O Segredo de Berlim

O Segredo de Berlim, de Steven Soderbergh
Com George Clooney, Cate Blanchett e Tobey Maguire

Alguns anos atrás os irmãos Coen resgataram o espírito noir em uma maravilhosa produção chamada O Homem Que Não Estava Lá. Steven Soderbergh tentou fazer algo desse tipo em O Segredo de Berlim, mas o resultado não foi tão produtivo. O que é estranho, pois o filme tem tudo pra dar certo. O visual preto e branco e a reconstituição de época já começam sendo o grande atrativo para os cinéfilos que apreciam filmes assim. Realmente, a fotografia é belíssima (e até merecia uma menção no Oscar) assim como os figurinos. O único aspecto técnico que desaponta é a trilha sonora do Thomas Newman. Ele, que é um excepcional compositor, não acertou o tom no seu trabalho. Mesmo que a parte musical esteja condizente com o filme, soou banal demais. O elenco não é lá grande coisa, mas ao menos realizam trabalhos adequados. George Clooney, que eu não acho que ser uma estrela mais notável, não conseguiria sustentar o filme sozinho – afinal, ele tem sempre a mesma cara. É por isso que Cate Blanchett tem um papel fundamental na história. Beleza e talento é algo que sempre combina com ela. E aqui não é diferente.
O que faz com que O Segredo de Berlim seja um filme esquecível e sem marcas é a insistência do diretor Soderbergh em querer imprimir no longa uma identidade cult. Identidade essa que apareceu naturalmente no já citado filme dos irmãos Coen. A reconstituição criada por O Segredo de Berlim é comum, assim como o roteiro que não tem maiores reviravoltas interessantes. Mas se ele não consegue ser original, tem a felicidade de não ser complicado; é claro e direto, sem discursos complexos ou tramas difíceis de serem acompanhadas. A boa notícia é que o filme funciona, mesmo com esses probleminhas que tanto dificultam a aceitação do longa no sentido de ele ser uma viagem um pouco mal sucedida no tempo. Tendo em vista que o longa poderia ser muito mais do que realmente é – especialmente por causa dos nomes envolvidos nos projetos – cabe ao espectador, então, não ser muito crítico com O Segredo de Berlim. Com isso, ele será uma boa diversão sofisticada.
FILME: 7.0













