Rio Congelado

Direção: Courtney Hunt
Elenco: Melissa Leo, Charlie McDermott, Misty Upham, James Reilly, Michael Sky, Nancy Wu, Jay Klaitz
Frozen River, EUA, 2008, Drama, 98 minutos, 14 anos.
Sinopse: Ray Eddy (Melissa Leo) passa por grandes dificuldades financeiras com seus dois filhos após ser abandonada pelo marido. Um dia, quando encontra o carro dele, acaba conhecendo Lila (Misty Upham), que faz contrabando de imigrantes em uma fronteira sem vigilância entre os EUA e o Canadá. A fronteira fica em um rio que está congelado e é através desse caminho que Ray vai encontrar uma opção para salvar a sua família das dificuldades que estão passando.
É com muita satisfação que assisto o grande avanço do cinema independente. Nos últimos anos, a crítica passou a reconhecer mais os filmes desse circuito. Um exemplo disso é o Oscar, que ano passado indicou A Família Savage em duas importantes categorias (atriz e roteiro original). Esse ano, é a vez de Rio Congelado conseguir duas nomeações nas mesmas categorias do filme de Tamara Jenkins. Gosto bastante de filmes assim, simples e de caráter independente; e esse longa de Courtney Hunt não fugiu do esquema. Principalmente porque existem dois fatores que funcionam de maneira sublime para que o resultado dê certo. O primeiro é o roteiro da própria diretora e o segundo é a interpretação da protagonista Melissa Leo.
Rio Congelado não tem nada de muito espetacular em seu lado técnico e é por aí que começa a vitória do filme. Quando se tem um lado simples, fica mais fácil acreditar no que estamos vendo, a história fica mais verossímil, mais próxima da nossa realidade. A identificação com o cenário se torna muito possível. Essa situação também se aplica ao elenco, todos ótimos em suas aparições. Melissa Leo, sem dúvida, é a grande estrela. Ótima em cada momento e apresentando uma tranquila naturalidade ao montar sua personagem. O filho dela no filme, interpretado por Charlie McDermott, também é outra boa surpresa. Sem falar das boas doses de melancolia que podemos observar em diversas cenas dos atores.
Ainda arrisco a dizer que não é a atuação de Melissa Leo o auge Rio Congelado. O que mais apreciei aqui foi o roteiro, estruturado de maneira objetiva e com passagens super interessantes. Courtney Hunt não transforma a história em um relato melodramático sobre uma família que passa por dificuldades e muito menos em um retrato sobre a decadência de uma mulher ao entrar no mercado de contrabando. Tudo é feito na medida exata, com espaço para que atuações chamem a atenção, para que o espectador fique surpreendido com o que está acontecendo e, principalmente, para que qualquer um compartilhe do desespero emocional dos personagens que estão na tela. Rio Congelado é um acerto quase que absoluto, com poucas coisas erradas – destaco o final estranho e que poderia ser diferente – e que é um dos melhores filmes indepedentes dos últimos anos.
FILME: 8.5






Eu até hoje fico me perguntando como o Jason Reitman foi indicado pela direção de Juno e Joe Wright não foi por Desejo e Reparação. Não querendo menosprezar o trabalho de Reitman, mas a direção de Wright era infinitamente mais impressionante e madura. Desejo e Reparação é um pacote de acertos e a direção é um dos principais pontos positivos. Não é nem por causa do maravilhoso plano-sequência que todo mundo fala, mas por causa do filme em si, muito bem arquitetado, filmado de maneira esplendorosa e com grande classe. Wright realiza cenas memoráveis e conduz o filme com muita paixão, sendo essa sua principal virtude ao filmar uma produção. Pena que não teve o merecido destaque.
Joel e Ethan Coen realizaram um filme estranho. É meio difícil definir Onde Os Fracos Não Têm Vez. O que importa, na realidade, é que a produção funciona muito bem em todos os sentidos. Os irmãos Coen conseguem uma direção muito precisa, direta nas suas intenções – pouca coisa soa desnecessária. O mérito deles é que não é apenas na ação que eles apresentam maturidade mas também nas suas analogias de violência e na representação de seus personagens. Eles mudaram bastante desde Fargo – Uma Comédia de Erros e isso pode ser comprovado aqui. Joel e Ethan Coen podem até não ter realizado uma obra-prima (eu, ao menos, não vejo o filme como tal), mas entregaram um produto no mínimo interessante e com grandes qualidades positivas.
Eu até que apreciava o trabalho de Brad Bird em Ratatouille, mas não o achei suficientemente merecedor para ficar entre os meus diretores finalistas do ano passado. Não pensava que outro diretor conseguisse chegar aqui, mas Andrew Stanton conseguiu realizar esse feito. Também não é pra menos, WALL-E é um desenho que impressiona com sua maturidade e com sua esplêndida técnica. Grande parte dos méritos vão para Stanton, que já realizou vários outros desenhos marcantes mas que encontrou no robozinho solitário o seu auge. Não é apenas por fazer um filme tecnicamente perfeito que ele acerta, Stanton conduz toda a história como se fosse um filme de verdade e mostra que já se passou o tempo que as animações podiam ser subestimadas.
O Escafandro e a Borboleta foi um filme que não me conquistou emocionalmente. Entretanto, me deixou impressionado com sua técnica. A fotografia e a montagem são excepcionais, pontos altos do filme. Mas também apreciei bastante o trabalho de Julian Schnabel atrás das câmeras, até porque acho que o problema do filme está apenas no roteiro. Schnabel percebeu a beleza do material que tinha em mãos e moldou um filme no mínimo interessante. Completamente magnético no visual e na técnica, O Escafanfro e a Borboleta teve sorte ao ser conduzido por um diretor tão bom como Schnabel. Pena que o filme não tenha me conquistado em um fator fundamental – o roteiro.






