Cinema e Argumento

40º Festival de Cinema de Gramado: Mostra Gaúcha – Prêmio Assembleia Legislativa

Foto: Edison Vara/Pressphoto

Na noite desse domingo (12), já foram revelados os primeiros vencedores do 40º Festival de Cinema de Gramado. Em cerimônia realizada no Palácio dos Festivais, conhecemos os vencedores do Prêmio Assembleia Legislativa da Mostra Gaúcha. A programação, que trazia 21 curtas-metragens realizados no Rio Grande do Sul, teve muitos altos e baixos, mas, no geral, a lista de vencedores ficou de acordo com o oferecido.

Elefante na Sala foi escolhido o melhor curta da mostra 2012. Inferior a outros em competição (que serão citados mais adiante), esse curta, a princípio, parece ser apenas mais uma história sobre jovens inquietos. E, durante um bom tempo, ao mostrar um dia na vida de um jovem que não tem outras atividades além daqueles que realiza dentro de casa (refeições, filmes, piscina), dá a impressão de que o resultado é convencional. Mas o curioso mesmo é acompanhar a “revelação” do desfecho, que muda o jogo e traz interessantes abordagens que engrandeceriam o curta caso tivessem mais espaço. Elefante na Sala ainda ganhou a categoria de melhor roteiro.

Na parte técnica, Casa Afogada, de Gilson Vargas, foi o grande destaque, conquistando as categorias de edição de som, direção de arte e produção executiva. Nada mais justo, uma vez que esse excelente curta já é capaz de causar impacto visual logo na primeira cena. Destaque também para a facilidade com que leva o espectador ao ambiente da história (a excelente fotografia tem papel fundamental nisso) e a forma muito contida como mostra a história de um homem vendo sua frágil casa – e consequentemente suas lembranças – desmoronar em um riacho.

Garry – um dos melhores em exibição – também foi bastante celebrado, vencendo  melhor montagem, direção e o especial Prêmio Exibição Curtas Gaúchos. O trabalho da dupla Richard Tavares e Bruno Carboni faz um paralelo entre cinema, xadrez e a própria vida. Mostrando uma dupla de cineastas que resolve fazer um filme com Garry Kasparov, o melhor jogador de xadrez do mundo, o curta apresenta discussões sobre o que significa ganhar, perder e, mais importante, tentar. Com um tom documental, o curta aproveita demais a figura do jogador de xadrez, que é o fio condutor da história muito bem arquitetada e que é certeira nas analogias que propõe.

O injustiçado da noite, em contrapartida, foi 24 Horas Com Carolina, o trabalho mais sutil da mostra. De tantas categorias que o curta de Eduardo Wannmacher merecia vencer, consagrou-se logo na mais inusitada: melhor ator para Gutto Zuster (roubando, assim, o prêmio de João Carlos Castanha pelo também injustiçado Paraphilia). É estranho ver 24 Horas Com Carolina ganhar logo essa categoria tendo tantas virtudes merecedoras de honrarias, como o próprio roteiro, que nunca é tendencioso demais para o drama ou para o romance. O curta encontra o tom exato para sua história que envolve nostalgia e o prazer de pequenos momentos com aquela pessoa que faz muita falta. Não foi valorizado. Confira a lista completa de vencedores:

MELHOR FILME: Elefante na Sala, de Guilherme Petry

MELHOR MÚSICA: Bunker Studio (Fez a Barba e o Choro)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: Iara Noemi e Gilka Vargas (Casa Afogada)

MELHOR MONTAGEM: Bruno Carboni (Garry)

MELHOR FOTOGRAFIA: Bruno Polidoro (Fez a Barba e o Choro)

MELHOR ROTEIRO: Guilherme Petry e Samir Arrage (Elefante na Sala)

MELHOR DIRETOR: Richard Tavares e Bruno Carboni (Garry)

PRÊMIO EXIBIÇÃO CURTAS GAÚCHAS: Garry, de Richard Tavares e Bruno Carboni

MELHOR ATRIZ: Fernanda Carvalho Leite (Lobos)

MELHOR ATOR: Guto Zuster (24 Horas Com Carolina)

O que esperar do 40º Festival de Cinema de Gramado?

O Festival de Cinema de Gramado tenta se recuperar de tempos turbulentos. E os problemas vão muito além das dívidas acumuladas. Nos últimos anos, o evento cinematográfico mais famoso do sul do Brasil – e também um dos maiores e mais tradicionais de todo o território nacional – sofreu com uma forte crise de personalidade. Dentro do Palácio dos Festivais, lugar onde ocorre a exibição das mostras competitivas, filmes restritos demais e que em nada dialogam com o público. Do lado de fora, no tapete vermelho, ex-atores de Malhação e recentes participantes do Big Brother tirando fotos com o público que, claramente, só está ali pelo rebuliço. Com preços exorbitantes em suas sessões, o Festival de Cinema de Gramado correu o risco de não acontecer em 2012. E se, de fato, não acontecesse, o vexame teria um gosto ainda mais amargo, uma vez que a derrota aconteceria justamente na comemoração de seus 40 anos.

Só que Gramado venceu. Unindo esforços, o Festival chega nessa simbólica edição totalmente reestruturado. Com mudanças que vão desde a coordenação até a própria curadoria, o evento promete novos ares – e muito esperançosos, diga-se de passagem. Logo de cara, tomou a óbvia e acertada decisão de tornar o Festival mais atraente o público: os ingressos agora custam de 10 a 20 reais. Também formou uma curadoria mais eclética: o trio José Wilker, Rubens Ewald Filho e Marcos Santuário possui formações em diferentes áreas, o que, certamente, dá um tom mais abrangente à seleção. E o resultado já foi sentido desde a coletiva de imprensa de divulgação do evento, que deixou de acontecer no hotel Sheraton, de Porto Alegre, para acontecer em um tradicional ponto de encontro dos cinéfilos da capital gaúcha: a Cinemateca Paulo Amorim. Anunciou-se, também, a efetiva participação das entidades de cinema no processo de realização do Festival e a vontade de tornar o evento mais democrático.

Por isso, a 40ª edição, que começa no próximo dia 10 e se estende até 18, promete uma nova fase para esse histórico Festival que tem uma história merecedora de aplausos. Não é qualquer evento cinematográfico que consegue durar tanto tempo em nosso país, sobrevivendo, ao longo das décadas, a todo tipo de censura e problemas financeiros. Muito mais do que isso, o Festival de Gramado ainda tem ampla visibilidade internacional, já que reserva uma mostra competitiva exclusiva para os filmes latinos. Em toda sua trajetória, exibiu filmes brasileiros históricos e premiou grandes atores como Marília Pêra, Lima Duarte e Marieta Severo. Outros cineastas de renome vieram à serra gaúcha para homenagens e exibições especiais de seus filmes, a exemplo de Eduardo Coutinho com Jogo de Cena. No segmento latino, Gramado já havia premiado Pedro Almodóvar antes mesmo dele ter um Oscar. E Juan José Campanella ainda nem sonhava com O Segredo dos Seus Olhos quando foi aplaudido na serra gaúcha com O Filho da Noiva.

Ou seja, é uma boa notícia o Festival de Cinema de Gramado ter sobrevivido. Uma história como essa não poderia ser interrompida. O que se percebe, em 2012, é a vontade do Festival de se livrar das amarras negativas das edições anteriores, deixar de lado a atenção excessiva a estrelas que só vão passear em Gramado e abraçar uma seleção de longas mais de acordo com o que o cinema nacional produz. Falando mais especificamente sobre os filmes selecionados, é perceptível a vontade da curadoria de não afastar o interesse do público aos longas em exibição. Entre documentários e ficção, filmes que fazem retratos de figuras e momentos históricos. Trabalhos mais intimistas e pessoais, com temas universais sobre famílias e o cotidiano comum a todos. O novo posicionamento do Festival está sendo sentido. E o Cinema e Argumento, que estará presente na serra gaúcha para acompanhá-lo, só torce para que o evento retome suas origens. No ano em que o Festival de Paulínia foi cancelado, é muito importante ver que a cinematografia brasileira ainda tem um lugar importante como esse para ser celebrada. Confira no site oficial a programação completa.

Valente

If you had a chance to change your fate, would you? 

Direção: Mark Andrews, Brenda Chapman e Steve Purcell (codireção)

Roteiro: Mark Andrews, Steve Purcell, Brenda Chapman e Irene Mecchi, com história de Brenda Chapman

Com as vozes originais de: Kelly Macdonald, Emma Thompson, Julie Walters, Robbie Coltrane, Billy Connolly, Kevin McKidd, Craig Ferguson, Eilidh Fraser

Brave, EUA, 2012, Animação, 100 minutos

Sinopse: A jovem princesa Merida não quer saber da vida de realeza e não gosta nem de pensar em ser apenas mais uma esposa para o filho de algum lorde. Indo contra as tradições e os costumes, ela desafia seus pais ao perseguir o sonho de se tornar uma arqueira e, com isso, coloca em risco o reinado de seu pai, o Rei Fergus. (Adoro Cinema)

Up – Altas Aventuras foi a última animação com DNA Pixar. Os outros realizados posteriormente pelo estúdio, como Toy Story 3 e Carros 2, além de reforçarem o infinito poder das continuações, apresentavam-se de forma mais avulsa, deixando a sensação de que não precisavam existir. E em tempos que a Pixar anuncia mais conversões para 3D (Procurando Nemo) e outras sequências (Monstros S.A. 2), era de se esperar um sopro de originalidade de Valente, primeira animação com história realmente “original” desde Up. O que o filme comprova, entretanto, é que o estúdio não é tão inabalável como pensávamos. Talvez, o que impeça Valente de ser um filme legitimamente interessante seja a total influência da Disney nesse processo. A Disney, que, para quem não sabe, comprou a Pixar faz pouco tempo, parece ter grande controle aqui, castrando um pouco o jeito Pixar de contar histórias. Óbvio que ter um pouco de Disney sempre faz bem. O que acontece é que, dessa vez, é possível sentir uma grande ausência do estúdio que já criou grandes animações como WALL-E e Ratatouille.

Valente traz a primeira protagonista feminina da Pixar. E se o jeito subversivo dela tem tudo a ver com o jeito do estúdio, o mesmo não se pode dizer do desenvolvimento – tanto dela quanto de sua história. Escrito a quatro mãos (o que nunca é um bom sinal), o roteiro de Mark Andrews, Steve Purcell, Brenda Chapman e Irene Mecch está mais para uma história convencional do que para uma trama grandes sacadas. Valente traz trapalhadas com bichos falantes, os típicos personagens em conflito que ficam juntos em uma jornada, a maldição que precisa ser revertida até o amanhecer, lições de moral, bastante barulho e personagens extravagantes representando humor. De forma racional, todos estes aspectos incomodam, já que estamos acostumados a ver tal formato a todo momento nos cinemas. Mas se falta aquela originalidade e consistência de roteiro que outrora elevou a Pixar ao patamar de referência obrigatória, aqui temos uma história com de grande coração, característica da Disney. Com isso, as bobeiras do roteiro conseguem não prejudicar tanto o resultado, já que ele acerta em cheio quem considera a emoção o principal fator de uma animação.

Valente também entrega tudo o que os pequenos quem ver, especialmente quando o assunto é diversão. Nesse aspecto, o filme se sai muito bem: o trio de gêmeos é divertidíssimo e o humor envolvendo os ursos maior ainda, por exemplo. O problema, como já mencionado, é a falta de uma genialidade no roteiro, que, no final das contas, parece ser a reciclagem de vários outros trabalhos em termos de enredo. Por isso, o longa de Mark Andrews, Brenda Chapman e Steve Purcell (outro erro: muitos diretores que não dão uma unidade ao longa) se apresenta de diferentes maneiras para os fãs da Disney e os da Pixar. Os primeiros certamente sairão satisfeitos da sessão com aquele sentimento de missão cumprida, de ter visto um trabalho satisfatório com um quê da emoção. Já os segundos podem se sentir decepcionados de novo, com outra história que ficou devendo bastante para os padrões do estúdio. E você, de que lado fica?

FILME: 7.0

TOP 10: Filmes estrangeiros contemporâneos

Selecionar os dez filmes estrangeiros para essa lista foi uma tarefa extremamente fácil. Considerando o “contemporâneo” como dos anos 2000 para agora, tenho muitos longas que me emocionaram e que possuem presença muito forte na minha memória afetiva. Assim, o desafio, na realidade,  foi definir uma ordem de preferência. E que desafio! Esse TOP 10, que quebra o padrão que havíamos apresentado até agora com postagens só sobre atrizes, inaugura as versões mais temáticas dessa seção do blog. Confira, abaixo, a lista que transita por uma grande variedade de países.

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1. ADEUS, LENIN! (Goodbye, Lenin!, Alemanha, 2003): Se existe um filme estrangeiro recente que mexe com as minhas emoções, esse é Adeus, Lenin!. Sucesso de bilheteria na Alemanha, o longa do diretor Wolfang Becker é cercado de sutilezas para contar uma bonita história familiar. A comédia também está presente, mas de forma muito natural e controlada. Além do roteiro e da certeira direção, o filme ainda tem uma inesquecível trilha sonora composta pelo sempre brilhante Yann Tiersen. Adeus, Lenin! é singelo. E, como a maioria dos filmes marcantes, termina singular por ser, justamente, livre de apelações.

2. O LABIRINTO DO FAUNO (El Laberinto del Fauno, 2006, México): Obra-prima de Guillermo Del Toro, essa fábula mexicana ganhou repercussão internacional, ganhando, inclusive, alguns Oscars técnicos. Não é para menos: O Labirinto do Fauno consegue unir drama e fantasia em uma mistura sublime. Não bastasse a linda trilha de Javier Navarrete e a excelente fotografia de Guillermo Navarro, o filme é conduzido com muita segurança pelo diretor, que consegue fazer um interessantíssimo paralelo entre fantasia e realidade. Sem falar que a jovem Ivana Baquero cumpre muito bem a missão de protagonizar esse longa super original e muito bem realizado.

3. A PELE QUE HABITO (La Piel Que Habito, 2011, Espanha): Se Abraços Partidos mostrava um Almodóvar apoiado completamente na reciclagem, A Pele Que Habito veio para mostrar que ele ainda está cheio de fôlego com novas ideias e inventividades. Dá para entender quem não consegue se envolver tanto com o filme, mas, para mim, A Pele Que Habito foi uma experiência extremamente sensitiva. Do drama ao suspense, Almodóvar ousa, choca e intriga. O que poderia ser apelativo e nada verossímil nas mãos de outro diretor, aqui ganha contornos extremamente envolventes. Uma história que só poderia ser contada pelo espanhol.

4. O QUARTO DO FILHO (La Stanza del Figlio, 2001, Itália): Nunca tive coragem de rever O Quarto do Filho tamanha a comoção que ele me causou. Lembro de sentir na pele todas as dores dessa trágica história sobre um pai que precisa lidar com a morte de seu filho. É o ponto alto da carreira de Nanni Moretti, que, apesar de ficar muitas vezes no limite do dramalhão, nunca deixa a história ficar exagerada. Ele não desaponta em nenhuma de suas três funções (ator, diretor e roteirista), realizando um longa que foi extremamente merecedor de todas honrarias que recebeu – incluindo a Palma de Ouro em Cannes.

5. AS INVASÕES BÁRBARAS (Les Invasions Barbares, 2003, Canadá): Cercado de melancolia, As Invasões Bárbaras consegue ser superior ao seu superestimado exemplar anterior, O Declínio do Império Americano. Claro que as propostas são bem diferentes, mas essa continuação tem uma sutileza de impressionar. Narrando o reencontro de velhos amigos que, na juventude, se encontravam para discutiar sexo, política e outros assuntos, As Invasões Bárbaras ainda fala sobre o fim da vida e relacionamentos familiares que não deram certo. Certamente, conquistará o público mais sensível.

6. FALE COM ELA (Hable Con Ella, 2002, Espanha): Se eu tivesse que dizer qual o filme favorito da maioria dos fãs de Almodóvar, não tenho qualquer dúvida que meu palpite seria Fale Com Ela. Aqui, estão presentes todos os elementos que fizeram do cineasta a grande referência que ele é mundialmente. Entre tantos assuntos discutidos, a força do mundo feminino e relacionamentos desestruturados. Tudo isso em um filme que ainda traz a cena mais genial de sexo que o cinema já viu, homenagens à Pina Bausch e várias surpresas em suas resoluções dramáticas. É puro Almodóvar!

7. O FILHO DA NOIVA (El Hijo de la Novia, 2001, Argentina): Mais um filme dessa lista que preza pela sutileza de dramas familiares e  relacionamentos. Ainda que O Segredo dos Seus Olhos seja mais evoluído em diversos aspectos (principalmente na inventiva direção de Juan José Campanella), a história do workaholic que precisa lidar com sua mãe que sofre de Alzheimer consegue fisgar muito mais as minhas emoções. E, por se tratar ainda de um drama que, muitas vezes, lembra um pouco algumas fases do meu convívio familiar, Campanella me conquistou por completo. Acima de tudo, uma história universal.

8. A SEPARAÇÃO (Jodaeiye Nader az Simin, 2011, Irã): Já faz alguns meses que conferi A Separação e roteiro muito bem amarrado, detalhista e nervoso ainda permanece comigo. Não é qualquer um que cria um roteiro como aquele. O exemplar iraniano ganhou praticamente todos os prêmios da temporada que concorreu, algo que é facilmente compreensível. Longe de ser pretensioso, A Separação quebra preconceitos com o cinema iraniano e apresenta um resultado interessante para qualquer plateia. De tirar o chapéu.

9. AMORES BRUTOS (Amores Perros, 2000, México): Primeiro filme de uma trilogia criada pelo diretor Alejandro González Iñárritu para falar sobre incomunicabilidade através de histórias que se cruzam, Amores Brutos ainda é melhor que os seus sucessores. A longa duração não atrapalha essa intensa história que nunca se perde no meio de tantos personagens e situações. É Iñárritu em seu melhor, dirigindo muito bem os atores e mostrando ser um dos maiores nomes do cinema mexicano. Amores Brutos justifica o sucesso do diretor e fala por si só.

10. [REC] (idem, 2007, Espanha): Não tem como falar de filmes estrangeiros contemporâneos sem citar [REC], que é uma verdadeira aula de como se fazer suspense. Inventivo em praticamente todos os aspectos – não à toa foi copiado à exaustão ao redor do mundo – é um filme de dar agonia do início ao fim, sem qualquer pausa maior para o espectador recuperar o fôlego. Teve algumas continuações e uma refilmagem (Quarentena, péssimo) que não deram muito certo, o que comprova que a eficiência do filme original é impossível de ser copiada ou variada. É única.

Inscrições abertas para o CLOSE 2012

Corealização do SOMOS – Comunicação, Saúde e Sexualidade* com a Avante Filmes*, o Festival CLOSE tem como objetivo a valorização e difusão de obras cinematográficas que promovem reflexões sobre a diversidade de expressões da sexualidade humana. Em 2012, o CLOSE, que acontece em Porto Alegre, comemora sua terceira edição – e as inscrições para participar do Festival já estão abertas (conferir o site oficial).

No ano passado, as mostras competitiva e informativa ocuparam diferentes salas da capital gaúcha, com programação inteiramente gratuita, bem como a programação paralela repleta de encontros e diálogos entre cineastas, estudantes, pesquisadores e cinéfilos. Na edição passada do CLOSE, conversei com os diretores Filipe Matzembacher e Márcio Reolon, da Avante Filmes, sobre a realização do Festival (originalmente para o portal Cultnews). Agora, dada a abertura das inscrições, acho válido replicar esse bate-papo aqui no blog. Confiram!

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Qual a importância do cinema e de festivais para a discussão da diversidade de expressões da sexualidade humana?

A arte em geral serve, principalmente, para reflexão dos anseios, sentimentos, discussões e necessidades humanas. Assim, um festival que aborda a temática da sexualidade, em sua amplitude, gera debates e questionamentos importantes para a evolução de uma sociedade. No momento em que um evento desses é criado, mais pessoas assistem filmes ligados a essa temática, mais debates e novos questionamentos são gerados. Todos os filmes que buscamos, acima de tudo, têm de ser obras consistentes. Assim passam melhor suas mensagens… E, por isso, a qualidade dos filmes no Festival é bem alta. O conjunto é bem poderoso. O Festival também ofereces encontros e debates, pois achamos essencial esse contato. Com essa aproximação, o público entende todas as intenções da equipe e os realizadores recebem o feedback de suas obras perante o público.

Como é a parceria entreoa SOMOS e a Avante Filmes para a realização do CLOSE?

A parceria começou ano passado, quando organizamos a primeira edição do CLOSE juntos. O SOMOS havia ganho um edital de pontão de cultura, que incluia a produção de um festival de cinema, e a Avante Filmes foi convidada a participar da elaboração e produção do mesmo. O trabalho conjunto deu muito certo, e passou a ir além de uma parceria para edições futuras. Só nesse ano, fora o CLOSE, realizamos juntos quatro curtas-metragens, um vídeo institucional, e temos projetos bem bacanas e ambiciosos para um futuro próximo.

Quais foram os principais desafios para realizar um Festival como esse?

Apesar da boa receptividade, nem todo mundo está interessado ainda em apoiar projetos de gênero, o que de certa forma dificulta a realização (pensando-se ainda que é um projeto ligado à cultura). Trabalhar com cultura no Brasil não é fácil e com cultura de gênero menos ainda. Contudo, conseguimos agregar ao projeto diversos apoiadores que facilitaram a execução do CLOSE 2011. Esperamos que, a cada ano que passe, as entidades públicas e privadas invistam mais em cultura e em projetos que abordem a diversidade sexual. É necessário e é gratificante.

E o apoio? Quem são as pessoas que ajudaram a tornar o CLOSE uma realidade?

Além de todos os funcionários do Grupo SOMOS e da Avante Filmes, tivemos muitos parceiros nesse processo. Os críticos de cinema Marcus Mello e Christian Petermann abraçaram as curadorias do evento. A Secretaria de Cultura do Rio Grande do Sul, a Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal e a E O Vídeo Levou possibilitaram que fizéssemos um festival do porte que gostaríamos. O CineBancários, a Cinemateca Paulo Amorim, o Memorial do Rio Grande do Sul e o Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo nos deram a infraestrutura necessária. A identidade visual, que está belíssima, ficou a cargo do fotógrafo Eduardo Carneiro e do designer Carlos André Pires. A assessoria de imprensa foi feita pelo SOMOS e pela Camejo Comunicações. Além de todos esses, se envolveram restaurantes, bares, casas noturnas, albergue, escola de idiomas, entre muitos outros. Todos querendo ajudar e participar do processo, por acreditarem na idéia.

Essa já é a segunda edição do Festival. Como vocês avaliam a primeira edição dele?

Foi um sucesso. Nem mesmo nós tinhamos a certeza de que seria tão positivo. Sessões lotadas (fomos o evento com maior índice de audiência do CineBancários ano passado), público super participativo e interessado, realizadores do país inteiro presentes. Tivemos até a presença de dois atores argentinos super em acensão, Ines Efron e Martin Rodriguez. As reclamações se limitavam ao fato de que o evento tinha “apenas” quatro dias de duração, e as pessoas queriam mais. Foi uma prova de que o Rio Grande do Sul estava carente de um festival assim, que abordasse esse gênero específico. O feedback que tivemos do público foi muito bacana. Eram pessoas de diversos estilos, faixas etárias, classe social, orientação sexual. Mas todos estavam interessados em ver bons filmes e debater cinema e sexualidade. Ao longo do ano, tivemos pessoas ligando e perguntando se haveria CLOSE esse ano também, pois queriam muito participar novamente.

Como é o processo de escolha dos filmes concorrentes e vencedores do Festival?

Os filmes são através dos curadores. Esse ano, pela segunda vez consecutiva, as mostras Competitiva e Paralela ficaram a cargo do crítico de cinema Marcus Mello. Os filmes tinham que ser inscritos pelo site, com cópias que passavam pela seleção. Os vencedores da Competitiva serão julgados por três jurados, que comparecerão às sessões. Há, também, o júri popular, que é um voto do público presente. Já a Mostra Informativa, que abrange curtas, médias e longas-metragens, de qualquer época e lugar, é uma seleção pessoal do também crítico Christian Petermann. Ele é de São Paulo, e não o conheciamos pessoalmente ainda, apenas seu trabalho. Fizemos contato, ele gostou da idéia e topou embarcar.

Quais são os planos para as próximas edições?

Nosso objetivo é expandir o CLOSE cada vez mais. Ainda é cedo para falar em reformulações específicas. Mas criar uma versão menor, itinerante, que percorra o país, certamente está nos planos. Independente do rumo que o evento siga, queremos manter sempre seu caráter de fomentar e democratizar o acesso à cultura.

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* SOMOS é uma organização de sociedade civil criada em 10 de dezembro de 2001, formada por uma equipe multidisciplinar de profissionais das áreas da Educação, Saúde, Direito, Comunicação e Cultura. Sua missão é trabalhar por uma cultura de respeito às sexualidades através da educação da sociedade e afirmação de direitos.

* Avante Filmes é uma produtora portoalegrense que já realizou, em vôo solo, ou em coproduções, doze curtas-metragens com premiações e passagem em mais de 80 festivais de cinema e mostras nacionais e internacionais de destaque, incluindo o Festival de Cinema de Cannes, além de diversos institucionais, séries para televisão e internet, videoclipes e mostras.