Cinema e Argumento

“Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo”: continuação aprimora aspectos do filme original, mas não compensa a ausência de Meryl Streep como protagonista

You are still my love and my life, still my one and only…


Direção: Ol Parker
Roteiro: Ol Parker, baseado em história de Catherine Johnson, Ol Parker e Richard Curtis

Elenco: Lily James, Amanda Seyfried, Julie Walters, Christine Baranski, Pierce Brosnan, Dominic Cooper, Andy Garcia, Stellan Skarsgård, Alexa Davies, Jessica Keenan Wynn, Cher, Meryl Streep, Josh Dylan, Jeremy Irvine, Hugh Skinner

Mamma Mia! Here We Go Again, Reino Unido/EUA, 2018, Musical, 114 minutos

Sinopse: Sophie (Amanda Seyfried) está prestes a reinaugurar o hotel da mãe (Meryl Streep), agora totalmente reformado. Para tanto convida seus três “pais”, Harry (Colin Firth), Sam (Pierce Brosnan) e Bill (Stellan Skarsgard) e as eternas amigas da mãe, Rosie (Julie Walters) e Tanya (Christine Baranski), ao mesmo tempo em que precisa lidar com a distância do marido Sky (Dominic Cooper), que está fazendo um curso de hotelaria em Nova York. O reencontro serve para desenterrar memórias sobre a juventude de Donna (Lily James), no final dos anos 70, quando ela resolve se estabelecer na Grécia.

Desprezado pela crítica quando chegou aos cinemas em 2008, Mamma Mia! agora volta à vida com uma continuação que reflete muito mais do que o imenso sucesso de público do primeiro filme, que chegou a ser maior bilheteria registrada no Reino Unido até Avatar tomar o posto no ano seguinte: em Lá Vamos Nós de Novo, subtítulo escolhido para a sequência, percebemos que o musical envelheceu muito bem porque se tornou uma obra querida inclusive para quem torcia o nariz dez anos atrás. Levou tempo, mas as pessoas aceitaram abraçar Mamma Mia!. Não restam dúvidas de que o longa original era frequentemente tosco e mal dirigido por Phyllida Lloyd. No entanto, como ficar de mal com uma produção embalada por hits do ABBA, emoldurada com lindas paisagens gregas e energizada por uma Meryl Streep que voava as tranças ao som de Dancing Queen? Cafona, inverossímil e muitas vezes primário, Mamma Mia!, de repente, viu tais defeitos se tornarem parte de sua adorada identidade, permitindo que essa continuação recém estreada nos cinemas brasileiros seja um dos títulos mais esperados do calendário comercial norte-americano em 2018.

Para os temerosos com a ideia de uma sequência, a grata surpresa é que, em inúmeros pontos, Lá Vamos Nós de Novo é superior ao original. Com a saída da diretora Phyllida Lloyd, que recusou o convite de comandar a sequência (ela, com toda razão, também não dirigiu mais nada para o cinema depois de A Dama de Ferro), o espectador ganha um filme com maior esmero técnico e criatividade. Ol Parker, roteirista de O Exótico Hotel Marigold 1 e 2, repara várias das escolhas amadoras da antecessora, que vinha do teatro e tinha em Mamma Mia! a sua primeira experiência idealizada para a tela grande. Na continuação, a música se conecta de maneira mais orgânica e menos gratuita à história, inclusive com aquelas que, para satisfazer o grande público, precisam ser repetidas, como a própria canção-título. O contexto é melhor, as coreografias são aprimoradas e a trilha instrumental, assinada por Anne Dudley (Elle), faz releituras de arranjos do ABBA com graça e reverência.

Aliás, por falar em nostalgia, Lá Vamos Nós de Novo preserva a vitoriosa identidade do filme anterior e, na medida do possível, cria um clima para chamar de seu. Preserva-se aqui a alma brega, as paisagens ensolaradas, o perfil cômico de cada personagem e as coincidências fáceis. Além disso, ao transferir boa parte da narrativa para a adolescência de Donna Sheridan (Meryl Streep na versão madura, Lily James na juventude), o musical tem a chance de introduzir novos atores, explorar situações que escapam do musical em que se baseia e contar com o carisma de uma protagonista diferente. É nesse universo que Lá Vamos Nós de Novo pulsa como nos melhores momentos do original, especialmente porque Lily James leva a missão de corpo e alma: lembrada por seus papéis na fábula em live action de Cinderela e no seriado Downton Abbey, a atriz alcança um vigoroso equilíbrio entre a capacidade de emular a personagem interpretada por Meryl Streep e a de fazer suas próprias criações, sem jamais se limitar à mera cópia. Se há uma estrela no filme, essa é indiscutivelmente Lily.

A jovem atriz faz tão bem ao filme porque mantém acesa, no físico e no espírito, a chama de uma Donna Sheridan que agora se faz ausente. Por razões explicadas logo no início da projeção, Donna segue como o centro dos pensamentos e das motivações de cada personagens, mas dessa vez apenas na memória. Infelizmente, isso não deixa de condenar o projeto: por melhor que seja, Lily James não é Meryl Streep, cuja presença norteava a força, a energia e a emoção do longa anterior. A premiada atriz não deixa de aparecer (em uma cena comovente, por sinal), mas é muito pouco para uma história que tanto homenageia a sua lembrança e que constantemente nos lembra que o primeiro Mamma Mia! era irresistível muito em função de seu gigante talento. Sem ela, em termos de uma trama propriamente dita, Lá Vamos de Novo não parece ir a lugar algum. A falta que Donna faz ainda é muito mais forte do que a homenagem que o filme tenta prestar a ela. Nesse contexto, entra a participação de Cher, promovida como um grande acontecimento que poderia ser a jogada perfeita para compensar a ausência de um ícone com outro, mas isso acaba não se cumprindo: divertidíssima e com presença expansiva, Cher é somente uma curiosidade, inclusive pouco justificada, já que sua personagem era inclusive tida como morta no longa de 2008.

Sem um elo mais consistente, a mesma sensação respinga no roteiro, que é frágil nas duas linhas temporais estabelecidas para a narrativa. Na juventude de Donna, por exemplo, Lá Vamos Nós de Novo falha ao dizer qualquer coisa que já não tenha sido mencionada no filme anterior. Nós já sabemos que Donna se relacionará com três homens, eventualmente se apaixonará por um deles, viverá desencontros e, ao fim, criará sozinha a sua filha sem saber quem é o pai. Por mais que o filme tente criar envolvimento com cada revelação ou desdobramento, simplesmente não há como. Enquanto isso, nos dias em que Sophie (Amanda Seyfried) celebra a sua mãe, os dilemas pipocam da forma mais rasteira possível (o namorado passando uma temporada em Nova Iorque, a tempestade violenta e inesperada na véspera de uma inauguração) para depois serem resolvidos com a maior facilidade do mundo. Entretanto, assim como no filme original, Lá Vamos Nós de Novo é o tipo de filme onde o espectador escolhe se é possível ou não se desarmar e partir para o abraço. Caso escolha, encontrará o bom e velho Mamma Mia! que já conhece: repleto de defeitos, mas também vivo, alegre, despretensioso, sonhador e até dotado de um certo fascínio ao abraçar o ridículo como um elemento do seu sucesso.

“O Animal Cordial” | Entrevista com a diretora Gabriela Amaral Almeida

“Os personagens que nascem dentro de mim carregam muitas das contradições humanas que eu mesma não sei resolver (nem nunca saberei)”.

Não foram poucas as vezes que comentei aqui no blog sobre a minha relação tortuosa com os filmes de terror/horror. O que mais me fascina no gênero é, justamente, o que o grande público não busca ou pelo menos não é tão explorado quanto deveria: histórias que utilizam a morte, o medo e a insanidade (entre tantas outras matérias-primas) para falar sobre questões emocionais inerentes aos seres humanos, mesmo que de forma extremada ou sanguinolenta. Gabriela Amaral Almeida, a diretora de O Animal Cordial, trabalha a partir dessa perspectiva: nos curtas que já dirigiu e, agora, em seu primeiro longa-metragem, Gabriela define seus personagens como um reflexo de atritos que ela própria enxerga no mundo, especialmente aqueles que incomodam e que, por uma série de razões, tornam-se tabus na sociedade. E O Animal Cordial está cheio de alegorias sobre atritos e tabus, abordagem que me levou de imediato ao centro desse filme que enxerga sangue, sexo e violência sem pudor algum (não à toa, a classificação indicativa nas salas brasileiras será 18 anos). O cenário? Um restaurante de São Paulo que, prestes a encerrar o expediente, é assaltado por dois homens. No entanto, Inácio (Murilo Benício), o dono do estabelecimento, decide que a situação não pode fugir do seu controle. Muito sobre o que achei do filme está na crítica publicada aqui no blog, mas o resto eu deixo a Gabriela, que gentilmente conversou comigo sobre o filme, contar para vocês na entrevista que reproduzo abaixo. Lembrando que O Animal Cordial chega aos cinemas brasileiros no dia 9 de agosto.

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Tomando como referência determinadas obras da tua carreira, é possível perceber uma certa preferência por temas e abordagens que “incomodam”, digamos assim. Em A Mão Que Afaga, por exemplo, temos a questão de uma mãe solteira e solitária que tenta fazer uma festa de aniversário para a filha. Já Vaca Profana, que conta com o teu roteiro, propõe uma importante discussão acerca do que é “feminino” e do chamado “instinto materno”. E agora temos O Animal Cordial, que segue essa mesma linha com temas muito mais amplos. O teu cinema é assim mesmo? Inclinado a tocar em assuntos necessários, muitas vezes renegados pela sociedade, e levantar reflexões sobre eles? Isso é proposital ou coincidência?

Os personagens que nascem dentro de mim carregam muitas das contradições humanas que eu mesma não sei resolver (nem nunca saberei). Todo personagem é uma espécie de tótem das questões caras a cada escritor, uma entidade que torna de alguma maneira palpável a matéria de que todos nós somos feitos. Nesse sentido, o que compõe meus tótens-personagens está intimamente relacionado com os atritos que eu vejo e/ou sinto no mundo. Muitos desses atritos incomodam porque, ao não serem discutidos no correr dos dias úteis da vida útil, tornam-se tabu; tabu é tudo aquilo que varremos para debaixo do tapete. A sujeira pode estar escondida, mas os calombos são visíveis sob esta tapeçaria a que chamamos de “vida funcional”. O que eu tento fazer na criação dos meus personagens é entrar em contato com esses calombos. Não é uma questão de escolha deliberada de tema – “vou escolher temas incômodos para conseguir este ou aquele efeito” –, mas de uma atração inconsciente por tudo que está à margem. Estamos sempre na margem em relação a algum centro – qualquer centro. Da minha margem, eu me pergunto: para onde vão as mães sem instinto materno? E o feminino que não se encaixa nos padrões ditados pela sociedade? Os pais que não gostam dos filhos, os filhos que não gostam dos pais, os homens que matam, as mulheres que matam: “all the lonely people, where do they all belong?”. As minhas criaturas (e histórias) vêm todas dos calombos do tapete.

Poucas vezes, pelo menos se tratando do cinema brasileiro recente que chega a festivais e grandes plateias, vi um filme tão forte e cru como O Animal Cordial, mesmo se tratando de obras de terror. Como é a relação do público brasileiro com esse gênero? Claro que há iniciativas importantes para a valorização dele, como é o caso do Fantaspoa, aqui em Porto Alegre, onde o teu filme foi premiado em duas categorias (direção e atriz), mas como é de fato essa relação com as plateias? Ainda existem tabus que precisam ser quebrados junto a elas? Ou o público está mais aberto?

O cinema de terror e/ou horror sempre terá vocação para ser marginal. Nestes filmes, se discute sobretudo a morte e/ou a possibilidade da morte – e a depender de como essa abordagem é feita dentro dos limites do(s) gênero(s), o resultado final pode ser um filme não exatamente agradável. Narciso acha feio o que não é espelho: é muito, muito difícil nos reconhecermos nas sombras de uma história própria. O público brasileiro ainda não se reconhece na mitologia do filme de horror/terror nacional porque, acho: (1) ela está em formação constante e sempre submissa à mitologia do horror/terror americana ou européia, e (2) nós não somos um povo que costuma revisar seus monstros e medos extremos (vide escravidão, vide Ditadura Militar – como sociedade, agimos como se esses momentos não tivessem existido). Os mitos são mais palatáveis e agradáveis do que os monstros, né?

O Animal Cordial tem um elenco fantástico, todos em uma entrega absoluta, mas como foi o processo de vender a ideia de um filme como esse para cada um deles? O elenco abraçou o projeto desde o início, destemidos e livres exatamente como os vemos na tela?

O elenco desse filme é um verdadeiro presente. Todos embarcaram no projeto desde a primeira conversa, com uma entrega rara de se ver. Foi um mês de ensaios, leituras, trocas de correspondências, laboratórios, conversas – cada personagem é um planeta neste filme, e eu agradeço a cada ator que me ajudou na construção de suas atmosferas (além de agradecer especialmente ao meu amigo e diretor René Guerra, por ter dividido a preparação comigo). Cito um exemplo de colaboração com Irandhir Santos. Ao ler o roteiro, Irandhir me presenteou com uma memória de infância poderosa. Em Limoeiro, cidade no interior de Pernambuco onde ele havia nascido, havia um cozinheiro de buffets de festa (casamento, 15 anos, etc.) que se chamava Djair. Djair era gay, discriminado na cidadezinha, mas dono de uma personalidade forte que fez dele um cozinheiro reconhecido “na capital”. Devolvi essa memória para Iran em forma de cenas. Criei a partir do chão dele. Não há nada mais bonito que isso.

Uma favorita minha no elenco é a Luciana Paes, que já trabalhou contigo anteriormente e que também estará no teu próximo longa. Além da questão do talento, o que faz da Luciana uma atriz que te motiva a repetir essa parceria?

Luciana é meu doppelganger na vida. Já estamos muito perto de nos comunicarmos por telepatia (risos). É tão especial que eu desisti de teorizar. Ela está na minha cabeça e eu na dela. Uma atriz que amo, que me inspira e que vai comigo até a beira do abismo, sempre.

Chegando às discussões do filme propriamente ditas, dois assuntos me parecem centrais: a falência da masculinidade como a sociedade conhece/perpetua e o perigo de se apaixonar. Como foi o processo de trabalho desses dois temas no roteiro? A ideia de fazer O Animal Cordial veio da vontade de falar sobre eles?

Processos criativos são muito difíceis de explicar porque muitas coisas acontecem simultaneamente, sem ordem lógica. A fagulha da história foi um evento real: um restaurante que frequentávamos eu e Luana Demange (co-autora do argumento) havia sido assaltado. Começamos a nos questionar sobre os espaços de segurança na sociedade brasileira. De repente, estávamos emboladas na vontade de amor de Sara, uma garçonete servil e totalmente inconsciente de seus verdadeiros desejos. Inácio surge, acho, do modelo masculino de sucesso que é vendido a muitos, muitos homens brasileiros – dono de seu próprio negócio, casado, branco, heterossexual. A partir daí, foi uma questão de puxar os fios que sustentavam esses desejos todos que nos mantêm ora unidos, ora em guerra, na vida.

O terror que embrulha o estômago no filme não é o das violências físicas propriamente ditas, mas sim as emocionais: o corte de cabelo do personagem de Irandhir Santos, a maneira esnobe e elitista com que a personagem da Camila Morgado trata a garçonete do restaurante… Podemos dizer que O Animal Cordial é um filme subversivo também nesse sentido: em transferir para outros planos a verdadeira agressão?

Os personagens estão sós. É uma frase que repito para mim mesma, sempre, ao escrever uma história. Eles estão sós – e o narrador da história não tem o direito de impor nenhuma verdade que não saia deles mesmos. A verdadeira violência não é a violência anunciada pelo filme, mas aquela enfrentada no embate entre os personagens.

Tratando-se da parte técnica, O Animal Cordial é um filme muito sensorial: a trilha do Rafael Cavalcanti, por exemplo, já é impactante desde os créditos de abertura. A fotografia da Barbara Alvarez cria uma unidade ao mesmo tempo que oscila conforme o ambiente, o universo próprio de cada personagem… E por aí vai. Vindo de uma fã dos filmes de terror, o quanto a parte técnica influencia o que cada espectador sente em obras dessa natureza? Como foi trabalhar a concepção visual com toda a equipe?

O visual e o sonoro são as brechas onde o narrador-de-cinema e seus colaboradores se escondem para fazer a mágica acontecer. Para mim, quão mais escondida essa mágica estiver, melhor ela funciona. A fotografia, a direção de arte, a música, o desenho sonoro: tudo está subordinado às questões dramáticas dos personagens. Na hierarquia das camadas de um filme de gênero, sobretudo, o racional deve vir por último. Meu trabalho com Rafael Cavalcanti vem desde o roteiro, que ele acompanha desde as primeiras versões (ajuda muito sermos casados). A pesquisa de sonoridades e músicas começa nesse estágio e envereda pela montagem, da qual ele participa ativamente. O desenho de som, feito pelo Daniel Turini, foi fundamental para trazer o filme à vida (ele constrói cada ambiente sonoro dramaturgicamente, seguindo as curvas dos personagens e ações; é um colaborador preciosíssimo). Com Bárbara Álvarez, o que funciona para nós é explorar ao máximo os significados secretos de cada cena – e ir traduzindo isso em imagens.

Para encerrar, quais são três filmes bacanas para quem gostou de O Animal Cordial? E por quê?

– “Singapore Sling”, do grego Niko Nikolaids (1990) – um ensaio poético noir pornográfico sobre a relação de duas mulheres e um homem, ambientado numa mansão neo-gótica. É um filme único na forma como aborda os gêneros narrativos, que se alternam alucinadamente – e nunca, nunca de forma previsível.

– “Der Fan” (1982), do alemão Eckhart Schmidt – um filme de horror feito na Berlim ocidental de 1982, que narra a obssessão de uma adolescente por seu ídolo pop. É um filme gore sem uma gota de sangue. É alucinante ver a transformação desse feminino devoto num monstro, quando ela descobre que seu ídolo não é o que ela imaginava.

– “Uma Mulher Diferente”, do americano Robert Altman (1969) – no IMDB, aparece como drama. Mas é um filme de terror. Uma mulher rica e solitária se torna obcecada por um homem que ela abriga em sua casa, num dia chuvoso e frio. A interpretação de Sandy Dennis é das coisas mais frágeis e ameaçadoras que eu já vi.


+ SOBRE GABRIELA AMARAL ALMEIDA
É mestre em literatura e cinema de horror pela UFBA (Brasil), com especialização em roteiro pela Escuela Internacional de Cine y TV (EICTV) de Cuba. Escreveu (e escreve) para outros diretores, como Walter Salles, Cao Hamburger e Sérgio Machado. Como diretora, realizou os curtas Náufragos (2010, co-dirigido com Matheus Rocha), Uma Primavera (2011), A Mão que Afaga (2012), Terno (2013, co-dirigido com Luana Demange) e Estátua (2014). O conjunto de seus curtas foi selecionado para mais de cem festivais nacionais e internacionais, tais como o Festival de Cinema de Brasília, o Festival Internacional de Cinema de Roterdã, o Festival de Curtas de Nova York, dentre outros. São destaque os prêmios recebidos por algumas destas obras, como os prêmios de melhor roteiro, melhor atriz (para Luciana Paes) e prêmio da crítica no 45º Festival de Cinema de Brasília para A Mão que Afaga, e os prêmios de melhor atriz (para Maeve Jinkings) e melhor roteiro para Estátua!, no mesmo festival, dois anos depois. Com o seu projeto de longa-metragem A Sombra do Pai, foi selecionada para os laboratórios de Roteiro, Direção e Música e Desenho de Som do Sundance Institute. O projeto contou com a assessoria de Quentin Tarantino (Pulp Fiction), Marjane Satrapi (Persépolis), Robert Redford (Butch Cassidy and the Sundance Kid), dentre outros. Atualmente, trabalha no desenvolvimento de seu próximo longa-metragem, uma fábula de exorcismo (ainda sem título), a ser produzida também pela RT Features. Nos Estados Unidos, é agenciada pela WME.

Três atores, três filmes… com Suzana Uchôa Itiberê

Editora-chefe da revista Preview, a Suzana Uchôa Itiberê, que eu conheci pessoalmente nesses encontros cinéfilos proporcionados pelos festivais de cinema, separou mais do que três atores para a nossa coluna. A lista que vocês conferem abaixo traz, na verdade, três ícones do cinema mundial, em desempenhos indiscutivelmente emblemáticos. Da inesquecível Audrey Hepburn em Charada, passando por Jack Nicholson em Melhor é Impossível, até chegar aos dias de hoje com o arraso que é Daniel Day-Lewis em Trama Fantasma, a Suzana recapitula essas performances ao mesmo tempo em que ilumina as razões e os detalhes que fazem delas paradas obrigatórias na lista de qualquer cinéfilo.

Audrey Hepburn (Charada)
Sou apegada a sutilezas. Costumo não me impressionar com interpretações marcadas por arroubos emocionais, gritarias, gente se descabelando (talvez por isso me irrite tanto com novelas). São as pequenas coisas que tornam certos personagens únicos. A icônica sequência em que a estrela canta “Moon River” na escada de incêndio em Bonequinha de Luxo é a essência da delicadeza e da solidão, mas uma das cenas mais saborosas e espontâneas que tenho guardada na memória acontece em Charada, que Stanley Donen dirigiu em 1963. Na trama, o marido da protagonista (Audrey) é assassinado e começa um jogo de gato e rato para descobrir onde foi parar o dinheiro que estava com ele. O personagem de Cary Grant oferece ajuda, mas seus motivos são suspeitos. No auge da ação, ela o pega de surpresa e pergunta: “Sabe o que você tem de errado?”. Ele, afobado e na defensiva, responde: “Não, o quê?”. E ela solta um sedutor e malandro: “Nada!”. O tom de voz perfeito e um rosto suave irresistível. Essa era Audrey Hepburn, simples, elegante e naturalmente sensual.

Daniel Day-Lewis (Trama Fantasma)
Em 2013, o astro inglês se tornou o primeiro a receber três Oscar de melhor ator. No discurso, citou o diretor de Lincoln, Steven Spielberg, claro, mas agradeceu especialmente à mulher, Rebecca Miller, por ter suportado viver com tantos homens diferentes e estranhos desde que se casaram, em 1996. Um parêntesis: Rebecca é filha do dramaturgo Arthur Miller e conheceu Day-Lewis nos bastidores da adaptação para o cinema da peça As Bruxas de Salem. Talvez ela não tenha convivido com o viúvo John Proctor, mas passou vários meses com o ex-militante do IRA Danny Flynn, de O Lutador, o gângster William Cutting (Bill Açougueiro) de Gangues de Nova York, o cineasta italiano Guido Contini de Nine, e ninguém menos que o 16º presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln. Day-Lewis não interpreta, ele se torna, e ver esse mergulho profundo é inebriante. Todos esses personagens me arrancaram arrepios, mas nenhum me pegou pelo estômago como o Reynolds Woodcock de Trama Fantasma, nova parceria com Paul Thomas Anderson (de Sangue Negro). Na Londres dos anos 1950, Woodcock é um estilista confiante e focado que comanda a Maison ao lado da irmã, Cyrill (Lesley Manville). Solteiro convicto, ele encontra inspiração nas mulheres que entram e saem da sua vida. Até o dia em que conhece Alma (Vicky Krieps), a garçonete de modos desajeitados e personalidade forte que se torna a nova musa e abala as rígidas estruturas do mago da moda. Essa breve sinopse pode dar a ideia de um romance enfadonho, mas há algo macabro nessa relação. Nada é aleatório no idiossincrático Reynolds. A maneira de segurar uma xícara, a altura do olhar, o posicionar de pernas, o tom da voz e um impagável bufar impaciente. Fiquei hipnotizada pela meticulosidade na construção desse personagem. No final, ele manda um beijinho para Alma que diz mais que mil palavras. É coisa de mestre, obra-prima da atuação. O próprio ator admite que é um enorme sofrimento largar seus personagens, uma das explicações para ter anunciado a aposentadoria depois desse trabalho sem igual. Para mim, resta a esperança de que mude de ideia.

Jack Nicholson (Melhor é Impossível)
Há uma cena de bastidores de O Iluminado (disponível no YouTube) em que Jack Nicholson se movimenta freneticamente para entrar no clima do personagem, antes de rodar a antológica sequência da machadada. É um instinto animal que ele faz brotar ali e acredito que seu canal criativo venha do âmago – enquanto o de Daniel Day-Lewis, por exemplo, pareça ser fruto de meticulosidade. O que nos leva ao excêntrico escritor Melvin Udall de Melhor é Impossível, dirigido por James L. Brooks, e que em 1998 rendeu ao ator seu segundo Oscar na categoria principal. Em tempos de #TimesUp, o personagem de Nicholson ganha atualidade como um amálgama de tudo o que é considerado execrável em um ser humano: misógino, preconceituoso, xenófobo, cruel com animais, machista, grosseiro e por aí vai… Pois o popular romancista ainda sofre de transtorno obsessivo compulsivo (TOC), e almoçar todos os dias no restaurante onde Carol (Helent Hunt) é garçonete também é uma mania. Então como é possível um sujeito tão odioso ser ao mesmo tempo tão cativante? Simples. Porque Nicholson explora cada uma de suas camadas (e são muitas) com uma mescla única de humor e melancolia. É uma atuação instintiva e cheia de charme, que faz as qualidades de Melvin surgirem das formas mais inesperadas. “Você me faz ser um homem melhor”, ele responde à Carol quando ela lhe pede um elogio. E então arqueia as sobrancelhas. Melhor, impossível…

“Hannah”: com desempenho monumental, Charlotte Rampling empodera espécie de reality show sobre ausência e solidão

Direção: Andrea Pallaoro

Roteiro: Andrea Pallaoro e Orlando Tirado

Elenco:  Charlotte Rampling, André Wilms, Stéphanie Van Vyve, Simon Bisschop, Jessica Fanhan, Fatou Traoré,  Jean-Michel Balthazar, Gaspard Savini, Julien Vargas, Luca Avallone,  Miriam Fauci, Ambra Mattioli, Mathilde Rault

Itália/França/Bélgica, 2017, Drama, 95 minutos

Sinopse: Hannah (Charlotte Rampling) é uma mulher de terceira idade que divide-se entre as aulas de teatro, a natação e o trabalho como empregada doméstica. Quando o marido vai preso, ela não tem alternativa a não ser a solidão e tenta refazer laços perdidos com descendentes, mas há um segredo na família que dificulta seu relacionamento com terceiros. (Adoro Cinema)

Hannah é um filme que exige imensa preparação por parte do espectador. E isso é o que reconhece o próprio diretor Andrea Pallaoro, que, quando exibiu o longa pela primeira vez no Festival de Veneza deste ano, não escondeu seu nervosismo quanto à recepção do público. Pallaoro sabia que havia realizado um projeto difícil e desafiadora em muitos aspectos, mas que contava com um elemento decisivo na relação da obra com a plateia: o desempenho de Charlotte Rampling, para quem o cineasta italiano escreveu especialmente o papel principal. Nas tantas entrevistas que deu sobre Hannah, ele diz que Rampling é um fator crucial no processo de preencher as várias lacunas propositais deixada pelo roteiro e que, sem ela o filme talvez nem tivesse saído do papel. E, de fato, é nessa relação indissociável com a atriz que a trama se engrandece e se empodera, ainda que o desempenho da atriz contribua para que Hannah se consolide como uma experiência pesada e exaustiva.

O cerne dessa imensa densidade é de fácil diagnóstico: quase um reality show sobre ausência e solidão, Hannah apenas observa os dias de uma mulher que, após a prisão do marido, precisa readaptar toda sua vida, agora aos pedaços e sem a presença da família, que, por alguma razão, também a condena pelo desconhecido ato que levou o marido à prisão. Não há conflitos na forma clássica que o público costuma exigir: praticamente sem diálogos, o filme acompanha a personagem em afazeres banais, seja nas aulas de teatro e natação ou no simples preparo de um bolo. Também não há respostas para qualquer pergunta: desconhecemos o crime que o marido teria cometido (e é possível deduzir que o filho do casal parece ter algum tipo de culpa nessa situação), tampouco entendemos por completo a real dinâmica estabelecida pela protagonista com outros personagens coadjuvantes, como as crianças do andar de cima que causam uma infiltração no seu apartamento ou a rica patroa para quem Hannah (Rampling) presta serviços domésticos. Do início ao fim, o longa joga perguntas, mas não sente necessidade de respondê-las, como se construísse um thriller existencial, termo muito associado ao resultado final desde as primeiras exibições em festivais mundiais.

A dimensão, na realidade, está na perspectiva: à margem, Hannah (Rampling) é sufocada por uma existência que, para ela, está decididamente morta. Sua inadequação social no grupo de teatro é uma clara prova disso, pois, nas aulas, ela finalmente fala, pula, caminha, conversa, mas incorpora tudo aquilo como uma terapia interna, e não necessariamente como uma ferramenta de socialização. A maneira com que o diretor mostra Hannah observando, com extrema distância, o pulo de um grupo de crianças na piscina ou a discussão de um casal no metrô também reforça a posição isolada que tomou conta do seu emocional e do seu comportamento. Fora isso, só o fato de Hannah ser uma mulher na terceira idade, carregando a amargura trazida pela ausência da família, especialmente a do neto de quem sente tanta falta, e as expressões de alguém que passou por muita coisa na vida já conferem ao longa uma melancolia traduzida ainda na falta de cores de uma fotografia pensada para ser tão morta quanto a personagem principal.

Tais leituras são impulsionadas pelo desempenho monumental de Charlotte Rampling, que chegou a ser premiado em Veneza — e vejam que raridade: com essa honraria, Rampling fica a um passo de conquistar a tríplice coroa dos principais festivais de cinema do mundo (ganhou Berlim por 45 Anos e agora resta “apenas” Cannes para ela chegar lá), um cenário no mínimo sem precedentes para uma atriz acima dos 70 anos. A veterana britânica normalmente já exala mistério com sua forte persona, mas aqui ela é fundamental, pois vem de seu trabalho uma gigantesca parte do que interpretamos em Hannah. Afinal, uma vez quase sem texto e sem conflitos factuais, cabe ao olhar sempre marcante de Rampling a missão de capturar a profundidade emocional de uma mulher que sente não pertencer mais a lugar algum. Nem imagino o desgaste de tamanha entrega a esse exercício de cinema lento, observador e repleto de lacunas. Como espectador, a recompensa é poderosa tanto pelo desempenho da atriz quanto por ela nos ajudar a atravessar uma obra de digestão complicada, desgastante e que, sem dúvida, perderá espectadores pelo caminho. 

Os indicados ao Emmy 2018

Ainda que Game of Thrones lidere mais uma vez a lista de indicados ao Emmy, The Handmaid’s Tale chega ao prêmio confirmando todo o prestígio conquistado após a celebração da primeira temporada.

Tenho incontáveis séries, minisséries e telefilmes acumulados para assistir antes de poder falar sobre o Emmy com mais propriedade (é simplesmente impossível dar conta de tudo hoje em dia!), mas, como já é tradição aqui no blog, faço questão de alguns pitacos sobre a lista de indicados deste ano. Vamos a eles:

Game of Thrones mais uma vez lidera a lista de indicações, assim como Westworld mantém toda a badalação conquistada entre os votantes com a primeira temporada, mas é The Handmaid’s Tale, a grande vencedora do ano passado, que chega com tudo: desta vez, praticamente o elenco inteiro concorre com indicações individuais, onde destaco a merecida lembrança de Yvonne Strahovski como coadjuvante, dona de um dos arcos dramáticos mais interessantes da segunda temporada.

– Por falta de opção, o Emmy não escapou de celebrar The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story mesmo quando o programa não merecia: são injustificadas, por exemplo, as inclusões de Edgar Ramírez e Ricky Martin entre os coadjuvantes. Por outro lado, Darren Criss, que é um espetáculo na série, garantiu sua merecida indicação de protagonista, assim como Judith Light, maravilhosa em apenas dois episódios, ficou entre as finalistas de atriz coadjuvante.

– Uma das séries mais subestimadas da Netflix, Ozark recebeu uma esperada (e merecida) indicação de melhor para Jason Bateman, mas faltou Laura Linney também representando o seriado como melhor atriz. De qualquer forma, a surpresa de ver dois episódios selecionados para a categoria de melhor direção de certa forma compensa a ausência.

– Depois de perder todos os principais prêmios de cinema para Allison Janney (Eu, Tonya), Laurie Metcalf volta a ser indicada pelo revival já cancelado de Roseanne, série que lhe rendeu três estatuetas nos anos 1990. Metcalf já recebeu outras oito indicações sem vitória desde então, todas por diferentes seriados, incluindo uma indicação tripla em 2016 por drama e comédia. Este ano, também faturou seu segundo Tony consecutivo no teatro. Chegou a hora de um novo Emmy?

– No geral, foram poucas as surpresas para um ano sem VeepBig Little LiesHouse of Cards e a aguardada Sharp Objects, que só é elegível para o ano que vem. Especialmente nos dramas, as listas parecem as mesmas de sempre, com variações já esperadas e um tanto óbvias. Em termos de garimpar estreias, há de se reconhecer que, mesmo inconstante e aos trancos e barrancos, o Globo de Ouro é muito mais instigante.

Os vencedores do Emmy 2018 serão conhecidos no dia 17 de setembro. Até lá, prometo compartilhar com vocês tudo o que eu tirar dessa longa lista de atraso. Confiram abaixo a lista dos selecionados para melhor série e para interpretações protagonistas e coadjuvantes. Todas as outras categorias (são mais de 100!) podem ser encontradas no site do Emmy.

MELHOR SÉRIE DRAMA
The Handmaid’s Tale
Game of Thrones
This Is Us
The Crown
The Americans
Stranger Things
Westworld

MELHOR ATRIZ – SÉRIE DRAMA
Claire Foy (The Crown)
Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale
Evan Rachel Wood (Westworld)
Keri Russell (The Americans
Sandra Oh (Killing Eve
Tatiana Maslany (Orphan Black

MELHOR ATOR – SÉRIE DRAMA
Ed Harris (Westworld)
Jason Bateman (Ozark
Jeffrey Wright (Westworld)
Matthew Rhys (The Americans
Milo Ventimiglia (This Is Us)
Sterling K. Brown (This Is Us)  

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE – SÉRIE DRAMA
Alexis Bledel (The Handmaid’s Tale
Ann Dowd (The Handmaid’s Tale
Lena Headey (Game of Thrones
Millie Bobby Brown (Stranger Things
Thandie Newton (Westworld
Yvonne Strahovski (The Handmaid’s Tale)

MELHOR ATOR COADJUVANTE – SÉRIE DRAMA
David Harbour (Stranger Things
Joseph Fiennes (The Handmaid’s Tale
Mandy Patinkin (Homeland
Matt Smith (The Crown)
Nikolaj Coster-Waldau (Game of Thrones)
Peter Dinklage (Game of Thrones

MELHOR SÉRIE COMÉDIA
Atlanta
Barry
Black-ish
Curb Your Enthusiasm
GLOW
The Marvelous Mrs. Maisel
Silicon Valley
The Unbreakable Kimmy Schmidt

MELHOR ATRIZ – SÉRIE COMÉDIA
Allison Janney (Mom
Issa Rae (Insecure)
Lily Tomlin (Grace and Frankie
Pamela Adlon (Better Things)
Rachel Brosnahan (The Marvelous Mrs. Maisel
Tracee Ellis Ross (Black-ish

MELHOR ATOR – SÉRIE COMÉDIA
Anthony Anderson (Black-ish
Bill Hader (Barry
Donald Glover (Atlanta
Larry David (Curb Your Enthusiasm
Ted Danson (The Good Place)
William H. Macy (Shameless)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE – SÉRIE COMÉDIA 
Aidy Bryant (Saturday Night Live
Alex Borstein (The Marvelous Mrs. Maisel)
Betty Gilpin (GLOW)
Kate McKinnon (Saturday Night Live
Laurie Metcalf (Roseanne
Leslie Jones (Saturday Night Live
Megan Mullally (Will & Grace)
Zazie Beetz (Atlanta

MELHOR ATOR COADJUVANTE – SÉRIE COMÉDIA
Alec Baldwin (Saturday Night Live
Henry Winkler (Barry)
Kenan Thompson (Saturday Night Live)
Louie Anderson (Baskets
Tituss Burgess (Unbreakable Kimmy Schmidt
Tony Shalhoub (The Marvelous Mrs. Maisel)

MELHOR MINISSÉRIE
The Alienist
The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story
Genius: Picasso
Godless
Patrick Melrose

MELHOR ATOR – MINISSÉRIE/TELEFILME
Antonio Banderas (Genius: Picasso)
Darren Criss (The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story)
Benedict Cumberbatch (Patrick Melrose)
Jeff Daniels (Godless)
John Legend (Jesus Christ Superstar Live in Concert)
Jesse Plemons (Black Mirror: USS Callister)

MELHOR ATRIZ – MINISSÉRIE/TELEFILME
Edie Falco (Law & Order: True Crime)
Jessica Biel (The Sinner)
Laura Dern (The Tale)
Michelle Dockery (Godless)
Regina King (Seven Seconds)
Sarah Paulson (American Horror Story: Cult)

MELHOR ATOR COADJUVANTE – MINISSÉRIE/TELEFILME
Brandon Victor Dixon (Jesus Christ Superstar Live in Concert)
Edgar Ramirez (The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story)
Finn Wittrock (The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story)
Jeff Daniels (Godless)
John Leguizamo (Waco)
Michael Stuhlbarg (The Looming Tower)
Ricky Martin (The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE – MINISSÉRIE/TELEFILME
Adina Porter (American Horror Story: Cult)
Judith Light (The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story)
Letitia Wright (Black Mirror: Black Museum)
Merritt Wever (Godless)
Penélope Cruz (The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story)
Sara Bareilles  (Jesus Christ Superstar Live In Concert)