Cinema e Argumento

Os indicados ao Emmy 2020

Regina King em Watchmen: com 26 indicações, minissérie criada por Damon Lindelof e produzida pela HBO lidera lista e é favorita absoluta entre as minisséries.

Mesmo com o Coronavírus se alastrando de forma latente nos Estados Unidos, o Emmy permanece firme e forte com a data inicialmente programada para a sua cerimônia de premiação, seja ela em qual formato for. No dia 20 de setembro, portanto, conheceremos os vencedores da lista de indicados divulgada hoje (28), que traz Watchmen, da HBO, liderando com o maior número de menções entre todos os segmentos. Foram 26 indicações para a minissérie criada por Damon Lindelof, um número surpreendente até mesmo para os que estavam mais otimistas com a performance do programa entre os votantes. Essa imensa justiça se estende a outros dois seriados: Succession, também da HBO, e Ozark, uma produção original Netflix, ambas com 18 indicações cada no segmento dramático. Já entre as comédias, The Marvelous Mrs. Maisel lidera acumulando 20, mesmo em seu momento menos cativante. 

Há uma boa notícia a ser comemorada no Emmy 2020: 34,3% dos atores indicados este ano são negros, o maior número já registrado na premiação. Também há evolução no espaço para as mulheres: seis dos nove roteiros indicados por minisséries/telefilmes são assinados por mulheres, assim como quatro dos seis episódios indicados a direção. Sabemos que o caminho a ser percorrido ainda é longo e que muito dessa pluralidade vem do fato de que a TV e o streaming há muitos anos têm se mostrado mercados menos conservadores do que o cinema, mas é importante celebrar vitórias que já dão indícios de um futuro mais democrático, justo e igual em oportunidades. Ainda em números, a Netflix está no topo com 160 indicações para seus projetos contra 107 da HBO, invertendo o cenário de liderança visto no ano passado. No entanto, a Netflix ainda espera pelo dia em que uma de suas séries vencerá o prêmio principal. Parece que novamente não será dessa vez…

Por ora, aqui estão alguns comentários pontuais (e muito pessoais) sobre os indicados:

Watchmen e Succession são tudo isso que suas indicações sugerem, provando que a HBO ficou sem ressaca alguma após a era Game of Thrones. Na verdade, dá até para reivindicar mais indicações para ambas: enquanto a primeira deveria ter rendido a Tim Blake Nelson uma lembrança entre os coadjuvantes, a segunda poderia ter incluído Holly Hunter ao lado de Cherry Jones e Harriet Walter na disputa de atrizes convidadas. Em suma, qualquer resultado diferente da consagração de Watchmen e Succession será motivo de choque…

– Empatada com Succession no número de indicações, Ozark parecia destinada a render mais. Ainda que tenha, por exemplo, indicação tripla na categoria de roteiro, a série estrelada por Jason Bateman e Laura Linney ficou sem duas de suas indicações mais essenciais pela terceira temporada: ator coadjuvante para Tom Pelphrey e atriz coadjuvante para Janet McTeer;

– A briga será de foice entre as coadjuvantes de série dramática. Resultado de novas regras do Emmy, temos nada menos do que oito concorrentes: de Meryl Streep a Laura Dern por Big Little Lies, passando por grandes nomes como Helena Bonham Carter em The Crown e Fiona Shaw em Killing Eve, a antigas vencedoras como Thandie Newton (Westworld) e Julia Garner (Ozark), é praticamente impossível tentar adivinhar a futura vencedora. É o tipo de disputa que dá gosto de ver — não pela quantidade, e sim pela qualidade;

– Outra competição acirradíssima é a de atriz em série dramática. A categoria que nos reservou a surpresa de ver Zendaya (Euphoria) chegando de última hora após ter passado em branco nos demais prêmios televisionados confirmou o que era esperado: pelo menos três atrizes disputam o favoritismo. Será a vez de Olivia Colman (The Crown), vencedora do último Globo de Ouro? Ou então de Jennifer Aniston (The Morning Show), que já levou o Screen Actors Guild Awards para casa? E como não colocar Laura Linney (Ozark) na dianteira por sua melhor temporada na série e pelo seu histórico invicto no Emmy, onde já foi premiada por todos os papéis que concorreu?;

– Seguindo na pauta de atrizes, é criminoso o esquecimento de Merrit Wever e Kaitlyn Dever como protagonistas de Unbelievable no segmento de minisséries. Toni Collette, com uma pequena fraude de categoria, garantiu a lembrança entre as coadjuvantes, mas é a clássica situação em que as indicações só fazem real sentido quando todas estão na disputa. Não há justificativa para tal esquecimento, especialmente quando Unbelievable concorre como melhor minissérie, o que comprova o apreço dos votantes pelo programa em um ano muito disputado;

– Considerando as devidas dimensões, outras ausências e descompassos que me bateram de forma muito particular envolvem I Know This Much is True (concorre somente em melhor ator pelo grandioso desempenho de Mark Ruffalo quando merecia muito mais), Years and Years (uma das experiências mais marcantes da temporada e sequer citada em qualquer categoria) e The Great (série criada pelo roteirista de A Favorita que misteriosamente emplacou lembranças em direção e roteiro, mas não em melhor série ou para seu excelente elenco).

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Confira abaixo a lista de indicados: 

MELHOR SÉRIE DE DRAMA
Better Call Saul
The Crown
The Handmaid’s Tale
Killing Eve
The Mandalorian
Ozark
Stranger Things
Succession

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA
Jennifer Aniston (The Morning Show)
Jodie Comer (Killing Eve)
Laura Linney (Ozark)
Olivia Colman (The Crown)
Sandra Oh (Killing Eve)
Zendaya (Euphoria)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA
Billy Porter (Pose)
Brian Cox (Succession)
Jason Bateman (Ozark)
Jeremy Strong (Succession)
Sterling K. Brown (This is Us)
Steve Carell (The Morning Show)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA
Fiona Shaw (Killing Eve)
Helena Bonham Carter (The Crown)
Julia Garner (Ozark)
Laura Dern (Big Little Lies)
Meryl Streep (Big Little Lies)
Samira Wiley (The Handmaid’s Tale)
Sarah Snook (Succession)
Thandie Newton (Westworld)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA
Billy Crudup (The Morning Show)
Bradley Whitford (The Handmaid’s Tale)
Giancarlo Esposito (Better Call Saul)
Jeffrey Wright (Westworld)
Kieran Culkin (Succession)
Mark Duplass (The Morning Show)
Matthew Macfadyen (Succession)
Nicholas Braun (Succession)

MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA
Curb Your Enthusiasm
Dead to Me
The Good Place
Insecure
The Kominsky Method
The Marvelous Mrs. Maisel
Schitt’s Creek
What We Do in the Shadows

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA
Catherine O’Hara (Schitt’s Creek)
Christina Applegate (Dead to Me)
Issa Rae (Insecure)
Linda Cardellini (Dead to Me)
Issa Rae (Insecure)
Rachel Brosnahan (The Marvelous Mrs. Maisel)
Tracee Ellis Ross (Black-ish)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA
Anthony Anderson (Black-ish)
Don Cheadle (Black Monday)
Eugene Levy (Schitt’s Creek)
Michael Douglas (The Kominsky Method)
Ramy Yousseff (Ramy)
Ted Danson (The Good Place)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA
Annie Murphy (Schitt’s Creek)
Alex Borstein (The Marvelous Mrs. Maisel)
Betty Gilpin (GLOW)
Cecily Strong (Saturday Night Live)
D’Arcy Carden (The Good Place)
Kate McKinnon (Saturday Night Live)
Marin Hinkle (The Marvelous Mrs. Maisel)
Yvonne Orji (Insecure)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA
Alan Arkin (The Kominsky Method)
Andre Braugher (Brooklyn Nine-Nine)
Daniel Levy (Schitt’s Creek)
Kenan Thompson (Saturday Night Live)
Mahershala Ali (Ramy)
Sterling K. Brown (The Marvelous Mrs. Maisel)
Tony Shalhoub (The Marvelous Mrs. Maisel)
William Jackson Harper (The Good Place)

MELHOR MINISSÉRIE
Little Fires Everywhere
Mrs. America
Unbelievable
Unorthodox
Watchmen

MELHOR TELEFILME
American Son
Bad Education
Dolly Parton’s Heartstrings: These Old Bones
El Camino: A Breaking Bad Movie
Unbreakable Kimmy Schmidt: Kimmy vs. The Reverend

MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE/TELEFILME
Cate Blanchett (Mrs. America)
Kerry Washington (Little Fire Everywhere)
Octavia Spencer (Self Made)
Regina King (Watchmen)
Shira Haas (Unorthodox)

MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE/TELEFILME
Hugh Jackman (Bad Education)
Jeremy Irons (Watchmen)
Jeremy Pope (Hollywood)
Mark Ruffalo (I Know This Much is True)
Paul Mescal (Normal People)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE/TELEFILME
Holland Taylor (Hollywood)
Jean Smart (Watchmen)
Margo Martindale (Mrs. America)
Toni Collette (Unbelievable)
Tracey Ullman (Mrs. America)
Uzo Aduba (Mrs. America)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE/TELEFILME
Dylan McDermott (Hollywood)
Jim Parsons (Hollywood)
Jovan Adepo (Watchmen)
Louis Gossett Jr (Watchmen)
Tituss Burgess (Unbreakable Kimmy Schmidt: Kimmy vs. The Reverend)
Yahya Abdul-Mateen II (Watchmen)

* Categorias de direção, roteiro, variedades, reality shows e outros segmentos técnicos podem ser encontrados no documento oficial disponibilizado em inglês pelo Emmy.

Os vencedores do Oscar 2020

Bong Joon-ho subiu quatro vezes ao palco do Dolby Theatre para receber os prêmios de Parasita em melhor filme, direção, roteiro original e filme internacional.

Novos tempos pareciam chegar em Hollywood quando o Oscar premiou Moonlight em 2017. Um filme independente, dirigido por um cineasta negro e preocupado com causas importantíssimas com a devida representatividade? Coisa rara. No entanto, eis que dois anos depois, o Oscar premiava Green Book, um longa incrivelmente empoeirado que discutia questões raciais como se estivesse nos anos 1970, trazendo novamente o white savior para aliviar a consciência das plateias brancas em relação ao racismo. De que adiantou, portanto, premiar Moonlight se, logo em seguida, houve tamanho retrocesso com Green Book?

A partir desse cenário, era de se esperar que o Oscar 2020 seguisse a tendência de todos os outros prêmios e premiasse 1917, mais um filme de guerra estrelado por pessoas brancas e reverenciado pelo grandioso espetáculo técnico que Hollywood gosta de premiar. Contudo, eis que a Academia, em um surto raro de lucidez, dá a volta por cima e consagra Parasita com as estatuetas de melhor filme, direção, roteiro original e filme internacional. Em 92 anos, o Oscar nunca havia premiado uma produção de língua não-inglesa na categoria principal. História foi feita. E Hollywood, de repente, saiu de seu próprio umbigo para descobrir que cinema é uma linguagem universal, independentemente de legendas. Não nos iluda, Academia. Isso precisa ser o sinal de novos tempos.

O que tal vitória de fato significa para o futuro e para a própria indústria hollywoodiana só o tempo poderá dizer, mas, a curto prazo, a vitória de Parasita dita tendências muito claras quando coloca os Estados Unidos a reverenciar uma produção asiática que transita pelos mais diferentes gêneros. Foi a compensação perfeita para uma cerimônia esquizofrênica do ponto de vista de entretenimento. Como explicar, por exemplo, Eminem cantando Lose Yourself sem a menor explicação em pleno 2020? Ou então o número de abertura que tem a cara de pau de fazer referências a MidsommarNósMeu Nome é Dolemite, filmes que sequer foram indicados em qualquer categoria? Excessivamente musical, assistir ao Oscar 2020 como um programa de TV foi uma tortura.

Na reta final, a situação mudou de cenário quando a cerimônia se dedicou mais aos prêmios e deixou os vencedores falarem (Renée Zellweger e, especialmente, Joaquin Phoenix deram discursos marcantes, desobedecendo o tempo limite de fala de 45 segundos). Ainda há muito o que se falar sobre o Oscar 2020, que, por exemplo, fez O Irlandês de Martin Scorsese sair de mãos abanando enquanto entregava duas estatuetas preguiçosas para Ford vs. Ferrari. Entretanto, por ora, a euforia com as vitórias sem precedentes de Parasita sintetizam muito bem as incríveis lembranças que ficam da cerimônia. Digam o que quiser do Oscar, mas, para o bem ou para o mal, ele segue sendo o prêmio mais autêntico e surpreendente da temporada.

Plateia do Oscar 2020 se mobiliza com a celebração de Parasita.

Confira abaixo a lista de vencedores:

MELHOR FILME: Parasita
MELHOR DIREÇÃO: Bong Joon-ho (Parasita)
MELHOR ATRIZ: Renée Zellweger (Judy: Muito Além do Arco-Íris)
MELHOR ATOR: Joaquin Phoenix (Coringa)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Laura Dern (História de Um Casamento)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Brad Pitt (Era Uma Vez Em… Hollywood)
MELHOR ROTEIRO ORIGINALParasita
MELHOR ROTEIRO ADAPTADOJojo Rabbit
MELHOR FILME INTERNACIONAL: Parasita
MELHOR DOCUMENTÁRIO: Indústria Americana
MELHOR ANIMAÇÃO: Toy Story 4

MELHOR TRILHA SONORA: Coringa
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “(I’m Gonna) Love Me Again” (Rocketman)
MELHOR MONTAGEM: Ford vs. Ferrari
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO: Era Uma Vez Em… Hollywood
MELHOR FOTOGRAFIA: 1917
MELHOR FIGURINOAdoráveis Mulheres

MELHOR MIXAGEM DE SOM1917
MELHOR EDIÇÃO DE SOM: Ford vs. Ferrari
MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOSO Escândalo
MELHORES EFEITOS VISUAIS1917
MELHOR CURTA-METRAGEM: The Neighbors’ Widow
MELHOR CURTA-METRAGEM (ANIMAÇÃO)
: Hair Love
MELHOR CURTA-METRAGEM (DOCUMENTÁRIO)Learning to Skateboard in a Warzone (If You’re a Girl)

Apostas para o Oscar 2020 (e também palpites, impressões e preferências acerca dos indicados)

Mais curta do que o habitual (ainda bem, especialmente quando os vencedores são sempre os mesmos!), a temporada de premiações deste ano chega ao fim neste domingo (09), quando o Oscar revela os vencedores de sua 92ª edição. O histórico recente da Academia acusa a possibilidade de surpresas em comparação a maioria dos outros prêmios televisionados (Birdman, A Forma da Água e Green Book contrariaram o franco favoritismo de seus respectivos adversários), mas, até que se prove o contrário, 1917 é o filme a ser batido na cerimônia de 2020. Novamente sem apresentador (ano passado aprendemos que isso não faz diferença alguma), o Oscar será transmitido a partir das 22h aqui no Brasil pela TNT. Para quem curte o tapete vermelho, a transmissão no canal começa às 21h. Já a Globo terá transmissão ao vivo e gratuita pelo G1 e pela Globoplay, dando início a sua cobertura às 20h. Até lá, como forma de tentar antecipar o que pode acontecer na cerimônia, deixo alguns comentários e impressões sobre as categorias, bem como as minhas preferências em cada caso. E não esqueçam: nos encontramos logo mais para comentar os vencedores!

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Parasita pode fazer história como a primeira produção em língua não-inglesa a faturar o Oscar de melhor filme, mas será mesmo que é possível desbancar 1917?

MELHOR FILME
Ainda sinto falta do tempo em que somente cinco filmes concorriam ao grande prêmio da noite. Com a possibilidade de até dez produções serem indicadas, sempre fica muito claro aquelas que estão sobrando na disputa. Apesar disso, essa parece ser a seleção mais equilibrada em anos, deixando a preferência, claro, para a identificação e o gosto pessoal de cada um. Não gosto de Era Uma Vez Em… Hollywood, que traz Quentin Tarantino mais uma vez afundado em longos excessos. Admiro determinados pontos de O Irlandês, mas não é o tipo de filme que me empolga ou muito menos me fascina. O franco favorito 1917 é um espetáculo técnico irrepreensível, só que tudo é tão planejado e ensaiado que acaba sem espontaneidade. Coringa, que é o líder de indicações, foi mais admirado do que deveria (são exageradas as menções em figurino e maquiagem, por exemplo), mas é uma produção que defendo por revigorar as fórmulas de filmes baseados em quadrinhos. Tenho um carinho imenso por Adoráveis Mulheres e fico feliz de ver um filme tão “simples” quanto História de Um Casamento chegar a esse nível de celebração. De qualquer maneira, nem somados esses filmes (e mais Ford vs. FerrariJojo Rabbit) chegam perto do impacto de Parasita. É um filmaço que ainda será muito reverenciado e citado. Tomara que os votantes se atentem a esse marco instantâneo e finalmente premiem pela primeira vez uma produção “estrangeira” na categoria principal.

MELHOR DIREÇÃO
É praticamente impossível Sam Mendes perder o Oscar de melhor direção, tanto pelos prêmios acumulados até aqui (Globo de Ouro, BAFTA, Sindicato dos Diretores e Critic’s Choice) quanto pelo fato de que a Academia adora um trabalho de “curiosidades”, onde cineastas falam pelos cotovelos sobre as dificuldades de produção, os meses de preparação e os contorcionismos para alcançar determinadas proezas técnicas. Como sempre, os prêmios gostam de mais direção e não da melhor direção. Tendo admirado a direção de Mendes pela técnica e não pela emoção, meu voto seria outro, e novamente destinado a Parasita. O que Bong Joon-ho faz praticamente em um único cenário, transitando entre gêneros tão diferentes, é coisa de mestre. Ele tem o espectador na mão durante todo o desenrolar da trama, sem precisar de muitas firulas para fazer um grande filme. Sua direção é de um rigor impressionante, embalada em um discurso urgente para o caos político e social que vivemos atualmente.

Com a melhor performance de sua carreira em Dor e Glória, Antonio Banderas chega pela primeira vez ao Oscar.

MELHOR ATRIZ
A seleção mais fraca da categoria em muitos anos, e não por falta de opção: Lupita Nyong’o, por exemplo, poderia estar facilmente concorrendo por Nós, mas a Academia segue com dificuldades em reconhecer atrizes negras fazendo papéis que não são marginalizados ou sobre o período da escravidão (não à toa, justamente, a única interpretação negra na disputa entre todas as categorias de atuação este ano é a de Cynthia Erivo em Harriet). Com o que temos, torna-se impossível ter outra alternativa a não ser premiar Renée Zellweger por seu belo desempenho em Judy: Muito Além do Arco-Íris. É muito tocante a simbologia desse reconhecimento, por motivos que já discuti na crítica que escrevi para o filme. Ela não tem disputa, seja por merecimento ou por chances de vitória: a transformação de Charlize Theron é impressionante em O Escândalo, Scarlett Johansson tem um dos papéis de sua vida em História de Um Casamento e Saoirse Ronan segue trilhando uma bela carreira com Adoráveis Mulheres, mas Renée está um degrau acima.

MELHOR ATOR
O marasmo entre as atrizes é compensado pela seleção de atores. É óbvio e justo que Joaquin Phoenix vença por Coringa (além de ser uma interpretação muito autêntica, a celebração é uma boa reparação histórica para esse ator que sempre colecionou desempenhos marcantes), o que não deve ser motivo para diminuir seus concorrentes. Adam Driver tem o melhor momento de sua trajetória até aqui com História de Um Casamento, onde ele é grandioso fazendo o papel de um homem comum. Jonathan Pryce faz uma dobradinha incrível com Anthony Hopkins em Dois Papas, assim como Leonardo DiCaprio tem um excelente momento com Brad Pitt em Era Uma Vez Em… Hollywood. Entretanto, talvez seja Antonio Banderas o ator que ficará no meu coração com Dor e Glória. É o tipo de performance cuja indicação por si só já é uma vitória, a exemplo do que aconteceu com Charlotte Rampling em 45 Anos e Marion Cotillard em Dois Dias, Uma Noite. Em todos os casos, a Academia jamais premiaria desempenhos tão sutis, econômicos e interiorizados. 

Florence Pugh, que concorre a melhor atriz coadjuvante, é um dos destaques de Adoráveis Mulheres.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Fico chateado com a futura vitória de Laura Dern (História de Um Casamento) por inúmeras razões. Primeiro porque é prêmio de carreira e não de performance, o que é sempre desestimulante, especialmente quando acontece com grandes atrizes. Segundo porque ela sequer está entre as melhores performances do filme (além de Scarlett e Driver, ainda faltaram as devidas lembranças para Alan Alda). Terceiro porque o papel não tem vida própria, muito menos um arco dramático. E, por fim, Dern repete nele o que já havia feito em Big Little Lies. O quinteto selecionado não é dos mais fortes (se tivesse que escolher, votaria em Florence Pugh por Adoráveis Mulheres ou em Kathy Bates por O Caso Richard Jewell), e talvez essa seja a grande razão para o favoritismo de Laura. Entre as ausências, muito se fala em Jennifer Lopez, que, na verdade, tem praticamente o mesmo tempo de tela da protagonista Constance Wu em As Golpistas, mas, nesse limiar entre protagonista e coadjuvante, eu ficaria com Octavia Spencer em Luce, onde ela nunca esteve tão boa.

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Reduto de prêmios para quitar dívidas e consagrar protagonistas que desejam ganhar Oscar mas não têm chances em sua respectiva categoria, o segmento de coadjuvantes ganha outra seleção altamente duvidosa ao estilo do ano em que Rooney Mara (Carol) e Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa) concorreram com duas escandalosas fraudes de categoria. Em 2020, temos pelo menos dois protagonistas concorrendo como coadjuvantes: Brad Pitt (Era Uma Vez Em… Hollywood) e Anthony Hopkins (Dois Papas), com o primeiro sendo favoritíssimo para levar o Oscar. Como tenho aversão a fraudes de categoria, sequer incluiria os dois na disputa, por melhores que sejam os desempenhos. Com isso, sobram os dois coadjuvantes de O Irlandês (Joe Pesci e Al Pacino) e Tom Hanks em Um Lindo Dia na Vizinhança. Ficaria com Al Pacino, que tem um dos melhores personagens do filme de Martin Scorsese e rouba as atenções toda vez que entra em cena. Vale lembrar ainda duas performances esquecidas e dignas de estarem aqui: Song Kang-ho por Parasita e Sam Rockwell por O Caso Richard Jewell. 

OUTRAS CATEGORIAS
Temos duas brigas interessantes entre os roteiros. Na categoria original, Quentin Tarantino vinha colecionando estatuetas nos prêmios televisionados (levou o Globo de Ouro e o Critics’ Choice), mas, nas últimas semanas, viu Parasita brilhar no BAFTA e no Sindicato dos Roteiristas. Fico, obviamente, com a produção sul-coreana. Já em roteiro adaptado, tudo indica que Jojo Rabbit leve a melhor, mas desconfio que Adoráveis Mulheres possa surpreender, beneficiado pelas amplas críticas que seguem sendo feitas a um circuito de premiações sem muita representatividade. Seria a chance de compensar o fato de Greta Gerwig não ter levado nenhum prêmio por Lady Bird e também a absurda estatística de que nenhuma mulher ganhou Oscar roteiro nos últimos dez anos. Entre as categorias técnicas, uma boa quantidade de estatuetas deve ir para 1917, entre elas fotografia, edição de som, mixagem de som, design de produção e efeitos visuais. Animação está entre Toy Story 4Klaus. Documentário tem a disputa centrada entre For Sama Honeyland, mas com boas chances de Democracia em Vertigem surpreender (não é bairrismo: lembram como o cenário político entregou o Oscar de melhor filme estrangeiro para O Apartamento em 2017?).

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Confira abaixo a nossa lista de apostas:

APOSTAS

MELHOR FILME: 1917 / alt: Parasita
MELHOR DIREÇÃO: Sam Mendes (1917) / alt: Bong Joon-ho (Parasita)
MELHOR ATRIZ: Renée Zellweger (Judy: Muito Além do Arco-Íris) / alt: Scarlett Johansson (História de Um Casamento)
MELHOR ATOR: Joaquin Phoenix (Coringa) / alt: Adam Driver (História de Um Casamento)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Laura Dern (História de Um Casamento) / alt: Scarlett Johansson (Jojo Rabbit)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Brad Pitt (Era Uma Vez Em… Hollywood) / alt: Al Pacino (O Irlandês)
MELHOR ROTEIRO ORIGINALParasita / alt: Era Uma Vez Em… Hollywood
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Jojo Rabbit / alt: Adoráveis Mulheres
MELHOR FILME INTERNACIONAL: Parasita / alt: Dor e Glória
MELHOR DOCUMENTÁRIO: For Sama / alt: Democracia em Vertigem
MELHOR ANIMAÇÃO: Toy Story 4 / alt: Klaus

MELHOR TRILHA SONORA: Coringa / alt: 1917
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “(I’m Gonna) Love Me Again” (Rocketman) / alt: “Stand Up” (Harriet)
MELHOR MONTAGEM: Parasita / alt: Ford vs. Ferrari
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO: 1917 / alt: Parasita
MELHOR FOTOGRAFIA: 1917 / alt: Coringa
MELHOR FIGURINO: Adoráveis Mulheres / alt: Jojo Rabbit

MELHOR MIXAGEM DE SOM: 1917 / alt: Ford vs. Ferrari
MELHOR EDIÇÃO DE SOM1917 / alt: Ford vs. Ferrari
MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS: O Escândalo / alt: Judy: Muito Além do Arco-Íris
MELHORES EFEITOS VISUAIS: 1917 / alt: Vingadores: Ultimato

Os vencedores do BAFTA 2020

Seguindo a tendência de outras premiações, 1917 foi o melhor filme no BAFTA 2020.

Na reta final rumo ao Oscar, o BAFTA revelou neste domingo (02) os vencedores de sua criticada seleção de 2020. Sem mulheres concorrendo na categoria de direção e somente com atores brancos na disputa entre atores protagonistas e coadjuvantes, o prêmio britânico seguiu com sua recente tendência de apenas tentar prever o Oscar ao invés de seguir suas próprias intuições. Frente a esse cenário, 1917 foi o grande vencedor da noite, levando sete estatuetas para casa, entre elas a de melhor filme e melhor direção para Sam Mendes. Os atores consagrados também foram os mesmos de outras premiações: Renée Zellweger (Judy), Joaquin Phoenix (Coringa), Laura Dern (História de Um Casamento) e Brad Pitt (Era Uma Vez Em… Hollywood).

A única surpresa que o BAFTA proporcionou e que pode ser um sinal diferenciado para o Oscar foi prêmio de melhor roteiro original entregue a Parasita. O filme de Bong Joon-ho já havia faturado esse mesmo prêmio junto ao Sindicato de Roteiristas no sábado (01), mas lá o favorito Quentin Tarantino (Era Uma Vez Em… Hollywood) estava fora de competição por não ser filiado ao Sindicato. Tarantino, que conquistou o Globo de Ouro e o Critics’ Choice Awards, de repente viu a boa fase do seu filme se dissipar. Com essa dupla vitória de Parasita, não será mais surpresa ver Bong Joon-ho levando a melhor na disputa de roteiro original. Em tempos mais autênticos, o BAFTA talvez tivesse levado a produção sul-coreana ainda mais longe. Pena que os britânicos não ostentam mais a autenticidade de antes.

Confira abaixo a lista completa de vencedores:

MELHOR FILME1917
MELHOR FILME BRITÂNICO1917

MELHOR DIREÇÃO: Sam Mendes (1917)
MELHOR ELENCOCoringa
MELHOR ATRIZ: Renée Zellweger (Judy: Muito Além do Arco-Íris)
MELHOR ATOR: Joaquin Phoenix (Coringa)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Laura Dern (História de Um Casamento)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Brad Pitt (Era Uma Vez Em… Hollywood)
MELHOR ROTEIRO ORIGINALParasita
MELHOR ROTEIRO ADAPTADOJojo Rabbit
MELHOR TRILHA SONORACoringa
MELHOR FOTOGRAFIA1917
MELHOR MONTAGEMFord vs. Ferrari
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO1917
MELHOR FIGURINOAdoráveis Mulheres
MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS: O Escândalo
MELHOR SOM1917
MELHORES EFEITOS VISUAIS1917

MELHOR FILME EM LÍNGUA NÃO-INGLESAParasita (Coréia do Sul)
MELHOR DOCUMENTÁRIOFor Sama
MELHOR ANIMAÇÃO: Klaus
MELHOR ESTREIA DE UM DIRETOR, PRODUTOR OU ROTEIRISTA BRITÂNICO: Bait (Mark Jenkin, diretor e roteirista; Kate Byers; Linn Waite, produtor)
MELHOR CURTA BRITÂNICO: Learning to Skateboard In A Warzone (If You’re A Girl)
MELHOR CURTA BRITÂNICO: Grandad Was a Romantic
EE RISING STAR AWARD: Micheal Ward

Os vencedores do Screen Actors Guild Awards 2020

O elenco de Parasita triunfa no Screen Actors Guild Awards 2020: filme de Bong Joon-ho faz história como a primeira produção estrangeira a faturar o prêmio principal do sindicato de atores.

Recheado de surpresas no segmento de séries, minisséries e telefilmes (elenco em drama para The Crown, atriz em drama para Jennifer Aniston, ator em minissérie para Sam Rockwell), o Screen Actors Guild Awards, por outro lado, foi um marasmo na categoria de cinema ao carimbar de uma vez por todas o favoritismo absoluto de Renée Zellweger (Judy: Muito Além do Arco-Íris), Joaquin Phoenix (Coringa), Laura Dern (História de Um Casamento) e Brad Pitt (Era Uma Vez Em… Hollywood), todos rumo aos seus respectivos Oscars de interpretação no dia 9 de fevereiro. Se antes havia a suspeita, agora há a certeza: 2020 repetirá toda a cansativa previsibilidade do ano de 2018, quando Frances McDormand (Três Anúncios Para Um Crime), Gary Oldman (O Destino de Uma Nação), Allison Janney (Eu, Tonya) e Sam Rockwell (Três Anúncios Para Um Crime) dominaram a temporada sem deixar margem para qualquer competição.

O SAG só não foi foi completamente tedioso do ponto de vista cinematográfico porque todos os discursos foram bons e porque o melhor ficou guardado para o final: a vitória histórica de Parasita em melhor elenco. O excepcional filme de Bong Joon-ho foi a primeira produção em língua não-inglesa a faturar a categoria e apenas a quarta a vencer sem indicações individuais para seus atores (as outras foram Pantera Negra, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei e Ou Tudo Ou Nada). Resta saber o que a vitória significa para a temporada: tanto pode ser Hollywood finalmente quebrando seu preconceito com produções estrangeiras a partir do significativo aval de um eleitorado importante como o dos atores quanto se tratar de um plano B para uma categoria que, no ano passado, também fugiu da rota esperada para premiar Pantera Negra e não tem sequer indicado os vencedores do Oscar. Estatísticas à parte, o prêmio foi justíssimo, além de ser o tipo de consagração que será para sempre referenciada.

Confira abaixo a lista completa de vencedores:

CINEMA

MELHOR ELENCO: Parasita
MELHOR ATRIZ: Renée Zellweger (Judy: Muito Além do Arco-Íris)

MELHOR ATOR: Joaquin Phoenix (Coringa)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Laura Dern (História de Um Casamento)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Brad Pitt (Era Uma Vez Em… Hollywood)

SÉRIES, MINISSÉRIES E TELEFILMES

MELHOR ELENCO – DRAMA: The Crown
MELHOR ELENCO – COMÉDIA: The Marvelous Mrs. Maisel
MELHOR ATRIZ – DRAMA: Jennifer Aniston (The Morning Show)

MELHOR ATOR – DRAMA: Peter Dinklage (Game of Thrones)
MELHOR ATRIZ – COMÉDIA: Phoebe Waller-Bridge (Fleabag)
MELHOR ATOR – COMÉDIA: Tony Shalhoub (The Marvelous Mrs. Maisel)

MELHOR ATRIZ – MINISSÉRIE/TELEFILME: Michelle Williams (Fosse/Verdon)
MELHOR ATOR – MINISSÉRIE/TELEFILME: Sam Rockwell (Fosse/Verdon)

Apostas para o Screen Actors Guild Awards 2020

A temporada de prêmios televisionados começou no último dia 5 com o Globo de Ouro, seguiu no dia 12 com mais uma cerimônia esquizofrênica do irrelevante Critics’ Choice Awards e agora chega neste domingo (19) ao Screen Actors Guild Awards, premiação que, nos últimos anos, tem perdido parte de seu impacto como termômetro de previsão ao Oscar (A Forma da Água e Green Book foram consagrados pela Academia, mas sequer indicados ao SAG de melhor elenco). Sem 1917 disputando a categoria de melhor elenco (estaria mais uma vez o vencedor do Oscar ausente no SAG?), é de se esperar que Era Uma Vez Em… Hollywood siga com o seu bom momento na temporada, levando para casa as estatuetas de melhor elenco e ator coadjuvante. Nos prêmios individuais, o jogo já parece garantido para Renée Zellweger (Judy), Joaquin Phoenix (Coringa), Laura Dern (História de Um Casamento) e Brad Pitt (Era Uma Vez Em… Hollywood). Para os brasileiros, uma má notícia: dessa vez, o SAG não terá transmissão em rede nacional. Abaixo, compartilho com vocês alguns rápidos palpites.

CINEMA

MELHOR ELENCOEra Uma Vez Em… Hollywood / alt: Parasita
MELHOR ATRIZ: Renée Zellweger (Judy: Muito Além do Arco-Íris) / alt: Lupita Nyong’o (Nós)

MELHOR ATOR: Joaquin Phoenix (Coringa) / alt: Adam Driver (História de Um Casamento)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Laura Dern (História de Um Casamento) / alt: Jennifer Lopez (As Golpistas)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Brad Pitt (Era Uma Vez Em… Hollywood) / alt: Al Pacino (O Irlandês)

SÉRIES, MINISSÉRIES E TELEFILMES

MELHOR ELENCO – DRAMAGame of Thrones / alt: Big Little Lies
MELHOR ELENCO – COMÉDIAFleabag / alt: The Marvelous Mrs. Maisel
MELHOR ATRIZ – DRAMA: Olivia Colman (The Crown) / alt: Jennifer Aniston (The Morning Show)

MELHOR ATOR – DRAMA: Peter Dinklage (Game of Thrones) / alt: Steve Carell (The Morning Show)
MELHOR ATRIZ – COMÉDIA: Phoebe Waller-Bridge (Fleabag) / alt: Rachel Brosnahan (The Marvelous Mrs. Maisel)
MELHOR ATOR – COMÉDIA: Andrew Scott (Fleabag) / alt: Tony Shalhoub (The Marvelous Mrs. Maisel)

MELHOR ATRIZ – MINISSÉRIE/TELEFILME: Michelle Williams (Fosse/Verdon) / alt: Patricia Arquette (The Act)
MELHOR ATOR – MINISSÉRIE/TELEFILME: Jharrel Jerome (When They See Us) / alt: Russell Crowe (The Loudest Voice)

Os indicados ao Oscar 2020

Coringa é o filme recordista de indicações ao Oscar 2020. Longa de Todd Phillips estrelado por Joaquin Phoenix concorre em 11 categorias.

Estatisticamente, o Oscar, nos últimos anos, foi um prêmio muito mais autêntico e espontâneo em comparação a qualquer outro da temporada. Além de ter bancado sozinha indicações como a de Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite) e Charlotte Rampling (45 Anos), a Academia, que não está isenta de falhas, frequentemente desviou a rota de cerimônias que consagravam sempre o mesmo filme. Quando Boyhood reinava soberano, o Oscar optou por Birdman. No ano de Três Anúncios Para Um Crime, a Academia premiou A Forma da Água. E há também, claro, a clássica vitória de Moonlight em cima de La La Land.

Tendo em vista tudo isso, era de se esperar que a lista de indicados revelada hoje (13) garimpasse algumas novidades. O que aconteceu foi apenas um ajuste aqui e outro ali em possíveis indicações já consideradas desde sempre. Não é inesperado, por exemplo, Kathy Bates (O Caso Richard Jewell) e Florence Pugh (Adoráveis Mulheres) figurarem entre as atrizes coadjuvante em detrimento de Jennifer Lopez (As Golpistas), uma das ausências mais surpreendentes do ano, ainda que justa, pois ela é tão protagonista quanto Constance Wu no longa de Lorena Scafaria (é preciso terminar com a cultura de fraudes de categoria).

Mesmo a indicação de Antonio Banderas (Dor e Glória) em melhor ator não é uma raridade: o Globo de Ouro e o Critics’ Choice já haviam indicado o espanhol, que, após ter faturado o prêmio de melhor ator em Cannes, foi amplamente elogiado mundo afora. Igualmente previsível era o Oscar seguir a mesma batida de prêmios como o BAFTA no que se refere à celebração de cineastas mulheres e atores negros. Indicando apenas uma atriz negra em 20 vagas nos segmentos de atuações, a Academia segue com dificuldades em selecionar nomes fora do circuito branco e estadunidense. Não é desmerecer quem está indicado, mas sim lançar um importante olhar para aqueles que não foram (e que também fazem trabalhos dignos de lembrança).

Talvez o movimento mais curioso da seleção 2020 seja o amor incondicional por Coringa. Justiça seja feita: das 11 indicações que o filme de Todd Phillips recebeu, algumas são injustificadas, como figurino, maquiagem, edição de som e mixagem de som. Com isso, voltamos à discussão da indústria olhar somente para os mesmos filmes e não procurar algo além das fronteiras da zona de conforto. Por outro lado, a liderança de Coringa representa algo muito maior: uma sinalização de que, talvez, o Oscar esteja mais aberto aos sucessos de bilheteria que representam o ganha-pão da indústria Hollywoodiana. Sucessos que a Academia sempre insiste em minimizar, premiando, por exemplo, Guerra ao Terror no lugar de Avatar e Spotlight ao invés de Mad Max: Estrada da Fúria.

Para os brasileiros, uma alegria imensa: estamos de volta na disputa, agora na categoria de melhor documentário. Citado pela imprensa internacional desde a época de seu lançamento, Democracia em Vertigem, de Petra Costa, investiga os bastidores do golpe parlamentar de 2016 que tirou a então presidenta Dilma Rousseff do poder. Está disponível para ser assistido na Netflix. A indicação é um belo presente para os anos tão conturbados que temos vivido no cenário político nacional. Se Democracia conquista ou não a estatueta, é outra história. Saberemos, aliás, no dia 9 de fevereiro, quando o Oscar revela sua lista de vencedores. Por enquanto, fiquem abaixo com a lista completa de indicados:

MELHOR FILME
1917
Adoráveis Mulheres
Coringa
Era Uma Vez Em… Hollywood
Ford vs Ferrari
História de Um Casamento
O Irlandês
Jojo Rabbit
Parasita

MELHOR DIREÇÃO
Bong Joon-ho (Parasita)
Martin Scorsese (O Irlandês)
Quentin Tarantino (Era Uma Vez Em… Hollywood)
Sam Mendes (1917)
Todd Phillips (Coringa)

MELHOR ATRIZ
Charlize Theron (O Escândalo)
Cynthia Erivo (Harriet)
Renée Zellweger (Judy: Muito Além do Arco-Íris)
Saoirse Ronan (Adoráveis Mulheres)
Scarlett Johansson (História de Um Casamento)

MELHOR ATOR
Adam Driver (História de Um Casamento)
Antonio Banderas (Dor e Glória)
Joaquin Phoenix (Coringa)
Jonathan Price (Dois Papas)
Leonardo DiCaprio (Era Uma Vez Em… Hollywood)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Florence Pugh (Adoráveis Mulheres)
Kathy Bates (O Caso Richard Jewell)
Laura Dern (História de Um Casamento)
Margot Robbie (O Escândalo)
Scarlett Johansson (Jojo Rabbit)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Al Pacino (O Irlandês)
Anthony Hopkins (Dois Papas)
Brad Pitt (Era Uma Vez Em… Hollywood)
Joe Pesci (O Irlandês)
Tom Hanks (Um Lindo Dia na Vizinhança)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
1917
Entre Facas e Segredos
Era Uma Vez Em… Hollywood
História de Um Casamento
Parasita

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Adoráveis Mulheres
Coringa
Dois Papas
O Irlandês
Jojo Rabbit

MELHOR FILME INTERNACIONAL
Corpus Christi (Polônia)
Dor e Glória (Espanha)
Honeyland (Macedônia)
Os Miseráveis (França)
Parasite (Coreia do Sul)

MELHOR ANIMAÇÃO
Como Treinar Seu Dragão 3
Klaus
Link Perdido
Perdi Meu Corpo

Toy Story 4

MELHOR DOCUMENTÁRIO
The Cave
Democracia em Vertigem
Honeyland
Indústria Americana
For Sama

MELHOR FOTOGRAFIA
1917
Coringa
Era Uma Vez Em… Hollywood
O Farol
O Irlandês

MELHOR MONTAGEM
Coringa
Ford vs Ferrari
O Irlandês
Jojo Rabbit
Parasita

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
1917

Era Uma Vez Em… Hollywood
O Irlandês
Jojo Rabbit
Parasita

MELHOR FIGURINO
Adoráveis Mulheres
Coringa
Era Uma Vez Em… Hollywood
O Irlandês
Jojo Rabbit

MELHOR TRILHA SONORA
1917
Adoráveis Mulheres
Coringa
História de Um Casamento
Star Wars: A Ascensão Skywalker

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“I Can’t Let You Throw Yourself Away” (Toy Story 4)

“(I’m Gonna) Love Me Again” (Rocketman)
“I’m Standing With You” (Superação: O Milagre da Fé)
“Into the Unknown” (Frozen 2)
“Stand Up” (Harriet)

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
1917
Coringa
Era Uma Vez Em… Hollywood
Ford vs Ferrari
Star Wars: A Ascensão Skywalker

MELHOR MIXAGEM DE SOM
1917
Ad Astra: Rumo às Estrelas
Coringa
Era Uma Vez Em… Hollywood
Ford vs Ferrari

MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADOS
1917
Coringa
O Escândalo
Judy: Muito Além do Arco-Íris
Malévola: Dona do Mal

MELHORES EFEITOS VISUAIS
1917
O Irlandês
O Rei Leão
Star Wars: A Ascensão Skywalker
Vingadores: Ultimato

MELHOR CURTA METRAGEM
Brotherhood

Nefta Footbal Club
The Neighbor’s Window
Saria
A Sister

MELHOR CURTA-METRAGEM (DOCUMENTÁRIO)
In the Absence
Learning to Skateboard in a Warzone (If You’re a Girl)
Life Overtakes Me
St. Louis Superman
Walk Run Cha-Cha

MELHOR CURTA-METRAGEM (ANIMAÇÃO)
Dcera (Daughter)
Hair Love
Kitbull
Memorable
Sister

Os indicados ao BAFTA 2020

Coringa lidera a lista do BAFTA 2020 com 11 indicações. Cerimônia acontece no dia 2 de fevereiro.

Já expressei em diversas ocasiões o quanto gosto do BAFTA, uma premiação que, durante muitos anos, foi autêntica e surpreendente (para quem duvida, há provas cabais aqui e aqui), mas, com a lista divulgada hoje (07), fica difícil defender a academia britânica, mesmo com muito esforço. Não é de hoje que o BAFTA vem se descaracterizando, tentando, assim como tantas outras premiações, ser somente mais uma prévia do Oscar. No entanto, é mesmo preocupante a seleção de 2020, onde não há vestígio de representatividade em um ano com elogiadas performances de atores negros no radar (Cynthia Erivo com Harriet, Lupita Nyong’o com Nós, citando as mais cotadas) e também vários filmes dirigidos por mulheres (Lulu Wang com The Farewell, Greta Gerwig com Adoráveis Mulheres). Tudo é muito branco e masculino, reafirmando o consumo cinematográfico de viés machista e racista de um eleitorado que coloca todos esses filmes em categorias técnicas ou de produção em língua não-inglesa, mas nunca na disputa de melhor filme, direção ou de interpretações.

É péssima também a estreia da categoria de melhor elenco, antes uma novidade a ser comemorada. Como, por exemplo, Dois Papas e Coringa concorrem munidos de somente dois ou três atores de destaque enquanto outros títulos que são claramente melhores definições de um excelente trabalho de elenco são sequer citados? Onde foi parar a ideia de celebrar o coletivo e não apenas uma dupla ou um trio, facilmente contempláveis em categorias individuais de interpretação? Com Coringa liderando a lista com 11 indicações, seguido de longas que já vimos em tantas outras seleções e de ajustes preguiçosos (Margot Robbie com indicação dupla?), o BAFTA logo antecipou a polêmica e emitiu um comunicado dizendo que o problema da falta de representatividade é anterior e que o prêmio só reflete um enorme buraco da indústria. É uma desculpa com seu fundo de verdade, mas incapaz de eximir a culpa de uma premiação que, como parte de celebração à indústria, também tem papel fundamental na missão de disseminar mudanças.

Os vencedores do BAFTA serão conhecidos no dia 2 de fevereiro. Confira abaixo a lista completa de indicados:

MELHOR FILME
1917
Coringa
Era Uma Vez Em… Hollywood
O Irlandês
Parasita

MELHOR DIREÇÃO
Bong Joon-ho (Parasita)
Martin Scorsese (O Irlandês)
Quentin Tarantino (Era Uma Vez Em… Hollywood)
Sam Mendes (1917)
Todd Phillips (Coringa)

MELHOR ATRIZ
Charlize Theron (O Escândalo)
Jessie Buckley (As Loucuras de Rose)
Renée Zellweger (Judy: Muito Além do Arco-Íris)
Saoirse Ronan (Adoráveis Mulheres)
Scarlett Johansson (História de Um Casamento)

MELHOR ATOR
Adam Driver (História de Um Casamento)
Joaquin Phoenix (Coringa)
Jonathan Pryce (Dois Papas)
Leonardo Dicaprio (Era Uma Vez Em… Hollywood)
Taron Egerton (Rocketman)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Florence Pugh (Adoráveis Mulheres)
Laura Dern (História de Um Casamento)
Margot Robbie (O Escândalo)
Margot Robbie (Era Uma Vez Em… Hollywood)
Scarlett Johansson (Jojo Rabbit)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Al Pacino (O Irlandês)
Anthony Hopkins (Dois Papas)
Brad Pitt (Era Uma Vez Em… Hollywood)
Joe Pesci (O Irlandês)
Tom Hanks (Um Lindo Dia na Vizinhança)

MELHOR ELENCO
Coringa
Dois Papas
Era Uma Vez Em… Hollywood
História de um Casamento
The Personal History Of David Copperfield

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Entre Facas e Segredos
Era Uma Vez em… Hollywood
Fora de Série
História de Um Casamento
Parasita

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Adoráveis Mulheres
Coringa
Dois Papas
O Irlandês
Jojo Rabbit

MELHOR TRILHA SONORA
1917
Adoráveis Mulheres
Coringa
Jojo Rabbit
Star Wars: A Ascensão Skywalker

MELHOR FOTOGRAFIA
1917
Coringa
O Farol
Ford vs Ferrari
O Irlandês

MELHOR MONTAGEM
Coringa
Era Uma Vez em… Hollywood
Ford vs Ferrari
O Irlandês
Jojo Rabbit

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
1917
Coringa
Era Uma Vez em… Hollywood
O Irlandês
Jojo Rabbit

MELHOR FIGURINO
Adoráveis Mulheres
Era Uma Vez Em… Hollywood
O Irlandês
Jojo Rabbit
Judy: Muito Além do Arco-Íris

MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADOS
1917
Coringa
O Escândalo
Judy: Muito Além do Arco-Íris
Rocketman

MELHOR SOM
1917
Coringa
Ford vs Ferrari
Rocketman
Star Wars: A Ascensão Skywalker

MELHORES EFEITOS VISUAIS
1917
O Irlandês
O Rei Leão
Star Wars: A Ascensão Skywalker
Vingadores: Ultimato

MELHOR FILME BRITÂNICO
1917
Dois Papas
Bait
For Sama
Rocketman
Você Não Estava Aqui

MELHOR FILME EM LÍNGUA NÃO-INGLESA
Dor e Glória
The Farewell
For Sama
Parasita
Retrato de uma Jovem em Chamas

MELHOR DOCUMENTÁRIO
American Factory
Apollo 11
Diego Maradona
The Great Hack

For Sama

MELHOR ANIMAÇÃO
Frozen 2
Klaus
Shaun, o Carneiro: Aliens
Toy Story 4

MELHOR ESTREIA DE UM DIRETOR, PRODUTOR OU ROTEIRISTA BRITÂNICO
Bait (Mark Jenkin, diretor e roteirista; Kate Byers; Linn Waite, produtor)
For Sama (Waad Al-Kateab, diretor e produtor; Edward Watts, diretor)
Maiden (Alex Holmes, diretor)
Only You (Harry Wootliff, roteirista e diretor)
Retablo (Álvaro Delgado-Aparicio, roteirista e diretor)

MELHOR CURTA BRITÂNICO
Azaar
Goldfish
Kamali
Learning To Skateboard In A Warzone (If You’re A Girl)
The Trap

MELHOR CURTA BRITÂNICO (ANIMAÇÃO)
Grandad Was a Romantic
In Her Boots
The Magic Boat

EE RISING STAR AWARD – Estrela em ascensão
Awkwafina
Jack Lowden
Kaitlyn Dever
Kelvin Harrison Jr.
Micheal Ward

Os vencedores do Globo de Ouro 2020

Joaquin Phoenix foi o melhor ator por Coringa no Globo de Ouro 2020. Renée Zellweger, Laura Dern e Brad Pitt também se consolidam como favoritos para as próximas premiações.

Entre títulos dirigidos por cineastas consagrados (O Irlandês, Era Uma Vez Em… Hollywood) e outros que ecoaram com grande impacto junto a público e crítica (Parasita, História de Um Casamento e Coringa), o Globo de Ouro optou por uma via aparentemente mais imparcial: premiar 1917 como melhor filme. Dirigido por Sam Mendes, o épico de guerra sequer estreou comercialmente nos Estados Unidos, passando em branco nas listas de tantas associações de críticos que se dividiam entre O Irlandês e Parasita. Foi a maior surpresa de uma noite que, no geral, confirmou vários caminhos já ensaiados na temporada de premiações.

Há pelo menos dois grandes tombos registrados no Globo de Ouro 2020. O primeiro é o de O Irlandês, que não se beneficiou de uma lista altamente distributiva e saiu de mãos abanando. O segundo é o da Netflix, que ostentava 34 indicações e acabou levando somente duas (atriz coadjuvante em cinema para Laura Dern com História de Um Casamento e melhor atriz em série dramática para Olivia Colman com The Crown). Por outro lado, estão confirmados os favoritismos de nomes como Renée Zellweger (melhor atriz por Judy), Joaquin Phoenix (ator por Coringa) e Brad Pitt (ator coadjuvante por Era Uma Vez Em… Hollywood), além da já citada Laura Dern.

Não é difícil imaginar o Globo de Ouro já sinalizando uma ampla consagração para 1917 no Oscar. Épicos ainda mobilizam a Academia, especialmente aqueles repletos de virtuosismos técnicos e artifícios como o uso de planos-sequência. Em um ano onde é difícil achar uma métrica para diretores tão unânimes em diferentes espectros, essa parece ser uma saída bastante lógica. Na próxima semana, o longa de Sam Mendes volta a concorrer a um prêmio: o Critics’ Choice Awards, que costuma ser confuso e de relevância menor do que a do Globo de Ouro. Fica, entretanto, a curiosidade em relação a como o filme performará junto a um novo grupo de votantes.

Confira abaixo a lista completa de vencedores do Globo de Ouro 2020:

CINEMA

MELHOR FILME – DRAMA: 1917
MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL: Era Uma Vez Em… Hollywood
MELHOR DIREÇÃO: Sam Mendes (1917)
MELHOR ATRIZ – DRAMA: Renée Zellweger (Judy: Muito Além do Arco-Íris)
MELHOR ATOR – DRAMA: Joaquin Phoenix (Coringa)
MELHOR ATRIZ – COMÉDIA/MUSICAL: Awkwafina (The Farewell)
MELHOR ATOR – COMÉDIA/MUSICAL: Taron Egerton (Rocketman)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Laura Dern (História de Um Casamento)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Brad Pitt (Era Uma Vez Em… Hollywood)
MELHOR ROTEIRO: Era Uma Vez Em… Hollywood
MELHOR ANIMAÇÃO: Link Perdido
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Parasita (Coreia do Sul)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “(I’m Gonna) Love Me Again” (Rocketman)
MELHOR TRILHA SONORA: Coringa

SÉRIES, MINISSÉRIES E TELEFILMES

MELHOR SÉRIE – DRAMA: Succession
MELHOR SÉRIE – COMÉDIA: Fleabag
MELHOR MINISSÉRIE/TELEFILME: Chernobyl

MELHOR ATRIZ – DRAMA: Olivia Colman (The Crown)
MELHOR ATOR – DRAMA: Brian Cox (Succession)
MELHOR ATRIZ – COMÉDIA: Phoebe Waller-Bridge (Fleabag)
MELHOR ATOR – COMÉDIA: Ramy Youssef (Ramy)
MELHOR ATRIZ – MINISSÉRIE/TELEFILME: Michelle Williams (Fosse/Verdon)
MELHOR ATOR – MINISSÉRIE/TELEFILME: Russell Crowe (The Loudest Voice)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE – SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME: Patricia Arquette (The Act)
MELHOR ATOR COADJUVANTE – SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME: Stellan Skarsgård (Chernobyl)

Apostas para o Globo de Ouro 2020

Neste domingo (05), a Hollywood Foreign Press Association revelerá a sua lista de vencedores para a edição 2020 do Globo de Ouro. Entre prêmios voltados para o cinema e para os seriados, acompanharemos a entrega de estatuetas para 25 categorias, abrindo a temporada das premiações televisivas que, posteriormente, segue com o Critics’ Choice Awards (12/01), o Screen Actors Guild Awards (19/01), o BAFTA (02/02) e, claro, o Oscar no dia (09/02). Para quem for acompanhar a cerimônia pela TV, a TNT transmitirá ao vivo a entrega dos prêmios às 22h (horário de Brasília), antecedida pelo tapete vermelho às 21h. Já na página oficial do Cinema e Argumento no Facebook, estaremos ao vivo a partir das 20h para comentar as nossas apostas já listadas abaixo.

CINEMA

MELHOR FILME – DRAMA: Coringa / alt: O Irlandês
MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL: Era Uma Vez Em… Hollywood / alt: Entre Facas e Segredos
MELHOR DIREÇÃO: Bong Joon-ho (Parasita) / alt: Quentin Tarantino (Era Uma Vez Em… Hollywood)
MELHOR ATRIZ – DRAMA: Renée Zellweger (Judy: Muito Além do Arco-Íris) / alt: Scarlett Johansson (História de Um Casamento)
MELHOR ATOR – DRAMA: Joaquin Phoenix (Coringa) / alt: Adam Driver (História de Um Casamento)
MELHOR ATRIZ – COMÉDIA/MUSICAL: Awkwafina (The Farewell) / alt: Ana de Armas (Entre Facas e Segredos)
MELHOR ATOR – COMÉDIA/MUSICAL: Taron Egerton (Rocketman) / alt: Leonardo DiCaprio (Era Uma Vez Em… Hollywood)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Jennifer Lopez (As Golpistas) / alt: Laura Dern (História de Um Casamento)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Brad Pitt (Era Uma Vez Em… Hollywood) / alt: Joe Pesci (O Irlandês)
MELHOR ROTEIROParasita / alt: História de Um Casamento
MELHOR ANIMAÇÃOFrozen 2 / alt: Toy Story 4
MELHOR FILME ESTRANGEIROParasita / alt: Retrato de Uma Jovem em Chamas

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “(I’m Gonna) Love Me Again” (Rocketman) / alt: “Spirit” (O Rei Leão)
MELHOR TRILHA SONORACoringa / alt: 1917

SÉRIES, MINISSÉRIES E TELEFILMES

MELHOR SÉRIE – DRAMAThe Morning Show / alt: The Crown
MELHOR SÉRIE – COMÉDIAFleabag / alt: The Kominsky Method
MELHOR MINISSÉRIE/TELEFILME: Chernobyl / alt: Unbelievable

MELHOR ATRIZ – DRAMA: Olivia Colman (The Crown) / alt: Jennifer Aniston (The Morning Show)
MELHOR ATOR – DRAMA: Billy Porter (Pose) / alt: Tobias Menzes (The Crown)
MELHOR ATRIZ – COMÉDIA: Phoebe Waller-Bridge (Fleabag) / alt: Kirsten Duns (On Becoming a God in Central Florida)
MELHOR ATOR – COMÉDIA: Paul Rudd (Living With Yourself) / alt: Ramy Youssef (Ramy)
MELHOR ATRIZ – MINISSÉRIE/TELEFILME: Michelle Williams (Fosse/Verdon) / Kaitlyn Dever (Unbelievable)
MELHOR ATOR – MINISSÉRIE/TELEFILME: Sacha Baron Cohen (The Spy) / alt: Russell Crowe (The Loudest Voice)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE – SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME: Meryl Streep (Big Little Lies) / alt: Helena Bonham Carter (The Crown)
MELHOR ATOR COADJUVANTE – SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME: Andrew Scott (Fleabag) / alt: Stellan Skarsgård (Chernobyl)

Os indicados ao Globo de Ouro 2020

História de Um Casamento lidera a lista de indicações ao Globo de Ouro 2020. Ao todo, Netflix também domina o ano como um todo: com quatro filmes, acumula 17 indicações ao prêmio.

Abrindo a temporada dos prêmios televisionados, o Globo de Ouro anunciou hoje (09) a sua lista de indicados para a cerimônia que será realizada no próximo dia 5 de janeiro. Se há uma tendência inegável confirmada pela Hollywood Foreign Press Association é a de que a Netflix terá um desempenho muito consistente pelos próximos meses. Além de História de Um Casamento liderar a lista com seis indicações, a plataforma de streaming chega na disputa com O IrlandêsDois PapasMeu Nome é Dolemite, somando, ao todo, 17 indicações ao prêmio. A estatística dispara na frente da Sony, por exemplo, que fica em segundo lugar na lista com somente oito menções.

Em um ano disputado nos dramas, onde novamente um filme de língua não-inglesa ganha amplo espaço e adoração (o extraordinário Parasita), temos também um novo filme inspirado no universo de quadrinhos concorrendo na categoria principal (Coringa, que recupera forças na corrida após uma temporada sofrendo todo tipo de problematização e que dá sequência à lembrança de Pantera Negra no ano passado). Vale registrar também a falta de cineastas mulheres na categoria de direção (mais uma vez!) e o fato de Adoráveis Mulheres, de Greta Gerwig, não ter caído nas graças dos votantes. Se o Brasil não conseguiu emplacar indicação em filme estrangeiro com A Vida Invisível, ao menos há de se comemorar o amplo reconhecimento a Dois Papas, de Fernando Meirellesnas categorias principais.

No segmento de minisséries, é criminoso o esquecimento de When They See Us, poderoso trabalho de Ava DuVernay que sequer conseguiu uma indicação para o grande desempenho de Jharrel Jerome. Igualmente frustrante é ver Watchmen solenemente ignorada: um dos seriados mais marcantes do ano, o programa criado por Damon Lindelof merecia, no mínimo, uma indicação de melhor atriz para Regina King e outra de atriz coadjuvante para Jean Smart. Não ter Watchmen e testemunhar uma indicação para a problemática segunda temporada de Big Little Lies? Difícil engolir tanta preguiça. Particularmente, ainda elenco uma terceira decepção: a ausência de Years and Years, coprodução da HBO com a BBC que traz uma assombrosa projeção do futuro, baseada em tudo que já vivemos de mais insano no plano político e social. 

Confira abaixo a lista completa de indicados:

CINEMA

MELHOR FILME – DRAMA
1917
Coringa
Dois Papas
História de Um Casamento
O Irlandês

MELHOR FILME – COMÉDIA/MUSICAL
Entre Facas e Segredos
Era Uma Vez Em… Hollywood
Jojo Rabbit
Meu Nome é Dolemite
Rocketman

MELHOR DIREÇÃO
Bong Joon-ho (Parasita)
Martin Scorsese (O Irlandês)
Quentin Tarantino (Era Uma Vez Em… Hollywood)
Sam Mendes (1917)
Todd Phillips (Coringa)

MELHOR ATRIZ – DRAMA
Charlize Theron (O Escândalo)
Cynthia Erivo (Harriet)
Renée Zellweger (Judy: Muito Além do Arco-Íris)
Saoirse Ronan (Adoráveis Mulheres)
Scarlett Johansson (História de Um Casamento)

MELHOR ATOR – DRAMA
Adam Driver (História de Um Casamento)
Antonio Banderas (Dor e Glória)
Christian Bale (Ford vs Ferrari)
Joaquin Phoenix (Coringa)
Jonathan Pryce (Dois Papas)

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA/MUSICAL
Ana de Armas (Entre Facas e Segredos)
Awkwafina (The Farewell)
Beanie Feldstein (Fora de Série)
Cate Blanchett (Cadê Você, Bernadette?)
Emma Thompson (Late Night)

MELHOR ATOR – COMÉDIA/MUSICAL
Daniel Craig (Entre Facas e Segredos)
Eddie Murphy (Meu Nome é Dolemite)
Leonardo DiCaprio (Era Uma Vez Em… Hollywood)
Roman Griffin Davis (Jojo Rabbit)
Taron Egerton (Rocketman)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Annette Bening (O Relatório)
Kathy Bates (Richard Jewell)
Jennifer Lopez (As Golpistas)
Laura Dern (História de Um Casamento)
Margot Robbie (O Escândalo)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Al Pacino (O Irlandês)
Anthony Hopkins (Dois Papas)
Brad Pitt (Era Uma Vez Em… Hollywood)
Joe Pesci (O Irlandês)
Tom Hanks (Um Lindo Dia na Vizinhança)

MELHOR ROTEIRO
Dois Papas
Era Uma Vez Em… Hollywood
História de Um Casamento
O Irlandês
Parasita

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Dor e Glória (Espanha)
The Farewell (Estados Unidos)
Les Misérables (França)
Retrato de uma Jovem em Chamas (França)
Parasita (Coréia do Sul)

MELHOR ANIMAÇÃO
Como Treinar Seu Dragão 3
Frozen 2
Link Perdido
O Rei Leão
Toy Story 4

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Beautiful Ghosts” (Cats)
“(I’m Gonna) Love Me Again” (Rocketman)
“Into the Unknown” (Frozen 2)
“Spirit” (O Rei Leão)
“Stand Up” (Harriet)

MELHOR TRILHA SONORA
1917
Adoráveis Mulheres
Brooklyn – Sem Pai Nem Mãe
Coringa
História de Um Casamento

SÉRIES, MINISSÉRIES E TELEFILMES

MELHOR SÉRIE – DRAMA
Big Little Lies
The Crown
Killing Eve
The Morning Show
Succession

MELHOR SÉRIE – COMÉDIA/MUSICAL
Barry
Fleabag
The Kominsky Method
The Marvelous Mrs. Maisel
The Politician

MELHOR MINISSÉRIE/TELEFILME
Catch-22
Chernobyl
Fosse/Verdon
The Loudest Voice
Unbelievable

MELHOR ATRIZ – DRAMA
Jennifer Aniston (The Morning Show)
Jodie Comer (Killing Eve)
Nicole Kidman (Big Little Lies)

Olivia Colman (The Crown)
Reese Witherspoon (The Morning Show)

MELHOR ATOR – DRAMA
Billy Porter (Pose)
Brian Cox (Succession)

Kit Harington (Game of Thrones)
Rami Malek (Mr. Robot)
Tobias Menzies (The Crown)

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA/MUSICAL
Christina Applegate (Dead to Me)
Kirsten Dunst (On Becoming a God in Central Florida)
Natasha Lyonne (Russian Doll)
Phoebe Waller-Bridge (Fleabag)
Rachel Brosnahan (The Marvelous Mrs. Maisel)

MELHOR ATOR – COMÉDIA/MUSICAL
Ben Platt (The Politician)
Bill Hader (Barry)
Michael Douglas (The Kominsky Method)

Paul Rudd (Living with Yourself)
Ramy Youssef (Ramy)

MELHOR ATRIZ – MINISSÉRIE/TELEFILME
Helen Mirren (Catherine the Great)
Joey King (The Act)
Kaitlyn Dever (Unbelievable)

Merritt Wever (Unbelievable)
Michelle Williams (Fosse/Verdon)

MELHOR ATOR – MINISSÉRIE/TELEFILME
Christopher Abbott (Catch-22)
Jared Harris (Chernobyl)
Russell Crowe (The Loudest Voice)

Sacha Baron Cohen (The Spy)
Sam Rockwell (Fosse/Verdon)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE – SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME
Emily Watson (Chernobyl)
Helena Bonham Carter (The Crown)
Meryl Streep (Big Little Lies)
Patricia Arquette (The Act)

Toni Collette (Unbelievable)

MELHOR ATOR COADJUVANTE – SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME
Alan Arkin (The Kominsky Method)
Andrew Scott (Fleabag)
Henry Winkler (Barry)

Kieran Culkin (Succession)
Stellan Skarsgård (Chernobyl)

Os vencedores do Emmy 2019

Julia Garner, melhor atriz coadjuvante por Ozark: merecido prêmio da intérprete foi um dos pontos altos de uma noite com várias surpresas, mas igualmente empoeirada por um apego irremediável a Game of Thrones.

Tão oxigenada quanto empoeirada. Assim podemos definir a cerimônia de premiação do Emmy 2019. Afinal, é difícil entender como os votantes compreendem que o tempo de Veep já passou, mas seguem apegados a um passado glorioso já distante de Game of Thrones. É no mínimo desmoralizada a vitória do hit da HBO: segundo os votantes, o programa não tem o melhor roteiro, nem a melhor direção, muito menos os melhores protagonistas. No entanto, é a melhor série do ano? No final das contas, só quem fez par com o prêmio de melhor série pela mesma atração foi Peter Dinklage como ator coadjuvante.

A decisão surge um tanto imperdoável no ano em que o Emmy reservou surpresas pioneiras e agradabilíssimas, como o prêmio de atriz coadjuvante em série dramática para Julia Garner (Ozark), o de melhor ator em minissérie para Jharrel Jerome (When They See Us) e o de atriz coadjuvante em minissérie para Patricia Arquette (The Act). Mesmo Fleabag, que levou mais prêmios do que deveria em comparação à obra-prima que é a segunda temporada de The Marvelous Mrs. Maisel, surge como um excelente sinal de renovação para o Emmy. Coloque ainda na conta surpresas aclamadas como Billy Porter levando melhor ator por Pose, Michelle Williams sendo consagrada pela minissérie Fosse/Verdon e Jason Bateman surpreendendo em melhor direção de série dramática com Ozark.

E aí o Emmy resolve puxar o freio de mão com Game of Thrones no último prêmio da noite. Fica o mistério sobre o que passou pela cabeça dos votantes para celebrar a última temporada tão criticada por público e crítica do programa… Consagração pelo conjunto da obra? Prêmios como esse não são feitos para servir a tal propósito. Estamos aqui para eleger melhor série do ano (não o melhor legado), título que Game of Thrones já havia conquistado em quatro ocasiões no Emmy. Ano que vem, ao menos, estamos livres de uma estatueta como essa entregue no piloto-automático ou por algum tipo de saudosismo antecipado…

Confira abaixo a lista de vencedores do Emmy 2019:

MELHOR SÉRIE DRAMA: Game of Thrones
MELHOR SÉRIE COMÉDIA: Fleabag
MELHOR MINISSÉRIE: Chernobyl
MELHOR TELEFILMEBlack Mirror: Bandersnatch

MELHOR ATRIZ EM DRAMA: Jodie Comer (Killing Eve)
MELHOR ATRIZ EM COMÉDIA: Phoebe Waller-Bridge (Fleabag)
MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Michelle Williams (Fosse/Verdon)

MELHOR ATOR EM DRAMA: Billy Porter (Pose)
MELHOR ATOR EM COMÉDIA: Bill Hader (Barry)
MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Jharrel Jerome (When They See Us)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM DRAMA: Julia Garner (Ozark)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM COMÉDIA: Alex Borstein (The Marvelous Mrs. Maisel)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Patricia Arquette (The Act)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM DRAMA: Peter Dinklage (Game of Thrones)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM COMÉDIA: Tony Shalhoub (The Marvelous Mrs. Maisel)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Ben Whishaw (A Very English Scandal)
MELHOR DIREÇÃO EM DRAMA: Jason Bateman (Ozark, pelo episódio Reparations)
MELHOR ROTEIRO EM DRAMA: Jesse Armstrong (Succession, pelo episódio Nobody is Ever Missing)
MELHOR DIREÇÃO EM COMÉDIA: Harry Bradbeer (Fleabag, por Episode #2.1)
MELHOR ROTEIRO EM COMÉDIA: Phoebe Waller-Bridge (Fleabag, por Episode #2.1)
MELHOR DIREÇÃO EM MINISSÉRIE: Johan Renck (Chernobyl)
MELHOR ROTEIRO EM MINISSÉRIE: Craig Mazin (Chernobyl)

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