Na coleção… As Confissões de Schmidt

Não é fácil falar do nosso filme favorito, não é mesmo? Pelo menos pra mim, essa é uma missão que envolve uma avaliação meio “cega”. Difícil questionar algum aspecto ou falar mal de algum momento do filme que conquistou o nosso coração por completo. Às vezes, ele nem é considerado por muitos como um grande filme, mas, por alguma razão, conseguiu um lugar especial na formação cinéfila de um indivíduo. Pois é exatamente assim a minha relação com As Confissões de Schmidt, uma produção pouco valorizada, mas que me desperta um carinho todo especial.

Warren Schmidt (Jack Nicholson) é um homem recém aposentado. Ele trabalhava como estatístico e agora está preso numa rotina. Quando a súbita morte de sua mulher o pega de surpresa, Schmidt percebe que está sozinho, já que a filha (Hope Davis) mora em outra cidade e está prestes a se casar com um sujeito medíocre. Tentando dar algum sentido para sua vida, o protagonista decide apadrinhar um menino pobre da África chamado Ndugu. Schmidt, portanto, fica encarregado de sempre mandar uma contribuição financeira e uma carta para o garoto. Assim, ele passa a compartilhar com o jovem Ndugu pensamentos que nunca havia dividido nem mesmo para a falecida esposa. Nesse meio tempo, parte em uma viagem para o casamento da filha.

Tinha uns 13 anos quando assisti As Confissões de Schmidt pela primeira vez. Ou seja, ainda não cultivava de forma tão intensa a minha vida de cinéfilo. Mas, mesmo com a minha falta de interação com o mundo de cinema, fiquei extremamente comovido quando assisti a esse filme de Alexander Payne. Jack Nicholson me conquistou logo de cara, a mistura entre drama e comédia foi certeira para o meu gosto pessoal e, nos créditos finais, fiquei surpreso por estar derramando lágrimas com a belíssima cena do desfecho. Não sei se é porque me identifico com o personagem, mas algo nesse longa-metragem me fisgou em todos os aspectos.

Com uma ótima trilha sonora de Rolfe Kent, As Confissões de Schmidt tem como principal engrenagem uma extraordinária performance de Jack Nicholson (a minha favorita de toda a carreira do ator). Longe de qualquer caricatura habitual (e isso não é um menosprezo quando se fala em Nicholson), o ator encontrou a harmonia perfeita entre drama e comédia. Vencedor do Globo de Ouro por esse filme, ele merecia, inclusive, ter vencido o Oscar por um desempenho tão surpreendente como esse. Aliam-se a ele as ótimas Kathy Bates e Hope Davis, bem como um roteiro cheio de narrações em off sublimes e cenas muito reflexivas.

As Confissões de Schmidt foi o filme que marcou o início da minha verdadeira paixão pelo cinema. Talvez nem seja considerado pelo público cinéfilo uma obra-prima. Mas é com essa definição que o longa de Alexander Payne reside na minha mente. Marcante para mim desde o momento em que eu o vi pela primeira vez até quando recebi o dvd de presente, As Confissões de Schmidt me emociona até hoje, nunca perdendo todo o brilho que enxerguei pela primeira vez anos atrás. Tem mais do que mero valor cinematográfico para mim. Tem valor humano. Ainda sofro com o personagem, choro com a cena final e reverencio esse filme por ter me mostrado como o cinema pode ser muito mais que uma mera diversão. Em certos casos, ele pode mudar uma vida. Foi o que aconteceu comigo. Será mesmo que eu seria esse apaixonado pela sétima arte se não fosse o dia em que conferi As Confissões de Schmidt?

FILME: 10.0


4 comentários em “Na coleção… As Confissões de Schmidt

  1. Stella, já conferi os teus comentários sobre “As Confissões de Schmidt”. Fico feliz de achar alguém que se emocione tanto com esse filme como eu!

    Hugo, esse é o trabalho que mais me impressiona do Nicholson… Contido do início ao fim, cheio de belos momentos…

    Kamila, é o melhor filme deles mesmo. Bleh pra quem fica dizendo que “Sideways – Entre Umas e Outras” é maravilhoso. Esse filme é superestimado, isso sim!

  2. Gosto muito deste filme. Inclusive, acho que é o melhor da dupla Alexander Payne e Jim Taylor. A atuação do Jack Nicholson é excelente e aquela cena final é mesmo emocionante demais.

  3. É uma das interpretações mais sensíveis da carreira de Nicholson. Especialista em personagens fortes, este Schmdit é um diferencial em seu trabalho.

    É um filme que emociona e faz pensar na relação pais/filhos e na solidão que muitas vezes chega na terceira idade.

    Abraço

  4. Esse também é um de meus filmes favoritos, Matheus! Posso colocar uma seleção de sua postagem e o link para ‘Cinema e Argumento’ no By Star? Concordo 100% com sua avaliação e análise, revi o filme há alguns anos e senti a mesma emoção. Um abraço,
    Stella

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