Cinema e Argumento

Melhores de 2008 – Figurino

art05

Eu aceito qualquer tipo de reclamação sobre o roteiro de Elizabeth – A Era de Ouro e até mesmo da personificação apresentada pela protagonista Cate Blanchett. O que não acho justo é o lado técnico do longa ser criticado. Assim como diversos pontos do filme, a roupagem tem seus exageros, mas é um dos pontos altos do criticado longa de Shekar Kapur. Toda a grandiosidade da realeza na época em que a rainha Elizabeth I derrotou a Incrível Armada Espanhola é minuciosamente capturada pelos soberbos figurinos. A dedicação com as roupas é visível, uma vez que tudo é perfeitamente capturado em cada detalhe. E, ao contrário do que muitos dizem, o Oscar para essa categoria foi sim bastante merecido. Vencedor do ano passado: Maria Antonieta.

costumesexSex And The City / Sem dúvida alguma é o figurino mais variado (até porque a cada cena as personagens trocam de roupa) e o mais fashion dos indicados. O que me leva a não premiar Sex And The City é o fato de que as roupagens não são usados com intuito cinematográfico. Todo mundo sabe que os dólares gastos nas roupas são só pra encantar os olhos femininos e não para encantar tecnicamente como cinema.

costumeatonementDesejo e Reparação / Não é só o badalado vestido verde que a Keira Knightley usa em Desejo e Reparação que faz com que o filme esteja nessa lista. Todas as fases históricas representadas no romance-épico dirigido por Joe Wright têm grande representação através dos figurinos. Isso também se vale para a triste jornada guerrilheira de Robbie (James McAvoy) e para a tentativa de redenção de Briony (Saoirse Ronan).

costumesavagePecados Inocentes / Pecados Inocentes pode ser cafona em diversos aspectos (principalmente na trilha sonora), mas não é no figurino. Aliás, é a parte mais interessante de todo o setor técnico. Claro que todo o glamour gira em torno da figura de Julianne Moore – que tem roupas realmente acima do esperado – mas isso não importa, Pecados Inocentes acerta em sua roupagem e é um dos melhores trabalhos do ano.

costumesweeneySweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet / Colleen Atwood é uma grande figurinista e seu trabalho no musical Sweeney Todd não poderia ser menos que fenomenal. As roupas ajudam Tim Burton a imprimir o seu habitual tom sombrio na história, traduzindo todo o mistério da suja Londres representada no roteiro. Mesmo que não seja nada muito original, cada peça encanta com sua ótima competência.

Os visitantes discordaram da escolha do Cinema e Argumento e elegeram Desejo e Reparação como o melhor na categoria. O escolhido do blog, Elizabeth – A Era de Ouro, ficou em segundo lugar. Abaixo, a preferência dos leitores na pesquisa realizada:

1. Desejo e Reparação (37%, 7 votos)

2. Elizabeth – A Era de Ouro (26%, 5 votos)

3. Sweeney Todd (26%, 5 votos)

4. Pecados Inocentes (5%, 1 voto)

5. Sex And The City (5%, 1 voto)

A Noite do Globo de Ouro

Até então Kate Winslet estava completamente sem rumo nas premiações. E continua. Quando ela subiu ao palco para receber o prêmio de melhor atriz coadjuvante por O Leitor, pensei que finalmente um objetivo tinha se firmado na campanha de Kate para o Oscar. Pensei que, a partir daquele momento, ela se consolidaria como a favorita nessa categoria. O problema é que ela venceu também na categoria de melhor atriz dramática, o que embaralha mais ainda a cabeça dos votantes da Academia. Se a indicação-dupla se repetir dia 22 de fevereiro, no anúncio dos indicados ao Oscar, Kate continua sem rumo – uma vez que é quase impossível que ela vença nas duas categorias no maior prêmio do cinema. Não acho que ela seja tão merecedora de um Oscar de atriz; não dessa vez. Foi Apenas Um Sonho é um longa bem mediano e está longe de representar um dos melhores momentos da atriz, apesar da ótima atuação. Mas devo confessar que fiquei incrivelmente feliz pela consagração – convenhamos, muito tardia – dessa estrela de quinta grandeza que alcançou um nível espetacular da sua carreira. Minha querida e favorita Meryl saiu de mãos vazias (coitada, nem teve destaque), mas só a dupla vitória de Kate já me deixou satisfeito.

A festa, no geral, foi boa por causa da ansiedade pelos prêmios. Não teve nenhum discurso muito especial – com excessão do segundo de Kate, onde ela estava visualmente muito emocionada – e tudo aconteceu conforme o planejado. Acho que depois de muitos anos errando o vencedor do Oscar, o Globo de Ouro finalmente vai acertar. Slumdog Millionaire se consagrou totalmente – deixando o pobre Curioso Caso de Benjamin Button sem um mísero prêmio – e só não vence o Oscar se der um surto mental na cabeça dos votantes. O que costuma acontecer com certa frequência. Um prêmio inutil foi o de Colin Farrel, já que eu acho muito improvável que ele chegue muito longe nessa temporada de premiações. O resto foi previsível – Ledger como coadjuvante, Mickey Rourke como ator em drama (mas precisava aparentar tão louco assim?), The Wrestler como canção, Vicky Cristina Barcelona como melhor filme comédia/musical e Slumdog Millionaire vencendo filme dramático, roteiro, trilha sonora e diretor.

Na parte da televisão, no entanto, a distribuição de prêmios foi mais previsível. 30 Rock repetiu o feito do Emmy e se consagrou nas categorias de melhor série, ator e atriz comédia/musical. Foi legal, mesmo que de novo, ver a engraçada turma do seriado recebendo esses tão merecidos prêmios. Pensei até que o Globo de Ouro ia deixar a minissérie John Adams de lado e premiar outros veteranos que estavam concorrendo, como Susan Sarandon, Judi Dench, Shirley McLaine e Kevin Spacey, mas a premiação seguiu o esquema e deu os prêmios de minissérie, atriz, ator e ator coadjuvante para a produção da HBO. A HBO, aliás, alcançou um notável número de prêmios, e alguns até mesmo questionáveis. Como o da Anna Paquin, por exemplo. Ela está ótima em True Blood, mas não era merecedora de um prêmio tão importante como esse. Acho inclusive que a Sally Field merecia mais. E coitado do Michael C. Hall, hein? Mais um ano perdendo por Dexter. E perder logo pro Gabriel Byrne, que eu acho que é ofuscado pelos coadjuvantes em In Treatment. Sem falar que ele nem foi na festa. E como faltou gente nessa festa!

A Troca

Direção: Clint Eastwood

Elenco: Angelina Jolie, John Malkovich, Amy Ryan, Jeffrey Donovan, Frank Wood, Michael Kelly, Colm Feore

Changeling, EUA, 2008, Drama, 140 minutos, 16 anos.

Sinopse: Los Angeles, março de 1928. Christine Collins (Angelina Jolie), uma mãe solteira, se despede de Walter (Gattlin Griffith), seu filho de 9 anos, e parte rumo ao trabalho. Ao retornar descobre que Walter desapareceu, o que faz com que inicie uma busca exaustiva. Cinco meses depois a polícia traz uma criança, dizendo ser Walter. Atordoada pela emoção da situação, além da presença de policiais e jornalistas que desejam tirar proveito da repercussão do caso, Christine aceita a criança. Porém, no íntimo, ela sabe que ele não é Walter e, com isso, pressiona as autoridades para que continuem as buscas por ele.


 

Todo cinéfilo já deve ter visto, alguma vez na vida, um filme em que uma mãe tenta provar que não está louca. Caso de alguns desastres como Os Esquecidos, A Cor de Um Crime e Protegida Por Um Anjo. Esse filme de Clint Eastwood, A Troca, utiliza esse pretexto para construir sua trama. Christine Collins (Angelina Jolie) é uma mãe que tem seu filho desaparecido. Quando a polícia anuncia que seu filho foi achado, ela alega que a criança não é o seu herdeiro de sangue. A partir daí, então, ela tenta provar de todas as maneiras que existe alguma conspiração contra ela e que a polícia lhe trouxe a criança errada.

Claro que um diretor do calibre de Clint Eastwood não cairia em armadilhas típicas desse estilo de filme. E ele não cai mesmo, A Troca é desprovido de qualquer absurdo narrativo ou de bobagens que levem o filme em direção à catástrofe. Tentando evitar erros, Clint caiu em outra armadilha – ao tentar imprimir um tom correto ao longa, perdeu-se em um tratamento preso a esquemas, onde o roteiro é correto demais. E longo também, já que – quando se aproxima do desfecho – o filme parece interminável. A história não precisava ser tão detalhada, narrando minuciosamente cada acontecimento do caso policial que está sendo contado (cansa ver tanta coisa como julgamento, prisão, manicômio e enforcamento num mesmo filme) . Ainda assim, o roteiro permanece como satisfatório em sua condução, mas com bastantes falhas de ritmo.

A estrela de A Troca, obviamente, é Angelina Jolie. Ela, que faz bastante tempo que se empenha para mostrar que não é apenas uma linda mulher e que seu Oscar por Garota Interrompida não foi uma injustiça, tem aqui sua melhor interpretação desde o prêmio da Academia. Fica visível que a sua personagem é óbvia e seu drama é previsível, mas Jolie está extremamente verossímil no papel de Christine Collins. Está bem superior ao seu acalmado trabalho do ano passado em O Preço da Coragem. A perfeita direção de arte, a ótima fotografia, a trilha sonora com jeito de clássica (mas que é repetida a exaustão) e o ótimo desempenho de Jolie conferem competência ao resultado final de A Troca. O problema é que o filme deveria ter sido trabalhado de outra maneira, não de forma tão óbvia como essa. Ao menos era de se esperar algo mais contundente de um diretor tão bom.

FILME: 6.0

25

Apostas Para o Globo de Ouro

Post atualizado com as duas categorias que haviam sido esquecidas: Atriz Coadjuvante e Ator Coadjuvante

Ano passado nem festa o Globo de Ouro teve, e confesso que não senti muita falta. Claro que é sempre ótimo ver toda aquela badalação e artistas subindo no palco, mas o Globo de Ouro sempre tem a forte característica de ser uma premiação tediosa. Sem falar que normalmente não acerta os vencedores do Oscar (e em alguns casos nem os indicados). Esse ano a premiação parece ter voltado aos seus bons tempos. O que resta saber é se seus vencedores vão manter a boa distribuição de sua lista de nomeados. Abaixo, minhas apostas, com comentário em cada categoria.

Melhor Filme Drama

O Curioso Caso de Benjamin Button

Alt: Slumdog Millionaire

Nos últimos tempos essa categoria vem errando bastante o vencedor principal do Oscar, simplesmente pelo fato de consagrar aquela produção que desde o início é considerada favorita. O problema é que O Curioso Caso de Benjamin Button já não é tão favorito como antes – visto que Slumdog Millionaire está conquistando muito mais prêmios. Desejo e Reparação, Babel e O Segredo de Brokeback Mountain. Todos eles tinham cara de Oscar e não venceram o prêmio da Academia. O Curioso Caso de Benjamin Button tem o mesmo perfil e por isso acredito que novamente o Globo de Ouro premiará um filme desse tipo. Não pode deixar de se desconsiderar, claro, outro favorito da temporada, o próprio Slumdog Millionaire.

Melhor Filme Comédia/Musical

Vicky Cristina Barcelona

Alt: Queime Depois de Ler

O Globo de Ouro gostou mesmo de Vicky Cristina Barcelona. Chegou até o ponto de indicar uma atriz inesperada mas também merecedora (Rebeca Hall). Campeão de indicações no setor dos filmes de comédia/musical, o mais novo trabalho de Woody Allen vem com grande força para vencer o prêmio. E não é pra menos, fazia bastante tempo que o diretor não trabalhava a suas origens – filmes sobre relacionamentos que misturavam diálogos inteligentes, comédia, drama e romance. Vicky Cristina Barcelona consegue fazer isso com muito charme. Só a sua estrutura excessivamente convencional pode atrapalhar a sua vitória e dar espaço para  Queime Depois de Ler. Afinal, o prêmio não consagrou os irmãos Coen ano passado… Em escala bem menor, mas nem por isso impossível, Mamma Mia! que assustadoramente se tornou um fenômeno inesperado de bilheteria no mundo inteiro.

Melhor Atriz Drama

Kate Winslet, por Foi Apenas Um Sonho

Alt: Meryl Streep, por Dúvida

É uma verdade absoluta e que todo mundo concorda: Kate Winslet já merece um prêmio significativo faz horas. Se já é difícil acreditar que ela não tem Oscar, mais incompreensível ainda é ver que ela não tem um mísero Globo de Ouro. Mesmo que eu acredite que ela saia de mãos vazias novamente do Kodak Theater esse ano, vai ser bem difícil o Globo de Ouro ignorá-la. É difícil saber em que categoria ela vai se sair vencedora, mas eu acho que a mais provável é em Atriz Drama. Tem a concorrência de Meryl Streep (favorita e queridinha do prêmio) e o forte nome de Anne Hathaway, mas acho que ambas não têm motivos para serem premiadas dessa vez. Streep por ser uma veterana na categoria dramática e Hathaway por ainda não ser um nome sólido. Por mais que Foi Apenas Um Sonho tenha sido solenemente ignorado nas últimas listas divulgadas por aí, é sempre o nome de Winslet que faz com que o filme seja lembrado. E o fracasso do longa não deve ser empecilho para a atriz se sair vencedora.

Melhor Atriz Comédia/Musical

Meryl Streep, por Mamma Mia!

Alt: Sally Hawkins, por Simplesmente Feliz

Desde quando acabei de assistir Mamma Mia! tive a certeza de que Meryl Streep seria forte concorrente ao Globo de Ouro nessa categoria. É certo que as duas indicações da atriz podem fazer com que ela saia sem nada, mas acho meio difícil que o Globo de Ouro deixe de premiar um trabalho tão descontraído dela como esse. Recentemente premiada nessa categoria por O Diabo Veste Prada, Streep tem tudo pra ganhar o prêmio aqui. Sally Hawkins – uma das favoritas – tem um perfil muito independente para vencer, principalmente em uma festa tão comercial e que ilumina os artistas mais em alta da temporada. É por não conseguir ganhar por Dúvida que ela terá também aqui um prêmio de consolação. Cheia de prêmios ou não, acredito que Streep não poderia deixar de ser celebrada nesse ano. E o sucesso comercial de Mamma Mia! só impulsiona a sua vitória.

Melhor Ator Drama

Mickey Rourke, por O Lutador

Alt: Sean Penn, por Milk – A Voz da Igualdade

Di Caprio já tem o seu Globo de Ouro (por O Aviador), Brad Pitt apesar de indicado não tem forças e Frank Langella parece ser o azarão da categoria. O prêmio fica entre Sean Penn e Mickey Rourke. Penn já tem o prêmio em casa (e vale citar também que Milk foi bastante ignorado na lista), o que abre bastante espaço para uma provável e não-surpreendente vitória de Mickey Rourke, por  O Lutador. Não há muito o que comentar por aqui, uma vez que a concorrência não é tão grande e os candidatos nem são tão interessantes aqui. No final das contas, independente do vencedor, não teremos maiores surpresas.

Melhor Ator Comédia/Musical

Javier Bardem, por Vicky Cristina Barcelona

Alt: Dustin Hoffman, por Last Chance Harvey

Javier Bardem já venceu ano passado por Onde Os Fracos Não Têm Vez, mas é bem provável que vença de novo esse ano. Com uma naturalidade de impressionar e um papel muito bem conduzido, Bardem consegue ficar no mesmo nível (e, por muitas vezes, até bem melhor) de suas belas colegas de Vicky Cristina Barcelona. A concorrência não é grande, e Bardem está em mais um momento iluminado de sua carreira. Dos outros concorrentes, quem também pode levar – em chance menor – é Dustin Hoffman por Last Chance Harvey. Todo mundo sabe que o Globo de Ouro tem uma certa queda por atores veteranos e costuma premiá-los em momentos bem inusitados. Quem sabe isso não ocorre aqui também?

Melhor Atriz Coadjuvante

Penélope Cruz, por Vicky Cristina Barcelona

Alt: Kate Winslet, por O Leitor

Recordista de prêmios da temporada e merecedora de todos os elogios que lhe são dados, Panélope Cruz vem com força total para ganhar na categoria. Como possivelmente não tenha tanto fôlego para ser premiada com o Oscar (que, possivelmente, deve ir para Viola Davis ou Kate Winslet), deve ser lembrada aqui, exatamente por ter o perfil que o Globo de Ouro aprecia. Sua maior concorrente é Kate Winset, por O Leitor – se ela não vencer como atriz em drama, deve ter aqui seu prêmio de consolação. Mas em primeira análise, é Penélope que dispara, merecidamente, como grande favorita.

Melhor Ator Coadjuvante

Heath Ledger, por Batman – O Cavaleiro das Trevas

Alt: Philip Seymour Hoffman, por Dúvida

O falecido Heath Ledger já tinha sua vitória cantada por parte do público antes mesmo de sua indicação se confirmar nos prêmios. O fato é que o tempo passou e nenhum candidato em potencial apareceu. Legder, então, confirma-se como o favorito absoluto para o prêmio. Absoluto no sentido literal da palavra. E como já foi mencionado pelo Vinícius em um comentário aqui no blog, ficaria muito feio se não premiarem ele.

Outras Categorias:

  • Filme estrangeiro: Gomorra
  • Animação: WALL-E
  • Trilha sonora: O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Canção original: “The Wrestler”
  • Roteiro: Slumdog Millionaire
  • Direção: Danny Boyle

Road to the Oscars – Heath Ledger

Heath Ledger, por Batman – O Cavaleiro das Trevas

Tá certo, todo mundo já cantava a vitória do Heath Ledger antes mesmo das épocas de premiação. Eu era meio averso a esse tipo de atitude, mas agora que nenhum real adversário apareceu para combater Ledger, a consagração póstuma do seu nome já é certa – e merecida. Num ano em que o setor das atuações nas premiações é tão incerto (e fraca, principalmente entre os masculinos coadjuvantes), Ledger é a única certeza. Surpreendente e marcante no papel do insano Coringa, o ator se confirma como o vencedor absoluto em sua categoria nas diversas listas de prêmios que estão sendo divulgadas.

Potencial para indicação ao Oscar: