Frost/Nixon

Direção: Ron Howard
Elenco: Michael Sheen, Frank Langella, Kevin Bacon, Rebecca Hall, Oliver Platt, Sam Rockwell, Matthew Macfayden
EUA, 2008, Drama, 116 minutos, 12 anos.
Sinopse: Richard Nixon (Frank Langella) permaneceu em silêncio por três anos após renunciar à presidência dos Estados Unidos. Em 1977 ele concordou em dar uma entrevista, visando esclarecer pontos obscuros do período em que esteve no governo e usá-la para uma possível volta à política. O entrevistador do programa foi o jovem David Frost (Michael Sheen), o que fazia com que Nixon acreditasse que seria fácil dobrá-lo. Entretanto o que ocorreu foi uma grande batalha entre os dois, que resultou em um confronto assistido por 45 milhões de pessoas ao longo de quatro noites.

“Ron Howard dá mais uma prova que pode fugir de seu estilo óbvio para realizar longas interessantes como esse Frost/Nixon.”
Não é apenas a tendência de reconhecer o cinema independente que vem crescendo no Oscar durante os últimos anos. Também existe um outro tipo de filme que vem ganhando muito destaque: o político. Frost/Nixon é mais um exemplar desse gênero. Dirigido por um irregular Ron Howard, o filme consegue trabalhar um tema aparentemente complicado (o escândalo de Watergate, que poderia facilmente levar toda a produção para o fundo do poço) sem ser tedioso, alcançando níveis muito interessantes de tensão no seu roteiro calcado em diálogos.
Frost/Nixon é um filme sério e que demonstra competência em todos os seus setores. Roteiro, elenco e direção caminham juntos na trilha do acerto e alcançam um resultado respeitável. Mas não necessariamente espetacular, ao menos para mim. Foi o que aconteceu comigo ano passado com Sangue Negro – é uma obra que respeito bastante, mas que não chega a me empolgar tanto. Não dá pra culpar ninguém, já que toda a equipe de Frost/Nixon é exemplar e o filme mereceu várias das indicações ao prêmio da Academia.
Contando com dois excelentes atores no comando, Michael Sheen (subestimado desde os tempos de A Rainha) e Frank Langella (hipnotizante em cada aparição), o elenco também tem nomes como Rebecca Hall, Kevin Bacon, Oliver Platt e Sam Rockwell ajudando no ótimo resultado do conjunto. Parte desse mérito vai para o próprio Ron Howard, que decidiu chamar os mesmos rostos do trabalho original para protagonizarem o filme.
A montagem é muito boa e consegue momentos de pura competência onde, junto com a maravilhosa trilha de Hans Zimmer, dá o tom correto para a história que estamos assistindo. No final das contas, Frost/Nixon acabou sendo o azarão do Oscar – teve indicações muito importantes e não levou nenhuma. Ainda assim, é um trabalho que merece ser reconhecido, principalmente por aqueles que estão envolvidos no mundo do jornalismo. Não vai agradar nem empolgar a todos, mas sem dúvida alguma vale uma conferida. Nem que seja para ver que Ron Howard, de vez em quando, tem personalidade sim.
FILME: 8.0











Eu estaria mentindo se dissesse que gostei da edição 2009 do Oscar. Apreciei o novo estilo, que realmente foi brilhante, e o modo como algumas categorias foram apresentadas (especialmente as de atuação, todas emocionantes). Hugh Jackman foi ótimo como apresentador, com um cenário mais “família”. Mas, então, onde está o erro dessa edição? Na terrível má distribuição de prêmios. Normalmente eu concordo com vitórias aterradoras de alguns filmes, quando eles realmente merecem. Os prêmios de Titanic e O Retorno do Rei foram todos incontestáveis. O problema é que Quem Quer Ser Um Milionário? não é nenhuma produção de quinta grandeza para roubar a cena. Longe de mim querer desmerecer o trabalho de Danny Boyle, que realmente merecia as estatuetas principais. O que me incomoda é que o filme deixou todos os outros a ver navios, sendo que vários dos concorrentes não deviam em nada para o grande vencedor da noite.
Começo logo de cara reclamando do esquecimento de WALL-E, que foi rebaixado a uma animação qualquer ficando apenas com a estatueta de melhor animação. Merecia muito mais que isso. O Cavaleiro das Trevas, outro que todo mundo idolatrava antes do Oscar e que agora parece que ninguém dá mais a mínima, saiu com a estatueta óbvia para Ledger (em um momento muito emotivo) e uma mísera estatueta de som. O Curioso Caso de Benjamin Button saiu com três (maquiagem, efeitos especiais e direção de arte), quando merecia vencer trilha sonora também. Frost/Nixon saiu de mãos abanando e O Leitor idem (já que considero o prêmio de atriz mais para a atriz do que para o filme em si). Até mesmo o próprio Milk, que venceu em duas, não convenceu muito com o seu Oscar de roteiro original, já que tinha muita gente torcendo para Na Mira do Chefe e WALL-E. A situação ficou forçada quando Quem Quer Ser Um Milionário? ganha um estranho prêmio de som numa categoria em que tinha candidatos muito melhores.
Os atores acabaram salvando o dia, com os momentos mais memoráveis da noite. E não foi apenas por causa da forma como suas categorias foram apresentadas – até porque discordo de chamarem atores que não fizeram mais nada de útil pro cinema como Halle Berry e Adrien Brody, por exemplo. Já não era nenhuma surpresa quando Kate Winslet, Sean Penn e Penélope Cruz subiram ao palco para receberem suas estatuetas. Penélope foi especialmente prejudicada por sua categoria ser a primeira da noite, já que foi logo esquecida com o resto da festa. No entando, Winslet e Penn conseguiram deixar suas marcas no final da festa. Winslet, que finalmente levou seu primeiro Oscar, não poderia ter vencido em momento mais emocionante, subindo ao palco junto das extraordinárias Shirley MacLaine, Marion Cotillard e Sophia Loren – Kidman e Berry não são. Acho que o momento foi muito especial e memorável para atriz. Esse “formato” de chamar os atores compensou os anos de espera dela. E nem o cachorro morrendo ajudou Mickey Rourke a ganhar. Confesso que não fiquei nem um pouco triste com a vitória dele, já que sempre torci por Penn, que está extraordinário em Milk e merecia ter um segundo Oscar.





















