Cinema e Argumento

44º Festival de Cinema de Gramado #3: Cecilia Roth é a primeira mulher a receber o Kikito de Cristal

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Cecilia Roth se junta ao time de homenageados de Gramado. Foto: Gloria Rodríguez

Cecilia Roth vem a Gramado para fazer história. Com mais de 40 filmes no currículo, a atriz argentina será a primeira mulher a receber o troféu Kikito de Cristal, homenagem do evento serrano entregue a personalidades do cinema latino-americano. De No Toquen a La Nena, seu primeiro trabalho no cinema em 1976, ao seriado Supermax, primeira produção original da Rede Globo para o mercado internacional dirigida por Daniel Burman, Roth escreveu seu nome em importantes filmes de língua latina. É impossível rememorar a carreira da argentina sem falar de um de seus mais célebres amigos e parceiros: o cineasta Pedro Almodóvar. Cecilia o acompanhou desde sua estreia com Pepi, Luci, Bom e Outras Garotas de Montão, passando por Maus Hábitos e Labirinto de Paixões, mas foi o papel de Manuela em Tudo Sobre Minha Mãe (Oscar de melhor filme estrangeiro em 2000) que reafirmou o talento de Cecilia internacionalmente e a eternizou como uma das mais emblemáticas chicas de Almodóvar. Vencedora de dois prêmios Goya, Cecilia Roth também foi uma das convidadas pelo Oscar em 2016 a integrar o corpo de votantes de Academia. Finalizando o longa Migas de Pan, com estreia prevista ainda para este ano, a argentina reservou espaço em sua agenda para vir à Serra Gaúcha receber o tributo do Festival de Cinema de Gramado aos expoentes do cinema latino-americano, completando o time de homenageados desta edição que já conta com Sonia Braga e Tony Ramos. A 44ª edição do Festival acontece de 26 de agosto a 03 de setembro.

Talvez Deserto, Talvez Universo

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Direção: Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes

Roteiro: Miguel Seabra Lopes

Elenco: Documentário

Brasil/Portugal, 2016, Documentário, 97 minutos

Sinopse: A Unidade de Internamento de Psiquiatria Forense é uma estrutura de regime fechado, de segurança média, com vertente reabilitadora. Presta acompanhamento psiquiátrico, psicológico, médico, terapêutico e social. Os homens que a habitam foram considerados inimputáveis pelo tribunal. Sentem o tempo passar, lento. É neste tempo individual que o filme se instala.

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A imobilidade da câmera do diretor Miguel Seabra Lopes sugere muito mais do que a mera observação dos pacientes da Unidade de Internamento de Psiquiatria Forense do hospital psiquiátrico Julio de Matos. Na verdade, essa estática está diretamente ligada ao que (não) acontece dentro de cada um dos personagens. Isso porque, dentro da Unidade, o tempo é outro, a vida parece imóvel e não há nada a ser feito em um cotidiano cujo senso de dimensão é castrado por centenas de remédios diários. Partindo dessa claustrofóbica e angustiante condição, o documentário Talvez Deserto, Talvez Universo, também assinado por Karen Akerman na direção, instiga ao mesmo tempo em que incomoda, engrandecendo-se ao capturar inteligentemente uma situação complicadíssima sem qualquer artifício ou conceito que flerte com a obviedade.

Quando se fala na imobilidade da câmera exclusiva de Lopes, é bom elucidar: por se tratar de uma instituição destinada apenas a homens, a também diretora Karen Akerman, que tem carreira consolidada como montadora (ela assinou esse segmento do excepcional O Lobo Atrás da Porta), foi proibida de entrar no local, trabalhando, dessa forma, com o recebimento dos materiais de Lopes para, a partir daí, com sua visão de montadora, começar a dar os contornos de Talvez Deserto, Talvez Universo. Felizmente, não há, na tela, qualquer resquício de limitação imposta por essas condições: além do documentário ter personalidade muito bem definida, todos os conceitos traçados pela dupla são consistentes, desde o ritmo propositalmente lento para casar com o cotidiano de seus documentados ao próprio preto e branco que descolore ainda mais um mundo já acromático por si só.

Desviando-se da forma clássica do gênero, o documentário se preocupa apenas em observar o dia a dia do local, julgando certeiramente, assim como o recente Fogo no Mar, que o simples registro sem maiores interferências é o suficiente para garantir impacto dramático. Mesmo quando coloca determinado personagem frente à câmera para contar histórias particulares, Talvez Deserto, Talvez Universo se entrega por completo a quem fala e reproduz, basicamente na íntegra e sem cortes, os relatos precisamente escolhidos. O espaço para que cada um se expresse é livre, ao passo que, ao contrário do que se poderia imaginar, a loucura dos pacientes não descamba para a incoerência de discurso. Existe muito a ser contado sobre as mais variadas histórias de vida de personagens dramáticos, divertidos ou que simplesmente tomam como missão de vida conseguir um mero cigarro.

Vencedor do Prêmio Olhares Brasil de melhor longa-metragem na quinta edição do festival Olhar de Cinema, onde fez sua estreia no Brasil, Talvez Deserto, Talvez Universo é contado rodo a partir do olhar dos próprios pacientes e pouco se vê sobre o mundo exterior ou até mesmo sobre as pessoas que trabalham no hospital. A decisão é sábia porque nos sentimos tão parte daquele cotidiano quanto os próprios personagens, mas também porque engrandece a proposta assumida da dupla diretora de fazer um documentário não de denúncia, e sim de questionamento sobre o tipo de psiquiatria que já se promove há muito tempo. Afinal, o que mais instiga no filme é a sua ideia de falar sobre pessoas que, como a própria Akerman define, não deixam de estar mortas, pois vivem mesmo uma espécie de vida adormecida.

Mãe Só Há Uma

É Pierre, porra!

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Direção: Anna Muylaert

Roteiro: Anna Muylaert

Elenco: Naomi Nero, Dani Nefussi, Matheus Nachtergaele, Luciana Paes, Helena Albergaria, Lais Dias, Daniel Botelho, Luciano Bortoluzzi, June Dantas,  Renan Tenca, Douglas Luckiys,  Ulisses Sakurai

Brasil, 2016, Drama, 82 minutos

Sinopse: Pierre descobre que sua família não é biológica quando a polícia prende sua mãe. Confuso, ele vai atrás de seus parentes verdadeiros, que o conhecem como Felipe, e a nova realidade faz com que o rapaz encontre finalmente sua real identidade. (Adoro Cinema)

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A diretora e roteirista Anna Muylaert preferiu trabalhar em menor escala após o sucesso mundial de Que Horas Ela Volta?. Claro que fazer Mãe Só Há Uma com orçamento mais modesto, elenco praticamente desconhecido e divulgação discreta foram também maneiras da realizadora se desvencilhar de expectativas inevitavelmente altas acerca do que ela realizaria após a impecável narrativa do filme estrelado por Regina Casé e Camila Márdila. No entanto, Muylaert diz que existe um outro propósito por trás das circunstâncias mínimas: o de realizar uma história mais autoral sem ser vítima de eventuais amarras, sejam elas de qualquer natureza. De fato, Mãe Só Há Uma, que adapta livremente o verídico caso Pedrinho, de 2002, toca em questões mais sensíveis ao grande público, mas todas as boas ideias e as importantes discussões propostas pela diretora são limitadas por um filme abrupto cuja história não dá fluidez à criatividade de uma contadora de histórias sempre atenta aos temas mais pertinentes da nossa contemporaneidade.

Filmes com metragem mais enxuta automaticamente propõem a seus diretores e roteiristas um árduo desafio: o de apresentar, de forma objetiva mas igualmente envolvente, toda a essência de uma história em um espaço de tempo, claro, consideravelmente menor. Fácil é expandir um universo ao longo de duas horas, difícil é dizer somente o necessário dele em 80 minutos. Infelizmente, Anna Muylaert tropeça nessa jornada com Mãe Só Há Uma, longa que esquece de aprofundar pontos importantes de sua trama enquanto perde tempo com outros inegavelmente dispensáveis. Por que, por exemplo, querer fazer tanta graça com os amores juvenis do pequeno Joca (Daniel Botelho) ao invés de de dar mais caldo aos efeitos emocionais que as revelações envolvendo Aracy (Dani Nefussi) causam nos seus filhos? Além da personagem ser plenamente esquecida, nunca sabemos de que forma a desconstrução de sua figura atinge efetivamente Pierre (Naomi Nero, excelente), citando alguns dos prejuízos que o malabarismo atrapalhado entre profundidade e curta duração traz ao resultado. 

Se existe algo que permanece intacto na transição de Que Horas Ela Volta? para Mãe Só Há Uma são as leituras críticas de Anna Muylaert aos preconceitos (expostos ou não) da nossa sociedade, com ênfase naqueles tão enraizados em boa parte das pessoas de classe alta. Dessa vez, a realizadora paulista surpreende ao compreender muito bem as expressões de uma geração cada vez mais livre na busca de sua própria identidade. Nesse ponto, o filme só ganha ao não trazer qualquer rótulo para o protagonista, que, ao mesmo tempo em que pinta as unhas e gosta de vestidos, também transa com meninas e aqui ou ali experimenta um beijo com garotos. Quando Muylaert coloca esse jovem tão autêntico em sua efervescência de experimentações com a nova família rica e tradicional, Mãe Só Há Uma expõe todos os preconceitos que muitos insistem em dizer que não têm, mas que simplesmente não conseguem esconder quando o filho homem não gosta de futebol ou não quer vestir as camisas certinhas de gola polo que os pais querem colocar na composição de seu figurino. Novamente, a diretora provoca ao tornar a sessão uma experiência incômoda para uma certa parcela do público que é obrigada a se ver na tela com todas as suas infundadas intolerâncias.

Ao mesmo tempo em que essa encenação crítica é um aspecto fortíssimo do longa, também não deixa de ser estranho como ela de certa forma limita a dramaticidade de toda a história: basicamente, o único conflito de Pierre ao ter que conviver com a nova família é ter dificuldades em fazer com que suas expressões sejam aceitas, quando, na realidade, deveria ser muito mais sobre sair de um lar destruído para outro que desconhece. A unilateralidade dos novos pais também não deixa de incomodar, visto que, apesar do bom trabalho de Matheus Nachtergaele e Dani Nefussi, eles são figuras insensíveis ao momento do filho recém descoberto, tratando-o meramente como um garoto que precisa ser urgente e literalmente doutrinado conforme suas regras. Da busca por um novo modelo de vida aos anseios de uma adolescência hoje cada vez mais livre, o filme é rico na pluralidade e na importância de seus temas, mas a falta de convergência dos assuntos e de uma história que realmente vá para algum lugar impede que a sessão tenha uma riqueza narrativa maior. Na verdade, Mãe Só Há Uma soa como um ensaio relevante e obviamente incômodo pela situação que encena, mas incompleto e apressado na carreira de Muylaert, quando, na verdade, era digno de, no mínimo, ter a mesma costura sofisticada de ideias de Que Horas Ela Volta?.

Três atores, três filmes… com Allan Souza Lima

allantresO nosso novo convidado da coluna marca presença dupla no Festival de Cinema de Gramado deste ano. Além de integrar o elenco de Aquarius, que será exibido fora de competição, Allan Souza Lima está na disputa pelo Kikito com o curta-metragem O Que Teria Acontecido ou Não Naquela Calma e Misteriosa Tarde de Domingo no Jardim Zoológico, dirigido (em parceria com Gugu Seppi), escrito e protagonizado por ele. Foi justamente com o interesse pela direção que Allan montou a produtora Ikebana Filmes para contar suas próprias historias, chegando agora a esse terceiro curta-metragem que concorre no festival serrano. Atualmente, ele, junto com a sua sócia, a produtora executiva Fernanda Etzberger, também vem se preparando para rodar, no próximo ano, seu primeiro longa-metragem como ator e diretor. Quanto às escolhas do nosso convidado, é possível encontrar desde desempenhos que ilustram filmes icônicos como Laranja Mecânica a outros criados por grandes atores como Daniel Day-Lewis. Além disso, Björk conquista seu bicampeonato aqui na coluna por sua atuação em Dançando no Escuro. Conheçam, abaixo, as escolhas do Allan:

Malcolm McDowell (Laranja Mecânica)
O primeiro da lista é o personagem Alex, interpretado pelo ator Malcolm McDowell, no filme Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick. Além de eu ser um eterno admirador da obra do Kubrick, esse filme mexeu comigo desde a primeira vez que eu vi. Para mim, é um dos mais característicos e um dos mais polêmicos filmes existentes. É aquele filme que você vê um slogan e lembra toda a sua historia. Um filme que trouxe uma grande polemica na época pelas suas cenas de sexo e de brigas ao som da 9º Sinfonia de Beethoven. Uma verdadeira genialidade o personagem usar seu “horrorshow” ao som da música clássica de Beethoven. O que vemos no filme é a pura realidade do retrato da nossa sociedade narcisista e fascista, com alguns toque exagerados ou não, que dão a conotação sarcástica ao longa. Sem falar do maravilhoso trabalho que o Kubrick conseguiu, junto ao ator, de chegar à perfeita interpretação do personagem Alex. Digamos que um pouco exagerado, mas completamente condizente com a linguagem e a proposta instaurada do inicio ao fim. Como ator, digo que é um dos mais incríveis e excêntricos personagens criados no cinema.

Daniel Day-Lewis (Meu Pé Esquerdo)
Sou um fã e admirador incondicional do ator Daniel Day-Lewis. Sem sombra de dúvidas, para mim, é o melhor de todos os atores. Claro que é muito difícil ficar comparando o trabalho de um com o de outro, mas,o que vejo de mais belo nesse ator é o processo de entrega que ele tem para com os seus personagens. A intensidade e a densidade que ele busca para criá-las são fantásticas e elas são tamanhas que o próprio ator, imerso em uma personagem,  quebrou, pelo esforço excessivo, duas costelas durante as filmagens por assumir a posição de corcunda em sua cadeira de rodas durante semanas de filmagens. Esse é Christy Brown, maravilhoso papel de Daniel Day-Lewis no filme Meu Pé Esquerdo. Acredito que seja o trabalho de ator junto a personagem mais incrível no cinema. O processo de criação realmente foi bem desgastante: o ator ficou quase um ano vivendo Christy intensamente. Reza a lenda que o próprio Day-Lewis propôs ao diretor que só começaria as filmagens quando ele, de fato, conseguisse fazer uma pintura com seu pé esquerdo. Estudando a trajetória dele, é um ator que, comparado a outros, fez pouquíssimos filmes. Em media, fez um a cada dois anos, além de escolher bem seus personagens. Além do grande personagem nesse filme, com certeza, é o melhor ator de todos os tempos.

Björk (Dançando no Escuro)
Para finalizar, também fazendo parte da minha lista de cabeceira, sem sombra de dúvida, esse filme não poderia deixar de ser comentado. Qual foi a atriz que, numa das brigas com um diretor, simplesmente rasgou todo seu figurino e foi embora sem deixar rastro, voltando dias depois para as filmagens? A personagem Selma Jezkova, interpretada pela atriz e cantora Björk. Um processo bastante intenso e conflituoso durante todo o processo de filmagem do filme Dançando no Escuro, dirigido pelo polêmico Lars Von Trier. Processo este que lhe rendeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes. Não lembro de outro filme que uma personagem feminina tão densa tenha me tocado tão profundamente como a de Björk nesse filme, que é um verdadeiro soco no estômago.

44º Festival de Cinema de Gramado #2: “Aquarius”, os filmes concorrentes e homenagens

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De Cannes para a Serra Gaúcha: Aquarius abre o Festival de Cinema de Gramado, enquanto Sônia Braga é a grande homenageada do troféu Oscarito. Foto: Jean-Paul Pelissier / Reuters.

Já é velho o papo de que o Festival de Cinema de Gramado, que chega a sua 44ª edição, não tem o mesmo prestígio de antes. A crise que o evento atravessou, especialmente nas edições realizadas entre os seus 30 e 40 anos, repercute até hoje, mas, parando nem que seja um pouquinho para pensar, é fácil perceber que muita coisa mudou – e para melhor – desde a edição comemorativa de 40 anos, que, em suas mudanças quase radicais, trocou também a curadoria de longas-metragens. Eva Piwowarski, Marcos Santuario e Rubens Ewald Filho trouxeram ao Festival um cinema mais contemporâneo. Eles, ao mesmo tempo que procuravam recuperar o tempo perdido em anos altamente esquizofrênicos do evento, substituíram os filmes de nicho que tanto limitavam Gramado por uma linguagem mais contemporânea e pelo diálogo entre experientes cineastas e outros profissionais em início de carreira.

Ainda assim, o trio foi duramente cobrado pela imprensa por não exibir apenas filmes inéditos (crítica tola, diga-se de passagem, uma vez que ineditismo está longe de significar qualquer qualidade, a exemplo de A Bruta Flor do Querer e Introdução à Música do Sangue, dois filmes inéditos e bastante ruins selecionados para competição recentemente). Entretanto, esse ano não há motivos para reclamações nesse sentido, conforme foi revelado na coletiva de lançamento realizada hoje (20) em Porto Alegre: todos os seis filmes que buscam o cobiçado Kikito na mostra brasileira são inteiramente inéditos no circuito de festivais. Além da exibição dos aguardados Elis (cinebiografia da icônica cantora brasileira Elis Regina) e O Silêncio do Céu (novo filme de Marco Dutra), o Festival de Cinema de Gramado dá continuidade à pluralidade de sua mostra estrangeira: incluindo coproduções, nada menos que nove países estão representados na competição – e isso é fantástico, pois não é todo dia que entramos em contato com a cinematografia boliviana, paraguaia ou venezuelana, por exemplo.

Saindo da competição para a grande exibição hors concours desse ano, Gramado, que, na edição passada, fez a estreia de Que Horas Ela Volta? em território nacional, novamente foi o festival brasileiro escolhido para dar o pontapé inicial na trajetória do filme brasileiro mais aguardado do ano: Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, abrirá o evento no dia 06 de agosto. De quebra, quem recebe o troféu Oscarito, honraria do Festival dedicada a grande atores do cinema, é Sonia Braga, dando continuidade à linhagem de divas que receberam a distinção (ano passado, Marília Pêra se eternizou na Serra Gaúcha com uma linda passagem pelo Tapete Vermelho). No mais, apesar de achar Tony Ramos um ator mais de TV do que de cinema (essa confusão é muito comum no Brasil), não dá para negar o seu apelo popular com obras como Se Eu Fosse Você, Getúlio ou Chico Xavier, o que torna sua homenagem com o troféu Cidade de Gramado até coerente no sentido de que Gramado é uma festa para todos os gostos. Aprecio essa democracia porque não acho que festivais devam se segmentar. Quem dera todos pensassem assim.

Confira a lista completa de filmes em competição:

LONGAS-METRAGENS BRASILEIROS
– Barata Ribeiro, 716 (RJ), de Domingos Oliveira
– El Mate (SP), de Bruno Kott
– Elis (SP), de Hugo Prata
– O Roubo da Taça (SP), de Caito Ortiz
– O Silêncio do Céu (SP), de Marco Dutra
– Tamo Junto (RJ), de Matheus Souza

LONGAS-METRAGENS ESTRANGEIROS
– Campaña Antiargentina (Argentina), de Ale Parysow
– Carga Sellada (Bolívia/México/Venezuela/França), de Julia Vargas
– Espejuelos Oscuros (Cuba), de Jessica Rodriguez
– Esteros (Argentina/Brasil), de Papu Curotto
– Guaraní (Paraguai/Argentina), de Luis Zorraquín
– Sin Norte (Chile), de Fernando Lavanderos
– Las Toninas Van al Este (Uruguai/Argentina), de Gonzalo Delgado e Verónica Perrotta

CURTAS-METRAGENS BRASILEIROS
– A Página (SP), de Guilherme Andrade
– Aqueles Anos em Dezembro (SP), de Felipe Arrojo Poroger
– Aqueles Cinco Segundos (MG), de Felipe Saleme
– Black Out (PE), de Adalmir da Silva, Felipe Peres Calheiros, Francisco Mendes, Jocicleide Valdeci de Oliveira, Jocilene Valdeci de Oliveira, Martinho Mendes, Paulo Sano e Sérgio Santos
– Deusa (SP), de Bruno Callegari
– Horas (RS), de Boca Migotto
– Ingrid (MG), de Maick Hannder
– Lembranças do Fim dos Tempos (SP), de Rafael Câmara
– Lúcida (SP), de Fabio Rodrigo
– Memória da Pedra (BA), de Luciana Lemos
– O Ex-Mágico (PE), de Mauricio Nunes e Olimpio Costa
– O Que Teria Acontecido ou Não Naquela Calma e Misteriosa Tarde de Domingo no Jardim Zoológico (RJ), de Gugu Seppi e Allan Souza Lima
– Rosinha (DF), de Gui Campos
– Super Oldboy (SP), de Eliane Coster

PRÊMIO ASSEMBLEIA LEGISLATIVA – MOSTRA GAÚCHA DE CURTAS
– A Rua das Casas Surdas (Porto Alegre), de Flávia Costa e Gabriel da Fonseca Mayer
– Another Empty Space (Porto Alegre), de Davi de Oliveira Pinheiro
– Às Margens (Porto Alegre), de Boca Migotto
– As Três (São Leopoldo), de Helena Sassi
– Bandidos Desalmados (Porto Alegre), de Zaracla
– Carol (Porto Alegre), de Mirela Kruel
– Dia dos Namorados (Porto Alegre), de Roberto Burd
– Escape (Porto Alegre), Jonatas Rubert
– Escotofobia (Porto Alegre), de Rafael Saparelli
– Horas (Porto Alegre), de Boca Migotto
– Inatingível (Porto Alegre), de Rodolfo de Castilhos Franco
– Interrogatório (São Leopoldo), de Raul Fontoura
– Lipe, Vovô e o Monstro (Porto Alegre), de Raul Fontoura
– Mundo de Wander (Porto Alegre), de Lisandro Santos
– O Jardim dos Amores de Woody Allen (Porto Alegre), de Gustavo Spolidoro
– Objetos (Porto Alegre), de Germano de Oliveira
– Outono Celeste (Pelotas), de Yuri Minfroy
– Pobre Preto Puto (Santa Cruz do Sul), de Diego Tafarel
– Preliminares (Porto Alegre), de Douglas S. Kothe
– Quando Pisei em Marte (Pelotas), de Analu Favretto e Taís Percone
– Sesmaria (Pelotas), de Gabriela Richter Lamas
– Venatio (Canoas), de Ulisses da Motta
– Vento (Porto Alegre), de Betânia Furtado
– Vida Como Rizoma (Porto Alegre), de Lisi Kieling