAISO Primeiro Homem
MELHOR DOCUMENTÁRIO: Free Solo
MELHOR CURTA-METRAGEM: Skin
MELHOR CURTA-METRAGEM (ANIMAÇÃO): Bao
MELHOR CURTA-METRAGEM (DOCUMENTÁRIO)Period. End of Sentence.

Apostas para o Oscar 2019 (e algumas breves impressões sobre os indicados, a cerimônia e os favoritos)

O Oscar 2019 já é histórico porque poucas vezes a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood se viu tão encurralada com a repercussão de suas escolhas inexplicáveis e catastróficas. Mal sabíamos, por exemplo, que a ideia de um prêmio para filmes populares lançada ainda em 2018 seria apenas o início de uma série de polêmicas: após voltar atrás dessa ideia, o Oscar também se viu sem apresentador (Kevin Hart abandonou o cargo após seus tweets homofóbicos serem desenterrados na internet) e em maus lençóis com praticamente toda a indústria ao decidir não apresentar ao vivo determinadas categorias técnicas, ao não convocar os atores vencedores de anos anteriores para que eles tradicionalmente apresentassem os consagrados deste ano e ao inventar que somente algumas das canções indicadas seriam apresentadas na cerimônia. O presidente da Academia, John Bailey, voltou atrás de todas as decisões, provando que tanto não tem tino para comandar o prêmio mais célebre do Cinema como é incapaz de tomar qualquer decisão com plena convicção. Tudo isso, aliado ao fato de que o Oscar 2019 tem uma das seleções mais fracas em pelo menos duas décadas, faz com que cinéfilos do mundo inteiro sintonizem na cerimônia de hoje à noite quase com uma curiosidade mórbida: afinal, após tantas decisões erradas, ainda é possível esperar algo de bom da premiação?

O mínimo de defesa que podemos fazer em relação ao Oscar 2019 é essa: a seleção de melhor filme, apesar da baixa média de qualidade, é a fiel representação daquilo que vemos em Hollywood ao longo do ano. Entre os oito títulos indicados na categoria principal, temos filme de super-herói (Pantera Negra), sátira política (Vice), uma obra estrangeira lançada diretamente em streaming (Roma), a biografia musical que os votantes (e o público) tanto adoram (Bohemian Rhapsody), olhares superficiais ou profundos sobre questões sociais e raciais (Green BookInfiltrado na Klan), uma comédia dramática de época (A Favorita) e uma refilmagem impulsionada por um galã confiável da indústria ao lado de uma gigante pop star (Nasce Uma Estrela). Acuse o Oscar 2019 do que você quiser, menos de ele não representar, para o bem e para o mal, nas devidas dimensões, tudo aquilo que faz sucesso entre público e crítica este ano. Mais do que isso, é gratificante ver a Academia finalmente se abrindo para obras mais populares, aceitando e reconhecendo que Hollywood vive e sobrevive por causa delas e que não há mal algum em abrir as portas para os longas que tanto mobilizam milhões (ou bilhões) de pessoas mundo afora.

Falando dos filmes propriamente ditos, o nível realmente não é alto e, pela primeira vez, acho que chego a um Oscar sem ter um filme que vou levar para a vida inteira. Admiro demais Roma, por exemplo, ao mesmo tempo em que sou apaixonado por tudo aquilo que a A Favorita representa em termos de transgressão narrativa, mas também tenho problemas imensos com Green Book: O Guia, um filme que considero simplesmente inadmissível de tão empoeirado. Também acho Vice um CTRL+C/CTRL+V do formato de A Grande Aposta, assim como sigo sem entender tanta paixão por Nasce Uma Estrela, uma obra que é igual a incontáveis outras que já vimos sobre romances conturbados no mundo da música. O que me pega mesmo no Oscar 2019 é a seleção de títulos estrangeiros que, atenção, é amplamente liderada por Roma, que concorre em dez categorias, mas que está longe de ser resumida a isso. Na maratona deste ano, ainda me faltou ver Guerra Fria, mas o japonês Assunto de Família e especialmente o libanês Cafarnaum são claros exemplos de como os longas não falados em inglês são mais sofisticados, interessantes e comoventes do que os concorrem na categoria principal. Esses sim eu vou guardar no meu coração como as melhores lembranças dessa temporada.

Com favoritos em pouquíssimas categorias, o Oscar 2019 acontece na noite deste domingo (24) com a real sensação de que tudo pode acontecer, o que pode não significar boa coisa. Não duvide, por exemplo, que o adorado e premiado Roma de repente saia da cerimônia sem o prêmio principal para que Green Book, o clássico filme formulaico e apaziguador sobre racismo, seja o grande consagrado da noite. É importante lembrar: há pelo menos dois anos o Oscar cansa do grande favorito da temporada para premiar outro título: foi assim com La La Land sendo desbancado por Moonlight e com Três Anúncios Para Um Crime perdendo o prêmio principal para A Forma da Água. Seria muito triste ver Green Book tirando o prêmio de Roma, mas é um cenário possível e bastante real. Entre os atores, viverei uma alegria sem fim quando Glenn Close finalmente subir ao palco para levar o Oscar por A Esposa, mas o meu coração está com Olivia Colman em A Favorita. Sem ter visto Regina King em Se a Rua Beale Falasse, também torço pelo filme de Yorgos Lanthimos entre as coadjuvantes: Amy Adams, de quem eu gosto muito em Vice, precisa me desculpar, já que a minha torcida fica sem pensar duas vezes com Rachel Weisz.

Aqui no Brasil, o Oscar 2019 será transmitido pelo canal TNT a partir das 20h30 com o Tapete Vermelho e a partir das 22h com a cerimônia oficial. No mais, compartilho abaixo as apostas para a noite de hoje e também as duas lives realizadas na página do Cinema e Argumento no Facebook sobre as categorias de atuação e interpretação. Logo mais nos vemos uma outra vez para comentar os vencedores. Até lá!

APOSTAS

MELHOR FILMERoma / alt: Green Book: O Guia
MELHOR DIREÇÃO: Alfonso Cuarón (Roma) / alt: Spike Lee (Infiltrado na Klan)
MELHOR ATRIZ: Glenn Close (A Esposa) / alt: Olivia Colman (A Favorita)
MELHOR ATOR: Rami Malek (Bohemian Rhapsody) / alt: Christian Bale (Vice)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Regina King (Se a Rua Beale Falasse) / alt: Amy Adams (Vice)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Mahershala Ali (Green Book: O Guia) / alt: Richard E. Grant (Poderia Me Perdoar?)
MELHOR ROTEIRO ORIGINALA Favorita / alt: Green Book: O Guia
MELHOR ROTEIRO ADAPTADOInfiltrado na Klan / alt: Poderia Me Perdoar?
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Roma / alt: Guerra Fria
MELHOR ANIMAÇÃO:Homem-Aranha no Aranhaverso / alt: Ilha dos Cachorros

MELHOR TRILHA SONORA: Se a Rua Beale Falasse / alt: Pantera Negra
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “Shallow” (Nasce Uma Estrela) / alt: “All the Stars” (Pantera Negra)
MELHOR MONTAGEMVice / alt: Bohemian Rhapsody
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO: A Favorita / alt: Roma
MELHOR FOTOGRAFIA: Roma / alt: Guerra Fria
MELHOR FIGURINO: A Favorita / alt: Pantera Negra

MELHOR MIXAGEM DE SOMBohemian Rhapsody / alt: Nasce Uma Estrela
MELHOR EDIÇÃO DE SOMUm Lugar Silencioso / alt: Bohemian Rhapsody
MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOSVice / alt: Duas Rainhas
MELHORES EFEITOS VISUAISO Primeiro Homem / alt: Vingadores: Guerra Infinita

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Melhores de 2018 – Figurino

Figurinista dos filmes de Paul Thomas Anderson desde quando o cineasta estreou em longas-metragens com Jogada de Risco em 1996, Mark Bridges recriou para Trama Fantasma toda a inspiração da moda britânica dos anos 1950, imaginando o que vestiria a geração que chegava ao fictício ateliê House of Woodcock para encomendar as desejadas criações do estilista vivido por Daniel Day-Lewis. É um trabalho sofisticado que não torna as peças hiperbólicas, como se elas fossem um personagem à parte, já que, em cada vestido projetado por Reynolds, existe muito do perfeccionismo e da forte personalidade do protagonista. Dessa forma, Mark Bridges trabalhou de forma muito próxima com Day-Lewis, definindo junto ao ator quais seriam os traços não das roupas daquela época, mas sim daquelas que o personagem teria criado com tanto controle e orgulho. O belíssimo resultado rendeu ao figurinista um segundo e incontestável Oscar (o primeiro veio por O Artista em 2012). Ainda disputavam a categoriaAnimais Fantásticos: Os Crimes de GrindelwaldO Destino de Uma NaçãoA Forma da Água O Retorno de Mary Poppins.

EM ANOS ANTERIORES: 2017 Jackie | 2016 – Carol | 2015 – Macbeth: Ambição e Guerra | 2014 – O Grande Hotel Budapeste | 2013 – Anna Karenina | 2012 – W.E. – O Romance do Século | 2011 – O Discurso do Rei | 2010 – A Jovem Rainha Victoria | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Elizabeth – A Era de Ouro | 2007 – Maria Antonieta

Melhores de 2018 – Design de Produção

Inicialmente idealizado como uma obra em preto e branco, A Forma da Água logo se coloriu quando o diretor Guillermo Del Toro convocou Paul D. Austerberry para assinar o design de produção do filme junto à dupla Jeffrey A. Melvin e Shane Vieau. Austerberry não apenas convenceu Del Toro que seu filme seria muito mais pulsante e instigante caso abandonasse a ideia do preto e branco como analisou com o diretor cada uma das 3.500 cores da paleta proposta para o design de produção do projeto. Mais do que isso, Austerberry, Melvin e Vieau mergulharam criativamente nas assumidas referências estéticas do cineasta, como o longa Os Sapatinhos Vermelhos, de 1948, para moldar os cenários e as decorações dos diferentes núcleos de A Forma da Água. Entre os laboratórios onde Elisa (Sally Hawkins) trabalha e os apartamentos envelhecidos em cima de um cinema de rua, o design de produção do filme transita entre a fantasia e o realista estado emocional de seus personagens com detalhes tão mínimos quanto impressionantes. Ainda disputavam a categoriaAnimais Fantásticos: Os Crimes de GrindelwaldO Retorno de Mary PoppinsRoma Sem Fôlego.

EM ANOS ANTERIORES: 2017 Blade Runner 2049 | 2016 – Animais Fantásticos e Onde Habitam | 2015 – Expresso do Amanhã | 2014 – O Grande Hotel Budapeste | 2013 – Anna Karenina | 2012 – A Invenção de Hugo Cabret | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet | 2007 – Maria Antonieta

Melhores de 2018 – Ator Coadjuvante

Coadjuvante no filme com um todo, mas protagonista da cena indiscutivelmente mais bela de Me Chame Pelo Seu Nome, Michael Stuhlbarg tinha uma missão muito difícil ao dar vida ao pai de Elio (Timothée Chalamet). Como, afinal, em apenas uma cena, sintetizar a gama de emoções construída pelo texto e fazer com que o espectador acredite que o personagem, de fato, diz, sente e já viveu tudo aquilo que está posto pelo roteiro? Em poucos minutos, muito é dito na cena entre os dois personagens — e é verdade que o texto dá conta de boa parte do sentimento avassalador dessa sequência —, mas é loucura subestimar Stuhlbarg, que, em cada movimento e em cada olhar, esbanja a delicadeza, a generosidade e a sabedoria que todo pai deveria compartilhar com um filho. É um trabalho sutil e meticuloso que engrandece o momento que tanto faz Me Chame Pelo Seu Nome reverberar após a sessão. Ainda disputavam a categoria: Barry Keoghan (O Sacrifício do Cervo Sagrado), Bruno Fernandes (Tinta Bruta), Daniel Kaluuya (As Viúvas) e Irandhir Santos (O Animal Cordial).

EM ANOS ANTERIORES: 2017  Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar) | 2016 – Steve Carell (A Grande Aposta) | 2015 – Edward Norton (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)) | 2014 – Jared Leto (Clube de Compras Dallas| 2013 – Philip Seymour Hoffman (O Mestre| 2012 – Nick Nolte (Guerreiro| 2011 – Alan Rickman (Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2| 2010 – Michael Douglas (Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme| 2009 – Christoph Waltz (Bastados Inglórios| 2008 – Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez| 2007 – Casey Affleck (O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford)

“Todos Já Sabem”: trio de atores notáveis é desperdiçado por trama que não assume a sua própria natureza melodramática

Direção: Asghar Farhadi

Roteiro: Asghar Farhadi

Elenco: Javier Bardem, Penélope Cruz, Ricardo Darín, Eduard Fernández, Bárbara Lennie, Inma Cuesta, Elvira Mínguez, Ramón Barea, Sara Sálamo, Roger Casamajor, José Ángel Egido, Sergio Castellanos, Iván Chavero, Tomás del Estal

Todos lo Saben, Espanha/França/Itália, 2018, Drama, 132 minutos

Sinopse: Quando sua irmã se casa, Laura (Penélope Cruz) retorna à Espanha natal para acompanhar a cerimônia. Por motivos de trabalho, o marido argentino (Ricardo Darín) não pode ir com ela. Chegando no local, Laura reencontra o ex-namorado, Paco (Javier Bardem), que não via há muitos anos. Durante a festa de casamento, uma tragédia acontece. Toda a família precisa se unir diante de um possível crime de grandes proporções, enquanto se questionam se o culpado não está entre eles. Na busca por uma solução, segredos e mentiras são revelados sobre o passado de cada um. (Adoro Cinema)

É um feito e tanto: reunir, em um mesmo filme, Javier Bardem, Penélope Cruz e Ricardo Darín, nada menos do que três grandes ícones do cinema contemporâneo de língua latina. A expectativa também se multiplica porque Todos Já Sabem é dirigido pelo premiado cineasta iraniano Asghar Farhadi, que assinou dois títulos premiados com o Oscar de melhor filme estrangeiro: A Separação (2012) e O Apartamento (2016). Ainda assim, com todas as variáveis trabalhando a favor do resultado, a recepção morna no Festival de Cannes em 2018 já sugeria que tal mistura não havia resultado em grande coisa, e é preciso realmente ver para crer: não só Todos Já Sabem desperta a desoladora frustração de não ser uma obra à altura dos profissionais envolvidos em sua realização como deixa a certeza de que, mesmo se fosse um projeto menos suscetível a expectativas, seria impossível não sair desapontado com a limitação de ideias de um roteiro inacreditavelmente escrito no piloto-automático.

Somente o segundo longa-metragem espanhol a abrir uma edição Festival de Cannes (o primeiro foi Má Educação, de Pedro Almodóvar, em 2004), Todos Já Sabem parte da vontade de contar uma história bastante cotidiana e familiar, onde Laura (Penélope Cruz), uma mulher espanhola vivendo na Argentina, volta a sua terra-natal para o casamento da irmã. Lá, reencontra um amor mal resolvido do passado e, de repente, enfrenta uma jornada extrema e dolorosa que colocará os nervos, as memórias e as emoções da família à flor da pele. Farhadi, que também assina o roteiro, leva um tempo considerável da projeção apenas acompanhando os personagens em tarefas mundanas, claramente convidando o espectador a fazer parte daquele universo. A proposta não deixa de causar estranheza em um primeiro momento, pois toma tempo demais da projeção sem sugerir basicamente nada do que será a matéria-prima dos dramas posteriores.

Finalmente, quando os personagens de Todos Já Sabem passam a enfrentar o tal acontecimento que desafia a força e a consistência dos laços familiares, a preparação de terreno é percebida na tela, muito porque Javier Bardem e Penélope Cruz (dois excelentes atores que ficam ainda melhores quando atuam em espanhol) conferem por si só um inegável sentimento de intimidade para dupla de personagens que interpretam. O que derruba Todos Já Sabem, entretanto, é a escolha de Farhadi contar a história em tom de melodrama familiar, construindo uma novela limitadíssima do ponto de vista emocional que, por outro lado, tenta se apresentar como comedida e introspectiva. Não há problema algum no melodrama (ele, inclusive, quando bem trabalhado, é capaz de alcançar notas interessantíssimas, como no Álbum de Família estrelado por Meryl Streep e Julia Roberts), mas, quando inexiste qualquer resquício de frescor ou simplesmente a vontade de assumi-lo, é difícil nutrir qualquer tipo de entusiasmo.

Todos Já Sabem é um imperdoável desperdício de talentos porque tenta disfarçar o tom novelesco de uma série de dilemas no mínimo batidos para quem tem o mínimo de vivência com o universo dos filmes. Há tudo o que você pode imaginar: homens com histórico de alcoolismo, rancores envolvendo negócios familiares mal resolvidos, segredos de gravidez guardados durante anos, adolescentes em ebulição sexual e o filho da empregada que até hoje é julgado em função de sua origem. Do micro ao macro, Todos Já Sabem acumula melodramas, mas parece envergonhado de abraçá-los como parte de sua personalidade, o que é muito grave para uma trama que se desenvolve justamente a partir de desdobramentos tão novelescos. Dessa maneira, Farhadi cria uma obra contraditória: como uma odisseia familiar, não possui sequer uma verve hiperbólica para que os atores tirem algum proveito; como um suposto filme de arte, não tem a sofisticação dramática que lhe impulsione a esse título. 2019 mal começou e já temos uma das grandes frustrações do ano.

Os vencedores do BAFTA 2019

Olivia Colman foi a melhor atriz por A Favorita.

Ainda que seu eleitorado não seja necessariamente semelhante ao do Oscar, o BAFTA exerceu, na noite deste domingo (10), um papel muito interessante em termos de clarear os rumos para o prêmio concedido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Por também consagrar filmes de língua inglesa e por estar na ativa desde os anos 1940 (o que lhe dá grandes credenciais com a indústria, que sempre voa até o Reino Unido para prestigiar a cerimônia), o BAFTA pode, ao menos, ser observado como o reflexo do pensamento de um grupo específico que, de certa maneira, está alinhado aqui ou ali com outras premiações em casos mais abertos e pontuais. Especialmente na corrida deste ano, que, até então, parecia não ter favoritos (muito em função da baixa média de qualidades dos concorrentes), os britânicos parecem assinalar caminhos muito óbvios.

Tal constatação é possível porque Roma faturou a categoria principal mesmo com A Favorita levando sete troféus para casa, alguns deles estratégicos (roteiro original e filme britânico, por exemplo). A vitória surpreende porque o BAFTA é uma premiação conhecida por seu bairrismo, ainda mais em anos onde filmes britânicos como A Favorita ganham grande repercussão no circuito mundial. Por outro lado, não devemos pensar que o Oscar de melhor atriz para Glenn Close está perdido com a consagração de Olivia Colman, que de fato brilha em A Favorita, mas que foi favorecida pela histórica falta de entusiasmo do BAFTA com Glenn (antes de A Esposa ela só havia concorrido nos 1980 com Ligações Perigosas, sem ter vencido) e pelo fato ser uma grande queridinha entre os votantes (esta é quarta estatueta da atriz, considerando as vitórias por TV). De resto, nas categorias principais, saem consolidados da cerimônia o mexicano Alfonso Cuarón também na categoria de melhor direção e a dupla Rami Malek (Bohemian Rhapsody) e Mahershala Ali (Green Book: O Guia), aparentemente imbatíveis entre as interpretações masculinas.

Confira abaixo a lista completa de vencedores do BAFTA 2019

MELHOR FILME: Roma
MELHOR DIREÇÃO: Alfonso Cuarón (Roma)
MELHOR ATRIZ: Olivia Colman (A Favorita)
MELHOR ATOR: Rami Malek (Bohemian Rhapsody)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Rachel Weisz (A Favorita)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Mahershala Ali (Green Book: O Guia)
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: A Favorita
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Infiltrado na Klan
MELHOR FOTOGRAFIA: Roma
MELHOR FIGURINO: A Favorita
MELHOR MONTAGEM: Vice
MELHOR FILME BRITÂNICO: A Favorita
MELHOR ANIMAÇÃO: Homem-Aranha no Aranhaverso
MELHOR DOCUMENTÁRIO: Free Solo
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Roma
MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADOS: A Favorita
MELHOR TRILHA SONORA: Nasce Uma Estrela
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO: A Favorita
MELHOR SOM: Bohemian Rhapsody
MELHORES EFEITOS VISUAIS: Pantera Negra
MELHOR CURTA-METRAGEM BRITÂNICO: 73 Cows
MELHOR CURTA-METRAGEM BRITÂNICO (ANIMAÇÃO): Roughhouse
EE RISING STAR AWARD: Letitia Wright

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