Além da Vida

What do you think happens when we die?

Direção: Clint Eastwood

Elenco: Matt Damon, Cécile de France, Frankie McLaren, George McLaren, Bryce Dallas Howard, Thierry Neuvic, Richard Kind, Jay Mohr,

Hereafter, EUA, 2010, Drama, 129 minutos

Sinopse: Três pessoas são tocadas pela morte de maneiras diferentes. George (Matt Damon) é um americano que desde pequeno consegue manter contato com a vida fora da matéria, mas considera o seu dom uma maldição e tenta levar uma vida normal. Marie (Cécile De France) é jornalista, francesa, e passou por uma experiência de quase morte durante um tsunami. Em Londres, o menino Marcus (Frankie McLaren/George McLaren) perde alguém muito ligado a ele e parte em busca desesperada por respostas. Enquanto cada um segue sua vida, o caminho deles irá se cruzar, podendo mundar para sempre as suas crenças.

Clint Eastwood já foi um diretor que teve a minha completa admiração. Ele  fez um de meus filmes favoritos, As Pontes de Madison. Também foi ele que realizou outros longas excepcionais, como os mais recentes Sobre Meninos e Lobos e Menina de Ouro. Mas algo aconteceu nos últimos tempos. Assim como Woody Allen, Clint vem realizando cerca de um filme por ano. Só que, assim como o diretor do cultuado Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, não consegue apresentar trabalhos relevantes com muita frequência. Além da Vida dá sequência ao que Clint vinha apresentando em A Troca, Gran Torino e Invictus. Ou seja, direções quase que irreconhecíveis de tão mornas em filmes completamente sem personalidades.

Narrando três histórias diferentes e que, no final, encontram-se em um determinado ponto (e a união delas é preguiçosa e sem impacto, sem falar da união romântica cafona entre dois personagens), a direção peca por apostar no batido esquema a>b>c de narrar os fatos. Ou seja. Primeiro, temos uma cena com a personagem de Cécile de France. Depois, algum momento com Matt Damon. E, logo em seguida, a vida dos personagens de George e Frank McLaren. Quando esse ciclo acaba, volta-se ao início e começa tudo de novo. Erro, também, de uma montagem completamente acomodada e sem a mínima vontade de dinamizar essas três histórias, que são narradas de forma tão comum e unidas com muito desleixo no encerramento. Uma montagem quase amadora.

Mas antes a montagem ou a forma de narrar fossem os maiores problemas de Além da Vida. Não sei o que Clint Eastwood pretendia com esse fraco enredo. Se o longa não cai no melodrama enfadonho sobre espiritismo como o brasileiro Nosso Lar, também sequer desenvolve direito o tema. E o pior de tudo: é fraco na dramaticidade. É impressionante como Além da Vida acerta ao se esquivar do óbvio sobre o assunto espiritismo e não consegue trazer um pingo de emoção. A história morna, os personagens indiferentes e a estrutura previsível só atrapalham ainda mais a recepção do público com o filme. É uma produção que deixa aquela sensação de que absolutamente nada acontece em cena e que tudo não passa de uma verdadeira enrolação para nem mesmo transmitir uma mensagem dramática.

Pelas razões citadas, Além da Vida é praticamente nulo em conteúdo. Os fatos se apresentam, mas o filme não comove nem desperta nenhuma sensação no espectador. Pelo menos comigo foi assim: não me envolvi com os personagens e, consequemente, não conseguia ter outro sentimento a não ser o de indiferença com tudo que (não) acontecia. A trilha sonora tenta, a sequência do Tsunami ajuda e os atores parecem dispostos a dar um empurrão no ritmo, mas Além da Vida não consegue ser nada além de nada. Não é um filme ruim, mas é aquele tipo de situação em que a completa inércia de uma história aniquila com as chances de envolvimento. Clint Eastwood, mais uma vez diluiu o seu talento em uma produção dispensável, insossa e desnecessária. Nada aqui será lembrado. A sessão acaba e logo esquecemos de tudo que assistimos. E que bom que isso acontece. Não quero ficar me lembrando de um Clint que tem feito tantos filmes fracos…

FILME: 5.5

11 comentários em “Além da Vida

  1. Fraco, entendiante, frustrante… é assim que classifico o filme. Fora a produção da tsunami no ínicio, o resto é pooooooooodre ! Sem conexão, se perde entre as histórias, cansa o telespectador mais inteligente e acostumado com filmes de alto nível. Não recomendo. Perdi meu precioso tempo, ficava esperando a todo momento algo de interessante acontecer, parecia que o filme não havia começado…rsrsrsrs RIDÍCULO

  2. Bruno, adorei o verso xD

    Alan, faz tempo que o Clint não acerta…

    Reinaldo, acho que, mesmo sendo dirigido por Clint, esse filme já é uma banalidade… Não vi diferencial algum nele.

    Weiner, nunca tive muito interesse por “Além da Vida”. Fui assistir porque minha avó estava louca pra ver!

    Natalia, pra mim, o filme, ao apostar no “lidar com um tema popular sem jogar a corda pra nenhum dos lados diretamente”, cai no limbo e fica numa neutralidade irritante!

    Otavio, pior que os filmes anteriores do Clint eu até conseguir relevar, mas com esse não deu =/

    Brenno, exatamente. Concordo contigo!

    Mayara, ou então com o musical com a Beyoncé =S

    Rafael, mesmo que o tema seja espiritismo, Clint pouco fala sobre isso…

  3. Soa estranho o interesse de Eastwood em filmar um projeto voltado para o lado espírita. E talvez por isso mesmo a curiosidade (pelo menos a minha) em torno do projeto só cresce. E para nós que temos tido vários filmes dentro dessa temática de gosto duvidoso, nada melhor do que um mestre para mostrar o que pode ser feito nessa seara. Espero ver logo!

  4. Uma historinha crua com Damon, uma historiha crua com a francesa, uma al explorada com os irmãos. Enfim, Eastwood irreconhecível.

  5. Eu achei bom. Mas não é um grande Eastwood. Apenas… BOM! Como “A Rede Social”, por exemplo. BOM! Não mais que isso.

    Abs!

  6. Eu nao achei tao chato assim nao, rs. Bem verdade que Eastwood já fez coisa mto melhor. Mas eu achei que no quesito “lidar com um tema popular sem jogar a corda pra nenhum dos lados diretamente” o mestre Clint mandou mto bem.

    Há falhas no roteiro, porem. Melanie ficou sem final, nem mesmo uma ceninha mostrando que fim que deu a garota. Nao achei isso bacana, seja la qual foi a razao de Eastwood ter posto ela no papel…

    Abs!

  7. Estava com os olhos bem grudados neste ALÉM DA VIDA, logo depois que li uma opinião numa revista semanal. Depois começaram as opiniões dos amigos cinéfilos. Uns dizendo que o filme era bom, mas a extensa maioria dizendo que era apenas razoável. Tenho que assistir e tirar minha própria conclusão, mas devo admitir que a cada dia minha curiosidade cai um pouquinho…

  8. Não acho que seja um Eastwood equiparável a filmes como os que vc citou (As pontes de Madison, Sobre meninos e lobos e Menina de ouro). Mas é um belo filme. Nas mãos de outro cineasta seria uma banalidade. Vejo um drama sensível que evita rótulos. Enfim, é uma questão de opinião, eu sei, mas acho que Eastwood – nesse eixo – ainda é um cineasta muito interessante.
    Abs

  9. Pocha, gosto tanto de Eastwood. Espero que ele volte a fazer trabalhos mais primorosos como antes. Verei este, para obter a minha opinião…Bem, espero que não saia muito decepionado da sala!

    []s

  10. Brasil fora

    E lá se vai mais um ano de Oscar sem Brasil
    O filme sobre Lula, eliminado, o júri decidiu
    Desde 2002 que desconhecemos essas emoções
    Quando Cidade de Deus emplacou em 4 indicações

    Há algum tempo, os nacionais voltaram à tona
    Jogaram a tal “pornochanchada” de vez na lona
    Nos últimos anos tivemos boas produções sim
    Mas para a Academia, não foram tantas assim

    Houve muita polêmica, aqui, na recente seleção
    Muitos discordaram quando apontou-se a decisão
    Um filme que foi fracasso de crítica e de bilheteria
    Convenceria a turma de Hollywood? Não poderia

    A velha política entrando em cena, intrometida
    Deveria ser figurante, mas vive de ser protagonista
    Culto à personalidade do presidente, quase o Jesus
    Final triste: o cinema brasileiro é que foi para a cruz

    Curioso é como nas novelas somos reis, imbatíveis
    Bons atores, direção, técnica e enredo irresistíveis
    Mas, no cinema, tem faltado feijão com arroz para vencer
    Em 2012 completaremos 10 anos de fora ou faremos por merecer?

    http://noticiaemverso.blogspot.com
    twitter: @noticiaemverso

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