Cinema e Argumento

Os bons tempos do Globo de Ouro?

Durante um bom tempo o Globo de Ouro foi um preciso termômetro para o Oscar. Contudo, nos últimos anos, não foi. A premiação sempre cria boas especulações para o prêmio da Academia com os seus indicados, mas deixa muito a desejar com suas vitórias. Caso de Dreamgirls e Sweeney Todd como melhores musicais nos últimos anos, por exemplo. Portanto, o Globo de Ouro é muito aproveitável na hora de seus indicados, que refletem muito bem a tendência para a festa do Kodak Theater a ser realizada em fevereiro.

Milk, de Gus Van Sant, pode ser considerado o mais esnobado entre os filmes que  mais prometiam indicações. Mas nada supera o total esquecimento de Australia (que deve repetir esse resultado nas próximas premiações) e o surpreendente esquecimento de Batman – O Cavaleiro das Trevas (que só foi lembrado pelo desempenho de Heath Ledger, provável vencedor em sua categoria). Na categoria de TV a surpresa ficou com Bernard & Doris, telefilme nada mais que regular, que conseguiu indicação até na categoria principal.

Revolutionary Road e The Curious Case Of Benjamim Button já podem caminhar tranquilos pela temporada de premiações, assim como a animação WALL-E. Pequenas surpresas surgiram, como Vicky Cristina Barcelona surgindo com grande força – mesmo que isso não diga nada, já que Match Point mal foi lembrado no Oscar – e The Reader adquirindo grande potência ao disputar várias categorias importantes.

Mesmo que as categorias principais sejam bastante interessantes, nada supera a extrema imprevisibilidade nos setores de atuação. A única certeza é Heath Ledger, enquanto outras categorias apresentam grande variedade de desempenhos. Meryl Streep e Kate Winslet confirmaram seus favoritismos, com ambas recebendo duas indicações cada. No setor dramático de interpretações, quem domina é Doubt (nada menos que quatro atores do filme disputam a premiação e o filme ainda disputa roteiro) enquanto na comédia é Vicky Cristina Barcelona quem comanda.

Faz bastante tempo que o Globo de Ouro não apresentava uma lista tão imprevisível e satisfatória. Resta saber se vai manter a qualidade em seus vencedores. Estariam de volta os bons tempos do Globo de Ouro?

Melhores de 2008 – Fotografia

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Fazia bastante tempo que uma fotografia não apresentava um caráter tão  complexo e de difícil aceitação como esse. É exatamente por ser tão diferente que a fotografia de César Charleone acaba encantando tanto. Muita gente vai reclamar que, em diversos momentos, quase não se enxerga nada na tela. Missão cumprida, essa era a intenção da fotografia – passar para o espectador como é a cegueira branca que atinge os personagens do filme de Meirelles. Não posso negar que demorei a me acostumar com o trabalho e que em diversos momentos não o tolerei muito, mas tudo é tão cuidadoso, minuciosamente controlado, que fica difícil resistir a um visual tão inovador como esse. Vencedor do ano passado: O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford.

O Escafandro e a Borboleta / A função da fotografia de O Escafandro e a Borboleta é parecida com a de Ensaio Sobre a Cegueira – mostrar para o espectador como o personagem está enxergando. Mas não é só isso que faz com que o filme de Julian Schnabel seja tão espetacular nesse aspecto. Cada paisagem é capturada da maneira correta, cada momento tem cores únicas e nada fica inapropriado diante de tanta beleza.

cinemaatoneDesejo e Reparação / Em certos momentos, Desejo e Reparação parece uma obra de arte – no plano seqüência de Dunkerke, no desfecho dos personagens narrados por Vanessa Redgrave, nas belas paisagens do primeiro ato. A fotografia confere um tom muito respeitoso ao longa e ela é um dos fatores que faz com que tudo nos remetae aos antigos e clássicos romances que tanto fizeram sucesso no cinema.

Sangue Negro / Não entendi muito bem o Oscar de fotografia para Sangue Negro. Não é que seja ruim (muito pelo contrário!), mas não é tão espetacular assim. Realiza um caminho correto e apropriado, mas sem grande presença. Ainda assim tem alguns momentos mais notáveis, principalmente na cena em que um acidente causa a surdez do filho do protagonista. O resto é bem equilibrado e coerente com o clima do filme.

cinemacountry1Onde Os Fracos Não Têm Vez / Ano passado Roger Deakins realizou a esplêndida fotografia de O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford e em Onde Os Fracos Não Têm Vez ele realiza mais um excelente trabalho. O clima sombrio que envolve a ação do filme é fundamental para que os irmãos Coen criem a grande tensão existente em cada cena. Um trabalho menor, mas igualmente satisfatório.

Os visitantes concordaram com a escolha do Cinema e Argumento e também elegeram Ensaio Sobre a Cegueira como o melhor da categoria. Abaixo, a preferência dos visitantes na pesquisa realizada:

1. Ensaio Sobre a Cegueira (42%, 13 votos)

2. O Escafandro e a Borboleta (26%, 8 votos)

3. Desejo e Reparação (13%, 4 votos)

4. Sangue Negro (13%, 4 votos)

5. Onde Os Fracos Não Têm Vez (6%, 2 votos)

O Segredo de Berlim

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O Segredo de Berlim, de Steven Soderbergh

Com George Clooney, Cate Blanchett e Tobey Maguire

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Alguns anos atrás os irmãos Coen resgataram o espírito noir em uma maravilhosa produção chamada O Homem Que Não Estava Lá. Steven Soderbergh tentou fazer algo desse tipo em O Segredo de Berlim, mas o resultado não foi tão produtivo. O que é estranho, pois o filme tem tudo pra dar certo. O visual preto e branco e a reconstituição de época já começam sendo o grande atrativo para os cinéfilos que apreciam filmes assim. Realmente, a fotografia é belíssima (e até merecia uma menção no Oscar) assim como os figurinos. O único aspecto técnico que desaponta é a trilha sonora do Thomas Newman. Ele, que é um excepcional compositor, não acertou o tom no seu trabalho. Mesmo que a parte musical esteja condizente com o filme, soou banal demais. O elenco não é lá grande coisa, mas ao menos realizam trabalhos adequados. George Clooney, que eu não acho que ser uma estrela mais notável, não conseguiria sustentar o filme sozinho – afinal, ele tem sempre a mesma cara. É por isso que Cate Blanchett tem um papel fundamental na história. Beleza e talento é algo que sempre combina com ela. E aqui não é diferente.

O que faz com que O Segredo de Berlim seja um filme esquecível e sem marcas é a insistência do diretor Soderbergh em querer imprimir no longa uma identidade cult. Identidade essa que apareceu naturalmente no já citado filme dos irmãos Coen. A reconstituição criada por O Segredo de Berlim é comum, assim como o roteiro que não tem maiores reviravoltas interessantes. Mas se ele não consegue ser original, tem a felicidade de não ser complicado; é claro e direto, sem discursos complexos ou tramas difíceis de serem acompanhadas. A boa notícia é que o filme funciona, mesmo com esses probleminhas que tanto dificultam a aceitação do longa no sentido de ele ser uma viagem um pouco mal sucedida no tempo. Tendo em vista que o longa poderia ser muito mais do que realmente é – especialmente por causa dos nomes envolvidos nos projetos – cabe ao espectador, então, não ser muito crítico com O Segredo de Berlim. Com isso, ele será uma boa diversão sofisticada.

FILME: 7.0

Melhores de 2008 – Edição/Mixagem de Som

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A Pixar já virou a líder absoluta quando o assunto é animação. Se não bastasse os roteiros primorosos, a produtora se supera a cada ano no setor técnico. Ano passado, Ratatouille era um exemplo em sua parte sonora. WALL-E superou o filme de Brad Bird nesse aspecto em todos os sentidos. Cada detalhe auditivo do último filme da Pixar é uma obra perfeita, como nunca o mundo das animações tinha presenciado antes. Tanto a edição quanto a mixagem de som surpreendem a cada minuto, em um trabalho inesquecível. Provavelmente é um dos setores que vai ser consagrada com o Oscar na próxima premiação. Nada mais merecido para uma animação impecável tecnicamente. Vencedor do ano passado: O Ultimato Bourne.

sombat1Batman – O Cavaleiro das Trevas / Esse talvez seja um dos maiores destaques da parte técnica do filme de Christopher Nolan. A continuação de Batman Begins superou seu antecessor no poder sonoro e mostrou que um filme de ação pode ter sim maior impacto quando a sonoridade é magistral. Quem não viu no cinema, perdeu a chance de ouvir um literal espetáculo auditivo como há muito não se via no gênero.

mixquan007 – Quantum Of Solace / A continuação de Cassino Royale pode desapontar em diversos aspectos quando comparada com o volume anterior. Não é o caso da edição e da mixagem de som de Quantum Of Solace. Na medida em que a série manteve a boa ação – com cenas muito bem filmadas – o conjunto auditivo permaneceu igualmente satisfatório. Só seria melhor se o filme não tivesse sido tão superficial e passageiro.

mixspeedSpeed Racer / O filme dos irmãos Wachowski não é filme, é videogame. Por causa disso, o filme é cheio de cenas computadorizadas e com um lado técnico muito peculiar. E disso não podemos reclamar, em especial o som que é trabalhado. É ele que confere diversão para as cenas de corridas (que são absurdas demais para o meu gosto), tornando-se um aspecto muito positivo de Speed Racer. Pena que o resto do longa não é assim.

mixcountryOnde Os Fracos Não Têm Vez / O indicado que é um estranho no ninho nessa lista de indicados, no meio de filmes mais técnicos do que ele. Mas Onde Os Fracos Não Têm Vez não poderia ficar ausente nessa categoria. O jogo de gato e rato entre Llewelyn (Josh Brolin) e Anton Chigurh (Javier Bardem) não seria o mesmo se as cenas de ação não fossem tão verdadeiras e angustiantes por causa da parte sonora do filme.

Os visitantes concordaram com a escolha do Cinema e Argumento e também elegeram WALL-E como o melhor da categoria. Abaixo, a preferência dos visitantes na pesquisa realizada:

1. WALL-E (48%, 10 votos)

2. Onde Os Fracos Não Têm Vez (33%, 7 votos)

3. Batman  – O Cavaleiro das Trevas (14%, 3 votos)

4. 007 – Quantum Of Solace (5%, 1 voto)

5. Speed Racer (0%, 0 votos)

I just wanna celebrate.

Já faz dois anos que eu me fixei aqui no WordPress (antes eu tinha vagado durante anos em outros provedores), mas somente esse mês se completa um ano desde a fundação do Cinema e Argumento, o meu endereço definitivo. Tal aniversário não poderia ser comemorado sem algumas pessoas que são simplesmente indispensáveis para que a minha paixão pelo cinema continue fluindo. Nesse grupo que gostaria de agradecer estão incluídos os meus colegas blogueiros que fazem parte dessa maravilhosa rede que formamos, os meus amigos cinéfilos e os membros da minha família que tanto me incentivam.

Infelizmente eu não vou mais ao cinema esse ano. Isso se deve ao fato dos vestibulares que vou prestar nas próximas semanas e que vão até o mês de janeiro. Portanto, o meu ano cinematográfico já se encerrou com Queime Depois de Ler. Então, a partir do próximo post, já começarei a divulgar os meus melhores do ano categoria por categoria, exatamente como fiz ano passado. Os filmes “indicáveis” seguem abaixo:

OO7 – Quantum Of Solace, Antes de Partir, Apenas Uma Vez, Batman – O Cavaleiro das Trevas, Um Beijo Roubado, O Caçador de Pipas, Chega de Saudade, Coisas Que Perdemos Pelo Caminho, Desejo e Reparação, Elizabeth – A Era de Ouro, Em Paris, Ensaio Sobre a Cegueira, O Escafandro e a Borboleta, A Família Savage, Fim dos Tempos, A Força da Amizade, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, Jogos do Poder, Juno, A Lenda do Tesouro Perdido 2 – Livro dos Segredos, Longe Dela, Mamma Mia!, Margot e o Casamento, Medo da Verdade, Meu Nome Não é Johnny, Na Natureza Selvagem, Não Estou Lá, O Nevoeiro, Onde Os Fracos Não Têm Vez, Pecados Inocentes, P.S. Eu Te Amo, Queime Depois de Ler, Sangue Negro, Senhores do Crime, Sex And The City, O Som do Coração, O Sonho de Cassandra, Speed Racer, Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, Traídos Pelo Destino, Três Vezes Amor, Valente, Vicky Cristina Barcelona e WALL-E.