Cinema e Argumento

Cenas Favoritas.

A ordem é totalmente aleatória e as cenas possuem spoilers. A escolha das cenas foi feita baseada nas emoções que elas me causaram, sem falar do sentimento que eu tenho por cada um dos filmes. Por isso, cenas clássicas ficaram de fora.

Ao ler a carta de Ndugu, Warren Schmidt (Jack Nicholson) descobre que fez diferença na vida de alguém na cena final de As Confissões de Schmidt.

Francesca (Meryl Streep) faz a escolha de sua vida em As Pontes de Madison.

O final de As Horas.

A decisão de “continuar” no desfecho de Thelma & Louise.

O momento final de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças.

O incidente envolvendo Daniel (Michael Peña) e sua filha (Ashlyn Sanchez) em Crash – No Limite.

James (Johnny Depp) apresenta a Terra do Nunca para Sylvia (Kate Winslet) em Em Busca da Terra do Nunca.

O “final feliz” de Jack (Leonardo DiCaprio) e Rose (Kate Winslet) em Titanic.

Christian (Ewan McGregor) e sua declaração de amor ao som de Your Song, em Moulin Rouge! – Amor Em Vermelho.

Frank (Al Pacino) dança tango em Perfume de Mulher.

Senhores do Crime

Senhores do Crime, de David Cronenberg

Com Naomi Watts, Viggo Mortensen e Vincent Cassel

3

Confesso que por alguma razão que desconheço, eu estava querendo fugir desse Senhores do Crime. O material de divulgação do longa não havia chamado a minha atenção e a sinopse também não. A única razão pela qual eu queria assistir o filme era pela presença da bela e talentosa Naomi Watts. Nem o diretor Cronenberg era um atrativo para mim, já que acho aquele Marcas da Violência um pouco superestimado (mas com certeza é superior a esse seu novo trabalho). Não tive repugnância a Senhores do Crime por causa do tom pesado como eu achei que ia ter. Imaginava uma obra muito mais violenta e difícil de se assistir.

Recebeu uma indicação ao Oscar de melhor ator para o desempenho de Viggo Mortensen (injustamente; apesar do trabalho corajoso, preferia muito mais que o Emile Hirsch fosse indicado, por exemplo) e teve repercussão tímida. A obra não é nada demais mesmo, com uma história simples, sem grandes surpresas. Dentro do que podia realizar com a interessante história, fez muito pouco. Ficou devendo um desenvolvimento mais envolvente. A boa trilha sonora de Howard Shore cria o bom clima russo e, junto com o satisfatório elenco, termina por ser o melhor que existe no linear Senhores do Crime.

FILME: 7.0

Filmes em DVD

Desejo e Reparação, de Joe Wright (revisto)

Com Keira Knightley, James McAvoy e Saoirse Ronan

Apesar de Desejo e Reparação não ser mais o meu filme favorito do ano, continua sendo o mais belo e poético. Cada vez que tenho a oportunidade de rever esse longa, fico cada vez mais encantado com a impecável produção – desde a bela direção de arte, a linda fotografia e os elegantes figurinos. Sem falar da perfeita trilha sonora do Dario Marianelli (o Oscar não foi um prêmio de consolação). Continuo tendo um certo problema com o segundo ato, quando Robbie (James McAvoy, evoluindo a cada trabalho) vai para a guerra, que é quando o roteiro perde o seu ritmo; mas é igualmente apreciável, especialmente por causa da seqüência sem cortes que o diretor Joe Wright fez mostrando os horrores da guerra. Alguém me explica como ele não foi indicado a melhor diretor e Jason Reitman foi?! O elenco é um acerto e todas as atrizes que interpretam Briony Tallis – a revelação Saoirse Ronan, a ótima Romola Garai e a veterana Vanessa Redgrave – deixaram grande marcas. Com um final surpreendentemente emocionante (ao menos para mim, que não tinha conhecimento da obra de Ian McEwan), Desejo e Reparação pode ser considerado um filme ultrapassado e formulaico para muitos. Eu vi uma obra brilhante e linda, que merecia um pouquinho mais de reconhecimento do público.

FILME: 9.0

Onde Os Fracos Não Têm Vez, de Joel e Ethan Coen (revisto)

Com Josh Brolin, Javier Bardem e Tommy Lee Jones

O grande vencedor do Oscar desse ano é um filme extremamente eficiente – envolve, cria tensão e é ágil em sua narrativa. Mas, por alguma razão, não é memorável e não deixa maiores impressões depois da sessão.  Principalmente se comparado com os seus outros concorrentes no Oscar. Por isso, muita gente estranhou que a Academia tenha premiado um filme tão diferente como esse. Onde Os Fracos Não Têm Vez parece um filme sem mensagem, mas não é; ela está implícita, é um estudo sobre a violência e seus limites. Basta prestar bem a atenção para perceber. Cru e seco, o longa dos irmãos Coen é um belo exercício de tensão e uma grata surpresa desse ano. Muito bem produzido e com um ar de produção independente, tem inúmeros aspectos positivos, como a bela montagem e a fotografia. Mas existe algo que brilha mais do que tudo. E esse algo é a marcante interpretação do espanhol Javier Bardem (o grande vencedor de prêmios da temporada), enigmático e literalmente um vilão de dar medo. Nem Heath Ledger conseguiu ser mais vilão do que ele.

FILME: 8.5

O Auto da Compadecida, de Guel Arraes

Com Matheus Nachtergaele, Selton Mello e Fernanda Montenegro

Baseado no texto do escritor Ariano Suassuna, O Auto da Compadecida é um dos maiores sucessos do cinema brasileiro – até porque já foi reprisado exaustivamente na televisão. Eu nunca havia conferido o longa, portanto, estava livre daqueles preconceitos que se criam em torno dessas obras irritantementes repetidas na telinha. Acabei me divertindo bastante o resultado, que tem praticamente toda a sua excelência calcada no talento de seus atores e na inteligência dos rápidos diálogos. A direção de arte é outro excelente ponto de O Auto da Compadecida, auxiliando na ótima comédia que é apresentada para o espectador. Pena que a Fernanda Montenegro só vá aparecer nos últimos atos (que são os mais fracos), com uma participação não muito marcante. De qualquer forma, é um longa a ser apreciado.

FILME: 8.0

Do Luto à Luta, de Evaldo Mocarzel

Documentário

As pessoas portadoras da síndrome de down são e sempre foram vítimas do preconceito. O documentário Do Luto à Luta, consagrado com o prêmio especial do júri no festival de Gramado, não se preocupa em dissecar os dramas que essas pessoas vivem e muito menos em apelar para emoções baratas. O longa quer mostrar que, mesmo com tantos problemas, existe esperança para essas pessoas e que as dificuldades são meros obstáculos – elas podem dançar, estudar, andar a cavalo, transar e namorar. Basta ter empenho. Nesse sentido, Do Luto à Luta é um belo retrato sobre a humanidade dos portadores da síndrome de down e os envolvidos (principalmente os pais). Como cinema, o filme não foge daqueles principais problemas que tanto me incomodam em documentários, especialmente a repetição à exaustão do tema. Porém, o filme tem em seu benefício uma curta duração e um tema interessante.

FILME: 7.5

Minha Adorável Lavanderia, de Stephen Frears

Com Gordon Warnecke, Daniel Day-Lewis e Rita Wolf

Primeiro filme do diretor Stephen Frears (um dos meus favoritos) que não conseguiu me cativar em nenhum momento. Acho que o principal erro de Minha Adorável Lavanderia está em seu roteiro, que não parece se decidir muito bem em sua proposta. Ele tenta criar uma história de amor homossexual ao mesmo tempo em que trabalha o cotidiano de uma família oriental e o grande empenho de um garoto para tentar ser independente no mundo dos negócios. As situações são milimetricamente divididas e fica difícil entender qual a principal trama da história. Contudo, Frears conduz todo o longa de forma competente como sempre, mantendo o interesse e a agilidade da trama. O destaque fica com a dupla Gordon Warnecke e Daniel Day-Lewis, ambos dando muita verossimilhança aos seus personagens.

FILME: 7.5

Se Eu Fosse a Minha Mãe, de Gary Nelson

Com Jodie Foster, Barbara Harris e John Astin

Esse é o filme que deu origem para o recente Sexta-Feira Muito Louca, com Lindsay Lohan e Jamie Lee Curtis. As produções são bem diferentes, e a nova versão se deu a liberdade de inventar coisas que não existiam nesse original. Se Eu Fosse a Minha Mãe é uma comédia muito sincera com aquela velha premissa que todo mundo conhece sobre uma mãe que troca de corpo com a filha durante um dia inteiro. Jodie Foster, muito jovem e em início de carreira, é a protagonista; e desde já mostrava grande talento e simpatia (seu trabalho até lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz comédia/musical). Barbara Harris, como a mãe, não fica nem um pouco atrás, brilhante. O filme de Gary Nelson não traz nada de novo e nem vai fazer o espectador dar risadas, mas cada minuto é de uma humildade única, tudo singelo e nostálgico. Para a época, devia ter sido uma bela diversão. Destaque para a música de abertura, I’d Like To Be You For a Day.

FILME: 7.5

Sobre Café e Cigarros, de Jim Jarmusch

Com Cate Blanchett, Bill Murray e Alfred Molina

União de vários curtas de mesmo tema bem ao estilo de Paris, Te Amo, só que em menor quantidade que o longa francês. São eles: Strange To Meet You, Twins, Those Things’ll Kill Ya, Jack Shows Meg His Tesla Coil, Somewhere In California, Renée, No Problem, Cousins, Cousins?, Delirium e Champagne. O diretor Jim Jarmusch é uma pessoa estranho – metido a cult, realiza longas sempre do mesmo estilo. Eu, que não gostei de Flores Partidas, não esperava muita coisa desse Sobre Café e Cigarros. O resultado é até interessante, pena que a proposta não foi tratado com originalidade. Era pra ser uma coletânea de histórias sobre pessoas conversando diversos assuntos enquanto tomam café e fumam cigarros em cafeterias. Certas histórias funcionam só por causa dos atores – é o caso de Delirium, com Bill Murray – e outras funcionam também por causa do roteiro. Destaco bastante Cousins, com Cate Blanchett inspiradíssima contracenando com ela mesma e Cousins? onde Alfred Molina interpreta… Alfred Molina! Sobre Café e Cigarros tem todos aquele clima “quero ser cult” de Jim Jarmusch, que até fotografia preto-e-branco resolveu usar! E aqui o clima funciona. É uma boa diversão, e só. Para um público bem seleto.

FILME: 7.0

The Dark Side.

Vocês já sabem o assunto do Meme…

Anton Chigurh (Javier Bardem), Onde Os Fracos Não Têm Vez

“That’s the best deal you’re gonna get. I won’t tell you you can save yourself, because you can’t.”

Miranda Priestly (Meryl Streep), O Diabo Veste Prada

“I thought you would be different. I said to myself, go ahead. Take a chance. Hire the smart, fat girl. I had hope. My God. I live on it. Anyway, you ended up disappointing me more than than any of the other silly girls.”

Annie Wilkes (Kathy Bates), Louca Obsessão

“Now the time has come. I put two bullets in my gun. One for me, and one for you. Oh darling, it will be so beautiful.”

Frank Costello (Jack Nicholson), Os Infiltrados

“When I was growing up, they would say you could become cops or criminals. But what I’m saying is this. When you’re facing a loaded gun, what’s the difference?”

Dolores Jane Umbridge (Imelda Staunton), Harry Potter e a Ordem da Fênix

“I am sorry, dear, but to question my practices is to question the Ministry, and by extension, the Minister himself. I am a tolerant woman, but the one thing I will not stand for is disloyalty.”

Baby Jane Hudson (Bette Davis), O Que Terá Acontecido a Baby Jane?

“I don’t want to talk about it! Everytime I think about something nice, you remind me of bad things. I only want to talk about the nice things.”

Anton Ego (Peter O’Toole), Ratatouille

“In many ways, the work of a critic is easy. We risk very little yet enjoy a position over those who offer up their work and their selves to our judgment. We thrive on negative criticism, which is fun to write and to read.”

Marquesa Isabelle de Marteuil (Glenn Close), Ligações Perigosas

“I’m a woman. Women are obliged to be far more skillful than men. You can ruin our reputation and our life with a few well-chosen words. So, of course, I had to invent, not only myself, but ways of escape no one has every thought of before. And I’ve succeeded because I’ve always known I was born to dominate your sex and avenge my own.”

Severus Snape (Alan Rickman), Harry Potter

“Clearly, fame isn’t everything, is it, Mr. Potter?”

Mildred Ratched (Louise Fletcher), Um Estranho No Ninho

“If Mr. McMurphy doesn’t want to take his medication orally, I’m sure we can arrange that he can have it some other way. But I don’t think that he would like it.”

O Nevoeiro

Direção: Frank Darabont

Elenco: Thomas Jane, Marcia Gay Harden, Toby Jones, William Sadler, Jeffrey DeMunn, Laurie Holden, Chris Owen, Nathan Gamble

The Mist, EUA, 2007, Suspense, 120 minutos, 16 anos.

Sinopse: Após uma violenta tempestade devastar a cidade de Maine, David Drayton (Thomas Jane) e Billy (Nathan Gamble), seu filho de 8 anos, correm rumo ao supermercado, temendo que os suprimentos se esgotem. Porém um estranho nevoeiro toma conta da cidade, o que faz com que David, Billy e outras pessoas fiquem presas no supermercado. Logo David descobre que há algo de sobrenatural envolvido e que, caso deixem o local, isto pode ser fatal.

Não apenas o final, mas todo o desenvolvimento de O Nevoeiro é dotado de um clima perturbador e angustiante. Mesmo que o roteiro seja regular e sem ousadias de originalidade, consegue criar momentos de pura tensão e construir uma das melhores obras do ano.

Um paralelo pode ser feito com esse novo filme de Frank Darabont e a recente obra de Fernando Meirelles, Ensaio Sobre a Cegueira. Em ambas as obras assistimos a construção de duas sociedades em meio ao caos. O Nevoeiro não é sobre cegos chegando aos limites da sobrevivência, mas sobre pessoas normais nessa mesma situação. Presos em um supermercado, os moradores de uma cidade são obrigados a permanecer no local devido a ameça de um nevoeiro sobrenatural (e assassino, ao estilo dos péssimos Fim dos Tempos e A Névoa) e tentar sobreviver ali até que o mistério seja solucionado.

O Nevoeiro é dirigido por um certo Frank Darabont, que já realizou excelentes produções como Um Sonho de Liberdade, e que estava desaparecido desde 1999, quando filmou À Espera de Um Milagre. É de se estranhar que ele venha a retornar logo com um suspense, mas como é obra de Stephen King (o escritor favorito do diretor e que lhe rendeu seus maiores sucessos), O Nevoeiro acaba se tornando um produto com grandes expectatias gravitando em sua volta. O resultado é mais do que satisfatório, e fez a espera valer a pena, já que estamos diante de um suspense com grandes cenas de suspense, além de uma ótima produção.

A força do filme está no seu próprio roteiro, que consegue unir muito bem um bom suspense com ótimos momentos dramáticos. Mas o melhor não é isso; a grande surpresa do longa reside na introdução do assunto religião na história. É através da crença que os personagens vão ser motivados a tomar suas atitudes, mas é também através dela que eles vão se perder completamente em suas escolhas. Quem prega o fanatismo religioso é a figura vivida pela excelente Marcia Gay Harden (um dos melhores desempenhos coadjuvantes do ano), que instala o caos dentro daquela comunidade.

A trilha sonora do competente Mark Isham (Crash – No Limite e No Vale das Sombras) ajuda o diretor Frank Drabont a criar o clima ideal para o longa – nada de sensacionalismos ou exagero, até porque estamos em um terreno onde é fácil cair em ciladas. Estamos em um filme de suspense que envolve fatos misteriosos (ou sobrenaturais, para alguns). Mais perigoso impossível. Porém, isso não ocorre. Primeiro porque Darabont é um diretor muito competente. Segundo porque a trama que temos em mão é de um escritor igualmente competente. Una a isso um excelente trabalho de elenco e você terá uma das produções mais satisfatórias de 2008.

FILME: 8.5

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