
Meryl Streep já podia muito bem estar aposentada. Sério, a mulher tem uma carreira impecável, milhões de prêmios, é uma unânimidade e já fez tudo que é tipo de filme. Se não bastasse um grande sucesso chamado O Diabo Veste Prada (que, convenhamos, tem quase todo seu encanto na figura da atriz) que lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar, ela inventou de soltar a voz em um musical. Em Mamma Mia! surpreendeu mais uma vez – parece ter ficado dez anos mais jovem, canta de forma exemplar e sabe os tons certos de sua atuação. Presente maravilhoso dessa grande atriz. Normalmente não costumo dar muito destaque para interpretações comédia/musical, mas fui completamente conquistado por essa sua aparição, onde novamente conseguiu ser a grande estrela de um filme totalmente simples e descontraído. É por momentos como em que canta The Winner Takes It All, que a escolho como a melhor atriz de 2008. E, sim, podem criticar a minha escolha! Hahaha. VITÓRIAS ANTERIORES: Melhor Atriz Coadjuvante em 2006 por O Diabo Veste Prada. INDICAÇÕES ANTERIORES: Melhor Atriz Coadjuvante em 2006 por A Última Noite e Melhor Atriz Coadjuvante em 2007 por Leões e Cordeiros.
•
Julianne Moore, como a “Mulher do Médico”, em Ensaio Sobre a Cegueira
A bela Julianne Moore teve um grande retorno com Ensaio Sobre a Cegueira. O que justamente me conquistou em seu trabalho foi que a abordagem que atriz deu ao papel foi totalmente diferente da que eu imaginava. Ela não se aproveita de cenas mais intensas para demonstrar seu talento (e poderia muito bem fazer isso), conquista com baixos tons de voz e olhares significativos. Como a única pessoa que enxerga no meio de um manicômio cheio de cegos, Julianne conseguiu segurar o filme durante o tempo inteiro. Considero sua atuação até um pouco subestimada, já que outros aspectos do longa foram mais destacados e pouco se falou dela. Ela pode até não ter uma carreira exemplar nos últimos tempos, mas sabe acertar muito bem quando quer. O seu trabalho aqui é um exemplo disso.
Laura Linney, como Wendy Savage, em A Família Savage
Laura Linney faz parte daquele grupo de atores que “um dia vai ganhar Oscar”, composto também por Kate Winslet e Johnny Depp. Extremamente versátil, Linney achou em A Família Savage o melhor desempenho de sua carreira. Certamente é o papel mais complexo que ela já enfrentou, e também o mais dramático. Por mais que ela atue ao lado de outro grande ator do mesmo calibre que ela (Philip Seymour Hoffman, de Capote), não se intimidou, e até levou Hoffman para o escanteio. Pena que o filme não teve a repercussão que merecia e que muita gente enxergue o trabalho de Linney nesse filme como “convencional”. O papel não tem nada de muito “difícil” se comparada aos outros desempenhos desse ano, mas é por fazer muito com pouco que Linney teve marcante atuação.
Julie Christie, como Fiona Anderson, em Longe Dela
É certo que Longe Dela é um dos melhores filmes já feitos sobre o mal de Alzheimer, mas Christie fica um pouco aquém das concorrentes da lista justamente por não possuir a “emoção” da trama – que está concentrada na real figura protagonista do longa, o marido Grant, interpretado por Gordon Pinsent. Contudo, é praticamente impossível resistir ao charme da atriz. Envelheceu lindamente, mantendo grande elegância. Na realidade ela não consegue maiores momentos no filme e molda sua personagem de forma muito singela, mas por isso mesmo sincera. Sua interpretação é cheia de méritos sim, especialmente por causa da presença de Christie, que hipnotiza com sua naturalidade ao proferir palavras e encanta com suas expressões de uma grande veterana.
Cate Blanchett, como rainha Elizabeth I, em Elizabeth – A Era de Ouro
Muita gente vai me apedrejar por acrescentar a Cate Blanchett nessa lista, especialmente porque quase ninguém gostou de A Era de Ouro. Mas como bem a minha crítica disse, sou um defensor do filme e especialmente de Blanchett. Óbvio que não posso negar que a rainha Elizabeth dela é calcada em imitações visíveis e até em alguns exageros; porém, por alguma razão misteriosa, Blanchett encanta toda vez que entra em cena e cada minuto dela é um sopro de frescor a um longa um pouco sem vida. O que também vale ressaltar é que Blanchett se beneficiou bastante por causa do roteiro, que dessa vez preferiu dar um tom mais humano para a personagem. INDICAÇÕES ANTERIORES: Melhor Atriz Coadjuvante em 2007 por Notas Sobre Um Escândalo.
Os visitantes concordaram com a escolha do Cinema e Argumento e também elegeram Mamma Mia! como o melhor na categoria. Abaixo, a opinião dos votantes na pesquisa realizada.
1. Meryl Streep – Mamma Mia! (8 votos, 32%)
2. Julianne Moore – Ensaio Sobre a Cegueira (6 votos, 24%)
3. Laura Linney – A Família Savage (6 votos, 24%)
4. Julie Christie – Longe Dela (5 votos, 20%)
5. Cate Blanchett – Elizabeth: A Era de Ouro (0 votos, 0%)