Cinema e Argumento

Cahiers du Cinéma e as anatomias de Meryl Streep – parte 1

cahmerylEla pode até não ser a sua atriz favorita ou muito menos a que você acha merecedora de centralizar praticamente todos os papeis para mulheres acima de 60 anos, mas há de concordar que não existe uma intérprete que ostente uma carreira tão bem sucedida como a de Meryl Streep atualmente – ou, talvez, em toda a história do cinema. Enquanto Bette Davis morreu na casa dos 80 anos fazendo papeis de mulheres decadentes, exageradas e que eram versões quase ridiculamente extremadas dos papeis difíceis que marcaram sua carreira, Meryl chega aos 65 anos prestes a conquistar a marca histórica de 19 indicações ao Oscar com o musical Caminhos da Floresta. Sim. 65 anos. Em um musical. Toda a vitoriosa carreira da atriz foi analisada pela renomada publicação Cahiers du Cinéma em 2014, em um livro com mais de 150 páginas que elenca os dez melhores desempenhos da atriz. Ela foi a primeira mulher escolhida para ter sua carreira dissertada pela Cahiers, que, entre os homens, já falou sobre nomes como Marlon Brando, Al Pacino Robert De Niro e Jack Nicholson. A versão da série Anatomy of an Actor para Meryl Streep, assim como as outras edições, não foi lançada em português, o que me fez chegar a essa postagem especial (dividida em duas partes) que pretende sintetizar as análises e curiosidades apresentadas pela jornalista e crítica de cinema estadunidense Karina Longworth na publicação. Neste post, fiquem com as cinco primeiras escolhas da Cahiers para as melhores atuações de Meryl.

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1978 – Linda (O Franco Atirador)

“Linda foge totalmente dos meus instintos. Eu gosto de batalhar. Então esse papel foi muito difícil para mim. Queria tirá-la dessa camisa-de-força que ela se encontra, mas é claro que eu não podia deixar essa possibilidade aparecer”

Não é um dos meus desempenhos favoritos de Meryl, mas obviamente está na lista da Cahiers du Cinéma porque O Franco Atirador marcou a primeira indicação ao Oscar da atriz e foi um verdadeiro salto em sua carreira. Rodado em 1977, o longa de Michael Cimino traz Meryl como Linda, a esposa de Michael, interpretado por Robert De Niro, que, após se casar, tem que esperar o marido voltar da guerra do Vietnã. A escolha de Meryl para interpretar esse filme foi puramente pessoal: nele, seu namorado de longa data John Cazale estava atuando como Stan. O problema é que Cazale estava lutando contra um câncer, o que fez Meryl aceitar participar do filme para estar ainda mais perto dele.

A atriz vivia uma fase prolífera na Broadway, em início de carreira, e tinha relutância em interpretar Linda, que, segundo ela, tinha tudo para ser mais uma das tantas personagens jovens, loiras e frágeis do cinema norte-americano. E, como descobriríamos ao longo de sua carreira, justamente o tipo de papel que Meryl sempre tentaria fugir a todo custo. O empenho por Cazale recompensou: a atriz se projetou para o mundo e chegou a sua primeira indicação ao Oscar (acompanhando o êxito do próprio filme, vencedor do prêmio principal da Academia). Mas o seu primeiro grande papel viria logo em seguida, trazendo a complexidade que Meryl tanto queria em um papel e os prêmios que viria a merecer incontestavelmente.

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1979 – Joanna Kramer (Kramer vs. Kramer)

“Em 1979, ninguém falava sobre depressão. Mas eu conseguia entender o impulso dela em ir embora para melhorar e não querer levar o filho. Eu não acho que Joanna era uma mulher horrível. Eu estava no lado dela”

A celebração de O Franco Atirador e a primeira indicação ao Oscar movimentaram a vida de Meryl Streep. Porém, o momento era duro: seu namorado John Cazale não resistiu ao câncer e acabara de falecer. Para tentar superar a perda, Meryl se atirou de vez ao trabalho, passando por uma peça de teatro ao lado de Alan Alda, uma pequena participação em Manhattan, de Woody Allen, e a conquista de um de seus papeis mais marcantes: Joanna, em Kramer vs. Kramer.

Em uma primeira reunião com o diretor Robert Benton e Dustin Hoffman, Meryl apontou que, no livro, Joanna era extremamente unidimensional e que seus problemas não eram levados a sério. Ela não queria que aquela mulher fosse retratada como uma vilã. Benton e Hoffman concordaram, o roteiro foi reescrito e Meryl escolhida para o papel. O filme, que começa e termina com a câmera focada no rosto da atriz, é basicamente conduzido pela polêmica escolha da personagem de abandonar o filho – e, para Meryl, sua principal missão como atriz foi “transformar aquela mulher julgada por todos em um ser humano”.

A decisão da atriz de mudar, ao longo das filmagens, vários pontos da personagem contrariava Hoffman, um perfeccionista e que, conforme a atriz revelaria anos depois, uma pessoa um tanto complicada de se lidar nos bastidores em função disso. Mas Streep venceu e chegou a reescrever ela mesma a marcante cena do tribunal afim de aproximar o espectador de Joanna. Isso mesmo, a cena que se vê no filme, diálogo a diálogo, foi escrita pela atriz. O resultado? Para o diretor Robert Benton, “a cena melhor escrita em todo o roteiro”.  Kramer vs. Kramer ganhou as telas e a personagem de Meryl foi um verdadeiro teste para as plateias, levantando polêmicas questões sobre feminismo em uma época marcada pelo casamento tradicional e pela submissão da mulher nos relacionamentos. Ora, se fosse um pai abandonando o filho seria menos condenável? Por quê?

A repercussão chegou ao Oscar, onde ela recebeu merecidamente o prêmio de atriz coadjuvante. Neste meio tempo, Meryl via sua vida renascer: se casou com Don Gummer, seu marido até hoje, e, seis meses após a estreia de Kramer vs. Kramer, dava luz a seu primeiro filho, Henry. A escolha de ter um filho veio somente após a certeza de estar satisfeita com o estado de sua vida profissional e pessoal. Ao contrário da mulher que lhe rendeu o seu primeiro Oscar. Essa vivência maternal foi crucial para a compreensão da atriz em relação um dos seus papeis mais consagrados que viria poucos anos depois.

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1982 – Sophie Zawistowska (A Escolha de Sofia)

“Eu não conseguia nem ler direito a cena da escolha que dá título ao filme. Li apenas uma vez quando recebi o roteiro. Depois, nunca mais consegui. Eu simplesmente não era capaz de suportar. Não conseguia porque eu já era Sophie”

“A estrela dos anos 80”, anunciava a revista Newsweek que, pela primeira vez, trazia Meryl Streep estampando sua capa. Não era exatamente o que ela queria. Não dessa forma. Após Kramer vs. Kramer, Meryl tirou um ano de férias, o que segundo amigos e colegas, era uma verdadeira loucura para uma atriz que começava a se consagrar. “Mas eu acho que temos que fazer apenas o que nos traz felicidade”, disse a atriz, que, naquele momento, queria apenas privacidade estar perto de sua família e de seu filho recém nascido.

Quando retornou ao cinema, pediu ao agente papeis diferentes e fora de Nova York. “Coloque-me na Lua”, ela pediu. E assim foi.  Meryl foi até o Reino Unido para gravar A Mulher do Tenente Francês (que lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar e a primeira vitória no BAFTA) e embarcou em mais um longa que marcaria sua carreira: A Escolha de Sofia, sobre uma mulher destruída por uma devastadora escolha que precisou fazer no passado. O diretor Alan Pakula não queria atores famosos em seu filme, mas o estúdio venceu e Meryl, que estava com o roteiro e louca para interpretar Sofia, a escolhida como protagonista.

Aprendendo polonês em poucos meses, a atriz aproveitou o clima teatral e de improvisação que o diretor construiu no set para construir a dolorosa personagem. Ela também ganhou peso, usou próteses nos dentes e viajou durante três meses para a Iugoslávia para filmar os flashbacks da protagonista. Momentos antes da viagem, Pakula, que havia escrito as cenas em inglês, decidiu filmá-las em alemão. Receoso, chegou até a atriz e anunciou a mudança. A atriz apenas respondeu: “Me consiga uma professora de alemão”.

Meryl aprendeu alemão e, logo em seguida, gravou a cena-título. Uma cena que nunca mais conseguiu sequer rever. “Em certo ponto daquela cena, eu achava que estava gritando o mais alto que podia. Depois percebi que som nenhum estava saindo. Eu estava em um verdadeiro pesadelo, achando que fazia algo e depois percebendo que era uma ilusão”. Grávida de sua filha Mamie, Meryl divulgou o filme, que a colocou como favorita absoluta ao Oscar de melhor atriz. A Escolha de Sofia, no entanto, não foi unânime. “Eu tinha mais pena de Meryl tentando fazer algo pelo filme do que da própria Sophie”, escreveu Pauline Kael. Mas, ao contrário de Pauline – que parecia ter como missão criticar negativamente todas as interpretações da atriz – a atuação foi praticamente unânime e concedeu a Meryl um merecido segundo Oscar.

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1983 – Karen Silkwood (Silkwood – O Retrato de Uma Coragem)

“Eu sentia que Karen e eu éramos muito parecidas. Quero dizer, se eu morrer, ninguém saberá como eu era de verdade. Essa é a grande verdade que me atraiu em sua história”

Karen Silkwood, uma empenhada ativista de sindicatos, morreu em suspeito acidente de carro em 1974, quando dirigia para encontrar um jornalista do The New York Times. O encontro era para entregar provas das irregularidades da empresa que um dia trabalhou e que estava fazendo de tudo para silenciá-la. Depois de sua morte, o jornal a definiu como o “símbolo da coragem de rostos comuns que enfrentam gigantes da indústria”. Essa é a história do filme dirigido por Mike Nichols e roteirizado por Nora Ephron que trouxe grande desafio para Meryl: procurar interpretar a vida íntima dessa mulher e não tudo o que ela simbolizou para várias gerações. Com Silkwood, Meryl interpretava, pela primeira vez, uma pessoa da vida real – o que, nas próximas décadas, se tornaria uma de suas marcas registradas.

Quanto ao filme em si, não dá para dizer que a atriz começou necessariamente com o pé direito. Meryl, claro, está ótima, mas Silkwood se desenvolve de forma bastante morna. O seu valor, entretanto, é grande, já que a empresa denunciada por Karen (a Kerr-McGee) entrou com diversas ações judiciais para impedir a produção do filme. Nenhum estúdio queria contar a história da protagonista. Até Meryl entrar na jogada. Seu prestígio na indústria já começava a florescer. Imediatamente atraída pela identificação que sentia com as origens e o jeito de ser de Karen Silkwood, a atriz descobriu os desafios de interpretar alguém da vida real. Neste caso, uma mulher de vida reservada que significava diferentes coisas para diferentes pessoas, o que, segundo Meryl, lhe trouxe muita insegurança. Mas o papel refletia o senso político e social que ela tanto cultivava, e a oportunidade, além de resultar em mais uma indicação ao Oscar, lhe aproximou daquele que seria um de seus maiores amigos: Mike Nichols. “Dirigir Meryl Streep é como se apaixonar, com momentos cercados de magia… E de mistério”, definiu o diretor.

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1985 – Karen Blixen (Entre Dois Amores)

“Sydney Pollack achava que eu era uma boa atriz, mas não suficientemente sexy para o papel. Aí fui para o teste usando roupas bem curtas. Um golpe pobre, admito, mas funcionou!”

O roteiro de Entre Dois Amores foi escrito por Kurt Luedtke com Meryl Streep em mente. No entanto, o diretor Sydney Pollack relutou em escolher a atriz. Para ele, Meryl era muito glacial e distante da sensualidade que a personagem pedia. Mas bastou um primeiro encontro para que o diretor mudasse de ideia. “Ela foi muito direta, honesta e sem firulas. Então pensei que se isso fosse para a tela… wow!”, revelou Pollack. Ao longo de mais de três meses, a atriz viveu na África para gravar o épico que estrelou ao lado de Robert Redford. Ela literalmente se mudou para lá, levando toda a família. Mais uma vez dominou a arte de reproduzir sotaques (dessa vez o dinamarquês) e chegou a domar leão ela mesma para dar vida à Karen Blixen, mulher que se liberta de um casamento por conveniência ao mesmo tempo que administra uma fazenda de café no Quênia e conhece um novo interesse romântico que lhe mostrará como é possível viver a vida de forma aventureira e sem subserviências.

Mesmo com quase três horas de duração, Entre Dois Amores, hoje um filme que envelheceu muito mal, foi um grande sucesso. Ajustada a inflação, o filme faturou 260 milhões de dólares mundialmente. Meryl, por outro lado, não esperava por isso. Quando o filme viu pela primeira vez, chorou. “Mas porque achei que ele seria um grande fracasso. Fiquei surpresa com quantas pessoas realmente se importaram com a história daquela mulher”, conta. O sucesso no Oscar foi estrondoso (faturou, entre várias estatuetas, as de filme, direção e roteiro adaptado) e a atriz mais uma vez conquistou uma indicação. Só que as críticas ao seu desempenho pela primeira vez não foram lá muito positivas. Na Dinamarca, jornalistas comentaram que seu sotaque havia virado piada nacional. Pauline Kael, mais uma vez, reprovou o desempenho da atriz, dizendo que Meryl parecia apenas uma mulher perdida em uma revista da National Geographic. Com essas recepções, ela se viu com os pés bem fixados no chão. Percebeu também que, apesar de dois Oscars na estante e vários papeis a seu dispor, era uma estrela mortal como qualquer outra.

O som das trilhas

soundbudapestSegunda colaboração do francês Alexandre Desplat com o diretor Wes Anderson, O Grande Hotel Budapeste também marca uma das mais interessantes trilhas do compositor em anos. Prolífero, Desplat vem realizando uma infinidade de trabalhos nos últimos anos, mas nem todos chegam a ser excepcionais como esse. Capturando perfeitamente o estilo do diretor e, principalmente, toda a inventividade deste filme que reúne o melhor de Anderson sem parecer reciclagem, a trilha de O Grande Hotel Budapeste é uma das melhores do ano – e, nas premiações, deve ser preterida em função de outro trabalho de Desplat: O Jogo da Imitação, que tem muito mais gás na corrida aos prêmios do que Budapeste. Não deixe de ouvirMr. MoustafaTraditional Arrangement MoonshineThird Class Carriage.

soundinterstellarO filme de Christopher Nolan é, sem dúvida, o mais pretensioso e irregular que ele já realizou em toda a sua carreira, mas é bom ver que a parceria com o grande Hans Zimmer não foi abalada. Pelo contrário. É até um salto esta trilha de Interestelar se comparada a de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Conseguindo criar um tema marcante para o longa de Nolan, Zimmer foi certeiro na escolha de basear praticamente todas as suas composições em tradicionais órgãos sem tornar o filme fúnebre ou parecido com algo religioso. O resultado casa perfeitamente com o clima espacial e de viagens em diferentes tempos mostrado em Interestelar, que tem, na trilha sonora, um dos seus pontos mais interessantes. Não deixe de ouvirWhere We’re GoingS.T.A.Y.Dreaming of the Crash.

soundwoodsQuem espera uma trilha sonora animada e com canções repletas de refrões animados já pode mudar de ideia: Caminhos da Floresta faz um exerício musical completamente oposto a essa ideia. O álbum é um legítimo Stephen Sondheim (cujo último musical levado ao cinema foi Sweeney Todd), ou seja, tudo se resume a muitas canções dialogadas e sem refrão que servem exclusivamente ao propósito de conduzir a trama do filme. Esta lógica é certeira e, pensando assim, Caminhos da Floresta tem um ótimo resultado quando ouvida separadamente. A parte instrumental de Sondheim traz excelentes momentos e os atores dão conta do recado quando soltam a voz (em especial as mulheres). Meryl Streep, que começou sua carreira artística com aulas de ópera, mais uma vez é o destaque. Não deixe de ouvirLast MidnightStay With Me e Moments in the Woods.

soundwifeÉ notável como o compositor David Buckley foi se aperfeiçoando ao longo das temporadas do premiado seriado The Good Wife. Especialmente a partir da quinta temporada, Buckley, que, no cinema, já trabalhou com Ben Affleck em Atração Perigosa, conseguia se reinventar a cada episódio – e o resultado foi abraçado pela própria emissora, que resolveu lançar a trilha comercialmente (algo que, infelizmente, segue não sendo uma prática muito comum na TV, em especial a aberta). Foi um grande acerto, pois a trilha de The Good Wife (neste álbum resumida apenas ao quinto ano) é uma das mais inspiradas para qualquer tipo de seriado da atualidade. Impressiona particularmente o constante uso de violinos no álbum, criando uma atmosfera muito clássica para uma série que já marca época na TV aberta. Não deixe de ouvirHitting the FanThe Good Wife (Theme) e Plaintiff’s Partita.

soundtheoryFamoso compositor em terras islandesas, Jóhann Jóhannsson já vem fazendo trabalhos no cinema – especialmente no seu país – desde 2000, mas em 2013 começou a ganhar o mundo com o excelente trabalho que realizou para Os Suspeitos. Agora, já até concorre em premiações com A Teoria de Tudo. É certo que Jóhansson se beneficia por estar em uma biografia que parece ter a fórmula infalível para prêmios, mas seu trabalho não deve ser diminuído em função disso. Nem bem três canções são executadas e já dá para perceber que a trilha de A Teoria de Tudo é encantadora, inventiva e, principalmente, longe de repetir negativamente características de seu compositor. Um belo álbum. Não deixe de ouvirCambridge, 1963, Rowing Domestic Pressures.

soundpennyO intercâmbio entre cinema e TV está cada vez mais intenso não só no que se refere a atores e diretores, mas também a outros setores técnicos. Um exemplo é a trilha sonora. No caso de Penny Dreadful, ninguém menos que Abel Korzeniowski assina o álbum do programa. O polonês, responsável pela épica trilha do longa Direito de Amar, traz todas as características que lhe revelaram no cinema agora para a TV. Isso mesmo, o álbum de Penny Dreadful, transitando entre o drama e o terror, é um legítimo Korzeniowski, com uma sonoridade clássica claramente escrita para uma orquestra sinfônica. As “grandiosidades” são plenamente controlados pelo polonês que, mais uma vez, entrega uma trilha coesa com tudo que já realizou sem cair na repetição. Não deixe de ouvirModern Age, Welcome to the Grand Guignol e Street, Horse, Smell, Candle.

soundgoneA dupla Trent Rezznor e Atticus Ross já é marca registrada dos mais recentes longas do diretor David Fincher. A parceria, inclusive, já rendeu um Oscar de melhor trilha sonora para A Rede Social, mas a melhor colaboração de Rezznor, Ross e Fincher está mesmo no recente Garota Exemplar. Esta é uma trilha completa, que acompanha com perfeição todos os estágios da envolvente história, dos momentos românticos envolvendo os primeiros momentos do casal protagonista ao suspense dos dias em que Amy (Rosamund Pike) passa a estar desaparecida. Não existe, atualmente, parceria que melhor use elementos musicais contemporâneos para, além de fugir das sonoridades mais clássicas, criar obras realmente imersivas e envolventes. Não deixe de ouvirSugar StormLike HomeTechnically, Missing.

Três atores, três filmes… com José Luís

tresjoseO último convidado do Três atores, três filmes de 2014 tem minha total identificação quando o assunto é listar filmes e interpretações que marcam preferências cinematográficas. Sempre acreditei que os filmes mais presentes em nossas lembranças são aqueles que dialogam de forma muito íntima e profunda com o que sentimos ou vivenciamos e não necessariamente em função da perfeição técnica ou da assinatura de um diretor. Tenho a total impressão de que, assim como é comigo, a situação é exatamente a mesma com o José, cuja lista que vocês podem conferir abaixo reflete, como ele mesmo aponta, uma série de identificações pessoais com os personagens escolhidos ou até mesmo com as histórias vividas por eles. E as justificativas certamente estão entre as mais interessantes que já passaram por aqui. Uma curiosidade sobre as escolhas: esta é a segunda vez que o desempenho de Kate Winslet em Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças  é selecionado (e a terceira do filme, que também já foi lembrado pelo desempenho de Jim Carrey). Fiquem abaixo com as escolhas do nosso último convidado do ano, que encerra o ano da seção em alto estilo!

Angelina Jolie (Garota, Interrompida)
Garota, Interrompida é um filme baseado em eventos reais, onde encontramos uma Angelina Jolie jovem e destemida atuando com uma força selvagem, viva e decadentemente deslumbrante. Apesar de não ocupar o posto principal da história, a personagem de Jolie – Lisa Rowe – rouba a cena de todo e qualquer desavisado. Uma atuação digna do Oscar prematuro com o qual ela foi agraciada. Uma atuação corajosa de uma atriz que viria a ser uma das maiores celebridades do mundo. Particularmente, a personagem, em um primeiro momento, me desconcertou, me quebrou e me partiu em mil pedaços com diálogos provocadores e uma postura visceral. O espectador acaba seduzido pela fratura exposta que é Lisa. O filme em si é um aviso, um retrato do cotidiano assintomático da família do comercial de margarina, e traz uma reviravolta quando as personagens – assim como na vida real – passam a questionar suas existências. Talvez Angelina tenha atingido a perfeição em sua atuação devido às semelhanças que a personagem apresentava com uma Jolie adolescente, no inicio da carreira. Na minha opinião, é seu papel mais corajoso em um filme que eu sempre recomendo.

Kate Winslet (Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças)
Kate Winslet obteve notoriedade mundial após sua excelente atuação em Titanic, porém, do meu ponto de vista, essa fase foi apenas uma passagem para o que a grande Kate poderia realizar ao longo de sua carreira. Assim como Natalie Portman, Kate, além de ter suas personagens habitando minha lista de atuações preferidas, também tem seus diversos filmes perambulando pela minha coleção de favoritos. Obviamente, uma personagem em especifico me marcou, profundamente. Clementine Kruczynski tinge seus cabelos de acordo com as fases de sua vida e apaga suas memórias como quem clama pelo novo. Winslet, em Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, além de contar com um roteiro único é presenteada com uma fotografia e direção de arte incríveis, o que torna o pacote uma obra-prima cinematográfica. Brilho Eterno, em sua essência, trata de um cotidiano improvável entre dois desconhecidos que se conhecem muito bem, e Kate é feliz em transpor os sentimentos que presenciamos diariamente em nossas vidas com uma verdade comovente. A beleza das cenas é cotidiana: cabelos bagunçados, não penteados, corpos pouco esculturais… Assim como na vida real, o brilho está na única sedução a qual nos é inerente: a vida. A atuação é linda, pois passa ao espectador um aspecto genuína e sem enfeites sobre como, muitas vezes, agimos em nossas relações. Clementine diz “I feel like I’m disappearing” – pois é assim que nos sentimos ao tentar apagar o que não pode ser apagado.

Natalie Portman (Closer – Perto Demais)
Natalie Portman, em suas diversas interpretações, habita minha coleção de filmes preferidos e também um lugar entre minhas atrizes favoritas, posição que foi conquistada anos atrás ainda na minha adolescência. Closer é um filme de 2004 que, 10 anos depois, continua encantando espectadores com sua beleza e ousadia. N ano do seu lançamento, eu tinha apenas 13 anos, então, algum tempo depois, com alguma maturidade adquirida e na faixa etária para assistir o filme, o fiz. Closer, para uma geração criada assistindo aos filmes da Disney, em um primeiro momento não faz sentido algum, afinal, se trata de um retrato maduro, lúcido e cru sobre uma realidade amorosa do século XXI. Porém, aos poucos, o balé das idas e vindas, os segredos e a imensidão oculta que o ser humano possui em seu interior… Tudo ganha sentido. Talvez uma visão pessimista dos relacionamentos na vida adulta que, mais cedo ou mais tarde, visitamos por aí. A personagem de Portman, Jane Jones, Alice Ayres – ou como preferir chamar – tem um espírito livre, ousado e direto. As falas são dotadas de franqueza e eloquência e muitas delas nunca deixaram minha cabeça, uma atuação impecável, uma personagem que nasce, se desenvolve e morre – “I don’t love you anymore, goodbye” – em frente ao espectador.

Rapidamente

Praia do Futuro é um dos filmes mais difíceis do ano, mas também um dos mais recompensadores para quem conseguir embarcar na proposta do diretor Karim Aïnouz

Praia do Futuro é um dos filmes mais difíceis do ano, mas também um dos mais recompensadores para quem embarca na proposta do diretor Karim Aïnouz

A 100 PASSOS DE UM SONHO (The Hundred-Foot Journey, de Lasse Hallström): O sueco Lasse Hallström, ao contrário do que as premiações já celebraram, nunca foi um grande diretor, mas é verdade que ele tem capacidade de fazer coisas muito melhores do que esse A 100 Passos de Um Sonho. Ok, o filme estrelado por Helen Mirren (indicada ao Globo de Ouro 2015 de atriz comédia/musical por seu trabalho aqui só para completar a fraca lista) é leve e inofensivo, só que não custava o roteiro ser pelo menos um pouquinho mais original. Previsível do início ao fim, o longa de Hallström cai no velho clichê da família indiana que muda de país sem nada na bagagem além de sonhos, boas intenções e um filho primogênito cheio de talento para culinária. Na França, eles se instalam frente ao restaurante de uma mulher rica que, após a morte do marido, controla os negócios com mãos de ferro e, claro, não deseja que ninguém ameace o seu negócio. Só que a família indiana, claro, vai movimentar as águas do local e, principalmente, a vida da tal senhora. O ritmo por si só já é arrastado e o fato de A 100 Passos de Um Sonho seguir todos os passos da cartilha de um filme com essa premissa não ajuda. Hallström não chega a abusar da paciência do espectador com grandes melodramas ou forçações de barra como em outros filmes que já realizou, mas bem que poderia, pelo menos, mostrar que ainda tem um pouquinho das habilidades que anos atrás lhe trouxeram tanto prestígio. Isto porque o Hallström de Regras da VidaChegadas e PartidasChocolate pode até ser subestimado, mas é, sem dúvida, melhor do que esse nada inspirado de Querido JohnAmor Impossível e, agora, A 100 Passos de Um Sonho.

PRAIA DO FUTURO (idem, de Karim Aïnouz): Só mesmo a desinformação – aliada ao conservadorismo – fez com que pessoas assistissem a Praia do Futuro e pedissem o ingresso de volta em função das cenas de sexo gay. Até porque basta investigar um pouco a filmografia de Karim Aïnouz para deduzir que este seu novo filme tinha grandes chances de não ser uma experiência fácil ou comercial. E de fato não é. Para muito além das cenas de sexo envolvendo dois homens (que estão longe de ser o escândalo apontado por aí), Praia do Futuro é um filme bastante lento e complexo – mas também um dos mais recompensadores que o cinema brasileiro entregou em 2014. Wagner Moura está especialmente bem aqui, distanciando-se um pouco do cinema mais acessível que tem cercado suas últimas escolhas. Ele enfrenta um dos personagens mais desafiadores de sua recente carreira, e, como o grande ator que é, não desaponta. O filme em si é estruturado em três capítulos, todos separados por avanços no tempo. Isso não quer dizer, porém, que Praia do Futuro seja um filme sobre grandes acontecimentos ou mudanças que se intercalam em cada um deles. Pelo contrário. Todas as transformações dos personagens acontecem de forma sutil e silenciosa – o que faz com que o resultado seja para um público bem específico. Entretanto, mesmo entre quem supostamente gostaria, Praia do Futuro não foi muito bem sucedido. Ao mesmo tempo em que a reação seja de certa forma compreensível, também era de se esperar maior boa vontade com o filme, que tem diversos méritos inegáveis (a cena final é um deles, permanecendo com o espectador durante um bom tempo).

YVES SAINT-LAURENT (idem, de Jalil Lespert): Antes de Saint-Laurent estrear na competição de Cannes trazendo os galãs Gaspard Ulliel e Louis Garrel no elenco, o mundo já havia conferido – também em 2014 – outra cinebiografia do famoso estilista francês. Yves-Saint Laurent chegou ao Brasil, por exemplo, bem antes, ainda que seja uma produção idealizada após as tratativas do filme com Ulliel e Garrel. Certamente fizeram uma corrida para ver quem chegaria aos cinemas primeiro e se este longa dirigido por Lespert achou que apressar o calendário para estrear antes era sinônimo de sucesso, o tiro saiu pela culatra. Isto porque Yves Saint Laurent passou timidamente pelos cinemas e foi definido apenas como uma biografia convencional e pouco ousada. De fato, o filme protagonizado por um satisfatório Pierre Niney acerta no diálogo entre elegância e simplicidade de visual, mas não é nada consistente na parte em que precisa desenvolver a vida conturbada de Laurent. Se a transição de um menino talentoso mas jovem demais e inseguro para um verdadeiro ícone da moda funciona, sua vida após não chega a ser bem desenvolvida em termos dramáticas. A tardia libertação pessoal e sexual de um homem que assumiu responsabilidades muito cedo não ganha a devida profundidade dramática – e, neste sentido, a breve duração de 105 minutos é um problema pois deixa a sensação de que Yves Saint-Laurent poderia se estender mais um pouco para dar detalhes que fazem muita falta. Não chega a ser animador ter que ver outra biografia de Laurent futuramente (a versão protagonizada por Ulliel já passou rapidamente por aqui recentemente), mas, dada a incompletude do filme de Lespert em seu terço final, talvez seja uma chance de entender melhor a vida do icônico estilista.

Os indicados ao Globo de Ouro 2015

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Leves surpresas e confirmações marcaram o anúncio dos indicados ao Globo de Ouro 2015 na manhã de hoje. Enquanto no SAG Selma foi totalmente esnobado, aqui conquistou indicações a melhor filme, direção, ator e canção original, o que deve impulsionar sua trajetória nas premiações. Quem também sai ganhando nesta lista é O Grande Hotel Budapeste, que, fora as esperadas indicações a  filme, ator e roteiro, teve uma inesperada (e grata) lembrança na categoria de direção. Entre as interpretações, Jessica Chastain finalmente entra no circuito das coadjuvantes com A Most Violent Year, enquanto Laura Dern já pode dar adeus aos prêmios por sua interpretação em Livre.

Ainda nas atrizes, é realmente um grande ano para Julianne Moore. Já não bastasse seu pleno favoritismo na categoria de melhor atriz em drama por Para Sempre Alice, agora ela deve repetir o feito alcançado por Kate Winslet anos atrás com uma vitória dupla. Não é apenas em função de estar excepcional em Mapa Para as Estrelas que Moore deve ganhar como atriz em comédia/musical. A verdade é que a seleção está realmente fraca, até porque não foi um bom ano para as intérpretes deste segmento (o que em nada desmerece uma possível vitória de Moore). Entre as canções, as cantoras em destaque no cenário musical atual tem vez. Pelo menos três nomes em evidência ganharam lembrança: Sia com Opportunity (Annie), Lorde com Yellow Flicker Beat (Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1) e Lana del Rey com Big Eyes (Grandes Olhos).

Já na TV, são tempos difíceis para quem acompanha premiações. Mas a boa notícia é que o Globo de Ouro conseguiu, de certa forma, fazer uma boa limpa em listas que já estavam pra lá de defasadas. É o caso de comédia/musical, onde The Big Bang TheoryModern Family finalmente foram deixadas completamente de lado. E o melhor: para dar lugar a Transparent, por exemplo. Entre os dramas, a situação já é menos interessante. Mad Men parece não ter mais vez nas premiações, enquanto as frequentes lembranças a House of Cards, Game of Thrones  e Downton Abbey refletem o fato de que, sim, estamos carentes de novos dramas de qualidade. Particularmente, fiquei muito feliz com as indicações de The Good Wife, que, volto a repetir, é uma das melhores séries de TV aberta em exibição. A cerimônia de premiação do Globo de Ouro acontece no dia 11 de janeiro.

MELHOR FILME DRAMA
Boyhood: Da Infância à Juventude
Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo

O Jogo da Imitação
Selma

A Teoria de Tudo

MELHOR ATOR DRAMA
Benedict Cumberbatch (O Jogo da Imitação)
David Oyelowo (Selma)
Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)
Jake Gyllenhaal (O Abutre)
Steve Carell (Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo)

MELHOR ATRIZ DRAMA
Felicity Jones (A Teoria de Tudo)
Julianne Moore (Para Sempre Alice)
Jennifer Aniston (Cake)
Rosamund Pike (Garota Exemplar)
Reese Witherspoon (Livre)

MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL
Birdman
Caminhos da Floresta

O Grande Hotel Budapeste
Pride

Um Santo Vizinho

MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL
Bill Murray (Um Santo Vizinho)
Christoph Waltz (Grandes Olhos)
Joaquin Phoenix (Vício Inerente)
Michael Keaton (Birdman)
Ralph Fiennes (O Grande Hotel Budapeste)

MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL
Amy Adams (Grandes Olhos)
Emily Blunt (Caminhos da Floresta)
Helen Mirren (A 100 Passos de Um Sonho)
Julianne Moore (Mapa Para as Estrelas)
Quvanzhané Wallis (Annie)

MELHOR DIREÇÃO
Alejandro González-Inárritu (Birdman)
Ava DuVernay (Selma)
David Fincher (Garota Exemplar)
Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Emma Stone (Birdman)
Jessica Chastain (A Most Violent Year)
Keira Knightley (O Jogo da Imitação)
Meryl Streep (Caminhos da Floresta)
Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Edward Norton (Birdman)
Ethan Hawke (Boyhood: Da Infância à Juventude)
J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)
Mark Ruffalo (Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo)
Robert Duvall (O Juiz)

MELHOR ROTEIRO
Birdman
Boyhood: Da Infância à Juventude
Garota Exemplar
O Grande Hotel Budapeste
O Jogo da Imitação

MELHOR TRILHA SONORA
Birdman
Garota Exemplar
Interestelar
O Jogo da Imitação
A Teoria de Tudo

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Big Eyes” (Grandes Olhos)
“Glory” (Selma)
“Mercy is” (Noé)
“Opportunity” (Annie)
“Yellow Flicker Beat” (Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Force Majeure (Suécia)
Gett: The Trial of Viviane Amsalem (Israel)
Ida (Polônia)
Leviatã (Rússia)
Tangerines (Estônia)

MELHOR ANIMAÇÃO
Uma Aventura Lego
Os Boxtrolls
Como Treinar o Seu Dragão 2
Festa no Céu
Operação Big Hero

MELHOR SÉRIE DRAMA
The Affair
Downton Abbey
Game of Thrones
The Good Wife
House of Cards

MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMA
Clive Owen (The Knick)
Dominic West (The Affair)
Kevin Spacey (House of Cards)
James Spader (The Blacklist)
Liev Schreiber (Ray Donovan)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMA
Claire Danes (Homeland)
Julianna Margulies (The Good Wife)
Robin Wright (House of Cards)
Ruth Wilson (The Affair)
Viola Davis (How to Get Away With Murder)

MELHOR SÉRIE COMÉDIA/MUSICAL
Girls
Jane, The Virgin
Orange is the New Black
Sillicon Valley
Transparent

MELHOR ATOR EM SÉRIE COMÉDIA/MUSICAL
Don Cheadle (House of Lies)
Jeffrey Tambor (Transparent)
Louis C.K. (Louie)
Ricky Gervais (Derek)
William H. Macy (Shameless)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE COMÉDIA/MUSICAL
Edie Falco (Nurse Jackie)
Gina Rodriguez (Jane, The Virgin)
Julia Louis-Dreyfus (Veep)
Lena Dunham (Girls)
Taylor Schilling (Orange is the New Black)

MELHOR MINISSÉRIE/TELEFILME
Fargo
The Missing

The Normal Heart
Olive Kitteridge
True Detective

MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE/TELEFILME
Billy Bob Thornton (Fargo)
Mark Ruffalo (The Normal Heart)
Martin Freeman (Fargo)
Matthew McConaughey (True Detective)
Woody Harrelson (True Detective)

MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE/TELEFILME
Allison Tolman (Fargo)
Frances McDormand (Olive Kitteridge)
Frances O’Connor (The Missing)
Jessica Lange (American Horror Story: Freak Show)
Maggie Gyllenhaal (The Honorable Woman)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME
Alan Cumming (The Good Wife)
Bill Murray (Olive Kitteridge)
Colin Hanks (Fargo)
Jon Voight (Ray Donovan)
Matt Bomer (The Normal Heart)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME
Allison Janney (Mom)
Joane Fragott (Downton Abbey)
Kathy Bates (American Horror Story: Freak Show)
Michelle Monaghan (True Detective)
Uzo Aduba (Orange is the New Black)