Cinema e Argumento

Apostas para o Screen Actors Guild Awards 2018

Com transmissão marcada aqui no Brasil para às 23h (horário de Brasília), pela TNT, o Screen Actors Guild Awards, que acontece no próximo domingo (21), é a nova parada dessa temporada de premiações. Importante termômetro para as categorias de interpretação rumo ao Oscar, o SAG muito provavelmente deve consolidar a vitoriosa trajetória de Três Anúncios Para Um Crime, que saiu amplamente premiado do Globo de Ouro em importantes categorias como melhor filme, melhor atriz e melhor ator coadjuvante. Mas Frances McDormand conseguirá fazer história como a primeira atriz a levar para casa o segundo SAG de protagonista em cinema? Ou Saoirse Ronan tem força suficiente para levar a melhor com Lady Bird? Em uma noite que promete poucas surpresas, essa é uma das maiores incógnitas. Confira abaixo as nossas apostas:

CINEMA

MELHOR ELENCO: Três Anúncios Para Um Crime / alt: Corra!
MELHOR ATRIZ: Saoirse Ronan (Lady Bird: É Hora de Voar) / alt: Frances McDormand (Três Anúncios Para Um Crime)
MELHOR ATOR: Gary Oldman (O Destino de Uma Nação) / alt: Timothée Chalamet (Me Chame Pelo Seu Nome)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Allison Janney (Eu, Tonya) / alt: Laurie Metcalf (Lady Bird: É Hora de Voar)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Sam Rockwell (Três Anúncios Para Um Crime) / alt: Willem Dafoe (Projeto Flórida)

SÉRIES

MELHOR ELENCO – SÉRIE DRAMA: The Handmaid’s Tale / alt: This is Us
MELHOR ELENCO – SÉRIE COMÉDIA: Black-ish / alt: Glow
MELHOR ATRIZ – SÉRIE DRAMA: Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale) / alt: Claire Foy (The Crown)
MELHOR ATOR – SÉRIE DRAMA: Sterling K. Brown (This is Us) / alt: Jason Bateman (Ozark)
MELHOR ATRIZ – SÉRIE COMÉDIA: Julia Louis-Dreyfus (Veep) / alt: Uzo Aduba (Orange is the New Black)
MELHOR ATOR – SÉRIE COMÉDIA: Anthony Anderson (Black-ish) / alt: Aziz Ansari (Master of None)
MELHOR ATRIZ – MINISSÉRIE/TELEFILME: Nicole Kidman (Big Little Lies) / alt: Laura Dern (Big Little Lies)
MELHOR ATOR – MINISSÉRIE/TELEFILME: Alexander Skarsgård (Big Little Lies) / alt: Jeff Daniels (Godless)

The Post: A Guerra Secreta

He says we can’t, I say we can.

Direção: Steven Spielberg

Roteiro: Josh Singer e Liz Hannah

Elenco: Meryl Streep, Tom Hanks, Bob Odenkirk, Carrie Coon, Tracy Letts, Bradley Whitford, Jesse Plemons, Matthew Rhys, Alison Brie, Bruce Greenwood, Sarah Paulson, Michael Stuhlbarg

The Post, EUA, 2017, Drama, 116 minutos

Sinopse: Ben Bradlee (Tom Hanks) e Kay Graham (Meryl Streep), editores do The Washington Post, recebem um enorme estudo detalhado sobre o controverso papel dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã e enfrentam de tudo para publicar os bombásticos documentos. (Adoro Cinema)

Dá para entender a pressa do diretor Steven Spielberg em realizar o drama The Post: A Guerra Secreta, que chega aos cinemas brasileiros no próximo dia 25. Remontando todas as razões que levaram o jornal The Washington Post a publicar estudos que revelavam o papel controverso dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã e colocavam em xeque a reputação do governo Richard Nixon em meados dos anos 1970, o longa tem tudo a ver com o nosso momento, onde, novamente, um presidente dos Estados Unidos tenta calar a imprensa em prol de seus interesses políticos e pessoais. The Post ganha uma dimensão ainda maior porque centra boa parte de sua recriação em Kay Graham, a editora-chefe do jornal que tomou a corajosa decisão de enfrentar interesses e grandes poderes para enfim publicar os famosos The Pentagon Papers, que viriam a causar uma revolução em termos políticos e jornalísticos.

Após ler o roteiro da dupla Josh Singer e Liz Hannah em outubro de 2016, Spielberg logo tratou de acelerar a produção do filme, anunciando em março do ano seguinte que ele estaria à frente do projeto trazendo Meryl Streep e Tom Hanks como protagonistas. Oportunismo para surfar nas polêmicas do momento? Longe disso. Como se vê em The Post, o cineasta é pura inteligência ao se apropriar do assunto para discutir temas urgentes e pertinentes  aos dias de hoje. Sim, estamos falando de um filme de época que mais uma vez apresenta Spielberg com a sua narrativa clássica e edificante, mas com um pique muito acima da média para nos lembrar que o bom cinema pode e deve deixar de acontecer no vácuo para ser o estudo de um momento, contribuindo para importantes reflexões.

Na teoria e na prática, não é lá muito saudável comparar The Post ao célebre Spotlight só porque ambos são filmes que retratam o universo do Jornalismo. Isso porque há uma diferença fundamental que joga cada filme para um lado. Ao passo que Spotlight centrava a sua trama nos processos diários da profissão, The Post trata de algo anterior: as tomadas de decisões que vêm de cima e definem tanto a existência quanto a reputação de um veículo de comunicação. Com isso, o filme causa certa euforia ao trazer para a mesa a homenagem a um Jornalismo que não se acovarda, que decide ir em frente mesmo contra os poderosos, que é fiel aos seus princípios e que, principalmente, sabe que precisa servir aos propósitos dos governados e não dos governantes. É uma boa lembrança para a imagem de uma profissão que, como atuante do ramo, sinto dizer que parece cada vez mais utópica.

O total engajamento de Spielberg na tomada de lado de The Post se reflete em seu trabalho de direção, que, facilmente, é o mais fluido em anos. Seu estilo tradicional de narrativa dramática segue sendo utilizado aqui, mas esse timing com a realidade atual dá frescor à direção de Spielberg, cujo trabalho cênico confere agilidade e dinâmica a um filme de quase duas horas falado do início ao fim. Exigindo a atenção do espectador ao mesmo tempo em que os recompensa com um elenco de primeiro escalão e até com bom humor, The Post é um filme sobre política e Jornalismo que não inventa a roda. Por outro lado, ele administra muito bem um estilo que, dependendo do espectador, pode ser tachado de cafona e antiquado, especialmente depois de tantos trabalhos sem inspiração e no piloto-automático do diretor, como Cavalo de Guerra e Ponte dos Espiões.

Acompanhado de amigos e colegas de longa data — entre outros, o fotógrafo Janusz Kaminski, o designer de produção Rick Carter, o montador Michael Kahn e, claro, os amigos John Williams na trilha e Tom Hanks no elenco —, Spielberg, contudo, pela primeira vez trabalha com Meryl Streep, fato que não chega a surpreender se você recuperar a carreira do cineasta e perceber que basicamente todos os seus filmes são protagonizados por homens. E ela encontra a fervura certa nas sutilezas de Kay Graham, uma mulher que tenta firmar sua voz em uma época machista, onde ela própria, que sempre esteve à sombra do pai e do marido, começa a desconstruir a sua própria crença na tola “superioridade” masculina ao herdar um jornal até então comandado por homens. Kay centraliza todas as importantes decisões que precisam ser tomadas na trama, trazendo uma perspectiva que, em boa parte, torna The Post irregular do ponto de vista estrutural (são dois filmes dentro de um: o dos jornalistas na redação e o de Kay trilhando seu caminho), mas que aprimora o tino temático e analítico de um projeto sobre valores que precisam ser lembrados ano após ano e que, ainda hoje, não são seguidos à risca como deveriam. Não à toa — e isso não é mero pessimismo —, o mundo está do jeito que está.

Me Chame Pelo Seu Nome

Nature has cunning ways of finding our weakest spot.

Direção: Luca Guadagnino

Roteiro: James Ivory, baseado no livro homônimo de André Aciman

Elenco: Timothée Chalamet, Armie Hammer, Michael Stuhlbarg,  Amira Casar, Esther Garrel, Victoire Du Bois, Vanda Capriolo, Antonio Rimoldi, André Aciman, Peter Spears

Call Me By Your Name, Itália/França/Brasil/Estados Unidos, 2017, Drama, 132 minutos

Sinopse: O sensível e único filho da família americana com ascendência italiana e francesa Perlman, Elio (Timothée Chalamet), está enfrentando outro verão preguiçoso na casa de seus pais na bela e lânguida paisagem italiana. Mas tudo muda quando Oliver (Armie Hammer), um acadêmico que veio ajudar a pesquisa de seu pai, chega. (Adoro Cinema)

Entre os diretores de língua não-inglesa que começam a fazer carreira internacionalmente, o italiano Luca Guadagnino desponta como um dos mais bem sucedidos e instigantes de se acompanhar. Se olharmos para trás, hoje percebemos que sua trajetória ascendente se desenhou de forma muito sutil, o que faz com que sua atual celebração com o drama Me Chame Pelo Seu Nome não pareça sorte repentina: com uma carreira que acumula vários curtas e documentários, Guadagnino já viajava o mundo em 2009, quando colocou Tilda Swinton para falar italiano em Um Sonho de Amor, ou até mesmo três anos atrás, ao unir forças novamente com Tilda no subestimado Um Mergulho no Passado, refilmagem de A Piscina que contava ainda com outros nomes de repercussão internacional (Ralph Fiennes, Matthias Schoenaerts e até Dakota Johnson em um momento bacana).

Mesmo munido de uma filmografia encorpada, o cineasta só foi abraçado com igual entusiasmo por prêmios, público e crítica com esse Me Chame Pelo Seu Nome, que chega aos cinemas brasileiros no próximo dia 18. E o que mais me toca entre os méritos que justificam o reconhecimento mais amplo é a forma como o filme trata o universo da sexualidade sem fazer dela uma questão. Aqui, são ensolaradas as vivências de cada descoberta do corpo, do amor, do sexo, da juventude e inclusive do doloroso processo de se tornar adulto. Tal perspectiva não deixa de ser uma herança — ou ao menos uma feliz coincidência — do drama Carol, que, dirigido por Todd Haynes em 2015, celebrava o nascimento do amor entre duas mulheres colocando o romance muito antes do drama, escolha que trazia uma perspectiva otimista e esperançosa para uma parcela do público retratada sempre de forma cômica ou trágica no cinema.

A lógica se repete em Me Chame Pelo Seu Nome, que, a partir do roteiro escrito por James Ivory com base no romance homônimo de André Aciman, em momento algum administra o desabrochar homossexual como o principal componente da tristeza de um personagem — aliás, se Elio (Timothée Chalamet, uma revelação) sofre, são por questões inerentes a qualquer ser humano em determinado momento da vida. Prova de que o longa é sabiamente desprovido de firulas acerca das problemáticas da homossexualidade é a doçura com que emerge uma conversa entre pai e filho, onde, em uma daquelas cenas de poucos minutos que atravessam milhares de universos, o próprio progenitor se confronta sobre o que é necessário para cada um ser feliz, autêntico ou ao menos em paz com os próprios rumos da vida.

É sutil ainda o desenho que Me Chame Pelo Seu Nome faz das primeiras experimentações sexuais de Elio, que, sim, se apaixona por Oliver (Armie Hammer), um homem mais velho, mas também se aventura em um relacionamento com uma menina que, não, não é a clássica situação em que um menino gay faz uma garota de boba enquanto tenta se descobrir. Elio tem afeto, desejo e interesse pelos dois. Tratando rupturas como processos naturais da vida, Me Chame Pelo Seu Nome captura a fase jovem da nossa existência com o espírito que ela merece, uma vez que o filme é vivo e veranil.

Todas essas qualidades me levam a não culpar tanto a construção de certa forma imperfeita do roteiro de James Ivory, que, durante basicamente toda a primeira metade, na ânsia de trabalhar a trabalhar a atração entre os dois rapazes com minúcias discretas, pouco envolve o espectador, fazendo com que ele só sinta a paixão de seus personagens quando eles de fato passam a consumir uma história de amor. Falta ali a mesma alquimia que existe depois, quando Elio e Oliver vivem um um romance e quando o filme nos mostra, em sua reta final, que certas coisas têm, de fato, a habilidade de descobrir os nossos pontos mais fracos — e que o que nos resta é, de alguma forma, tentar transformar isso em sabedoria.

Rapidamente: “O Agente da U.N.C.L.E.”, “Armas na Mesa”, “Os Golfinhos Vão Para o Leste” e “Planeta dos Macacos: A Guerra”

Jessica Chastain interpreta uma mulher autêntica, bem sucedida e de personalidade em Armas na Mesa, filme cheio de pique que não complica o tema lobby político nos Estados Unidos.

O AGENTE DA U.N.C.L.E. (The Man from U.N.C.L.E., 2015, de Guy Ritchie): O Agente da U.N.C.L.E. reúne três lindos rostos de Hollywood — Henry Cavill, Armie Hammer e Alicia Vikander —, mas tal encontro deixa de soar qualquer chamarisco de bilheteria quando percebemos que o novo filme de Guy Ritchie tem mesmo o DNA desse diretor de estilo muito próprio. Nesse filme de 2015, ele volta aos anos 1960 para conduzir uma história onde Napoleon Solo (Cavill), um agente da CIA, é escalado para deter uma organização criminosa responsável pela proliferação de armas nucleares. O que sempre diferencia os filmes de Ritchie de outras aventuras comerciais é a sua vontade de, sim, fazer graça, orquestrar ação e proporcionar entretenimento, mas a partir de uma trama assumidamente mais consistente. Para isso, ele toma como base o seriado homônimo dos anos 60 criado por Ian Fleming, que tentava reproduzir na telinha a pegada do clássico James Bond, outra criação de Fleming. Ao fazer essa transposição, Ritchie estava em uma de suas épocas felizes, pois O Agente da U.N.C.L.E. tem charme, graça, um elenco que dá conta do recado e, principalmente, esse senso de diversão que é tão rato em filmes de época, que costumam ser predominantemente mais históricos e de cunho dramático tradicional. 

ARMAS NA MESA (Miss Sloane, 2016, de John Madden): O assunto é um tanto complicado — o poderoso lobby político, prática tão famosa e escancarada nos Estados Unidos —, mas Armas na Mesa, mesmo com um diretor que não inspira tanta curiosidade (John Madden, de Shakespeare Apaixonado, A Prova e O Exótico Hotel Marigold), é, de repente, uma das obras mais surpreendentes lançadas no circuito comercial brasileiro em 2017. Aliás, muito se falou sobre uma possível indicação ao Oscar de melhor atriz para Jessica Chastain, que acabou não aconteceu, marcando mais uma injustiça do prêmio com um desempenho forte e que vem a calhar bem em tempos de discussão sobre a representação da mulher no cinema. Aqui, Chastain interpreta uma lobista bem sucedida profissionalmente e que não tem receio algum em impôr seu talento e renome seja no trabalho ou em frente às câmeras. Complexa, a personagem ganha uma energia embasbacante nas mãos da atriz, que, mais elegante do que nunca, entende que as imperfeições e as dubiedades da protagonista são traços importantes para sua construção dramática. Lá pelas tantas, quando chega ao terço final, Armas na Mesa se atrapalha ao forçar reviravoltas para manter vivo o fator surpresa e ao ceder aqui ou ali para lições de moral. Tropeços que, ainda assim, não chegam perto de comprometer um filme bem atuado, contemporâneo e cheio de pique.

OS GOLFINHOS VÃO PARA O LESTE (Las Toninas Van al Este, 2016, de Gonzalo Delgado e Verónica Perrota): Vencedor do Kikito de melhor atriz em 2016 para a carismática Perónica Perrota, Os Golfinhos Vão Para o Leste trata com simplicidade e carinho temas corriqueiros e frequentemente explorados pelo cinema em suas mais diferentes origens, como o retorno à terra natal, a relação conturbada entre pais e filhos e o confronto com o passado — dessa vez, com charme de uma Punta Del Este em sua versão menos glamourizada e turística, mas por isso mesmo mais próxima e humana. Perrota, que dirige o filme com Gonzalo Delgado, faz um bom trabalho tanto como diretora quanto como atriz: atrás das câmeras, dosa muito bem o drama e a comédia de um filme deveras gracioso, enquanto, como intérprete, esbanja sintonia com Jorge Denevi, que interpreta o pai agora homossexual cuja afetação em momento algum descamba para a histeria. Frente a tudo isso, Os Golfinhos Vão Para o Leste pode até abordar temas que não são exatamente inovadores, mas o faz sem pretensão e de maneira espirituosa, o que, com o passar do tempo, tem se revelado uma qualidade cada vez mais preciosa em comparação a essa infinidade de produções mundiais realizadas a toque de caixa.

PLANETA DOS MACACOS: A GUERRA (War for the Planet of the Apes, 2017, de Matt Reeves): Conclusão menos reveladora do que se poderia esperar para essa que é uma das mais bem sucedidas trilogias do cinemão recente, Planeta dos Macacos: A Guerra preserva a impecável parte técnica de uma franquia que, ao longo dos anos, questionou, entre outras coisas, as fronteiras da atuação, tornando célebre o caso de Andy Serkis, que deu um show como o macaco Caesar através da chamada captura de movimento, termo usado para descrever o processo de gravação e transposição de movimentos de um ator para o modelo digital. Neste último capítulo, vemos a jornada final dos macacos para fazer justiça a sua espécie, cada vez mais ameaçada por exércitos humanos. Acompanhamos especificamente a batalha pessoal de Caesar para vingar uma recente baixa no seu clã, o que confere ao filme um tom menos grandioso e mais intimista. Todos os elogios para a parte técnica já foram feitos mundo afora (dessa vez, destaco a trilha de Michael Giacchino, que vem fazendo uma linda carreira com blockbusters, animações e projetos mais comerciais), situação que deixa uma carga de responsabilidade muito maior para a história em si, uma vez que a franquia já estabeleceu um notável padrão de qualidade técnica. Como filme isolado, Planeta dos Macacos: A Guerra talvez surpreendesse mais em termos dramáticos. Já como a peça final de uma história muito maior, não conversou tanto comigo quanto eu gostaria.

Os indicados ao BAFTA 2018

A Forma da Água lidera a lista do BAFTA 2018 com 12 indicações. Prêmio britânico recupera parte de sua autenticidade perdida nos últimos anos.

Com sua lista de indicados revelada hoje, o BAFTA prova ter retomado parte da autenticidade que havia perdido nos últimos anos, quando basicamente seguia a lista de outros grandes prêmios sem tirar da manga aquelas indicações surpreendentes e muitas vezes bairristas (isso não é um problema) que sempre marcaram a sua trajetória. A seleção pode até ser liderada por A Forma da Água com 12 indicações, seguido por Três Anúncios Para Um Crime e O Destino de Uma Nação, ambos disputando nove categorias, mas há surpresas características do prêmio, o que é instigante para uma temporada que costuma, em sua totalidade, ser bastante parecida.

Fora a inclusão de antigos queridinhos do BAFTA (Lesley Manville, Jamie Bell, Hugh Grant e Kristin Scott Thomas), é bacana ver os britânicos se atentando a filmes solenemente ignorados até então, como Blade Runner 2049, lembrado inclusive com uma indicação para Denis Villeneuve como melhor diretor. Por sinal, nessa categoria, há outra inclusão bacana: a de Luca Guadagnino, por Me Chame Pelo Seu Nome, demonstrando a sensibilidade do BAFTA em reconhecer um trabalho mais humano e sem hipérboles, o que basicamente não vemos em outras listas. Com a surpreendente exclusão de Judi Dench da categoria de melhor atriz por Victoria & Abdul, outra descoberta da Academia Britânica foi Annette Bening, uma eterna azarona, lembrada por seu desempenho em Film Stars Don’t Die in Liverpool.

Falando em ausências, novamente não temos uma mulher sequer concorrendo a direção (Greta Gerwig, a cineasta com maiores chances, ficou de fora por seu trabalho em Lady Bird: É Hora de Voar). Outro esquecido foi Armie Hammer, que agora tenta uma indicação ao Oscar apenas com o Globo de Ouro na bagagem (Hammer também não foi indicado pelo SAG). É importante reforçar que os votantes do BAFTA têm pouca influência prática no Oscar, mas que essa, por ser mais uma premiação televisionada, prestigiada por toda a indústria (que voa até a Inglaterra para participar da cerimônia) e de longa história no ramo garante um belo empurrão, ao menos, em publicidade para seus indicados e futuros vencedores, o que é fundamental para as chamadas “campanhas” que tanto ditam os resultados do Oscar.

A cerimônia de premiação do BAFTA acontece no dia 18 de fevereiro. Confira os indicados:

MELHOR FILME
Me Chame Pelo Seu Nome
O Destino de Uma Nação
Dunkirk
A Forma da Água
Três Anúncios Para Um Crime

MELHOR DIREÇÃO
Denis Villeneuve (Blade Runner 2049)
Luca Guadagnino (Me Chame Pelo Seu Nome)
Christopher Nolan (Dunkirk)
Guillermo Del Toro (A Forma da Água)
Martin McDonagh (Três Anúncios Para Um Crime)

MELHOR ATRIZ
Annette Bening (Film Stars Don’t Die in Liverpool)
Frances McDormand (Três Anúncios Para Um Crime)
Margot Robbie (Eu, Tonya)
Sally Hawkins (A Forma da Água)
Saoirse Ronan (Lady Bird: É Hora de Voar)

MELHOR ATOR
Daniel Day-Lewis (Trama Fantasma)
Daniel Kaluuya (Corra!)
Gary Oldman (O Destino de Uma Nação)
Jamie Bell (Film Stars Don’t Die in Liverpool)
Timothée Chalamet (Me Chame Pelo Seu Nome)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Allison Janney (Eu, Tonya)
Kristin Scott Thomas (O Destino de Uma Nação)
Laurie Metcalf (Lady Bird: É Hora de Voar)
Lesley Manville (Trama Fantasma)
Octavia Spencer (A Forma da Água)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Christopher Plummer (Todo o Dinheiro do Mundo)
Hugh Grant (Paddington 2)
Sam Rockwell (Três Anúncios Para Um Crime)
Willem Dafoe (Projeto Flórida)
Woody Harrelson (Três Anúncios Para Um Crime)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Corra!
Eu, Tonya
Lady Bird: É Hora de Voar
A Forma da Água
Três Anúncios para um Crime

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Me Chame Pelo Seu Nome
The Death of Stalin
Film Stars Don’t Die in Liverpool
A Grande Jogada
Paddington 2

MELHOR FILME BRITÂNICO
O Destino de Uma Nação
The Death of Stalin
God’s Own Country
Lady Macbeth
Paddington 2
Três Anúncios Para Um Crime

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Elle (França/Alemanha/Bélgica)
First They Killed My Father (Camboja)
A Criada (Coréia do Sul)
Desamor (Rússia)
O Apartamento (Irã)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
City of Ghosts
Eu Não Sou Seu Negro
Ícaro
Uma Verdade Mais Inconveniente
Jane

MELHOR ANIMAÇÃO
Com Amor, Van Gogh
Minha Vida de Abobrinha
Viva – A Vida é Uma Festa

MELHOR TRILHA SONORA
Blade Runner 2049
O Destino de Uma Nação
Dunkirk
Trama Fantasma
A Forma da Água

MELHOR FOTOGRAFIA
Blade Runner 2049
O Destino de Uma Nação
Dunkirk
A Forma da Água
Três Anúncios para um Crime

MELHOR MONTAGEM
Blade Runner 2049
Dunkirk
Em Ritmo de Fuga

A Forma da Água
Três Anúncios para Um Crime

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
A Bela e a Fera
Blade Runner 2049
O Destino de Uma Nação
Dunkirk
A Forma da Água

MELHOR FIGURINO
A Bela e a Fera
O Destino de Uma Nação
Eu, Tonya
Trama Fantasma
A Forma da Água

MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS
Blade Runner 2049
O Destino de Uma Nação
Eu, Tonya
Victoria & Abdul: O Confidente da Rainha
Extraordinário

MELHOR SOM
Blade Runner 2049
Dunkirk
Em Ritmo de Fuga
A Forma da Água

Star Wars: Os Últimos Jedi

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Blade Runner 2049
Dunkirk
A Forma da Água
Star Wars: Os Últimos Jedi
Planeta dos Macacos: A Guerra

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO BRITÂNICO
Have Heart
Mamoon
Poles Apart

MELHOR CURTA BRITÂNICO
Aamir
Cowboy Dave
A Drowning Man
Work
Wren Boys

EE RISING STAR AWARD – Estrela em ascensão
Daniel Kaluuya
Florence Pugh
Josh O’Connor
Tessa Thompson
Timothée Chalamet