Bolt – Supercão

Direção: Chris Williams e Byron Howard
Com as vozes de: John Travolta, Miley Cyrus, Malcolm McDowell, Nick Swardson, James Lipton, Ronn Moss, Randy Savage
Bolt, Animação, 105 minutos, Livre
Sinopse: Em um programa de TV, uma garotinha (Miley Cyrus) e o cão Bolt (John Travolta) lutam contra o crime e Bolt usa seus super poderes como um latido alto o suficiente para acabar com qualquer um que esteja em sua mira. Assim, Bolt acha que ele realmente é um super-herói e tem todos aqueles super-poderes, e esquece que é um simples ator de TV e que Penny realmente é apenas uma atriz apenas contratada para fazer sua parte e não alguém que realmente o ama. O cãozinho não compreende que muitos de seus grandes feitos são trucagens desenvolvidas pela equipe do estúdio. Bolt então é um cão que vive um mundo de fantasia, sem nunca questionar a razão da sua existência. Nunca viu como é o mundo fora dos estúdios. Por acidente ele acaba conseguindo sair, e é enviado para Nova York. E é nessa situação adversa, longe de casa, que o cãozinho decide usar seus poderes para voltar para casa, mas é ai que percebe que na verdade ele não tem poderes nenhum e que vai precisar de amigos para conseguir voltar.

“Bolt – Supercão é uma animação muito satisfatória dentro de suas características. Sincera e efetiva, consegue funcionar como muita animação por aí nao consegue.”
Na crítica de Madagascar 2, aleguei que é muito complicado ser uma animação em um tempo que a estupenda originalidade da Pixar domina o mercado. Mas Bolt – Supercão vem pra provar que ainda existe espaço para animações singelas e sinceras. O desenho de Chris Williams e Byron Howard – também disponível em uma boa versão 3D – não é nenhuma pérola, mas um dos bons exemplares infantis que estão circulando pelos nossos cinemas. A proposta é bem original e por mais que seu desenvolvimento não faça justiça a inovação da sinopse, é bem fácil entrar na história e se divertir com as aventuras do cãozinho Bolt.
As primeiras cenas impressionam com sua incrível ação e já nos mostram qual é o tratamento que a história vai trabalhar ao longo de seu roteiro. Aliado a isso temos personagens muito carismáticos – desde o protagonista até os coadjuvantes – que tornam muito fácil a transmissão da mensagem do filme. Mensagem esse que nunca soa forçada, realmente funcionando. Bolt – Supercão é feliz em suas escolhas e é um bom exemplo de como se fazer animação sem cair nas armadilhas de previsibilidades normalmente implantadas nesse tipo de filme.
O longa também tem duas excelentes músicas: Barking at the Moon (infelizmente dublada) e I Thought I Lost You, ambas igualmente efetivas dentro do contexto da aventura. Algumas vezes comprido e um pouco sem ritmo, Bolt – Supercão tem sim seus defeitos, mas é muito fácil perdoar seus deslizes diante de uma produção tão sincera como essa. O filme, no final das contas, quer nos mostrar que não é fácil mudarmos o nosso papel no ciclo da vida. Sonhadores são sonhadores, realistas são realistas. Cada um vive em seu mundo e a inversão dos papéis nem sempre é bem sucedida. E, mesmo que alguns prefiram acreditar em ilusões mais convenientes, nossa passagem aqui na Terra é significativa, independente de como enxergamos os fatos. Não podemos ter sete vidas como os gatos, mas essa vida que vivemos já é boa o suficiente, como diz o próprio filme.
FILME: 8.0



Volver poderia ter sido um golpe de sorte na carreira da bela Penélope Cruz. Mas Vicky Cristina Barcelona veio provar o contrário – Penélope tem talento sim. Ela aparece tardiamente no filme de Woody Allen e seu espaço em cena é menor do que o merecido, mas a atriz aproveita cada segundo em cena, sendo o grande destaque do longa. Sem dúvida o papel favorece a atuação – a Maria Elena é engraçada, louca e brilhante – mas Penélope não se intimida e consegue dar vida para a personagem com uma notável técnica humorística e dramática. Ela chama mais a atenção que qualquer uma de suas colegas de cena. Afinal, é linda e uma excelente atriz. E aqui ela mais uma vez deixou uma excelente marca para sua carreira.
Briony Tallis é a melhor personagem do drama-épico Desejo e Reparação. O maior destaque, na realidade, é o trio de atrizes selecionado para representar as três fases da personagem. Na infância, Briony é representada por essa notável Saoirse Ronan, que tem assustadora segurança ao interpretar um papel tão difícil e complexo. Não é fácil simpatizar com sua personagem e Saoirse não consegue mudar isso. O que importa na atuação dela é que ela faz justamente aquilo que é necessário – causar diversas sensações no espectador, que fica intrigado com aquela criança tão precoce e cheia de sentimentos negativos. Ela é a atriz que traz a fase mais interessante de Briony, em uma atuação impecável, que em nenhum momento se intimida diante dos outros atores.








