Extraordinário

Because I’m your mom, it counts the most.

Direção: Stephen Chbosky

Roteiro: Jack Thorne, Stephen Chbosky e Steve Conrad, baseado no livro homônimo de R.J. Palacio

Elenco: Jacob Tremblay, Julia Roberts, Owen Wilson, Izabela Vidovic, Noah Jupe, Mandy Patinkin, Danielle Rose Russell, Bryce Gheisar, Elle McKinnon, Daveed Diggs, Nadji Jeter, Millie Davis

Wonder, EUA/Hong Kong, 2017, Drama, 113 minutos

Sinopse: Auggie Pullman (Jacob Tremblay) é um garoto que nasceu com uma deformação facial, o que fez com que passasse por 27 cirurgias plásticas. Aos 10 anos, ele pela primeira vez frequentará uma escola regular, como qualquer outra criança. Lá, precisa lidar com a sensação constante de ser sempre observado e avaliado por todos à sua volta. (Adoro Cinema)

Desde que nasceu com uma deformação facial, o pequeno Auggie Pullman (Jacob Tremblay) passou por mais de 20 cirurgias plásticas. Os procedimentos repararam vários de seus sentidos prejudicados, como a visão e a audição, mas jamais lhe conferiram qualquer estética aceitável aos olhos da sociedade. Por isso, se o nosso rosto é o registro mais explícito de tudo aquilo que já vivemos através dos anos, Auggie, com apenas dez, tem história até demais para exibir ao mundo e principalmente ao amedrontador universo escolar que agora lhe aguarda. Eis a verdadeira tragédia que impulsiona a emoção de Extraordinário: não a deformidade física, e sim o fato de um garoto tão jovem e doce precisar compreender, logo cedo na vida, que nem sempre as pessoas conseguem ser generosas com aquilo que consideram remotamente “diferente”.

Sucesso estrondoso de bilheteria nos Estados Unidos, Extraordinário deve repetir sua trajetória bem sucedida com as plateias do Brasil e de todos os cantos do mundo, pontuando mais um grande êxito na carreira do diretor Stephen Chbosky, que, em 2012, escreveu e dirigiu o adorado As Vantagens de Ser Invisível. O efeito é semelhante: tanto Extraordinário quanto As Vantagens de Ser Invisível foram abraçados por público e crítica, mas o diálogo entre os dois filmes é muito mais interessante no sentido de tentar entender o porquê de ambos conseguirem juntar com tanta facilidade dois públicos normalmente distintos. Afinal, como adaptar com excelência um best seller emotivo, motivacional, mais palatável e de viés comercial de modo que ele também agrade uma plateia à espera de narrativas acima da média?

Entre tantos aspectos, é preciso, claro, procurar diferentes ângulos daquilo que já conhecemos. É o que faz Extraordinário, que, baseado no livro homônimo de R.J. Palacio, coloca outros personagens no centro da narrativa para levantar diferentes percepções quanto ao protagonista, como a da irmã mais velha, que nunca teve qualquer protagonismo em casa frente aos tantos cuidados físicos e emocionais com o caçula, ou a do colega de escola que, aos poucos, passa a compreender Auggie a ponto de se tornar seu melhor amigo. Dessa forma, Extraordinário deixa de ser um monólogo de seu protagonista para se tornar um filme que, sim, sempre converge para sua discussão central, mas a partir de múltiplos caminhos. Essa estrutura traz dinâmica e curiosidade para um relato que que poderia apenas se acomodar nas difíceis circunstâncias de um personagem dramático por si só.  

Chbosky, que escreve a adaptação ao lado de Jack Thorne e Steve Conrad, traça um paralelo estimulante em Extraordinário: de um lado, toda a graça de uma infância cercada de imaginação (Auggie é fã de Star Wars e encontra conforto ao sonhar que é popular na escola por levar o icônico Chewbacca ao pátio da escola!); de outro, a dura realidade de uma sociedade que, quando não comete bullying, dificilmente esconde o olhar torto e assustado para um garoto que, lá no fundo, todos preferem que tome certa distância. Chbosky cumpre os rituais para um filme de natureza assumidamente comercial (há, claro, a trilha do brasileiro Marcelo Zarvos para sublinhar emoções e eventos que surgem apenas para estender um pouquinho mais as lágrimas), mas a leveza e a tristeza são muito bem comandadas por uma direção graciosa e que, no geral, está atenta ao quanto deve açucarar a jornada emocional do longa.

Com o carisma do elenco, ainda há como incrementar o resultado: compensando o fato do talentoso Jacob Tremblay (lembram como ele era magnífico em O Quarto de Jack?) estar embaixo de uma pesada maquiagem que praticamente impossibilita uma composição mais minuciosa do ator, todo o elenco de suporte é consistente em talento, de Julia Roberts, uma atriz que gosto demais em papéis dramáticos, a outros jovens atores, como Noah Jupe, que interpreta o amigo Jack Will, e Izabela Vidovic, que dá vida à irmã de Auggie. Misturando drama e otimismo (uma combinação praticamente infalível para obras dessa natureza), Extraordinário revela mais do que um sucesso de bilheteria que remonta à boa e velha definição do filme-família: tomando certa perspectiva, é mais do que clara a consolidação de um cineasta que tem tudo para consolidar uma carreira com filmes populares e, de quebra, ainda comover novas plateias.

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