O Lutador

Direção: Darren Aronofsky

Elenco: Mickey Rourke, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood, Mark Margolis, Todd Barry, Wass Stevens, Judah Friedlander

The Wrestler, EUA, 2008, Drama, 109 minutos, 16 anos.

Sinopse: Randy “The Ram” Robinson (Mickey Rourke) é um bem-sucedido lutador nos anos 80 que é impedido de lutar depois de sofrer um ataque cardíaco. Assim, ele consegue um emprego, tenta se tornar amigo de sua filha (Evan Rachel Wood) e tem um relacionamento com uma stripper (Marisa Tomei), mas não consegue resistir a vontade de retornar à antiga carreira, mesmo sabendo que isso oferece riscos a sua saúde.

O Lutador é uma boa história sobre como os principais machucados podem ser aqueles que nos afetam por dentro. Dramático em sua essência, o filme não chega a ser muito emocional, mas é realizado com competência.”

Randy (Mickey Rourke) está prestes a entrar no ringue novamente, mesmo que o seu médico tenha dito que isso pode lhe trazer sérios problemas de saúde. Ao constatar a decisão do amigo, Cassidy (Marisa Tomei) pergunta o porquê de ele estar se arriscando assim. “Aqui dentro todos me amam, é lá fora que eu me machuco”. Essa passagem resume muito bem O Lutador, que não é um longa sobre lutas insanas ou sobre violência; estamos diante de um trabalho que nos ensina que a maior das dores é aquela que afeta nossos corações.

Vendido de forma um pouco errada,  O Lutador pode afastar aqueles que esperam ver um produto com um forte tom masculino. Darren Aronofsky não se importou muito em mostrar as minúcias da luta livre, deixando-a apenas como pano de fundo para uma boa história dramática. É certo que o longa começa bem focalizado nesse tema, mas pouco a pouco o protagonista fica cada vez mais humanizado, assim como sua jornada interior. Tudo contido, regulado e aplicado da maneira correta. Até demais. É justamente a direção de Darren Aronofsky que fez com que eu não me conectasse completamente com a história. O drama é um tanto silencioso demais.

Sorte que os atores conseguiram dar vida de forma excelente para seus personagens. Mickey Rourke é mesmo um freak, como disse Rubens Ewald Filho – desculpem-me, eu precisava falar desse comentário engraçado dele. Porém, isso não afeta em nada a sua personificação, totalmente adequada. Ele divide a cena com outras duas belas atrizes. A primeira é Marisa Tomei. A segunda, Evan Rachel Wood. Ambas trabalham bem o espaço curto em cena e tiram bom proveito de suas aparições. O elenco de O Lutador não desaponta é um dos melhores pontos do filme. Mas, ao meu ver, nada muito digno de premiação. O espectador pode até não se comover com a história do protagonista – afinal, o filme não tem grande poder de emoção – mas é bem provável que compartilhe alguns dos seus dramas. E esse é um dos maiores acertos. Aronofsky, então, realizou um bom filme. Gostando ou não do resultado, é impossível ficar indiferente com o bom drama e, principalmente, com a bela música The Wrestler, de Bruce Springsteen que toca nos créditos finais.

FILME: 8.0

35

7 comentários em “O Lutador

  1. Pingback: Retrospectiva 2009: Parte 2 « Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos

  2. Contrariando o comentário achei a atuação dele impressionante, ele é um ótimo ator.Conseguiu dar emoção e sentimento ao personagem de forma ímpar.Acho que este foi o auge da carreira de Rourke e do diretor Darren Aronofsky.
    O Lutador estará na minha lista dos 100 melhores filmes.

  3. Kamila, o filme num todo tem um resultado bem positivo! Mas o Rourke é um dos pontos altos sim…

    Vinícius, conheço pouco do trabalho do diretor, mas esse “O Lutador” até me motivou a conhecer mais sobre ele.

    Weiner, é mesmo, “O Lutador” teve um bom índice de aprovação entre os blogueiros.

    Erivelton, achei que a emoção de “O Lutador” ficou introspectiva demais.

  4. Ao contrário do comentário de que o filme não é muito emocional, eu o vi justamente dessa maneira.
    Estar dividido entre o que mais ama e o que está tentando amar faz de “O lutador” um filme maravilhoso.
    Um drama que trouxe Mickey Rourke as telas de forma simples e esplêndida.
    Obrigatório!

  5. Vou correndo conferir no cinema – estreou e não posso perder de jeito nenhum, até porque grande parte dos colegas cinéfilos têm recebido “O Lutador” de ótima maneira.

  6. Acho que esse é o trabalho mais maduro da carreira do Darren Aronofsky. O diretor chegou ao seu melhor resultado com uma trama extremamente simples, mas que emociona profundamente graças à entrega do elenco (especialmente Rourke, claro) e à força de seus diálogos.

  7. E eu sempre achei que a empatia com o personagem de Mickey Rourke fosse o ponto mais forte de “O Lutador”. Acho que seu texto é o primeiro que eu leio que não trata o filme de forma tão entusiasmada assim – e eu gostei disso! :-)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: