Cinema e Argumento

O Mágico

Direção: Sylvain Chomet

Com as vozes de: Jean-Claude Donda e Eilidh Rankin. Vozes adicionais de: Duncan MacNeil, Raymond Mearns, James T. Muir, Tom Urie

L’Illusionniste, França/Inglaterra, Animação, 80 anos

Sinopse: Um senhor trabalha como mágico, mas vê o público diminuir cada vez mais devido à preferência por atrações mais jovens e populares. Como consequência, ele tem menos oportunidades de trabalho e precisa viajar para se manter. Numa destas viagens, rumo à Escócia, ele conhece uma garota, a quem presenteia com um par de sapatos. Ao ir embora ela decide ir com ele. Ao mesmo tempo em que deseja ajudá-la, ele precisa encontrar meios para sustentar ambos.

Em 2003, o diretor francês Sylvain Chomet dirigiu As Bicicletas de Belleville, uma adorável animação que, inclusive, conseguiu indicações ao Oscar de melhor animação e canção original (a divertida Belleville Rendez-Vous). Agora, Chomet volta ao mundo das animações com O Mágico. Nesse meio tempo, ele só havia participado de Paris, Te Amo, onde dirigiu o curta-metragem Tour Eiffel. Ele não perdeu a habilidade para comandar animações. O único problema de O Mágico é o roteiro escrito originalmente por Jacques Tati.

Não é necessariamente um roteiro de escolhas erradas. A verdade é que a história contada em O Mágico não tem fôlego para construir um longa-metragem. Apesar de curtos 80 minutos, a jornada do protagonista ilusionista seria melhor aproveitada caso tivesse sido desenvolvida em formato de curta-metragem. Afinal, O Mágico é excelente no início e no final. Os obstáculos estão no meio, onde o roteiro parece ser redundante e pouco original na hora de desenvolver a amizade do protagonista com uma garota. Uma enrolação desnecessária que seria evitada em um formato menor.

Apostando na melancolia para mostrar a solitária vida de um mágico que está fracassando na vida profissional em função das novas estrelas do rock, O Mágico também se utiliza de muito humor. Mas não se engane: o que existe de comédia serve apenas para deixar ainda mais evidente o mundo de solidão do protagonista. Sylvain Chomet, assim como em As Bicicletas de Belleville, aposta num clima vanguardista e no tradicional desenho de personagens para mostrar que nem sempre a perfeição na técnica é o fundamental. Pena que, dessa vez, Chomet não conseguiu envolver tanto como em sua animação anterior. Faltou, no desenvolvimento, toda aquela melancolia que inicia e finaliza O Mágico.

FILME: 7.0

Melhores de 2010 – Figurino

Não adianta. Não consigo fugir do óbvio e deixar de celebrar outros figurinos que não sejam os de época. Alguns podem dizer que já se tornou clichê elogiar esses trabalhos ou que não existe mais originalidade nesse segmento. Pode até ser verdade, mas, pelo menos pra mim, os filmes de época continuam impecáveis no que se refere ao trabalho de figurinos. A Jovem Rainha Victoria não foge desse esquema e entrega uma roupagem excelente. Longe da extravagância visual (que eu adoro, admito) dos figurinos de Elizabeth – A Era de Ouro, as roupas criadas por Sandy Powell apostam na elegância sutil para reconstituir o guarda-roupa da rainha Victoria (Emily Blunt). Escolha mais do que acertada, uma vez que os figurinos encantam pelos pequenos detalhes e pela simplicidade de cores e acessórios.

BRILHO DE UMA PAIXÃO

Por um triz os figurinos de Brilho de Uma Paixão não ganharam nessa categoria. É aquele tipo de trabalho onde parece que os personagens estão constantemente trocando de figurinos só para chamar a atenção. Excetuando isso, Janet Patterson teve um trabalho muito satisfatória como figurinista, aproveitando-se dos mais variados estilos para compôr não apenas o lado visual do filme, mas também a própria personalidade dos personagens.

DIREITO DE AMAR

Não foi nenhuma surpresa ver que os figurinos de Direito de Amar eram impecáveis. Afinal, o que esperar das roupas do filme de um diretor que tem sua principal carreira profissional no mundo da moda? O longa de Tom Ford fez ótimas escolhas nesse segmento, desde o belo vestido que Charley (Julianne Moore) usa no jantar com George (Colin Firth) até aos mais previsíveis ternos e gravatas do protagonista. Tudo ideal e na medida: impecável, mas sem nunca saltar demais aos olhos ou ser extravagante.

EDUCAÇÃO

Traduzindo com precisão as roupas da Inglaterra dos anos 60, Odile Dicks-Mireaux fez um ótimo trabalho como figurinista de Educação. Reproduzindo desde os trajes colegiais de Jenny (Carey Mulligan) até as roupas mais sofisticadas usadas pelos personagens na glamourosa viagem à Paris, os figurinos foram uma peça fundamental para a reconstituição de época do filme de Lone Scherfig.

CHÉRI

Consolata Boyle deve ter o trabalho mais previsível entre os indicados nessa categoria. Nada do que podemos ver em relação aos figurinos de Chéri chega a ser mais impressionante. Contudo, é sempre bom ver trabalhos de época que, pelo menos, conseguem resultado satisfatório nesse setor. Apostando no básico para esse tipo de filme, a roupagem apresentada em Chéri está longe de ser dececpionante.

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Escolha do público:

1. A Jovem Rainha Vitória (11 votos, 34.38%)

2. Direito de Amar (10 votos, 31.25%)

3. Educação (5 votos, 15.63%)

4. Brilho de Uma Paixão (4 votos, 12.05%)

5. Chéri (2 votos, 6.25%)

Além da Vida

What do you think happens when we die?

Direção: Clint Eastwood

Elenco: Matt Damon, Cécile de France, Frankie McLaren, George McLaren, Bryce Dallas Howard, Thierry Neuvic, Richard Kind, Jay Mohr,

Hereafter, EUA, 2010, Drama, 129 minutos

Sinopse: Três pessoas são tocadas pela morte de maneiras diferentes. George (Matt Damon) é um americano que desde pequeno consegue manter contato com a vida fora da matéria, mas considera o seu dom uma maldição e tenta levar uma vida normal. Marie (Cécile De France) é jornalista, francesa, e passou por uma experiência de quase morte durante um tsunami. Em Londres, o menino Marcus (Frankie McLaren/George McLaren) perde alguém muito ligado a ele e parte em busca desesperada por respostas. Enquanto cada um segue sua vida, o caminho deles irá se cruzar, podendo mundar para sempre as suas crenças.

Clint Eastwood já foi um diretor que teve a minha completa admiração. Ele  fez um de meus filmes favoritos, As Pontes de Madison. Também foi ele que realizou outros longas excepcionais, como os mais recentes Sobre Meninos e Lobos e Menina de Ouro. Mas algo aconteceu nos últimos tempos. Assim como Woody Allen, Clint vem realizando cerca de um filme por ano. Só que, assim como o diretor do cultuado Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, não consegue apresentar trabalhos relevantes com muita frequência. Além da Vida dá sequência ao que Clint vinha apresentando em A Troca, Gran Torino e Invictus. Ou seja, direções quase que irreconhecíveis de tão mornas em filmes completamente sem personalidades.

Narrando três histórias diferentes e que, no final, encontram-se em um determinado ponto (e a união delas é preguiçosa e sem impacto, sem falar da união romântica cafona entre dois personagens), a direção peca por apostar no batido esquema a>b>c de narrar os fatos. Ou seja. Primeiro, temos uma cena com a personagem de Cécile de France. Depois, algum momento com Matt Damon. E, logo em seguida, a vida dos personagens de George e Frank McLaren. Quando esse ciclo acaba, volta-se ao início e começa tudo de novo. Erro, também, de uma montagem completamente acomodada e sem a mínima vontade de dinamizar essas três histórias, que são narradas de forma tão comum e unidas com muito desleixo no encerramento. Uma montagem quase amadora.

Mas antes a montagem ou a forma de narrar fossem os maiores problemas de Além da Vida. Não sei o que Clint Eastwood pretendia com esse fraco enredo. Se o longa não cai no melodrama enfadonho sobre espiritismo como o brasileiro Nosso Lar, também sequer desenvolve direito o tema. E o pior de tudo: é fraco na dramaticidade. É impressionante como Além da Vida acerta ao se esquivar do óbvio sobre o assunto espiritismo e não consegue trazer um pingo de emoção. A história morna, os personagens indiferentes e a estrutura previsível só atrapalham ainda mais a recepção do público com o filme. É uma produção que deixa aquela sensação de que absolutamente nada acontece em cena e que tudo não passa de uma verdadeira enrolação para nem mesmo transmitir uma mensagem dramática.

Pelas razões citadas, Além da Vida é praticamente nulo em conteúdo. Os fatos se apresentam, mas o filme não comove nem desperta nenhuma sensação no espectador. Pelo menos comigo foi assim: não me envolvi com os personagens e, consequemente, não conseguia ter outro sentimento a não ser o de indiferença com tudo que (não) acontecia. A trilha sonora tenta, a sequência do Tsunami ajuda e os atores parecem dispostos a dar um empurrão no ritmo, mas Além da Vida não consegue ser nada além de nada. Não é um filme ruim, mas é aquele tipo de situação em que a completa inércia de uma história aniquila com as chances de envolvimento. Clint Eastwood, mais uma vez diluiu o seu talento em uma produção dispensável, insossa e desnecessária. Nada aqui será lembrado. A sessão acaba e logo esquecemos de tudo que assistimos. E que bom que isso acontece. Não quero ficar me lembrando de um Clint que tem feito tantos filmes fracos…

FILME: 5.5

Melhores de 2010 – Fotografia

Depois da perfeita trilha sonora de Abel Korzeniowski, acredito que a fotografia de Eduard Grau seja o aspecto técnico mais impressionante em Direito de Amar. Utilizando uma característica marcante (as cores se ajustam aos sentimentos do protagonista), a fotografia é outro elemento que ajuda a construir todo o espetacular visual do filme de Tom Ford. Ela não se destaca apenas por ser original ou por ser um elemento que explora o lado emocional de George Falconer (Colin Firth), mas também por utilizar de forma impactante tudo o que cada cena lhe proporciona em detalhes – e nesse aspecto, destaca-se o momento em que Colin Firth conversa com um estranho na frente de um gigante cartaz de Psicose, de Hitchcock. Eduardo Grau inovou na fotografia e ajudou a construir o extraordinário lado visual desse filme que é um dos mais impactantes nesse segmento dos últimos anos.

A FITA BRANCA

Nem existia tanta necessidade para que A Fita Branca fosse filmado em preto e branco. Entretanto, o uso desse artifício, pelo menos pra mim, sempre traz um saldo muito positivo – principalmente para essa história cheia de mistérios. Explorando muito bem as paisagens do interior da Alemanha, a fotografia ajuda a criar o clima dúbio que cada personagem transmite. Nesse sentido, o uso do preto e branco só auxilia A Fita Branca a trazer ainda mais a doutrina rígida e misteriosa dos personagens do filme.

OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE

Se a fotografia de A Fita Branca reconstituiu muito bem o tenso clima instalado entre as misteriosas paisagens do interior da Alemanha, a de Os Famosos e os Duendes da Morte explorou com muita habilidade o sentimento de solidão do mr. Tambourine Man (Henrique Larré). Apostando basicamente em um trabalho de tonalidades e uso de escuridão para mostrar a isolada cidade em que o personagem vive, a fotografia foi fundamental para que entendessemos o desespero do protagonista ao considerar a sua cidade um “fim do mundo”.

BRILHO DE UMA PAIXÃO

Esse deve ser o ano das fotografias que retratam o interior dos países. Brilho de Uma Paixão, com sua ótima fotografia, nos transportou para uma cidade no interior da Inglaterra. As belas paisagens já seriam o suficiente para encantar os olhos, mas a fotografia vai além e absorve cada detalhe não só dessas paisagens, mas também dos próprios cenários e dos atores. Esse é um trabalho mais convencional, mas que nem por isso deixa de ser tão satisfatório quanto os outros indicados.

A ESTRADA

O tom quase que monocromático da fotografia de A Estrada foi fundamental para que o filme de John Hillcoat alcançasse todo o clima apocalíptico necessário para retratar a melancolia e o desespero dos personagens em um mundo devastado. Javier Aguirresarobe entregou o aspecto técnico mais marcante de A Estrada e graças a ele conseguimos acompanhar com mais emoção a jornada dos personagens – emoção essa que, no geral, o filme não chegou a apresentar de forma tão marcante quanto a fotografia.

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Escolha do público:

1. A Fita Branca (17 votos, 34.69%)

2. Os Famosos e os Duendes da Morte (13 votos, 26.53%)

3. Direito de Amar (12 votos, 24.49%)

4. Brilho de Uma Paixão (5 votos, 10.02%)

5. A Estrada (2 votos, 4.08%)

Globo de Ouro 2011

Ontem assisti ao Globo de Ouro 2011 sem qualquer expectativa. Pensem bem: como esperar surpresas e ousadias de um prêmio que indica Alice no País das Maravilhas como melhor filme de comédia e ainda seleciona Johnny Depp por dois papeis que são considerados os pontos baixos da carreira do ator? E não venham me dizer que foi falta de opção… Kick-Ass estava aí e foi solenemente ignorado. Portanto, não foi surpresa alguma acompanhar uma festa previsível e sem novidades, onde nas categorias de cinema foi feito o óbvio e nas de TV apostaram em escolhas não muito agradáveis.

Como todo ano, o Globo de Ouro se firma como apenas um evento. É perceptível como os vestidos, as entrevistas e os atores confraternizando são muito mais importantes que os prêmios em si. Ao contrário do Oscar, o GG se importa apenas em aparecer nos jornais e nas revistas – porque, convenhamos, qualquer premiação que se considera séria não convida Justin Bieber para apresentar qualquer categoria. Ou seja, assistir o Globo de Ouro é sinônimo de imaginar como deve ser prazeroso para os atores sair num domingo à tarde para tomar champagne, conversar com gente famosa e arrasar nos looks para chamar a atenção. Os prêmios são um mero detalhe. Mas isso não é novidade.

Algumas considerações sobre a cerimônia:

CINEMA

– Errar é humano. Insistir no erro é burrice. Ricky Gervais foi um insosso apresentador no ano passado e na cerimônia desse ano mostrou, novamente, que não foi a melhor das escolhas. Quando não passa despercebido (as milhares de categorias impedem que um apresentador do Globo de Ouro tenha muito espaço), apostava em piadas perigosas, brincando com a reputação de alguns presentes na festa.

– De todos os prêmios, o que mais me deixou contente foi o de Melissa Leo. Agora todo mundo vai inventar de dizer que ela já arrebentava desde Rio Congelado (eu já declarava isso desde o lançamento do filme e, inclusive, Leo tinha minha torcida para vencer o Oscar), mas o fato é que a atriz tem tudo para faturar o prêmio da Academia esse ano. Sua colega Amy Adams já não parece mais ser forte concorrente (Leo também venceu o Critics’ Choice).

– Ainda é cedo para dizer, mas, ao que tudo indica, A Rede Social será o grande vencedor do próximo Oscar. Ano passado, essa sensação estava com Avatar (Guerra ao Terror só foi aparecer semanas depois desbancando todos os candidatos, incluindo o filme de James Cameron, em tudo que é prêmio), mas duvido muito que o longa de Fincher perca o favoritismo. Uma pena, já que nem de longe merece essa badalação toda.

– Sério que tem pessoas surpresas com A Origem saindo de mãos vazias? É aquele típico caso de filme que não chegou aos cinemas na temporada de premiações. O longa de Nolan foi para os cinemas cedo demais. Pode ter certeza que se tivesse sua estreia no final do ano, estaria ganhando tudo. Mas ao menos era de se esperar que tivesse levado o de trilha para não sair de mãos abanando…

– Annette Bening e Natalie Portman. Será interessante acompanhar essa disputa. Óbvio que Bening vencerá o SAG, mas ainda assim não consigo ver a atriz como a favorita ao prêmio da Academia. Portman é desfavorecida pelo filme (cult demais, enquanto Minhas Mães e Meu Pai é o queridinho indie do ano), mas tem um papel que exige mais. Mas como queimei minha língua ano passado achando que Meryl venceria o Oscar só com o GG em mãos, minha aposta, por enquanto, fica com Bening.

Já no segmento televisivo, o Globo de Ouro conseguiu trazer algumas surpresas (a maioria delas decepcionante, é verdade). A TV se beneficia por ter um campo bem mais amplo de indicados, apesar da bagunça que é a categoria de coadjuvantes (é o cúmulo do absurdo misturar série, minissérie e telefilme). Mas, assim como o clima da premiação, quer destacar os nomes badalados do momento e os sucessos de público. Só isso para explicar uma segunda vitória de Glee. De qualquer forma, foi muito mais interessante acompanhar os prêmios para as séries do que para o cinema. O meu balanço geral sobre essa parte da cerimônia:

TV

– Como um prêmio popular e que tem como missão conseguir a maior audiência e destaque possível na mídia, o Globo de Ouro premiou, novamente, a modinha Glee. O estouro da série já passou e é de se surpreender que o prêmio tenha ignorado solenemente o Emmy, deixando de lado a ótima Modern Family, que não recebeu prêmio algum.

– Jane Lynch é, de fato, a estrela do elenco de Glee e, de maneira alguma, contesto qualquer prêmio para a ótima atriz. Por um outro lado, qualquer celebração para o banguela Chris Colfer é puro exagero. O garoto é gay na vida real e, na série, tem a mesma cara e o mesmo jeito que apresenta em entrevistas e prêmios. Colfer é ele mesmo no seriado. Se isso é  sinônimo de ser bom ator, então, ele realmente mereceu…

– O reinado de Mad Men parece ter chegado ao fim (também, depois de três anos vencendo…). Nada mais óbvio, portanto, do que premiar Boardwalk Empire. Sempre existe aquele blá blá blá que é puxa-saquismo porque tem o nome de Martin Scorsese envolvido – e, talvez, até seja – mas é programa da HBO. Ou seja, não tenho a audácia de contestar qualquer coisa. Qualquer outra série vencendo (incluindo a também recente The Walking Dead) seria ilusão.

– Laura Linney foi devidamente coroada por seu maravilhoso desempenho em The Big C. Esse, que era o prêmio de TV que eu mais esperava, foi amenizado porque a atriz não compareceu ao prêmio devido ao falecimento do seu pai. De qualquer forma, clap clap para Linney, ela mereceu!

– Momento WTF? da noite foi a tal de Katey Sagal vencendo melhor atriz em série dramática. Não vejo Sons of Anarchy, mas só de saber que uma categoria dessas não tem Glenn Close concorrendo por Damages já ganha o meu desprezo. Quanta audácia deixar Patty Hewes de fora!