Melhores de 2010 – Atriz

Se justiça existisse nesse mundo, Meryl Streep teria levado o seu terceiro Oscar quando concorreu, esse ano, por Julie & Julia. Entretanto, a justiça teria sido ainda maior caso a jovem Carey Mulligan tivesse vencido o prêmio da Academia. Encantadora como Jenny, uma jovem que deixa de lado sua vida estudantil para aproveitar sua idade ao lado de um homem mais velho, Mulligan é uma das grandes revelações do ano. Em Educação, a britânica trabalha com sutilezas: a sua Jenny não é aquele tipo de jovem que chora, grita e esperneia. No entanto, faz tudo diferente dos padrões comportamentais da época retrada no filme. Incorporando de forma categórica o amadurecimento da personagem, Mulligan estava lindamente radiante em cada minuto da projeção e nunca nos deixava esquecer que um talento promissor estava aparecendo ali. Uma revelação para ficar de olho.
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ANNETTE BENING (Minhas Mães e Meu Pai)
Annette Bening demonstra pura versatilidade em Minhas Mães e Meu Pai. Ao contrário do que apontam por aí, a verdadeira protagonista do filme é Julianne Moore, mas Bening tem quase a mesma importância em cena. Representando a mãe responsável e que financia a casa, Bening, ao contrário de Moore, possui uma representação mais contida. A sua Nic fala com os olhos (e a cena do jantar, onde ela canta Joni Mitchell comprova isso), sempre tentando manter a ordem emocional na casa. Trabalho certeiro de uma atriz que entendeu por completo os propósitos de sua personagem

GABOUREY SIDIBE (Preciosa – Uma História de Esperança)
Gabourey Sidibe poderia chorar incansavelmente em Preciosa – Uma História de Esperança. Ora, a sua personagem é, possivelmente, a mais sofrida dos últimos tempos. Contudo, a novata Sidibe fez justamente o oposto: preferiu adquirir a simpatia do espectador como uma jovem que, apesar das dificuldades da vida, ainda quer encontrar esperança em tudo. A explosão de emoções está presente em uma cena ou outra, mas Sidibe, acertadamente, preferiu não vitimizar sua Claireece Precious Jones. Para uma novata, a atriz teve muita competência ao fazer uma ótima abordagem de uma figura que poderia cair no exagero nas mãos de outras profissionais.

JULIANNE MOORE (Minhas Mães e Meu Pai)
Se Annette Bening é a “razão” de Minhas Mães e Meu Pai, Julianne Moore é a emoção. Ao contrário da Nic de Bening, a Jules de Moore tem mais desenvoltura ao falar de sentimentos, expressar o que pensa e fazer aquilo que suas vontades pedem. Ela não está presa em regras. O melhor de tudo isso é que Julianne Moore não deixa que sua personagem pareça superficial ou até mesmo vilã só porque não é rígida nem mais esquemática como a figura de Bening. A atriz conquista o espectador e trabalha, com seu talento habitual, uma caracterização verdadeira e sincera. Deveria receber também todas as honrarias que sua companheira de tela vem recebendo nas premiações.

ABBIE CORNISH (Brilho de Uma Paixão)
Passando despercebida em filmes como Um Bom Ano e Elizabeth – A Era de Ouro, Abbie Cornish tem em Brilho de Uma Paixão o seu primeiro grande papel. O filme de Jane Campion dividiu opiniões, mas o talento de Cornish nunca foi questionado. Também não é para menos: assemelhando-se muito com o estilo de Carey Mulligan em Educação, a atriz representou com sutilezas a sua personagem jovem e apaixonada. Num ano em que as revelações foram destaques no mundo das atrizes, Cornish conseguiu ficar entre as melhores. Só a cena final de Brilho de Uma Paixão já é capaz de explicar o porquê.
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Escolha do público:
1. Carey Mulligan (13 votos, 40.63%)
2. Gabourey Sidibe (6 votos, 18.75%)
3. Julianne Moore (6 votos, 18.75%)
4. Abbie Cornish (4 votos, 12.05%)
5. Annette Bening (3 votos, 9.38%)
















