Cinema e Argumento

Melhores de 2019 – Som

Formado por Nicolas Hallet, Ricardo Cutz e Cyril Holtz, o trio responsável por capitanear o trabalho de som de Bacurau traz para o filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles a experiência acumulada tanto em produções brasileiras quanto estrangeiras. Enquanto Nicolas e Ricardo já trabalharam separadamente em títulos como Edifício Master, Tatuagem, O Lobo Atrás da Porta, A História da Eternidade, além dos longas anteriores assinados por Kleber, o francês Cyril Holtz tem na bagagem, por exemplo, o premiado Elle, de Paul Verhoeven. Ou seja, experiência é o que não falta ao trio, algo que está evidente em Bacurau, onde o som é ferramenta primordial para situar o espectador em um universo muito particular e que transita por diferentes gêneros. Da atmosfera de um povoado que vive em uma humilde (e fictícia) cidade do nordeste brasileiro aos imprevisíveis acontecimentos que, em tons de suspense e até mesmo de ficção científica, passam a assombrar os personagens do longa, Nicolas, Ricardo e Cyril usam o som para ampliar os sentidos do espectador desde os primeiros minutos de projeção. É com essa preciosa contribuição do trio que tudo em Bacurau acaba nos parecendo muito próximo e, em diversas passagens, angustiante. Ainda disputavam a categoria: Ad Astra: Rumo às Estrelas, Coringa, Nós e Rocketman.

EM ANOS ANTERIORES: 2018 – Um Lugar Silencioso | 2017 – Dunkirk | 2016 – Ponto Zero | 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – Até o Fim | 2013 – Gravidade | 2012 – 007 – Operação Skyfall | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – Tron: O Legado | 2009 – Avatar | 2008 – WALL-E | 2007 – O Ultimato Bourne

Melhores de 2019 – Design de Produção

Uma informação que redimensiona a nossa relação de fascínio com o universo de Parasita é a de que os principais ambientes em que o filme desenvolve a sua ação (a casa da família rica e a casa da família pobre) foram construídos especialmente para o projeto, tornando o design de produção um elemento fundamental na narrativa criada por Bong Joon-Ho. Em sua segunda coleboração com o diretor, Lee Ha-Jun imaginou espaços que deveriam cumprir duas funções básicas: instigar visualmente e viabilizar toda a mise-en-scène, bem como os jogos de câmera propostos por Bong Joon-Ho. Ele ainda teve o desafio extra de projetar a casa da família rica como se fosse um arquiteto, já que, em determinado momento da trama, uma personagem menciona que aquela moradia teria sido planejada sob encomenda. Enquanto isso, na casa da família pobre, tudo se afunila: com cômodos pequenos, estreitos e habitados por várias pessoas, Ha-Jun saiu de escalas amplas para dimensões quase claustrofóbicas. O resultado é um design de produção que entrega a Parasita um universo muito particular e que reforça a necessidade de sempre apurarmos o nosso olhar para trabalhos contemporâneos como esse. Ainda disputavam a categoria: Coringa, A Favorita, Rocketman e Vergel.

EM ANOS ANTERIORES: 2018 – A Forma da Água | 2017 – Blade Runner 2049 | 2016 – Animais Fantásticos e Onde Habitam | 2015 – Expresso do Amanhã | 2014 – O Grande Hotel Budapeste | 2013 – Anna Karenina | 2012 – A Invenção de Hugo Cabret | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet | 2007 – Maria Antonieta

Melhores de 2019 – Atriz Coadjuvante

Após ter saído da Eritreia para morar ilegalmente no Líbano, onde sequer tinha uma carteira de identidade, Yordanos Shiferaw pôde contar parte de sua própria história de vida no poderoso Cafarnaum. Como Zahil, uma imigrante ilegal que enfrenta o que for necessário para poder cuidar de seu bebê, Shiferaw (re)viveu emoções e experiências de sua própria trajetória, traduzindo para o espectador o fulminante desespero de uma existência sem perspectiva e sem o mínimo amparo de qualquer pessoa, poder ou instituição. Através da invisibilidade de Zahil, ela, que não tinha nenhuma experiência prévia em atuação, colocou a realidade e a solidariedade de muitas mulheres como ela sob os holofotes, especialmente ao cruzar o caminho de Zain, o protagonista de Cafarnaum. Quando os dois estão juntos em cena, o filme se ilumina de certa maneira, como se Zahil fosse, mesmo tão devastada, um raio de esperança para uma realidade talvez mais desoladora do que a dela. A linha aqui tão tênue entre a ficção e a realidade é matéria-prima para que Shiferaw impulsione os toques de urgência e comoção que definem todo Cafarnaum. Ainda disputavam a categoria: Cho Yeo-jeong (Parasita), Fernanda Montenegro (A Vida Invisível), Penélope Cruz (Dor e Glória) e Regina King (Se a Rua Beale Falasse).

EM ANOS ANTERIORES: 2018 – Laurie Metcalf (Lady Bird: A Hora de Voar) | 2017 – Clarisse Abujamra (Como Nossos Pais) | 2016 – Juliana Paes (A Despedida) | 2015 – Kristen Stewart (Acima das Nuvens) | 2014 – Lesley Manville (Mais Um Ano) | 2013 – Helen Hunt (As Sessões) | 2012 – Viola Davis (Histórias Cruzadas) | 2011 – Amy Adams (O Vencedor) | 2010 – Marion Cotillard (Nine) | 2009 – Kate Winslet (O Leitor) | 2008 – Marcia Gay Harden (O Nevoeiro) | 2007 – Imelda Staunton (Harry Potter e a Ordem da Fênix)

Melhores de 2019 – Ator Coadjuvante

Song Kang-ho é um ator interessado em interpretar homens comuns que tentam sobreviver às adversidades da vida, e as suas constantes colaborações com o diretor Bong Joon-ho atestam exatamente isso. Não há nada de heroísmo idealizado no protagonista de O Hospedeiro, por exemplo. E muito menos no pai de família que ele interpreta no aclamado Parasita, onde, com um papel coadjuvante, consegue se destacar em um elenco afinadíssimo e talentoso. Mesmo estando do lado mais dramático da história, Song Kang-ho não usa as difíceis condições sociais e emocionais de seu personagem para construir uma interpretação vaidosa. Trata-se do oposto: ele é silencioso e sutil em todos os diferentes gêneros abarcados pela história, recebendo, em determinado ponto, o presente de se tornar o coração de Parasita. Quando esse momento chega, logo entendemos que todas as escolhas do ator até ali foram fundamentais para dimensionar os tocantes sentimentos trazidos pelo filme. Ainda disputavam a categoria: Al Pacino (O Irlandês), Joe Pesci (O Irlandês), Leonardo Sbaraglia (Dor e Glória) e Richard E. Grant (Poderia Me Perdoar?).

EM ANOS ANTERIORES: 2018 – Michael Stuhlbarg (Me Chame Pelo Seu Nome) |  2017 – Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar) | 2016 – Steve Carell (A Grande Aposta) | 2015 – Edward Norton (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)) | 2014 – Jared Leto (Clube de Compras Dallas) | 2013 – Philip Seymour Hoffman (O Mestre) | 2012 – Nick Nolte (Guerreiro) | 2011 – Alan Rickman (Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2) | 2010 – Michael Douglas (Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme) | 2009 – Christoph Waltz (Bastardos Inglórios) | 2008 – Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez) | 2007 – Casey Affleck (O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford)

Melhores de 2019 – Canção Original

“(I’m Gonna) Love Me Again” é a rara canção sobre redenção que não flerta com pesar, arrependimentos ou melodias tristes. Ela está, inclusive, totalmente alinhada com a proposta de Rocketman, uma cinebiorafia que, em seu melhor, abraça a vida de Elton John sem maquiagens, provando que assumir os erros é tão importante quanto glorificar os acertos. Escrita por Bernie Taupin e emoldurada com as reconhecidas melodias do próprio Elton John, a canção ilustra a ascensão, a queda e o reerguimento do cantor com o espírito que moldou sua trajetória musical, tendo sido idealizada com o objetivo de dialogar com “I’m Still Standing”, o último sucesso de Elton (re)interpretado por Taron Egerton no longa-metragem. É o tipo de homenagem que, em termos musicais, pode até ser um lugar-comum, mas que conforta justamente por ser algo tão familiar. Ainda disputavam a categoria: “A Glass of Soju” (Parasita), “I Can’t Let You Throw Yourself Away” (Toy Story 4), “Revelation” (Boy Erased: Uma Verdade Anulada) e “Zero” (WiFi Ralph: Quebrando a Internet).

EM ANOS ANTERIORES: 2018 – “Shallow” (Nasce Uma Estrela) | 2017 – “Another Day of Sun” (La La Land: Cantando Estações) | 2016 – “Simple Song #3” (A Juventude) | 2015 – “Glory” (Selma: Uma Luta Pela Igualdade) | 2014 – “Let it Go” (Frozen – Uma Aventura Congelante) | 2013 – “Last Mile Home” (Álbum de Família) | 2012 – “Skyfall” (007 – Operação Skyfall) | 2011 – “Life’s a Happy Song” (Os Muppets) | 2010 – “Better Days” (Comer Rezar Amar) | 2009 – “By the Boab Tree” (Austrália) | 2008 – “Falling Slowly” (Apenas Uma Vez)