Os bons tempos do Globo de Ouro?
Durante um bom tempo o Globo de Ouro foi um preciso termômetro para o Oscar. Contudo, nos últimos anos, não foi. A premiação sempre cria boas especulações para o prêmio da Academia com os seus indicados, mas deixa muito a desejar com suas vitórias. Caso de Dreamgirls e Sweeney Todd como melhores musicais nos últimos anos, por exemplo. Portanto, o Globo de Ouro é muito aproveitável na hora de seus indicados, que refletem muito bem a tendência para a festa do Kodak Theater a ser realizada em fevereiro.
Milk, de Gus Van Sant, pode ser considerado o mais esnobado entre os filmes que mais prometiam indicações. Mas nada supera o total esquecimento de Australia (que deve repetir esse resultado nas próximas premiações) e o surpreendente esquecimento de Batman – O Cavaleiro das Trevas (que só foi lembrado pelo desempenho de Heath Ledger, provável vencedor em sua categoria). Na categoria de TV a surpresa ficou com Bernard & Doris, telefilme nada mais que regular, que conseguiu indicação até na categoria principal.
Revolutionary Road e The Curious Case Of Benjamim Button já podem caminhar tranquilos pela temporada de premiações, assim como a animação WALL-E. Pequenas surpresas surgiram, como Vicky Cristina Barcelona surgindo com grande força – mesmo que isso não diga nada, já que Match Point mal foi lembrado no Oscar – e The Reader adquirindo grande potência ao disputar várias categorias importantes.
Mesmo que as categorias principais sejam bastante interessantes, nada supera a extrema imprevisibilidade nos setores de atuação. A única certeza é Heath Ledger, enquanto outras categorias apresentam grande variedade de desempenhos. Meryl Streep e Kate Winslet confirmaram seus favoritismos, com ambas recebendo duas indicações cada. No setor dramático de interpretações, quem domina é Doubt (nada menos que quatro atores do filme disputam a premiação e o filme ainda disputa roteiro) enquanto na comédia é Vicky Cristina Barcelona quem comanda.
Faz bastante tempo que o Globo de Ouro não apresentava uma lista tão imprevisível e satisfatória. Resta saber se vai manter a qualidade em seus vencedores. Estariam de volta os bons tempos do Globo de Ouro?











