Livro – Como Ver Um Filme

No último dia 27, a crítica de cinema Ana Maria Bahiana esteve em Porto Alegre para uma sessão de autógrafos do seu mais recente livro, Como Ver Um Filme. Além disso, a autora também ministrou, na capital gaúcha, o curso Como Ver um Filme 2: Os Gêneros (a blogueira Kamila, do Cinéfila por Natureza, fez um excelente texto sobre a experiência). Tive o prazer de participar do curso e, também, da sessão de autógrafos, o que foi o suficiente para conhecer melhor Bahiana e, claro, entrar de cabeça em todas as propostas dela com o curso e o livro. O texto que segue é, assim, uma breve análise sobre a versão literária de Como Ver Um Filme (editora Nova Fronteira, 2012) e como ela pode ser considerada, sem exageros, o manual cinematográfico mais recomendável e interessante da atualidade.
Primeiro, precisamos saber quem é Ana Maria Bahiana. Jornalista e escritora, em três décadas de cobertura cultural já escreveu para publicações do calibre da Rolling Stone e do The New York Times. Também já foi roteirista do filme 1972 e, atualmente, reside em Los Angeles, onde é a correspondente brasileira da famosa Hollywood Foreign Press, do Globo de Ouro. Depois, é necessário compreender o objetivo de Como Ver Um Filme. O livro, que, segundo Bahiana, já estava pronto faz certo tempo e que só viu a luz do dia agora, é uma obra que pretende educar o olhar do espectador, mostrando a ele todo o processo de criação de um longa-metragem, desde quando a ideia é lançada para algum realizador (o famoso pitch), a escolha de elenco, a escrita do roteiro, as gravações, etc. Também é um livro que faz um estudo sobre todos os gêneros cinematográficos, apresentando a premissa de cada um deles e também referências para que o espectador posso identificá-los.
Em pouco mais de 250 páginas, Ana Maria Bahiana prima por uma linguagem simples e bem explicativa, mas sem nunca soar didática demais. Como Ver Um Filme, dessa forma, é uma obra para todo e qualquer leitor interessado em cinema. Isso por si só já é um grande mérito, uma vez que a grande maioria das obras literárias sobre cinema e até mesmo dos textos de escritores e críticos do ramo costumam apostar, digamos, em uma linguagem erudita demais, como se entender cinema fosse sinônimo de se expressar com um jeito pomposo e altamente intelectual. Bahiana, então, subverte as expectativas e apresenta um resultado extremamente agradável para qualquer público.
Outro mérito admirável de Como Ver Um Filme é considerar filmes contemporâneos. Se formos procurar obras mais segmentadas ou até mesmo universais, será difícil encontrar aquelas que exemplifiquem seus conceitos com longas mais recentes. Ora, filme bom não é só é filme antigo. E Bahiana, ao mesmo tempo em que cita obras como O Iluminado, Cidadão Kane e E.T., também aponta longas mais atuais que possuem aspectos admiráveis, como Namorados Para Sempre, Kill Bill e Onde os Fracos Não Têm Vez. E tal decisão é fundamental para aproximar o cinéfilo leigo que ainda não tem vasto conhecimento e que só teve maior vivência com filmes que conferiu nos últimos anos. Mais uma vez, a autora dialoga com todos, sem segmentar seu público-alvo.
Como Ver Um Filme é, de certa forma, uma enciclopédia cinematográfica que nunca se torna cansativa. Claro que o texto, uma vez ou outra, adota traços mais didáticos para explicar tópicos que só poderiam ser comentados dessa maneira, mas nada que altere a essência simples e altamente eficiente proposta pela autora. É um trabalho mais do que recomendado, uma experiência enriquecedora que merece reconhecimento por nunca julgar o gosto do espectador. Na realidade, a autora quer é entregar ao leitor ferramentas para que ele próprio faça comparações e perceba detalhes que normalmente não vê para depois construir uma nova percepção sobre o cinema quando procurar uma sessão ou uma locadora. Bahiana une o clássico ao contemporâneo e fala com todos. Algo que, nos dias de hoje, está estranhamente raro… Principalmente quando o cinema se torna cada vez mais democrático.





