Cinema e Argumento

43º Festival de Cinema de Gramado #2: alunos do projeto Educavídeo colocam na tela do Palácio dos Festivais a paixão pelo cinema

43º Festival de Cinema de Gramado - 06/08/2015.  Os diretores Gabriel Riboli, do filme “Troféu, A Enrascada” e Gustavo Gomes, do filme “Quem é o lobo?”, ambos do projeto Educavídeo. Foto: Igor Pires/Agência PressPhoto

Gabriel Riboli e Gustavo Gomes são dois dos alunos gramadenses que apresentam seus filmes no Palácio dos Festivais com o projeto Educavídeo. Foto: Igor Pires/Pressphoto

O cinema norteia Gramado não apenas durante o Festival de cinema nos meses de agosto. Na realidade, ao longo de todo o ano, o município entende a sétima arte como ferramenta de educação e plataforma para estimular sonhos. É com essa proposta que o Educavídeo é realizado com alunos da rede pública de Gramado. No projeto, os jovens aprendem todas as etapas da realização de um filme, assistidos por professores e profissionais da área. O resultado de todo esse trabalho é celebrado, desde o ano passado, com uma noite especial no Palácio dos Festivais que antecede à abertura do Festival do Cinema de Gramado. Com credenciais no pescoço como qualquer outro profissional que concorre no evento, os alunos atravessam o tapete vermelho e se tornam os protagonistas da programação em uma noite dedicada inteiramente aos seus curtas-metragens.

Gabriel Riboli e Gustavo Gomes são dois dos jovens cineastas que Gramado está formando. O primeiro dirige a comédia “Troféu: A Enrascada”, enquanto o segundo comanda o suspense “Quem é o Lobo?”. Ambos, além da paixão pelo cinema e o convívio no projeto, têm algo em comum: se sentem agora parte do Festival de Cinema de Gramado como qualquer outro convidado brasileiro ou latino. “Os meus pais sempre me traziam para ver os famosos no Tapete Vermelho e agora faço parte dele. O Educavídeo me deu confiança para estar no Festival e acompanhar de perto a programação”, conta Gabriel. Outro aspecto em comum entre os dois é o favoritismo por um filme específico: todos da saga “Harry Potter”. “É uma história marcante porque fala de situações cotidianas e sentimentos comuns por meio da magia”, avalia Gustavo. O jovem bruxo dos longas baseados na obra de J.K. Rowling são apenas fruto de uma longa história com o cinema, já que tanto Gustavo quanto Gabriel se dizem apaixonados não só por filmes, mas por artes em geral. Os dois, inclusive, já dividiram juntos o palco em um curso de teatro.

Os desafios de Gabriel e Gustavo na realização de seus filmes foram bastante distintos. Enquanto o primeiro assistiu e pesquisou comédias indianas para dar seu toque a uma história que era de sua autoria, Gustavo escreveu, dirigiu e atuou em seu suspense. Para Gabriel, o desafio foi justamente dirigir um roteiro que não era de sua autoria, ainda que a experiência tenha lhe trazido momentos de grande troca: “O roteiro chegou pronto para mim, mas, durante toda a realização, pude palpitar e sugerir mudanças na história. Foi importante esta relação com quem escreveu para que chegasse no resultado final”. Enquanto isso, Gustavo trouxe seu gosto por filmes de terror para pensar o roteiro de “Quem é o Lobo?”, e o resultado é motivo de orgulho. “Sempre fui apaixonado por cinema e exibir esse filme no Palácio dos Festivais é uma conquista muito grande. É muito importante ter este trabalho reconhecido no Festival de Cinema de Gramado”, confessa.

É na noite desta quinta-feira (06), às 19h, que Gabriel e Gustavo subirão ao Palco do Palácio dos Festivais para, junto aos demais colegas, exibir o resultado de um longo trabalho cercado de dedicação e gosto pelo ofício. Gustavo já esteve presente na exibição inaugural de 2014, mas, para Gabriel, a experiência é inédita. “Estou muito ansioso, sei que vou ficar nervoso!”, já antecipa o diretor. Apesar da confissão, não há razões para frios na barriga: colocar um filme tão cedo na tela do Palácio dos Festivais é um feito de poucos. Gabriel, Gustavo e todos seus colegas já são vencedores.

* matéria produzida originalmente para a assesoria de imprensa do 43ª Festival de Cinema de Gramado

Contagem regressiva e um pouco de “Cold One”

Já estamos em contagem regressiva para o 43º Festival de Cinema de Gramado, onde, pelo quarto ano consecutivo, atuamos na equipe de assessoria de imprensa com a Pauta – Conexão e Conteúdo. Por isso, até lá, para acertar os últimos detalhes da cobertura do evento, o blog ficará inativo, voltando a partir do dia 07 de agosto com as últimas novidades deste que é o maior festival de cinema ininterrupto do Brasil. Enquanto isso, durante esse intervalo, deixamos como trilha sonora essa cena de Ricki and the Flash, que traz Meryl Streep cantando “Cold One”. Já amamos: sim ou com certeza? Até mais, queridos leitores! 

43º Festival de Cinema de Gramado #1: a lei do talento

Marília Pêra é a 25ª homenageada do troféu Oscarito, a mais tradicional distinção entregue pelo Festival de Cinema de Gramado. Foto: Priscila Prade

“Eu adoro Gramado!”. Esse foi o primeiro pensamento que Marília Pêra teve quando recebeu o convite da organização do Festival de Cinema de Gramado para ser a 25ª homenageada do troféu Oscarito. A distinção é destinada a grandes atores do cinema brasileiro e, nas suas bodas de prata, traz novamente à cidade gaúcha a consagrada atriz, que já levou para casa dois Kikitos: um em 1983, por Bar Esperança – O Último Que Fecha, e outro em 1987, por Anjos da Noite. “Volto ao Festival com muita alegria, e a minha expectativa é que tudo seja muito lindo”, comenta Marília.

A relação com as artes vem do berço – seus pais Dinorah Marzullo Pêra e Manoel Pêra também eram atores -, e o convívio com as artes desde a infância foi fundamental para o caminho que a pequena Marília viria a percorrer ao longo de sua vida. Já aos quatro anos, ela pisou pela primeira vez nos palcos com a tragédia grega Medeia e, a partir daí, só se aperfeiçoou: de espetáculos marcantes como a clássica montagem de My Fair Lady, com Bibi Ferreira e Paulo Autran, ao protagonismo de peças sobre figuras emblemáticas como Dalva de Oliveira e Maria Callas, o indiscutível talento de Marília Pêra ultrapassou as fronteiras brasileiras, chegando a diversos países do mundo. Na França, por exemplo, foi ovacionada pela crítica parisiense por sua personificação da lendária estilista Coco Chanel no espetáculo Mademoiselle Chanel.

Dos palcos foi para a TV, onde, em 1965, teve a sua primeira aparição em Rosinha do Sobrado, na rede Globo. Rosinha também é curiosamente o nome de seu primeiro papel no cinema, que veio logo dois anos depois da estreia na telinha. Em O Homem Que Comprou o Mundo, Marília Pêra começou sua trajetória cinematográfica com o pé direito: dirigida pelo saudoso mestre Eduardo Coutinho, dividiu a cena desta sátira do regime militar no Brasil com Flávio Migliaccio, Milton Gonçalves, Hugo Carvana, Cláudio Marzo e Raul Cortez. Desde então, foram nada menos do que 23 filmes sob a tutela de nomes como Cacá Diegues, Domingos Oliveira, Hector Babenco e Walter Salles.

Na memória da atriz estão os dois filmes que lhe consagraram em Gramado. Com Bar Esperança, as lembranças são para lá de carinhosas: “Esse é um filme que o querido Hugo Carvana dirigiu com muita soltura e improviso. Nós podíamos brincar como quiséssemos e ele ajustava depois. Tudo era uma brincadeira em Bar Esperança, mas uma brincadeira organizada, claro”, brinca Marília. Já em relação a Anjos da Noite a palavra de ordem durante as gravações foi dedicação. “Tive um papel relativamente pequeno, mas a experiência foi dificílima, já que filmávamos apenas a noite e era sempre frio. A produção também envolvia maquiagem, coreografias, vestidos costurados diretamente no corpo… Foi um desafio!”, relembra.

É impossível, no entanto, falar da carreira da Marília Pêra no cinema sem mencionar Pixote – A Lei do Mais Fraco. Dirigido por Hector Babenco em 1981, o longa garantiu o prêmio de melhor atriz na Boston Society of Film Critics Awards. Contando a triste realidade dos meninos de rua, Pixote viajou o mundo e conquistou ainda uma indicação ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro. “Pixote foi fundamental para a minha carreira de atriz, pois me deu um aprendizado muito grande sobre cinema. Foi um filme que confirmou o que eu já sabia sobre essa realidade específica do Brasil. Quando vi pela primeira vez, me enchi de medo e orgulho. Medo pela crueza dos detalhes com que mostramos a realidade do abandono e orgulho de estar em um filme dirigido com tanta precisão”, comenta.

O reconhecimento nacional e internacional de público e crítica orgulha Marília Pêra, mas, quando pensa sobre tudo o que conquistou até aqui como atriz, diretora e bailarina, o que mais toca seu coração é a lembrança familiar: “Venho de uma família de atores que viveram uma época onde não existia divulgação ou incentivo ao teatro no Brasil. Meus pais, por exemplo, foram profissionais que se dedicaram a vida inteira a esta arte e morreram sem reconhecimento e com dificuldades financeiras. Eu já vivo uma outra realidade, e me deixa muito contente esse privilégio de viver uma época completamente diferente e de ter conquistado tantas coisas como atriz”.

A ampla trajetória de Marília Pêra no cinema será rememorada pelo Festival de Cinema de Gramado com o troféu Oscarito. “Eu adoro Gramado! E isso vem antes do próprio Festival existir. Quando ia a Porto Alegre, sempre viajava a Gramado de carro, por prazer mesmo, só por estar lá. Fiquei muito contente com a homenagem, já que, além de conhecer bem a importância do Festival de Cinema de Gramado, tenho uma grande família aí no sul. Quando vou a Pelotas, sempre aparece um primo, um tio ou um novo Pêra. Estar entre os gaúchos é uma grande alegria. É o meu ninho!”, conta. Marília Pêra recebe o troféu Oscarito na noite do dia 11 de agosto no Palácio dos Festivais.

* matéria originalmente produzida para a assesoria de imprensa do 43ª Festival de Cinema de Gramado

Os indicados ao Emmy 2015

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A lista do Emmy 2015 reflete a imensa diversidade temática e narrativa que a TV e as plataformas on demand vêm oferecendo. Das discussões envolvendo identidade e gênero em Transparent ao retorno da recentemente esquecida Mad Men, os indicados deste ano, com algumas ressalvas, reforçam a ideia de que nunca vivemos tempos tão ricos e democráticos no mundo dos seriados. É bem verdade que em alguns pontos não dá para levar o Emmy a sério – oito indicadas em atriz coadjuvante de comédia?! -, mas é sempre irresistível acompanhar premiações, não é mesmo? Abaixo, nossos breves comentários sobre os indicados, cuja lista completa está disponível no site oficial do Emmy.

– Mad Men precisou se despedir da TV para voltar a concorrer ao Emmy (ano passado o programa não teve uma indicação sequer), com direito a lembranças para Jon Hamm, Christina Hendricks e Elisabeth Moss. No entanto, a série deve seguir os passos de Six Feet Under: ter seu unanime elenco se despedindo da premiação sem ter conquistado prêmios individuais ao longo dos anos;

– Homeland, que anos atrás chegou a ganhar como melhor série dramática, volta ao páreo na categoria. Dizem que o programa está em uma boa fase, mas quase ninguém fala mais nele. Inclusão no mínimo inesperada;

– Better Call Saul também não foi lá muito popular ou sequer discutida com entusiasmo pela crítica, mas o prestígio de Vince Gilligan conseguiu surpreendentemente levar a série para a categoria principal;

– Entre as comédias, Modern Family parece finalmente ter seus dias contados, já que não conseguiu indicações a roteiro e direção e ainda teve lembranças apenas para Ty Burell e Julie Bowen na lista de coadjuvantes. Enquanto isso, The Big Bang Theory passou em branco e nem Jim Parsons chegou entre os finalistas. Já estava na hora, né?;

– Apesar da novidade que é Unbreakable Kimmy Schmidt, a série é muito específica e deve ter sorte apenas entre os coadjuvantes, em especial com o impagável Tituss Burgess. A disputa está merecidamente entre Veep, que chega ao quarto ano com o mesmo e justificado prestígio de sempre, e a inspiradora e delicada Transparent, já vencedora do Globo de Ouro;

– Kyle Chandler como protagonista em drama e Ben Mendehlson como coadjuvante em drama foram as duas únicas lembranças de Bloodline, que, mesmo com criadores celebrados e elenco de qualidade, não vingou entre os votantes. O hit Empire também performou abaixo do esperado, conseguindo uma única e merecida indicação de melhor atriz para Taraji P. Henson;

– Surpreendente a inclusão de Lily Tomlin como melhor atriz de comédia por Grance and Frankie enquanto sua colega de cena Jane Fonda amarga o esquecimento. Uma pergunta para quem assiste a série: esse não é um trabalho de dupla? E, por ter Oscar em casa, era esperado que Fonda fosse lembrada caso optassem apenas por uma;

– Vencedora do Emmy de melhor atriz dramática ano passado, Julianna Margulies não foi lembrada pelo sexto ano da sempre ótima The Good Wife. Na realidade, a categoria deixou de indicar vários nomes há anos fixados na lista ou então dados como certos: Ruth Wilson, vencedora do Globo de Ouro por The Affair, Michelle Dockery por Downton Abbey e Kerry Washington por Scandal. Quem sai ganhando é Tatiana Maslany, por The Orphan Black, considerada uma das boas surpresas;

– Oito indicadas em atriz coadjuvante de comédia? A indecisão foi tanta assim? De qualquer forma, não dá para reclamar quando tem Niecy Nash lembrada por Getting On (a melhor série de comédia que ninguém vê) e Jane Krakowski por Unbreakable Kimmy Schmidt. A disputa é acirrada, já que Allison Janey (Mom) é queridinha dos votantes e Anna Chlumsky (Veep) parece ter o episódio perfeito para uma vitória;

– No mais, fica registrada aqui a nossa torcida para que Christine Baranski finalmente ganhe como melhor atriz coadjuvante em drama. Uma curiosidade: The Good Wife sempre teve uma mulher premiada por temporada no Emmy. Em ordem cronológica: Archie Panjabi (injustamente esquecida este ano), Margulies, Martha Plimpton, Carrie Preston e Margulies de novo. Que a a estatística siga vencedora em 2015!

Na TV… a lenta linhagem familiar de “Bloodline”

O filho problemático volta ao lar: “Bloodline”, nova série produzida Netflix, só é verdadeiramente envolvente quando se foca nos meandros de antigas feridas familiares.

Mesmo com uma boa equipe, Bloodline foi um dos lançamentos de menor repercussão da prolífera Netflix. A criação do seriado ficou por conta do trio Glenn Kessler, Todd A. Kessler e Daniel Zelman, os mesmos responsáveis por Damages, celebrado drama jurídico que trouxe uma nova era de ouro para a carreira de Glenn Close em 2007. No elenco ainda estão nomes como Kyle Chandler, protagonista da queridinha Friday Night Lights, e Sissy Spacek, vencedora do Oscar que dispensa apresentações. Mas a estreia do programa foi tímida e seu esquecimento em tempos tão movimentados no mundo das séries é compreensível: ao longo de 13 episódios, não há dúvidas de que este é um drama convencional em todos os sentidos – e que ainda comete o erro de prolongar excessivamente os seus lugares comuns.

Os irmãos Kessler em parceria com Daniel Zelman idealizaram Bloodline com a mesma lógica estrutural de Damages: um futuro bombástico é pincelado por flashforwards, e cabe ao espectador tentar adivinhar quais fatos do presente acarretarão eventos tão surpreendentes. Se o seriado estrelado por Glenn Close foi de certa forma pioneiro nesse tipo de narrativa na TV, hoje a escolha já se mostra ultrapassada. Isso porque são incontáveis os programas que utilizam tal estrutura para prender o espectador (How to Get Away With Murder e True Detective são alguns dos exemplares mais recentes). O que se revela problemático, entretanto, é que, em tramas como as dos seriados citados, o vai e vem da história é perfeitamente compreensível dada a natureza de suspense dos conflitos. Já em Bloodline a escolha é ineficiente, pois este é um drama que não é necessariamente misterioso em sua essência. 

Neste caso, revelar cedo demais um importante fato do futuro estraga o impacto que ele teria com uma narrativa linear. Prometer demais nunca é bom, pois pode ser que o desenvolvimento até lá não seja necessariamente engenhoso. É o que acontece com Bloodline que, ao invés de construir uma trama complexa como Damages ou True Detective, apenas se prolonga em fatos e situações comuns desnecessariamente. Além disso, reúne diversos estereótipos de um relato familiar, como o filho rejeitado que foi embora e agora está de volta, a mãe que nunca teve personalidade frente ao marido e o primogênito responsável que é o porto seguro do clã. Só quem tem paciência sobrevive aos longos episódios (seja pela duração de uma hora ou pela própria condução), e é difícil chegar ao fim de uma série que não surpreende dramaticamente. São muitos rodeios para, no final das contas, descobrirmos o que já facilmente deduzíamos.

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Enquanto Ben Mendehlson toma a série inteira para si, Kyle Chandler e Linda Cardellini só se destacam de fato nos momentos derradeiros da primeira temporada.

No ritmo arrastado de Bloodline, pouco se desenvolve de precioso sobre a personalidade dos personagens – todos bem definidos já em poucos episódios. Por outro lado, um deles se mantem intacto ao longo de toda a temporada: o misterioso Danny, vivido com grande talento por Ben Mendehlson. A série sabe conduzir toda a dubiedade do rejeitado caçula, um sujeito que frequentemente desorienta nosso senso de confiança: ele vai de alguém digno de segunda chance a homem detestável em questão de minutos. Mendehlson é tudo o que Damian Lewis, por exemplo, não era em Homeland. Ou seja, um ator sutil e eficiente ao seduzir o espectador para minutos depois também afastá-lo. Assim, não é à toa que os melhores episódios da temporada são as partes 11 e 12, onde todos os acontecimentos e questionamentos são movidos em função quase exclusivamente dele. Todos são críveis no elenco de Bloodline, mas Mendehlson é indiscutivelmente o mais beneficiado.

Tudo o que envolve o ator representa o que existe de melhor no seriado, especialmente as discussões envolvendo mágoas familiares guardadas por anos. Essa abordagem não é novidade, mas sempre que são despertados antigos problemas entre o clã dos Rayburn, Bloodline dá chances maiores aos seus atores e ganha novo fôlego. Quando o Danny de Mendehlson, então, é o catalisador de todos os conflitos, a série chega a quase compensar toda a inércia de suas partes arrastadas. Neste primeiro ano um ciclo é completado e pouco existe em vista para uma já confirmada segunda temporada. Sempre considero um problema quando um programa encerra basicamente toda a sua premissa logo de cara, deixando apenas cliffhangers até mesmo forçados para que a história continue rendendo posteriormente (aqui temos a velha jogada de um personagem cuja existência nos era desconhecida aparece de surpresa na última cena) e, dado o fato de que neste primeiro ano de Bloodline, a história em si já não era rica para tantos prolongamentos, o futuro não deslumbra momentos mais especiais para o programa. Tomara que provem o contrário.