Livro – O Clube do Filme

Sentado lá, na escuridão, no meio daquelas moças com olhos pintados demais e agasalhos de esqui, confesso que tive uma ligeira e secreta vontade de chorar. Não sei ao certo por que eu estava chorando – por causa dele, suponho, por ele e pela natureza fugidia e irrecuperável do tempo…

Já tinha lido O Clube do Filme faz bastante tempo, mas só agora resolvi colocar em palavras o que achei desse livro de David Gilmour. Estava fugindo dessa missão porque queria evitar a modinha que se instalou na época que essa obra foi lançada. Entretanto, o mais portante é que eu fugia dessa missão porque não estava com vontade de escrever sobre um livro que me decepcionou tanto. Não que eu esperasse que O Clube do Filme fosse uma obra genial, mas pelo menos aguardava uma leitura interessante e que fizesse uma homenagem aos efeitos que o cinema pode exercer nas pessoas.

Não encontrei nada disso. Absolutamente nada. Não  concordo com a famosa frase que “a unânimidade é burra”, mas sempre tendo a desconfiar quando algo faz sucesso demais e é aprovado por todos. Foi assim com O Clube do Filme. Adorado em todos os cantos pelos cinéfilos, o livro nada mais é do que uma jogada muito oportunista de David Gilmour. Ele não tem consistência na escrita e isso fica evidente a cada página. Digo isso porque a proposta que era para conduzir a dramaticidade da trama (como os filmes podem ajudar alguém) simplesmente não é bem executada.

Gilmour fala aleatoriamente dos filmes – e, em alguns casos, de maneira muito superficial – e não consegue fazer um paralelo sólido com a vida de seu filho. Os fracos diálogos ainda só pioram essa sensação. O Clube do Filme é um livro vaidoso, onde o autor pensa que, só por ser cinéfilo e por ter mudado a vida de seu filho com a paixão pela sétima arte, pode construir uma obra literária de qualidade. Mero engano. O que poderia servir de inspiração para cinéfilos e motivar aqueles que não são adeptos de forma voraz ao mundo do cinema revelou-se uma verdadeira enganação.

Acompanhamos, então, página após página, conflitos apresentados de forma quase amadora, diálogos simplistas, personagens repetitivos e menções gratuitas a filme. Gilmour não consegue nem despertar vontade no leitor de assistir aos filmes que está comentando. Portanto, é com um aperto no coração que digo que desaprovei por completo O Clube do Filme, uma obra cheia de boas pretensões mas que desliza até mesmo na sua principal proposta. Não é uma ode ao cinema, muito menos uma experiência marcante. É uma decepção. Com todas as letras.

8 comentários em “Livro – O Clube do Filme

  1. Sabe Matheus, a primeira vez que li O Clube do Filme eu desisti. Achei um saco e que foi vendido de forma errada. Meses depois sabendo o que iria encontrar naquelas páginas eu tentei de novo e no final eu aprovei; não é o melhor livro que li, nem tampouco Gilmour possui uma boa técnica. O que agrada aqui é justamente a simplicidade os diálogos que não acho fracos, acho na verdade reais, palpáveis. Acho que o problema de O Clube do Filme é justamente a forma como foi vendido causando decepção na maioria dos cinéfilos que pra mim é o público alvo do livro. Abraço!

  2. Este livro é uma mistura de escrita de cartilhas didáticas com apresentações de filmes que todo mundo conhece. Sofrível.

  3. Nunca tive interesse em ler este livro…

    E toda vez que leio sobre ele, penso que quem escreveu foi o David Gilmour do Pink Floyd! rsrsrs

  4. Primeiro quero dizer que esse é meu primeiro comentário em seu blog. Cara, não me perdoo por não ter encontrado essa maravilha de blog antes! Rsrs! Parabéns, seus textos são incríveis! E espero sempre dar as caras por aqui e deixar meus comentários. Mas já vou avisando que, na maioria das vezes, meus comentários são enormes. Rsrs! Mas sempre tenho coisas interessantes a dizer, modéstia à parte. Hehe…
    O Clube do Filme. Cara, eu tenho esse livro mas nunca tive vontade de ler. Ganhei de uma amiga que comprou, leu e não gostou. Aí já fiquei com o pé atrás. Nunca me interessei mesmo e agora realmente acho que nem vou ler, pelo menos por tão cedo.
    Valeu, cara! Até o próximo comentário…

    Amplexos.

  5. Funcionou pra mim, que já havia assistido a vários dos filmes citados na narrativa, mas no geral achei um livro mediano apenas, sem grande brilho.
    Se a intenção da obra é despertar o gosto pelos filmes citados, realmente deve fracassar. Mas pra quem já conferiu boa parte daqueles, é um passatempo aceitável.

  6. Acho, honestamente, que sua opinião é muito radical. O livro pode não ser bom, mas mesmo assim não me pareceu que o autor tenha querido de fato criar uma correlação magnífica entre os filmes e a vida de seu filho.

    Para mim, ele queria contar casos da sua vida e algumas de suas experiências com filmes, por isso achei o livro interessante e me entretive enquanto o lia.

    “Decepção, com todas as letras” acontece quando você lê O Hobbit, do Tolkien!

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