Cinema e Argumento

50º Festival de Cinema de Gramado #4: “A Mãe”, de Cristiano Burlan

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Durante a programação de debates do 50º Festival de Cinema de Gramado, uma espectadora contou ao diretor Cristiano Burlan que A Mãe a deixou sem lágrimas, mas com o coração apertado. Faço coro a ela porque o longa estrelado por Marcélia sobre uma vendedora ambulante que busca a verdade sobre a morte de seu filho rejeita abertamente as lágrimas para mergulhar na angústia de uma situação complicadíssima vivida por essa mulher. Não bastasse a morte do filho e o fato de o corpo não ter sido encontrado, tudo indica que ela se deu pelas mãos da polícia militar, revelando feridas ainda pouco discutidas pela sociedade brasileira.

Tematicamente, A Mãe é um prato cheio para uma série de debates. Burlan, que escreveu o roteiro ao lado de Ana Carolina Marinho, tece toda a narrativa a partir da busca incessante de Maria (Marcélia Cartaxo) pela verdade ao mesmo tempo em que deixa observações muito evidentes, como a de que a polícia militar não está ausente nas favelas e periferias, mas, na verdade, presente até demais, criminalizando vidas e vivências que deveriam ser discutidas antes de tudo. Adotar um certo tom documental contribui para a atmosfera realista de denúncia, de forma que A Mãe passe longe de se tornar a dramatização protocolar de uma causa. 

A supressão das lágrimas potencializa o desconforto de um longa-metragem bastante consciente de sua natureza já trágica por natureza. O assassinato, a pobreza, o luto e a solidão, aliás, estão suficientemente representados no rosto sempre muito expressivo de Marcélia Cartaxo. Recém saída de sua performance já inesquecível em Pacarrete, ela muda de tom após ter vivido a bailarina repleta de sons e cores do filme de Allan Deberton. É impressionante como Cartaxo, tão miúda na vida real, sempre preenche a tela com sua força e versatilidade. Ela catapulta A Mãe com o grande talento que lhe é característico, ainda mais em um papel que rejeita o desespero estrondoso para oscilar entre o desamparo e a bravura.

Ao retratar um Brasil doído para o qual tantos fecham os olhos, Burlan coloca Maria em um local de total colapso social para mostrar que, sim, ali há vida, pessoas e sentimentos. A simples cena em que ele mostra duas versões de Maria estendendo roupas — uma sozinha e outra acompanhada do filho — é um excelente exemplo de como, vez ou outra, A Mãe poderia dar mais pinceladas criativas, sem que elas se configurassem como distração ou maneirismo. Mas isso já é adentrar o terreno da divagação. O que fica, ao fim e ao cabo, é a certeira disciplina de um projeto econômico no melhor sentido da palavra e que ressoa, justamente, por deixar no espectador o amargo desconforto de viver, por uma hora e meia, o incômodo provocado por presenças ausentes.

Festival de Cinema de Gramado #3: “Marte Um”, de Gabriel Martins

Mars One (Marte Um) - Still 1

Acabei não conseguindo escrever sobre Marte Um durante o último Festival de Sundance, mas a seleção para o Festival de Cinema de Gramado adiantou esse texto que ficara engavetado — o que não tem nada a ver com a qualidade do filme, bem pelo contrário. Na verdade, é muito afetuoso o retrato que o diretor Gabriel Martins (No Coração do Mundo) apresenta de uma família humilde e que sempre termina por encontrar o amor mesmo em todas as limitações e diferenças, sejam aquelas entre eles próprios ou com o mundo. Ou seja, o bem mais valioso de Marte Um é, por assim dizer, o interesse de Gabriel pela generosidade e pela conexão, um binômio sempre urgente e necessário.

O roteiro, também escrito pelo diretor, tem uma predileção inicial por narrativas múltiplas, montando um mosaico de forma gradativa, sem maior pressa. Isso funciona porque desdobra os personagens com atenção e intimidade, e também tem seus problemas porque nem todos os coadjuvante orbitantes ao personagem da vez funcionam, abrindo espaço para composições um tanto rasas ou descartáveis. Com isso, Marte Um também abre margem para traços mais novelescos, abraçados de maneira aparentemente consciente pelo diretor. Entretanto, a situação muda de cenário toda vez que o filme se dedica a abordar coletivamente os dramas daquela família, como um único núcleo.

Talvez esse ponto virada da minha relação com Marte Um se dê na cena em que Tércia (Rejane Faria) se vê no centro de uma daquelas pegadinhas ensaiadas para a televisão. Ao acreditar que está amaldiçoada diante de tantos azares na vida, ela visivelmente anseia por alguma fuga ou algum alento em seus dias. E essa busca por alguma alternativa parece ser um desejo — consciente ou não — de todos os membros da família Martins. Ainda há, por exemplo, o pai Wellington (Carlos Francisco), responsável por projetar no filho sonhos futebolísticos que, no fundo, muito provavelmente ele gostaria de ter realizado para si próprio. Por outro lado, Deivinho (Cícero Lucas) não tem qualquer interesse em ser um jogador. O que ele quer é se tornar astrofísico e participar de uma missão bilionária para colonizar Marte em 2030, na representação mais literal de um já citado sentimento de fuga.

As eventuais colisões ou intersecções dos sonhos e das vontades desses personagens se engrandecem mais nesse convívio do que quando os acompanhamos separadamente — e isso não deixa de estar intrinsicamente ligado ao fato de que Marte Um tem uma de suas maiores forças em um elenco precioso. Além de ter bons atores aproveitando uma sinergia palpável desde o primeiro momento, o filme tem grande equilíbrio no destaque proporcional dado a eles. Uma vez que todos, sem exceção, são figuras interessantes e verossímeis, isso é um ganho dos grandes. Meu destaque particular, entretanto, fica para a delicada relação entre Deivinho e sua irmã Eunice, dois filhos unidos por uma compreensão mútua do que são e sonham.

O simbolismo de Marte Um ter um personagem negro que se permite sonhar a carreira de astronauta é um belo contraste com o início do próprio filme, quando somos remontados ao dia 28 de outubro de 2018 e, mais especificamente, ao momento em que Jair Messias Bolsonaro se torna presidente do Brasil. A política do longa de Gabriel Martins não está na discussão verbal sobre política. Ela mora em representações corriqueiras e poderosas como essa. Como em O Novelo, outro filme exibido recentemente no Festival de Cinema de Gramado, temos, em Marte Um, um filme que aborda a representatividade negra por meio de um relato familiar cuja complexidade está nas diferenças do dia a dia, mas também cuja beleza está na generosidade e na empatia, duas forças que, no Brasil atual, revelam-se mais políticas do que nunca.

50º Festival de Cinema de Gramado #2: mais homenageados e uma edição com ingressos solidários

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Já premiada no Festival de Berlim por sua performance em Gloria, a atriz chilena Paulina García será homenageada com o Kikito de Cristal em Gramado.

As últimas novidades do Festival de Cinema de Gramado reforçaram a sensação de que a 50ª edição do evento será menos impactante do que poderia se esperar. Ainda assim, há o que se comemorar, como a merecida homenagem para a atriz chilena Paulina García, que receberá o Kikito de Cristal, troféu entregue a expoentes do cinema latino-americano. Em 2022, ela comemora 20 anos de carreira no cinema – e uma das mais bem sucedidas, colecionando, inclusive, um Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Berlim por sua inesquecível interpretação em Gloria, de Sebastián Lelio. No próprio Festival de Gramado, ela venceu, em 2014, o Kikito de melhor atriz pelo drama Las Analfabetas. Outro marco desta homenagem é que, pela primeira vez, o Kikito de Cristal sai do eixo Brasil/Argentina/Uruguai, o que é uma excelente notícia para uma homenagem que há 15 anos estava limitada a esse circuito.

Retomando as atividades presenciais após dois anos acontecendo em formato online e televisivo, o Festival de Cinema de Gramado também anunciou que os ingressos deste ano poderão ser adquiridos mediante doação de alimentos. É uma boa oportunidade para conhecer o evento, comumente tido como inacessível quando, na verdade, sempre colocou à venda os ingressos para suas sessões. Na modalidade de doação de alimentos, a troca deverá ser feita diariamente para a sessão do mesmo dia, na secretaria do 50º Festival de Cinema de Gramado, na Sociedade Recreio Gramadense (Rua Garibaldi, 328), a partir do dia 12 de agosto. É necessário doar dois quilos de alimentos não perecíveis para cada ingresso no período de 12 a 19 de agosto, e quatro quilos para a noite da entrega dos Kikitos, dia 20 de agosto. Cada CPF pode retirar, no máximo, dois ingressos por dia, mediante doação correspondente.

Por outro lado, acho que todos esperavam um homenageado mais emblemático para receber o Troféu Oscarito, a grande distinção outorgada pelo evento a atores do cinema brasileiro. É verdade que Marcos Palmeira ultrapassa a marca de 40 filmes na carreira, mas ela não se equipara a de nomes como Marco Nanini, Dira Paes, Sonia Braga e Marília Pêra, citando alguns dos agraciados em anos recentes. Neste sentido, o fato de estar no ar com um sucesso como Pantanal parece ter pesado para garantir o alvoroço tão característico do tapete vermelho de Gramado.

Também prometia muito mais a mostra de documentários retomada pelo Festival, com destaque para a ausência do forte O Território, exibido na última edição do Festival de Sundance, de onde saiu com o prêmio do público e o prêmio especial do júri para arte documental, e já muito cotado para garantir uma indicação para o Brasil no Oscar do ano que vem. Ademais, nunca gosto de segmentações desta natureza pois, ao contrário de elas incrementarem a visibilidade de determinado gênero, acabam por impedi-las de estar em pé de igualdade com qualquer outro filme.

A programação das mostras competitivas do 50º Festival de Cinema de Gramado já pode ser conferida aqui.

Legítimo Baz Luhrmann, “Elvis” brilha com Austin Butler, mas erra a mão na escolha do ponto de vista

When things that are too dangerous to say, sing!

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Direção: Baz Luhrmann

Roteiro: Baz Luhrmann, Craig Pearce, Jeremy Doner e Sam Bromell, baseado em história de Baz Luhrmann e Jeremy Doner

Elenco: Austin Butler, Tom Hanks, Olivia DeJonge, Kelvin Harrison Jr., Kodi Smit-McPhee, Helen Thomson, Richard Roxburgh, David Wenham, Luke Bracey, Dacre Montgomery, Leon Ford, Shonka Dukureh, Shannon Sanders, Josh McConville

Austrália/Estados Unidos, 2022, Drama, 159 minutos

Sinopse: A cinebiografia de Elvis Presley acompanha décadas da vida do artista (Austin Butler) e sua ascensão à fama, a partir do relacionamento do cantor com seu controlador empresário “Colonel” Tom Parker (Tom Hanks). A história mergulha na dinâmica entre o cantor e seu empresário por mais de 20 anos em parceria, usando a paisagem dos EUA em constante evolução e a perda da inocência de Elvis ao longo dos anos como cantor. No meio de sua jornada e carreira, Elvis encontrará Priscilla Presley (Olivia DeJonge), fonte de sua inspiração e uma das pessoas mais importantes de sua vida. (Adoro Cinema)

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Baz Luhrmann é um sujeito especial porque nunca baixou a guarda. Tachado de espetaculoso, exagerado e, por vezes, insuportável, seu cinema não desperta indiferença e vem reunindo fãs e detratores na mesma medida desde 1992 com Vem Dançar Comigo. Até os fãs devem reconhecer que a carreira do diretor tem lá seus deslizes — e o pseudo-épico Austrália talvez seja o maior deles —, mas nunca alguém poderá dizer que se trata de um realizador sem personalidade. Tão convicto de seu estilo, Luhrmann não se adestrou nem mesmo agora, quando resolveu fazer Elvis, seu primeiro trabalho biográfico, uma excelente notícia, claro, para os fãs do diretor e, principalmente, para aqueles que, assim como eu, sofrem de uma longa ressaca diante de tantas cinebiografias convencionais.  

Faz total sentido Baz Luhrmann dirigir Elvis, pois ele é um dos poucos que conseguiria transmitir toda a energia e o frenesi causados por uma figura tão icônica. E engana-se quem pensa que Luhrmann é apenas som e fúria. Há detalhes que evidenciam o seu compromisso em fazer diferente não apenas na estética. O diretor dispensa, por exemplo, a cena de abertura tão clichê com o protagonista já acabado e maltratado pelo tempo para depois voltar aos tempos de sua infância e juventude, como vimos em Os Olhos de Tammy Faye, para citar um projeto mais recente. Pelo contrário: Elvis mostra sua reverência ao justamente criar expectativa para revelar Presley, desdobrando o personagem pouco a pouco, até culminar em uma cena em que o mito, ainda muito jovem e em início de carreira, incendeia o palco e quase leva o público feminino a orgasmos tamanha a sua presença de palco.

É fácil entender o arrebatamento por esse personagem retratado com muita cor, trilha, efeitos e até mesmo animações de HQ. Na grande festa que é Elvis, o diretor se preocupa em capitalizar a força musical do ícone e as razões que o fizeram grande como artista. Em plena época de segregação racial, Presley trazia aos palcos todas a sua reverência à cultura negra que fez parte de sua criação, para desgosto de uma sociedade preconceituosa e conservadora. Perseguido por autoridades, ele, além de dançar sensualmente e com assumida maquiagem, homenageava nomes como B.B. King e Mahalia Jackson nas composições, no jeito tão característico de se mover pelo palco e no que gostava de simbolizar para multidões. Atento ao potencial dos comentários possíveis para uma discussão como essa, o longa não fica na mera homenagem — são pequenos e importantes os momentos como aquele em que B.B. King comenta que Presley, por ser branco, jamais seria preso por suas disrupções, mas que ele, um cantor negro, poderia ir para a cadeia só por atravessar a rua.

Em meio a esse contexto político e social, Elvis avança no tempo sem maiores cerimônias ou sem as ultrapassadas montagens de capas de discos e jornais que costumam pontuar o passar dos anos em tantas cinebiografias. Não há também a formalidade de querer explicar o nascimento de cada um dos seus sucessos ou de esmiuçar o clássico arco de ascensão, queda e redenção com o qual  artistas icônicos são retratados no cinema. É certo que, de um jeito ou de outro, há um pouco disso tudo no roteiro escrito por Luhrmann com Craig Pearce, Jeremy Doner e Sam Bromell. Entretanto, a preocupação é a de que Elvis seja fiel ao espírito do cantor, incluindo aspectos frágeis de sua existência e a dicotomia que ele revelava ao ser tão grande nos palcos e a tão manipulável nos bastidores, em especial na relação bastante problemática com Tom Parker, o agente que lhe alçou ao sucesso. O apreço pela imperfeição e pelas contradições faz do longa um relato capaz de contemplar tanto o mito quanto o ser humano, relação que o cinema Hollywoodiano tem tentado evitar nos últimos anos com cinebiografias higienizadas, como se o público não devesse entrar em contato com as falhas de ídolos e celebridades.

Não foram poucas as estrelas que assumiram publicamente o desejo de interpretar Elvis Presley e que fizeram o teste para o papel. De Ansel Elgort a Harry Styles, passando por Aaron Taylor-Johnson e Miles Teller, o papel acabou nas mãos de Austin Butler, o nome menos midiático entre os citados. Decisão mais do que acertada, já que não ter uma grande estrela contribui para evitar distrações e deixar o campo ainda mais aberto para eventuais surpresas. E Butler realmente estoura em cena, acumulando vitórias em cima de vícios e cacoetes que poderiam orbitar um retrato como esse. Sem se tornar obcecado em mimetizar cada movimento de Elvis ou beirar o overacting para disfarçar a dublagem das canções, o jovem ator de 30 anos encarna o protagonista com sinceridade e parcimônia, comprometido em primeiro capturar antes o espírito do cantor e depois reproduzir tecnicidades. Junto ao Elton John de Taron Egerton em Rocketman, o Elvis de Austin Butler fica entre as composições biográficas mais genuínas do cinemão recente.

Elvis, portanto, é um filme sobre Elvis, certo? Não necessariamente, e é aí que mora a grande fragilidade do projeto. Em tudo, a ideia de narrar a trajetória do cantor a partir da perspectiva de seu agente, Tom Parker, é um erro. Apesar de reparar o apagamento de uma figura importante como Parker nos relatos mais célebres de Presley, a decisão não traz grandes insights e nunca alcança as dimensões prometidas. Toda vez em que o personagem aparece, deveríamos, na verdade, estar vendo mais de Elvis. Falta polimento a esse conflito bastante interessante sobre o aprisionamento que Parker significou na vida e na carreira do cantor. Oportunista de mão cheia (era conhecido como coronel quando nunca havia recebido o título e sequer se chamava Tom Parker de verdade), o agente que lançou Presley às estrelas mentia a torto e a direito para manter o astro sob as suas rédeas, a ponto de até impedir as suas tão sonhadas turnês internacionais.

Só que Hanks, atrás de muitas próteses e maquiagem, representa um tipo de caricatura comumente encontrada no cinema de Luhrmann, mas que não casa com esse filme mais coeso e repleto de reverência. Não apenas a atenção excessiva ao coronel chega a ser quase um teste de paciência — afinal, acompanhamos a história pela perspectiva de um vilão quase unidimensional — como acaba tolhendo o protagonismo do próprio Elvis, que, inclusive, divide os créditos finais de sua história com o Parker. Tudo sobre o personagem estufa demais o longa-metragem, a ponto de, por vezes, o próprio Tom Hanks emitir sinais confusos sobre a figura que interpreta. Dramaticamente, a relação entre Elvis e Parker nos faz entender muita coisa sobre o cantor e, sem dúvida, é um pilar importante de sua existência artística. Contudo, ser a linha condutora do roteiro é um pouco demais, quase amortecendo o brilho e a energia presentes em Elvis.

É uma grande incógnita como essa ideia de colocar Parker como testemunha da vida de Presley sobreviveu até a versão filmada. A melancolia com que vemos um homem exausto, acima do peso e já sem o pique para cantar uma música em pé antes dos 40 anos encerra o relato no tom certo. É a força de Elvis que reverbera após a sessão. Não a narração redundante de Parker sobre como o amor do público foi nocivo ao astro. Recentemente, Luhrmann revelou a existência de uma versão com quatro horas de duração do filme. Sabe-se lá se um dia essa versão se tornará pública, mas, pensando nela, o que eu gosto de acreditar é que se trata de um corte com mais Elvis e menos Tom Parker, seja com Austin Butler a ponto de bala ao som de Suspicious Mind ou com o próprio Elvis Presley emocionando ao piano com a clássica Unchained Melody em imagens reais.

Os indicados ao Emmy 2022

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Succession se torna a série com o maior número de atores em competição por uma mesma temporada na história do Emmy. Série da HBO acumula, ao todo, 25 indicações.

É uma tendência que ganhou enorme tração no ano passado e que agora parece incorporada de vez no Emmy: a de reduzir o número de séries indicadas e distribuir o máximo possível de indicações para elas. Se a quarta temporada de The Crown, apesar de muito boa, não mereceu levar todos os prêmios de interpretação aos quais concorria no ano passado, é bem provável que Succession venha a repetir o feito no próximo dia 12 de setembro. A série da HBO segue sofisticada, mas a terceira temporada é mais irregular do que as anteriores, e há várias indicações inexplicáveis, como as de atriz convidada para Hope Davis e Sanaa Lathan.

Por mais que eu adore Hacks, também são injustificáveis, por exemplo, lembranças para as interpretações de Christopher McDonald, Kaitlin Olson e até mesmo de Laurie Metcalf, subaproveitada pelo roteiro e pouco inspirada em uma composição estereotipada. Entre os números hiperbólicos de indicações, abraço com gosto somente tudo o que The White Lotus recebeu, uma vez que a minissérie não estava sendo reconhecida como merecia na temporada e, sem dúvida, faz jus a todos os louros que lhe são dados. Com categorias chegando até oito indicados, o Emmy ainda falha em ver além de determinadas bolhas, o que é sempre uma má notícia para tempos em que há streamings e possibilidades voltadas a todo tipo de público. O que falta para a premiação refletir melhor isso de forma mais diluída?

Confira abaixo a lista de indicados:

MELHOR SÉRIE DE DRAMA
Better Call Saul
Euphoria
Ozark
Severance
Squid Game
Stranger Things
Succession
Yellowjackets

MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA
Abbott Elementary
Barry
Curb Your Enthusiasm
Hacks
The Marvelous Mrs. Maisel
Only Murders in the Building
Ted Lasso
What We Do in the Shadows

MELHOR MINISSÉRIE OU ANTOLOGIA
Dopesick
The Dropout
Inventing Anna
Pam & Tommy
The White Lotus

MELHOR FILME PARA TV
Chip ‘n Dale: Rescue Rangers
Ray Donovan: The Movie
Reno 911!: The Hunt For QAnon
The Survivor
Zoey’s Extraordinary Christmas

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA
Jodie Comer (Killing Eve)
Laura Linney (Ozark)
Melanie Lynskey (Yellowjackets)
Reese Witherspoon (The Morning Show)
Sandra Oh (Killing Eve)
Zendaya (Euphoria)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA
Adam Scott (Severance)
Bob Odenkirk (Better Call Saul)
Brian Cox (Succession)
Jason Bateman (Ozark)
Jeremy Strong (Succession)
Lee Jung-jae (Squid Game)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA
Christina Ricci (Yellowjackets)
J. Smith-Cameron (Succession)
Julia Garner (Ozark)
Jung Ho-yeon (Squid Game)
Patricia Arquette (Severance)
Rhea Seehorn (Better Call Saul)
Sarah Snook (Succession)
Sydney Sweeney (Euphoria)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA
Billy Crudup (The Morning Show)
Christopher Walken (Severance)
John Turturro (Severance)
Kieran Culkin (Succession)
Matthew Macfadyen (Succession)
Nicholas Braun (Succession)
Oh Yeong-su (Squid Game)
Park Hae-soo (Squid Game)

MELHOR ATRIZ CONVIDADA EM SÉRIE DE DRAMA
Harriet Walter (Succession)
Hope Davis (Succession)
Lee You-Mi (Squid Game)
Marcia Gay Harden (The Morning Show)
Martha Kelly (Euphoria)
Sanaa Lathan (Succession)

MELHOR ATOR CONVIDADO EM SÉRIE DE DRAMA
Adrien Brody (Succession)
Alexander Skarsgård (Succession)
Arian Moayed (Succession)
Colman Domingo (Euphoria)
James Cromwell (Succession)
Tom Pelphrey (Ozark)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA
Elle Fanning (The Great)
Issa Rae (Insecure)
Jean Smart (Hacks)
Kaley Cuoco (The Flight Attendant)
Quinta Brunson (Abbott Elementary)
Rachel Brosnahan (The Marvelous Mrs. Maisel)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA
Bill Hader (Barry)
Donald Glover (Atlanta)
Jason Sudeikes (Ted Lasso)
Martin Short (Only Murders in the Building)
Nicholas Hoult (The Great)
Steve Martin (Only Murders in the Building)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA
Alex Borstein (The Marvelous Mrs. Maisel)
Hannah Einbinder (Hacks)
Hannah Waddingham (Ted Lasso)
Janelle James (Abbott Elementary)
Juno Temple (Ted Lasso)
Kate McKinnon (Saturday Night Live)
Sarah Niles (Ted Lasso)
Sheryl Lee Ralph (Abbott Elementary)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA
Anthony Carrigan (Barry)
Bowen Yang (Saturday Night Live)
Brett Goldstein (Ted Lasso)
Henry Winkler (Barry)
Nick Mohammed (Ted Lasso)
Toheeb Jimoh (Ted Lasso)
Tony Shalhoub (The Marvelous Mrs. Maisel)
Tyler James Williams (Abbott Elementary)

MELHOR ATRIZ CONVIDADA EM SÉRIE DE COMÉDIA
Harriet Sansom Harris (Hacks)
Harriet Walter (Ted Lasso)
Jane Adams (Hacks)
Jane Lynch (Only Murders in the Building)
Kaitlin Olson (Hacks)
Laurie Metcalf (Hacks)

MELHOR ATOR CONVIDADO EM SÉRIE DE COMÉDIA
Bill Hader (Curb Your Enthusiasm)
Christopher McDonald (Hacks)
James Lance (Ted Lasso)
Jerrod Carmichael (Saturday Night Live)
Nathan Lane (Only Murders in the Building)
Sam Richardson (Ted Lasso)

MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU FILME PARA TV
Amanda Seyfried (The Dropout)
Julia Garner (Inventing Anna)
Lily James (Pam & Tommy)
Margaret Qualley (Maid)
Sarah Paulson (Impeachment: American Crime Story)
Toni Collette (The Staircase)

MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU FILME PARA TV
Andrew Garfield (Under the Banner of Heaven)
Colin Firth (The Staircase)
Himesh Patel (Station Eleven)
Michael Keaton (Dopesick)
Oscar Isaac (Scenes from a Marriage)
Sebastian Stan (Pam & Tommy)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU FILME PARA TV
Alexandra Daddario (The White Lotus)
Connie Britton (The White Lotus)
Jennifer Coolidge (The White Lotus)
Kaitlyn Dever (Dopesick)
Mare Winningham (Dopesick)
Natasha Rothwell (The White Lotus)
Sydney Sweeney (The White Lotus)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU FILME PARA TV
Jake Lacy (The White Lotus)
Michael Stuhlbarg (Dopesick)
Murray Bartlett (The White Lotus)
Peter Sarsgaard (Dopesick)
Seth Rogen (Pam & Tommy)
Steve Zahn (The White Lotus)
Will Poulter (Dopesick)

MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE DE DRAMA
Ben Stiller (Severance, episódio The We We Are)
Cathy Yan (Succession, episódio The Disruption)
Hwang Dong-hyuk (Squid Game, episódio Red Light, Green Light)
Jason Bateman (Ozark, episódio A Hard Way to Go)
Karyn Kusama (Yellowjackets, episódio Pilot)
Lorene Scafaria (Succession, episódio Too Much Birthday)
Mark Mylod (Succession, episódio All the Bells Say)

MELHOR ROTEIRO EM SÉRIE DE DRAMA
Ashley Lyle, Bart Nickerson e Jonathan Lisco (Yellowjackets, episódio F Sharp)
Ashley Lyle e Bart Nickerson (Yellowjackets, episódio Pilot)
Chris Mundy (Ozark, episódio A Hard Way to Go)
Dan Erickson (Severance, episódio The We We Are)
Hwang Dong-hyuk (Squid Game, episódio One Lucky Day)
Jesse Armstrong (Succession, episódio All the Bells Say)
Thomas Schnauz (Better Call Saul, episódio Plan and Execution)

MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE DE COMÉDIA
Bill Hader (Barry, episódio 710N)
Cherien Dabis (Only Murders in the Building, episódio The Boy From 6B)
Hiro Murai (Atlanta, episódio New Jazz)
Jamie Babbit (Only Murders in the Building, episódio True Crime)
Lucia Aniello (Hacks, episódio There Will Be Blood)
Mary Lou Belli (The Ms. Pat Show, episódio Baby Daddy Groundhog Day)
MJ Delaney (Ted Lasso, episódio No Weddings and a Funeral)

MELHOR ROTEIRO EM SÉRIE DE COMÉDIA
Alec Berg e Bill Hader (Barry, episódio Starting Now)
Duffy Boudreau (Barry, episódio 710N)
Jane Becker (Ted Lasso, episódio No Weddings and a Funeral)
Jen Statsky, Lucia Aniello e Paul W. Downs (Hacks, episódio The One, The Only)
John Hoffman e Steve Martin (Only Murders in the Building, episódio True Crime)
Quinta Brunson (Abbott Elementary, episódio Pilot)
Sarah Naftalis (What We Do in the Shadows, episódio The Casino)
Stefani Robinson (What We Do in the Shadows, episódio The Wellness Center)

MELHOR DIREÇÃO EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU FILME PARA TV
Danny Strong (Dopesick, episódio The People vs. Purdue Pharma)
Francesca Gregorini (The Droupout, episódio Iron Sisters)
Hiro Murai (Station Eleven, episódio Wheel of Fire)
John Wells (Maid, episódio Sky Blue)
Michael Showalter (The Dropout, episódio Green Juice)
Mike White (The White Lotus)

MELHOR ROTEIRO EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU FILME PARA TV
Danny Strong (Dopesick, episódio The People vs. Purdue Pharma)
Elizabeth Meriwether (The Dropout, episódio I’m in a Hurry)
Mike White (The White Lotus)
Molly Smith Metzler (Maid, episódio Snaps)
Patrick Somerville (Station Eleven, episódio Unbroken Circle)
Sarah Burgess (Impeachment: American Crime Story, episódio Man Handled)