Cinema e Argumento

Rapidamente

A diretora canadense Sarah Polley já é favorita para a temporada de premiações com o documentário "Histórias Que Contamos - Minha Família"

A diretora canadense Sarah Polley já é favorita para a temporada de premiações com o documentário Histórias Que Contamos – Minha Família

À PROCURA DO AMOR (Enough Said, 2013, de Nicole Holofcener): Basicamente a mesma brincadeira tinha sido contada anos atrás com Meryl Streep e Uma Thurman no simpático Terapia do Amor. Por isso, esse À Procura do Amor já não ganha em originalidade, principalmente com um roteiro tão morno e que nem no momento destinado a ser o clímax consegue realmente alcançar um grande nível. Talvez seja característica da própria diretora Nicole Holofcener, que tem uma excelente carreira na TV (já dirigiu episódios de A Sete Palmos, Sex and the CityEnlightened), mas que no cinema nunca chegou a apresentar obras mais especiais – como é o caso também de Amigas Com Dinheiro, outra comédia dramática bastante morna dirigida por ela. É válida a proposta de À Procura do Amor de mostrar personagens “gente como a gente”, mas várias pontos são decepcionantes: Toni Collette só serve para ser a amiga que ouve as confissões da protagonista, a forma como o roteiro coloca amizade e amor na balança em seus últimos momentos é um tanto questionável e tudo se desenvolve com várias previsibilidades. Quem se destaca mesmo é a dupla Julia Louis-Dreyfuss e James Gandolfini, com uma ótima sintonia. Sem eles, À Procura do Amor sairia do mediano para o entediante.

A RELIGIOSA (La Religieuse, 2013, de Guillaume Nicloux): A Religiosa, exibido no Festival de Berlim deste ano, é uma mistura de Em Nome de DeusDepois de Lúcia. Ou seja, um cotidiano simplesmente aterrorizante em um cenário religioso e também uma dolorosa via crucis de uma protagonista injustiçada. Narrando os dias de uma jovem que é confinada em um convento a mando de seus próprios pais, o filme de Guillaume Nicloux mostra toda as consequências que Suzanne (Pauline Etienne, muito segura) sofre quando nega, em 1796, sua promessa eterna a Deus perante autoridades da igreja e anuncia que está lá contrariada e sem vocação alguma para a vida religiosa. Ao contrário do que poderia se esperar, A Religiosa começa já com o alto sofrimento de Suzanne e pouco a pouco vai amortecendo os acontecimentos que narra (ao contrário do próprio Depois de Lúcia, que a cada minuto ficava ainda mais sufocante), até se encerrar de forma não tão interessante, apostando em uma storyline um tanto avulsa e forçada envolvendo uma freira lésbica vivida por Isabelle Huppert. Mas a discussão em torno das intolerâncias da igreja e como a vida religiosa se revela desde sempre um atraso na escala evolutiva humana são sempre instigantes. Por isso, mesmo que ambientado no século XVII, A Religiosa é sim um filme atemporal.

HISTÓRIA QUE CONTAMOS – MINHA FAMÍLIA (Stories We Tell, 2012, de Sarah Polley): Exibido no Festival do Rio em 2012, esse mais recente filme da canadense Sarah Polley já é favorito para conquistar as categorias de documentário da próxima temporada de premiações. E será especialmente justo, pois poucas vezes vimos – pelo menos nos últimos anos – um filme desse gênero tão pessoal e sincero. Aqui no Brasil, tivemos Elena recentemente, e História Que Contamos se apoia em uma proposta semelhante, onde a diretora faz uma homenagem a sua falecida mãe. Mas, ao mesmo tempo em que registra a influência dessa figura materna em sua família, Polley também descobre fatos que desconhecia, o que torna o filme também uma experiência cheia de novidades pessoais para ela – algumas, inclusive, decisivas para o modo como ela enxerga a vida e a dinâmica com seus entes queridos. O vasto material de arquivo pessoal ajuda História Que Contamos a se tornar ainda mais pessoal, colocando o espectador como parte daquela família. Se a diretora já havia demonstrando maturidade cinematográfica e sensibilidade apurada anos atrás com o belo Longe Dela, aqui tudo se confirma, com uma cineasta que, mesmo falando sobre sua vida e sua própria identidade, nunca restringe a história que conta ao seu próprio umbigo. Histórias Que Contamos não é egocêntrico. É sobre todos nós.

UM TIME SHOW DE BOLA (Metegol, 2013, de Juan José Campanella): Dada a proposta e o tema de Um Time Show de Bola, não seria necessariamente certo esperar uma animação com a mesma força emocional de O Filho da Noiva ou com o mesmo requinte narrativo de O Segredo dos Seus Olhos, mas era sim aguardado um roteiro melhor de Juan José Campanella. Com esse filme, ele realiza o trabalho mais desinteressante de sua carreira em termos de texto. É decepcionante como ele não consegue se decidir entre a homenagem ao futebol e as claras referências ao mundo de Toy Story. Essa indecisão afeta o ritmo de Um Time Show de Bola que, quando aposta nos brinquedos ganhando vida, fica sem foco algum, apostando apenas em situações cômicas nada originais. Por isso, mesmo quando decide falar de futebol (a partida final é, sem dúvida, o ponto alto do filme), tudo está muito atrasado depois de longos minutos insistindo em brinquedos falantes, cuja presença em nada influencia as grandes decisões dos personagens de carne e osso. Em tempos que realizadores de longas live action têm surpreendido em animações (Gore Verbinski com Rango, Tim Burton com Frankenweenie), Campanella decepciona com Um Time Show de Bola – seja pela maldição de ser um grande realizador que desde sempre nos desperta altas expectativas ou pelo simples fato do roteiro ser completamente desleixado.

Globo de Ouro 2014: indicados

goldennom

O que podemos dizer dos indicados ao Globo de Ouro 2014?

– 12 Anos de Escravidão segue como o franco favorito, mas Trapaça deu um belo salto de chances com essa lista;

– Capitão Phillips (com lembrança até em direção!) e Rush – No Limite da Emoção (que está na categoria principal) terem caído de verdade no gosto dos votantes foi uma leve surpresa;

– The Wolf of Wall Street só deve ser lembrado pelo Globo Ouro – que também deverá ser o único a esnobar O Mordomo da Casa Branca por completo;

– O britânico Philomena tem mais poder do que pensamos. Se aqui já conseguiu indicações a filme e roteiro, esperem ainda o BAFTA…

– A disputa de atriz comédia/musical está interessante. Meryl de novo? Improvável. Julia Louis-Dreyfus? Não merece. Mas igualmente estranho seria ver uma vitória de Amy Adams, que não deve passar dessa indicação na temporada de premiações;

Mandela: Long Walk to Freedom. Fica a dúvida: realmente um bom filme ou apenas um afeto pela morte recente do personagem-título?

– É oficial: coloquem Daniel Brühl no bolão para os indicados ao Oscar de ator coadjuvante;

– Feliz pela indicação de Sally Hawkins. Tanto sua personagem quanto sua interpretação em Blue Jasmine são excelentes complementos para a figura de Cate Blanchett;

– A categoria de canção original continua sendo um puxa-saquismo sem fim no Globo de Ouro. Eles não resistem a uma celebridade. Caso de Coldplay, por exemplo, que nem fez nada de muito especial com a melosa Atlas, no segundo Jogos Vorazes;

– Os indicados nas categorias de TV foram uma bagunça, com uma valiosa exceção: The Good Wife, melhor exemplar atual de TV aberta, que voltou à categoria principal e ainda teve lembranças para Julianna Margulies e Josh Charles. Merecido, pois a série está em um de seus melhores momentos. Poderia ter ainda uma indicação para Christine Baranski;

– As indicações para Breaking Bad são mais por arrependimento do que por bom gosto dos votantes. Depois de anos sendo celebradas por outras premiações (Emmy descobriu o programa, SAG já premiou Bryan Cranston ano passado), ficaria feio para a HFPA não celebrar a história criada por Vince Gilligan, que nunca venceu absolutamente nada na premiação;

– Atriz coadjuvante é uma vergonha sem fim. Sofia Vergara (ainda!) indicada e Anna Gunn esquecida. Também não indicaram a vitoriosa do ano passado (Maggie Smith, por Downton Abbey). E as mulheres de The Good Wife, que eram sempre lembradas, ainda mereciam estar aqui – Baranski, obrigatoriamente;

– No mais, RIP Mad Men, que teve uma péssima temporada de premiações em 2013: não faturou nada no Emmy e ontem passou em branco no SAG. RIP Homeland também, que no Globo de Ouro não conseguiu lembrança nem para Claire Danes. Devem ter finalmente caído na real quanto a farsa que é esse programa, premiado prematuramente no início e hoje já esquecido até pelo público. E isso na terceira temporada…

MELHOR FILME DRAMA

12 Anos de Escravidão
Capitão Phillips

Gravidade
Philomena

Rush – No Limite da Emoção

MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL
Ela
Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum
Nebraska
The Woolf of Wall Street
Trapaça

MELHOR ATRIZ DRAMA
Cate Blanchett (Blue Jasmine)
Emma Thompson (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)
Judi Dench (Philomena)
Kate Winslet (Refém da Paixão)
Sandra Bullock (Gravidade)

MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL
Amy Adams (Trapaça)
Greta Gerwig (Frances Ha)
Julia Louis-Dreyfus (À Procura do Amor)
Julie Delpy (Antes da Meia-Noite)
Meryl Streep (Álbum de Família)

MELHOR ATOR DRAMA
Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão)
Idris Elba (Mandela: Long Walk to Freedom)
Matthew McCounaghey (Dallas Buyers Club)
Robert Redford (All is Lost)
Tom Hanks (Capitão Phillips)

MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL
Bruce Dern (Nebraska)
Christian Bale (Trapaça)
Joaquin Phoenix (Ela)
Leonardo DiCaprio (The Wolf of Wall Street)
Oscar Isaac (Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Barkhad Abdi (Capitão Phillips)
Daniel Brühl (Rush – No Limite da Emoção)
Bradley Cooper (Trapaça)
Michael Fassbender (12 Anos de Escravidão)
Jared Leto (Dallas Buyers Club)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Jennifer Lawrence (Trapaça)
Julia Roberts (Álbum de Família“)
June Squibb (Nebraska)
Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão)
Sally Hawkins (Blue Jasmine)

MELHOR DIREÇÃO
Alfonso Cuarón (Gravidade)
Alexander Payne (Nebraska)
David O. Russel (Trapaça)
Paul Greengrass (Capitão Phillips)
Steve McQueen (12 Anos de Escravidão)

MELHOR ROTEIRO
12 Anos de Escravidão
Ela
Nebraska
Philomena
Trapaça

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Atlas” (Jogos Vorazes: Em Chamas)
“Let it Go” (Frozen – Uma Aventura Congelante)
“Ordinary Love” (Mandela: Long Walk to Freedom)
“Please, Mr. Kennedy” (Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum)
“Sweeter than Fiction” (Once Chance)

MELHOR TRILHA SONORA
12 Anos de Escravidão
All is Lost
Gravidade
Mandela: Long Walk to Freedom
A Menina Que Roubava Livros

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Azul é a Cor Mais Quente (França)
The Great Beauty (Itália)
A Caça (Dinamarca)
The Past (Irã)
Vidas ao Vento (Japão)

MELHOR ANIMAÇÃO
Os Croods
Frozen – Uma Aventura Congelante
Meu Malvado Favorito 2

_

MELHOR SÉRIE DRAMA
Breaking Bad
Downton Abbey
House of Cards
Masters of Sex
The Good Wife

MELHOR SÉRIE COMÉDIA
The Big Bang Theory
Brooklyn 99
Girls
Modern Family
Parks and Recreation

MELHOR MINISSÉRIE/TELEFILME
American Horror Story: Coven
Behind the Candelabra
Dancing on the Edge
Top of the Lake

White Queen

MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMA
Bryan Cranston (Breaking Bad)
James Spader (The Blacklist)
Kevin Spacey (House of Cards)
Liev Schreiber (Ray Donovan)
Michael Sheen (Masters of Sex)

MELHOR ATOR EM SÉRIE COMÉDIA
Andy Samberg (Brooklyn 99)
Don Cheadle (House of Lies)
Jason Bateman (Arrested Development)
Jim Parsons (The Big Bang Theory)
Michael J. Fox (The Michael J. Fox Show)

MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE/TELEFILME
Al Pacino (Phil Spector)
Chiwetel Ejiofor (Dancing on the Edge)
Idris Elba (Luther)
Matt Damon (Behind the Candelabra)
Michael Douglas (Behind the Candelabra)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMA
Julianna Margulies (The Good Wife)
Kerry Washington (Scandal)
Robin Wright (House of Cards)
Tatiana Maslany (Orphan)
Taylor Schilling (Orange is the New Black)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE COMÉDIA
Amy Poehler (Parks and Recreation)
Edie Falco (Nurse Jackie)
Julia Louis-Dreyfus (Veep)
Lena Dunham (Girls)
Zooey Deschanel (New Girl)

MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE/TELEFILME
Elisabeth Moss (Top of the Lake)
Helen Mirren (Phil Spector)
Helena Bonham Carter (Burton & Taylor)
Jessica Lange (American Horror Story: Coven)
Rebecca Ferguson (White Queen)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME
Aaron Paul (Breaking Bad)
Corey Stoll (House of Cards)
Jon Voight (Ray Donovan)
Josh Charles (The Good Wife)
Rob Lowe (Behind the Candelabra)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME
Hayden Panettiere (Nashville)
Jacqueline Bisset (Dancing on the Edge)
Janet McTeer (White Queen)
Monica Potter (Parenthood)
Sofia Vergara (Modern Family)

SAG 2013: indicados

screenactors

Poucas surpresas nessa lista do SAG, que é o verdadeiro ponto de partida para a temporada de premiações. Algumas associações já faziam um panorama dos indicados, mas agora começam a ser divulgadas as listas que realmente interessam para a corrida pelo Oscar. Os vencedores do SAG serão conhecidos no dia 18 de janeiro. Abaixo, nossos comentários sobre os indicados:

– Em um primeiro momento, é meio óbvio que 12 Anos de Escravidão será o grande vencedor. Por mais que outros concorrentes tenham elencos repletos de nomes superlativos (Álbum de FamíliaO Mordomo da Casa Branca), o filme de Steve McQueen é o único favorito ao Oscar entre os indicados – o que significa muito para a lista desse ano;

– É surpreendente a ausência de Robert Redford entre os atores. Sempre presente nas listas de associações e um nome de respeito em Hollywood, o ator amargou o esquecimento, o que pode desencadear a mesma situação em outras situações. Ou não, já que Christoph Waltz, esquecido pelo SAG ano passado, faturou o Oscar de melhor ator coadjuvante por Django Livre;

– Não é que Sandra Bullock realmente tem força para estar entre as finalistas de melhor atriz? Em um ano de grandes nomes, sua presença era uma interrogação. Agora, talvez, já não seja mais. A dúvida é se Amy Adams, por Trapaça, não deveria estar em seu lugar. Uma última vaga é disputada pelas duas. Vamos acompanhar;

– Jared Leto já parece nome certo para vitória entre os atores coadjuvantes, mas vale mencionar que essa é a categoria mais surpreendente de todas. Barkhad Abdi e James Gandolfini eram cotados, mas não certos. E Daniel Brühl (que, na realidade, é protagonista em Rush – No Limite da Emoção) veio do nada para marcar território;

– Na categoria de atriz coadjuvante, não teve espaço para Octavia Spencer, por Fruitvale Station, bastante citada até então. Oprah Winfrey parece o nome mais forte, mas é bom ficar de olho em Lupita Nyong’o – já que, dado o histórico, essa é uma categoria onde atrizes negras e novatas costumam ser implacáveis (Octavia e Jennifer Hudson sendo os exemplos mais recentes);

– Já em TV, é de se lamentar profundamente a ausência de Laura Linney por The Big C: Hereafter. A vitória no Emmy não foi suficiente para impulsionar a indicação da atriz, que inexplicavelmente nunca foi indicada pelo seriado em temporadas anteriores. Só que sua ausência se torna ainda mais absurda com a presença de Holly Hunter, quase uma figurante na tediosa Top of the Lake;

– Mad Men está amargando total esquecimento nas premiações. Depois de não levar um prêmio sequer no Emmy, agora a série passa em branco no SAG, sendo preterida até mesmo na categoria de melhor elenco;

– Se ainda não superaram Homeland (série que todos celebraram prematuramente e que hoje já se mostra cansada), pelo menos finalmente caíram na realidade quanto a Damian Lewis, fora de competição;

– Por outro lado, parece que o povo abriu os olhos para Breaking Bad, que conseguiu uma lembrança até então improvável para Anna Gunn entre as performances femininas. É uma pena que só passaram a valorizar a série agora que ela acabou. Mas antes tarde do que nunca!

MELHOR ELENCO
12 Anos de Escravidão
Álbum de Família
Dallas Buyers Club
O Mordomo da Casa Branca
Trapaça

MELHOR ATOR
Bruce Dern (Nebraska)
Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão)
Forest Whitaker (O Mordomo da Casa Branca)
Matthew McCounaghey (Dallas Buyers Club)
Tom Hanks (Capitão Phillips)

MELHOR ATRIZ
Cate Blanchett (Blue Jasmine)
Emma Thompson (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)
Judi Dench (Philomena)
Meryl Streep (Álbum de Família)
Sandra Bullock (Gravidade)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Barkhad Abdi (Capitão Phillips)
Daniel Brühl (Rush – No Limite da Emoção)
Michael Fassbender (12 Anos de Escravidão)
James Gandolfini (À Procura do Amor)
Jared Leto (Dallas Buyers Club)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Jennifer Lawrence (Trapaça)
Julia Roberts (Álbum de Família)
June Squibb (Nebraska)
Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão)
Oprah Winfrey (O Mordomo da Casa Branca)

MELHOR ELENCO DE SÉRIE COMÉDIA
30 Rock
Arrested Development
The Big Bang Theory
Modern Family
Veep

MELHOR ELENCO DE SÉRIE DRAMA
Boardwalk Empire
Breaking Bad
Downton Abbey
Game of Thrones
Homeland

MELHOR PERFORMANCE MASCULINA EM SÉRIE COMÉDIA
Alec Baldwin (30 Rock)
Ty Burrell (Modern Family)
Jason Bateman (Arrested Development)
Don Cheadle (House of Lies)
Jim Parsons (The Big Bang Theory)

MELHOR PERFORMANCE MASCULINA EM SÉRIE DRAMA
Steve Buscemi (Boradwalk Empire)
Bryan Cranston (Breaking Bad)
Jeff Daniels (The Newsroom)
Peter Dinklage (Game of Thrones)
Kevin Spacey (House of Cartds)

MELHOR PERFORMANCE FEMININA EM SÉRIE DRAMA
Claire Danes (Homeland)
Anna Gunn (Breaking Bad)
Jessica Lange (American Horror Story: Asylum)
Maggie Smith (Downton Abbey)
Kerry Washington (Scandal)

MELHOR PERFORMANCE FEMININA EM SÉRIE COMÉDIA
Mayim Bialik (The Big Bang Theory)
Julie Bowen (Modern Family)
Edie Falco (Nurse Jackie)
Tina Fey (30 Rock)
Julia Louis-Dreyfus (Veep)

MELHOR PERFORMANCE MASCULINA EM MINISSÉRIE/TELEFILME
Matt Damon (Behind the Candelabra)
Michael Douglas (Behind the Candelabra)
Jeremy Irons (The Hollow Crown)
Rob Lowe (Killing Kennedy)
Al Pacino (Phil Spector)

MELHOR PERFORMANCE FEMININA EM MINISSÉRIE/TELEFILME
Angela Bassett (Betty & Coretta)
Helena Boham Carter (Burton & Taylor)
Holly Hunter (Top of the Lake)
Helen Mirren (Phil Spector)
Elisabeth Moss (Top of the Lake)

Jogos Vorazes: Em Chamas

We don’t have to destroy her. Just her image.

hungerfire

Direção: Francis Lawrence

Roteiro: Simon Beaufoy e Michael Arndt, baseado no livro “Catching Fire”, de Suzanne Collins

Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Philip Seymour Hoffman, Woody Harrelson, Donald Sutherland, Elizabeth Banks, Stanley Tucci, Lenny Kravitz, Liam Hemsworth, Jena Malone, Jeffrey Wright, Amanda Plummer

The Hunger Games: Catching Fire, EUA, 2013, Aventura, 146 minutos

Sinopse: Segundo volume da trilogia Jogos Vorazes, baseada nos romances de Suzanne Collins. A saga relata a aventura de Katniss (Jennifer Lawrence), jovem escolhida para participar aos “jogos vorazes”, espécie de reality show em que um adolescente de cada distrito de Panem, considerado como “tributo”, deve lutar com os demais até que apenas um saia vivo. Neste segundo episódio da série, após a afronta de Katniss à organização dos jogos, ela deverá enfrentar a forte represália do governo local, lutando não apenas por sua vida, mas por toda a população de Panem. (Adoro Cinema)

hungerfiremovie

Não era por ser um filme meramente introdutório que o primeiro Jogos Vorazes não justificava todo o barulho que causou quando chegou aos cinemas. Ora, Harry Potter e a Pedra Filosofal, por exemplo, era igualmente didático nesse sentido, mas tinha um universo suficientemente fascinante e inovador para que entendêssemos o porquê de tanto encantamento. Só que basta analisar atentamente a premissa de Jogos Vorazes para perceber que nada ali é necessariamente novo. Pegue os jogos de vida ou morte em uma arena de Tron – Uma Odisseia Eltrônica e misture com o reality show manipulador de O Show de Truman para termos a premissa básica da história criada pela escritora estadunidense Suzanne Collins em 2008.

Se o primeiro volume da versão cinematográfica de Jogos Vorazes não conseguia ser nada além de uma mera introdução de personagens e situações, agora a franquia mostra finalmente ao que veio com essa continuação subtitulada Em Chamas, que surpreende ao ser exatamente tudo aquilo que o filme anterior deveria ter sido. Agora sim podemos dizer que Jogos Vorazes tem tudo para ostentar merecidamente o título de febre jovem sucessora de Harry Potter. Um fator crucial para que essa sequência tenha muito mais força e sentido é abater o problema que anos atrás também minou o drama Não Me Abandone Jamais: o de impor uma condição impensável e desumana aos personagens sem que eles movessem uma vírgula para mudar a tal circunstância que coloca suas vidas em risco. Existe reação em Jogos Vorazes: Em Chamas, o que já faz com que o filme dirigido por Francis Lawrence (substituindo Gary Ross) ganhe pontos aos se tornar muito mais crível e de acordo com a realidade.

O amadurecimento narrativo está claramente visível nessa nova adaptação, cujo roteiro, escrito pelos oscarizados Simon Beaufoy (Quem Quer Ser Um Milionário?) e Michael Arndt (Pequena Miss Sunshine), impressiona em sua precisa construção. Com uma primeira hora basicamente sem ação e desenvolvida toda a partir de diálogos, o texto é suficiente seguro para usar os diálogos como forma de imersão no novo mundo reacionário mas ditatorial protagonizado por Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) e Peeta Mellark (Josh Hutcherson). Essa primeira parte é o ponto de partida ideal para situar o espectador nas novidades, apresentar novas figuras (Plutarch Heavensbee, vivido por Philip Seymour Hoffman, uma excelente aquisição) e preparar o terreno para as adrenalinas e reviravoltas da hora posterior.

Por falar em adrenalina, é igualmente gratificante ver que Jogos Vorazes se fortaleceu também nessa abordagem. A tensão se mostra muito mais elaborada e instigante, fazendo com que o espectador realmente se sinta dentro dos perigos da arena em que os personagens tentam a todo custo sobreviver. Por isso, pouco importa se Katniss vai ficar com Peeta ou Gale (Liam Hemsworth). Esse não é o foco da história, até porque Em Chamas está acertadamente muito mais preocupado em ser um filme de tons políticos e nervosos (tanto dramaticamente quanto em termos de ação), o que por si só já comprova a evolução do roteiro, que poderia facilmente se entregar aos desejos de ganhar os corações do público jovem se focando excessivamente em um triângulo amoroso.

O longa de Gary Ross é ainda uma experiência com excelentes reviravoltas (os últimos minutos são surpreendentes), onde o resultado nunca subestima o espectador e mostra que filmes desse gênero podem sim ser diferentes, ter ritmo dinâmico e ultrapassar o obstáculo da longa duração (que, neste caso, são 140 minutos extremamente ligeiros). Alguns aspectos ainda precisam ser ajustados, como a figura de Peeta, que precisa urgentemente deixar de ser o personagem praticamente indefeso e sem habilidades que só tropeça ou desmaia na hora da correria; a de Elizabeth Banks, ainda a boba da corte sem grandes dimensões; e a de Liam Hemsworth, que sofre com um personagem que não nos envolve e que precisa ter a nossa empatia para o conflito amoroso do filme. Mas, felizmente, nada disso inferioriza a consistência do texto de Beaufoy e Arndt.

A total reestruturação de Jogos Vorazes (pelo menos em direção e roteiro) sem dúvida fortaleceu a trama, introduzindo importantes adesões e se estabelecendo como um filme que vai muito além de uma mera transição. É uma empolgante preparação para os próximos capítulos (que, infelizmente, será dividido em duas partes, seguindo a nova moda de Hollywood). Fora ter Em Chamas como base, o filme seguinte (A Esperança) ainda guarda uma expectativa particular para o escriba que vos fala: a participação de Julianne Moore em um papel decisivo. Que essa futura continuação esteja à altura do capítulo que vimos este ano!

FILME: 8.5

4

CLOSE 2013: vencedores

Cerimônia de premiação do CLOSE 2013 aconteceu neste domingo (08), no Museu dos Direitos Humanos do Mercosul, em Porto Alegre

Cerimônia de premiação do CLOSE 2013 aconteceu neste domingo (08), no Museu dos Direitos Humanos do Mercosul, em Porto Alegre

A variedade de propostas e estilos da mostra competitiva do CLOSE 2013 se refletiu na própria lista de premiados, divulgada na noite deste domingo (08), no Museu dos Direitos Humanos do Mercosul, em Porto Alegre. Democrática e bastante coerente, conseguiu fazer um bom resumo do que o Festival apresentou de melhor neste ano.

Se Garotas da Moda, o vencedor principal, não foi um dos meus favoritos (as protagonistas marcam mais do que o documentário em si), a justiça foi feita com Codinome Beija-Flor (o melhor da mostra) levando júri popular e Antes de Palavras conquistando reconhecimento por seu ótimo roteiro. Interessante foi ver que o perfil polêmico de Filme Para Poeta Cego não se revelou um empecilho para o curta ser lembrado: o filme de Gustavo Vinagre se saiu vitorioso em melhor direção, desenho de som e direção de arte.

No mais, a surpresa de ver Fernanda Montenegro perdendo melhor atriz por A Dama do Estácio (acabou recebendo uma menção honrosa) logo foi justificada com a vitória de Sandra Dani por Linda, Uma História Horrível, um curta que também merecia figurar de alguma forma entre os vencedores. Enquanto isso, o jovem Jesuíta Barbosa foi o melhor ator por seu excelente desempenho em O Melhor Amigo.

O grande porém dessa lista é a ausência de O Pacoteum dos melhores exemplares da mostra competitiva que não levou um prêmio sequer. De qualquer forma, o júri formado por Jezebel De Carli (RS, diretora), Lufe Steffen (SP, cineasta) e Jorge Alencar (BA, diretor e encenador) fez um trabalho à altura dos filmes. Que venha o CLOSE 2014!

MELHOR FILME: Garotas da Moda
MELHOR FILME (JÚRI POPULAR): Codinome Beija-Flor
MELHOR DIREÇÃO: Gustavo Vinagre (Filme Para Poeta Cego)
MELHOR ATRIZ: Sandra Dani (Linda, Uma História Horrível)
MELHOR ATOR: Jesuíta Barbosa (O Melhor Amigo)
MELHOR ROTEIRO: Antes de Palavras
MELHOR FOTOGRAFIA: Trevas
MELHOR MONTAGEM: Linda, Uma História Horrível
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: Filme Para Poeta Cego
MELHOR DESENHO DE SOM: Filme Para Poeta Cego
MENÇÃO HONROSA: Fernanda Montenegro, pela atuação no filme A Dama do Estácio e pela trajetória artística

%d blogueiros gostam disto: