Cinema e Argumento

Road to the Oscars – Meryl Streep.

Meryl Streep, por Dúvida

Até um certo tempo atrás, ela era a favorita para o prêmio da Academia. Mas, se formos levar em consideração as últimas listas publicadas por alguns prêmios, Streep só deve preencher listas nas premiações mais importantes. Seu favoritismo caiu bastante e hoje seu nome é um dos menos cogitados para vencer prêmios significativos. Uma pena, pois já está na hora de ela ser celebrada novamente, principalmente porque ela não é uma senhora “do passado”. Sempre atual, surpreendente e arrasadora. Quem sabe o afeto do Globo de Ouro por ela não reverte essa situação?

Potencial para indicação ao Oscar:


Madagascar 2

Direção: Eric Darnell e Tom McGrath

Com as vozes de Ben Stiller, Chris Rock, David Schwimmer, Sacha Baron Cohen, Bernie Mac, Alec Baldwin

EUA, 2008, Animação, 90 minutos, Livre.

Sinopse: Alex (Ben Stiller), Marty (Chris Rock), Melman (David Schwimmer), Gloria (Jada Pinkett Smith), rei Julien (Sacha Baron Cohen), Maurice (Cedric the Entertainer), os pingüins e os chimpanzés estão no longínquo litoral de Madagascar. Para deixar o local os pingüins consertam um velho avião de guerra, mas logo em seu 1º vôo ele cai. Isto faz com que os animais do zoológico de Nova York tenham que lidar, pela 1ª vez na vida, com espécies semelhantes a eles, só que habituadas à vida selvagem.

Madagacar 2 atinge o lugar comum e não consegue se diferenciar no gênero. Agrada o público infantil, mas deixa a desejar para o público mais crítico.”

Atualmente, é extremamente complicado ser uma animação. Não me refiro a questões financeiras – esse gênero sempre tem o seu público garantido, independente da produção – mas sim a questões de qualidade. Desenhos simples não funcionam mais, não como antigamente. A explicação para isso é óbvia e tem um nome: Pixar. Depois que a produtora aumentou potencialmente a qualidade de seus filmes, fica difícil para um cinéfilo entrar de cabeça em uma animação tão óbvia e comum como Madagascar 2.

A continuação dirigida por Eric Darnell e Tom McGrath agrada bastante as crianças (ao menos na sessão em que eu estava elas deram altas risadas), mas acho difícil que alguém com senso mais crítico curta tanto quanto elas. A razão é evidente – o longa é uma repetição do que já vimos nesse gênero. Aqui não faltam animais falantes, situações surreais, trapalhadas para causar graça, vilões caricatos e final feliz. Tudo temperado por um tom correto e sem maiores falhas.

O empecilho de Madagascar 2 é a sua obviedade. O roteiro não se preocupa em originalizar as tramas e simplesmente se aproveita do visual e dos personagens para suprir a falta de uma história mais consistente. Não vejo motivos para essa continuação ter sido feita, já que fica devendo bastante no quesito roteiro. De qualquer forma, apesar das irregularidas, Madagascar 2 tem algumas boas tiradas e personagens divertidos. Não é obrigatório uma animação ser da qualidade da Pixar. Basta não ser tão comum.

FILME: 6.0

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Melhores de 2008 – Canção Original

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Apenas Uma Vez é um dos longas mais bem sucedidos musicalmente dos últimos anos. Todas as canções do filme são essenciais para construir a relação entre os protagonistas. Porém, existe uma que se destaca mais que as outras: Falling Slowly, vencedora do Oscar desse ano. Se a cena da canção já emociona, ela ainda é repetida de forma muito sentimental no desfecho do filme, tangendo a perfeição e transmitindo toda a sinceridade que a modesta produção possui. Falling Slowly é uma das canções mais bonitas já premiadas pela Academia e mesmo quem não viu Apenas Uma Vez, possivelmente vai achar o resultado lindo.

songwalle“Down To Earth” (WALL-E) / Eu já tinha acabado de ver WALL-E com um brilho nos olhos diante do resultado. O filme já tinha terminado mas ainda tinha uma bela surpresa – essa linda canção interpretada por Peter Gabriel nos créditos finais. Extremamente viciante e condizente com a mensagem que o filme propõe, Down To Earth é uma das melhores canções que o mundo das animações já nos proporcionou. Irresistível.

songbucket“Say” (Antes de Partir) / De vez em quando é excelente se divertir com clichês. E Say, do mediano Antes de Partir, é exatamente isso – um guilty pleasure irresistível. Por alguma razão, a canção interpretada por John Mayer conquista com a maior facilidade e resume muito bem toda a mensagem que o filme quer transmitir. Nada especial, mas uma música bem satisfatória para os padrões do filme.

songwild1“Guaranteed” (Na Natureza Selvagem) / As canções de Eddie Vedder para Na Natureza Selvagem foram essenciais para que o filme pudesse contar a sua história. Nenhuma é particularmente mais importante que a outra, mas Guaranteed foi a que mais se destacou (e também a grande aposta do filme nas premiações). Muito justo, a canção foi escrita de forma excepcional. Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Canção.

songwild2“Society” (Na Natureza Selvagem) / Guaranteed pode até ser a canção de maior destaque do longa de Sean Penn, mas é a subestimada Society que melhor representa a jornada do jovem Chris McCandless. Assim como todas as canções da trilha sonora, essa tem uma letra fenomenal e ainda consegue ter uma excelente sonoridade para criar uma bela harmonia musical. Merecia até mais reconhecimento na trilha.

Os visitantes concordaram com a escolha do Cinema e Argumento e também elegeram Apenas Uma Vez como o melhor da categoria. Abaixo, a preferência dos visitantes na pesquisa realizada:

1. “Falling Slowly” – Apenas Uma Vez (46%, 12 votos)

2. “Down To Earth” – WALL-E (23%, 6 votos)

3. “Guaranteed” – Na Natureza Selvagem (15%, 4 votos)

4. “Society” – Na Natureza Selvagem (12%, 3 votos)

5. “Say” – Antes de Partir (4%, 1 voto)

Os bons tempos do Globo de Ouro?

Durante um bom tempo o Globo de Ouro foi um preciso termômetro para o Oscar. Contudo, nos últimos anos, não foi. A premiação sempre cria boas especulações para o prêmio da Academia com os seus indicados, mas deixa muito a desejar com suas vitórias. Caso de Dreamgirls e Sweeney Todd como melhores musicais nos últimos anos, por exemplo. Portanto, o Globo de Ouro é muito aproveitável na hora de seus indicados, que refletem muito bem a tendência para a festa do Kodak Theater a ser realizada em fevereiro.

Milk, de Gus Van Sant, pode ser considerado o mais esnobado entre os filmes que  mais prometiam indicações. Mas nada supera o total esquecimento de Australia (que deve repetir esse resultado nas próximas premiações) e o surpreendente esquecimento de Batman – O Cavaleiro das Trevas (que só foi lembrado pelo desempenho de Heath Ledger, provável vencedor em sua categoria). Na categoria de TV a surpresa ficou com Bernard & Doris, telefilme nada mais que regular, que conseguiu indicação até na categoria principal.

Revolutionary Road e The Curious Case Of Benjamim Button já podem caminhar tranquilos pela temporada de premiações, assim como a animação WALL-E. Pequenas surpresas surgiram, como Vicky Cristina Barcelona surgindo com grande força – mesmo que isso não diga nada, já que Match Point mal foi lembrado no Oscar – e The Reader adquirindo grande potência ao disputar várias categorias importantes.

Mesmo que as categorias principais sejam bastante interessantes, nada supera a extrema imprevisibilidade nos setores de atuação. A única certeza é Heath Ledger, enquanto outras categorias apresentam grande variedade de desempenhos. Meryl Streep e Kate Winslet confirmaram seus favoritismos, com ambas recebendo duas indicações cada. No setor dramático de interpretações, quem domina é Doubt (nada menos que quatro atores do filme disputam a premiação e o filme ainda disputa roteiro) enquanto na comédia é Vicky Cristina Barcelona quem comanda.

Faz bastante tempo que o Globo de Ouro não apresentava uma lista tão imprevisível e satisfatória. Resta saber se vai manter a qualidade em seus vencedores. Estariam de volta os bons tempos do Globo de Ouro?

Melhores de 2008 – Fotografia

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Fazia bastante tempo que uma fotografia não apresentava um caráter tão  complexo e de difícil aceitação como esse. É exatamente por ser tão diferente que a fotografia de César Charleone acaba encantando tanto. Muita gente vai reclamar que, em diversos momentos, quase não se enxerga nada na tela. Missão cumprida, essa era a intenção da fotografia – passar para o espectador como é a cegueira branca que atinge os personagens do filme de Meirelles. Não posso negar que demorei a me acostumar com o trabalho e que em diversos momentos não o tolerei muito, mas tudo é tão cuidadoso, minuciosamente controlado, que fica difícil resistir a um visual tão inovador como esse. Vencedor do ano passado: O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford.

O Escafandro e a Borboleta / A função da fotografia de O Escafandro e a Borboleta é parecida com a de Ensaio Sobre a Cegueira – mostrar para o espectador como o personagem está enxergando. Mas não é só isso que faz com que o filme de Julian Schnabel seja tão espetacular nesse aspecto. Cada paisagem é capturada da maneira correta, cada momento tem cores únicas e nada fica inapropriado diante de tanta beleza.

cinemaatoneDesejo e Reparação / Em certos momentos, Desejo e Reparação parece uma obra de arte – no plano seqüência de Dunkerke, no desfecho dos personagens narrados por Vanessa Redgrave, nas belas paisagens do primeiro ato. A fotografia confere um tom muito respeitoso ao longa e ela é um dos fatores que faz com que tudo nos remetae aos antigos e clássicos romances que tanto fizeram sucesso no cinema.

Sangue Negro / Não entendi muito bem o Oscar de fotografia para Sangue Negro. Não é que seja ruim (muito pelo contrário!), mas não é tão espetacular assim. Realiza um caminho correto e apropriado, mas sem grande presença. Ainda assim tem alguns momentos mais notáveis, principalmente na cena em que um acidente causa a surdez do filho do protagonista. O resto é bem equilibrado e coerente com o clima do filme.

cinemacountry1Onde Os Fracos Não Têm Vez / Ano passado Roger Deakins realizou a esplêndida fotografia de O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford e em Onde Os Fracos Não Têm Vez ele realiza mais um excelente trabalho. O clima sombrio que envolve a ação do filme é fundamental para que os irmãos Coen criem a grande tensão existente em cada cena. Um trabalho menor, mas igualmente satisfatório.

Os visitantes concordaram com a escolha do Cinema e Argumento e também elegeram Ensaio Sobre a Cegueira como o melhor da categoria. Abaixo, a preferência dos visitantes na pesquisa realizada:

1. Ensaio Sobre a Cegueira (42%, 13 votos)

2. O Escafandro e a Borboleta (26%, 8 votos)

3. Desejo e Reparação (13%, 4 votos)

4. Sangue Negro (13%, 4 votos)

5. Onde Os Fracos Não Têm Vez (6%, 2 votos)