
[REC], de Jaume Balagueró e Paco Plaza
Com Manuela Velasco, Feran Terraza e Pablo Rosso

O cinema falado em espanhol vem se especializando em filmes de suspense. Depois de O Orfanato, [REC] aterrorizou muita gente no cinema. Não é pra menos, o filme da dupla Jaume Balagueró e Paco Plaza é extramente tenso do início ao fim, com sustos constantes e cenas perturbadoras. A ideia não é lá muito original – existem milhares filmes de zumbis por aí – mas a produção é tão bem arquitetada em seu suspense, que fica impossível resistir ao excelente resultado. Tem gente que vai reclamar do final, que tem um quê de inconclusão derivado de A Bruxa de Blair, e da estrutura convencional – pessoas gritando pra todos os lados, sangue, barulhos estrondosos. Mas eu pergunto: quem se importa com isso quando temos um suspense exemplar se desenvolvendo diante de nossos olhos?
FILME: 8.5

Psicose, de Alfred Hitchcock
Com Anthony Perkins, Janet Leigh e Vera Miles

Gus Van Sant estragou completamente a minha recepção com esse clássico de Alfred Hitchcock. Não que eu tenha desaprovado o resultado, o problema é que eu já sabia de tudo o que acontecia e assisti o longa sem qualquer surpresa ou suspense. Todo mundo sabe que a refilmagem de Gus Van Sant é uma coisa pavorosa – aliás, eu acho que devia ser proibido a refilmagem de clássicos do cinema – mas é fácil entrar no clima do ótimo filme de Hitchcock. Primeiro porque o filme em si já tem grande impacto visual em todos os aspectos, desde os atores bem fotografados e as cenas dirigidas excepcionalmente, sem falar da memorável trilha de Bernard Herrmann. Psicose é um clássico com todos méritos possíveis e sem dúvida alguma é uma obra obrigatória. Só aconselho que ninguém faça a mesma coisa que eu, assistir a refilmagem antes. Porque, ao menos pra mim, o original não fluiu da maneira que deveria por causa de um certo impostor chamado Gus Van Sant.
FILME: 8.0

Entre Quatro Paredes, de Todd Field (revisto)
Com Tom Wilkinson, Sissy Spacek e Marisa Tomei

Todd Field tem só dois filmes no seu currículo e já é um sujeito bem respeitado. Seu estilo me agrada bastante – criar dramas dentro das casas da cidade, com pessoas banais e que anseiam por um futuro melhor. Entre Quatro Paredes é um filme essencialmente de atuação e roteiro, não vai muito além disso. Talvez seja por esse motivo que ele não chegue a me encantar tanto como deveria. Contudo, os atores e o roteiro suprem essa falta de maiores surpresas do longa. Os protagonistas (Sissy Spacek e Tom Wilkinson), ambos indicados ao Oscar, entregam atuações espetaculares e conferem grande humanidade para o casal de pais que acaba de perder o filho. Já a coadjuvante Marisa Tomei não é tão interessante, já que seu papel não ganha maiores dimensões. Um pouco longo e sem ritmo, Entre Quatro Paredes prima por tratar de um tema complicado com grande habilidade dramática, sem cair nos exageros ou ficar na qualidade rasa. Uma produção interessante e que vai agradar os que gostam desse estilo de filme.
FILME: 8.0

Um Grito no Escuro, de Fred Schepisi
Com Meryl Streep, Sam Neill e David Hoflin

A interpretação de Meryl Streep nesse filme rendeu para a atriz o prêmio de melhor atriz em Cannes, além de mais uma indicação ao Oscar. Aqui ela interpreta uma mulher que tem que provar na justiça que não assassinou a própria filha. Um filme comum de tribunal e sobre a jornada de uma família tentando provar inocência, mas que instiga o espectador a torcer por eles. Ou não, já que um imenso público na história acredita que ela é culpada. O grande mérito do diretor Fred Schepisi é não deixar claro a cena da morte da garota. O espectador não sabe muito bem o que acontece e também pode ficar com um pé atrás em relação a protagonista. Um Grito no Escuro é um filme simples, mas que funciona em todos os seus setores.
FILME: 8.0

Nossa Vida Sem Grace, de James C. Strouse
Com John Cusack, Alessandro Nivola e Emily Churchill

Tenho certa resistência com dramas sobre perdas que não investem toda sua alma na dramaticidade. Nossa Vida Sem Grace tem momentos melancólicos, mas nunca chega a ser suficientemente interessante em suas tristezas. O resultado, então, nunca passa do aceitável, formando uma sessão apenas satisfatória e que não deixa marcas. A boa trilha de Clint Eastwood – uma das suas melhores como compositor – confere ao filme um bom clima. No entanto, é a performance de John Cusack que dá alma para Nossa Vida Sem Grace, filme que ganharia muito mais se trabalhasse de forma mais dolorosa a história que desenvolve.
FILME: 7.5