Adeus, 2017! (e as melhores cenas do ano)
Em mais um ano que chega ao fim, novamente vou deixar minha lista de favoritos para depois da virada. O motivo simples e perfeitamente compreensível: como ainda estou em dívida com muitos títulos, prefiro dar mais um tempinho para conferi-los e, assim, não cometer nenhum crime que possa me trazer remorso mais adiante. Certamente, por uma série de razões, tanto fora quanto ao meu alcance, não conferi — nem vou conferir — centenas de títulos como boa parte dos meus colegas blogueiros, mas, dentro do meu singelo escopo, quero ter o devido tempo para ficar plenamente satisfeito com as minhas escolhas.
Por isso, mantenho ao menos uma tradição aqui do blog: a de elencar os meus momentos favoritos no cinema ao longo do ano, considerando, como sempre, os títulos lançados comercialmente e via streaming no Brasil. Não deixem de opinar quanto aos selecionados abaixo (atenção, alguns deles podem trazer spoilers em suas justificativas), pois sempre gosto de ouvir o que vocês, leitores, têm a dizer. Afinal, vem muito mais por aí em 2018! Feliz ano novo e um abraço carinhoso para cada um de vocês!
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#10 – Harry (Ralph Fiennes) dança “Emotional Rescue”, dos Rolling Stones, em Um Mergulho no Passado
Ralph Fiennes é um verdadeiro estouro em Um Mergulho no Passado, filme pouco reconhecido do italiano Luca Guadagnino, cineasta que agora é celebrado mundo afora com Me Chame Pelo Seu Nome. Com um personagem desafiador, Fiennes se esbalda nas sutilezas e nos atordoamentos de um homem que grita, fala, canta e dança o tempo inteiro, mas que, no fundo, é estridente por não conseguir lidar com as reflexões trazidas pelos momentos de silêncio. Há também algo de muito autêntico e libertador nesse homem que sempre faz e fala o que bem entende, sem medir palavras ou atitudes para agradar aos outros. E quando ele dança ao som de “Emotional Rescue”, dos Rolling Stones, é puro fascínio, tanto pelo personagem quanto por Ralph Fiennes.

#9 – Gretchen (Emanuelle Araújo) brilha em Bingo – O Rei das Manhãs
Poucas cinebiografias têm toda a energia e o pique ostentados por Bingo – O Rei das Manhãs, trabalho de estreia do montador Daniel Rezende na direção de longas. E se tratando da trajetória ascendente de ritmo do filme, não existe sequência mais empolgante do que a breve aparição da cantora e dançarina Gretchen, interpretada com graça e carisma por Emanuelle Araújo. Emulando acertadamente os trejeitos e o modo de dançar da Rainha do Bumbum, Emanuelle injeta uma nova dose de ânimo a um filme já empolgante até ali. Mais do que toda a animação vinda de Conga, Conga, Conga, a cena conquista por reforçar toda a personalidade que fez de Bingo um verdadeiro (e merecido) sucesso nacional.

#8 – Rose (Viola Davis) confronta Troy (Denzel Washington) em Um Limite Entre Nós
Clássico caso de filme onde os atores são muito maiores do que o resultado como um todo, Um Limite Entre Nós sai perdendo em ritmo e em relevância cinematográfica com a sua falta de criatividade e seu zelo excessivo ao adaptar uma célebre peça de teatro. Por outro lado, quem ganha são os atores, que, com o texto na ponta da língua (foram centenas de apresentações nos palcos dos Estados Unidos), têm naturalidade de sobra para arrasar com o material. Denzel Washington e, especialmente, Viola Davis merecem uma nota à parte pelo que fazem durante o maior momento do filme, quando um segredo vêm à tona e Rose (Viola) precisa confrontar o marido com todas as suas dores e frustrações reprimidas durante anos. Quem não se arrepiou?

#7 – Diana (Gal Gadot) nas trincheiras em Mulher-Maravilha
Na prática, Mulher-Maravilha é menos criativo e autêntico do que as pessoas estão dispostas a admitir, mas ter uma personagem feminina como protagonista faz mesmo a diferença em várias passagens dessa aventura dirigida por Patty Jenkins. Não é sempre que vemos uma mulher derrotando, no corpo a corpo e na inteligência, uma quantidade significativa de marmanjos, e muito menos uma que vá a campo em uma grande guerra e, sozinha, enfrente incontáveis disparos do outro lado da trincheira com uma coragem de dar inveja. Diana encarando tudo aquilo sozinho é muito representativo, além de ser o auge estético e de adrenalina do blockbuster.

#6 – A cena do vestido em Roda Gigante
Aos 45 do segundo tempo, Kate Winslet veio repleta de talento em inspiração em Roda Gigante, a ponto de figurar entre as performances mais marcantes do ano. Uma cena específica justifica o festejo em torno da interpretação, e essa é quando Ginny (Kate Winslet), incorporando a carreira de atriz que deixou para trás junto com o seu passado de erros, chega ao limite de suas frustrações e insatisfações ao ser confrontada por Mickey (Justin Timberlake). Em seu devaneio repentino, ela se caracteriza e se maquia como se de fato estivesse em cena, evocando os romances e as tragédias gregas que volta e meia referencia ao longo da história e que, ironicamente, quase sempre terminam em um (quase) monólogo como o seu. Tem metalinguagem, tem a linda fotografia de Vittorio Storaro e tem, claro, Kate Winslet afiadíssima como não víamos há muitos anos.

#5 – Confronto em meio às águas em Blade Runner 2049
Desconfie de quem lhe disser que não achou Blade Runner 2049 um arraso do ponto de vista estético. No geral, não sou fã do filme como um todo, que, em contraste, proporciona sequências épicas ao conjugar som e imagem. Uma delas, em particular, consegue me pegar em cheio: aquela em que K (Ryan Gosling), dentro de um veículo prestes a ser engolido pela água, precisa vencer um combate corpo a corpo que salvará não apenas a sua vida, mas também a de outro personagem. O confronto em um espaço minúsculo e pouco a pouco tomado pela água é eletrizante, sem falar dos toques mais do que especiais da fotografia do mestre Roger Deakins e da trilha sonora assinada pela dupla Benjamin Wallfisch e Hans Zimmer.

#4 – Doloroso reencontro em Manchester à Beira-Mar
Longa-metragem mais carregado na dor que passou pelos cinemas brasileiros ao longo de 2017, Manchester à Beira-Mar, em uma das tantas costuras perfeitas de seu roteiro irrepreensível, arrebenta de vez o nosso coração quando promove um cotidiano e inesperado reencontro entre Lee (Casey Affleck) e Randi (Michelle Williams), tempos depois de um doloroso acontecimento. A cena, imersa no exímio controle dramático que o diretor Kenneth Lonergan trabalha ao longo de toda a projeção, tem sentimentos arrasadores porque mostra o quanto a dor faz com que o ser humano coloque a emoção frente à razão, despejando tudo o que estava represado e conferindo inclusive conotações tristes e atrapalhadas para um “eu te amo” que outrora seria cercado de otimismo.

#3 – Noite na praia em Moonlight: Sob a Luz do Luar
Calcado no naturalismo, Moonlight: Sob a Luz do Luar é um filme de estrutura problemática (sigo considerando o terceiro e último capítulo uma falha imperdoável em uma história contada com grande excelência até ali), o que não amortece a lembrança de passagens como aquela em que Chiron (Ashton Sanders), já adolescente, tem o seu primeiro contato íntimo de natureza homossexual, algo que lhe era negado e reprimido até então. O registro é de arrepiar porque, com a beleza estética inerente ao longa, acerta na potência com que mistura a aventura, o perigo e a emoção de um momento divisor de águas para um garoto que já tem a consciência de que a vida quase nunca lhe sorrirá de volta.

#2 – A última noite na casa de Mãe!
Do amor ao ódio, Mãe! ostentou seguramente o título de filme mais polêmico do ano. Tenho certeza que essa era a intenção do diretor Darren Aronofsky, que, com um roteiro repleto de interpretações (bíblicas, sociais, ambientais), entregou cenas para ferver a mente de todo o tipo de público. E o ato final, encenado na última noite na casa da protagonista, usa e abusa de todas as possibilidades, sejam elas dramáticas e técnicas, de seu universo próprio, desafiando as fronteiras das formalidades, das previsibilidades e — o mais importante — daquilo tudo que o espectador gosta de ter ao seu controle quando assiste a um filme. Não é todo dia que vemos um atrevimento delicioso como esse.

#1 – Uma vida passada a limpo em La La Land: Cantando Estações
A vida, ao contrário do que secretamente desejamos, é feita de pequenos momentos e, principalmente, de pequenas escolhas. Mais do que isso: na maioria dos casos, mudamos drasticamente o rumo da nossa existência sem perceber que ele foi transformado pela mais corriqueira das nossas decisões. E La La Land, um musical repleto de momentos emblemáticos, chega ao máximo de sua beleza e emoção ao passar a vida inteira de um casal a limpo em um epílogo de cortar o coração. Fora a trilha instrumental hipnotizante de Justin Hurwitz e toda a parte visual que é um show à parte, a sequência se eterniza por nos lembrar, através da melancolia, de que a vida pode nos pregar peças e obstáculos a todo momento, mas que, no final das contas, apenas nós somos os senhores dos nossos próprios destinos.
Melhores de 2016 – Filme

Poucas listas de melhores do ano aqui do blog foram tão pessoais quanto a de 2016. Por isso, para escolher o nosso favorito máximo, a lógica foi muito simples: colocar todos os filmes em perspectiva e observar qual deles mais reverberou conosco desde a primeira sessão. E Carol, novo trabalho refinadíssimo do diretor Todd Haynes, ganha por uma série de razões: da trilha de Carter Burwell tocada incansavelmente a tudo de novo que descobrimos sobre o romance de Carol (Cate Blanchett) e Therese (Rooney Mara) a partir da busca pelo romance original de Patricia Highsmith, o longa, muito além dos detalhes de sua construção cinematográfica, marca por sua afetividade. Ambientado nos anos 1950 assim como Longe do Paraíso, um dos filmes mais célebres de Haynes, Carol é ao mesmo tempo o registro de uma época e uma história muito íntima e particular. Delicada, a obra também é um alento para o que costumamos ver em romances LGBT tão calcados em pessimismo: aqui o foco, apesar das discussões envolvendo os obstáculos impostos pela sociedade, é a descoberta e a vivência desse amor à primeira vista entre duas mulheres de universos distintos. Novamente, um grande filme solenemente escanteado pelos prêmios (foi recordista de indicações ao BAFTA, por exemplo, e não ganhou nada) será eternizado por um termômetro de muito mais respeito: o tempo. Não tenha dúvidas: Carol é um filme a ser lembrado.
EM ANOS ANTERIORES: 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – Relatos Selvagens | 2013 – Gravidade | 2012 – Precisamos Falar Sobre o Kevin | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – Direito de Amar | 2009 – Dúvida| 2008 – WALL-E | 2007 – O Ultimato Bourne
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2. PONTO ZERO, de José Pedro Goulart: “Nunca encontrei as palavras certas para descrever o quanto Ponto Zero me comoveu – e talvez nunca encontre. De forma bem genérica, a explicação é a seguinte: esse é o tipo de experiência que, a cada minuto, me lembrava o porquê de eu ter me tornado um apaixonado por cinema (…) a obra falou comigo não apenas em função das minhas preferência cinéfilas, mas também por conseguir alcançar o meu interior como ser humano mesmo”.
3. A JUVENTUDE, de Paolo Sorrentino: “Em certo momento, um jovem garoto que está aprendendo a tocar violino diz que seu professor lhe entregou a canção justamente por ela ser ideal para principiantes. Mas, como bem descobrimos pela fala do menino e por tudo que a história mostra, não é porque a simplicidade reina que a beleza está ausente. Sendo assim, não tenho dúvidas de que quero mais canções simples como A Juventude pela frente”.
4. AQUARIUS, de Kleber Mendonça Filho: “É impressionante como o melhor de toda a carreira de Kleber como jornalista e cinéfilo está novamente e plenamente convergida na tela. Assim como em O Som ao Redor, é provável que nem todos comprem o conceito do estilo, mas, aos que souberem e conseguirem apreciar, Aquarius é mesmo tudo o que foi dito até agora”.
5. ELLE, de Paul Verhoeven: “É um relato que, assim como o recente O Silêncio do Céu, parte de um estupro, mas nunca se torna necessariamente um filme sobre estupro. Experiência bastante desafiadora para a plateia, Elle, no entanto, é plenamente recompensador para quem aceita ser provocado. Se esse for o seu caso, pode acreditar: teremos longas e instigantes conversas sobre a obra durante um bom tempo”
6. DE ONDE EU TE VEJO, de Luiz Villaça: “É importante não confundir a leveza e o bom humor presentes em De Onde Eu Te Vejo com superficialidade, pois isso seria uma injustiça com o roteiro e a direção do longa, que, além das leituras que fazem sobre relações amorosas e familiares, entregam uma interpretação muito interessante e contemporânea de São Paulo”.
7. A BRUXA, de Robert Eggers: “Ainda assim, pelo que me vem à memória, o terror psicológico de Eggers em nada se compara a qualquer exemplar do gênero que tenha ganhado as telas nos últimos anos. É experiência conceitual e experimental, o que pode repelir muita gente. Mas quer saber? Se conseguir embarcar, é coisa de mestre mesmo”.
8. A CHEGADA, de Denis Villeneuve: “Verdade seja dita que não são poucos os rodeios que o filme dá para dar simetria total a seu ciclo e chegar a toda emoção de seu terço derradeiro, mas a precisão a partir daí é admirável e o que vem a partir dela é muito íntimo. A Chegada reverbera muito além da sessão. Sorte de quem consegue perceber essa beleza”.
9. A DESPEDIDA, de Marcelo Galvão: “Um dos pontos mais fascinantes deste longa é justamente isso: a virilidade, a “macheza” e a integridade de um homem estão longe de ser ligadas a sua idade ou a sua condição física. Para Almirante, acordar e ver que sua fralda não está suja é uma vitória. Já para Fátima, sua amante, este e outros detalhes estão longe de falar qualquer coisa sobre o que seu companheiro realmente representa”.
10. SINFONIA DA NECRÓPOLE, de Juliana Rojas: “Tanto em termos de letra quanto de coreografia, Sinfonia da Necrópole é muito bem apurado. As rimas e a transição da cena realista para a musical são o ponto alto das canções, repletas de ritmo brasileiro (a Canção dos Coveiros, principalmente, inspirada nos clássicos de Adoniran Barbosa) e circunstâncias inusitadas (a Canção dos Mortos, encenada à noite, inevitavelmente lembrando Thriller, de Michael Jackson, referência que a própria Rojas diz que sempre tentou se esquivar)”.
Melhores de 2016 – Elenco

O naipe do elenco reunido Animais Noturnos comprova o prestígio alcançado por Tom Ford em Hollywood desde a realização de Direito de Amar, sua impressionante estreia como cineasta. Enquanto, no filme anterior, Ford dava de presente para Colin Firth um trabalho praticamente solo (outros nomes como Julianne Moore, Matthew Goode e Nicholas Hoult apareciam com papeis bem menores ou apenas pontas), em Animais Noturnos a força é coral: Amy Adams, pontuando um dos grandes momentos de sua carreira com essa interpretação ao lado de A Chegada, lançado no mesmo ano, pode até ter a responsabilidade de ser o fio condutor da história ao lado de Jake Gyllenhaal, que, novamente, dispensa maiores apresentações, especialmente depois da série de bons trabalhos que realizou nos últimos tempos, mas o elenco também é repleto de coadjuvantes inspirados, como o ótimo Michael Shannon e o jovem Aaron Taylor-Johnson, na interpretação mais expressiva de sua carreira até aqui. Outro aspecto marcante da assinatura de Tom Ford se preserva em seu novo longa: as participações especiais que, muitas vezes, em uma única cena, ampliam dimensões da trama ou complementam determinados personagens, como é o caso de Laura Linney, novamente versátil ao interpretar a mãe de Susan (Amy Adams). Controverso, Animais Noturnos pode ser questionado em certos aspectos, mas nunca em nada que se relacione ao seu elenco. Ainda disputavam a categoria: A Juventude, Aquarius, De Onde Eu Te Vejo e Spotlight – Segredos Revelados.
EM ANOS ANTERIORES: 2015 – Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) | 2014 – Relatos Selvagens | 2013 – Álbum de Família | 2012 – O Impossível | 2011 – Tudo Pelo Poder | 2010 – Minhas Mães e Meu Pai | 2009 – Dúvida | 2008 – Vicky Cristina Barcelona | 2007 – Bobby
Melhores de 2016 – Direção

O texto que escrevi para Ponto Zero de forma mais pessoal do que costumo apresentar no blog explica o quanto esse filme gaúcho foi uma viagem verdadeiramente transcendental para mim. Que lógico, portanto, colocar a direção de José Pedro Goulart como a que mais me impressionou ao longo de 2016. Além de se esquivar do clássico problema de filmes que, ao promoverem uma transformação radical em sua história, acabam parecendo duas obras distintas dentro de uma, Goulart trabalha o real e o fantástico com uma destreza que está longe de sugerir que esse é apenas o seu primeiro longa-metragem após uma extensa carreira como curta-metragista e publicitário. Após tantas revisões – seja no cinema ou em casa -, preservo a mesma admiração que tive por Ponto Zero desde a primeira vez que o vi. É mesmo um OVNI no cinema nacional, conforme definiu o crítico Luiz Carlos Merten, o que considero um dos maiores elogios que um filme pode receber. Ao conjugar um apuro estético admirável (e o mais importante: sempre a serviço da narrativa) e uma história tão aberta a reflexões (para mim, sempre será sobre até que ponto podemos aguentar certos pesos e como é muito íntima e pessoal a difícil viagem rumo a libertação deles), José Pedro Goulart realiza um trabalho que é difícil comparar a qualquer outro realizado em nosso cinema nos últimos tempos. Desde já, o cineasta desperta muita, mas muita curiosidade para o seu próximo filme. Ainda disputavam a categoria: Kleber Mendonça Filho (Aquarius), Paul Verhoeven (Elle), Robert Eggers (A Bruxa) e Todd Haynes (Carol).
EM ANOS ANTERIORES: 2015 – George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria) | 2014 – David Fincher (Garota Exemplar) | 2013 – Alfonso Cuarón (Gravidade) | 2012 – Leos Carax (Holy Motors) | 2011 – Darren Aronofsky (Cisne Negro) | 2010 – Christopher Nolan (A Origem) | 2009 – Danny Boyle (Quem Quer Ser Um Milionário?) | 2008 – Paul Thomas Anderson (Sangue Negro) | 2007 – Alejandro González Iñárritu (Babel)
Melhores de 2016 – Ator

Erro comum na apreciação de interpretações, a supervalorização do trabalho físico poderia ofuscar o que realmente existe de mais belo na performance do grande Nelson Xavier em A Despedida. No entanto, o trabalho que o ator realiza de dentro para fora é forte a ponto de não permitir que as representações físicas de seu Almirante, um homem de 92 anos que decide viver a última noite de amor com a sua amante de 37, definam o show do ator. Claro que a entrega de Xavier à reprodução corporal de um homem que parece prestes a desmantelar a qualquer momento é impressionante, mas o poder que o ator tem de transformar seu personagem em um homem espirituoso e muito mais vivo do que sua idade sugere é o que pontua sua atuação como a mais tocante entre os atores de 2016. Ao longo de um dia na vida de Almirante, A Despedida proporciona tudo o que um grande ator como Xavier merece: a chance de explorar o poder das palavras e dos gestos a partir de uma interpretação que precisa sintetizar toda a personalidade de um homem quase centenário a partir de um dia aparentemente corriqueiro de sua vida. Do grande ato que divide com a ótima Juliana Paes aos breves encontros que tem com outros personagens coadjuvantes, Nelson Xavier brilha em todas as formas possíveis. Ainda disputavam a categoria: Domingos Montagner (De Onde Eu Te Vejo), Hugh Grant (Florence: Quem é Essa Mulher?), Jacob Tremblay (O Quarto de Jack) e Michael Fasbender (Steve Jobs).
EM ANOS ANTERIORES: 2015 – David Oyelowo (Selma: Uma Luta Pela Igualdade) | 2014 – Jake Gyllenhaal (O Abutre) | 2013 – Joaquin Phoenix (O Mestre) | 2012 – Rodrigo Santoro (Heleno) | 2011 – Colin Firth (O Discurso do Rei) | 2010 – Colin Firth (Direito de Amar) | 2009 – Sean Penn (Milk – A Voz da Igualdade) | 2008 – Daniel Day-Lewis (Sangue Negro) | 2007 – Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia)