Cinema e Argumento

Indicados: Framboesa de Ouro + Oscar 2011

Se existe um prêmio que a Sandra Bullock realmente mereceu ano passado foi o Framboesa de Ouro de pior atriz pelo péssimo Maluca Paixão. Só. Ela não deveria nem ter sido indicada a qualquer outra premiação além dessa. Mas por mais que a vitória dela no Framboesa tenha sido justa, o prêmio já não é mais o mesmo. Se antes realmente celebrava os piores do ano, nos últimos anos mostrou-se uma verdadeira brincadeira que fica desvalorizando alguns profissionais gratuitamente. Portanto, assim como o MTV Movie Awards (que, num tempo que me escapa à memória, também foi legal), não tem mais credibilidade alguma comigo.

No entanto, para minha surpresa, eis que hoje me deparo com uma lista impecável vinda do Framboesa de Ouro. Impecável, com todas as letras. Possivelmente, essa deve ter sido a seleção mais justa que já vi na história do prêmio. A lista é liderada por Eclipse, O Último Mestre do Ar e, claro, Sex and the City 2. Para a saga Crepúsculo, as indicações óbvias de pior filme, diretor, roteiro e remake/sequência/prequel. O filme de Shyamalan e o longa das quatro amigas nova-iorquinas também foram indicados nessas respectivas categorias.

Falar mal de Eclipse (que também conseguiu indicações de pior atriz para a sempre péssima Kristen Stewart e pior ator para Robert Pattinson e Taylor Lautner) e de O Último Mestre do ar é cair no lugar-comum. São filmes muito ruins e que, de fato, merecem todas as indicações que receberam. Contudo, o que mais me deixou contente nessa lista foi o justo massacre de Sex and the City 2. O resultado recebeu bombardeio até dos fãs e ver todo o quarteto indicado a pior atriz, além de Liza Minelli por sua participação vergonha alheia como coadjuvante, é mais do que correto.

Além disso, outros filmes fracassados como Gente Grande, Os Vampiros Que Se Mordam, O Caçador de Recompensas e Fúria de Titãs também tiveram menções. Mais um destaque é a categoria de “Pior uso do 3D”. Uma ótima ideia para “celebrar” como a indústria de Hollywood cobra preços abusivos por filmes que nem sabem usar direito essa tecnologia. Ou seja, o Framboesa de Ouro desse ano é um completo acerto. A lista está maravilhosa (só colocaria Avitividade Paranormal 2 para completar a festa) e o prêmio parece que voltou a se dar o respeito. Isso sim é celebrar os verdadeiros piores do ano! Confira aqui a lista dos indicados.

E o prêmio de carreira irregular foi para Sandra Bullock! Ganhou o Framboesa de Ouro num dia e derrotou Meryl Streep e Helen Mirren no outro ao ganhar o Oscar de melhor atriz. Ela tinha o apoio do público e muita bilheteria ao seu favor, mas foi justamente bombardeada por ter vencido um Oscar que não era seu. Não foi só ela que abalou a já decepcionante visão que eu tinha da premiação (e afirmo que também abalou a de muita gente). A festa em si conseguiu o mesmo feito. Ninguém mais se lembra de Guerra ao Terror e a cerimônia não poderia ter sido mais passageira.

Agora fica a pergunta: o que o Oscar vai aprontar esse ano para tentar recuperar a série de escolhas erradas que fez ano passado? Amanhã, o presidente da Academia e a vencedora do último Oscar de atriz coadjuvante, Mo’Nique, vão anunciar a lista de finalistas para a próxima edição do prêmio. Insisto que ainda é muito cedo para afirmar que A Rede Social é o vencedor certo da festa. Não se surpreendam caso o Oscar queira fazer algo diferente da previsível cerimônia do ano passado. Eles não devem cometer o mesmo erro. Inclusive, não devem premiar outra queridinha de comédias românticas cujo prêmio não vai fazer diferença alguma em sua carreira…

O Cinema e Argumento, então, resolve arriscar alguns palpites para a lista que será divulgada amanhã. Já se foi o tempo em que tinha paciência para também apostar em categorias técnicas. Portanto, ficam, abaixo, as minhas apostas apenas para as categorias principais. Tentei fugir um pouco do óbvio (a previsibilidade anda tão grande que chega a ser um pouco suspeita) e arriscar aqui ou ali. E você, como acha que vai ser a próxima edição do Oscar?

MELHOR FILME [acertos: 10/10]

127 HORAS

BRAVURA INDÔMITA

CISNE NEGRO

O DISCURSO DO REI

INVERNO DA ALMA

MINHAS MÃES E MEU PAI

A ORIGEM

A REDE SOCIAL

TOY STORY 3

O VENCEDOR

MELHOR DIRETOR [acertos: 3/5]

DARREN ARONOFSKY / Cisne Negro

DANNY BOYLE / 127 Horas

DAVID FINCHER / A Rede Social

TOM HOOPER / O Discurso do Rei

CHRISTOPHER NOLAN / A Origem

MELHOR ATRIZ [acertos: 3/5]

ANNETTE BENING / Minhas Mães e Meu Pai

JENNIFER LAWRENCE / Inverno da Alma

LESLEY MANVILLE / Another Year

JULIANNE MOORE / Minhas Mães e Meu Pai

NATALIE PORTMAN / Cisne Negro

MELHOR ATOR [acertos: 5/5]

JAMES FRANCO / 127 Horas

JAVIER BARDEM / Biutiful

JEFF BRIDGES / Bravura Indômita

JESSE EISENBERG / A Rede Social

COLIN FIRTH / O Discurso do Rei

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE [acertos: 5/5]

AMY ADAMS / O Vencedor

HAILEY STANFIELD / Bravura Indômita

HELENA BONHAM CARTER / O Discurso do Rei

JACKI WEAVER / Reino Animal

MELISSA LEO / O Vencedor

MELHOR ATOR COADJUVANTE [acertos: 4/5]

CHRISTIAN BALE / O Vencedor

ANDREW GARFIELD / A Rede Social

MARK RUFFALO / Minhas Mães e Meu Pai

JEREMY RENNER / Atração Perigosa

GEOFFREY RUSH / O Discurso do Rei

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL [acertos: 4/5]

ANOTHER YEAR

CISNE NEGRO

O DISCURSO DO REI

MINHAS MÃES E MEU PAI

A ORIGEM

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO [acertos: 4/5]

ATRAÇÃO PERIGOSA

A REDE SOCIAL

BRAVURA INDÔMITA

INVERNO DA ALMA

TOY STORY 3

Melhores de 2010 – Roteiro Adaptado

Fiquei duas vezes impressionado com o roteiro de Tom Ford e David Scearce para Direito de Amar. A primeira foi quando assisti o filme sem qualquer conhecimento da obra original, Um Homem Só – Flagrante de Uma Profunda Solidão, de Christopher Isherwood. A segunda foi após ter lido o texto do britânico. Em ambas oportunidades ficou evidente, pelo menos pra mim, a potente força dramática de um filme que encontra na sutileza a sua principal engrenagem. Direito de Amar é um filme de emoções contidas que se acumulam a cada minuto de projeção e que no, final das contas,  resultam em algo extremamente melancólico. A elegância da narrativa constrói uma das histórias mais bonitas sobre perda dos últimos anos. Sem falar de uma brusca mudança no protagonista que, no livro, era um sujeito amargamente antipático e que, no longa, tornou-se um homem sofrido e triste, porém admirável. Uma escolha mais do que acertada e que só melhorou ainda mais as emoções de Direito de Amar. Um filme que conseguiu ser melhor que o livro. Algo raro de se encontrar. Para uma dupla de iniciantes, Ford e Scearce se mostraram verdadeiros gênios.

OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE

O roteiro de Os Famosos e os Duendes da Morte é um dos mais raros no cinema brasileiro contemporâneo. Gostando ou não do longa de Esmir Filho, ninguém poderá dizer que o resultado se parece com qualquer outro que tenha sido produzido no Brasil recentemente. Muito disso se deve não apenas ao trabalho de Esmir atrás das câmeras como diretor, mas também ao roteiro que ele escreveu junto com Ismael Caneppele, autor do livro que deu origem ao filme. Trabalhando os dilemas do protagonista de forma extremamente metafórica e subjetiva, o roteiro de Os Famosos e os Duendes da Morte pode, sem dúvida alguma, servir de exemplo de inspiração e maturidade para o cinema nacional.

EDUCAÇÃO

O estilo britânico de narrar histórias não está presente apenas na direção de Lone Scherfig ou na reconstituição de época de Educação. O estilo britânico também se mostra vivo na forma como o roteiro faz um preciso delineamento da trajetória de Jenny (Carey Mulligan). Para muitos, pode ter um ritmo meio lento e sem acontecimentos, mas isso é essencial para que o texto de Nick Hornby construa, com várias sutilezas, o crescimento emocional e psicológico da personagem. Pode ser que, durante o filme, até não notemos (e esse é um grande mérito), mas, no final, vemos que a Jenny do desfecho está longe de ser aquela que nos foi apresentada inicialmente.

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – PARTE 1

Pelo menos para mim, essa primeira parte de Harry Potter e as Relíquias da Morte era uma tragédia anunciada. Detesto a primeira parte do livro de J.K. Rowling e o filme tinha tudo para seguir a monotonia que reinava durante a primeira parcela do livro. Para a minha surpresa, Steve Kloves fez um trabalho surpreendente com o roteiro. A maioria do público que não teve contato com a obra original condenou o ritmo lento do enredo. Porém, a verdade é que a versão cinematográfica conseguiu ser bem melhor que a literária. Não só no sentido de descobertas ou de acontecimentos mágicos na vida do protagonista. A emoção também foi bem pontuada.

AMOR SEM ESCALAS

Quando Preciosa – Uma História de Esperança tirou o Oscar de roteiro adaptado das mãos de Amor Sem Escalas, a confusão foi grande. Muitos reclamaram da escolha, enquanto uma pequena parcela apoiava. Fico no grupo que considerava essencial a vitória do filme de Jason Reitman na categoria, ao passo que o melhor, Direito de Amar, nem concorria. Amor Sem Escalas tem aquele tipo de texto que narra uma história contemporânea e, ao mesmo tempo, traz diálogos inteligentes e reflexivos. Existem algumas previsibilidades no desenvolvimento – especialmente no final – mas nada que apague o dinamismo desse ótimo trabalho.

_

Escolha do público:

1. Direito de Amar (15 votos, 38.46%)

2. Amor Sem Escalas (14 votos, 35.09%)

3. Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 (5 votos, 12.82%)

4. Educação (3 votos, 7.69%)

5. Os Famosos e os Duendes da Morte (2 votos, 5.13%)

O Mágico

Direção: Sylvain Chomet

Com as vozes de: Jean-Claude Donda e Eilidh Rankin. Vozes adicionais de: Duncan MacNeil, Raymond Mearns, James T. Muir, Tom Urie

L’Illusionniste, França/Inglaterra, Animação, 80 anos

Sinopse: Um senhor trabalha como mágico, mas vê o público diminuir cada vez mais devido à preferência por atrações mais jovens e populares. Como consequência, ele tem menos oportunidades de trabalho e precisa viajar para se manter. Numa destas viagens, rumo à Escócia, ele conhece uma garota, a quem presenteia com um par de sapatos. Ao ir embora ela decide ir com ele. Ao mesmo tempo em que deseja ajudá-la, ele precisa encontrar meios para sustentar ambos.

Em 2003, o diretor francês Sylvain Chomet dirigiu As Bicicletas de Belleville, uma adorável animação que, inclusive, conseguiu indicações ao Oscar de melhor animação e canção original (a divertida Belleville Rendez-Vous). Agora, Chomet volta ao mundo das animações com O Mágico. Nesse meio tempo, ele só havia participado de Paris, Te Amo, onde dirigiu o curta-metragem Tour Eiffel. Ele não perdeu a habilidade para comandar animações. O único problema de O Mágico é o roteiro escrito originalmente por Jacques Tati.

Não é necessariamente um roteiro de escolhas erradas. A verdade é que a história contada em O Mágico não tem fôlego para construir um longa-metragem. Apesar de curtos 80 minutos, a jornada do protagonista ilusionista seria melhor aproveitada caso tivesse sido desenvolvida em formato de curta-metragem. Afinal, O Mágico é excelente no início e no final. Os obstáculos estão no meio, onde o roteiro parece ser redundante e pouco original na hora de desenvolver a amizade do protagonista com uma garota. Uma enrolação desnecessária que seria evitada em um formato menor.

Apostando na melancolia para mostrar a solitária vida de um mágico que está fracassando na vida profissional em função das novas estrelas do rock, O Mágico também se utiliza de muito humor. Mas não se engane: o que existe de comédia serve apenas para deixar ainda mais evidente o mundo de solidão do protagonista. Sylvain Chomet, assim como em As Bicicletas de Belleville, aposta num clima vanguardista e no tradicional desenho de personagens para mostrar que nem sempre a perfeição na técnica é o fundamental. Pena que, dessa vez, Chomet não conseguiu envolver tanto como em sua animação anterior. Faltou, no desenvolvimento, toda aquela melancolia que inicia e finaliza O Mágico.

FILME: 7.0

Melhores de 2010 – Figurino

Não adianta. Não consigo fugir do óbvio e deixar de celebrar outros figurinos que não sejam os de época. Alguns podem dizer que já se tornou clichê elogiar esses trabalhos ou que não existe mais originalidade nesse segmento. Pode até ser verdade, mas, pelo menos pra mim, os filmes de época continuam impecáveis no que se refere ao trabalho de figurinos. A Jovem Rainha Victoria não foge desse esquema e entrega uma roupagem excelente. Longe da extravagância visual (que eu adoro, admito) dos figurinos de Elizabeth – A Era de Ouro, as roupas criadas por Sandy Powell apostam na elegância sutil para reconstituir o guarda-roupa da rainha Victoria (Emily Blunt). Escolha mais do que acertada, uma vez que os figurinos encantam pelos pequenos detalhes e pela simplicidade de cores e acessórios.

BRILHO DE UMA PAIXÃO

Por um triz os figurinos de Brilho de Uma Paixão não ganharam nessa categoria. É aquele tipo de trabalho onde parece que os personagens estão constantemente trocando de figurinos só para chamar a atenção. Excetuando isso, Janet Patterson teve um trabalho muito satisfatória como figurinista, aproveitando-se dos mais variados estilos para compôr não apenas o lado visual do filme, mas também a própria personalidade dos personagens.

DIREITO DE AMAR

Não foi nenhuma surpresa ver que os figurinos de Direito de Amar eram impecáveis. Afinal, o que esperar das roupas do filme de um diretor que tem sua principal carreira profissional no mundo da moda? O longa de Tom Ford fez ótimas escolhas nesse segmento, desde o belo vestido que Charley (Julianne Moore) usa no jantar com George (Colin Firth) até aos mais previsíveis ternos e gravatas do protagonista. Tudo ideal e na medida: impecável, mas sem nunca saltar demais aos olhos ou ser extravagante.

EDUCAÇÃO

Traduzindo com precisão as roupas da Inglaterra dos anos 60, Odile Dicks-Mireaux fez um ótimo trabalho como figurinista de Educação. Reproduzindo desde os trajes colegiais de Jenny (Carey Mulligan) até as roupas mais sofisticadas usadas pelos personagens na glamourosa viagem à Paris, os figurinos foram uma peça fundamental para a reconstituição de época do filme de Lone Scherfig.

CHÉRI

Consolata Boyle deve ter o trabalho mais previsível entre os indicados nessa categoria. Nada do que podemos ver em relação aos figurinos de Chéri chega a ser mais impressionante. Contudo, é sempre bom ver trabalhos de época que, pelo menos, conseguem resultado satisfatório nesse setor. Apostando no básico para esse tipo de filme, a roupagem apresentada em Chéri está longe de ser dececpionante.

_

Escolha do público:

1. A Jovem Rainha Vitória (11 votos, 34.38%)

2. Direito de Amar (10 votos, 31.25%)

3. Educação (5 votos, 15.63%)

4. Brilho de Uma Paixão (4 votos, 12.05%)

5. Chéri (2 votos, 6.25%)

Além da Vida

What do you think happens when we die?

Direção: Clint Eastwood

Elenco: Matt Damon, Cécile de France, Frankie McLaren, George McLaren, Bryce Dallas Howard, Thierry Neuvic, Richard Kind, Jay Mohr,

Hereafter, EUA, 2010, Drama, 129 minutos

Sinopse: Três pessoas são tocadas pela morte de maneiras diferentes. George (Matt Damon) é um americano que desde pequeno consegue manter contato com a vida fora da matéria, mas considera o seu dom uma maldição e tenta levar uma vida normal. Marie (Cécile De France) é jornalista, francesa, e passou por uma experiência de quase morte durante um tsunami. Em Londres, o menino Marcus (Frankie McLaren/George McLaren) perde alguém muito ligado a ele e parte em busca desesperada por respostas. Enquanto cada um segue sua vida, o caminho deles irá se cruzar, podendo mundar para sempre as suas crenças.

Clint Eastwood já foi um diretor que teve a minha completa admiração. Ele  fez um de meus filmes favoritos, As Pontes de Madison. Também foi ele que realizou outros longas excepcionais, como os mais recentes Sobre Meninos e Lobos e Menina de Ouro. Mas algo aconteceu nos últimos tempos. Assim como Woody Allen, Clint vem realizando cerca de um filme por ano. Só que, assim como o diretor do cultuado Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, não consegue apresentar trabalhos relevantes com muita frequência. Além da Vida dá sequência ao que Clint vinha apresentando em A Troca, Gran Torino e Invictus. Ou seja, direções quase que irreconhecíveis de tão mornas em filmes completamente sem personalidades.

Narrando três histórias diferentes e que, no final, encontram-se em um determinado ponto (e a união delas é preguiçosa e sem impacto, sem falar da união romântica cafona entre dois personagens), a direção peca por apostar no batido esquema a>b>c de narrar os fatos. Ou seja. Primeiro, temos uma cena com a personagem de Cécile de France. Depois, algum momento com Matt Damon. E, logo em seguida, a vida dos personagens de George e Frank McLaren. Quando esse ciclo acaba, volta-se ao início e começa tudo de novo. Erro, também, de uma montagem completamente acomodada e sem a mínima vontade de dinamizar essas três histórias, que são narradas de forma tão comum e unidas com muito desleixo no encerramento. Uma montagem quase amadora.

Mas antes a montagem ou a forma de narrar fossem os maiores problemas de Além da Vida. Não sei o que Clint Eastwood pretendia com esse fraco enredo. Se o longa não cai no melodrama enfadonho sobre espiritismo como o brasileiro Nosso Lar, também sequer desenvolve direito o tema. E o pior de tudo: é fraco na dramaticidade. É impressionante como Além da Vida acerta ao se esquivar do óbvio sobre o assunto espiritismo e não consegue trazer um pingo de emoção. A história morna, os personagens indiferentes e a estrutura previsível só atrapalham ainda mais a recepção do público com o filme. É uma produção que deixa aquela sensação de que absolutamente nada acontece em cena e que tudo não passa de uma verdadeira enrolação para nem mesmo transmitir uma mensagem dramática.

Pelas razões citadas, Além da Vida é praticamente nulo em conteúdo. Os fatos se apresentam, mas o filme não comove nem desperta nenhuma sensação no espectador. Pelo menos comigo foi assim: não me envolvi com os personagens e, consequemente, não conseguia ter outro sentimento a não ser o de indiferença com tudo que (não) acontecia. A trilha sonora tenta, a sequência do Tsunami ajuda e os atores parecem dispostos a dar um empurrão no ritmo, mas Além da Vida não consegue ser nada além de nada. Não é um filme ruim, mas é aquele tipo de situação em que a completa inércia de uma história aniquila com as chances de envolvimento. Clint Eastwood, mais uma vez diluiu o seu talento em uma produção dispensável, insossa e desnecessária. Nada aqui será lembrado. A sessão acaba e logo esquecemos de tudo que assistimos. E que bom que isso acontece. Não quero ficar me lembrando de um Clint que tem feito tantos filmes fracos…

FILME: 5.5