Shame
We’re not bad people. We just come from a bad place.

Direção: Steve McQueen
Elenco: Michael Fassbender, Carey Mulligan, James Badge Dale, Lucy Walters, Alex Manette, Loren Omer, Nicole Beharie, Robert Montano, Loren Omer
Inglaterra, 2011, Drama, 101 minutos
Sinopse: Brandon (Michael Fassbender) é um homem bem sucedido que mora sozinho em Nova York. Seus problemas de relacionamento, aparentemente, são resolvidos durante a prática do sexo, tendo em vista que é um amante incontrolável. Contudo, sua rotina de viciado em sexo acaba sendo profundamente abalada quando sua irmã Sissy (Carey Mulligan) aparece de surpresa para morar com ele. (Adoro Cinema)

Seria fácil definir Brandon (Michael Fassbender) como um viciado em sexo. Além de fácil, seria simplista demais. Esse problema de Brandon, na realidade, é fruto de uma profunda solidão. Ele tem um bom trabalho, mora sozinho em um ótimo apartamento na cidade de Nova York e sustenta uma aparência impecável. Porém, é incapaz de estabelecer qualquer relacionamento ou expressar sentimentos. Sua bem sucedida vida é resumida a momentos de sexo. Shame, tão envolto em polêmicas por trazer Fassbender em cenas de nudez e por não pegar leve na abordagem sexual, nos apresenta a esse homem que passa para o espectador todo o vazio que sente. E só, já que o filme de Steve McQueen não vai além dessa notável sensação passada por seu protagonista.
Talvez a escolha de apenas retratar personagens sem ao menos justificar suas personalidades e ações seja uma constante nos roteiros de Abi Morgan (do péssimo A Dama de Ferro). Em Shame, temos um personagem fascinante que está inserido em uma vida quase sufocante de tão sem perspectiva – mas, por outro lado, nunca sabemos qual a razão dele ser assim, de sua vida ter chegado a esse ponto. Ele simplesmente é, sem explicações. Em outros filmes, tais justificativas podem até não ser relevantes. Mas, em Shame, elas fazem muita falta, especialmente quando Sissy (Carey Mulligan) entra em cena para mudar completamente a vida do protagonista. Inclusive, o conturbado relacionamento dos dois irmãos também não é explicado. Afinal, qual o motivo de tanto distanciamento? Por que existem tantas desavenças?
A falta de respostas tira o potencial de Shame, que termina carente de maior profundidade e, principalmente, de uma alta complexidade que o filme merecia ter. Por outro lado, o longa tem resultado bastante positivo no que diz respeito ao retrato solitário de seu protagonista. Méritos, também, claro, do ótimo Michael Fassbender, cuja total entrega ao papel chega a impressionar. Ele segura muito bem o filme, especialmente nas cenas em que as circunstâncias exigem expressões e não palavras. Duas sequências são, no mínimo, notáveis: aquela que abre o filme e outra em que mostra uma forte cena de sexo de Fassbender com duas mulheres. Não por acaso, a bela trilha instrumental de Harry Escott tem papel fundamental nesses momentos para fazer o espectador sentir as angústias do protagonista.
Shame, certamente, é incômodo e para poucos. Tal afirmação não se restringe ao teor erótico do filme, mas também pela maneira calma, desesperançosa e nada explicativa da história se desenvolver. O novo trabalho do diretor Steve McQueen serve, afinal, para trazer o melhor momento de Fassbender, que é o ator do momento ao lado de Ryan Gosling, e também – vale ressaltar – a mudança de Carey Mulligan, que finalmente abandonou o tipo enjoado e chorão que havia criado depois de Educação. Shame incomoda e traz várias sensações durante o seu desenvolvimento. Só não é superior por deixar de lado explicações que, ao meu ver, eram fundamentais para tornar a experiência mais completa.
FILME: 7.5



