Cinema e Argumento

Novo trailer de “Cegueira”

Se o primeiro trailer não satisfazia a minha curiosidade em relação ao longa, ainda que fosse uma prévia instigante, esse segundo me animou completamente. Ainda acho que vai ser uma das melhores produções do ano e que Julianne Moore vai arrasar. Cannes não quer dizer muita coisa, boa sorte para o nosso Fernando Meirelles.

As Submissões Ao Emmy (Pushing Daisies)

Pushing Daisies é a maior surpresa entre as séries dessa temporada. Não apenas por causa de sua inteligência em relação ao seu humor ou por causa da história super original, mas por causa de seu visual inovador e instigante – aproximando-se muito do conhecido estilo de Tim Burton. Afetada pela greve dos roteiristas, a primeira temporada de Pushing Daisies (que aqui no Brasil irá receber o subtítulo de “Um Toque de Vida”) teve somente nove episódios; contudo, isso não impediu que a série chamasse a atenção do público, que teve uma recepção muito boa. De certa forma, Pushing tinha vários fatores que não favoriam seu sucesso – não temos mentes conhecidas envolvidas no projeto e a história é original até demais para os padrões inventivos atuais. Aconteceu justamente o contrário, o seriado foi um grande sucesso e já é nome certo em pelo menos algumas categorias da próxima premiação do Emmy, cujos indicados serão revelados no próximo dia 17.

Infelizmente chego a conclusão que Pushing Daisies vai ter que se contentar apenas com algumas indicações. Recentemente se soube que a série foi finalista em duas categorias – atriz em série cômica e atriz coadjuvante em série cômica. Provavelmente Anna Friel e Kristin Chenoweth vão receber as indicações em suas respectivas categorias, mas ambas com chances quase nulas de ganhar. Já uma indicação para o seriado na categoria principal e sequer na categoria de melhor ator em seriado cômico já é algo bem incerto. A série não anda sendo muito cotada nem comentada para a festa, mas quem sabe não teremos uma surpresa? Pushing Daisies é merecedora de maior destaque, pois não é qualquer dia que enxergamos uma série cômica tão hipnotizante como essa. De qualquer forma, mesmo que não faça sucesso nas premiações, o público se encarregará de que ela seja para sempre lembrada. Os produtores da série resolveram investir mais no episódio piloto, Pie-Lette, o que certamente é uma ótima jogada, visto que é um dos melhores episódios do seriado.

COMEDY SERIES

Pushing Daisies – “Pie-Lette

COMEDY LEAD ACTOR

Lee Pace – “Pie-Lette

COMEDY LEAD ACTREES

Anna Friel – “Bitter Sweets

COMEDY SUPPORTING ACTOR

Chi McBride – “Bitches

COMEDY SUPPORTING ACTREES

Kristin Chenoweth – “Girth
Ellen Greene – “Smell Of Success
Swoosie Kurtz – “Smell Of Success

COMEDY GUEST ACTOR

Brad Grunberg – “The Fun In Funeral
Paul Reubens – “Smell Of Success
Christopher Sieber – “Smell Of Success

COMEDY DIRECTING

Barry Sonnenfeld – “Pie-Lette

COMEDY WRITING

Bryan Fuller – “Pie-Lette

As Submissões Ao Emmy (Damages)

É inegável, Damages é a série queridinha do momento. Mesmo que a fama do seriado gire praticamente toda em torno do marcante desempenho da Glenn Close como a poderosa e implacável Patty Hewes, a história foi começando a atingir um público mais amplo até se tornar uma das principais concorrentes a categoria principal do Emmy desse ano. Inclusive, arrisco a dizer que seja a que tenha mais chances de vencer. Também não é pra menos, Damages consegue ser o melhor drama jurídico já criado na televisão – unindo inteligente condução, excelentes desempenhos e um roteiro interessante. Confesso que apesar de eu ter muito respeito por esse trabalho, especialmente por ser muito bem construído, até agora não cheguei a ser cativado (visto que recém estou no episódio número quatro). Então, minhas visões e comentários sobre o seriado são bem limitados e expressam apenas o que Damages me transmitiu no pouco que assisti até o momento. Sem dúvida é uma série merecedora de seu sucesso, por mais que seu público seja limitado aos que apreciam uma trama complexa e cheia de detalhes.

Como em toda premiação decente, não existem favoritos absolutos. Mas se existe uma categoria em que quase todos têm o mesmo palpite, essa é melhor atriz em série dramática. Desde que ganhou o Globo de Ouro (mas vale lembrar que ela perdeu o Screen Actors Guild), Glenn Close vem ganhando força a cada momento. Às vezes fico achando que o êxito de sua presença se deve mais ao benefício que a atriz recebe por ter um personagem tão instigante e poderoso, lembrando muito o encanto que Meryl Streep causava nas telas com sua Miranda Priestly em O Diabo Veste Prada. Mas isso é mera impressão, Glenn vai além disso – sabe atuar de forma magistral. Se dependesse disso, sua vitória no Emmy seria mais do que certa. O que deixa dúvidas sobre sua vitória é a escolha de seu episódio concorrente. O Pilot dá mais espaço para que a personagem Ellen Parsons (Rose Byrne) seja melhor trabalhada, enquanto Patty Hewes (Glenn Close) é apenas uma figura coadjuvante enigmática e hipnotizante. Mas mesmo assim é bem provável que ela leve.

Uma jogada esperta foi incluir Rose Byrne como atriz coadjuvante em série dramática. Todo mundo sabe que ela é outra favorita uma vez incluída nessa categoria. Seria uma vitória mais do que perfeita… se Rose fosse coadjuvante. O que me parece é que esse tipo de jogada injusta já se ajustou ao padrão de todos, que aceitam isso com certa naturalidade. Eu ainda me irrito muito com isso, porque evita com que outras merecedoras se saiam vitoriosas. Damages já pode caminhas tranquilamente para Emmy porque, de acordo com as listas divulgadas recentemente, a série já é finalista nas categorias de melhor série dramática, atriz em série dramática, atriz coadjuvante em série dramática e ator coadjuvante em série dramática.

DRAMA SERIES

Damages – “Pilot

DRAMA LEAD ACTREES

Glenn Close – “Pilot

DRAMA SUPPORTING ACTOR

Philip Bosco – “Pilot
Ted Danson – “Jesus, Mary and Joe Cocker
Tate Donovan – “A Regular Earl Anthony
Zeljko Ivanek – “I Hate These People

DRAMA SUPPORTING ACTREES

Rose Byrne – “Because I Know Patty
Anastasia Griffith – “Tastes Like a Ho-Ho

DRAMA GUEST ACTOR

Michael Nouri – “And My Paralyzing Fear Of Death
Peter Riegert – “Do You Regret What We Did?”

DRAMA DIRECTING

Daniel Attias – “We Are Not Animals
Ed Bianchi – “I Hate These People
Timothy Busfield – “Sort of Like a Family
Thomas Carter – “Do You Regret What We Did?”
Allen Coulter – “Pilot
Todd A. Kessler – “Because I Know Patty
Mario Van Peebles – “She Spat on Me
Greg Yaitanes – “Jesus, Mary and Joe Cocker

DRAMA WRITING

Jeremy Doner, Mark Fish – “Sort of Like a Family
Mark Fish – “She Spat at Me
Todd A. Kessler, Glenn Kessler, Daniel Zelman – “Pilot
Aaron Zelman – “We Are Not Animals

As Submissões Ao Emmy (Dexter)

Chegou a hora da verdade. Será que o Emmy vai esnobar novamente a série mais inteligente e instigante exibida no momento? É até compreensível que os votantes não tivessem simpatizado logo de cara com a primeira temporada de Dexter (não tão compreensível assim, já que é uma temporada maravilhosa), mas deixar de lado essa segunda parte seria uma grande ofensa para os fãs do seriado. Contudo, Emmy é Emmy e eu não me surpreenderia muito se fizessem isso – já que não acho uma premiação justa ou sequer muito interessante nas suas escolhas. Tamanho foi o descaso do prêmio com a série ano passado, que nem o memorável desempenho do protagonista Michael C. Hall foi lembrado entre os cinco finalistas na categoria de melhor ator em série dramática. Michael parece não ter a simpatia dos votantes, já que durante toda a sua carreira e cinco maravilhosas temporadas de Six Feet Under, ele foi indicado apenas uma vez. Six Feet Under, por sinal, nunca ganhou sequer um prêmio de atuação para os atores fixos da série – o que já comprova que o Emmy não é atestado de qualidade.

A segunda temporada de Dexter já se encontra em um caminho mais esperançoso – ficou entre as dez finalistas para a categoria de melhor série dramática na lista recém-divulgada; ao lado de Boston Legal, Damages (que será comentado no próximo post sobre as submissões), Friday Night Lights, Grey’s Annatomy, House, Lost, Mad Men, The Tudors e The Wire. Acho que as chances de Dexter ser indicada são bastante grandes, especialmente porque a escolha do episódio concorrente foi bem apropriada. The Dark Defender não é nem de longe o melhor da temporada, mas é o mais complexo, denso e profundo. A personalidade do protagonista nunca tinha sido tão bem explorada anteriormente em sua essência dramática e Michael C. Hall alcançou o auge de sua atuação. Mas não é apenas Michael que tem seus excelentes momentos. Sua nova companheira de tela, Jaime Murray (enviada como guest drama actrees), também contribui muito para a trama e uma indicação para ela cairia muito bem. Estranho que a Julie Benz e a Jennifer Carpenter foram incluídas como coadjuvantes, o que é uma jogada bem esperta, uma vez que nenhuma das duas teriam sequer a possibilidade de sonhar em entrar entre as finalistas de atriz em drama; no entanto, é quase impossível que sejam lembradas, mesmo na categoria coadjuvante, assim como qualquer outra pessoa do elenco.

Acredito ainda que Dexter possa conseguir indicações nas categorias de Direção e Roteiro, que são outros pontos altos da segunda temporada, com chances bastantes significativas para o episódio The Dark Defender. Como ainda não assisti o episódio There’s Something About Harry, que foi a grande aposta para as indicações, meus comentários se limitam apenas a The Dark Defender, An Inconvenient Lie e Waiting To Exhale. Baseado nisso, creio que o seriado chegará aos finalistas de Melhor Série Dramática e Ator em Série Dramática. Quanto a outras categorias, as chances são bem improváveis. Mas já está na hora da série ser reconhecida – tamanha excelência não pode ser deixada de lado.

DRAMA SERIES

Dexter (“The Dark Defender“)

DRAMA LEAD ACTOR

Michael C. Hall – “There’s Something About Harry

DRAMA SUPPORTING ACTOR

Eric King – “There’s Something About Harry
C.S. Lee – “The British Invasion
James Remar – “There’s Something About Harry
David Zayas – “There’s Something About Harry

DRAMA SUPPORTING ACTREES

Julie Benz – “Waiting to Exhale
Jennifer Carpenter – “Left Turn Ahead
Lauren Velez – “Resistance Is Futile

DRAMA GUEST ACTOR

Keith Carradine – “Morning Comes

DRAMA GUEST ACTREES

Jaime Murray – “Morning Comes

DRAMA DIRECTING

Tony Goldwyn – “An Inconvenient Lie
Keith Griffin Gordon – “The Dark Defender
Steve Shill – “The British Invasion

DRAMA WRITING

Clyde Phillips – “Waiting To Exhale
Melissa Rosenberg – “Resistance Is Futile
Tim Schlattmann – “The Dark Defender

As Submissões Ao Emmy (Brothers & Sisters)

A opinião do Cinema e Argumento sobre as submissões das séries para concorrer ao Emmy. Serão comentadas somente os seriados e os respectivos episódios concorrentes assistidos pelo blog. O primeiro post fala sobre Brothers & Sisters e sua segunda temporada.

Se ano passado a escolha do episódio Bad News para Rachel Griffiths concorrer como atriz coadjuvante foi um grande equívoco (apesar do episódio ser sobre ela, a atriz estava infinitamente melhor em outros capítulos, como Grapes Of Wrath), esse ano a decisão de que Domestic Issues irá representá-la na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante em Série Dramática foi um enorme acerto. Rachel exerce seu papel de coadjuvante com maestria, em um episódio que sua personagem é obrigada a se separar de pessoas muito queridas em sua vida. Somente a cena final já vale a sua indicação. Agora fica a dúvida: ela leva o prêmio, caso indicada? Não sei. Em primeiro lugar, Rachel já devia ter um Emmy em mãos, por causa de sua inesquecível Brenda Chenowith em Six Feet Under. Segundo, caso vença, o prêmio será mais do que merecido. Aliás, seria uma homenagem a essa atriz versátil e brilhante que sem dúvida alguma é uma das melhores atuantes no mundo televisivo. Ano passado não levou e dá até pra entender, mas esse ano ela chega com muito mais chances. O episódio Domestic Issues também foi o escolhido para representar a série na categoria principal. Mas infelizmente, como pode ser conferido no blog Cinéfila Por Naturezaa série não conseguiu chegar entre as dez finalistas na categoria principal. 

Talvez só a escolha do episódio de Griffiths tenha sido um acerto. Incluir a atuação de Sally Field em History Repeating para que a atriz volte a concorrer esse ano (lembrando que ano passado ela foi a vencedora e esse ano nem tem chances) não foi muito inteligente. O episódio é banal e investe no caráter do personagem que menos chama a atenção – o cômico. Por sinal, a personagem Nora Walker decepcionou nessa temporada – tornando-se alguém chata e sem graça. Caiu na mesmice. Sally teria mais chances se concorresse por Home Front, um dos melhores episódios da série ao lado de Mistakes Were Made – Part 1 (que deu o Emmy de Atriz em Série Dramática para a matriarca do seriado). Ela provavelmente concorrerá, já que ganhou ano passado. Prefiro que Calista Flockhart concorra no lugar da Sally, pois a atriz teve uma evoluída nessa segunda temporada. O coadjuvante Dave Annable recebeu uma boa escolha, já que está excelente em 36 Hours, mas é improvável que ele concorra. Mas quem sabe o Danny Glover não leva como ator convidado? Ainda não assisti o episódio escolhido para ele, mas o ator realiza bom trabalho em sua aparição.

Existem algumas citações que nem devem ser consideradas, como Rob Lowe em Melhor Ator em Série Dramática por 36 Hours e Balthazar Getty como Coadjuvante em Série Dramática por History Repeating. Infelizmente só tive a oportunidade de assistir a esses episódios. Mas não poderia deixar de comentar a equivocada escolha de Rob Lowe ser escolhido como o Ator principal da série. Além de ser um ator limitado, seu personagem é insosso e nada traz de muito útil para a trama. No final das contas, minhas maiores torcidas para a série ficam com Rachel Griffiths e Matthew Rhys. Pena que não apostaram em Home Front, primeiro episódio dessa segunda temporada.Confira abaixo as submissões de Brothers & Sisters para o Emmy.

DRAMA SERIES:

Brothers & Sisters (“Domestic Issues” /”36 Hours”)

DRAMA LEAD ACTOR:

Rob Lowe – “36 Hours”

DRAMA LEAD ACTRESS:

Sally Field – “History Repeating”
Calista Flockhart – “Holy Matrimony”

DRAMA SUPPORTING ACTOR:

Dave Annable – “36 Hours”
Balthazar Getty – “History Repeating”
Matthew Rhys – “Moral Hazard”
Ron Rifkin – “Moral Hazard”

DRAMA SUPPORTING ACTRESS:

Rachel Griffiths – “Domestic Issues”
Sarah Jane Morris – “Missionary Imposition”
Emily VanCamp – “Double Negative”
Patricia Wettig – “Moral Hazard”

DRAMA GUEST ACTOR

Danny Glover – “The Feast Of Epiphany

DRAMA DIRECTING

Laura Innes – “The Feast of Epiphany
Ken Olin – “Domestic Issues
David Paymer – “36 Hours

DRAMA WRITING

Greg Berlanti, Monica Owusu-Breen, Alison Schapker – “Prior Commitments
David Marshall Grant, Molly Newman – “36 Hours
Jason Wilborn, Sherri Cooper – “Moral Hazard

O vídeo da semana já fica embutido nesse post, mostrando a melhor cena de Rachel Griffiths em “Domestic Issues”. Contem spoilers.

WALL•E

Direção: Andrew Stanton

Com as vozes de Ben Burtt, Elissa Knight, Jeff Garlin, Fred Willard, Kathy Najimy, Sigourney Weaver

EUA, 2008, Animação, 105 minutos, Livre.

Sinopse: Após entulhar a Terra de lixo e poluir a atmosfera com gases tóxicos, a humanidade deixou o planeta e passou a viver em uma gigantesca nave. O plano era que o retiro durasse alguns poucos anos, com robôs sendo deixados para limpar o planeta. Wall-E é o último destes robôs, que se mantém em funcionamento graças ao auto-conserto de suas peças. Sua vida consiste em compactar o lixo existente no planeta, que forma torres maiores que arranha-céus, e colecionar objetos curiosos que encontra ao realizar seu trabalho. Até que um dia surge repentinamente uma nave, que traz um novo e moderno robô: Eva. A princípio curioso, Wall-E logo se apaixona pela recém-chegada.

A Pixar chega ao auge de sua genialidade com WALL-E, animação surpreendente que, além de ser o melhor filme do ano, também consegue ser a mais grandiosa e bem produzida do cinema nos últimos tempos.”

Foi só ano passado, com o maravilhoso Ratatouille, que a Pixar conseguiu realmente chamar a minha atenção. Não é que eu não gostasse da produtora, mas sinceramente eu não via nada de tão genial em suas animações. Inclusive eu tinha me decepcionado bastante com um de seus maiores sucessos, o superestimado Os Incríveis. Fui conferir WALL-E com zero expectativa, ainda que eu estivesse curioso demais para conferir se o filme do ratinho do cozinheiro tinha sido apenas um golpe de tremenda sorte da produtora. O fato é que o novo filme da Pixar é surpreendente, e o melhor que ela já realizou. Sem falar que é a melhor animação que aparece pelo cinema em anos.

Pra começar, temos um diretor incrivelmente competente. Andrew Stanton comanda o filme de forma segura e impecável, sabendo controlar cada mínimo detalhe de seu filme. Unindo-se a isso, temos um roteiro brilhante – a história não podia ser mais improvável e se torna um produto de pura genialidade, conferindo verossimilhança e emoção em cada minuto. O que também o favorece é sua curta duração, são ligeiros 105 minutos de pura diversão. WALL-E é quase desprovido de diálogos – e ao contrário do que se possa imaginar, isso não afeta em nenhum momento o ritmo do longa. Muito pelo contrário, as expressões de nosso protagonista conseguem dizer tudo o que palavras talvez não conseguiriam. Mais do que nunca, uma imagem vale mais do que mil palavras. O robozinho é humano – tem medo, coragem, curiosidade e… amor. A animação de Andrew Stanton termina por ser uma tímida história de amor, que pouco a pouco vai se tornando cada vez mais sincera. Além disso, faz uma enorme crítica sobre a alienação da população, que só fica sentada em frente do computador, comendo, engordando e esquecendo-se do quão importante é o sense of touch, como diria Crash – No Limite.

Por os diálogos serem mínimos, WALL-E usa e abusa da estupenda trilha sonora do genial Thomas Newman. Ele, que absurdamente até hoje não tem um Oscar em mãos, realiza possivelmente o melhor trabalho de toda a sua carreira de compositor. Nunca ouvi em seu currículo uma trilha tão diversificada, original e minimalista. Esse é um dos pontos altos do filme, pois a música é o que também dota o filme de emoção. A grandiosidade e o detalhismo do desenho dispensam comentários, uma vez que as animações de hoje em dia se aperfeiçoam cada vez mais nesse quesito. Mas o mais impressionante é como conseguiram dar expressões tão verdadeiras para um robô. É por esse e outros motivos que Wall-E merece ser coroado com o Oscar por seu brilhantismo. E não apenas na categoria de desenho animado, os efeitos sonoros também são incríveis e dignos de reconhecimento.

Se existe um ponto fraco em WALL-E, esse é a repetição de seu humor. Assistimos sempre a mesma coisa – as estripulias do robô tentando compreender novos mundos. Mas estranhamente eu não vejo isso como um fator negativo. É extremamente gratificante sair da sala de cinema com uma sensação positiva por ter visto algo realmente genial. A animação é isso – estupenda, muito bem orquestrada e até agora a melhor surpresa do ano. E o melhor filme também.

PS: Procure assistir aos créditos finais, que são um primor de beleza estética, sem falar da linda música de Peter Gabriel, “Down To Earth”.

FILME: 9.0

45

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

Direção: Steven Spielberg

Elenco: Harrison Ford, Shia LaBeouf, Cate Blanchett, John Hurt, Ray Winstone, Karen Allen, Jim Broadbent

Indiana Jones And The Kingdom Of The Crystal Skull, EUA, 2008, Aventura, 125 minutos, 12 anos.

Sinopse: 1957. Indiana Jones (Harrison Ford) e seu ajudante Mac (Ray Winstone) escapam por pouco de um encontro com agentes soviéticos, em um campo de pouso remoto. Agora Indiana está de volta à sua casa na Universidade Marshall, mas seu amigo e reitor da escola, Dean Stanforth (Jim Broadbent), explica que suas ações recentes o tornaram alvo de suspeita e que o governo está pressionando para que o demita. Ao deixar a cidade Indiana conhece o rebelde jovem Mutt Williams (Shia LaBeouf), que tem uma proposta: caso o ajude em uma missão Indiana pode deparar-se com a caveira de cristal de Akator. Agentes soviéticos também estão em busca do artefato, entre eles a fria e bela Irina Spalko (Cate Blanchett), cujo esquadrão de elite está cruzando o globo atrás da Caveira de Cristal.

Depois de alguns filmes tentando resgatar seu gênero (como A Lenda do Tesouro Perdido), o lendário Indiana Jones tem seu retorno aos cinemas trazendo todo aquele clima nostálgico de aventura e os elementos que o tornaram um sucesso na história do cinema.

Todo mundo sabe que as aventuras do arqueólogo Indiana Jones são um exagero, e aqui não é diferente. Ele é invencível, escapa das situações mais improváveis, não tem medo da morte e sempre se envolve em aventuras grandiosas. Mas e daí? As histórias de Indy são excelentes justamente por causa disso. Já se foram quase vinte anos desde que o aventureiro teve sua última aparição no cinema, com Indiana Jones e a Última Cruzada, e seu retorno em O Reino da Caveira de Cristal foi esperado por multidões. O diretor Steven Spielberg resolveu não modernizar o protagonista ou tentar ”encaixar” o filme nos moldes hollywoodianos contemporâneos. É uma aventura clássica, inocente e divertida – como já estamos acostumados a assistir na televisão. Só que isso não é um defeito. É exatamente por causa dessa nostalgia do roteiro que essa continuação é tão sincera e espontânea.

Como sou um leigo na série, fui assistir O Reino da Caveira de Cristal sem qualquer conhecimento sobre as produções realizadas anteriormente. Mas posso dizer que o filme funciona perfeitamente para quem nunca assistiu aos outros filmes – o roteiro é instigante e cheio de ação, ainda que tenha diversas falhas em seu ritmo, especialmente quando tenta explicar o caráter histórico da tal caveira de cristal do título e quando resolve trabalhar as relações entre os personagens. Felizmente, esses problemas de narrativa só ficam presentes até a metade do longa, depois somos brindados com o melhor das aventuras “clássicas” em uma sucessão de cenas de ação que são completamente empolgantes. Nesse quesito, Spielberg continua melhor do que nunca. É um pouco difícil para que a geração de hoje aceite todas as estripulias e movimentos acrobáticos inacreditáveis que estão presentes no longa, logo é recomendado que essas pessoas não assitam ao longa, pois a grande diversão dele é justamente essa.

Ao contrário do que eu imaginava, Harrison Ford não estragou minha diversão. Nunca achei que ele fosse alguém talentoso ou sequer bom ator, mas com O Reino da Caveira de Cristal ele conseguiu me convencer bastante, impecável em seu papel. Já não posso dizer o mesmo do seu companheiro de tela, o jovem Shia LaBeouf (que em Transformers se revelou alguém com futuro). Sim, ele tem o porte físico e toda a jovialidade para o papel, mas em momento algum demonstra carisma, tornando-se um personagem completamente nulo em sua presença na tela. A musa Cate Blanchett (em sua terceira tão-falada participação no cinema depois dos desempenhos em Elizabeth – A Era de Ouro e Não Estou Lá) não parece ser Cate Blanchett. Escondida em cabelos negros em um pesado sotaque, fica difícil ver que é ela quem está em nossa frente. Cumpre muito bem o seu papel de vilã, mas não deixa grandes marcas.

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal é uma excelente aventura, que com certeza vai agradar a todos os fãs da série e até mesmo aqueles que nunca colocaram os olhos na história – como eu. Certamente não é um trabalho muito grandioso, especial ou marcante, mas consegue ser uma das melhores opções em cartaz. Merece se conferido e apreciado.

FILME: 8.0

35

Sex And The City

Direção: Michael Patrick King

Elenco: Sarah Jessica Parker, Kim Cattral, Cytnhia Nixon, Kristin Davis, Jennifer Hudson, Candice Bergen, Chris Noth, David Eigenberg

EUA, 2008, Comédia Romântica, 150 minutos, 16 anos.

Sinopse: Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) é uma escritora de sucesso obcecada por moda, que vive em Nova York. Assim como suas amigas Samantha Jones (Kim Cattrall), Charlotte York (Kristin Davis) e Miranda Hobbes (Cynthia Nixon), Carrie tenta equilibrar o trabalho com seus relacionamentos.

Com muita expectativa em torno de seu resultado, o filme de Sex And The City acerta completamente quando é avaliado como um presente para os fãs da série. Já quando analisado como um produto cinematográfico, o resultado não empolga.

O filme como uma homenagem ao seriado e seus fãs:

Junto com Friends, o seriado Sex And The City se tornou um dos maiores sucessos na história cômica da televisão americana. Conquistando quase que unicamente apenas o público feminino, durou seis temporadas e ganhou oito prêmios no Globo de Ouro. Somente depois de 4 anos é que o tão prometido filme chega aos cinemas, e com a maior certeza posso dizer que é um retorno mais do que satisfatório para os fãs. É com imensa alegria que voltamos a nos encontrar com Carrie Bradshaw, Samantha Jones, Charlotte York e Miranda Hobbes. As atrizes nunca pareceram tão à vontade em seus papéis e conseguem reviver suas memoráveis personagens de forma impecável. Além delas, todos aqueles elementos que tornaram Sex And The City um grande sucesso estão de volta – a imensa variedade de figurinos, os problemas amorosos, as questões sexuais e a importância da amizade. No final das contas, é como se estivéssemos assistindo um recomeço da série, um episódio novo que vai trazer de volta o seriado. Assim, assiste-se ao filme com grande empolgação. A cada momento somos brindados pelos elementos que sempre deram certo na televisão e pelo humor inconfundível. No final, ao som de All Dressed In Love, fica o sorriso no rosto. Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte são insubstituíveis.

O filme como um produto cinematográfico:

Sex And The City funciona perfeitamente como uma comédia romântica até a sua metade. No exato momento em que Jennifer Hudson entra em cena, o filme cai na obviedade e começa a se repetir até os créditos finais. Por ter um tratamento puramente televisivo (afinal, o longa é dirigido por um diretor do seriado), o longa acaba parecendo um episódio alongando – e como, já que estamos falando de longos 150 minutos desnecessários de duração. Se o roteiro acerta ao trazer todos os elementos positivos que deram certo na televisão, peca por abusar deles e criar coisas novas, não sabendo trabalhar com elas. Um exemplo é a aparição de Louise (Jennifer Hudson), que além de ser uma personagem completamente tapada (não consegui engolir de jeito nenhuma aquelas filosofias baratas de “o amor é lindo, resolve tudo e é o que todos precisam”) e de não ter nenhuma utilidade na trama, só mostra que Hudson é mais uma Queen Latifah da vida que só chama a atenção quando solta a voz. Fiquei incomodado também com tantos acontecimentos, especialmente as milhares separações e desavenças existentes.

Sem dúvida alguma, Sex And The City é muito bem produzido – as cores saltam aos olhos (ajudados por uma excelente fotografia), a trilha tem seus ótimos momentos e alguns momentos do filme são realmente interessantes. As mulheres ficarão particularmente interessadas pelos figurinos (ainda que eles às vezes irritem: precisava mesmo que elas usassem roupas hiper-chiques o tempo inteiro e ficassem mudando o visual a todo momento?), que conseguem superar O Diabo Veste Prada nesse quesito e provavelmente devam conseguir uma indicação ao Oscar como o filme de David Frankel conseguiu. O mérito do longa é conseguir reunir as quatro atrizes de forma perfeita; elas nunca estiveram tão bem fotografadas, simpáticas e verossímeis. Mas vão além disso, mostrando serem excelentes atrizes. Estranhamente, a protagonista é a menos interessante de todas – Sarah nunca esteve tão sem graça como Carrie Bradshaw. Quem ganha destaque é Cynthia Nixon e Kim Cattral. A primeira se mostra muito competente em sua atuação. A segunda, brilha mais do que as outras. Não posso negar que sua Samantha Jones às vezes é um exagero, mas ela é a que mais diverte e cativa. Até mesmo a Kristin Davis e sua insossa Charlotte York aparece renovada e irradiante.

O resultado final:

A aprovação do resultado vai depender de quem o está assistindo. Como já mencionado, um fã da série vai sair empolgado da sessão. Um cinéfilo qualquer que desconhece as origens, possivelmente vai desaprovar a narrativa previsível e clichê. Eu como sou apenas um cinéfilo que gosta do seriado (e nada mais, já que nunca fui encantado pelas aventuras do quarteto) e saí satisfeito da sessão. Não me deixei levar pelos erros do longa e tive uma boa diversão. Deu para matar a saudade das personagens? Sem dúvida. Fica um gosto de “quero mais”? Claro. Mas deve parar por aqui. Mais um filme estragaria tudo. Devido ao sucesso (claro que o financeiro, já que a opinião do público e da crítica pouco importam) andam falando em uma possível continuação e até mesmo em uma trilogia (!!!), algo que desaprovo completamente. Até agora, tudo foi aceitável e divertido. Algo além, seria muito arriscado e o que menos queremos é ver o quarteto envolvido em algo ruim.

FILME: 7.5

35

Vídeo da Semana

O vídeo apresenta spoilers.

Podem reclamar de Crash – No Limite, que é injustamente massacrado. Mas desde que eu vi essa cena, nunca mais fiquei chocado em nenhuma outra sessão. Para alguns, apelativa. Para outros, brilhante. Eu fico com a segunda opção.

Fim dos Tempos

Direção: M. Night Shyamalan

Elenco: Mark Wahlberg, Zooey Deschanel, John Leguizamo, Jeremy Strong, M. Night Shyamalan, Stephen Singer, Alan Ruck, Betty Buckley

The Happening, EUA, Suspense, 95 minutos, 16 anos.

Sinopse: Em questão de minutos estranhas mortes ocorrem em várias das principais cidades dos Estados Unidos. Elas coincidem em dois pontos: desafiam a razão e chocam por sua grande capacidade de destruição. Sem saber o que está ocorrendo, o professor Elliot Moore (Mark Wahlberg) apenas quer encontrar um meio de escapar do misterioso fenômeno. Apesar dele e sua esposa Alma (Zooey Deschanel) estarem em plena crise conjugal, os dois decidem partir para as fazendas da Pensilvania juntamente com Jess (Ashlyn Sanchez), sua filha de 8 anos, e Julian (John Leguizamo), um professor amigo de Elliot. Lá eles acreditam que estarão a salvo, o que logo se mostra um equívoco.


Toda a má vontade e injustiça da crítica parecem ter afetado M. Night Shyamalan que, na tentativa de produzir um longa para um público mais amplo e acertar novamente, produz o pior trabalho de sua excelente carreira.”

Sempre fui um defensor do diretor indiano M. Night Shyamalan. Sempre. Até Fim dos Tempos ele nunca havia realizado um trabalho ruim. Depois de Sinais (acredito que seu último sucesso de público e crítica), foi injustamente bombardeado com A Vila (a melhor produção de toda a sua carreira) e A Dama Na Água (que apesar de não ser uma maravilha, é um filme legal). Na tentativa de retornar ao sucesso conquistado no início da carreira, ele apostou num estilo de gênero que na maioria das vezes sempre dá certo – o fim da raça humana. Se a abordagem em Sinais era de pura tensão e medo, aqui nada mais é que um retrato frio e nada inspirado de uma visão catastrófica ambiental. Um tema que merecia melhor tratamento e não ser mostrado de forma superficial como essa.

O principal problema é que Fim dos Tempos não parece um filme de M. Night Shyamalan – a tensão é fraca, os sustos quase inexistentes e a condução do roteiro totalmente irregular. Acompanhamos personagens nada interessantes em uma jornada confusa e sem sentido contra um “inimigo” tolo se formos analisar o contexto de suspense. Lembrando a temática do terrível A Névoa, com Tom Welling, a produção também peca em apostar num elenco inexpressivo. Não sei de onde tiraram a idéia que Mark Wahlberg podia segurar sozinho um filme desse porte, uma vez que ele não tem carisma algum para comandar o espetáculo. Funciona melhor como coadjuvante, vide seu trabalho em Os Infiltrados. Zooey Deschanel beira o ridículo com suas expressões falsas e que não enganam ninguém. John Leguizamo tem participação completamente vazia e passageira, assim como qualquer outro personagem que aparece na tela (especialmente a garotinha de Crash – No Limite.

O filme apresenta alguns aspectos competentes. A trilha sonora é ótima como sempre, ainda que seja a menos memorável dos filmes do diretor. Mas estamos falando de James Newton Howard, excelente compositor que nunca desaponta. A direção também tem seus momentos, especialmente quando resolve fazer tensão e mostrar alguns suicídios (mas só alguns, porque existem uns constrangedores, visto que os efeitos não ajudam). O humor é um bom ponto, mas isso não é um sinal necessariamente positivo. Depende da sua maneira de ver as coisas. O visual é interessante e a ambientação idem, mas não passa disso. O desfecho é apressado, lembrando Invasores e não diz muita coisa perante a importância que o filme atribui ao tema “preservação do meio-ambente”. M. Night pisou na bola comigo dessa vez, mas eu o perdôo. É um filme ruim, fazer o quê. Mas isso não faz a minha opinião mudar sobre ele. Só desejo boa sorte, na próxima vez.

FILME: 5.5

2

Chega de Saudade

Direção: Laís Bodanzky

Elenco: Tônia Carrero, Leonardo Villar, Betty Faria, Cássia Kiss, Stepan Nercessian, Maria Flor, Paulo Vilhena, Elza Soares

Brasil, 2008, Comédia, 95 minutos, 12 anos.

Sinopse: A história acontece em uma noite de baile, em um clube de dança em São Paulo, acompanhando os dramas e alegrias de cinco núcleos de personagens freqüentadores do baile. A trama começa ainda com a luz do sol, quando o salão abre suas portas, e termina ao final do baile, pouco antes da meia-noite, quando o último freqüentador desce a escada. Mesclando comédia e drama, Chega de Saudade aborda o amor, a solidão, a traição e o desejo, num clima de muita música e dança.

Tema pouco explorado no cinema brasileiro, a terceira idade ganha inúmeros contornos interessantes nessa produção simples, que cativa por conta de seu humor em relação ao tema e de seus ótimos atores.

Em determinado ponto de Chega de Saudade a personagem de Tônia Carrero afirma: “Certas coisas só podem acontecer na juventude”, mas o filme prova justamente o contrário; não existe hora certa para ser feliz, rir, amar e aproveitar o que a vida tem de melhor. A diretora Laís Bodansky escolheu um gênero totalmente diferente do seu trabalho anterior (o ótimo Bicho de Sete Cabeças) e investiu nessa proposta, que à primeira vista poderia resultar em algo totalmente clichê, usando um tratamento essencialmente cômico. O longa trabalha pequenos dramas existentes nessa fase da vida (frustrações, arrependimentos, paixões não correspondidas, baixa auto-estima, pessimismo), mas não se deixa levar por eles. Somos apresentados a esses dilemas existenciais através do humor e da música, que permeiam o roteiro o tempo inteiro, nunca pesando o clima de alto-astral. O roteiro, por sinal, é muito bem arquitetado – todos os inúmeros núcleos tem seu espaço ideal dentro do filme e nenhum é particularmente desinteressante, fraco ou mal explorado.

Não é apenas o bom roteiro que ajuda Chega de Saudade a ser um dos melhores filmes brasileiros lançados nos últimos tempos, mas também o seu impecável elenco. Espaço para que determinado ator ou atriz brilhe completamente não existe, porque a narrativa se desenvolve em diversos núcleos, mas cada um tem o seu momento de inspiração. Quem mais me agradou foi a irradiante Cássia Kiss, como a mulher frustrada que vê o seu namorado a deixando de lado no baile para tentar paquerar uma garota. Sua aparição é baseada em olhares contidos que mais tarde, em um bonito momento, culminam em lágrimas. Tônia Carrero e Leonardo Villar possuem uma ótima química como o típico casal “entre tapas e beijos”. Betty Faria também está impagável como a mulher que nunca é retirada para dançar. Já Stepan Nercessian e Paulo Vilhena realizam trabalhos apenas regulares, onde falta o brilho que outros personagens adquirem ao desenrolar do filme.

Tenho que confessar que a repetição da estrutura me cansou em certos momentos (seguimos o mesmo estilo narrativo até o final – nada de histórias se interligando ou qualquer surpresa as envolvendo) e que já no final eu já não acompanhava o longa com a mesma sensação presente nos momentos finais, mas não deixei de me divertir em momento algum e muito menos de ser agradado pelos excelentes atores na tela. Sim, Chega de Saudade é um filme convencional para idosos – o filme dirige-se apenas a eles e aos que gostam dessa temática -, mas que com sua simplicidade humorística em cima deles, conquista. Não é uma produção que vai deixar o espectador pensando após o seu final, já que as lições de vida não ficam explícitas, mas que vai deixar muita gente feliz. O tempo de viver é agora, e saudade já é coisa do passado.

FILME: 8.0

35

Vídeo da Semana

Como hoje é dia dos namorados, o vídeo da semana é sobre relacionamentos. Temos aqui a narração final do segundo episódio da terceira temporada de Desperate Housewives. Pode não ser a melhor narração da série (que tem algumas espetaculares e inesquecíveis), mas é a mais apropriada para o momento. A série pode ter seus deslizes, mas as narrações nunca decepcionam.

“Have you met the perfect couple? The two soulmates whose love never dies? The two lovers whose relationship is never threatened? The husband and wife who trust each other completely? If you haven’t met the perfect couple, let me introduce you: they stand atop a layer of buttercream frosting. The secret of their success? Well, for starters, they don’t have to look at each other…”

“Você já conheceu o casal perfeito? As duas almas-gêmeas cujo amor nunca se esgota? Os dois amantes cuja relação nunca está ameaçada? O marido e a mulher que confiam inteiramente um no outro? Se você nunca conheceu o casal perfeito, deixe-me apresentá-los: eles ficam no topo de uma camada de chantilly. O segredo de seu sucesso? Bem, pra começar, eles não têm que olhar um para o outro…”

%d blogueiros gostam disto: