Biutiful

Direção: Alejandro González Iñárritu

Elenco: Javier Bardem, Maricel Álvarez, Hanaa Bouchaib, Guillermo Estrella, Eduard Fernández, Cheikh Ndiaye, Diaryatou Daff

México, 2010, Drama, 147 minutos

Sinopse: Catalunha. Uxbal (Javier Bardem) coordena vários negócios ilícitos, que incluem a venda de produtos nas ruas da cidade e a negociação do trabalho de um grupo de chineses, cujo custo é bem menor por não serem legalizados e viverem em condições precárias. Além disto, ele possui o dom de falar com os mortos e usa esta habilidade para cobrar das pessoas que desejam saber mais sobre seus entes que partiram há pouco tempo. Uxbal precisa conciliar sua agitada vida com o papel de pai de dois filhos, já que a mãe deles, Marambra (Maricel Álvarez), é instável. Até que, após sentir fortes dores por semanas, ele resolve ir ao hospital. Lá descobre que está com câncer e que tem poucos meses de vida.

Em Biutiful, a história de Uxbal (Javier Bardem) segue duas correntes. A primeira é sobre a difícil vida que ele leva com os filhos, a descoberta do câncer de próstata e o relacionamento com a problemática ex-mulher, Marambra (Maricel Álvarez). A segunda é sobre como Uxbal coordena uma série de atividades ilícitas, entre elas a pirataria e o trabalho de um grupo de orientais que vive no México ilegalmente. Quando decide narrar a primeira abordagem, Biutiful alcança os seus melhores momentos. Já na hora de trabalhar a segunda, cai na monotonia. Ou seja, funciona numa parcela e peca na outra.

O mexicano Alejandro González Iñárritu sempre realizou filmes compridos, mas nunca, em nenhum momento, deixou suas produções se tornarem cansativas. Amores Brutos, 21 Gramas e Babel, por exemplo, eram lentos, mas nunca monótonos. Biutiful, por um outro lado, é o primeiro filme do diretor que pode deixar o espectador meio aborrecido. Com uma narrativa pouco interessante quando decide narrar as atividades ilícitas do protagonista, o roteiro peca por dar atenção demais a esse assunto e não apostar prioritariamente no que existe de melhor no enredo: o drama de Uxbal ao lidar com um câncer e com os filhos. É algo para se lamentar, uma vez que, nos momentos finais (especialmente em função da boa trilha de Gustavo Santaolalla), Biutiful dá a entender que essa é a parte que ele quer que o público leve na memória.

Em contraponto, Alejandro González Iñárritu continua sendo um diretor que sabe filmar muito bem os aspectos sociais de países – aqui a pobreza e as dificuldades da Espanha são salientadas pela fotografia e pelos jogos de câmera utilizados por ele. Também permanece como um sujeito que sabe orquestrar bons atores. E é com toda certeza que afirmo que Biutiful não seria o mesmo sem a extraodirnária presença de Javier Bardem. Mostrando-se sempre versátil, Bardem é um dos atores expoentes do seu país e, por esse trabalho, chegou a ganhar a Palma de Ouro em Cannes. Humano na medida exata e sempre incrivelmente eficiente, ele é a razão para se assistir Biutiful, um longa com momentos interessantes, mas que termina sendo o mais fraco da carreira do diretor.

FILME: 6.5


14 comentários em “Biutiful

  1. O filme é ótimo. A estética do filme também é excelente – A fotografia, a luz, as cores, tudo funicona em perfeita sincronia. O momento que mais me emocionou é quando ele toca no rosto do corpo embalsamado do pai. Recomendo plenamente.

  2. Fala sério, o filme é muito bom. Aborrecido parece ser o colega que escreveu a matéria, pois nem prestar atenção no filme ele se prestou. A parte dos chineses, assim como toda a trama se passa em Barcelona. O filme, no meu ponto de vista, fala sobre a fraqueza humana em diversas situações. O final é emocionante, dando uma boa e confortável perspectiva sobre a morte. Valeu, vou torcer pelo filme e pelo brilhante J. Bardem na noite do Oscar.

  3. Vi o filme no dia errado, saí do cinema sem entender, achei tudo desconectado, narrativa estranha, sem pé nem cabeça. Não estava em condição de pensar no que me incomodou. Essa crítica me ajudou a entender a falha de ritmo, ainda que o argumento estivesse coerente. Fiquei muito incomodada com a monotonia da sujeira, metafórica e aparente, nas atitudes e no cenário, na seqüência de desgraças. Achei cansativo. Essa falha, o chocar por chocar, subestimou o espectador, na minha opinião, mas reconheço a intenção do diretor de insistir nesse ponto. Por ser tão presente, esta deve ter sido a verdadeira intenção. Afinal, em um filme Biutiful com tanta sujeira e podridão, tanto horror e tragédia, o erro ortográfico do título indica que era nessa palavra que deveria recair toda a responsabilidade do fio da trama, justamente o dever de casa do filho, o plano de férias (fuga) da família e o desenho na parede. O resto seria o contraponto, o feio. A beleza do filme está nos olhos do protagonista e nos olhos de seus filhos, na linda intimidade entre eles, mesmo diante de tanto caos.
    Preciso ver esse filme de novo.

  4. Mayara, o Javier merece MUITO essa indicação!

    Weiner, não sou fã do filme (por isso, não sei se gostaria de vê-lo como vencedor em filme estrangeiro), mas qualquer celebração para o Bardem é justíssima!

    Kamila, acho que essas indicações eram bem previsíveis…

    Cristiano, acredito bem mais no Bardem xD

    Kahlil, não tinha muitas expectativas com o filme, só estava curioso mesmo pelo Javier!

    Gustavo e Murilo, erro corrigido. Valeu! =)

    Rafael, eu gosto do Iñárritu, mas esse foi o mais fraco dele…

  5. Pretendo ver ainda essa semana e embora nao seja tao entusiasta do trabalho do Iñárritu depois de Babel, esse filme parece ter outros ares dentro da filmografia dele, inclusive narrativamente, depois de deixar a parceria com o Arriaga. Tô curioso!

  6. Texto interessante, mas você salienta como Iñarritù sabe filmar os dramas sociais de seu país, mas não percebeu que o filme se passa em Barcelona, na Espanha. Preste atenção nos detalhes: os imigrantes africanos, o pai de Uxbal que fugira para o México durante a ditadura de Franco, a viagem de seus filhos para os Pirineus…

    • Pior q eu ia dizer o mesmo!
      Aparece a lendaria Igreja da Sagrada Familia em Barcelona. A Ige fala que Ekwene é fã do Barça, essas coisas deixam bem explicito que se passa em Barcelona, ES e não no Mexico.
      O que comprometeu a critica do autor.

  7. E, mesmo assim, Bardem foi indicado ao Oscar de Melhor Ator e o filme à Melhor Filme Estrangeiro…

  8. Dramalhão ao estilo do México, ao que me parece. Mas acredito muito na performance do Bardem, e tenho certeza de que sua nomeação ao Oscar foi justa, mesmo sem ter assistido ao longa! Será que fatura o Oscar de produção estrangeira? Te cuida, In a Better World!

    • Filme meio aborrecido? Só um zombie e ainda por cima insensível e pretencioso pode ter achado este filme que é absolutamente extraordinário sob todos os pontos de vista pode fazer uma afirmação tão incrívelmente absurda e pretenciosa. ” Uma obra prima da 7ª arte”.

      Fernando Machado

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