Cinema e Argumento

Sem Amor

Direção: Andrey Zvyagintsev

Roteiro: Andrey Zvyagintsev e Oleg Negin

Elenco: Maryana Spivak, Aleksey Rozin, Varvara Shmykova, Matvey Novikov, Daria Pisareva, Yanina Hope, Marina Vasilyeva, Maxim Stoianov, Andris Keiss, Aleksey Fateev

Nelyubov, Rússia/França, 2017, Drama, 127 minutos

Sinopse: Boris (Alexey Rozin) e Zhenya (Maryana Spivak) estão se divorciando. Depois de anos juntos, os dois se preparam para suas novas vidas: ele com sua nova namorada, que está grávida, e ela com seu parceiro rico. Com tantas preocupações eles acabam não dando atenção ao filho Alyosha (Matvey Novikov), que acaba desaparecendo misteriosamente. (Adoro Cinema)

Clássica na vida e no cinema em geral, a disputa pela guarda de um filho ganha contornos assustadoramente inversos em Sem Amor, novo filme assinado pelo russo Andrey Zvyagintsev, diretor do célebre Leviatã. Nesse duríssimo novo conto assinado por ele, pai e mãe se confrontam para, pasmem, jogar um ao outro a tutela do jovem Alyosha (Matvey Novikov), renegando abertamente as suas responsabilidades como progenitores. Enquanto ela é desprovida de qualquer senso ou vocação maternal, ele argumenta, a partir de uma tese deveras machista, que toda criança depende muito mais da mãe do que do pai. E, em uma dessas peças que a vida nos prega com requintes de crueldade, o filho, um dia, desaparece sem deixar qualquer vestígio. Coincidência do destino? Castigo divino? Premonição infantil? Assombrosas, as duas horas densas de Sem Amor se movimentam a partir dessas interrogações, radiografando o que acontece quando perdemos aquilo que, lá no fundo, nós realmente queríamos perder de alguma forma.

Exibido em uma sessão única e disputadíssima na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo deste ano, Sem Amor preserva, em seus personagens, bastante do clima das paisagens russas: rígidos e frios, todos lidam com a vida de forma racional e pragmática. Tomem como exemplo os próprios relacionamentos que marido e mulher já nutrem fora do casamento: Boris (Alexey Rozin), que já engravidou a nova namorada, tem zero interesse em lidar com as carências e inseguranças da moça, ao mesmo tempo em que Zhenya (Maryana Spivak) parece não ser ouvida nem mesmo quando diz “eu te amo” para um namorado de idade e renda mais avançadas. A tônica das relações distantes e não tão humanas dos personagens termina por impregnar a grande jornada que o casal se vê obrigado a enfrentar antes de oficializar o término do matrimônio: na busca pelo filho desaparecido, inexiste qualquer faísca de reavaliação afetiva entre os dois, o que endossa a tese de que, se Boris e Zhenya estão juntos, é porque a situação exige ou porque, de alguma forma, também entendem que este é um calvário que, ante seu histórico de erros como pais, precisam enfrentar lado a lado.

Há justificativa e contextualização de sobra no roteiro para que os personagens sejam compreendidos por personalidades que, no geral, correriam o risco de cair na vilania. Zhenya, que só teve o filho para satisfazer convenções sociais e familiares e que vem de um ambiente familiar incrivelmente opressivo e conturbado, lança uma provocação atualíssima: afinal, por que atribuímos mais tarefas e responsabilidades às mulheres em situações familiares? Quanto ao relacionamento amoroso entre os dois protagonistas, o filme também pega pesado: em uma daquelas discussões que beiram o desrespeito emocional ao término de uma vida compartilhada, ambos remontam o passar dos anos na relação não com saudosismo por sentimentos que não voltam mais, mas sim reinterpretando cada decisão tomada ao longo do caminho como se elas já assinalassem ou fossem responsáveis pelo inevitável desmantelamento do matrimônio. Sem jamais mostrar uma luz no fim do túnel, o roteiro de Sem Amor é esperto o suficiente para compreender que o pessimismo dos personagens é matéria-prima para complexidade, sem reduzi-lo a uma mera característica que confere algum tipo de personalidade aos protagonistas.

Por ter seus principais conflitos originados de um acontecimento baseado no suspense, Sem Amor precisa inevitavelmente se debruçar sobre uma narrativa de mistério. Mesmo que transfira grande parte dos dilemas para o plano emocional, o filme não esquece de sua grande interrogação ao dedicar quase todo o seu terço final ao desaparecimento do menino, culminando em um desfecho que preza muito mais pelo drama do que por sua resolução racional e que preserva todas intenções do filme. Com grande potência, Sem Amor, que é o representante da Rússia para disputar uma vaga no Oscar 2018 de melhor filme estrangeiro, reverbera pela situação inimaginável de uma criança que se descobre renegada pelos pais e pela demolição final de um relacionamento já em frangalhos. Ainda não conferi The Square, que venceu a Palma de Ouro em Cannes este ano, mas é bom que o diretor sueco Ruben Östlund tenha realizado um filmaço, pois a obra de Andrey Zvyagintsev, que também competiu no festival francês, definitivamente não fica atrás desse status.

Três atores, três filmes… com Cleber Eldridge

Existem leitores e blogueiros que nos acompanham há tanto tempo que acabam, de certa forma, tornando-se parte da nossa história e do nosso imaginário. É o caso do Cleber Eldridge, com quem compartilho opiniões sobre cinema já há alguns anos. Cinéfilo que acompanha tudo que é tipo de lançamento, além de fã da temporada de premiações, ele hoje assina o blog 21th Century Cinema, dando atenção especial a um tipo de postagem que, confesso, está em falta aqui no blog: as listas, sejam elas de desempenhos, melhores do ano, TOP 10, etc. Para a coluna, o nosso último convidado do ano selecionou três desempenhos masculinos que dizem muito sobre o tipo de cinema e personagem que Cleber tanto se afeiçoa e se identifica. Boa leitura!

Philip Seymour Hoffman (Capote)
O sempre subestimado filme Capote, de Bennett Miller, não é só um dos melhores filmes da primeira década do século 21, como conta com uma das maiores interpretações de todos os tempos – na minha humilde opinião, é claro: a de Philip Seymour Hoffman, um dos grandes atores que infelizmente nos deixou muito cedo, por conta de problemas com drogas. Ele entregou uma atuação única ao interpretar uma figura única como Truman Capote. E não foi tarefa fácil: a voz e os trejeitos são o ponto alto de uma atuação que me marcou para sempre. O sombrio – e, para muitos, frio e distante demais do espetador – filme de Miller, não é uma biografia qualquer. É o relato brilhante de um momento na vida do escritor, momento esse que rendeu um dos melhores livro de não-ficção de todos os tempos. O conjunto da obra é particularmente marcante. Um filme que eu guardo no coração como uma obra-prima.

Garreth Hedlund (Na Estrada)
Os dias, as noites, as paixões e as frustrações de Jack Kerouack sempre me marcaram. Nas minhas muitas idas até a biblioteca, peguei todos os livros e contos escritos por esse outro marco da literatura americana. Quando soube que ele seria finalmente filmado, fiquei em transe, principalmente por um diretor que sempre soube filmar estradas como poucos: o nosso grande Walter Salles. Dean Moriarty sempre foi o meu personagem favorito, em todos os muitos livros que li. Garreth Hedlund, que não é lá o melhor ator do mundo, me agraciou com uma atuação marcante, dando vida a uma personagem exatamente como eu imaginava. Ele se joga de cabeça em tudo na vida, faz tudo o que quer, na hora que quer, quando quer e não se preocupa com o amanhã — justamente como um dia eu sonho ser. Acho que nunca um personagem foi melhor posto frente às telas.

Harris Dickinson (Ratos de Praia)
O até então desconhecido Harris Dickinson é uma das marcantes estreias no circuito independente com Ratos de Praia, que, infelizmente, não deve entrar em cartaz por aqui no Brasil. Foi uma das mais agradáveis, felizes e marcantes surpresa que tive com o cinema nos últimos anos. Tem muito da minha pessoa no protagonista Frankie. Tem muito do que um dia eu já fui e felizmente não sou mais. Seus olhares, sua timidez e até mesmo sua coragem são marcantes. É o retrato de um atormentado garoto que ainda não sabe do que realmente gosta, como ele mesmo diz em um diálogo. No filme e nele estava um pequeno pedaço da minha vida.

Os indicados ao Screen Actors Guild Awards 2018

Três Anúncios Para um Crime é o líder de indicações ao Screen Actors Guild Awards 2018. Apostas certas como The Post – A Guerra Secreta ficaram de fora da seleção.

Já que o importante é colecionar indicações na temporada de premiações para chegar ao Oscar, o Screen Actors Guild Awards derrubou a força de pelo menos três filmes com a sua lista de indicados revelada hoje (13). O primeiro é A Forma da Água, que foi o líder absoluto de indicações ao Globo de Ouro, mas que aqui ficou de fora da categoria de melhor elenco, além de ter perdido a indicação de melhor atriz coadjuvante para Octavia Spencer. Caminho idêntico segue Me Chame Pelo Seu Nome, também ignorado em melhor elenco e em uma lembrança para o coadjuvante Armie Hammer, que muito provavelmente teve sua indicação negada para a inclusão de outra bastante duvidosa: a de Steve Carell, por A Guerra dos Sexos, onde o ator é, na verdade, protagonista. 

No entanto, é bem provável que o mais prejudicado pela lista do SAG seja mesmo The Post – A Guerra Secreta, antes o grande favorito para despontar nessa premiação, mas que sequer conseguiu indicação a qualquer coisa (muito provavelmente pelo fato dos votantes não terem visto o filme, que ficou pronto há pouco tempo), nem mesmo para Meryl Streep ou Tom Hanks, dois dos queridinhos da América. E vale também uma observação específica, tamanha a importância da exclusão: Daniel Day-Lewis deve chegar ao Oscar com Trama Fantasma, mas, agora, parece que qualquer vitória sua está um pouco distante. Já os beneficiados pela lista de hoje são Três Anúncios Para Um Crime, Doentes de AmorCorra!, com o primeiro liderando o número de indicações (são, ao total, quatro, incluindo melhor elenco). Dadas as devidas proporções, a temporada de premiações acaba de ficar mais interessante.

Os vencedores do Screen Actors Guild Awards 2018 serão conhecidos no dia 21 de janeiro. Confira abaixo a lista completa de indicados:

MELHOR ELENCO
Corra!
Doentes de Amor

Lady Bird: É Hora de Voar
Mudbound – Lágrimas Sobre o Mississipi
Três Anúncios Para um Crime

MELHOR ATRIZ
Frances McDormand (Três Anúncios Para um Crime)
Judi Dench (Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha)

Margot Robbie (Eu, Tonya)
Sally Hawkins (A Forma da Água)
Saoirse Ronan (Lady Bird: É Hora de Voar)

MELHOR ATOR
Daniel Kaluuya (Corra!)

Denzel Washington (Roman J. Israel, Esq.)
Gary Oldman (O Destino de uma Nação)
James Franco (Artista do Desastre)

Timothée Chalamet (Me Chame Pelo Seu Nome)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Alisson Janney (Eu, Tonya)
Holly Hunter (Doentes de Amor)

Hong Chau (Pequena Grande Vida)
Laurie Metcalf (Lady Bird: É Hora de Voar)
Mary J. Blige (Mudbound – Lágrimas Sobre o Mississipi)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Richard Jenkins (A Forma da Água)
Sam Rockwell (Três Anúncios Para um Crime)
Steve Carell (A Guerra dos Sexos)
Willem Dafoe (Projeto Flórida)
Woody Harrelson (Três Anúncios Para um Crime)

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MELHOR ELENCO – SÉRIE DRAMA
Game of Thrones
Stranger Things
The Crown
The Handmaid’s Tale
This is Us

MELHOR ELENCO – SÉRIE COMÉDIA
Black-ish
Curb Your Enthusiasm

Glow
Orange is the New Black
Veep

MELHOR ATRIZ – SÉRIE DRAMA
Claire Foy (The Crown)
Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale)
Laura Linney (Ozark)
Millie Bobby Brown (Stranger Things)

Robin Wright (House of Cards)

MELHOR ATOR – SÉRIE DRAMA
Bob Odenkirk (Better Call Saul)
David Harbour (Stranger Things)
Jason Bateman (Ozark)
Peter Dinklage (Game of Thrones)

Sterling K. Brown (This is Us)

MELHOR ATRIZ – SÉRIE COMÉDIA
Alison Brie (Glow)
Jane Fonda (Grace and Frankie)
Julia Louis-Dreyfus (Veep)

Lily Tomlin (Grace and Frankie)
Uzo Aduba (Orange is the New Black)

MELHOR ATOR – SÉRIE COMÉDIA
Anthony Anderson (Black-ish)
Aziz Ansari (Master of None)
Larry David (Curb Your Enthusiasm)
Marc Maron (Glow)
Sean Hayes (Will & Grace)

William H. Macy (Shameless)

MELHOR ATRIZ – MINISSÉRIE/TELEFILME
Laura Dern (Big Little Lies)
Jessica Lange (Feud: Bette and Joan)
Nicole Kidman (Big Little Lies)
Reese Witherspoon (Big Little Lies)
Susan Sarandon (Feud: Bette and Joan)

MELHOR ATOR – MINISSÉRIE/TELEFILME
Alexander Skarsgård (Big Little Lies)
Benedict Cumberbatch (Sherlock)
Geoffrey Rush (Genius)
Jeff Daniels (Godless)

Robert DeNiro (O Mago das Mentiras)

Assassinato no Expresso do Oriente

I see evil on this train.

Direção: Kenneth Branagh

Roteiro: Michael Green, baseado no livro homônimo de Agatha Christie

Elenco: Kenneth Branagh, Michelle Pfeiffer, Judi Dench, Penélope Cruz, Willem Dafoe, Josh Gad, Daisy Ridley, Leslie Odom Jr.,  Johnny Depp, Tom Bateman, Olivia Colman

Murder on the Orient Express, EUA/Malta, Drama/Suspense, 104 minutos

Sinopse: O detetive Hercule Poirot (Kenneth Branagh) embarca de última hora no trem Expresso do Oriente, graças à amizade que possui com Bouc (Tom Bateman), que coordena a viagem. Já a bordo, ele conhece os demais passageiros e resiste à insistente aproximação de Edward Ratchett (Johnny Depp), que deseja contratá-lo para ser seu segurança particular. Na noite seguinte, Ratchett é morto em seu vagão. Com a viagem momentaneamente interrompida devido a uma nevasca que fez com que o trem descarrilhasse, Bouc convence Poirot para que use suas habilidades dedutivas de forma a desvendar o crime cometido. (Adoro Cinema)

Haja topete para enfrentar a mitologia dupla que cerca O Assassinato no Expresso do Oriente. A primeira delas é, claro, o popular livro homônimo lançado por Agatha Christie em 1934. A segunda é a adaptação dirigida por ninguém menos do que o saudoso Sidney Lumet em 1974 com um elenco que reunia nomes como Albert Finney, Lauren Bacall, Vanessa Redgrave, Sean Connery e Ingrid Bergman (vencedora de seu terceiro e último Oscar pelo desempenho apresentado na obra). Para começo de conversa, que fique, então, anotado: a bagagem que a nova versão de O Assassinato no Expresso do Oriente precisa carregar é das mais pesadas.

O novo projeto, no entanto, não se intimida, pois as ambições não param por aqui: já está confirmada a produção de uma franquia estrelada pelo excêntrico detetive Hercule Poirot, protagonista de Expresso do Oriente, dessa vez interpretado por Branagh. O ator, que também dirige o filme, repetirá a dobradinha em Morte no Nilo, que está na fila de espera como a nova transposição dos universos de Agatha Christie para o cinema. Até lá, fica a torcida para que Nilo tenha mais clima do que a nova versão de Oriente, uma vez que, mesmo com um elenco à altura do filme de 1974 em termos de prestígio, esse remake em cartaz nos cinemas brasileiros não chega perto de causar qualquer comoção.

Verborrágico, O Assassinato do Expresso do Oriente se atrapalha com o zelo excessivo ao material literário. Branagh, de vez em quando, tenta trazer criatividade e fluidez como diretor ao, entre outras jogadas, posicionar a câmera em pontos inusitados, mas não é o suficiente para disfarçar a vocação literária da trama. Escrito por Michael Green (Blade Runner 2049Logan), o roteiro reforça a sensação com a total falta de profundidade dos personagens, que, sem maiores embasamentos dramáticos, desfilam como se tivessem apenas que destacar suas características mais básicas e pontuais. Assim, a tarefa de Penélope Cruz, por exemplo, é somente carregar o sotaque como uma religiosa espanhola tratada como mero alívio cômico.

O que sobra como diversão para O Assassinato no Expresso do Oriente é de fato tentar descobrir quem cometeu o tal homicídio nesse cenário extraordinário, o que, já vale avisar, é uma tarefa impossível (e talvez seja isso que mantenha o espectador interessado em meio a uma condução tão morna). Se Branagh acerta na personificação de Poirot sem transformá-lo em um mero palhaço inteligente, seu trabalho como diretor carece de tração: tanto nas revelações quanto nas pistas falsas que planta, Branagh não cria fascínio pelo senso de surpresa ou esperteza. O resultado é uma conclusão criativa em essência, mas amortecida por um filme que não acompanha sua invenção.

Morno e sem vida, O Assassinato no Expresso do Oriente perde a belíssima chance de ser uma viagem inesquecível: imaginem o tanto que poderia ser feito para os sentidos com uma trama cuja principal circunstância por si só já causa certo pavor. Não sei quanto a vocês, mas, para me angustiar, basta a ideia de estar preso em um trem encalhado por uma avalanche. E o que dirá, então, com um assassino sem identidade à solta! Pois não há essa tensão, e a moral da história, pela milésima vez, é a de que certos ícones devem permanecer intocados. Será que um dia vão aprender?

Os indicados ao Globo de Ouro 2018

Sally Hawkins em A Forma da Água: o filme do mexicano Guillermo Del Toro lidera a lista do Globo de Ouro com indicações em sete categorias.

Com pequenas reviravoltas para um início de temporada pulverizado nas premiações, o Globo de Ouro revelou, na manhã de hoje (11), os indicados de sua edição comemorativa de 75 anos. A maior surpresa é, sem dúvida, a boa atenção dada ao drama Todo o Dinheiro do Mundo, indicado a direção, atriz (Michelle Williams) e ator coadjuvante (Christopher Plummer). Fica a incógnita até o lançamento do filme: será que é mesmo um estouro ou apenas efeito do escândalo Kevin Spacey? Vamos acompanhar! Ainda entre as reviravoltas, Greta Gerwig não conseguiu chegar entre os finalistas de direção com Lady Bird: É Hora de Voar (mais uma vez nenhuma mulher compete na categoria!), assim como outro querido das associações de críticos: o italiano Luca Guadagnino com Me Chame Pelo Seu Nome, que ainda ficou de fora nas listas de roteiro e canção original, onde parecia aposta certa. Mais uma vez fica a lição para que se não acredite tanto nas listas de associações de críticos. Premiações televisionadas são um assunto completamente diferente.

Quem ganha força aqui? Primeiro A Forma da Água, do mexicano Guillermo Del Toro. Se parece um tanto improvável o Oscar comprar com tanta paixão um longa de fantasia (lembram que O Labirinto do Fauno, também assinado pelo cineasta, não se consagrou em filme estrangeiro no prêmio da Academia?), o Globo de Ouro provou mais uma vez não ser careta com gêneros, indicado a produção em sete categorias, como líder absoluto. E The Post – A Guerra Secreta, que deve ser a alternativa real para um ano estranhamente específico e indie, realmente vingou: o novo trabalho de Steven Spielberg coleciona indicações em filme, direção, ator (Tom Hanks), atriz (Meryl Streep), roteiro e trilha sonora. Entre as comédias, forçaram a barra com a lembrança de Ansel Egort como melhor ator por Em Ritmo de Fuga, mas compensaram dando a devida atenção aos desempenhos de Emma Stone e Steve Carell em A Guerra dos Sexos. Também não faltaram interpretações surgindo do nada no segmento de cinema: Denzel Washington, como melhor ator por Roman J. Israel, Esq., Helen Mirren como melhor atriz por The Leisure Seeker e Hong Chau como coadjuvante por Pequena Grande Vida.

Com o Brasil novamente de fora, a lista de filmes estrangeiros contempla tanto filmes já repercutidos no Festival de Cannes (LovelessEm Pedaços) quanto outros que não pareciam destinados a realmente ter algum buzz, como Uma Mulher Fantástica, do Chile, e First They Killed My Father, do Camboja, dirigido por Angelina Jolie. Mas há Brasil sim na edição comemorativa do Globo de Ouro: o carioca Carlos Saldanha dirige O Touro Ferdinando, indicado na categoria de melhor animação. Por fim, considerando as indicações dos seriados, surpreende que o elenco inteiro de Game of Thrones tenha deixado de conseguir indicações por seus desempenhos individuais. Famoso por festejar tudo que é série novata (incluindo aquelas que quase nem sabíamos da existência), o Globo de Ouro, ao menos, acertou em uma indicação particular: a de Jude Law como melhor ator em minissérie/telefilme por The Young Pope, quebrando o jejum da belíssima produção nas listas até aqui.

A premiação do Globo de Ouro acontece no dia 7 de janeiro. Confira abaixo a lista completa de indicados em cinema:

MELHOR FILME DRAMA
Me Chame Pelo Seu Nome
Dunkirk
The Post – A Guerra Secreta
A Forma da Água
Três Anúncios para um Crime

MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL
Artista do Desastre
Corra!
I, Tonya
Lady Bird: É Hora de Voar
O Rei do Show

MELHOR DIREÇÃO
Christopher Nolan (Dunkirk)

Guillermo del Toro (A forma da Água)
Martin McDonagh (Três Anúncios para um Crime)
Ridley Scott (Todo o Dinheiro do Mundo)
Steven Spielberg (The Post – A Guerra Secreta)

MELHOR ATRIZ DRAMA
Frances McDormand (Três Anúncios para um Crime)
Jessica Chastain (A Grande Jogada)
Sally Hawkins (A Forma da Água)
Meryl Streep (The Post – A Guerra Secreta)
Michelle Williams (Todo o Dinheiro do Mundo)

MELHOR ATOR DRAMA
Daniel Day-Lewis (Trama Fantasma)
Denzel Washington (Roman J. Israel, Esq.)
Gary Oldman (O Destino de Uma Nação)
Timothée Chalamet (Me Chame Pelo Seu Nome)
Tom Hanks (The Post – A Guerra Secreta)

MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL
Emma Stone (A Guerra dos Sexos)
Helen Mirren (The Leisure Seeker)
Judi Dench (Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha)
Margot Robbie (I, Tonya)
Saoirse Ronan (Lady Bird: É Hora de Voar)

MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL
Ansel Elgort (Em Ritmo de Fuga)
Daniel Kaluuya (Corra!)
Hugh Jackman (O Rei do Show)
James Franco (Artista do Desastre)
Steve Carell (A Guerra dos Sexos)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Allison Janney (I, Tonya)
Hong Chou (Pequena Grande Vida)
Laurie Metcalf (Lady Bird: É Hora de Voar)
Mary J. Blige (Mudbound)
Octavia Spencer (A Forma da Água)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Armie Hammer (Me Chame Pelo Seu Nome)
Christopher Plummer (Todo o Dinheiro do Mundo)
Richard Jenkins (A Forma da Água)
Sam Rockwell (Três Anúncios para um Crime)
Willem Dafoe (Projeto Flórida)

MELHOR ANIMAÇÃO
The Breadwinner
Com Amor, Van Gogh
O Poderoso Chefinho
O Touro Ferdinando
Viva: A Vida é uma Festa

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Home” (O Touro Ferdinando)
“Mighty River” (Mudbound)
“Remember Me” (Viva: A Vida é uma Festa)
“The Star” (A Estrela de Belém)
“This is Me” (O Rei do Show)

MELHOR TRILHA SONORA
Dunkirk
A Forma da Água
The Post – A Guerra Secreta
Trama Fantasma
Três Anúncios para um Crime

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Uma Mulher Fantástica (Chile)
First They Killed My Father: A Daughter of Cambodia Remembers (Camboja)
Em Pedaços (Alemanha)
Loveless (Rússia)
The Square (Suécia)

MELHOR ROTEIRO
A Forma da Água
A Grande Jogada

Lady Bird: É Hora de Voar

The Post – A Guerra Secreta
Três Anúncios para um Crime

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MELHOR SÉRIE DRAMA
Game of Thrones
The Handmaid’s Tale
Stranger Things
The Crown
This Is Us

MELHOR SÉRIE COMÉDIA/MUSICAL
Black-ish
Master of None
SMILF
The Marvelous Mrs. Maisel
Will & Grace

MELHOR MINISSÉRIE/TELEFILME
Big Little Lies
Fargo
Feud: Bette and Joan
The Sinner
Top of the Lake

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMA
Caitriona Balfe (Outlander)
Claire Foy (The Crown)
Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale)
Katherine Langford (13 Reasons Why)
Maggie Gyllenhaal (The Deuce)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE COMÉDIA/MUSICAL
Alison Brie (GLOW)
Frankie Shaw (SMILF)
Issa Rae (Insecure)
Pamela Adlon (Better Things)
Rachel Brosnahan (The Marvelous Mrs. Maisel)

MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE/TELEFILME
Jessica Biel (The Sinner)
Jessica Lange (Feud: Bette and Joan)
Nicole Kidman (Big Little Lies)
Reese Witherspoon (Big Little Lies)
Susan Sarandon (Feud: Bette and Joan)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMA
Bob Odenkirk (Better Call Saul)
Freddie Highmore (The Good Doctor)
Jason Bateman (Ozark)
Liev Schreiber (Ray Donovan)
Sterling K. Brown (This is Us)

MELHOR ATOR EM SÉRIE COMÉDIA/MUSICAL
Anthony Anderson (Black-ish)
Aziz Ansari (Master of None)
Eric McCormack (Will & Grace)
Kevin Bacon (I Love Dick)
William H. Macy (Shameless)

MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE/TELEFILME
Ewan McGregor (Fargo)
Geoffrey Rush (Genius)
Jude Law (The Young Pope)
Kyle MacLachlan (Twin Peaks)
Robert De Niro (O Mago das Mentiras)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME
Ann Dowd (The Handmaid’s Tale)
Chrissy Metz (This is Us)
Laura Dern (Big Little Lies)
Michelle Pfeiffer (O Mago das Mentiras)
Shailene Woodley (Big Little Lies)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME
Alexander Skarsgård (Big Little Lies)
Alfred Molina (Feud: Bette and Joan)
Christian Slater (Mr. Robot)
David Harbour (Stranger Things)
David Thewlis (Fargo)