Cinema e Argumento

2008 até agora

O cinema de 2008 – o que passou e o que vem por aí.

Em janeiro, Juno já andava mostrando as caras nos cinemas em constantes pré-estréias, enquanto muita gente só veio a ter conhecimento dessa comédia independente em janeiro. Tive a oportunidade de conferir o filme na pré-estréia, e saí até que bem satisfeito da sessão. Mas a adoração pelo filme começou a crescer sem precedentes. E como eu sempre tendo a discordar com a grande massa de unânimidades, comecei a criar certo desafeto pelo longa. Sem falar que quem deveria ter tido todo esse sucesso era Little Miss Sunshine. O tiro saiu pela culatra em O Caçador de Pipas, que além de ser criticado por seu jeito certinho demais de ter adaptado a obra de Khaled Hosseini, não alcançou o esperado sucesso nas bilheterias e só abocanhou uma mísera indicação ao Oscar de trilha sonora. Apesar de ser um bom filme, acabou mesmo sendo linear demais. Quem também levou um tremendo tiro no pé foi O Suspeito, e com todos os méritos. O injutiçado A Lenda do Tesouro Perdido teve sua continuação com A Lenda do Tesouro Perdido 2 – Livro dos Segredos, que dessa vez teve grande êxito financeiro mas mesmo assim foi bombardeado. Novamente o excesso de criticismo destruiu um filme descompromissado e ingênuo. O melhor trabalho do ano chegou logo no início do semestre – Desejo e Reparação impressionou com seu apurado lado técnico e com seus momentos inesquecíveis. Meu Nome Não é Johnny e P.S. Eu Te Amo passaram despercebidos, até que merecidamente, pois não passam de produções banais.

Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet trouxe mais uma excelente parceria entre os geniais Tim Burton e Johnny Depp. Infelizmente não teve o reconhecimento que merecia. Garanto que se fosse Piratas do Caribe, todo mundo corria pra ver… Os irmãoes Joel e Ethan Coen trouxeram Onde Os Fracos Não Têm Vez, contundente produção que impressiona por seu lado maduro e principalmente pelo estupendo Javier Bardem, em interpretação simplesmente memorável. O diretor Paul Thomas Anderson mais uma vez foi preterido com seu Sangue Negro, mas Daniel Day-Lewis não deixou o filme no completo esquecimento – uma vez que ele trouxe o melhor desempenho masculino da década. Criticado pela sua obviedade (algo que discordo, já que foram raros os que acertaram as categorias de figurino, efeitos, atriz coadjuvante, atriz e montagem), o Oscar apresentou a melhor festa dos últimos tempos, com doses de grandes justiças (Cotillard, Bardem, Swinton e Day-Lewis) e momentos especiais.

Morgan Freeman e Jack Nicholson foram os grandes atrativos de Antes de Partir, simpática mas enganadora produção que não apresentou o que poderia ter feito com o seu potencial. Jodie Foster veio direto para dvd com sua boa interpretação no irregular Valente, outra produção que aparentava ter potencial para muito e mostrou pouco. As múltiplas faces de Bob Dylan foram mostradas de uma forma um pouco decepcionante em Não Estou Lá, mas que o elenco conseguiu consertar, especialmente Cate Blanchett.  Enquanto isso, o cinema indepente alcançou outro momento memorável com o ótimo A Família Savage – filme cru, denso e incrivelmente dramático, trazendo a melhor interpretação feminina do ano – Laura Linney (também no melhor trabalho de toda a sua carreira). Na Natureza Selvagem confirmou Emile Hirsch como um dos atores mais talentosos de sua geração, no seu visível empenho no filme.

A pior produção até agora acaba sendo Speed Racer, adaptação completamente histérica, exagerada e superficial do desenho animado. Funciona muito bem como video game. Mas estamos falando de cinema. A atriz Sarah Polley entrega seu primeiro trabalho atrás das câmeras com o sensível Longe Dela, que trata um tema batido (mal de Alzheimer) de forma muito culta, subjetiva e humana. O cinema “bobinho” teve sua vez com Três Vezes Amor, que decepcionou horrores e só valeu pelo seu bom elenco.

As Crônicas de Nárnia – Príncipe Caspian retoma o encantandor mundo de O Leão a Feiticeira e o Guarda-Roupa no final desse mês. Em junho, o quarteto feminino mais querido e adorado da televisão vai matar a saudade de seus fãs em Sex And The City – O Filme, que também conta com a partipação da Oscarizada dreamgirl Jennifer Hudson. Ainda em Junho, o polêmico diretor M. Night Shyamalan vem com Fim dos Tempos. Resta saber se ele ainda vai continuar atraindo injustamente o ódio dos cinéfilos ou reverter essa situação. Temos também O Incrível Hulk, da qual passo longe. Em Julho chega o blockbuster mais esperado do ano: Batman – O Cavaleiro das Trevas, que parece ser a melhor adaptação de quadrinhos desde Homem-Aranha 2, sem falar de Heath Ledger como Coringa.

Mais adiante, em agosto, um musical volta a atacar as salas de cinema. Mamma Mia! promete divertir com suas divertidas canções e seu ótimo elenco. Globo de Ouro de Atriz Comédia/Musical para Meryl à vista? Hellboy 2 vai comer poeira com a chegada de Cegueira em setembro. Já com todo o falatório do festival de Cannes, o filme de Fernando Meirelles promete um grande desempenho de Julianne Moore, já cotadíssima para o próximo Oscar. Sem falar da incrível fotografia. Para fechar o ano em grande estilo, temos o retorno de dois grandes personagens das bilheterias. O primeiro é James Bond com Quantum Of Solace, o segundo é Harry Potter e o Enigma do Príncipe. No Natal, Nicole Kidman e Baz Lührmann vão tentar repetir a incrível parceria de Moulin Rouge! com o épico Australia.

Os melhores do primeiro semestre:

Melhor Filme: Desejo e Reparação

Melhor Direção: Joel e Ethan Coen (Onde Os Fracos Não Têm Vez)

Melhor Ator: Daniel Day-Lewis (Sangue Negro)

Melhor Atriz: Laura Linney (A Família Savage)

Melhor Ator Coadjuvante: Javier Bardem (Onde Os Fracos Não Têm Vez)

Melhor Atriz Coadjuvante: Cate Blanchett (Não Estou Lá)

Filmes em DVD

Acusados, de Jonathan Kaplan

Com Jodie Foster, Kelly McGillis e Bernie Coulson

Antes de ganhar o Oscar por seu desempenho como Clarice Starling em O Silêncio dos Inocentes, a impecável Jodie Foster já havia recebido a estatueta dourada por seu trabalho em Acusados. Certamente, é nesse drama de tribunal que ela apresenta seu melhor momento no cinema, em performance ousada para a época do filme, contando com uma pesada e longa cena de estupro. O mais interessante do longa de Jonathan Kaplan é que ele faz questionamentos sobre a identidade da protagonista, que está abrindo processo por causa do tal estupro, deixando uma incógnita para o espectador: seria ela uma mentirosa ou realmente uma vítima? Somente no final descobrimos isso, quando enxergamos a encenação do crime. Tudo muito bem conduzido, com excelentes doses de suspense e drama, sem falar daquela típica tensão que tanto hipnotiza em filmes bons de tribunal. Mas os maiores méritos mesmo são de Foster.

FILME: 8.0

O Assasinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford, de Andrew Dominik

Com Brad Pitt, Casey Affleck e Sam Rockwell

Tive certa relutância para assistir esse O Assassinato de Jesse James. Assistindo ao longa, cheguei a conclusão que eu deveria ter sido mais generoso com ele, uma vez que o filme de Andrew Dominik é cheio de pontos positivos que transformam a experiência no mínimo válida. A começar pelo maior destaque, Casey Affleck. O jovem ator foi indicado ao Oscar de coadjuvante por seu desempenho. Nada mais merecido, pois ele é a total estrela de O Assassinato de Jesse James, ofuscando até mesmo Bradd Pitt (que, apesar de estar em momento inspirado, ainda tem muito o que aprender como ator). Affleck hipnotiza como o Robert Ford do título, trazendo para o espectador uma incógnita. Ele ilumina cada cena em que aparece e é um grande achado do longa. A parte técnica não deixa a desejar em nenhum momento. A trilha sonora é um dos maiores acertos, sendo usada na medida exata e conseguindo até mesmo surpreender com sua melancolia e minimalismo em diversos momentos. Mas o destaque mesmo é a bela fotografia, que foi indicada ao prêmio da Academia (e, sem sombra de dúvida, deveria ter sido premiada). O único fator que fez com que eu não gostasse tanto do filme foi o seu roteiro. Tenho que concordar que ele trabalha de forma mais do que exemplar as personalidades dos personagens. Mas, a história foi alongada demais e já na metade do filme eu já não o assistia com entusiasmo. Esse é o único defeito da produção. Porém, um defeito quase que decisivo no resultado final.

FILME: 7.5

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, de Jean-Pierre Jeunet.

Com Audrey Tautou, Mathieu Kassovitz e Yolande Maureau

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain é um dos filmes estrangeiros mais cults da história do cinema. Conquistou uma boa parcela de cinéfilos e ainda conseguiu cinco indicações ao Oscar (incluindo melhor filme estrangeiro). Não faço parte dos admiradores em potencial dessa simpática produção francesa, que nada mais é que uma homenagem ao amor e a felicidade. O grande acerto do filme é ter a maravilhosa Audrey Tautou como protagonista. Ela, que mais tarde iria repetir a parceria com o diretor Jeunet em Eterno Amor, interpreta Amélie Poulain de forma única e especial, deixando a personagem na lista das mais queridas do cinema. A produção tem um belo visual – a fotografia é esplêndida, assim como direção de arte e outros setores técnicos. Sem falar, é claro, de toda inventividade narrativa (fiquei particularmente encantado com os primeiros minutos, onde conhecemos a infância da protagonista). Mas, pouco a pouco, comecei a perder meu interesse pelo filme, que começa a ficar repetitivo e não parece chegar a lugar algum. No desfecho, depois de já passadas duas horas, não acabaei com o mesmo sorriso no rosto que comecei. Acho que O Fabuloso Destino de Amélie Poulain vale mais pelo seu lado técnico. Mas, ainda assim, é uma prova de que o cinema francês seja, talvez, o melhor entre os estrangeiros.

FILME: 7.5

Scoop – O Grande Furo, de Woody Allen

Com Scarlett Johansson, Woody Allen e Hugh Jackman

Difícil entender como Woody Allen foi fazer essa produção totalmente sem graça depois de realizar o ótimo Match Point. Okay, ele não precisava realizar um outro filme na mesma qualidade que esse, mas ao menos poderia ter feito algo mais simpático e envolvente. Scoop – O Grande Furo não chega a possuir defeitos, só é muito mediano em todos os seus aspectos. A começar pelo elenco – Scarlett Johansson é bela e talentosa, mas aqui não conseguiu dar vida ao personagem e segurar o filme sozinha, Woody Allen volta a interpretar a si mesmo com seus trejeitos e tiradinhas engraçadas (mas chega uma hora em que começa a saturar) e Hugh Jackman tem cara de nada, sendo o mais inexpressivo da história. Além disso, mistura suspense e comédia em doses irregulares, alternando momentos de monotonia com outros de boa lineariedade. Não é um momento ruim de Woody Allen – o pior foi o incrivelmente monótono Melinda e Melinda – só vem pra mostrar que às vezes o diretor gosta de fazer umas bobagens só pra se divertir.

FILME: 6.0

Sob o Efeito da Água, de Roman Woods

Com Cate Blanchett, Sam Neill e Hugo Weaving

Eu já tenho certa dificuldade com filmes sobre drogados, porque até hoje não vi um filme exemplar sobre esse tipo de história. Sob o Efeito da Água é uma produção difícil de se definir e nem é bem um filme sobre esse assunto. A única razão para assisti-lo é Cate Blanchett (ótima, mas é difícil entender como ela veio a se interessar por esse projeto), que tenta extrair tudo de positivo que consegue da sua personagem pouco interessante e rasamente explorada. Sam Neill e Hugo Weaving não trazem nada de útil, muito pelo contrário. Um filme completamente irregular e que demora séculos para apresentar suas verdadeiras intenções, que mesmo assim não são suficiente para manter o interesse do espectador no roteiro arrastado. Por mais que fique bem dramático em seus momentos finais e tenha bons momentos, Sob o Efeito da Água mereceu seu fracasso.

FILME: 5.5

Segundas Intenções, de Roger Kumble

Com Ryan Phillipe, Sarah Michelle Gellar e Reese Witherspoon

Bobagem teen completamente clichê que usa um fiapo absurdo de história para criar um filme narrativamente pobre de noventa minutos. Na realidade, Segundas Intenções é um filme com teor sexual sem sexo. Nada na parte sexual é especialmente marcante ou pesado. Então, na idéia de criar um suspense erótico, falha completamente. Mas até que dá pra se divertir com algumas situações totalmente previsíveis, até porque o clima que o diretor Roger Kumble criou é de completo descompromisso. Difícil mesmo é não levar tudo a sério. O elenco tem seus momentos de competência, com Reese Witherspoon e Ryan Phillipe se sobressaindo, enquanto Sarah Michelle Gellar e Selma Blair são completos erros. Segundas Intenções não merece a fama entre o povão que possui, pois é uma produção muito boba e praticamente nula como cinema.

FILME: 5.5

Vídeo da Semana

A cena contém spoilers.

Com o recente lançamanento da edição especial do dvd de As Pontes de Madison, resolvi lembrar esse momento intensamente dramático, em um dos melhores romances que já tive a oportunidade de assistir. Inesquecível trabalho de Meryl, como de hábito.

Matriarcado

Parabéns para todas as mamães nesse dia especial. Parabéns também para aquelas que tornam a ficção muito mais prazerosa. Como no mundo do cinema a lista é interminável, separei aquelas do mundo televisivo que eu mais gosto. Abaixo a lista:

Speed Racer

Direção: Andy e Larry Wachowski

Elenco: Emile Hirsch, Susan Sarandon, Christina Ricci, Matthew Fox

EUA, 2008, Aventura, 120 minutos, Livre.

Sinopse: Speed Racer (Emile Hirsch) é um jovem extremamente rápido nas pistas de corrida. Nascido para competir, Speed é agressivo, instintivo e destemido ao volante. O único oponente à sua altura é a lembrança de seu falecido irmão, o lendário Rex Racer, o qual idolatrava. Quando Speed dispensa uma lucrativa e tentadora oferta da empresa Royalton Industries isto deixa o dono da companhia, Royalton (Roger Allam), furioso. Logo Speed faz uma importante descoberta: que os resultados de algumas das corridas mais importantes da temporada são pré-determinadas por um grupo de magnatas impiedoso, que manipula os principais corredores para aumentar seus lucros. Com isso a única maneira de Speed salvar os negócios da família é derrotando Royalton em seu próprio jogo. Para tanto ele recebe a ajuda de Trixie (Christina Ricci), sua fiel namorada, e se junta ao seu antigo rival, o Corredor X (Matthew Fox), para enfrentar o mortal rally, que tirou a vida de seu irmão tempos atrás.

Essa produção é a primeira grande decepção da temporada, principalmente por conter inúmeras falhas em todos os seus setores. É difícil definir “Speed Racer”, o que basta saber é que o filme é totalmente insatisfatório, chegando apenas para provar que os irmãos Wachowski não são bons diretores e que a trilogia Matrix não passou de uma bela enganação.”

Depois de realizarem uma certa trilogia chamada Matrix, os irmão Wachowski se tornaram o principal referencial no mundo do cinema quando o assunto é efeitos especiais. Pra falar a verdade, eu que não sou fã da série, sempre desconfiei que os efeitos camuflavam um certo amadorismo dos irmãos atrás das câmeras. O tempo passou, eles sumiram, e só voltaram agora aos cinemas com esse aguardado Speed Racer. Pra começo de conversa, já digo logo de cara que a minha suspeita se confirmou – os Wachowski não têm talento nenhum para comandar outra coisa a não ser efeitos. Se ao menos em Matrix eu conseguia ser divertido com os absurdos visuais, aqui em Speed Racer eu não consegui. Tudo é inaceitavelmente falso e computadorizado, tirando assim todo o ritmo da história (que deveria ser empolgante) e o charme que o visual poderia exercer. Em certo ponto, até os atores parecem ter sido feitos por computadores, tamanha é a presença da tecnologia na produção.

Esse seria o filme que lançaria o jovem talentoso Emile Hirsch (que considero um dos mais talentosos para a sua faixa de idade) para o público maior, já que até então ele só atuou em produções menores como Heróis Imaginários e Na Natureza Selvagem. É uma pena que ele tenha escolhido um filme tão superficial e vazio; sem contar que o filme foi retumbante fracasso de crítica e não produziu o efeito esperado. Ele tem pouco o que fazer no papel do protagonista, principalmente porque o roteiro só dá emoções falsas e totalmente manjadas para o personagem. Ilustre mesmo só Susan Sarandon, em presença totalmente positiva, tornando-se a personagem mais querida da trama. De resto, temos um vilão forçado (daquele tipo que dá gritos, é ambicioso e sem escrúpulos), uma criança gordinha e engraçadinha que irrita, um macaco esperto (iguais aos que encontramos nos filmes de Sessão da Tarde) e a namorada bonita e pura. Tudo isso banhado com muitas lições de moral baratas sobre a importância da família, lealdade e amizade. O mais curioso de tudo é que isso é o que menos atrapalha em Speed Racer, uma vez que não chega nem a incomodar.

Infelizmente o resultado é pobre e no final das contas nem o visual consegue salvar o péssimo resultado. Óbviamente não posso negar que os efeitos são excelentes e realmente impressionantes em certos momentos. Sem falar que as corridas têm o devido impacto que mereciam. Todavia, é tanta explosão, tantas cores, tantos movimentos de câmeras incessantes e frenéticos, que é mais fácil o espectador ficar tonto do que conseguir se empolgar com alguma coisa. De positivo mesmo só alguns bons momentos, a presença de Sarandon e Hirsch e a trilha de Michael Giacchino. Acho difícil até mesmo as crianças entrarem no clima da produção. Não é um trabalho que recomendo, muito pelo contrário. Dos poucos lançamentos que tive a oportunidade de ver até agora, esse é o mais insatisafatório. Speed Racer é um excelente video game. Mas estamos falando de cinema.

FILME: 5.5

2

Últimas Trilhas Sonoras

Atonement, por Dario Marianelli

Não recebeu a devida atenção que merecia esse genial trabalho de Dario Marianelli, que já entra na lista dos melhores da década. Por mais que tenha vencido o Oscar de melhor trilha sonora (que muita gente viu mais como um prêmio de consolação para o filme e não como um verdadeiro merecimento), merecia ser mais admirada – especialmente porque talvez seja o melhor quesito técnico de Desejo e Reparação. Cada composição de Marianelli é uma surpresa, pois cada uma sempre traz algum tipo de inventividade em sua sonoridade, como por exemplo o barulho das telas da máquina de escrever, que para mim já se tornou algo inesquecível. A melancolia reina em cada uma das músicas, como nas belas Come Back, Denouement e The Cottage On The Beach. Uma trilha sonora que só não é perfeita por alguns mínimos detalhes e que está ao lado de The Hours como a minha trilha favorita de todos os tempos. Veredito: Para ouvir até o último dia de vida.

Dexter, por Rolfe Kent

A trilha do excelente seriado Dexter é uma das mais completas e detalhadas que eu já tive a oportunidade de ouvir. Aqui estão presentes desde as composições instrumentais, as famosas músicas mexicanas que embalam os episódios, a composição da abertura até algumas famosas narrações do protagonista. Enquanto Rolfe Kent (As Confissões de Schmidt) tem sua participação apenas na produção da música de abertura, o desconhecido David Licht dá um show ao criar sonoridades tensas e memoráveis para a história. São nada menos que 14 composições que Licht apresenta, todas excelentes. Uma trilha que merece ser descoberta, principalmente pelos fãs do seriado, pois nunca uma série havia apresentado um cd tão completo como esse. Veredito: Para ouvir constantemente.

Juno, por Vários

Assim como o filme, a trilha sonora de Juno fez grande sucesso. Ficou durante um imenso tempo entre as mais vendidas e trouxe grande prestígio, ajudando também a ampliar o interesse pelo filme de Jason Reitman. É impossível sair da sala de cinema sem ter vontade de procurá-la o mais rápido possível. A compilação indie é uma das melhores dos últimos tempos, agrupando ótimas canções, entre elas A Well Respected Man, Tire Swing, Anyone Else But You e All I Want Is You. Todas as restantes também se destacam, mas são essas que ficam na cabeça após a sessão. Ao todo são 19 músicas, todas muito bem situadas no filme e trazendo todo o espírito indepentende que ele tem. Parte do êxito dessa sensacional trilha sonora se deve a cantora Kimya Dawson, a que tem maior partipação nas canções. Até a minha avó adorou, hahaha! Veredito: Para ouvir constantemente e sair cantarolando as favoritas.

Michael Clayton, por James Newton Howard

Esse já é um trabalho menor e menos impactante do excelente James Newton Howard, famoso por fazer as composições dos filmes do diretor M. Night Shyamalan (A Vila é a obra-prima de ambos). A trilha de Michael Clayton é sombria e gélida (não achei melhores palavras para defini-la, então resolvi usar uma ligeira sinestesia), bem como todo o excelente clima de conspiração do longa de estréia de Tony Gilroy. Na realidade, o principal defeito é a extensão – extremamente curta. São poucas composições e todas muito ligeiras. No entanto, tudo é muito efetivo e competente, caracterísiticas usuais de James Newton Howard. O trabalho musical dele nesse filme foi indicado ao Oscar (mais uma indicação, uma vez que ele ainda não possui a estatueta) e mereceu essa citação. Por mais que não seja memorável, destaque para as faixas I’m Not The Guy You Kill, 25 Dollars Worth e Times Square. Veredito: Para ouvir ocasionalmente.

Once, por Glen Hansard e Marketa Irglová

Ainda não tive a oportunidade de assistir a esse elogiado filme independente que fez bastante sucesso no circuito de arte e acabou saindo vencedor do Oscar de melhor canção original (para Falling Slowly, realmente a melhor música da trilha), mas acabei procurando a trilha para matar a curiosidade. Fiquei mais do que satisfeito com as composições da dupla absurdamente simpática Glen Hansard e Marketa Irglová. Mesmo quando não estão soltando a voz nos ótimos duetos, fazem bonitos em seus solos; Glen Hansard empolga em cada minuto de Fallen From The Sky. Além das canções já citadas, If You Want Me e Lies são outas excelentes. Por mais que a trilha não seja estupenda, é suficientemente interessante e compentente para o público que se viu atraído pelo trabalho dessa dupla. Veredito: Para ouvir ocasionalmente as canções favoritas.

Sweeney Todd – The Demon Barber Of Fleet Street, por Stephen Sondhein

O trabalho mais inventivo do diretor Tim Burton é esse musical pontuado por excelentes canções que fazem completo sentido e são coerentes com os acontecimentos do longa. Porém, a trilha funciona mais quando estamos assisistindo a produção do que quando estamos a ouvindo separadamente. Isso se deve ao fato de que as canções servem como instrumento narrativo para a trágica história do barbeiro Sweeney Todd e não tanto como entretenimento musical. Johnny Depp e Helena Bonham Carter não decepcionam no vocal, e praticamente a maioria das canções são deles – desde excelentes solos (Depp com Epiphany e Helena com The Worst Pies In London) até geniais duetos (A Little Priest). O garoto revelação Ed Sanders também tem boa presença na divertida Pirelli’s Miracle Elixer. Certamente é uma trilha no mínimo díficil de se ser aceita de cara, é necessário tempo para gostar dela. Diferente (um pouco para o lado negativo) de habituais trilhas do gênero musical. Veredito: Para ouvir ocasionalmente as canções favoritas.

The Golden Compass, por Alexandre Desplat

Essa, talvez, seja a composição mais fraca do brilhante Alexandre Desplat. O que é estranho – a trilha funciona muito bem no filme de Chris Weitz mas, quando ouvida separadamente, torna-se uma experiência até mesmo entediante. O álbum começa de forma promissora, com excelentes compilações, em especial The Golden Compass (uma boa música tema, mas que devia no mínimo ser memorável, uma vez que estamos falando de um caro filme de fantasia programado para virar uma série), Letters From Bolvangar e Lyra, Roger And Billy – com essa última, trazendo todas as características musicais de Desplat que me encataram na trilha de A Rainha – mas aos poucos o encantamento vai caindo, até culminar na previsibilidade musical. Infelizmente, a trilha acabou sendo um tremendo tiro no pé, principalmente porque é um dos primeiros trabalhos do compositor após ele ter estourado ano passado. Mas, assim como o filme, a trilha não merece desprezo. Veredito: Para ouvir uma vez e guardar as composições favoritas para ouvir raramente.

PS: Se alguém tiver alguma sugestão de trilha para o próximo post, é só sugerir nos comentários =)

O Suspeito

Direção: Gavin Hood

Elenco: Jake Gyllenhaal, Reese Witherspoon, Meryl Streep, Alan Arkin, Peter Sarsgaard, J.K. Simmons

Rendition, EUA, 2007, Drama, 107 minutos, 16 anos.

Sinopse: Anwar El-Ibrahimi (Omar Metwally) está retornando aos Estados Unidos, após participar de uma conferência na África do Sul. Entretanto antes de desembarcar, mas já em solo americano, ele é retido por autoridades do governo. Isabella (Reese Whiterspoon), sua esposa, fica à sua espera no aeroporto, em vão. Anwar simplesmente desaparece, sem que Isabella ou qualquer outra pessoa saiba o que aconteceu com ele. Na verdade Anwar foi retido a mando de Corrine Whitman (Meryl Streep), que investiga a morte de cidadãos americanos em um atentado terrorista e desconfia que ele tenha algum envolvimento com um grupo perigoso no Egito, seu país-natal. Anwar é levado para fora dos Estados Unidos, onde passa a ser torturado com o objetivo de revelar as informações que sabe. Paralelamente Isabella busca a ajuda de um antigo amigo de escola, Alan Smith (Peter Sarsgaard), que agora trabalha como assessor de um senador (Alan Arkin).

É estranho ver tanta gente famosa em um filme tão mal resolvido como esse, que peca como produto político e  que não tem qualidade suficiente para se tornar uma obra cinematográfica interessante.”

Depois que as torres gêmeas cairam no fatídico onze de setembro, o cinema realizou inúmeros filmes derivados desse assunto. Vôo United 93 tratou sobre um dos quatro aviões seqüestrados na data, As Torres Gêmeas narrou a valentia de alguns homens perante à tragédia, No Vale das Sombras contou como é o desespero de certos pais que esperam os filhos voltarem da guerra e Leões e Cordeiros propôs uma discussão sobre os efeitos dessa data. O filme mais fraco sobre essa safra de produções pós onze de setembro é esse O Suspeito que, curiosamente, era o mais promissor. Tratando sobre a tortura para obter informações e a caça aos terroristas, é dirigido por um certo Gavin Hood (recente vencedor do Oscar de filme estrangeiro por Infância Roubada, que ainda não tive a oportunidade de conferir) e estrelado por uma legião de atores conhecidos.

Meryl Streep, Jake Gyllenhaal, Reese Witherspoon, Alan Arkin e Peter Sarsgaard estão completamente desperdiçados. Meryl, por exemplo, é praticamente uma figurante, e às vezes eu até me esquecia que ela estava presente no longa. Quem mais se destaca é Reese, atriz com quem eu teria melhor aceitação se não tivesse um Oscar injusto em mãos (é, ainda não acredito na vitória dela sob Felicty Huffman). O elenco faz o que pode com a pouca dimensão que é dada para os personagens – não enxerguei maiores conflitos dramáticos em nenhum deles e a qualidade da presença deles é completamente rasa.

O roteiro de O Suspeito não tem conflitos instigantes ou motivações, tudo é muito morno. Por mais que eu tenha tentado entrar de cabeça na história, não consegui. Sem contar que a direção sem personalidade só atrapalha tudo. Não posso negar que fui entretido durante um bom tempo e que até não acho o filme tão ruim (apesar da minha crítica indicar justamente o contrário), o porém é que os defeitos são maiores que as qualidades, o que acaba tornando O Suspeito em uma experiência decepcionante. Se ao menos causasse debates e se situasse melhor no setor político da trama, o resultado seria melhor. A questão é que o filme não fica abaixo da média por ser ruim, e sim por não empolgar em nenhum momento e fazer pouquíssimo com os nomes que tem.

FILME: 6.0

25

Vídeo da Semana

A cena contem spoilers.

Desejo e Reparação não poderia acabar de forma mais emocionante e surpreendente. Um excelente trabalho do diretor Joe Wright em um filme que foi até injustiçado e esquecido. A cena final também é memorável por conta da bela trilha de Dario Marianelli. Para ver e rever.

A Família Savage

Direção: Tamara Jenkins

Elenco: Laura Linney, Philip Seymour Hoffman, Philip Bosco, Peter Friedman, David Zayas.

The Savages, EUA, 2007, Comédia Dramática, 115 minutos, 12 anos.

Sinopse:Wendy (Laura Linney) e Jon Savage (Philip Seymour Hoffman) sempre buscaram escapar do jeito dominador de seu pai (Philip Bosco), sendo que agora lidam apenas com suas próprias vidas. Wendy trabalha como dramaturga no East Village e passa seus dias buscando doações, namorando o vizinho casado e roubando material de escritório. Já Jon trabalha como professor universitário em Buffalo, tendo escrito alguns livros sobre assuntos obscuros. Um dia eles recebem um telefonema que os informa que seu pai, Lenny, está aos poucos sendo consumido pela demência e que apenas eles podem ajudá-lo. Isto faz com que Jon e Wendy voltem a morar juntos, o que não ocorria desde a infância, com ambos tendo que lidar com as excentricidades do outro.

2 INDICAÇÕES AO OSCAR 2008:

Melhor Atriz (Laura Linney) e Melhor Roteiro Original.

Totalmente diferente do que o seu enganador trailer anuncia, “A Família Savage” é um filme denso e assustadoramente sério, como há muito não se via no cinema independente. A sintonia entre os quesitos cinematográficos nunca esteve em tanta harmonia numa produção desse estilo. Infelizmente não é um filme para se recomendar, pois é feito para um público totalmente restrito.”

Inúmeros fatores faziam com que eu pré-gostasse de A Família Savage antes mesmo de eu assistir. Não apenas a presença de Laura Linney, uma de minhas atrizes favoritas, mas os nomes de Alexander Payne e Jim Taylor na produção (os produtores do meu filme favorito – As Confissões de Schmidt). Além disso, a história sobre difíceis relacionamentos familiares, insatisfação pessoal, e a mistura de comédia e drama chamavam a minha atenção. Tentei não criar expectativas em cima do filme, e o mais engraçado de tudo é que fui completamente surpreendido por esse filme de Tamara Jenkins. Não, ele não é inovador, apenas escolhe um tom totalmente surpreendente para uma produção desse gênero. Tudo é incrivelmente real – é fácil se identificar com os conflitos emocionais dos personagens, a cidade gélida e nebulosa nos remete a um dia normal de nosso cotidiano e os diálogos são perfeitamente familiares. Mérito do roteiro que, apesar de lento e com falta de ritmo, extrai o melhor desse assunto tão saturado que é o mal relacionamento entre pais e filhos.

A Família Savage teve azar e acabou ficando entre aqueles filmes independentes que, apesar do sucesso relativo nas premiações, não alçam vôo. Absurdo foi ver que a estupenda Laura Linney só foi lembrada pelo Oscar, enquanto passou despercebida em outros prêmios. Já o roteiro e a interpretação de Philip Seymour Hoffman foram indicados em maior quantidade. Dá pra entender o porquê dessa difícil aceitação por parte da crítica em relação ao filme. Certamente não é fácil de digerir a história, mas acima de tudo o problema é que ela incomoda. Quase ninguém gosta de ver personagens imperfeitos, cheio de defeitos e problemáticos. Muito menos inseridos em situações mais tristes ainda. É necessário, de certa forma, força para assistir ao filme. É uma experiência “negativa” e ninguém vai sair da sala do cinema sorrindo com a terceira idade ou achando que a vida é a coisa mais feliz do mundo. A realidade está nua e crua em A Família Savage.

Os protagonistas são vividos por Laura Linney e Philip Seymour Hoffman, ambos estupendos atores dessa geração. Linney, indicada ao Oscar por seu desempenho, não está menos que impecável no melhor desempenho da carreira e o melhor do ano até agora. A atriz exprime de forma incisiva todas as angústias daquela mulher hipocondríaca e que tem caso com um homem mais velho e casado. Mais uma vez volta a provar que um dia ainda ganhará a cobiçada estatueta dourada. A presença de Hoffman já é inferior à de sua companheira de tela, mas mesmo assim ele também está excelente, afirmando todo o talento que demonstrou em Capote. Philip Bosco, como o pai enfermo, realiza trabalho linear para o personagem como o esperado.

A diretora e roteirista Tamara Jenkins não se preocupa em desmembrar maiores detalhes sobre a falta de relacionamento entre os irmãos nem em dissecar as dores que a esclerose em fim de vida de alguém pode causar, ela prefere trabalhar o perfil de cada personagem, e faz isso de forma contundente. Esse detalhismo de perfil atrapalha o andamento do longa, que se torna um pouco desgastado ao longo de suas quase duas horas de duração. Sem falar do clima pesado e dramático. No entanto, quem é fã desse estilo vai encontrar em A Família Savage um prato cheio. Para concluir, digo que não é uma produção recomendável; ela deve ser descoberta por aqueles que realmente se interessarem por ela. E principalmente por aqueles que aceitarem entrar de cabeça em uma história nada feliz. Eu aproveitei cada minuto e já o considero um dos melhores filmes do ano.

FILME: 8.5

4

Traídos Pelo Destino

Direção: Terry George

Elenco: Joaquin Phoenix, Mark Ruffalo, Jennifer Connelly, Mira Sorvino, Elle Faning.

Reservation Road, EUA, 2007, Drama, 100 minutos, 14 anos.

Sinopse: Ethan (Joaquin Phoenix) e Grace Learner (Jennifer Connelly) estão voltando para casa com seus filhos, Josh (Sean Curley) e Emma (Elle Fanning). Antes de entrar no carro Josh pegou alguns vaga-lumes e os prendeu em um pote. Já durante a viagem de retorno ele pergunta à mãe se pode ficar com eles, com ela respondendo que seria melhor soltá-los pois caso contrário morreriam. A família faz uma parada durante a viagem, onde Josh aproveita para saltar do carro para soltar os vaga-lumes. Simultaneamente Dwight Arno (Mark Ruffalo), um advogado divorciado, está voltando para casa com seu filho, Lucas (Eddie Alderson), após assistirem ao vivo uma partida do Red Sox. Dwight perde a direção do carro por um instante e atropela Josh, sem parar para socorrê-lo. Ethan vê o carro e seu condutor em um relance, mas corre para socorrer o filho. O garoto morre, o que faz com que Ethan desenvolva uma obsessão em encontrar e punir o culpado. Como a polícia não consegue encontrá-lo Ethan decide procurar uma empresa de advogados, sendo encaminhado para ser auxiliado por Dwight.

“Apoiado completamente no elenco que possui, Traídos Pelo Desejo é um filme “clássico” sobre uma perda trágica – baseado em choros, silêncios e angústias. Ainda que não trabalhe essa temática de forma nada original ou mais instigante, consegue segurar as rédeas de forma competente, sem nunca se perder.”

A dor de uma perda é impossível de ser descrita com palavras. Mais dramática ainda é aquela dor relacionada a uma perda trágica onde existe um grande culpado. Esse assunto já rendeu inúmeros filmes no mundo de Hollywood, e é difícil achar algum cinéfilo de carteirinha que não goste de ao menos alguma produção com essa temática. Esse Traídos Pelo Desejo não traz nada de novo e se parece mais com aqueles filmes dramáticos que passam de madrugada na TV. O diferencial, no entanto, é o seu elenco – chamou a atenção por conta dos nomes poderosos e foi cotadíssimo para as premiações desse ano. Talvez por não ter satsifeito as expectativas é que foi ignorado e injustamente massacrado por público e crítica. Contudo, eu gostaria de fazer defesa ao filme; devo confessar que a originalidade dele é zero e que assisti mais do mesmo, mas ao menos a produção é realizada de forma competente e consegue manter um bom nível de dramaticidade para esse tipo de história.

Quando Dwight (Mark Ruffalo) provoca um trágico acidente envolvendo o filho de Josh (Joaquin) e Grace (Jennifer Connelly) na Reservation Road, ele foge do local sem dar assistência à família. A partir daí, acompanhamos paralelamente duas histórias. A primeira é a angústia de Dwight por não ter ajudado quando deveria e agora carregar um enorme peso de culpa nas costas, ao mesmo tempo em que tenta escapar de uma possível investigação policial. O personagem poderia cair no lugar-comum, mas é a intepretação de Mark Ruffalo (por sinal, é o terceiro filme consecutivo em que ele me agrada muito – os anteriores foram Conte Comigo e Zodíaco) que dá o tom perfeito para a dramaticidade de Dwight. O ator é o que mais se destaca, apresentando a melhor interpretação do elenco. A segunda história é a do casal que teve o filho envolvido no acidente. Tentado processar a dor de sua perda, eles procuram aceitar tudo e procurar o culpado pela desgraça para fazer com que ele pague por seu erro. Enquanto a mãe fica em casa lamentando (Jennifer Connelly tem ótimos momentos, apesar do espaço bem reduzido), o pai faz o trabalho que a polília não faz. Joaquin Phoenix está ótimo também, mas parece que lhe faltou um pouco mais de força como protagonista. Gostei bastante do elenco mirim, em especial a Elle Faning (que apareceu anteriormente em Babel), que mostra ser muito mais talentosa e carismática que sua irritante irmã Dakota. Só esperava mais de Mira Sorvino, praticamente uma figurante em cena.

O diretor Terry George, depois de Hotel Ruanda, continua mostrando bom domínio sobre histórias dramáticas e trágicas; seu primeiro filme me agradou justamente por causa desse tom. Apesar de ele conduzir Traídos Pelo Destino de forma limitada e clichê, ao menos não caiu na medíocridade emotiva que é freqüente em histórias como essa. O mesmo pode se dizer do roteiro, que ao menos não tenta se achar intelectual ou mais profundo – trabalha a banalidade de forma competente. O compositor Mark Isham demonstra novamente ter grande talento, produzindo uma ótima trilha sonora. A fotografia nebulosa também ajuda, traduzindo o caminho sombrio pela qual os personagens estão passando. Traídos Pelo Destino mereceu mesmo não ser indicado a nenhum prêmio, mas não é digno de fracasso ou críticas aterradoras. Claro que a estrutura convencional e o clima novelão atrapalha bastante, mas ao menos o filme fica no lugar comum e não traz mais uma bobagem para o hall dessas histórias em Hollywood. Daí vem aquela velha recomendação que faço constantemente: deixe o lado crítico de lado e aproveite.

FILME: 8.0

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Memes

MEME anti-social
Você se considera um blogueiro anti-social?

Acho que não. Sempre visito os blogs de meus companheiros cinéfilos, e quando tenho algum comentário relevante ou quando já assisti o filme que está sendo discutido, deixo um comentário.

MEME da amizade (ordem aleatória)

1. Wally (Cine Vita)

O meu melhor amigo blogueiro-cinéfilo. Difícil discordarmos em alguma opinião, e sempre que isso ocorre, entendemos e respeitamos o ponto de vista do outro. Já sou visitante do Cine Vita faz bastante tempo, desde os tempos em que ele nem era hospedado no WordPress, e posso dizer com a maior certeza que é um dos melhores blogs em atividade. Sempre com textos instigantes e detalhistas, deixando bem claro o ponto de vista do autor e sua opinião em relação ao filme. Wally é um amigo de grande valia, e não só quando o assunto é cinema.

2. Gustavo (Fina Ironia)

Lembro até hoje quando recebi meu primeiro comentário de um blogueiro-cinéfilo no meu blog, e esse comentário foi do Gustavo, naquele distante ano de 2006, quando eu não tinha o minimo conhecimento cinematográfico no Cinema 2006. Certamente o Gustavo é uma das pessoas mais importantes nessa minha paixão pelo cinema, porque foi ele um dos principais incentivadores logo no início de minha adoração pelo mundo cinematográfico. O Fina Ironia é diferente em seus comentários, e com poucas palavras consegue traduzir de forma contundente e especial tudo o que o autor sentiu quando assistiu o filme.

3. Kamila (Cinéfila Por Natureza)

A lady mais importante entre as ladies do mundo dos blogs de cinema. Conheço a Kamila faz relativamente pouco tempo, mas já se tornou alguém muito especial. Ela tem um enorme conhecimento sobre cinema, e isso fica evidente quando visitamos o Cinéfila Por Natureza. Seus textos são ótimos e sinceros, analisando sempre de forma interessante os pontos do filme em questão. Vale lembrar que seu excelente gosto não se restringe apenas ao mundo cinematográfico, mas ao literário também.

4. Vinícius (Blog do Vinícius)

Vinícius foi um dos meus primeiros visitantes logo que entrei no grupo dos blogueiros, e sua hospitalidade foi preciosa. O Blog do Vinícius é o mais atualizado da rede, e com certeza um dos mais informativos. Vinícius é um grande amigo que sempre está cooperando com os demais blogs e sua presença é fundamental para o círculo de amizades que se formou entre os cinéfilos.

5. Alex (Cine Resenhas)

Alex foi quem me trouxe para o mundo dos blogueiros, logo quando inicei minha “carreira”. Por mais que nossa compatibilidade de gostos não seja tão grande, sempre temos ótimas conversas e dividimos nossa opinião de forma pacífica. O Cine Resenhas traz a opinião de Alex de forma clara e incisiva, trazendo uma enorme variedade de filmes. Amigo de longa data e indispensável.

6. Pedro (Tudo é Crítica)

Cronologicamente falando é meu amigo há séculos. Cinematograficamente, há pouco. Divide comigo certa rigidez perante aos filmes que assiste, uma característica que nos identifica. Uma palavra que define o Pedro é “dedicado” – sempre cooperando com os outros blogs e procurando ampliar o seu conhecimento de cinema. O Tudo é Crítica se diferencia por trazer críticas variadas, de filmes de diversas épocas e estilos, além de excelentes textos sobre assuntos variados.

7. Weiner (A Grande Arte)

Como ele mesmo disse na descrição do Meme dele, nossas opiniões são sempre muito parecidas. Identifico-me bastante com o estilo de escrever do Weiner e a cada visita ao seu blog, A Grande Arte, sinto que estou lendo um texto praticamente que de minha autoria. Só fui entrar em contato com o trabalho dele a pouco tempo, mas desde já seu blog já está dentre os meus favoritos. E com todos os méritos.

8. Rodrigo (Twentysomething)

Rodrigo é um de meus visitantes mais ativos, sempre com excelentes pontos de vista. Sempre bem humorado, é dono do Twentysomething, blog que conquista por não falar apenas de cinema, trabalhando também algumas atrações televisivas. Talvez seja o endereço que melhor mistura variedade de assuntos com grande qualidade de informação. Tudo graças ao talento de Rodrigo para expressar sua opinião com as palavras.

9. Gustavo (Império Cinéfilo II)

Outro blog que exprime suas opiniões de formas objetivas e interessantes. O Império Cinéfilo é comandado de forma excelente pelo Gustavo, que sempre produz ótimos textos.

10. Otávio (Hollywoodiano)

Blog que também prima pela variedade de assuntos e pela qualidade de seus textos. O Otávio sempre mantém o Hollywoodiano atualizado, instigando a leitura de seus visitantes.

Três Vezes Amor

Direção: Adam Brooks

Elenco: Ryan Reynolds, Abigail Breslin, Rachel Weisz, Isla Fisher, Derek Luke, Kevin Kline, Elizabeth Banks

Definitely, Maybe, EUA, 2008, Comédia Romântica, 115 minutos, 12 anos.

Sinopse:Em meio a seu divórcio, Will (Ryan Reynolds) se surpreende quando sua filha de dez anos, Maya (Abigail Breslin), começa a lhe fazer perguntas sobre como ele e a mãe dela se conheceram e se casaram. Assim, ele resolve narrar seu passado e seu envolvimento com três mulheres muito diferentes, sem dizer seus verdadeiros nomes à filha. No final, Maya precisa adivinhar com quem o pai finalmente se casou. Seria a mãe de Maya a namoradinha de faculdade Emily (Elizabeth Banks)? A grande amiga e confidente April (Isla Fisher)? Ou a ambiciosa jornalista Summer (Rachel Weisz)? Enquanto a menina junta as peças do misterioso romance do pai, ela começa a entender que o amor não é nada simples.

” O elenco talentoso é o único pretexto para que “Três Vezes Amor” seja assistido. Não chega nem a ser romântico ou divertido, pois se leva a sério demais, achando que é diferente e superior a qualquer outro filme desse gênero.”

Logo quando Maya (Abigail Preslin) aparece na tela, temos a impressão de que Três Vezes Amor vai divertir bastante. A personagem da atriz mirim, após uma aula de educação sexual, começa a fazer inúmeras perguntas para o pai – o que é um menáge a trois? Como alguém pode engravidar por engano? Ele, confuso, tenta fazer com que a filha esqueça desse assunto, mas seu esforço é nulo, uma vez que ela quer se aprofundar cada vez mais nos detalhes. Até que ela chega num ponto delicado: quer saber do pai como ele conheceu a sua mãe (da qual está se divorciando) e como tudo se sucedeu. Até então, Três Vezes Amor tem momentos bem descontraídos e divertidos, mas a partir da hora em que começa a narrar os casos amorosos do protagonista, o longa perde o tom e o ritmo, tornando-se uma experiência sem graça e até mesmo cansativa.

O filme de Adam Brooks não é conduzido de forma clichê, e muito menos de forma previsível, já que ficamos atentos para saber quem é a mãe da garotinha. No entanto, parece que o roteirista achou que a história é superior a qualquer outro filme do gênero. Por isso mesmo escorrega – tenta dar um tom de seriedade, anulando os típicos problemas de comédia romântica, mas acaba tirando justamente a principal graça que uma história desse estilo podia ter. O roteiro é vazio e nem um pouco sentimental; não torcemos por ninguém e nem vemos nada de interessante na história que o protagonista narra. Sem contar que tudo vai se desenvolvendo de forma lenta.

O que salva parcialmente Três Vezes Amor é o seu elenco. Não é nem a presença de Ryan Reynolds protagonizando o filme que chama a atenção, e sim as coadjuvantes. Aliás, literais coadjuvantes, pois todas tem espaço totalmente dividido em cena. Isla Fisher (aquela maluca namorada de Vince Vaughn em Penetras Bons de Bico) é a que apresenta melhor desempenho entre as possíveis mães da garota, mostrando que além de ser um rosto bonito, é cheia de talento e potencial. Rachel Weisz, em um de seus pouquíssimos papéis depois do Oscar de coadjuvante por O Jardineiro Fiel, é uma presença que ilumina a tela, mas seu papel não é muito atraente. Elizabeth Banks é a que menos tem espaço em cena, mas aproveita bem. Porém, é a angelical figura da pequena Abigail Breslin que mais se destaca. Por mais que seu papel tenha participação mínima na história, a atriz mirim arrasa em cada minuto de sua aparição. Abigail é a promessa que se realizou depois do grande sucesso de Pequena Miss Sunshine. Os filmes de que participa não são lá essas maravilhas, mas ela conquista a cada aparição, mostrando que ela era a verdadeira merecedora do Oscar de coadjuvante e não Jennifer Hudson, que até agora não mostrou ao que veio. Os atores se esforçam e tentam cobrir os defeitos da produção, mas não conseguem total êxito. Três Vezes Amor não é para os apaixonados nem para quem procura rir no cinema, é uma experiência neutra que é preferível ser conferida quando for lançada em DVD.

FILME: 6.0

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