Cinema e Argumento

Filmes em DVD

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Seven – Os Sete Crimes Capitais, de David Fincher

Com Morgan Freeman, Brad Pitt e Gwyneth Paltrow

Aqui está um ótimo exemplar de filme de serial killer que nunca desanda nem parte para situações absurdas ou para maiores bobagens. Ainda que a trama seja linear e pouco surpreendente (com exceção do inteligente e memorável desfecho) deixa o espectador intrigado porque utiliza uma boa idéia para desenvolver a história. Brad Pitt está um pouco irregular e Gwyneth Paltrow mal aparece, mas as presenças de Morgan Freeman e Kevin Spacey compensam tudo. A excelente montagem foi indicada ao Oscar, mas não levou. Seven – Os Sete Crimes Capitais não é nem de longe o melhor filme do David Fincher, mas mesmo assim não deixa de ser um excelente entretenimento.

FILME: 8.0

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Cassino, de Martin Scorsese

Com Robert De Niro, Sharon Stone e Joe Pesci

Scorsese tem um grande público e eu sempre tentei me encaixar no seu grupo de fãs, mas em vão. O estilo do diretor realmente não consegue me conquistar. Foi assim com Os Infiltrados e agora com esse Cassino. O estilo de direção e a longa duração foram decisivos para que eu não adorasse esse filme, que vale mais pelas ótimas interpretações. Robert De Niro está perfeito no papel e Sharon Stone brilha completamente (em especial nos momentos iniciais, ondeconsegue hipnotizar com sua beleza), que concorreu ao Oscar de Atriz, e que só não levou justamente por ela ser uma coadjuvante na história. A direção de arte também é muito competente, mas o modo de contar histórias do diretor não ajudou muito. Cassino é um filme satisfatório, bem produzido e que, com certeza, deve agradar os fãs do diretor.

FILME: 7.5

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A Casa-Monstro, de Gil Kenan

Com as vozes de Steve Buscemi, Maggie Gyllenhaal e Jon Heder

Foi o desenho preterido das premiações ano passado. Os outros dois indicados (Carros e Happy Feet) faturaram ao mênos algum prêmio cada, mas A Casa Monstro não. Uma injustiça, já que o filme tem o mesmo nível de originalidade que os outros dois, do qual não gosto muito (Carros é longo demais e Happy Feet um pouco estranho). Partindo de uma premissa bem nostálgica, A Casa Monstro consegue ter personagens bem simpáticos e divertidos. Apesar de escorregar nos momentos finais, onde se perde e exagera um pouco na resolução da trama, a animação consegue ser bem agradável. Não tanto para crianças, pois é cheio de explosões, sustos e outras coisas que devem assustá-las. É uma animação que vale mais pela originalidade, mas nem tanto pelo visual.

FILME: 7.5

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Traffic, de Steven Soderbergh

Com Michael Douglas, Catherine Zeta-Jones e Benicio Del Toro

O tema já é batido e a estrutura é convencional. Porém, esses defeitos não são o que tornam Traffic um filme meramente banal, e sim a sua excessiva duração e a falta de ritmo. A trama é simples e não eram necessárias mais de duas horas e meia para desenvolvê-la. Não consegui ficar muito interessado pelo enredo, pois ele parece ser uma variação de tantos outros filmes sobre o tráfico de drogas. No entanto, dois aspectos salvam o filme. O primeiro é a excelente direção do Steven Soderbergh, que, merecidamente, ganhou o Oscar de diretor por seu trabalho. O segundo é o elenco, todos ótimos. Traffic pode ser longo e nada original, mas não deixa de ser um satisfatório entretenimento com conteúdo e bem produzido. Ah, e será que só eu achei o Oscar de coadjuvante pro Benicio Del Toro injusto? Não vi nada demais na interpretação dele…

FILME: 7.5

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Rent – Os Boêmios, de Chris Columbus

Com Anthony Rapp, Adam Pascal e Rosario Dawson

O gênero musical é um dos mais dificeis do cinema contemporâneo e são poucos os que realmente conseguem criar um querido público. Infelizmente, Rent – Os Boêmios está na safra dos musicais que não conquista praticamente ninguém e que peca por não ser inventivo e muito menos empolgante. O mais engraçado de tudo é que as músicas são ótimas, as coreografias estão em plena sintonia e o filme tem momentos muito agradáveis. Porém, o erro parece ser que faltou alma nesse projeto que fica sempre “prometendo” mais e nunca chega a lugar algum. Não achou seu público aqui no Brasil e, provavelmente, nem deva encontrar.

FILME: 7.0

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Túmulo Com Vista, de Nick Hurran

Com Brenda Blethyn, Alfred Molina e Christopher Walken


Enquanto assistia Túmulo Com Vista, lembrei bastante de outra comédia chamada A Morte Lhe Cai Bem. Ambos os filmes satiririzam a morte e possuem os mesmos tipos de defeitos e qualidades. Deixe de lado o criticismo com aburdos e exageros. Assim, você conseguirá obter o melhor dessa produção satisfatória e que prima pelo ótimo elenco que possui, em especial a ótima Brenda Blethyn. Divertido, Túmulo Com Vista é uma comédia para poucos, principalmente por causa de seu humor negro – que, como na maioria das vezes, dificulta a aceitação.

FILME: 6.5

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Meu Amor de Verão, Pawel Pawlikowski

Com Emily Blunt, Nathalie Press e Paddy Consindine

Histórias de amor homossexual são um problema. Até hoje não achei nenhum filme que realmente me conquistasse sobre esse assunto. E olha que já vi coisas bizarras do gênero, como o italiano Um Amor Quase Perfeito. Então, assisti Meu Amor de Verão com um pé atrás, mas com fé na interpretação da boa Emily Blunt. Não conferi nenhum repeteco nem nenhuma bobagem e sim uma história completamente rasa e esquecível. Nathalie Press e Emily Blunt estão excelentes, mas, novamente, vi uma história de carência afetiva e não de amor. Tem alguns momentos inventivos e bons diálogos, mas é tudo muito frio e vazio (culpa também da falta de trilha sonora).

FILME: 6.0

O Caçador de Pipas

Direção: Marc Forster

Elenco: Khalid Abdalla, Atossa Leoni, Homayoun Ershadi, Zekeria Ebrahimi, Shaun Toub, Nabi Tanha

The Kite Runner, EUA, 2007, Drama, 124 minutos, 14 anos.

Sinopse: Depois de passar anos na California, Amir (Khalid Abdalla) retorna para a sua cidade natal, no Afeganistão, para tentar corrigir erros do passado. Ele também terá de ajudar o filho de seu amigo de infância, que está com sérios problemas.

Estranho. Achei o filme e o livro de O Caçador de Pipas totalmente diferentes. Eu não deveria ter essa sensação, uma vez que o filme de Marc Forster é plenamente fiel ao best-seller de Khaled Hosseini. Falando em Marc Forster, ele prova aqui que a palavra ”versatilidade” lhe cai muito bem, pois realiza um de seus melhores trabalhos como diretor. A produção é meticulosamente cuidadosa em todos os seus setores e especialmente na primeira hora do filme, que retrata a infância do protagonista. É nessa parte também que o filme funciona melhor, onde é mais sentimental, emocionante e verossímil. A adaptação teve pleno êxito nos primeiros momentos, que realmente ficaram muito interessantes.

Já a segunda hora e os momentos finais não conseguem conquistar, já que tudo é muito vazio e sem sentimento. De uma certa forma, a adaptação do best-seller é digna e consegue traduzir muito bem todo o espírito que o escritor Khaled Hosseini transmitia em sua obra, mas não consegui me sentir confortável com a história e muito menos me emocionar.Não é um produto comercial e gostei bastante disso. Em momento algum notamos que o filme quer apenas “ganhar dinheiro”, muito pelo contrário, tudo parece ter sido feito com amor ao livro. O fato é que eu li a história faz bastante tempo, então a versão cinematográfica não teve tanta graça porque eu já sabia tudo o que estava por acontecer.

A trilha sonora de Alberto Iglesias, que foi indicada ao Oscar, é ótima, mas de maneira nenhuma oferece riscos para a melhor trilha desse ano: a de Dario Marianelli, em Desejo e Reparação. O desconhecido elenco de O Caçador de Pipas realiza um trabalho surpreendente, todos excelentes, principlamente o elenco mirim e o protagonista Khalid Abdalla. Um filme nada mais que satisfatório, sem ousadias ou novidades. Em termos de adaptação está ótimo. Só faltava ser um pouco mais contundente como cinema…

FILME: 7.0

3

Oscar 2008 – Atriz Coadjuvante

  • Cate Blanchett, por Não Estou Lá
  • Ruby Dee, por O Gângster
  • Saoirse Ronan, por Desejo e Reparação
  • Amy Ryan, por Medo da Verdade
  • Tilda Swinton, por Conduta de Risco

Ruby Dee foi a grande surpresa da lista. Por mais que ela já estivesse baixamente cotada, eu esperava alguma surpresinha nessa categoria, torcendo até mesmo pela Vanessa Redgrave em Desejo e Reparação. Mas a vaga do filme ficou merecidamente com a jovem Saoirse Ronan, que é um dos maiores destaques do filme de Joe Wright e certamente tem futuro no cinema. Amy Ryan trouxe a única indicação para Medo da Verdade e era uma favorita anteriormente, mas com a derrota no Globo de Ouro ficou completamente em baixa. Acho bem suspeita a indicação da Tilda Swinton. Não no sentido negativo, mas sinto que a presença dela pode ser a maior ameaça para a favorita da categoria: Cate Blanchett. O papel de Swinton em Conduta de Risco se encaixa bem na categoria de coadjuvante e sua atuação é ótima (destaque para seu último momento no longa). Uma estatueta para sua premiação seria bem merecido. No entanto, é bem difícil que o prêmio não vá para Blanchett por seu desempenho em Não Estou Lá. Desconfio se a Academia vai mesmo dar o Oscar para uma atriz já consagrada com a estatueta e tão festejada. Mas ao que tudo indica, vai sim.

Juno

Direção: Jason Reitman

Elenco: Ellen Page, Jennifer Garner, J.K. Simmons, Allison Janney, Michael Cera, Jason Bateman

EUA, 2008, Comédia, 105 minutos, 10 anos.

Sinopse: Quando a adolescente Juno (Ellen Page) aos 16 anos de idade descobre-se grávida do namorado (Michael Cera), ela decide procurar pais adotivos para o filho que não deseja ter. Contando com o apoio de seu pai (J.K. Simmons) e de sua madrasta (Allison Janey), Juno entrará em uma jornada sobre qual a importância de crescer e superar os tombos da vida.

Logo quando Juno começou a fazer sucesso nas premiações, o público considerou essa produção independente como o Pequena Miss Sunshine de 2008. Qualquer comparação com o bem-sucedido filme de Jonathan Dayton e Valerie Farris é inútil, uma vez que Juno se difere totalmente, com exceção na aura de comédia indepentente com rumo à carreira de produção cult no futuro. A segunda incursão do diretor Jason Reitman no cinema (o primeiro foi o bom Obrigado Por Fumar) trouxe grandes frutos para a equipe envolvida. O filme recebeu quatro indicações ao Oscar e é favorito para levar o importante prêmio de roteiro original.

Sem dúvida alguma, Juno veio dar continuidade ao efeito que Pequena Miss Sunshine criou ano passado: o de que filmes baratos e independentes podem sim ser melhores do que produções caras e grandiosas. Durante todo o filme fica claro essa intenção, porque o roteiro tem um charme único, um humor muito sincero e um caráter inofensivo. Se eu tivesse que dizer a razão de toda a badalação em torno dessa comédia seria a sua simplicidade. Nada é grosseiro, clichê e muito menos forçado. A roteirista Diablo Cody (em sua estréia no cinema como roteirista) transportou um tema pesado – a gravidez na adolescência – para um tratamento agradável, abrangendo todos os públicos, que certamente irão se envolver com a jornada rumo à maturidade da protagonista.

Óbvio que para um filme como esse, uma protagonista carismática e competente é necessária. A escolhida da vez é Ellen Page, que anteriormente havia mostrado competência no péssimo Menina Má.Com e que aqui tem a verdadeira chance de alçar vôo em sua carreira. A jovem atriz de 20 anos se mostra confortável e muito segura no papel, conseguindo segurar tranqüilamente as rédeas da ótima personagem e merecendo sua indicação ao prêmio da Academia. Mas, não estaria ela interpretando a si mesma? O elenco de suporte não possui maiores destaques, tendo como coadjuvantes Allison Janney (a namorada de Meryl Streep em As Horas) e J.K. Simmons. Quem mais chama a atenção é Jennifer Garner, muito simpática e em bom desempenho.

Um outro aspecto que me deixou bastante satisfeito foram as canções, agradáveis e encantadoras. Por mais que sejam utilizadas em excesso, combinam perfeitamente com cada momento e com cada cena. Apesar de todos esses meus elogios, não achei Juno tão original assim. O sucesso e o encantamento em volta do filme devem-se apenas ao grande poder de conquistar com sua simplicidade. Até achei bastante estranho a Academia ter dado tanta ênfase para esse filme em um ano tão concorrido (absurdo Joe Wright ter sido eliminado da lista de direção por Desejo e Reparação e ter “cedido” o lugar para Jason Reitman, por exemplo). Juno, com certeza, vai achar seu público…

FILME: 8.0

35

Oscar 2008 – Ator

  • George Clooney, por Conduta de Risco
  • Daniel Day-Lewis, por Sangue Negro
  • Johnny Depp, por Sweeney Todd
  • Tommy Lee Jones, por No Vale das Sombas
  • Viggo Mortensen, por Senhores do Crime

Não achei nenhuma surpresa ver o Tommy Lee Jones entre os indicados por seu desempenho em No Vale das Sombras. É fato que a Academia venera o Paul Haggis, e sempre achei que se tivessem que dar uma indicação ao filme seria para o desempenho de Jones. Ainda que não seja totalmente desmerecido (afinal, o trabalho dele é bom), esperava-se outros nomes muito mais cotados como o de James McAvoy, Emile Hirsch ou Denzel Washington. Surpresa achei a inclusão de Viggo Mortensen, que nem estava sendo muito mencionado nas outras premiações e parecia não ter forças para chegar aqui. George Clooney mostra que definitivamente veio para ficar em Hollywood: depois de conquistar o Oscar de coadjuvante por Syriana – A Indústria do Petróleo (que nem foi tão justo assim), ainda conseguiu conquistar essa merecedíssima indicação por Conduta de Risco, filme onde o ator apresenta o melhor desempenho de toda a sua carreira. Deixando esses três de lado (já que não acho que possuem maiores chances), restam Daniel Day-Lewis e Johnny Depp. Essa é uma das maiores dúvidas da noite. Day-Lewis anda com bastante força, especialmente por causa da sua recente vitória no Globo de Ouro. Mas fico me perguntando se a Academia vai realmente dar a estatueta para o já premiado ator (que ganhou como protagonista por Meu Pé Esquerdo) e deixar mais uma vez de premiar o maior talento da nova geração, Johnny Depp, que já concorre pela terceira vez. Decidi publicar meus votos e minhas apostas somente dias antes da premiação, porque a imprevisibilidade é imensa e não quero me precipitar. Mas certamente aqui o duelo é entre Day-Lewis e Depp.

Oscar 2008 – Atriz

As seguintes categorias serão comentadas separadamente: Atriz, Ator, Atriz Coadjuvante, Ator Coadjuvante, Roteiro Adaptado, Roteiro Original, Direção e Filme. As restantes serão comentadas todas juntas em um único post.

Melhor Atriz

  • Cate Blanchett, por Elizabeth – A Era de Ouro
  • Julie Christie, por Longe Dela
  • Marion Cotillard, por Piaf – Um Hino Ao Amor
  • Laura Linney, por A Família Savage
  • Ellen Page, por Juno

Logo quando conferi essa lista, fiquei um pouco surpreso, mas incrivelmente contente. A inclusão de Laura Linney nessa categoria me deixou muito feliz, pois torcia muito para que ela recebesse essa indicação. Apesar de ser um enorme talento que ainda não tem um Oscar em casa, não vai ser dessa vez que ela vai conquistar a categoria. A grande “batalha” vai ser entre Julie Christie e Marion Cotillard. As outras não oferem risco algum e devem apenas assistir a corrida das outras duas rumo a estatueta. Existem mais motivos favoráveis para Christie do que para Cotillard. A primeira é a recordista de prêmios da temporada nessa categoria e tem um papel típico do gosto da Academia: uma mulher idosa com mal de Alzheimer. Mas ela também tem um grande “contra”: já faz dois anos seguidos que o Oscar premia personagens de biografias, e não personagens fictícios. Já Cotillard tem uma atuação unânime, que impressionou e cativou a todos, além de ser favorecida por essa onda de premiações para atuações de biografias. No entanto, é uma estrangeira, o que pode atrapalhar e muito a sua premiação. Mas quero acreditar que Cotillard sairá vencedora. A indicação de Cate Blanchett até que era previsível, mas eu esperava alguma outra indicada no lugar dela (Angelina Jolie ou Keira Knightley) já que A Era de Ouro fracassou nas bilheterias. A menção a Ellen Page só destaca o grande talento dessa promissora atriz, que parece ter se encontrado cinematograficamente depois do péssimo Menina Má.Com

Indicados ao Oscar 2008 – Palpites

MELHOR FILME:

  • Desejo e Reparação
  • Juno
  • Na Natureza Selvagem
  • Onde Os Fracos Não Têm Vez
  • Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet

MELHOR DIREÇÃO:

  • Joe Wright (Desejo e Reparação)
  • Joel Coen e Ethan Coen (Onde Os Fracos Não Têm Vez)
  • Julian Schnabel (O Escafrando e a Borboleta)
  • Ridley Scott (O Gângster)
  • Tim Burton (Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet)

MELHOR ATRIZ

  • Angelina Jolie (O Preço da Coragem)
  • Ellen Page (Juno)
  • Julie Christie (Longe Dela)
  • Keira Knightley (Desejo e Reparação)
  • Marion Cotillard (Piaf – Um Hino Ao Amor)

MELHOR ATOR

  • Daniel Day-Lewis (Sangue Negro)
  • Denzel Washington (O Gângster)
  • Emile Hirsch (Na Natureza Selvagem)
  • George Clooney (Conduta de Risco)
  • Johnny Depp (Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE:

  • Amy Ryan (Medo da Verdade)
  • Cate Blanchett (Não Estou Lá)
  • Catherine Keener (Na Natureza Selvagem)
  • Saoirse Ronan (Desejo e Reparação)
  • Tilda Swinton (Conduta de Risco)

MELHOR ATOR COADJUVANTE:

  • Casey Affleck (O Assassinato de Jesse James)
  • Javier Bardem (Onde Os Fracos Não Têm Vez)
  • Paul Dano (Sangue Negro)
  • Tom Wilkinson (Conduta de Risco)
  • John Travolta (Hairspray – Em Busca da Fama)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL:

  • Conduta de Risco, por Tony Gilroy
  • Juno, por Diablo Cody
  • Ratatouille, por Brad Bird
  • Senhores do Crime, por Steve Knight
  • A Família Savage, por Tamara Jenkins

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO:

  • Desejo e Reparação, por Cristopher Hampton
  • Jogos do Poder, por Aaaron Sorkin
  • Na Natureza Selvagem, por Sean Penn
  • O Escafrando e a Borboleta, por Ronald Harwood
  • Onde Os Fracos Não Têm Vez, por Joel e Ethan Coen

MELHOR FILME ESTRANGEIRO:

  • A Desconhecida (Itália)
  • 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (Romênia)
  • O Escafrando e a Borboleta
  • O Orfanato (Espanha)
  • Piaf – Um Hino Ao Amor (França)

MELHOR ANIMAÇÃO

  • Bee Movie – A História de Uma Abelha
  • Os Simpsons – O Filme
  • Ratatouille

MELHOR FOTOGRAFIA

  • Desejo e Reparação
  • O Assassinato de Jesse James
  • O Escafrando e a Borboleta
  • Onde Os Fracos Não Têm Vez
  • Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet

MELHOR MONTAGEM:

  • Conduta de Risco
  • Na Natureza Selvagem
  • O Gângster
  • O Ultimato Bourne
  • Onde Os Fracos Não Têm Vez

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE:

  • A Bússola de Ouro
  • Desejo e Reparação
  • Harry Potter e a Ordem da Fênix
  • Piratas do Caribe 3 – No Fim do Mundo
  • Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet

MELHOR FIGURINO:

  • A Bússola de Ouro
  • Desejo e Reparação
  • Elizabeth – A Era de Ouro
  • Hairspray – Em Busca da Fama
  • Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet

MELHOR TRILHA SONORA:

  • Desejo e Reparação (Dario Marianelli)
  • Grace Is Gone (Clint Eastwood)
  • Harry Potter e a Ordem da Fênix (Nicholas Hooper)
  • Lust, Caution (Alexandre Desplat)
  • O Caçador de Pipas (Alberto Iglesias)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL:

  • Come So Far – Got So Far To Go” (Hairspray – Em Busca da Fama)
  • Falling Slowly” (Once)
  • Le Festin” (Ratatouille)
  • Guaranteed” (Na Natureza Selvagem)
  • That’s How You Know” (Encantada)

MELHOR MAQUIAGEM:

  • Piaf – Um Hino Ao Amor
  • Piratas do Caribe – No Fim do Mundo
  • Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet

MELHORES EFEITOS VISUAIS:

  • Homem-Aranha 3
  • Piratas do Caribe 3 – No Fim do Mundo
  • Transformers

MELHOR EDIÇÃO DE SOM:

  • A Lenda de Beowulf
  • O Ultimato Bourne
  • Piratas do Caribe 3 – No Fim do Mundo
  • Ratatouille
  • Transformers

MELHOR MIXAGEM DE SOM:

  • Hairspray – Em Busca da Fama
  • Os Indomáveis
  • Ratatouille
  • Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
  • Transformers

Jogos Mortais 3

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[De Darren Lynn Bousman. Com Tobin Bell, Shawnee Smith e Bahar Soohmekh]

Toda a genialidade apontada pelo público para Jogos Mortais só existiu realmente no primeiro volume, que conseguiu ser surpreendente e intrigante no seu ótimo suspense. Por mais que o segundo volume seja mais divertido e forte em suas cenas de violência, acabou soando um pouco decadente em seu roteiro. Por causa dessa leve decepção e do anúncio de um terceiro e um quarto volume, não tinha a mínima vontade de ver mais um repeteco inferior aos outros filmes. Vi esse terceiro capítulo gratuitamente e mesmo assim me arrependi, porque vi um produto completamente comercial e sem qualquer tipo de impacto cinematográfico. Ok, não posso negar que gostei das cenas de violência e das grandes bobagens presentes, mas eu não consegui ver mais graça nessa história, que já me parece completamente saturada e sem atrativos. Se existe alguma coisa aproveitável na história é o desempenho de Bahar Soohmekh (que anteriormente havia feito Crash – No Limite), que está esforçada e tenta dar um pouco de verossimilhança para a história. Nem detestei o filme, apenas achei frio e completamente mecânico. Ainda assim deve agradar o povão que gosta desses filmes sanguinolentos. Com certeza passo longe do quarto volume, que nem pretendo assistir.

FILME: 6.0

25

Meu Nome Não é Johnny

Direção: Mauro Lima

Elenco: Selton Mello, Cléo Pires, Júlia Lemmertz, Eva Todor, Cássia Kiss, André Di Biasi.

Brasil, 2008, Drama, 113 minutos, 14 anos.

Sinopse: João Guilherme Estrella (Selton Mello) nasceu em uma família de classe média do Rio de Janeiro. Filho de um diretor do extinto Banco Nacional, ele cresceu no Jardim Botânico e frequentou os melhores colégios, tendo amigos entre as famílias mais influentes da cidade. Carismático e popular, João viveu intensamente os anos 80 e 90. Neste período, conheceu o universo das drogas, mesmo sem jamais pisar numa favela. Logo, tornou0se o maior vendedor de drogas do Rio de Janeiro, sendo preso em 1995. A partir de então, passou a frequentar o cotidiano do sistema carcerário brasileiro.

Até hoje não consigo entender toda a polêmica em volta do superestimado Tropa de Elite (que os fãs me perdoem, mas não vejo nada demais). Meu Nome Não é Johnny trata da mesma temática – o tráfico de drogas. Como eu não sou fã do filme de José Padilha, achei que o longa-metragem de Mauro Lima consegue fazer uma denúncia muito melhor e mais sincera. Mas, deixando de lado todo esse papo de drogas, esse filme (que é o primeiro brasileiro lançado esse ano) tem vários aspectos positivos que o tornam muito mais do que uma mera denúncia social.

O maior mérito, sem dúvida, é o sempre ótimo Selton Mello, que cada vez mais comprova ser um excelente ator – carismático e competente, sempre se encaixando muito bem em seus papéis. O filme é dele, que aproveita muito bem cada momento da produção. Quem faz seu par romântico é a linda Cléo Pires, em sua segunda incursão no cinema (sua primeira vez foi como a musa do péssimo Benjamim) e ela está ótima. As coadjuvantes Cássia Kiss e Júlia Lemmertz também realizam bons trabalhos.

Meu Nome Não é Johnny conta com cenas em Barcelona e Veneza, cenas em que o roteiro fica muito divertido, com um humor totalmente agradável. Falando em roteiro, ele é um pouco óbvio e pouco ousado, parecendo uma versão de Scarface, somente narrando a ascenção de um homem no mundo das drogas, mas foge de qualquer esquema de filmes banais feitos pela Globo Filmes. Um poco longo (fica particularmente desinteressante nos momentos finais), o filme conseguiu me surpreender. Não é nada comercial e consegue ter personalidade própria. Um achado do cinema brasileiro.

FILME: 7.5

3

Globo de Ouro

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Melhor Filme Dramático

Desejo e Reparação

Minha aposta: Desejo e Reparação

Certamente um prêmio bem previsível, apesar da grande incerteza por causa dos sete indicados na categoria. Pra quê tantos se venceu o mais óbvio? Ao mesmo tempo em que gostei da vitória de Desejo e Reparação, odie. Adorei pelo fato de que o filme merece mesmo o título e odiei porque faz três anos que o filme que vence o Globo de Filme Dramático perde o Oscar principal (caso de O Aviador, O Segredo de Brokeback Mountain e Babel). Estranhamente, não consigo ver outro vencedor na categoria principal da Academia além de ”Desejo”, nem mesmo Onde Os Fracos Não Têm Vez, que parece ser cult e que já está cantando vitória cedo demais.

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Melhor Filme Comédia/Musical

Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet

Minha aposta: Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet

Alguém se surpreendeu com essa premiação? Eu, que gostei muito da seleção (principalmente por incluir o meu queridinho Hairspray – Em Busca da Fama) não fiquei nem um pouco desapontado com a vitória do filme de Tim Burton, que andava muito apagado nas premiações e parecia não ter forças para o Oscar. Agora, com essa importanta vitória em seu currículo, o gótico musical vai cheio de moral para as outras premiações. E Jogos do Poder, hein?! Decepcionou total! Nem aqui venceu. Pode dar adeus às outras premiações.

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Melhor Diretor

Julian Schnabel, por O Escafrando e a Borboleta

Minha aposta: Ridley Scott, por O Gângster

Foi o prêmio que mais me surpreendeu. Eu esperava a consagração de Tim Burton e, principalmente, de Ridley Scott. Com esse prêmio, O Escafrando e a Borboleta ganha ainda mais forças para BAFTA e Oscar. Se o prêmio foi merecido, não sei dizer. Não foi uma surpresa que me agrado, como só vi um candidato entre os concorrentes (Joe Wright, igualmente merecedor), deixarei a minha opinião sobre a vitória de Schnabel em aberto.

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Melhor Atriz Comédia/Musical

Marion Cotillard, por Piaf – Um Hino Ao Amor

Minha aposta: Marion Cotillard, por Piaf – Um Hino Ao Amor

Ainda que uma vitória injusta sob as outras concorrentes (elas sim, verdadeiras “comédia/musical”), Marion mereceu incontestavelmente. Foi quem eu mais senti falta de ver subindo no palco e recebendo o prêmio, nessa boba ausência da festa – é, eu não apóio a greve dos roteiristas. Mesmo ela tendo contra ela o fato de que é uma estrangeira, acredito cada vez mais que ela ganhá o Oscar (mesmo com a Julie Chirstie no caminho, que já tem uma estatueta em casa), até porque a Academia anda premiando há um bom tempo os atores que encarnam pessoas reais. E, sem sombra de dúvida, ela merece, pois estava assustadoramente perfeita em Piaf – Um Hino Ao Amor.

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Melhor Ator Comédia/Musical

Johnny Depp, por Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet

Minha aposta: Johnny Depp, por Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet

Nossa, eu fiquei imensamente contente com esse prêmio. Foi ótimo ver Johnny Depp ganhando um prêmio de alto nível. Ver ganhando não né, porque perdemos essa oportunidade. Mesmo sem ter visto o seu trabalho, creio que ele era o vencedor mais óbvio da lista e também o mais merecedor. Concorrendo com tantos veteranos na corrida ao Oscar (Denzel Washington, Daniel Day-Lewis, etc), será também a vez dele de conseguir o prêmio máximo do cinema que tanto merece? Olha, começo a acreditar que sim.

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Melhor Atriz Dramática

Julie Christie, por Longe Dela

Minha aposta: Julie Christie, por Longe Dela

Outro prêmio mais do que previsível e que dá total sinal verde para que Julie Christie chegue ao Oscar. Levando-se em conta o favorecimento de seu papel (a Academia adora papéis de velhinhos doentes), Christie com certeza chegará lá, ainda que pouco seja falado de seu filme, que ainda nem tem data marcada para chegar aqui no Brasil. Também era óbvia essa premiação na medida em que as outras concorrentes não estavam em filmes e atuações tão elogiadas quanto a dela, sem contar as produções fracassadas de Valente e Elizabeth – A Era de Ouro.

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Melhor Ator Dramático

Daniel Day-Lewis, por Sangue Negro

Minha aposta: George Clooney, por Conduta de Risco

Por mais que eu não tenha acertado o vencedor na minha aposta principal nem no meu alternativo (Denzel Washington, por O Gângster), não fiquei nem um pouco surpreso com a vitória de Daniel Day-Lewis, que é óbvia até. Eu só não levava muita fé nele porque o filme não foi muito bem recepcionado ultimamente pelas premiações. Day-Lewis não deve levar o Oscar, porque já tem a estatueta em casa, mas certamente será indicado, pois sem dúvida alguma é um ator muito competente que parece arrasar em Sangue Negro, de um diretor igualmente ótimo.

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Melhor Atriz Coadjuvante

Cate Blanchett, por Não Estou Lá

Minha aposta: Amy Ryan, por Medo da Verdade

Cate Blanchett? Sério? Claro que a atuação dela foi muito comentada e incrivelmente elogiada, mas não pensei que ela fosse passar da indicação, principalmente em um prêmio tão importante como o Globo de Ouro. Depois que acabei me lembrando que o Globo não havia premiado a atriz por O Aviador, então aqui deve ter um certo pedido de desculpas misturado com possível merecimento. Talvez tenha sido loucura minha apostar na Amy Ryan (que agora parece ter que dar adeus aos próximos decisivos prêmios), mas eu achava que ela tinha grandes chances.

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Melhor Ator Coadjuvante

Javier Bardem, por Onde Os Fracos Não Têm Vez

Minha aposta: Casey Affleck, por O Assassinato de Jesse James

Eu não quis apostar na vitória óbvia do Javier Bardem e acabei errando. Provavelmente ele esteja caminhando para um Oscar. Se depender do trailer de Onde Os Fracos Não Têm Vez, teremos uma atuação perturbadora e marcante. Uma categoria sem surpresas e pra lá de previsível.

***sem comentários de categorias técnicas***

Ous outros vencedores com minhas respectivas apostas:

Melhor Canção Original: ”Guaranteed” (Na Natureza Selvagem), minha aposta: ”That’s How You Know” (Encantada)

Melhor Roteiro: “Onde Os Fracos Não Têm Vez”, minha aposta: ”Desejo e Reparação”

Melhor Trilha Sonora: ”Desejo e Reparação”, minha aposta: ”Desejo e Reparação

Melhor Animação: ”Ratatouille”, minha aposta: ”Ratatouille”

O Amor Nos Tempos do Cólera

Direção: Mike Newell

Elenco: Javier Bardem, Giovanna Mezzogiorno, Fernanda Montenegro, Catalina Sandino Moreno, Benjamim Bratt, Liev Schreiber, John Leguizamo

Love In The Time Of Cholera, EUA, 2007, Drama, 145 minutos, 14 anos.

Sinopse: Florentino Ariza (Javier Bardem), ainda jovem, se apaixonou perdidamente por Fermina Daza (Giovanna Mezzogiorno). Entretanto, como Florentino apenas trabalha numa agência dos Correios, ele não é visto como um bom partido por Lorenzo Daza (John Leguizamo), pai de Fermina. Florentino pede Firmina em casamento, e ela aceita. Ao saber disso, Lorenzo a envia para a fazenda de sua prima Hildebranda Sanchez (Catalina Sandino Moreno), onde fica alguns anos. Florentino aguarda o retorno de sua amada, mas, quando a reencontra, ela diz que nada quer com ele.

O amor é algo muito complicado nos dias de hoje. Perdeu-se todo aquele encanto dessas histórias que, hoje, para a maioria, são motivos de risadas e decoches. Saí da sessão me perguntando se o público atual ainda tem coração pra assistir histórias como essa de O Amor Nos Tempos do Cólera, sobre uma intensa paixão que atravessa vários anos e nunca se acaba. Alguns entrarão de cabeça, outros nem tanto. Fui um daqueles que não conseguiu se cativar com a história, mas não por causa do tema já batido ou porque não tenho um espírito romântico dentro de mim, mas porque faltou mais emoção e intensidade na história.

Baseado em livro de mesmo nome, de Gabriel García Marquez, O Amor Nos Tempos de Cólera é um filme completamente latino que seria mais verdadeiro e sincero se não fosse dirigido por um diretor completamente… inglês. Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Canção Original (a chata Despedida, interpretada por Shakira), o filme sofre do mal de não conseguir transmitir muito sentimento. Pela sinopse, era de se imaginar que seria uma produção melosa, mas o fato é que O Amor Nos Tempos de Cólera só consegue criar uma verdadeira história de amor no início e no final, enquanto durante todo o seu desenvolvimento não trabalha bem a paixão entre os personagens principais que, na maioria do tempo, parece não existir.

A escolha do elenco não é muito acertada – John Leguizamo está terrível e caricato, mas alguns atores tem grande valor para o bom funcionamento de tudo. Javier Bardem (que apesar de parecer um débil mental em certos momentos, está ótimo) e a desconhecida Giovanna Mezzogiorno são os únicos que trazem grandes dimensões para seus personagens. O público brasileiro deve se contentar com a pequena participação de Fernanda Montenegro, que aproveita bem o espaço que lhe foi dado.

Desnecessariamente longo, O Amor Nos Tempos de Cólera é correto em excesso, por mais que seja produzido por mãos competentes. Mas, o fato foi que algo se perdeu na adaptação. Como podemos ver, é um absurdo que a história seja falada em inglês, sendo que sua origem não é essa. Não achei o resultado do filme satisfatório, mas ao menos não é uma produção ruim, muito pelo contrário. Só faltou algo a mais na produção. Talvez paixão pelo livro do escritor. No entanto, deve satisfazer os menos críticos…

FILME: 6.5

3

Desejo e Reparação

Direção: Joe Wright

Elenco: James McAvoy, Keira Knightley, Saoirse Ronan, Romola Garai, Vanessa Redgrave, Brenda Blethyn

Atonement, EUA, 2007, Drama, 135 minutos, 14 anos.

Sinopse: Em 1935, no dia mais quente do ano na Inglaterra, Briony Tallis (Saoirse Ronan) e sua família se reúnem num fim de semana na mansão familiar. O momento político é de tensão, por conta da segunda Guerra Mundial. Em meio ao calor opressivo, emergem antigos ressentimentos familiares. Briony, então, usa sua imaginação de escritora principante para acusar Robbie Turner, o filho do caseiro e amante de sua irmã mais velha, Cecilia (Keira Knightley), de um crime que não cometeu. A acusação destruiu o amor da irmã e alterou de forma dramática várias vidas.

Surpreendente. Foi essa a palavra que veio a minha cabeça logo que os créditos finais de Desejo e Reparação surgiram na tela. Não por causa do lindo final, mas porque fazia um bom tempo que eu não assistia um filme tão harmônico: contundente em sua parte técnica, preciso nas interpretações e brilhante em seu roteiro. É incrível como esse segundo filme do diretor Joe Wright tem muita cara de Oscar. Foi feito para vencer o prêmio da Academia, mas conseguiu esse feito de forma honesta, sem qualquer pretensão para premiações. O grande feito de Desejo e Reparação é conseguir trazer verossimilhança em todos os seus poros. Especialmente em seu elenco, que merece ser citado separadamente.

James McAvoy, o verdadeiro protagonista da história, já havia mostrado ser um ator muito competente com sua subestimada interpretação no ótimo O Último Rei da Escócia e aqui prova ser um ator de futuro em Hollywood. Keira Knightley (que sempre achei péssima e que nem sequer merecia ter concorrido ao Oscar em 2006 consegue aqui a melhor atuação de sua carreira, ainda que ofuscada pela personagem Briony. A Cecilia de Keira não é tão explorada como os demais personagens, mas ela faz um trabalho muito competente com o espaço que lhe é dado. Por mais que o casal seja ótimo, quem rouba completamente a cena é  personagem Briony, interpretada em três fases por Saoirse Ronan (impressionante), Romula Garai (escolha mais do que acertada) e Vanessa Redgrave (simplesmente impecável e emocionante).

A parte técnica, sem dúvida, também é impressionante. É incrível como a direção de arte de Desejo e Reparação conseguiu traduzir toda uma época da forma mais perfeita possível. Outro aspecto que também acaba impressionando é a trilha sonora do Dario Marianelli: inovadora, poderosa e utilizada na medida exata e uma das melhores dos últimos anos. A fotografia e os figurinos são igualmente bons. Também gostei bastante de ver o diretor Joe Wright muito amadurecido na direção, conduzindo tudo com muita habilidade.

O roteiro raramente erra, ficando apenas um pouco monótono quando se foca na guerra. Gostei particularmente dos momentos finais, onde  Vanessa Redgrave interpretou um dos momentos mais emocionantes dos últimos tempos, conseguindo emocionar e passar vários sentimentos para o espectador. Eu não esperava muita coisa de Desejo e Reparação, mas adorei ficar completamente surpreendido por esse lindo filme. Uma saga de amor, que durante vários momentos lembra diversos filmes, mas que tem uma identidade singular e que desde já acaba de se torna um longa imperdível.

FILME: 9.0

45

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