Melhores de 2019 – Atriz Coadjuvante

Após ter saído da Eritreia para morar ilegalmente no Líbano, onde sequer tinha uma carteira de identidade, Yordanos Shiferaw pôde contar parte de sua própria história de vida no poderoso Cafarnaum. Como Zahil, uma imigrante ilegal que enfrenta o que for necessário para poder cuidar de seu bebê, Shiferaw (re)viveu emoções e experiências de sua própria trajetória, traduzindo para o espectador o fulminante desespero de uma existência sem perspectiva e sem o mínimo amparo de qualquer pessoa, poder ou instituição. Através da invisibilidade de Zahil, ela, que não tinha nenhuma experiência prévia em atuação, colocou a realidade e a solidariedade de muitas mulheres como ela sob os holofotes, especialmente ao cruzar o caminho de Zain, o protagonista de Cafarnaum. Quando os dois estão juntos em cena, o filme se ilumina de certa maneira, como se Zahil fosse, mesmo tão devastada, um raio de esperança para uma realidade talvez mais desoladora do que a dela. A linha aqui tão tênue entre a ficção e a realidade é matéria-prima para que Shiferaw impulsione os toques de urgência e comoção que definem todo Cafarnaum. Ainda disputavam a categoria: Cho Yeo-jeong (Parasita), Fernanda Montenegro (A Vida Invisível), Penélope Cruz (Dor e Glória) e Regina King (Se a Rua Beale Falasse).
EM ANOS ANTERIORES: 2018 – Laurie Metcalf (Lady Bird: A Hora de Voar) | 2017 – Clarisse Abujamra (Como Nossos Pais) | 2016 – Juliana Paes (A Despedida) | 2015 – Kristen Stewart (Acima das Nuvens) | 2014 – Lesley Manville (Mais Um Ano) | 2013 – Helen Hunt (As Sessões) | 2012 – Viola Davis (Histórias Cruzadas) | 2011 – Amy Adams (O Vencedor) | 2010 – Marion Cotillard (Nine) | 2009 – Kate Winslet (O Leitor) | 2008 – Marcia Gay Harden (O Nevoeiro) | 2007 – Imelda Staunton (Harry Potter e a Ordem da Fênix)
Melhores de 2019 – Ator Coadjuvante

Song Kang-ho é um ator interessado em interpretar homens comuns que tentam sobreviver às adversidades da vida, e as suas constantes colaborações com o diretor Bong Joon-ho atestam exatamente isso. Não há nada de heroísmo idealizado no protagonista de O Hospedeiro, por exemplo. E muito menos no pai de família que ele interpreta no aclamado Parasita, onde, com um papel coadjuvante, consegue se destacar em um elenco afinadíssimo e talentoso. Mesmo estando do lado mais dramático da história, Song Kang-ho não usa as difíceis condições sociais e emocionais de seu personagem para construir uma interpretação vaidosa. Trata-se do oposto: ele é silencioso e sutil em todos os diferentes gêneros abarcados pela história, recebendo, em determinado ponto, o presente de se tornar o coração de Parasita. Quando esse momento chega, logo entendemos que todas as escolhas do ator até ali foram fundamentais para dimensionar os tocantes sentimentos trazidos pelo filme. Ainda disputavam a categoria: Al Pacino (O Irlandês), Joe Pesci (O Irlandês), Leonardo Sbaraglia (Dor e Glória) e Richard E. Grant (Poderia Me Perdoar?).
EM ANOS ANTERIORES: 2018 – Michael Stuhlbarg (Me Chame Pelo Seu Nome) | 2017 – Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar) | 2016 – Steve Carell (A Grande Aposta) | 2015 – Edward Norton (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)) | 2014 – Jared Leto (Clube de Compras Dallas) | 2013 – Philip Seymour Hoffman (O Mestre) | 2012 – Nick Nolte (Guerreiro) | 2011 – Alan Rickman (Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2) | 2010 – Michael Douglas (Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme) | 2009 – Christoph Waltz (Bastardos Inglórios) | 2008 – Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez) | 2007 – Casey Affleck (O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford)
Melhores de 2019 – Canção Original

“(I’m Gonna) Love Me Again” é a rara canção sobre redenção que não flerta com pesar, arrependimentos ou melodias tristes. Ela está, inclusive, totalmente alinhada com a proposta de Rocketman, uma cinebiorafia que, em seu melhor, abraça a vida de Elton John sem maquiagens, provando que assumir os erros é tão importante quanto glorificar os acertos. Escrita por Bernie Taupin e emoldurada com as reconhecidas melodias do próprio Elton John, a canção ilustra a ascensão, a queda e o reerguimento do cantor com o espírito que moldou sua trajetória musical, tendo sido idealizada com o objetivo de dialogar com “I’m Still Standing”, o último sucesso de Elton (re)interpretado por Taron Egerton no longa-metragem. É o tipo de homenagem que, em termos musicais, pode até ser um lugar-comum, mas que conforta justamente por ser algo tão familiar. Ainda disputavam a categoria: “A Glass of Soju” (Parasita), “I Can’t Let You Throw Yourself Away” (Toy Story 4), “Revelation” (Boy Erased: Uma Verdade Anulada) e “Zero” (WiFi Ralph: Quebrando a Internet).
EM ANOS ANTERIORES: 2018 – “Shallow” (Nasce Uma Estrela) | 2017 – “Another Day of Sun” (La La Land: Cantando Estações) | 2016 – “Simple Song #3” (A Juventude) | 2015 – “Glory” (Selma: Uma Luta Pela Igualdade) | 2014 – “Let it Go” (Frozen – Uma Aventura Congelante) | 2013 – “Last Mile Home” (Álbum de Família) | 2012 – “Skyfall” (007 – Operação Skyfall) | 2011 – “Life’s a Happy Song” (Os Muppets) | 2010 – “Better Days” (Comer Rezar Amar) | 2009 – “By the Boab Tree” (Austrália) | 2008 – “Falling Slowly” (Apenas Uma Vez)
Melhores de 2019 – Trilha Sonora

Com uma carreira relativamente recente em longas-metragens, Nicholas Britell encontrou, na parceria com o diretor Barry Jenkins, aquele tipo de trabalho compartilhado que, ao que tudo indica, sempre será capaz de gerar verdadeiras pérolas. Se a trilha sonora de Moonlight já era um acontecimento, a de Se a Rua Beale Falasse vem para firmar o nome de Britell como um dos mais talentosos de sua geração. Em entrevista à revista The Atlantic, ele revela que a fórmula de trabalho com Jenkins é muito simples, tendo como norte as emoções e o que elas ensinam ao longo do processo de composição.
A lógica parece óbvia, mas, para um filme tão sensorial e dividido entre o amor e a melancolia como Se a Rua Beale Falasse, é o que faz a diferença. Britell mergulhou no jazz e em outras sonoridades da Nova York do século XX, trazendo para a trilha inspirações vindas de Miles Davis, John Coltrane e Nina Simone. Resultado: as composições inebriam com uma leitura delicada sobre o amor e sobre tudo aquilo que inevitavelmente o assombra. Agape, que foi a trilha sonora de todas as vitórias de Regina King como melhor atriz coadjuvante na temporada de premiações, é a maior prova desse sentimento. Ainda disputavam a categoria: Ad Astra: Rumo às Estrelas, Cafarnaum, Coringa e História de Um Casamento.
EM ANOS ANTERIORES: 2018 – Trama Fantasma | 2017 – La La Land: Cantando Estações | 2016 – Carol | 2015 – Sicario: Terra de Ninguém | 2014 – Ela | 2013 – Gravidade | 2012 – Tão Forte e Tão Perto | 2011 – A Última Estação | 2010 – Direito de Amar | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Desejo e Reparação | 2007 – A Rainha
