Um Lugar Qualquer

Direção: Sofia Coppola
Elenco: Stephen Dorff, Elle Fanning, Chris Pontius, John Prudhont, Karissa Shannon, Lala Sloatman, Ellie Kemper, Brian Gattas
Somewhere, EUA, 2010, Drama, 97 minutos
Sinopse: Johnny Marco (Stephen Dorff) é um bem sucedido ator de Hollywood que não possui uma reputação das melhores. Hospedado no lendário hotel Chateau Marmont para recuperar-se de um acidente no set de filmagens, ele passa os dias em festas com strippers ou dirigindo sua Ferrari por puro prazer. Porém, o ator tem sua rotina subitamente alterada pela presença de Cleo (Elle Fanning), sua filha de 11 anos, que passa a visitá-lo com certa frequencia. Embora a princípio seja incapaz de dar à menina a atenção que precisa, a progressiva aproximação leva Johnny a reavaliar sua vida.

O trailer de Um Lugar Qualquer foi um dos mais interessantes do ano passado. Pena que ele seja tão enganador. Sofia Coppola sempre foi uma diretora superestimada (seus trabalhos mais interessantes são As Virgens Suicidas e Encontros e Desencontros, mesmo que longe de serem brilhantes), mas parece que esse exacerbado apreço dos seus fãs deixou a diretora um pouco pretensiosa. Um Lugar Qualquer, além de ser mais do mesmo de Coppola, acredita que certos maneirismos são encantadores – mas, na realidade, não são.
O principal deles é realizar filmes sobre o “nada”. Os personagens da diretora sempre possuem vidas movimentadas. No entanto, no fundo, são criaturas solitárias e sofrem com o vazio existencial. Mas, se no início da carreira ela soube versar bem sobre esse assunto, parece ter perdido completamente o jeito desde Maria Antonieta. Contudo, se esse tinha a seu favor uma parte técnica impressionante, Um Lugar Qualquer não tem nem esse aspecto para disfarçar as falhas e deixa ainda mais evidente que Coppola não está realizando apenas filmes sobre o nada, mas sim filmes que não dizem absolutamente nada.
Os longos planos (nem bem o filme completou dez minutos e eu já estava incomodado com eles) trazem os momentos mais irritantes. Coppola acha que basta colocar uma música indie super cool no fundo e deixar a câmera contemplando uma cena qualquer para que o filme se torne cult. Mas não é bem assim. Pelo contrário. Isso só mostra o quanto Um Lugar Qualquer deseja, a todo custo, se tornar um pequeno clássico alternativo. Existe uma grande diferença entre falar sobre o “nada” e mostrar “nada”. Sofia Coppola parece não saber mais distinguir isso.
Com a pretensão em seu maior pico, a diretora perde a oportunidade de trabalhar vários assuntos interessantes. A interação entre o protagonista e sua filha, por exemplo, é ilustrada de forma superficial. Essa era a storyline que poderia trazer força e emoção para Um Lugar Qualquer. Nem isso foi aproveitado. Stephen Dorff e Ellen Fanning fazem o que seus papéis pedem e, dentro do universo do longa, saem com resultados positivos. Contudo, é difícil rivalizar com um filme cheio de cenas soltas e de passagens sem propósitos.
Sofia Coppola deveria sair da sua bolha de pretensão e deixar de acreditar que tudo o que realiza é digno de aplausos. Ela tem fãs e acho que alguns deles podem até aprovar Um Lugar Qualquer. O problema é que Coppola já testou demais a paciência da parcela que não acredita na sua genialidade. O limite está aqui. Se antes o que ela realizava era apenas superestimado, agora se tornou totalmente desinteressante e monótono. O problema é que, mesmo com esse longa que merecia esquecimento, ela venceu o Leão de Ouro em Veneza. Então, como alguém pode convencê-la de que o que ela está fazendo é desinteressante se tem gente que diz justamente o contrário e ainda lhe dá prêmios por isso?
FILME: 5.5










