Filmes em DVD

Um Beijo a Mais, de Tony Goldwyn
Com Zach Braff, Casey Affleck e Tom Wilkinson

Não esperava absolutamente nada desse Um Beijo a Mais. Aliás, a propaganda que foi feita dele acusa um longa cômico e banal. Não é verdade. Apreciei bastante o tom maduro que a história apresentou sobre os relacionamentos e mais ainda como os atores expressaram isso. Não muito o protagonista Zach Braff (que está bem melhor em Hora de Voltar), mas nos coadjuvantes como Casey Affleck e Tom Wilkinson. Um Beijo a Mais é formado por vários acertos, especialmente na excelente trilha sonora (que vai desde Coldplay até Snow Patrol). no roteiro e no elenco. É certo que a direção erra em alguns momentos – alguns personagens soam completamente deslocados ou inuteis – mas consegui perdoar tudo. O longa definitivamente me conquistou.
FILME: 8.5

Na Mira do Chefe, de Martin McDonagh
Com Colin Farrell, Brendan Gleeson e Ralph Fiennes

É uma grata surpresa esse filme que foi divulgado da maneira errada. Desde as indicações para comédia no Globo de Ouro até o pôster com tom excêntrico dão a idéia errada sobre a produção. Na Mira do Chefe tem humor inteligente mas é essencialmente um longa sobre paranóias e frustrações. O clima da cidade de Bruges só colabora para a boa ambientação da história, que é muito bem escrita e não desaponta em suas resoluções. O elenco é outro achado, em especial a dupla Farrell-Gleeson. O primeiro, inclusive, merecendo mais uma indicação ao Oscar de ator do que o indicado Brad Pitt.
FILME: 8.0

Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas
Com Sandra Corveloni, Vinicius de Oliveira e José Geraldo Rodrigues
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Linha de Passe que consegue fazer um relato sobre problemas sociais sem sequer apelar para as habituais estéticas que estamos acostumados a ver. Vencedor da Palma de Ouro de melhor atriz em Cannes, para Sandra Corveloni, o filme encontra a sua maior força na segura direção de Walter Salles e Daniela Thomas. Ambos sabem os limites dos tons dramáticos, não apostando nos habituais clichês do gênero. O drama de Linha de Passe é inteligente, mesmo que simples em sua proposta inicial. As histórias são bem conduzidas e os acontecimentos idem, resultando em um longa acessível e que também é, ao mesmo tempo, subjetivo em suas entrelinhas. Representado de forma impecável pelos atores, é um dos exemplares mais interessantes que o cinema brasileiro produziu nos últimos anos. Só necessitava ser mais inteligente, e não apenas diferente.
FILME: 8.0

Sonhos Eróticos de Uma Noite de Verão, de Woody Allen
Com Woody Allen, Mia Farrow e Tony Roberts
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Mais uma comédia de Woody Allen sobre relacionamentos. E uma das melhores, por sinal. Sonhos Eróticos de Uma Noite de Verão pode até ser bem simples na sua trama principal (um troca-troca de casais no dia que antecede um casamento), mas tudo é tão bem realizado comicamente, que fica muito fácil perdoar alguns deslizes do roteiro. Temos vários diálogos interessantes e inteligentes como de costume, e Woody Allen realiza um longa bem divertido, acessível em toda a sua essência. Longe de ser erótico como título aponta, o filme acerta bastante, conseguindo representar um dos melhores momentos de Allen falando sobre amores e desamores.
FILME: 8.0

Os Reis do Iê-Iê-Iê, de Richard Lester
Com John Lennon, George Harrison e Paul McCartney

Ser fã dos Beatles faz uma enorme diferença aqui. Se em Across The Universe não era necessário conhecê-los, em Os Reis do Iê-Iê-Iê é fundamental ter conhecimento prévio sobre o grupo musical. Simplesmente porque o filme de Richard Lester quase não tem história e soa mais como um veículo de divulgação da banda. Não há muito o que falar do filme, que é um conjunto de situações engraçadas, humor e música com John Lennon, George Harrison, Paul McCartney e Ringo Starr. Quem é fã, possivelmente vai se divertir mais do que quem não é. Afinal, Os Reis do Iê-Iê-Iê não é bem cinema.
FILME: 7.5

A Casa do Fim do Mundo, de Michael Mayer
Com Colin Farrell, Robin Wright Penn e Sissy Spacek
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Michael Cunnigham é um grande escritor. Quem leu As Horas sabe bem disso. Mas ele não funciona como roteirista. Isso fica claro em A Casa do Fim do Mundo, que merecia um tratamento mais melancólico e dramático do que o apresentado por Cunnigham. A história é aparentemente simples: dois rapazes se conhecem na adolescência, compartilham alguns momentos homossexuais e já adultos vão formar um triângulo amoroso com uma garota que gosta dos dois. Se o filme começa maravilhosamente bem (a parte da infância e da adolescência é conduzida com boa dramaticidade e até mesmo com comédia, com destaque para uma divertida Sissy Spacek), vai diminuindo sua qualidade aos poucos. Mas nunca chega a ser ruim. A Casa do Fim do Mundo se sairia melhor com uma narrativa mais sentimental e não um tanto superficial como essa, onde a emoção só aparece por causa do bom elenco reunido.
FILME: 7.0

Deu a Louca em Hollywood, de Jasoen Friedberg e Aaron Seltzer
Com Jayma Mays, Kal Penn e Jennifer Coolidge
É, deu mesmo a louca em Hollywood. Só isso para explicar tamanha ridicularidade desse filme. Eu poderia ficar aqui apontando milhões de coisas péssimas na produção, mas a única coisa que se existe pra dizer é que ele é ruim mesmo. Piadas sem graça, sátiras mal feitas, cenas apelativas e momentos de péssimo gosto. Deu a Louca Em Hollywood é uma grande tragédia. Todo Mundo Em Pânico podia até não ser nenhuma maravilha, mas ao menos conseguia ser um bom guilty pleasure; já essas novas sátiras do cinema nem isso conseguem ser. O que há para se considerar nesse filme? Sem dúvida a boa direção de arte (que nos ajuda a identificar os filmes satirizados facilmente) e uma protagonista aceitável (Jayma Mays) e com um tom comicamente imbecil como a Anna Farris em Todo Mundo Em Pânico. O resto, triste de se assistir. Até onde a mente humana pode ir, hein? O pior é que com certeza você conhece alguém que se divertiria com esse filme, não é verdade?
FILME: 1.0












Eu estaria mentindo se dissesse que gostei da edição 2009 do Oscar. Apreciei o novo estilo, que realmente foi brilhante, e o modo como algumas categorias foram apresentadas (especialmente as de atuação, todas emocionantes). Hugh Jackman foi ótimo como apresentador, com um cenário mais “família”. Mas, então, onde está o erro dessa edição? Na terrível má distribuição de prêmios. Normalmente eu concordo com vitórias aterradoras de alguns filmes, quando eles realmente merecem. Os prêmios de Titanic e O Retorno do Rei foram todos incontestáveis. O problema é que Quem Quer Ser Um Milionário? não é nenhuma produção de quinta grandeza para roubar a cena. Longe de mim querer desmerecer o trabalho de Danny Boyle, que realmente merecia as estatuetas principais. O que me incomoda é que o filme deixou todos os outros a ver navios, sendo que vários dos concorrentes não deviam em nada para o grande vencedor da noite.
Começo logo de cara reclamando do esquecimento de WALL-E, que foi rebaixado a uma animação qualquer ficando apenas com a estatueta de melhor animação. Merecia muito mais que isso. O Cavaleiro das Trevas, outro que todo mundo idolatrava antes do Oscar e que agora parece que ninguém dá mais a mínima, saiu com a estatueta óbvia para Ledger (em um momento muito emotivo) e uma mísera estatueta de som. O Curioso Caso de Benjamin Button saiu com três (maquiagem, efeitos especiais e direção de arte), quando merecia vencer trilha sonora também. Frost/Nixon saiu de mãos abanando e O Leitor idem (já que considero o prêmio de atriz mais para a atriz do que para o filme em si). Até mesmo o próprio Milk, que venceu em duas, não convenceu muito com o seu Oscar de roteiro original, já que tinha muita gente torcendo para Na Mira do Chefe e WALL-E. A situação ficou forçada quando Quem Quer Ser Um Milionário? ganha um estranho prêmio de som numa categoria em que tinha candidatos muito melhores.
Os atores acabaram salvando o dia, com os momentos mais memoráveis da noite. E não foi apenas por causa da forma como suas categorias foram apresentadas – até porque discordo de chamarem atores que não fizeram mais nada de útil pro cinema como Halle Berry e Adrien Brody, por exemplo. Já não era nenhuma surpresa quando Kate Winslet, Sean Penn e Penélope Cruz subiram ao palco para receberem suas estatuetas. Penélope foi especialmente prejudicada por sua categoria ser a primeira da noite, já que foi logo esquecida com o resto da festa. No entando, Winslet e Penn conseguiram deixar suas marcas no final da festa. Winslet, que finalmente levou seu primeiro Oscar, não poderia ter vencido em momento mais emocionante, subindo ao palco junto das extraordinárias Shirley MacLaine, Marion Cotillard e Sophia Loren – Kidman e Berry não são. Acho que o momento foi muito especial e memorável para atriz. Esse “formato” de chamar os atores compensou os anos de espera dela. E nem o cachorro morrendo ajudou Mickey Rourke a ganhar. Confesso que não fiquei nem um pouco triste com a vitória dele, já que sempre torci por Penn, que está extraordinário em Milk e merecia ter um segundo Oscar.