Cinema e Argumento

49º Festival de Cinema de Gramado #2: “Para o Brasil se (re)conhecer” (ou uma reflexão sobre a escolha dos curtas brasileiros)

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Reunião de seleção dos curtas-metragens brasileiros do 49º Festival de Cinema de Gramado.

Aproximando-se de um emblemático aniversário de 50 anos, o Festival de Cinema de Gramado realiza, entre os dias 13 e 21 de agosto, a sua 49ª edição, mais uma vez em formato híbrido, com transmissões pelo Canal Brasil e por streaming, devido às restrições que ainda vivemos em função da pandemia do Coronavírus. Mais do que celebrar a histórica resistência de um festival que nunca deixou de acontecer apesar de adversidades das mais diferentes naturezas, é importante constatar que, ao completar 49 anos, Gramado segue refletindo a força comovente de um cinema brasileiro que, nos últimos anos, vem sendo desprezado e vilipendiado pelas políticas (ou falta delas) em curso no país.

Digo que tal resistência do cinema brasileiro está representada em Gramado porque isso se reflete na lista de filmes selecionados para a edição 2021. O Brasil segue produzindo, apesar dos pesares. E pude fazer essa constatação ainda mais de perto este ano, quando fui convidado pela organização do evento a integrar a comissão responsável por selecionar os curtas-metragens brasileiros que disputarão o Kikito. Honra gigante. Responsabilidade à altura. E um exercício dos mais instigantes. Afinal, o que levar em consideração na hora de mergulhar em um universo com centenas de curtas-metragens inscritos? Não há fórmula. E é aí que está o fascínio.

Junto a Jaqueline Beltrame, Milena Moura e Thaís Cabral, tive a oportunidade de explorar, a partir dos títulos aptos a avaliação, gêneros e temáticas variadas, trabalhadas pelos mais diferentes realizadores em todos os cantos do país. Em que pese a bagagem, a identificação e as preferências cinematográficas de cada um de nós da comissão, buscamos selecionar 14 filmes que contemplassem o Brasil em que vivemos. Esse mesmo: plural e tão único, iluminado e sofrido, cambaleante e capaz de recobrar forças. Nada mais justo para uma sociedade que merece sempre se ver representada na tela, com suas qualidades e imperfeições. A meu ver, esse foi o ponto de partida do nosso trabalho, o que me deixa muito feliz, já que cinema também serve para ser o registro histórico e a eternização da identidade cultural, social e política de um país.

Outros dois aspectos nos bateram muito forte como critério: a pluralidade de regiões onde os filmes foram produzidos, tentando escapar da massiva e inevitável predominância do eixo Rio-São Paulo, e a representatividade feminina atrás das câmeras (aliás, os dois curtas escolhidos para representar o nosso Rio Grande do Sul são dirigidos por mulheres: Desvirtude, de Gautier Lee, e Eu Não Sou Um Robô, de Gabriela Lamas). Ainda há nessa mistura comédia, drama, documentário, animação e exercícios experimentais de narrativa e estilo. Engana-se, no entanto, quem pensa que essa é uma seleção de “cotas”, como se tivéssemos categorizado as vagas que gostaríamos de preencher, inclusive porque seria uma frustração, já que não foram poucos os títulos deixados de fora e cujas discussões gostaríamos de levar a Gramado. Nunca deixamos de lado o olhar tão fundamental para a excelência e a qualidade inerentes a filmes merecedores de estarem em Gramado

Inevitavelmente, os dias de trabalho trouxeram frustrações, todas muito naturais em qualquer processo semelhante a esse. E elas estão concentradas, claro, naqueles títulos que cada um de nós quatro da comissão gostaria de ter colocado na lista final, mas que não eram unânimes ou que, então, não estavam alinhados aos conceitos abraçados pelo nosso perfil curatorial. Espero que esses filmes possam encontrar seu espaço nos outros tantos festivais realizados no Brasil e que bravamente também seguem resistindo. Em contraponto a essa pequena lamentação, trago um aprendizado dos mais interessantes: acredite, tudo pode acontecer entre o primeiro e o último dia de seleção. É bastante surpreendente constatar, por exemplo, que diversos curtas selecionados por nós de forma unânime e aclamada em uma primeira discussão simplesmente não chegaram ao corte final, por uma série de razões, enquanto um ou outro mais divisivo foi incluído no grupo (obviamente não vou revelar, mas houve até um certo filme que bati pé para não entrar e acabei cedendo nos momentos finais porque era coerente com o nosso conjunto).

Por fim, não poderia deixar de destacar o quanto a honra de ter sido escolhido para participar da seleção ganha novos contornos em tempos pandêmicos. Através do formato híbrido, estamos falando de um Festival de Cinema de Gramado que chega a todos os estados brasileiros e até mesmo a públicos que, em certos casos, jamais poderiam ir presencialmente à Serra Gaúcha para acompanhar o evento. Imaginem a responsabilidade de entrar na casa das pessoas com esses filmes! Como alguém que acredita no poder transformador e educativo do cinema (não em um sentido didático, mas sim no que ele pode representar e comunicar como exercício ou entretenimento para as mais diferentes plateias), creio que, por meio dos curtas-metragens selecionados, levaremos para as telas histórias em que o Brasil possa se (re)conhecer e se questionar. Tenho meus favoritos do coração, mas isso é assunto para mais tarde, quando vocês também puderem desbravar a a lista de selecionados. Nos encontramos nos filmes, combinado?

* Texto produzido originalmente para o portal Melhor do Sul

Apostas para o Oscar 2021 (e também palpites, impressões e preferências acerca dos indicados)

Naquele que é, possivelmente, o ano mais atípico em toda a trajetória do Oscar, não faltaram filmes para todos os gostos. A pandemia pode ter afetado o calendário da temporada, mas não a qualidade geral dos filmes selecionados, considerando as devidas proporções, claro. Há pelo menos três longas indicados na categoria principal que já moram no meu coração, algo realmente muito raro de acontecer: Nomadland, Meu Pai e O Som do Silêncio. Muito diferentes entre si, Minari e Judas e o Messias Negro são dois ótimos relatos que, da técnica à emoção, transitam entre a delicadeza e energia, respectivamente. No mais, ainda que eu não seja fã de Bela Vingança e muito menos menos de Mank e Os 7 de Chicago, fica nítido que os três filmes reúnem torcidas e entusiastas, especialmente o primeiro. Hoje à noite, a partir das 21h, saberemos qual deles leva a melhor. Tudo leva a crer que o jogo está ganho para Nomadland, assim como já esteve para Boyhood, La La Land, Três Anúncios Para Um Crime e 1917, todos derrotados de última hora no Oscar. Ou seja, é prudente não descartar uma possível surpresa na categoria principal, inclusive porque o sistema de votação do Oscar para melhor filme se distingue do processo das demais premiações.

Nomadland é o favorito absoluto da categoria de melhor filme. Entretanto, vale sempre considerar a capacidade da Academia de surpreender.

Como forma de aquecimento para a cerimônia, faço aqui o meu ligeiro balanço das categorias principais e técnicas, começando, claro, com melhor filme, uma categoria bastante harmônica, talvez uma das mais equilibradas dos últimos anos. O favorito, repito, é Nomadland, que não perdeu um prêmio sequer nesta temporada, seja em sindicados ou em premiações televisionadas. E é difícil discordar: o que Chloé Zhao faz nesse filme é de uma delicadeza imensa. Lindo de ver e de sentir, Nomadland constrói uma ficção de contornos documentais para refletir sobre o íntimo e o coletivo de pessoas que resolveram largar tudo para viver na estrada, refletindo a realidade de diversas questões políticas e sociais dos Estados Unidos que são perfeitamente identificáveis em todos os cantos do mundo. De sofisticação equivalente, Meu Pai de Florian Zeller foi a grande surpresa da lista por fazer algo raro de se ver: a transposição de uma peça de teatro para o cinema sem qualquer vício ou linguagem dos palcos. Seria justo — e não necessariamente surpreendente — se esse filme performasse melhor do que o esperado na cerimônia. No entanto, meu sinal de alerta é para Os 7 de Chicago, dirigido pelo adorado Aaron Sorkin e que atende todos os pré-requisitos do público que adora um filme mais acadêmico e comportado.

Se a categoria de melhor filme tem um favorito claro seguido de outras possibilidades, o mesmo não acontece em melhor direção, onde o jogo já está ganho para Chloé Zhao. É para apostar de olhos fechados: ela será, sim, a segunda mulher a vencer o Oscar de direção em quase 100 anos de Oscar, fazendo par com Kathryn Bigelow, vencedora em 2010 por Guerra ao Terror. Essa categoria nos reservou uma das mais gratas surpresas da lista — a indicação de melhor direção para Thomas Vinterberg (Druk: Mais Uma Rodada) —, mas, em uma realidade paralela, a minha seleção teria dois ajustes: a substituição de David Fincher (Mank) por Florian Zeller (Meu Pai) e a de Emerald Fennell (Bela Vingança) por Regina King (Uma Noite em Miami…). Já entrando nas categorias de atuação, temos outra barbada: Daniel Kaluuya como melhor ator coadjuvante por Judas e o Messias Negro. Contesto radicalmente: Kaluuya está mais uma vez excelente, o que não justifica o redimensionamento de seu posto de protagonista a coadjuvante pelos prêmios, assim como acontece com o seu colega Lakeith Stanfield, também indicado. É preciso refutar esse tipo de fraude, o que me leva a torcer por Paul Raci com sua delicada performance em O Som do Silêncio. Situação semelhante de favoritismo vive Yuh-Jung Youn em melhor atriz coadjuvante com Minari. Além de ser uma coadjuvante — coisa que Maria Bakalova (Borat: Fita de Cinema Seguinte) e Olivia Colman (Meu Pai) não são —, ela dá um baile em Glenn Close (Era Uma Vez Um Sonho) e Amanda Seyfried (Mank).

Extraordinário em Meu Pai, Anthony Hopkins concorre a melhor ator. Caso aconteça, sua vitória seria uma das mais merecidas do Oscar 2021 (e das últimas décadas categoria).

Entre os protagonistas, a situação é mais embaralhada, quando não deliciosamente caótica, como é o caso de melhor atriz. Para quem chegou de última hora, a matemática explica: Andra Day (Estados Unidos vs. Billie Holiday) venceu o Globo de Ouro, Carey Mulligan (Bela Vingança) levou a melhor no Critics Choice, Viola Davis (A Voz Suprema do Blues) se consagrou no Screen Actors Guild Awards, Frances McDormand (Nomadland) faturou o BAFTA e Vanessa Kirby traz na bagagem o prêmio de melhor atriz no Festival de Veneza, que já antecipou prêmios como os de Olivia Colman (A Favorita) e Emma Stone (La La Land). É muito simples: faça unidunitê para fazer a sua aposta, pois todas têm narrativa para vencer nessa seleção bastante equilibrada. A versão que eu abraço é a de Frances McDormand, por ela estar maravilhosa em Nomadland, por ser o rosto absoluto do filme de Chloé Zhao e por protagonizar o grande favorito da temporada. Em melhor ator, o jogo parecia ganho até pouco tempo atrás para Chadwick Boseman (A Voz Suprema do Blues), em um prêmio mais de homenagem do que de merecimento, mas as duas derrotas consecutivas que ele sofreu nas últimas premiações (BAFTA e Independent Spirit Awards) parecem abrir caminho para o vencedor moral da categoria: Anthony Hopkins, em desempenho extraordinário. Particularmente, antes de Boseman e como segundo na fila, ainda prefiro Riz Ahmed, que tem, em O Som do Silêncio, uma virada de jogo na carreira.

Inclinado pela minha afeição a Meu Pai, acredito que a vitória de Anthony é possível porque também me parece que o filme de Florian Zeller tem chances em outras categorias, como melhor roteiro adaptado, uma vez que a adaptação é mesmo fantástica e que talvez os votantes entendam que o roteiro de Nomadland seja mais fruto do acaso e das histórias de pessoas reais que aparecem no filme do que de uma escrita de Chloé Zhao. Enquanto isso, em melhor roteiro original, Emerald Fennell deve receber a estatueta por Bela Vingança, garantindo a cota do filme na tendência distributivista adotada pelo Oscar nos últimos anos. Entretanto, vale sempre a pena ficar de olho em Aaron Sorkin (Os Sete de Chicago), autor de um roteiro que cai como uma luva para o gosto dos votantes mais conservadores da Academia. Por falar em tendência distributivista, outras categorias já parecem definidas, como melhor figurino e melhor cabelo e maquiagem para A Voz Suprema do Blues, melhor trilha e melhor animação para Soul, melhor filme internacional para Druk: Mais Uma Rodada, melhor fotografia para Nomadland e melhor som para O Som do Silêncio. Nas demais, jogo dividido entre candidatos específicos, o que exige nossa intuição na hora de apostar. Enfim, era isso! Nos vemos logo mais para comentar os vencedores? Não esqueçam de me seguir no Twitter (@mathpann) onde comentarei a cerimônia ao vivo. Espero vocês!

APOSTAS

MELHOR FILME: Nomadland / alt: Os 7 de Chicago
MELHOR DIREÇÃO: Chloé Zhao (Nomadland) / alt: Emerald Fennell (Bela Vingança)
MELHOR ATRIZ: Frances McDormand (Nomadland) / alt: Viola Davis (A Voz Suprema do Blues)
MELHOR ATOR: Anthony Hopkins (Meu Pai) / alt: Chadwick Boseman (A Voz Suprema do Blues)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Yuh-jung Youn (Minari) / alt: Glenn Close (Era Uma Vez Um Sonho)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Daniel Kaluuya (Judas e o Messias Negro) / alt: Paul Raci (O Som do Silêncio)
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Emerald Fennell (Bela Vingança) / alt: Aaron Sorkin (Os 7 de Chicago)
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Christopher Hampton e Florian Zeller (Meu Pai) / alt: Chloé Zhao (Nomadland)
MELHOR FILME INTERNACIONAL: Druk: Mais Uma Rodada (Dinamarca) / alt: Quo Vadis, Aida? (Bósnia e Herzegovina)
MELHOR DOCUMENTÁRIO: Professor Polvo / alt: Crip Camp: Revolução Pela Inclusão
MELHOR ANIMAÇÃO: Soul / alt: Wolfwalkers
MELHOR TRILHA SONORA: Jon Batiste, Trent Reznor e Atticus Ross (Soul) / alt: Emile Mosseri (Minari)
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: Diane Warren e Laura Pausini, por “Io Sí (Seen)” (Rosa e Momo) / alt: Leslie Odom Jr. e Sam Ashworth, por “Speak Now” (Uma Noite em Miami…
MELHOR MONTAGEM: Alan Baumgarten (Os 7 de Chicago) / alt: E.G. Nielsen (O Som do Silêncio)
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO: Donald Graham Burt (Mank) / alt: Peter Francis (Meu Pai)
MELHOR FOTOGRAFIA: Joshua James Richards (Nomadland) / alt: Erik Messerschmidt (Mank)
MELHOR FIGURINO: Ann Roth (A Voz Suprema do Blues) / alt: Trish Summerville (Mank)
MELHOR SOM: Carlos Cortés, Jaime Baksht, Michelle Couttolenc, Nicolas Becker e Phillip Bladh (O Som do Silêncio) / alt: Coya Elliott, David Parker e Ren Klyce (Soul)
MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS: Jamika Wilson, Mia Neal e Sergio Lopez-Rivera (A Voz Suprema do Blues) / alt: Dalia Colli, Francesco Pegoretti e Mark Coulier (Pinóquio)
MELHORES EFEITOS VISUAIS: Andrew Jackson, Andrew Lockley, David Lee e Scott R. Fisher (Tenet) / alt: Chris Lawrence, David Watkins, Matt Kasmir e Max Solomon (O Céu da Meia-Noite)

Os vencedores do BAFTA 2021

Após vitória no Screen Actors Guild Awards, Yuh-Jung Youn também leva o BAFTA de atriz coadjuvante por Minari. Prêmio ajuda a desembaralhar uma categoria incerta até então.

Há uma certa contradição entre a lista de indicados e a lista de vencedores do BAFTA 2021, pois a segunda não necessariamente reflete a imensa diversidade da primeira e volta a reafirmar a vontade dos britânicos em apenas prever o Oscar. Sabemos onde está o gargalo dessa situação: enquanto os indicados das categorias de direção e interpretação tomam forma a partir do crivo de um júri cujo objetivo é garantir a diversidade do prêmio, os vencedores apenas refletem o lugar-comum quando os britânicos se veem obrigados a fazer uma única escolha por categoria, escapando da personalidade altamente fora da curva apresentada na lista de indicados.

O que vimos, portanto, foi Nomadland: Sobreviver na América faturar novamente os prêmios de filme e direção, garantindo de uma vez por todas o seu favoritismo absoluto, especialmente em um ano em que parece não existir qualquer candidato capaz de oferecer alguma ameaça. Idem para Daniel Kaluuya, que não perdeu prêmio algum nesta temporada como ator coadjuvante por Judas e o Messias Negro, o que não foi diferente no BAFTA. E até a vitória de Yuh-Jung Youn como atriz coadjuvante por Minari: Em Busca da Felicidade não vem como uma surpresa, visto que, na semana passada, o SAG já havia antecipado essa tendência.

Não se trata de questionar a excelência dos vencedores, até porque todos estão acima de qualquer suspeita, mas a autoralidade que veio pulsante na lista de indicadas não se fez presente entre os premiados. Era de se esperar que a categoria de melhor atriz, por exemplo, reservasse alguma surpresa que não a de Frances McDormand por Nomadland. Embalada pelo entusiasmo do BAFTA com o filme, Frances levou a melhor na categoria de melhor atriz, a mais imprevisível de todas, onde Carey Mulligan (Bela Vingança) e Viola Davis (A Voz Suprema do Blues) ficaram surpreendentemente de fora e onde quatro atrizes negras concorriam por papeis que iam da comédia ao terror. Talvez seja cedo esperar uma mudança de cultura tão rápida assim, mas houve a promessa…

Considerando os prêmios principais, o BAFTA só fugiu mesmo do esperado ao premiar Anthony Hopkins, extraordinário em Meu Pai. Não é surpreendente se levarmos em conta o carinho dos britânicos por Hopkins (essa é a quarta estatueta que ele vence!), mas sim se observarmos o domínio absoluto de Chadwick Boseman (A Voz Suprema do Blues) até então e toda a saudade em torno dessa celebração. Entre as categorias técnicas, repetiram-se também os prêmios para Soul (animação e trilha sonora), confirmaram-se outros já esperados (figurino e maquiagem para A Voz Suprema do Blues, design de produção para Mank) e alguns outros se revelaram como possíveis tendências para o Oscar (roteiro adaptado para Meu Pai, montagem para O Som do Silêncio).

Confira abaixo a lista de vencedores:

MELHOR FILME: Nomadland
MELHOR FILME BRITÂNICO: Bela Vingança
MELHOR DIREÇÃO: Chloé Zhao (Nomadland)
MELHOR ELENCO: Lucy Pardee (Rocks)
MELHOR ATRIZ: Frances McDormand (Nomadland)
MELHOR ATOR: Anthony Hopkins (Meu Pai)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Yuh-Jung Youn (Minari: Em Busca da Felicidade)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Daniel Kaluuya (Judas e o Messias Negro)
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Emerald Fennell (Bela Vingança)
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Christopher Hampton e Florian Zeller (Meu Pai)
MELHOR FILME EM LÍNGUA NÃO-INGLESA: Druk: Mais Uma Rodada (Dinamarca)
MELHOR DOCUMENTÁRIO: Professor Polvo
MELHOR ANIMAÇÃO: Soul
MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL: Jon Batiste, Trent Reznor e Atticus Ross (Soul)
MELHOR FOTOGRAFIA: Joshua James Richards (Nomadland)
MELHOR MONTAGEM: Mikkel EG Nielsen (O Som do Silêncio)
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO: Donald Graham Burt e Jan Pascale (Mank)
MELHOR FIGURINO: Ann Roth (A Voz Suprema do Blues)
MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADOS: Larry M. Cherry, Matiki Anoff, Mia Neal e Sergio Lopez-Rivera (A Voz Suprema do Blues)
MELHOR SOM: Carlos Cortés, Jaime Baksht, Michelle Couttolenc, Nicolas Becker e Phillip Bladh (O Som do Silêncio)
MELHORES EFEITOS VISUAIS: Andrew Jackson, Andrew Lockley e Scott Fisher (Tenet)
MELHOR ROTEIRISTA, DIRETOR OU PRODUTOR BRITÂNICO REVELAÇÃO: Remi Weekes (Roteiro e Direção), por O Que Ficou Para Trás
MELHOR CURTA-METRAGEM BRITÂNICO: The Present
MELHOR CURTA-METRAGEM BRITÂNICO DE ANIMAÇÃO: The Owl and the Pussycat
EE RISING STAR AWARD: Bukky Bakray

Os vencedores do Screen Actors Guild Awards 2021

Viola Davis conquista o sexto SAG de sua carreira por A Voz Suprema do Blues.

Os vencedores do Screen Actors Guild Awards reforçaram uma ótima tendência dessa temporada: é claro que algumas categorias já estão muito bem encaminhadas (ator para Chadwick Boseman e ator coadjuvante para Daniel Kaluuya), mas ainda há muito a ser definido, especialmente entre as atrizes. Não é sempre que vemos uma falta de consenso tão grande na temporada, onde, por exemplo, o Globo de Ouro premia Andra Day por The United States vs. Billie Holiday, Carey Mulligan ganha o Critics’ Choice por Bela Vingança e agora Viola Davis é consagrada por A Voz Suprema do Blues no SAG (o sexto de sua carreira!).

A situação é a mesma em atriz coadjuvante, com prêmios divididos entre Maria Bakalova (Critics’ Choice) e Yuh-jung Youn (SAG), com Jodie Foster, vencedora do Globo de Ouro, ausente no Oscar. O gosto amargo ficou com a vitória de Os 7 de Chicago em melhor elenco, em uma decisão inexplicável do corpo de votantes que, no ano passado, foi o primeiro grande prêmio a colocar Parasita no topo. Em uma seleção com três elencos negros e um asiático concorrendo, o SAG optou por celebrar o único branco e masculino. Foi a maior frustração de uma noite que, no geral, fluiu com agilidade preservou o tom de incertezas visto até aqui.

Confira abaixo a lista de vencedores:

CINEMA

MELHOR ELENCOOs 7 de Chicago
MELHOR ATRIZ: Viola Davis (A Voz Suprema do Blues)
MELHOR ATOR: Chadwick Boseman (A Voz Suprema do Blues)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Yuh-jung Youn (Minari)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Daniel Kaluuya (Judas e o Mesias Negro)

SÉRIES, MINISSÉRIES E TELEFILMES

MELHOR ELENCO – DRAMAThe Crown
MELHOR ELENCO – COMÉDIASchitt’s Creek
MELHOR ATRIZ – DRAMA: Gillian Anderson (The Crown)
MELHOR ATOR – DRAMA: Jason Bateman (Ozark)
MELHOR ATRIZ – COMÉDIA: Catherine O’Hara (Schitt’s Creek)
MELHOR ATOR – COMÉDIA: Jason Sudeikes (Ted Lasso)
MELHOR ATRIZ – MINISSÉRIE/TELEFILME: Anya Taylor-Joy (O Gambito da Rainha)
MELHOR ATOR – MINISSÉRIE/TELEFILME: Mark Ruffalo (I Know This Much is True)

Apostas para o Screen Actors Guild Awards 2021

O Screen Actors Guild Awards marca hoje (04) mais um capítulo desta que é a temporada de premiações mais longa de que temos notícia, uma consequência, claro, dos tempos de exceção que vivemos com a chegada da Covid-19. A cerimônia não será ao vivo, já que os organizadores do SAG optaram por um pré-gravação que será compactada em um programa de uma hora de duração. Ou seja, nessa altura do campeonato, os atores já sabem se venceram ou não o prêmio. Para o público, o resultado será revelado a partir das 22h, sem transmissão aqui no Brasil.

As vitórias do SAG serão importantes para esclarecer os caminhos de categorias bastante divididas, como a de melhor atriz coadjuvante, por exemplo, onde a vencedora do Globo de Ouro (Jodie Foster, por The Mauritanian) sequer concorre aqui. Teria Maria Bakalova, portanto, o apoio dos atores por um filme de comédia tão específico e lançado diretamente em streaming? Parece que sim, mas tudo pode acontecer nessa categoria. Também é hora de saber a real aderência de Carey Mulligan, que, por Bela Vingança, ganhou apenas o Critics’ Choice até agora, perdendo o seu esperado Globo de Ouro para Andra Day em The United States vs. Billie Holiday, outra atriz ausente na lista do SAG.

Entre os homens, a situação parece melhor definida, ainda que fique a dúvida: será que Chadwick Boseman fatura mesmo o prêmio como protagonista por A Voz Suprema do Blues? Ou o SAG optará por premiá-lo como coadjuvante por Destacamento Blood para, enfim, dar a sua primeira estatueta Anthony Hopkins? É possível. Por fim, o prêmio de melhor elenco que até pouco tempo atrás parecia certo para Os 7 de Chicago perdeu tração nas últimas semanas considerando a má performance do filme de Aaron Sorkin nas premiações, o que pode abrir caminho para Minari, filme amplamente abraçado pelo Oscar e que pode repetir o feito de Parasita no ano passado ao faturar a categoria principal.

Confira abaixo a nossa lista de apostas:

CINEMA

MELHOR ELENCO: Minari / alt: Os 7 de Chicago
MELHOR ATRIZ: Carey Mulligan (Bela Vingança) / alt: Viola Davis (A Voz Suprema do Blues)
MELHOR ATOR: Chadwick Boseman (A Voz Suprema do Blues) / alt: Anthony Hopkins (Meu Pai)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Maria Bakalova (Borat: Fita de Cinema Seguinte) / alt: Olivia Colman (Meu Pai)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Daniel Kaluuya (Judas e o Mesias Negro) / alt: Chadwick Boseman (Destacamento Blood)

SÉRIES, MINISSÉRIES E TELEFILMES

MELHOR ELENCO – DRAMAThe Crown / alt: Ozark
MELHOR ELENCO – COMÉDIA: Schitt’s Creek / alt: The Great
MELHOR ATRIZ – DRAMA: Emma Corrin (The Crown) / alt: Gillian Anderson (The Crown)
MELHOR ATOR – DRAMA: Josh O’Connor (The Crown) / alt: Jason Bateman (Ozark)
MELHOR ATRIZ – COMÉDIA: Catherine O’Hara (Schitt’s Creek) / alt: Kayley Cuoco (The Flight Attendant)
MELHOR ATOR – COMÉDIA: Jason Sudeikes (Ted Lasso) / alt: Eugene Levy (Schitt’s Creek)
MELHOR ATRIZ – MINISSÉRIE/TELEFILME: Anya Taylor-Joy (O Gambito da Rainha) / alt: Michaela Coel (I May Destroy You)
MELHOR ATOR – MINISSÉRIE/TELEFILME: Mark Ruffalo (I Know This Much is True) / alt: Hugh Grant (The Undoing)

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