Melhores de 2010 – Fotografia

Depois da perfeita trilha sonora de Abel Korzeniowski, acredito que a fotografia de Eduard Grau seja o aspecto técnico mais impressionante em Direito de Amar. Utilizando uma característica marcante (as cores se ajustam aos sentimentos do protagonista), a fotografia é outro elemento que ajuda a construir todo o espetacular visual do filme de Tom Ford. Ela não se destaca apenas por ser original ou por ser um elemento que explora o lado emocional de George Falconer (Colin Firth), mas também por utilizar de forma impactante tudo o que cada cena lhe proporciona em detalhes – e nesse aspecto, destaca-se o momento em que Colin Firth conversa com um estranho na frente de um gigante cartaz de Psicose, de Hitchcock. Eduardo Grau inovou na fotografia e ajudou a construir o extraordinário lado visual desse filme que é um dos mais impactantes nesse segmento dos últimos anos.
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A FITA BRANCA
Nem existia tanta necessidade para que A Fita Branca fosse filmado em preto e branco. Entretanto, o uso desse artifício, pelo menos pra mim, sempre traz um saldo muito positivo – principalmente para essa história cheia de mistérios. Explorando muito bem as paisagens do interior da Alemanha, a fotografia ajuda a criar o clima dúbio que cada personagem transmite. Nesse sentido, o uso do preto e branco só auxilia A Fita Branca a trazer ainda mais a doutrina rígida e misteriosa dos personagens do filme.

OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE
Se a fotografia de A Fita Branca reconstituiu muito bem o tenso clima instalado entre as misteriosas paisagens do interior da Alemanha, a de Os Famosos e os Duendes da Morte explorou com muita habilidade o sentimento de solidão do mr. Tambourine Man (Henrique Larré). Apostando basicamente em um trabalho de tonalidades e uso de escuridão para mostrar a isolada cidade em que o personagem vive, a fotografia foi fundamental para que entendessemos o desespero do protagonista ao considerar a sua cidade um “fim do mundo”.

BRILHO DE UMA PAIXÃO
Esse deve ser o ano das fotografias que retratam o interior dos países. Brilho de Uma Paixão, com sua ótima fotografia, nos transportou para uma cidade no interior da Inglaterra. As belas paisagens já seriam o suficiente para encantar os olhos, mas a fotografia vai além e absorve cada detalhe não só dessas paisagens, mas também dos próprios cenários e dos atores. Esse é um trabalho mais convencional, mas que nem por isso deixa de ser tão satisfatório quanto os outros indicados.

A ESTRADA
O tom quase que monocromático da fotografia de A Estrada foi fundamental para que o filme de John Hillcoat alcançasse todo o clima apocalíptico necessário para retratar a melancolia e o desespero dos personagens em um mundo devastado. Javier Aguirresarobe entregou o aspecto técnico mais marcante de A Estrada e graças a ele conseguimos acompanhar com mais emoção a jornada dos personagens – emoção essa que, no geral, o filme não chegou a apresentar de forma tão marcante quanto a fotografia.
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Escolha do público:
1. A Fita Branca (17 votos, 34.69%)
2. Os Famosos e os Duendes da Morte (13 votos, 26.53%)
3. Direito de Amar (12 votos, 24.49%)
4. Brilho de Uma Paixão (5 votos, 10.02%)
5. A Estrada (2 votos, 4.08%)








