Cinema e Argumento

Desejo e Reparação

Direção: Joe Wright

Elenco: James McAvoy, Keira Knightley, Saoirse Ronan, Romola Garai, Vanessa Redgrave, Brenda Blethyn

Atonement, EUA, 2007, Drama, 135 minutos, 14 anos.

Sinopse: Em 1935, no dia mais quente do ano na Inglaterra, Briony Tallis (Saoirse Ronan) e sua família se reúnem num fim de semana na mansão familiar. O momento político é de tensão, por conta da segunda Guerra Mundial. Em meio ao calor opressivo, emergem antigos ressentimentos familiares. Briony, então, usa sua imaginação de escritora principante para acusar Robbie Turner, o filho do caseiro e amante de sua irmã mais velha, Cecilia (Keira Knightley), de um crime que não cometeu. A acusação destruiu o amor da irmã e alterou de forma dramática várias vidas.

Surpreendente. Foi essa a palavra que veio a minha cabeça logo que os créditos finais de Desejo e Reparação surgiram na tela. Não por causa do lindo final, mas porque fazia um bom tempo que eu não assistia um filme tão harmônico: contundente em sua parte técnica, preciso nas interpretações e brilhante em seu roteiro. É incrível como esse segundo filme do diretor Joe Wright tem muita cara de Oscar. Foi feito para vencer o prêmio da Academia, mas conseguiu esse feito de forma honesta, sem qualquer pretensão para premiações. O grande feito de Desejo e Reparação é conseguir trazer verossimilhança em todos os seus poros. Especialmente em seu elenco, que merece ser citado separadamente.

James McAvoy, o verdadeiro protagonista da história, já havia mostrado ser um ator muito competente com sua subestimada interpretação no ótimo O Último Rei da Escócia e aqui prova ser um ator de futuro em Hollywood. Keira Knightley (que sempre achei péssima e que nem sequer merecia ter concorrido ao Oscar em 2006 consegue aqui a melhor atuação de sua carreira, ainda que ofuscada pela personagem Briony. A Cecilia de Keira não é tão explorada como os demais personagens, mas ela faz um trabalho muito competente com o espaço que lhe é dado. Por mais que o casal seja ótimo, quem rouba completamente a cena é  personagem Briony, interpretada em três fases por Saoirse Ronan (impressionante), Romula Garai (escolha mais do que acertada) e Vanessa Redgrave (simplesmente impecável e emocionante).

A parte técnica, sem dúvida, também é impressionante. É incrível como a direção de arte de Desejo e Reparação conseguiu traduzir toda uma época da forma mais perfeita possível. Outro aspecto que também acaba impressionando é a trilha sonora do Dario Marianelli: inovadora, poderosa e utilizada na medida exata e uma das melhores dos últimos anos. A fotografia e os figurinos são igualmente bons. Também gostei bastante de ver o diretor Joe Wright muito amadurecido na direção, conduzindo tudo com muita habilidade.

O roteiro raramente erra, ficando apenas um pouco monótono quando se foca na guerra. Gostei particularmente dos momentos finais, onde  Vanessa Redgrave interpretou um dos momentos mais emocionantes dos últimos tempos, conseguindo emocionar e passar vários sentimentos para o espectador. Eu não esperava muita coisa de Desejo e Reparação, mas adorei ficar completamente surpreendido por esse lindo filme. Uma saga de amor, que durante vários momentos lembra diversos filmes, mas que tem uma identidade singular e que desde já acaba de se torna um longa imperdível.

FILME: 9.0

45

Conduta de Risco

Direção: Tony Gilroy

Elenco: George Clooney, Tom Wilkinson, Tilda Swinton, Sidney Pollack

Michael Clayton, EUA, 2007, Drama, 110 minutos, 12 anos.

Sinopse: Michael Clayton (George Clooney) trabalha em uma das maiores firmas de advocacia de Nova York, tendo como função limpar os nomes e os erros de seus clientes. Ele é o responsável por realizar o serviço sujo da firma Kenner, Bach & Ledeen, que tem Marty Bach (Sydney Pollack) como um de seus fundadores. Apesar de estar cansado e infeliz com o trabalho, Clayton não tem como deixar o emprego, já que o vício no jogo, seu divórcio e o fracasso em em negócio arriscado o deixaram repleto de dívidas. Quando Arthur Evans (Tom Wilkinson), o principal advogado da empresa, sofre um colapso e tenta sabotar todos os casos da U/North, uma empresa que é cliente da Kenner, Back & Ledeen, Clayton é enviado para solucionar o problema.

O roteirista Tony Gilroy ficou conhecido por seu trabalho no incrível O Ultimato Bourne e no péssimo O Advogado do Diabo. Agora, ele se lança na carreira diretor com esse Conduta de Risco, drama que já é forte concorrente para obter indicações ao Oscar, além de trazer a melhor interpretação da carreira de George Clooney. O estilo de contar a história do filme não é um dos mais atraentes (a típica investigação baseada em diálogos detalhados, contínuos e incessantes, onde cada momento é essencial para o entendimento completo da trama), mas sou obrigado a reconhecer o ótimo trabalho do elenco e alguns outros aspectos positivos que me fizeram sair satisfeito da sessão de Conduta de Risco.

Com uma fotografia escura e nebulosa (que contribue de forma excelente para o suspense da trama), Conduta de Risco prima por um ótimo elenco. A começar pelo protagonista George Clooney, cujo Oscar de coadjuvante por Syriana – A Indústria do Petróleo nem foi tão merecido, mas que está mais convicente do que nunca no melhor desempenho de sua vida. Os coadjuvante são igualmente ótimos: Tom Wilkinson brilha em todas suas cenas, ainda que seu papel seja um pouco estranho e limitado. Tilda Swinton tem sua competência habitual, principalmente na cena final com Clooney.  Ainda tem a presença do diretor Sidney Pollack (do injustiçado A Intérprete), nada mais que satisfatório.

Quem for assistir Conduta de Risco deve ter em mente que não é um filme nada fácil: exige completa dedicação e atenção do cinéfilo que, se piscar o olho, já perde vários detalhes da história. O roteiro é conduzido de forma interessante, mesmo que os rumos, às vezes, sejam tomados rápidos demais. Não é uma narrativa que particularmente me agrada e é bem restrito para um público mais amplo (várias pessoas abandonaram o filme, na minha sessão, antes mesmo dele chegar na metade). A trilha sonora de James Newton Howard podia ser mais bem utilizada, pois tem pouca presença. No final das contas, gostei do resultado de Conduta de Risco. Só não gosto tanto como a maioria porque não é um gênero que aprecio.

FILME: 8.0


A Vida Secreta das Palavras

[De Isabel Coixet. Com Sarah Polley, Tim Robbins e Julie Christie]

Existem certos diretores que possuem uma marca registrada. Almodóvar tem sua temática feminina, Tim Burton tem sua excentricidade, e por aí vai. Alguns diretores pouco conhecidos também já tem suas características marcantes, e Isabel Coixet pertence a esse grupo. Apesar de esse ser apenas seu segundo filme (o anterior foi o tocante Minha Vida Sem Mim), ela já demonstrou que suas produções possuem algo que é raro de se encontrar nos dias de hoje: uma sensibilidade dramática única. Seus filmes não são tão espetaculares assim, pois parecem lineares demais e presos às “regras” do gênero, mas a diretora consegue tornar tudo muito humano, muito real, principalmente em seus diálogos. Depois de Minha Vida Sem Mim, Coixet retoma a parceria com a atriz Sarah Polley nesse A Vida Secreta das Palavras, que continua demonstrando todo o talento dramático da diretora para contar histórias intimistas e tristes. Esse seu segundo trabalho é menor e menos drmático que o anterior, mas mesmo assim muito satisfatório pra quem aprecia o estilo. Sarah Polley realiza ótimo trabalho, dando um show de atuação, por exemplo, na parte em que mostra as cicatrizes de seu corpo. Tim Robbins, ainda que estranho, também não fica atrás. A Vida Secreta das Palavras é um ótimo drama, só faltava ter inovado um pouco mais na sua estrutura previsível.

FILME: 7.5


Valente

I always believed that fear belonged to other people. Weaker people. It never touched me. And then it did. And when it touches you, you know… that it’s been there all along. Waiting beneath the surfaces of everything you loved.

Direção: Neil Jorda

Elenco: Jodie Foster, Terrence Howard, Naveen Andrews, Mary Steenburgen, Nicky Katt

The Brave One, EUA, 2007, Drama, 119 minutos, 16 anos.

Sinopse: Nova York. Erica Bain (Jodie Foster) é uma apresentadora de rádio e tem um novo noivo que a adora. Ela está feliz com sua vida, até que um ataque brutal a deixa seriamente ferida e mata seu noivo. Sem conseguir superar a tragédia, Erica passa a vasculhar as ruas à noite, em busca dos homens que considera ser os responsáveis pelo que lhe aconteceu. Sua busca por justiça chama a atenção da população, que passa a acompanhar sua perseguição anônuma. Porém, Mercer (Terrence Howard), um obstinado detetive, está decidido a encerrar sua jornada. Ao mesmo tempo, Erica começa a se questionar, sem saber que está se tornando justamente aquilo que deseja evitar.

Logo após matar duas pessoas em um metrô, Erica Bain se pergunta: “Por que minhas mãos não tremem? Por que não sinto nada?”. A radialista está procurando justiça e vingança pela morte de seu marido que foi brutalmente assassinado. A premissa de Valente é essa: é desumano não sentir nada em um ato de vingança? Apesar dessa proposta, o filme trabalha pouco essas questões ideológicas, focando-se mais nos sentimentos da protagonista e deixando de lado toda a badalação em torno da vingança. Valente é um pouco perdido em seus princípios, porque não consegue decidir qual é a sua verdadeira intenção e a que estilo de narrativa seguir.

No entanto, o filme vale por Jodie Foster que, apesar de não estar no melhor momento de sua carreira (já esteve muito mais intensa em outros projetos), consegue segurar as rédeas de um filme nada mais que mediano  e que culmina em um final questionável eticamente. Fracasso nos Estados Unidos, Valente será lançado diretamente em DVD aqui no Brasil. Decisão equivocada, já que a produção estava sendo esperada por muitos e era uma forte aposta para o Oscar de Melhor Atriz. Além, é claro, de ter uma protagonista de peso que consegue atrair certo público. Apesar do filme não ser muito bom, merecia ser lançado nos cinemas.

A proposta principal do filme era trabalhar a vingança da protagonista. Todavia, esse assunto parece ter ficado em segundo plano. O verdadeiro sentimento de vingança – que seria a “justificativa” dela para seus crimes, só se aflora nos momentos finais, enquanto durante todo o filme ela parece matar apenas por trauma e até mesmo prazer (!!!). A história tenta justificar as ações da protagonista com momentos dramáticos, o que acaba funcionando muito bem (principalmente até a metade) e dando espaço para Foster brilhar. Mas, de uma hora pra outra, muda o estilo de  narrativa e volta a apresentar atos sem motivações. Se fosse para escolher o maior defeito de Valente, esse seria o seu roteiro mal acabado e fora de foco.

Indicada ao Globo de Ouro, Jodie Foster é o grande destaque, como era de se esperar. Foster tem ótimos momentos e acertou completamente no tom de sua personagem. Quem faz o par romântico de Foster é Naveen Andrews (o Sayid de Lost, e que, recentemente, teve pequena participação em Planeta Terror), que só aparece nas primeiras cenas. Não gostei de Terrence Howard, o detetive da história, que não trouxe muita personalidade para seu personagem. Portanto, Valente não é um filme ruim, longe disso, só que o resultado ficou bem aquém do que podia se esperar. Culminando em um final duvidoso, tem seus momentos ótimos – fiquei especialmente impressionado com a cena em que os personagens de Foster e Andrews são violentados, onde foi tudo incrivelmente realista. Só merecia ter um roteiro mais contundenete e intenso, que definisse suas verdadeiras intenções dramáticas para a história.

FILME: 6.0


Treze Homens e Um Novo Segredo

A palavra chave para definir Treze Homens e Um Novo Segredo é entretenimento. Eu não gostava muito dos volumes anteriores (o primeiro é apenas divertido e o segundo é monótono), mas acabei gostando bastante desse, que conseguiu dar uma boa repaginada no visual da série: tudo ficou mais elegante, pop e atraente. A diversão também é muito maior, pois o golpe que a equipe de Danny Ocean (George Clooney) tem que realizar nesse filme é muito mais interessante.

O elenco continua ótimo, mas esse conta com uma aquisição: Al Pacino. Ele consegue roubar completamente a cena, ofuscando todo o resto do elenco, em um impecável papel. Treze Homens e Um Novo Segredo nada mais é que isso, uma diversão. Nada de novo ou brilhante, apenas um passatempo de luxo, que se torna a melhor opção atualmente nas locadoras nesse quesito.

A ótima trilha sonora também merece destaque, pois sincroniza muito bem com todo o ótimo clima da história. No ano em que os terceiros volumes foram decepcionantes (Shrek, Homem Aranha, Piratas do Caribe), Treze Homens, assim como O Ultimato Bourne, fugiu à regra. Ainda que longo, trabalhando pouco seus personagens e um meio preso aos típicos rumos desse tipo de história, foi uma boa surpresa do ano passado.

FILME: 8.0

Encantada

Just because she has on a funny dress doesn’t mean she’s a princess. She’s a seriously confused woman who’s fallen into our laps.

Direção: Kevin Lima

Elenco: Amy Adams, James Marsden, Susan Sarandon, Timothy Spall, Patrick Dempsey, Julie Andrews (voz)

Enchanted, EUA, 2007, Comédia, 98 minutos, Livre.

Sinopse: Giselle(Amy Adams) é uma bela princesa que foi recentemente banida por uma rainha malvada de seu mundo mágico e musical. Com isso, ela agora está na Manhattan dos dias atuais, um local completamente diferente de onde vivia. Logo, ela recebe a ajuda de Robert (Patrick Dempsey), um advogado divorciado por quem se apaixona. Só que Giselle já está prometida em casamento para o príncipe Edward (James Marsden), que decide também deixar o mundo mágico para reencontrar sua amada.

Cada vez mais me convenço de que a infância está desaparecendo. Foi-se o tempo em que as crianças assistiam desenhos, brincavam com seus amigos e acreditavam em histórias mágicas. Hoje a moda é computador, videogame e televisão. Isso, além de tirar a época mais mágica da vida delas, consegue eliminar todo o espírito de imaginação que existe em suas mentes. Encantada, então, resolveu contar uma história de fantasia de forma diferente: os personagens mágicos vão parar no mundo real, em plena Nova York.

Assim, o público-infantil-sem-infância fica mais motivado a acompanhar essa história, porque ela não se passa em grandes castelos ou florestas encantadas, e sim nas ruas da cidade. O filme, de certa forma, seguiu as tendências do público e se deu conta de que a época infantil e imaginativa já acabou. É hora de mudar. Essa idéia original só fica na proposta, uma vez que Encantada segue vários tipos de clichê (temos até troca-troca de casais) e não consegue se desprender das previsibilidades típicas de histórias mágicas. O roteiro é até meio chatinho e repetitivo, mas ainda assim muito agradável. É louvável essa idéia da Disney, que resolveu lançar esse filme no ano em que se comemora o aniversário de A Branca de Neve e os Sete Anões, primeira animação do estúdio.

O verdadeiro acerto do filme é Amy Adams, não tem como negar. Depois de chamar a atenção com seu carisma em Retratos de Família (que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de atriz coadjuvante), ela foi a escolha perfeita para protagonizar Encantada. Não apenas por causa de sua beleza e de sua fisionomia angelical, mas por causa da sua naturalidade e espontâneidade que se revelam a cada minuto do filme. Ela está sendo considerada uma aposta para as indicações do Oscar de Melhor Atriz, mas não creio que deva ser indicada. Não achei que seu par romântico (o James Marsden, que recentemente fez Hairspray) combinou muito.

O resto do elenco ainda inclui Timothy Spall – sempre fazendo o típico papel do gordinho feio e atrapalhado – e Susan Sarandon, que mal aparece. Já que Amy não tem tantas chances na premiação da Academia, aposto minhas fichas na música “That’s How You Know”, que é muito divertida e transmite todo o espírito que o filme quer passar para o espectador. Encantada é uma boa diversão, inofensiva e agradável. Não é uma inovação, mas ao menos consegue ser diferente. Infelizmente, não apreciei tanto como a maioria.

FILME: 6.5


Identidade Roubada

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[Direção de Ann Turner. Com Susan Sarandon, Emily Blunt e Sam Neil.]

Certos atores não merecem os filmes que fazem. Mas pensando bem, merecem sim! Quem manda se meterem em grandes bobagens? Susan Sarandon vem se mostrando uma especialista nesse assunto, nos últimos tempos. Apesar de nem ter tantas tragédias em seu currículo, ela vem se tornando cada vez mais esquecida no cinema, o que leva a atriz a aceitar participar de grandes porcarias como esse Identidade Roubada. Partindo de uma história totalmente clichê (uma mulher tentando provar que não está louca e que realmente alguém está tramando contra ela), o filme é completamente monótono, repetitivo e até mesmo ridículo. Alguém pode me explicar o que foi a Susan Sarandon sendo atacada por um enxame de abelhas? E a luta (sim, luta! daquelas de empurrão e pontapés) final com a Emily Blunt? Cenas assim desmoralizam qualquer ator e num filme horrível então, nem se fala. Sarandon está muito esforçada, mas infelizmente ela não conseguiu segurar as rédeas dessa grandes desgraça, que perde completamente o rumo nos momentos finais, especialmente na resolução. Sem dúvida alguma é um dos piores filmes já lançados diretamente em DVD. E olha que o filme até podia ter ido para o cinema, principalmente por causa do nome de Emily Blunt, que recém havia lançado um certo sucesso chamado O Diabo Veste Prada. Mas certo estava quem poupou o público dessa bomba. Se você quiser continuar com a imagem de uma Susan Sarandon que sabe escolher seus projetos, passe longe de Identidade Roubada.

FILME: 3.0


Across the Universe

Music’s the only thing that makes sense anymore, man. Play it loud enough, it keeps the demons at bay.

Direção: Julie Taymor

Elenco: Jim Sturgees, Evan Rachel Wood, Joe Anderson, Dana Fuchs, Martin Luther

EUA, 2007, Musical, 131 minutos, 12 anos.

Sinopse: Década de 60. Jude (Jim Sturgess) e Lucy (Evan Rachel Wood) estão perdidamente apaixonados. Juntamente com um grupo de amigos e músicos, eles se envolvem nos movimentos da contracultura de Liverpool, tendo como guias do dr. Robert (Bono Vox) e o sr. Kite (Eddie Izzard).

2007 foi o ano da música no cinema. Depois de Dreamgirls e Hairspray, o cinema americano ainda produziu Não Estou Lá e Apenas Uma Vez, ambos ainda inéditos no Brasil. Mas foi esse Across The Universe que mais chamou a atenção do público cult. Basicamente porque se baseia no repertório dos Beatles para contar uma história de amor em tempos de repressão. O que poderia ser um mar de previsibilidade feito apenas para puxar o saco da banda acabou se tornando em um musical satisfatório, totalmente livre da imagem dos Beatles. Longe de qualquer apelo comercial, Across The Universe é um musical diferente por causa de sua imagem de cinema independente.

Em diversos momentos, o filme lembra Moulin Rouge! – Amor em Vermelho, pelo simples fato de utilizar todo o esplendor estético e visual das cenas para aumentar o impacto dos números musicais, principalmente nas cores vibrantes e nos efeitos visuais. A produção não é requintada, mas o apelo visual é grande. O repertório dos Beatles se encaixou perfeitamente na história, com músicas que realmente funcionam e conquistam nas cenas em que são respectivamente tocadas, como Hey JudeStrawberry Fields Forever. E alguém não ficou apaixonado com o final ao som de All You Need is Love? Simplesmente memorável! Mesmo eu não sendo fã cego da banda, acabei completamente envolvido pelas músicas.

Fiquei mais do que satisfeito com a escolha do elenco. Jim Sturgess foi o que mais me cativou: tem todo o carisma necessário para o papel e canta muito bem (lembrando muito a voz de Ewan McGregor no musical de Baz Lührmann). Grande revelação. Evan Rachel Wood, apesar de um pouco apagada, continua comprovando o seu talento, que foi apresentado anteriormente em Aos Treze. Praticamente todos do elenco são desconhecidos, mas ficaram perfeitos em seus papéis, sem nenhuma exceção. Ainda tem pequenas participações do Bono, do U2 (em aparição bem descartável e inútil) e da Salma Hayek (que pediu uma ponta para a diretora Julie Taymor, com quem havia trabalhado anteriormente em Frida).

Agora as reclamações. A duração é  excessiva isso fica evidente durante seu desenvolvimento, que fica sem ritmo em vários momentos. Esse é um defeito que pesa bastante na minha avaliação. Também achei que tem muita música para pouca história. São raros os momentos em que os ouvidos podem descançar da cantoria. Algumas tomadas também se excedem na excentricidade, principalmente aquela do circo imaginário, completamente chata. Apesar desses defeitos quase debilitantes para o andamento de tudo, Across The Universe tem um bom resultado. A inclusão dele na categoria de melhor filme comédia/musical no Globo de Ouro, junto com Hairspray, é mais uma prova de que esse gênero voltou com tudo nesses últimos tempos. Voltou para conquistar novos fãs com suas temáticas cada vez mais atraentes.

FILME: 7.5


Melhores de 2007 – FILME

Abaixo, o meu ranking dos melhores filmes de 2007 (sendo os 5 primeiros incluidos na categoria de melhor filme), principal categoria da premiação (com trechos de críticas publicadas anteriormente aqui no blog):

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1. O ULTIMATO BOURNE

6 Indicações: Filme, Diretor, Roteiro Adaptado, Elenco, Montagem, Som/Efeitos Sonoros

2 Vitórias: Filme e Som/Efeitos Sonoros

O Ultimato Bourne é o melhor filme da franquia, o melhor filme do ano, o melhor filme da carreira de Matt Damon e o melhor filme de ação que já vi. O Ultimato Bourne exala perfeição em quase todos os poros. Não esperava um filme tão bem arquitetado e interessante. O amadurecimento estético, visual e cinematográfico ficou muito evidente nesse terceiro volume”

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2. RATATOUILLE

4 Indicações: Filme, Roteiro Original, Montagem, Som/Efeitos Sonoros

1 Vitória: Roteiro Original

É impressionante os detalhes da produção, os rostos são bem construidos(nada desproporcional), os animas são repletos de detelhes minímos. Além disso, temos uma ótima trilha sonora, cenas de ação bem fluidas  um excelente roteiro, que mantém o espectador sempre atento à deliciosa história. Seguramente, conquista adultos e crianças.”

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3. HAIRSPRAY – EM BUSCA DA FAMA

9 Indicações: Filme, Ator Coadjuvante, Elenco, Revelação, Canção (2), Maquiagem, Figurino, Direção de Arte.

2 Vitórias: Canção e Revelação

“O que mais chama a atenção em Hairspray é o seu fabuloso elenco. Diante de todo o charme do filme e de um elenco tão bom, fica fácil perdoar os erros do roteiro. Hairspray pode até não ser glamouroso ou impressionante, mas de tão sicero e adorável, conseguiu me conquistar. Se o objetivo era ressucitar essa simpática época, foi muito bem cumprido. Procure ouvir a trilha sonora, que é uma das melhores dos últimos tempos. É diversão garantida”

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4. NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO

5 Indicações: Filme, Roteiro Adaptado, Atriz, Atriz Coadjuvante, Trilha Sonora

1 Vitória: Roteiro Adaptado

Ajudado pela excelente trilha sonora de Philip Glass, é cheio de belas cenas onde as grandes interpretações se afloram. A projeção não se leva pela enrolação: tudo é rápido e objetivo, acertando também na ácida narração em off. Apesar de não trazer nada de inovador, é um dos melhores filmes da safra de 2007.”

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5. O DESPERTAR DE UMA PAIXÃO

4 Indicações: Filme, Roteiro Adaptado, Revelação, Trilha Sonora

1 vitória: Melhor fotografia.

“Não dá pra entender como esse lindo drama passou completamente despercebido nas salas de cinema e nas premiações. O roteiro de Ron Nyswaner conduz tudo sem pressa, de forma simples, atrativa e até mesmo emocionante em seus momentos finais.  O Despertar de Uma Paixão também se beneficia por ter dois ótimos protagonistas.  Esse drama merece e muito ser descoberto, pois é um dos melhores trabalhos desse ano.”

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6. O ÚLTIMO REI DA ESCÓCIA

2 Indicações: Ator e Roteiro Original.

1 Vitória: Ator

“Surpreendente drama político com direção do Oscarizado documentarista Kevin MacDonald, que flui muito bem, conseguindo misturar drama, tensão e política na medida exata. Nunca deixa sua qualidade cair e é um dos filmes mais surpreendentes do ano, que merece ser mais reconhecido.”

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7. A RAINHA

7 Indicações: Atriz, Roteiro Original, Revelação (2), Trilha Sonora, Figurino, Direção de Arte.

1 Vitória: Trilha Sonora

“A atuação de Mirren é ótima, expressando nuances de dores contidas e de soberania, fazendo com acreditemos que estamos mesmo em frente de uma grande rainha.  O trabalho do diretor Stephen Frears também me encantou, que dá um show na direção, nunca caindo em dramas baratos ou exageros. A trilha sonora de Alexandre Desplat é soberba, usada nos momentos exatos e ideais.”

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8. PECADOS ÍNTIMOS

4 Indicações: Ator, Atriz, Ator Coadjuvante, Roteiro Adaptado.

Nenhuma vitória.

“No mundo de Todd Field, a vida suburbana é cheia de angústias e tragédias, que são mostradas de forma muito subjetiva e silenciosa. Kate Winslet brilha novamente (como se isso fosse alguma novidade) e Patrick Wilson surpreende em cena. Pecados Íntimos é um bom filme, que muitas vezes lembra um livro que está sendo lido na sala de cinema. As angústias, os medos e as indecisões são mostradas de forma bem realista. O diretor continua mostrando muita competência na direção.”

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9. BABEL

5 Indicações: Atriz Coadjuvante, Roteiro Original, Trilha Sonora, Montagem, Elenco

2 Vitórias: Direção e Montagem

“Fica evidente para o espectador que o ponto forte são as grandes atuações do filme, onde todos são coadjuvantes. As histórias e os assuntos abordados em Babel são excelentes, que se maximizam com a interpretação dos atores. Aqui tudo é muito aprofundado e intenso e a direção do filme é excelente.”

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10. PIAF – UM HINO AO AMOR

3 Indicações: Atriz, Figurino e Maquiagem.

1 Vitória: Atriz.

“Cotillard encarnou a cantora Edith Piaf de forma assustadora e vai muito além da mera aparência física – ela é pura emoção, explodindo talento em todas as cenas em que lhe exigem poder dramático. O longa também é muito bem produzido em sua parte técnica, em especial maquiagem, direção de arte e figurinos.”

Melhores de 2007 – Direção

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Melhor Direção

– Alejandro González Iñárritu, por Babel

Não sou muito fã de Babel. Quer dizer, adoro o filme, mas não o acho uma obra-prima como muitos apontam. No entanto, fiquei completamente maravilhado e surpreendido com a grande direção do competente Alejandro González Iñárritu que, apesar de não ter realizado seu melhor filme (ainda fico com Amores Brutos), apresentou sua melhor direção. Maduro e minimalista, o preciso trabalho de Iñárritu é o aspecto mais positivo do filme, junto com as ótimas interpretações do elenco. Se o Oscar desse ano tivesse sido por merecimento (afinal, Scorsese só levou porque deviam pra ele) certamente a estatueta seria de Babel. Realizando o filme de forma quase documental, Iñárritu acertou nesse estilo, que acaba fluindo muito bem em suas mãos. Se tivéssemos uma maior agilidade no roteiro, o filme seria ainda melhor. De qualquer forma, ele acaba sendo o melhor diretor do ano, ao menos na minha perspectiva. É o único trabalho do diretor onde a direção se sobressai ao filme.

OUTROS INDICADOS:

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Clint Eastwood, por Cartas de Iwo Jima. É difícil acreditar que um filme de guerra do porte de Cartas de Iwo Jima seja dirigido por um senhor de idade avançada como Clint Eastwood. Mas se tratando do veterado diretor, nada é surpreendente. Depois de roubar a cena (literalmente!) quando tirou o Oscar de Scorsese coma sua Menina de Ouro, Clint retorna ao cinema com dois grandes filmes. Mas foi a versão japonesa que mais se destacou. Utilizando um tom muito humano e deixando de lado batalhas intermináveis ou sangue pra todo o lado, o diretor deu uma aula de como se fazer um filme de guerra sem que ele caia no tédio ou na chatice. Um grande feito, diga-se de passagem.

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Paul Greengrass, por O Ultimato Bourne. É inegável que Paul Greengrass é um diretor mais do que promissor. Depois de toda a incrível habilidade demonstrada em Vôo United 93, ele investiu em O Ultimato Bourne, onde conseguiu me surpreender mais ainda (feito que não conseguiu com o volume anterior da série). Com a câmera na mão – nada de tripés, inclusive nas cenas de ação e correria – ele deu mais uma prova de que é um talentoso diretor, sendo um dos melhores do atual cinema de Hollywood. Não apenas realizou o melhor filme desse ano, como repaginou a série e conseguiu fãs que a série não tinha nos capítulos anteriores. E eu me incluo nessa categoria.

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David Fincher, por Zodíaco. Como todos podem ver, através da minha lista de indicados desse ano, não sou muito fã de Zodíaco, apesar de ter gostado muito do resultado do filme. Contudo, é impossível deixar de lado a ótima direção do competente David Fincher que fez com que esse filme de mais de 2h30 não se tornasse um tédio em nenhum momento. Comandando o suspende com grande habilidade e segurança, Fincher também foi excelente ao dirigir o elenco, arrancando grandes interpretações de todos os atores (especialmente de Jake Gyllenhaal e Mark Ruffalo). Teria mais chances se eu gostasse mais do filme. De qualquer forma, merece créditos pela ótima direção.

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Stephen Frears, por A Rainha. A cada filme que produz, o diretor Stephen Frears sobe mais no meu conceito. Depois de Ligações Perigosas, Coisas Belas e Sujas e Senhora Henderson Apresenta, ele me conquistou definitivamente com seu elegante trabalho em A Rainha. Com um jeito único de contar histórias, sem nunca cair em clichês ou no melodrama barato, Frears fez desse seu último trabalho, um dos melhores de sua carreira. Utilizando um estilo mais documental e tons de dramas contidos, ele realizou um dos melhores trabalhos do ano que com certeza é extremamente digno de sua indicação nessa minha categoria. Frears ainda chegará a conquistar um Oscar, e ficarei muito contente ao vê-lo vencedor.

Melhores de 2007 – Atriz

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Melhor Atriz

– Marion Cotillard, por Piaf – Um Hino Ao Amor

A maquiagem que favorece o desempenho de Marion Cotillard na cinebiografia da cantora francesa Edith Piaf é mero detalhe de uma grande interpretação que foi a mais comentada depois do destaque dado para Helen Mirren e sua personificação da rainha Elizabeth. Mesmo que o filme seja extremamente convencional e falho no seu relato cronológico dos fatos, Marion conseguiu se sobressair, apresentando um desempenho simplestemante brilhante. Conquistando o favoritismo para o Oscar de Melhor Atriz em 2008, ela superou todos os outros trabalhos do ano, realizando o melhor trabalho feminino apresentado no cinema em 2007. Por mais que tenha que vencer as barreiras do prenconteito da Academia com estrangeiros, Marion vai com toda a força para o Oscar, levando a grande torcida da crítica especializada.

OUTROS INDICADOS:

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Judi Dench, por Notas Sobre Um Escândalo. Judi Dench é uma atriz que tive extrema dificuldade em apreciar. O único trabalho dela que eu realmente havia gostado era Sra. Henderson Apresenta. Mas eis que ela surge com esse seu poderoso desempenho, que é o melhor entre os personagens femininos fictícios desse ano. Com uma complexidade única, a personagem Barbara Covett foi vivida de forma impecável pela atriz, que realizou a melhor interpretação de toda a sua carreira. Além disso, está num filme maravilhoso, com um roteiro que favorece completamente seu desempenho. Mesmo que tenha uma linda companheira de cena (Cate Blanchett), ela domina completamente o setor de atuação.

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Helen Mirren, por A Rainha. Antes do surgimento de Marion Cotillard e sua Edith Piaf, era Helen Mirren a dona do cargo de Melhor Atriz do ano. Vencedora do Oscar por seu trabalho no filme de Stephen Frears, Mirren deu um show de atuação no filme, utilizando as palavras de forma única e os tons de voz exatos para demonstrar toda a soberania da rainha Elizabeth. De longe, foi o maior destaque de um filme que tem vários aspectos brilhantes. Extremamente memorável e inesquecível, o trabalho de Mirren é um daqueles que vai ficar no hall de “personificações” mais conhecidas do cinema contemporâneo. Contida e sublime, por pouco não venceu nessa categoria.

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Ashley Judd, por Possuídos. Sem dúvida alguma essa é a triz mais injustiçada desse ano, por causa do fracasso comercial do filme e da pouca atenção que recebeu da crítica, que não foi muito positiva em seus comentários. Fiquei com a impressão de que o filme poderia ser melhor, mas é completamente impossível ficar indiferente ao soberbo desempenho de Ashley Judd, que apresenta o melhor trabalho de sua carreira. Surpreendente e poderosa, roubou completamente a cena e fez uma parceria brilhante com o ótimo Michael Shannon. Além de ser um personagem muito perturbador, é atraente por causa da competência de Ashley. Merece uma segunda chance.

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Kate Winslet, por Pecados Íntimos. Das indicadas, essa foi a atriz que mais perdeu força desde a estréia do seu filme. Ficou na minha lista apenas por causa de minha admiração por Winslet e por ser um bom desempenho, ainda que não o melhor da atriz em um filme dramático. Versátil e poderosa, Winslet não está especialmente marcante em Pecados Íntimos, até porque divide a tela com outros competentes atores, mas conseguiu apresentar mais um bom trabalho para a sua brilhante carreira, que com certeza um dia lhe levará ao Oscar. No entanto, Kate Winslet foi merecedora dessa indicação sim, com todos os méritos. Além de ter dado um impulso à sua carreira.

Outros destaques de 2007: Angelina Jolie (O Preço da Coragem), Annette Bening (Correndo Com Tesouras), Charlize Theron (No Vale das Sombras), Fernanda Torres (Saneamento Básico), Hilary Swank (Escritores da Liberdade), Kirsten Dunst (Maria Antonieta) e Nicole Kidman (A Pele).

Melhores de 2007 – Ator

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Melhor Ator

– Forest Withaker, por O Último Rei da Escócia

O ator Forest Whitaker conseguiu um grande feito no excelente O Último Rei da Escócia. Durante boa parte do filme, ele é uma figura encantadora e magnética, atraindo completamente o espectador. Aos poucos, vai se tornando em alguém perigoso e irracional, que se revela um verdadeiro perigo. Interpretações mutantes como essas são difíceis de se achar, e esse estilo me agrada particularmente. Por esse motivo, Whitaker leva o meu prêmio de melhor ator do ano. Fica claro que o filme não é totalmente dele, afinal James McAvoy fez um brilhante trabalho, mas o maior destaque acaba sendo ele. Premiado com o Oscar e o Globo de Ouro, entre outros, Forest Whitaker foi bastante elogiado, mas seu filme não teve maior destaque porque não se saiu muito bem entre a crítica e o público. Como adoro O Último Rei da Escócia, é impossível eu ficar indiferente ao ótimo trabalho do ator.

OUTROS INDICADOS:

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Wagner Moura, por Tropa de Elite. Se pedissem para eu escolher a maior revelação nacional do ano, não pensaria duas vezes: Wagner Moura. Além de ter feito um bom trabalho naquela pavorosa novelinha da Globo, celebrou a vitória em Saneamento Básico. Mas foi com Tropa de Elite (filme celebrado em excesso, na minha opinião “do contra”) que ele se firmou como um dos melhores, se não o melhor, ator de sua geração. Ele vai muito além dos gritos que seu personagem exige ou das cenas pesadas; ele consegue trazer verossimilhança para o personagem, que se torna cada vez mais interessante, especialmente nas memoráveis narrações em off. Pena que eu não gostei tanto do filme.

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Peter O’Toole, por Vênus. É inegável que Peter O’Toole apresentou uma ótima interpretação em Vênus. Apesar do visível desgaste físico, conseguiu surpreender com uma minimalista atuação. Pena que ela esteja em um filme tão monótono e fraco, onde o roteiro não envolve. O’Toole dá o melhor de si, assim como o resto do elenco (destaque para Jodie Whitaker). Ele consegue dar muita humanidade a esse personagem solitário, confuso e complexo. Gosto bastante do seu estilo de interpretar, mas o fato de eu não ter gostado do filme, acabou influenciando minha opinião em relação ao desempenho. Um trabalho competente e surpreendente para a idade do ator.

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Patrick Wilson, por Pecados Íntimos. Muito se falou dos desempenhos de Kate Winslet, Jackie Earle Haley e até mesmo de Jennifer Connelly, mas quase ninguém parece ter gostado do desempenho de Patrick Wilson, a não ser eu. Para quem tinha feito trabalhos completamente inexpressivos como O Fantasma da Ópera, Patrick Wilson conseguiu se superar, mantendo-se no mesmo nível de excelência de atuação dos que seus companheiros de tela. Seu estilo não é baseado em choros, sotaques ou maneirismos, mas em silêncios contidos e olhares observadores. Pena que não conseguiu espaço nas premiações, pois certamente era merecedor de uma indicação.

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Tommy Lee Jones, por No Vale das Sombras. O desempenho de Tommy Lee Jones é o maior acerto do novo filme de Paul Haggis. A princípio ele pode não convenver muito mas, na medidada em que o tempo avança, acabamos nos envolvendo com sua emoção contida e com sua vontade de encontrar o verdadeiro culpado pela morte do filho. É a melhor interpretação do longa e as maiores chances do filme para conseguir alguma indicação nas futuras premiações. Acredito que ele chegará ao Oscar, pois seu trabalho é muito merecedor. Teria mais força se o papel fosse mais humano e tivesse uma dimensão dramática maior.

Outros destaques de 2007: James McAvoy (O Último Rei da Escócia), Leonardo DiCaprio (Diamante de Sangue), Matt Damon (O Ultimato Bourne e O Bom Pastor)Michael Shannon (Possuídos), Richard Gere (O Vigarista do Ano), Will Ferell (Mais Estranho Que a Ficção) e Will Smith (À Procura da Felicidade).

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