O som das trilhas
Foi uma interessante iniciativa do Oscar lançar oficialmente as composições feitas originalmente para a 84ª edição. A festa em si foi pura monotonia e a parte musical presente nesse álbum aparecia de forma muito tímida, mas basta ouvir o trabalho separadamente para encontrar resultados bem interessantes. The 84th Academy Awards: Celebrate the Music reúne compositores como Hans Zimmer e A.R. Rahman, além de uma bela versão de Esperanza Spalding para What a Wonderful World. O auge do álbum, porém, é Celebrate the Oscars, inspirada e eclética composição de Zimmer.
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A elegante série Downton Abbey não teria o mesmo charme sem a eficiente trilha criada por John Lunn. Além da ótima composição-tema, ele emprega sempre o tom correto para a história da família Crawley e seus subalternos: as melodias dramáticas nunca são apelativas e as de “comédia” possuem o tom certo de, digamos, excentricidade. Trilhas instrumentais de TV não são lançadas com tanta frequências, mas a de Dowton Abbey fez por merecer. Assim como toda a parte técnica do programa criado pelo roteirista Julian Fellowes, é exemplar e superior a de muitos filmes por aí.
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Com o lançamento de Drive, quase ninguém valorizou o trabalho que Cliff Martinez já havia realizado anteriormente para Contágio. Só com a faixa de abertura, They’re Calling My Flight (que é a mais marcante do longa) já conseguimos perceber a versatilidade do compositor. E, ao longo da trilha, faixa a faixa, isso só se confirma: a variedade está não apenas entre batidas eletrônicas e sonoridades mais convencionais, mas também no próprio tom das composições. Um trabalho muito completo que está a serviço desse filme que é o mais relevante realizado por Soderbergh em muitos anos.
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Excepcional drama televisivo da HBO, In Treatment também tem a seu favor a excelente trilha sonora de Richard Marvin. O compositor, que já tem em seu currículo um marco da televisão (Six Feet Under), aplica na série estrelada por Gabriel Byrne toda a sua sutileza com o piano. Capaz de criar melodias incrivelmente melancólicas, Marvin consegue se reciclar sem nunca soar cansativo. Pena que é um álbum muito difícil de se encontrar… Destaque para Oliver – Week 4 – Season 2, que, mesmo sendo tema de um personagem desinteressante, captura toda a dramaticidade da série.
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O compositor Marc Streitenfeld tem uma sólida parceria com o diretor Ridley Scott. Juntos, já realizaram Robin Hood, O Gângster, Rede de Mentiras, entre outros. Agora, eles voltam a trabalhar juntos em Prometheus. Assim como nas outras trilhas que realizou para os trabalhos de Scott, Streitenfeld apresenta, novamente, um álbum totalmente condizente com o longa-metragem em questão. O problema é que se a trilha dele para Prometheus funciona muito bem junto com o filme, separadamente soa convencional, sem grandes momentos. Definitivamente, não é para se ouvir repetidas vezes.
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Deve ser uma instrução do próprio diretor Christopher Nolan: todas as trilhas que Hans Zimmer faz para os filmes dele têm exatamente o mesmo estilo. Por isso, até mesmo para quem não presta muita atenção em trilhas, esse álbum de The Dark Knight Rises pode parecer bastante familiar. Com ou sem Nolan, Zimmer é sempre bom e aqui, novamente, ele não desaponta. Só faltou o fator novidade, já que em faixas como Rise identificamos facilmente ecos das composições A Origem, por exemplo. Talvez com o filme deva ser mais impactante. Mas, assim como a de Prometheus, não tem grande impacto se analisada separadamente.

Precisamos Falar Sobre o Kevin é muito mais do que o poderoso desempenho de Tilda Swinton: é, também, um longa de qualidades inegáveis e com uma narrativa singular. O Artista ganhou todos os prêmios da temporada, mas em nada é mais brilhante do que os clássicos mudos do cinema. Meryl Streep conseguiu sobreviver intacta ao que Phyllida Lloyd fez em A Dama de Ferro e só por isso sua interpretação já é uma das melhores do ano. Guerreiro chega apenas em DVD no Brasil, sendo que deveria ter exibições no cinema por ser tão emocionante e mostrar que histórias banais podem sim ser extremamente envolventes. São dois filmes dentro de A Invenção de Hugo Cabret, e eles não combinam. George Clooney tem um de seus melhores momentos como ator em Os Descendentes, mas o diretor Alexander Payne está domesticado demais. Histórias Cruzadas nada mais é do que um bom trabalho de seu elenco feminino – em especial da sempre maravilhosa Viola Davis. Cavalo de Guerra… bom, melhor deixar pra lá. Drive, o filme mais estiloso do ano até agora. Em W.E. – O Romance do Século, Madonna não entende que seu status se limita apenas ao mundo da música.
O iraniano A Separação tinha o melhor roteiro original da award season. Daniel Radcliffe é esforçado, mas A Mulher de Preto não. Subestimado, Poder Sem Limites é uma das agradáveis surpresas de 2012. Charlize Theron é o ponto alto de Jovens Adultos. Keira Knightley estraga Um Método Perigoso. Stephen Daldry foi injustamente apedrejado pelo apenas satisfatório Tão Forte e Tão Perto. A bela trilha de Harry Escott e a atuação de Michael Fassbender permanecem com o espectador após Shame. A adaptação de Jogos Vorazes foi sensação, mas o filme não justifica tanto barulho. Mia Wasikowska está em seu melhor momento no cinema com Jane Eyre, que ainda traz uma linda trilha de Dario Marianelli. O errado Deus da Carnificina é defendido só por ser um filme de Roman Polanski. Prometheus é o blockbuster do ano até agora. Tim Burton chega mais perto do fundo do poço com Sombras da Noite. Andrew Garfield e Emma Stone são muito melhores do que o desnecessário O Espetacular Homem-Aranha. A Disney sufoca a liberdade criativa da Pixar em Valente.





