Cinema e Argumento

Filmes em DVD

blindnessdvd

Ensaio Sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles (revisto)

4

Não mudou muita coisa assistir Ensaio Sobre a Cegueira na telinha. O filme continua excelente. É uma pena que essa cuidadosa produção de Fernando Meirelles tenha tido uma recepção tão fria, tão inferior do que realmente merecia. Dessa vez fiquei mais satisfeito com a interpretação da Julianne Moore, que é uma atriz de respeito e que aqui tem um desempenho exemplar – mesmo que não seja nem de perto um de seus melhores. Ensaio Sobre a Cegueira é para poucos, com uma estética ousada e uma história difícil. Isso afasta o público. Mas nada justifica a má vontade dos especialistas com ele. O filme tem grandes aspectos sim e foi um dos melhores do ano de 2008.

FILME: 8.5

tdkdvd

Batman – O Caveiro das Trevas, de Christopher Nolan (revisto)

4

O filme continua o mesmo, mas infelizmente perde metade de seu impacto na TV. Sorte teve quem assistiu o longa no cinema, onde podia-se notar melhor o estupendo espetáculo auditivo e as ótimas cenas de ação. De qualquer forma, Heath Ledger permanece impecável e assustados; o longa, maduro e sério. Apesar de todos os elogios, Batman – O Cavaleiro das Trevas tem sim alguns defeitos. Critico o roteiro – sim, adulto, mas ainda assim longo demais e com tramas que não precisavam ser exploradas aqui (Harvey Dent se transformando em Duas-Caras, por exemplo, ficou muito superficial). Contudo, permanece como uma grande evolução no mundo das adaptações de quadrinhos.

FILME: 8.5

amalvada

A Malvada, de Joseph L. Mankiewicz

Com Bette Davis, Anne Baxter e George Sanders

4

A Malvada é um luxuoso retrato sobre os bastidores do teatro e sobre como é a convivência das estrelas nessa arte. Recordista de indicações ao Oscar, o filme de Joseph L. Mankiewicz exala competência em todos os setores, especialmente na notável qualidade de atores que conseguiu reunir. A estrela, sem dúvida, é a perfeita Bette Davis como Margo Channing. Anne Baxter, como Eve Harrington, não fica atrás. É surpreendente a reviravolta envolvendo a personagem de Eve e o roteiro deixa tudo muito explícito, bem processado. Nada parece solto ou sem conexão. Por ser um filme tão bem cuidado, A Malvada se tornou um marco no cinema. E com todos os méritos.

FILME: 8.5

hellodolly

Alô, Dolly!, de Gene Kelly

Com Barbra Streisand, Walter Matthau e Michael Crawford

35

É a direção do competente diretor Gene Kelly (do clássico Cantando Na Chuva) que confere qualidade a esse pouco musical pouco conhecido chamado Alô, Dolly!, que recentemente recebeu maior conhecimento por ser a principal diversão do robozinho WALL-E. Porque, realmente, o filme não é grande coisa, tendo algumas visíveis falhas – tem uma história simples demais para ser tão comprido e seu desenvolvimento é previsível. Mas Alô, Dolly! funciona. Os números musicais são impecáveis, alguns até mesmo empolgantes. E as vozes que ouvimos são extremamente adequadas, com destaque para uma inspirada Barbra Streisand. Encerrado com uma linda música chamada It Only Takes a Moment, Alô, Dolly! pode até não ser uma maravilha, mas entretem e é excelente como musical.

FILME: 8.0

theriver

O Rio do Desespero, de Mark Rydell

Com Sissy Spacek, Mel Gibson e Scott Glenn

3

O Rio do Desespero deu mais uma indicação ao Oscar de melhor atriz para a ótima Sissy Spacek. Ela é uma das poucas razões que fazem com que o filme de Mark Rydell seja assistido, porque, no final das contas, o resultado não é grande coisa. O longa apenas narra a batalha de uma família para manter a sua fazenda depois de um rio inundar toda a propriedade. Além disso, ainda vão ter que enfrentar os políticos que querem acabar com a fazenda para realizar uma construção. Dotado de uma narrativa sem surpresas ou momentos dramáticos que marquem, O Rio do Desespero é simples e até efetivo, mas não chega a empolgar.

FILME: 7.0

passado

O Passado, de Hector Babenco

Com Gael García Bernal, Analía Couceyro e Paulo Autran

3

Realmente não é grande coisa esse trabalho de Hector Babenco. A história podia ser trabalhada de outr maneira (mais sentimenal ou mais humana, quem sabe?) e o roteiro tem várias passagens desnecessárias, especialmente quando se encaminha pro final. Erros à parte, O Passado é um filme bem cuidadoso em sua estética, com os atores bem fotografados e com situações interessante. Dá pra se assistir tranquilamente, sem grandes reclamações. É até possível se envolver com a história e com o protagonista, interpretado por Gael García Bernal em um excelente momento. O filme tem até um toque melancólico, exaltado pela bonita trilha sonora de Ivan Wyszogrod. Simples, mas eficiente.

FILME: 7.0

decemberboys

Um Verão Para Toda Vida, de Rod Hardy

Com Daniel Radcliffe, Lee Cormie e James Fraser

2

Não dá pra culpar totalmente Daniel Radcliffe por sua péssima atuação em Um Verão Para Toda Vida. Que ele é péssimo isso não é novidade (sempre tentando provar – inutilmente – que é bom ator, inclusive protagonizando a polêmica peça de teatro chamado Equus), mas foi uma jogada horrível dos produtores da fita o terem colocado no filme. Não inteiramente pelo fato da atuação, mas simplesmente porque ele não se encaixa – é grande demais para o papel (para se ter uma idéia, Freddie Highmore era o contratado original). Mas de qualquer forma, Um Verão Para Toda Vida é ruim em todo o conjunto. Consegue o feito de não despertar interesse algum, com uma trama simplista e sem atrativos. Assim é difícil ter boa vontade com um longa que também exige inocência demais do espectador ao trabalhar dramas baratos. Se vale alguma coisa, ao menos o filme é bem cuidado, com uma trilha sonora adequada e boas locações. Mas isso não basta. E Radcliffe não ajuda em nada.

FILME: 4.0

Marley & Eu

Direção: David Frankel

Elenco: Owen Wilson, Jennifer Aniston, Alan Arkin, Kathleen Turner, Eric Dane, Haley Bennett, Tom Irwin, Sandy Martin, Alec Mapa

Marley & Me, EUA, 2008, Comédia, 112 minutos, Livre

Sinopse: John (Owen Wilson) e Jennifer Grogan (Jennifer Aniston) casaram-se recentemente e decidiram começar nova vida em West Palm Beach, na Flórida. Lá eles trabalham em jornais concorrentes, compram um imóvel e enfrentam os desafios de uma vida em conjunto. Indeciso sobre sua capacidade em ser pai, John busca o conselho de seu colega Sebastian (Eric Dane), que sugere que compre um cachorro para a esposa. John aceita a sugestão e adota Marley, um labrador de 5 kg que logo se transforma em um grande cachorro de 45 kg, o que torna a casa deles um caos.

“Mesmo que correto e simpático, Marley & Eu não consegue evoluir por causa de seu roteiro sem personalidade.”

“Clichê” é uma palavra que define Marley & Eu, adaptação do best-seller de mesmo nome. O que vemos é mais uma produção que fala sobre uma família e um cachorro engraçadinho. O longa comandado por David Frankel (que obteve pleno êxito no seu primeiro filme, O Diabo Veste Prada, que também era adaptação de um sucesso literário de vendas) é uma das coisas mais simples que andam perambulando pelo cinema atualmente. Com um total clima de Sessão da Tarde – ajudada pela enfadonha trilha sonora de Theodore Shapiro – Marley & Eu não tem mistério algum; trilha um caminho óbvio. Culpa do roteiro e da direção, indiferentes ao fato de que filmes comuns como esse necessitam de algo a mais. Algo que o próprio diretor Frankel fez em O Diabo Veste Prada – imprimiu um tom pop, comandou atuações impecáveis e transformou o clichê em algo muito divertido. Aqui ele consegue fazer com que Marley & Eu tenha alguns diferenciais, mas tudo é muito pouco perto da previsibilidade imposta pela história.

O filme tem pontos postivos, claro. Jennifer Aniston – principalmente ela – e Owen Wilson, por exemplo, apresentam tom certos, nunca destoando de seus personagens. A emoção, apresentada com competência nos momentos finais, também é digna de elogios. E a própria construção da família consegue ser efetiva. No final das contas, Marley & Eu decepciona por ser um produto sem personalidade. Diverte e pode até emocionar, mas não tem profundidade alguma e nem deixa maiores impressões. É esquecível e dispensável. Há quem goste e quem morra de chorar no final. Eu, infelizmente, não fui movido pelo que vi. Muita gente deverá estranhar a nota que dei para tanta reclamação. É que simplesmente não poderia deixar de mostrar no texto a minha grande decepção com esse longa absurdamente elogiado por tantas pessoas.

FILME: 6.5

3

Melhores de 2008 – Roteiro Original

art09

A Pixar conseguiu pela segunda vez consecutiva se sair vencedora nessa minha categoria. Se Ratatouille era uma maravilha em sua história, WALL-E conseguiu ir além – discursou sobre solidão, romance e alienação humana com uma habilidade absurda. Tudo isso temperado com muita aventura e momentos inesquecíveis. Além de todo o apuro técnico do longa, WALL-E também possui um roteiro espetacular, de dar inveja a muito filme por aí. É animação na essência, mas o filme tem um tom muito intelectual e uma trama adulta que as crianças talvez nem compreendam. Por unir tantas maravilhas em noventa minutos, o roteiro de WALL-E se sai vencedor nessa categoria. Simplesmente espetacular! Vencedor do ano passado: Ratatouille.

savagessA Família Savage / Convenhamos, o roteiro de A Família Savage não tem nada de muito original, mas conduz de forma excelente todos os conflitos dramáticos existentes no longa. Sem falar de dar espaços ideais para que as atuações brilhem e para que a dramaticidade nunca fique de lado. O resultado, então, é extremamente satisfatório para um filme de drama que procura discutir feridas familiares.

junnoJuno / O filme de Jason Reitman só foi lembrado nessa categoria na minha premiação. E não é citação de consolação, Juno tem uma história muito acessível para um tema tão difícil. O roteiro é agradável, compente em suas emoções e iluminado em suas originalidades. É de se admirar que uma novata nesse setor tenha se saído tão bem. Afinal, são poucos os filmes cômicos que conseguem ser tão pop como esse.

bareadingQueime Depois de Ler / Uma excelente aula de como se fazer uma comédia inteligente e com muita agilidade. Por mais que o resultado seja simples, Queime Depois de Ler funciona muito bem. É cheio de tiradas inteligentes e situações originais que são incorporadas com grande qualidade pelas figuras do elenco. Mais um presente dos irmãos Coen, que a cada dia se tornam mais interessantes.

vcbarcelonaVicky Cristina Barcelona / Woody Allen continua falando sobre relacionamentos e continua acertando. É excelente a forma como ele consegue criar um roteiro charmoso e inteligente, onde praticamente todos podem se identificar com as situações ou com os personagens. As figuras criadas são verossímeis e as questões sentimentais impecáveis. Só faltou um pouco mais de ousadia na estrutura. Mas isso é mero detalhe.

Os visitantes concordaram com a escolha do Cinema e Argumento e também elegeram WALL-E como o melhor na categoria. Abaixo, a preferência dos votantes na pesquisa realizada:

1. WALL-E (10 votos, 42%)

2. Juno (5 votos, 21%)

3. Queime Depois de Ler (5 votos, 21%)

4. Vicky Cristina Barcelona (3 votos, 13%)

5. A Família Savage (1 voto, 4%)

Os Indicados ao Oscar 2008

O post pode parece atrasado, mas foi proposital. Deixei passar um pouco essa “onda” de comentar os indicados ao prêmio da Academia pra poder produzir alguns comentários meus. Ao estilo do post sobre os indicados ao BAFTA, aí vai:

  1. Sério que teve gente que se surpreendeu com a inclusão de O Leitor em melhor filme? Não é nem pelo filme de Stephen Daldry ser sobre o Holocausto, mas só pelo fato de que o longa já tinha aparecido em duas importantes premiações (BAFTA e Globo de Ouro) nas categorias de filme e diretor já dava pra considerá-lo um candidato em potencial para uma vaga entre os cinco filmes da Academia.
  2. Mesmo precisando de audiência – afinal, a do ano passado foi vergonhosa – o prêmio não se rendeu aos blockbusters para conseguir maior público e deixou Batman – O Cavaleiro das Trevas de fora das categorias principais. Assino embaixo da exclusão, já que eu não acho que o filme seja tão merecedor para aparecer entre os cinco de melhor filme.
  3. Não esperava tanto Benjamin Button na lista. Acho que tem potencial para vencer quase todas as categorias técnicas em que aparece.
  4. Aconteceu exatamente o que eu queria: Kate Winslet foi indicada em uma categoria só. Por mais que isso tire um dos maiores suspenses da festa – já que é imensamente provável que ela vença dessa vez – parece que a classificação de Winslet foi perfeita.
  5. Simpesmente odeio as seleções com apenas três indicados na categoria de melhor canção. A categoria normalmente já é ruim na seleção com cinco nomeados e esse ano inventaram de indicar duas de Quem Quer Ser Um Milionário? (só Jai Ho bastava) e deixaram The Wrestler de fora.
  6. Michael Shannon para ator coadjuvante? Tá, ele tem boa presença no longa, mas aparece tão pouco em um longa tão sem graça que nem merecia ser lembrado. Nem os protagonistas foram…
  7. Melissa Leo e seu Rio Congelado. E o cinema independente, mais uma vez, conquista um merecido espaço na premiação.
  8. WALL-E superou Ratatouille no número de indicações e, ao que tudo indica, a Pixar deve sair da festa com mais de um simples Oscar de animação. Muito mais, arrisco a dizer.
  9. Clint Eastwood não foi indicado a nada! Eu nunca pensei que eu ia dizer isso, mas bem feito! Não merecia mesmo.
  10. Penélope Cruz foi a única menção para Vicky Cristina Barcelona. Será mesmo que o prêmio dela é uma barbada tão grande assim?
  11. A categoria de trilha sonora é uma das mais disputadas. A.R. Rahman é o único dos selecionados que é novato na lista. Todos os outros já foram indicados e mereciam ter o prêmio. Será a vez do Thomas Newman? Do James Newton Howard? Do Danny Elfman? Ou do Desplat? Todos estupendos compositores. Difícil escolher.

Desafio + SAG

postpic

O blogueiro Rafael do Tablito e o friendo Wally do Cine Vita me indicaram esse desafio. Acho que todo mundo já sabe mais ou menos como funciona, mas aqui vai a explicação de novo: a) Ir até a quarta pasta do meu computador, onde minhas imagens estão arquivadas. b) Pegar a quarta foto dessa quarta pasta. c) Explicar a foto. d) Escolher quatro pessoas para fazer o mesmo.

Bom, felizmente dei sorte de pegar uma foto bem simples, onde não tem nada para ser explicado (leia-se “constrangedor a ser explicado, haha). É o seguinte: aí na foto está presente eu, Matheus, o dono desse blog. Junto comigo, está a Bruna, outra cinéfila de carteirinha que sempre comenta os filmes comigo e que, desde o ano passado, assiste o Oscar junto comigo. A foto foi tirada no verão de 2008 na praia de Torres, num show do Pato Fu. Aliás, chovia muito! Mas valeu a pena por causa da companhia =) Então, quem deve fazer esse desafio também. Pedro (Tudo é Crítica), Robson (Portal Cine), Vinicius (Sob a Minha Lente), Gustavo (Fina Ironia). E perdão se eu escolhi quem já foi indicado ou quem já postou esse desafio. Eu tenho memória fraca.

Aproveitando esse post, vou publicar rapidamente minhas apostas para o SAG, que acontece nessa noite de domingo às 23h.

Melhor Elenco: Dúvida

Melhor Ator: Sean Penn, por Milk – A Voz da Igualdade

Melhor Ator Coadjuvante: Heath Ledger, por Batman – O Cavaleiro das Trevas

Melhor Atriz: Meryl Streep, por Dúvida

Melhor Atriz Coadjuvante: Kate Winslet, por O Leitor

Ainda estou devendo meus comentários sobre os indicados ao Oscar. Eles serão assunto do próximo post. Ah, e não esqueçam de prestigiar os vencedores do Blog de Ouro hoje à noite também!