Oscar 2011: Ator Coadjuvante

A lista dos atores coadjuvantes desse ano poderia ter sido um pouquinho diferente. Eu, por exemplo, tiraria a desnecessária indicação de Mark Ruffalo para colocar o ótimo Andrew Garfield. Apesar disso, temos uma lista que parece ter feito o que podia com os atores que mais se destacaram em seus respectivos filmes. Reconheço a qualidade de vários deles, mas, assim como a grande parte dos indicados em todas as categorias desse ano, nenhum chegou a me empolgar de verdade.
Christian Bale deve ser mesmo o futuro vencedor da categoria – e, claro, tem seus méritos. Bale é o grande destaque do novelesco O Vencedor e um prêmio para coroar seu desempenho é mais do que justo. Ainda que improvável, muitos comentam a possibilidade de Geoffrey Rush ganhar um segundo Oscar. E, olha, eu não me incomodaria. Ótimo em O Discurso do Rei, Rush tem uma ótima química com Colin Firth. Seria interessante ver os dois premiados, já que, no filme, os melhores momentos são todos deles.
Correndo por fora estão os outros três concorrentes, que não possuem qualquer chance de ganhar a estatueta. São bons desempenhos, mas não o suficiente para merecer esse reconhecimento – até porque qualquer um deles não chega nem perto de ameaçar Bale ou até mesmo Rush. A categoria, portanto, parece bem encaminhada para o ator de O Vencedor – mas, claro, devemos ficar de olho no amor exacerbado dos votantes por O Discurso do Rei.
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Minha ordem de preferência dos indicados:
1. GEOFFREY RUSH (O Discurso do Rei): Longe de ser coadjuvante, Geoffrey Rush é um alívio no filme de Tom Hooper. Mas bobagem seria defini-lo apenas dessa maneira, já que seu personagem serve de total contraponto ao de Colin Firth. Carismático ao extremo e eficiente em cada cena, Rush não merecia ser esquecido. Colin Firth sozinho é excepcional no filme, mas, junto com Rush, fica melhor ainda. Por isso, ambos mereciam honrarias.
2. CHRISTIAN BALE (O Vencedor): Custei a acreditar que Christian Bale pudesse estar notável em um filme. Ok, ele já estava ótimo e igualmente magro em O Operário, mas, ultimamente, não conseguia gostar muito dele. A situação mudou com O Vencedor, onde Bale conseguiu me conquistar, sendo um dos principais atrativos do filme. Certamente possui o melhor papel, mas o resultado não é só frutos da figura construída pelo roteiro. Bale tem extrema importância nessa jornada.
3. JOHN HAWKES (Inverno da Alma): A princípio, o papel de John Hawkes em Inverno da Alma é difícil. Não simpatizamos logo de cara com a figura dele. Entretanto, o filme passa e Hawkes começa a ficar cada vez melhor, fazendo um excelente par com Jennifer Lawrence, a estrela do filme. Coadjuvante de verdade (e não quase protagonista como Rush e Bale), o ator ajuda a tirar Inverno da Alma do total tempo perdido.
4. JEREMY RENNER (Atração Perigosa): Ano passado fui completamente contra a indicação de Renner por Guerra ao Terror, mas, esse ano, ele tem meu apoio. Pena que Atração Perigosa tenha sido representado apenas no nome de Renner, já que é um excelente filme. De qualquer jeito, o ator é um dos destaques do filme de Ben Affleck e a sua segunda indicação ao prêmio, ao contrário da primeira, tem sim seus méritos.
5. MARK RUFFALO (Minhas Mães e Meu Pai): Não sei a troco de quê Mark Ruffalo foi indicado. Sério, em Minhas Mães e Meu Pai ele não faz nada que já não tenha feito antes. Mais do mesmo. E o pior de tudo: deve ser o mais desinteressante do elenco. Enfim, não consigo esquecer meu desgosto pela indicação do ator. Bem desnecessária…
O ESQUECIDO
Representando a humanidade e a emoção que faltam em todos os outros personagens de A Rede Social, Andrew Garfield foi o grande esnobado na cerimônia desse ano. Seu Eduardo Saverin é o único que não parece um robô falando, algo que por si só já justificaria destaque. No entanto, o retrato que Garfield faz vai além dessas meras características. O jovem ator conquista o espectador, delineando muito bem o caráter de seu personagem e todas as suas motivações. É de se indignar que Garfield tenha sido lembrado apenas pelo Globo de Ouro. Ausência mais do que sentida.

MARION COTILLARD (A Origem): O Oscar quebrou barreiras linguísticas e premiou Marion Cotillard como melhor atriz por Piaf – Um Hino ao Amor. No entanto, depois dessa coroação, escolheu não mais reconhecê-la. Em A Origem, encontramos o terceiro trabalho consecutivo da atriz que é esnobado pela Academia (os outros foram Inimigos Públicos e Nine). Uma pena. No filme de Nolan, ela brilha em cada cena que aparece e ainda carrega a principal carga emotiva da história. Sem falar que a francesa é dona da personagem mais magnética de A Origem. Liga não, Marion, nós te adoramos!










