Cinema e Argumento

Apostas Para o Globo de Ouro

Post atualizado com as duas categorias que haviam sido esquecidas: Atriz Coadjuvante e Ator Coadjuvante

Ano passado nem festa o Globo de Ouro teve, e confesso que não senti muita falta. Claro que é sempre ótimo ver toda aquela badalação e artistas subindo no palco, mas o Globo de Ouro sempre tem a forte característica de ser uma premiação tediosa. Sem falar que normalmente não acerta os vencedores do Oscar (e em alguns casos nem os indicados). Esse ano a premiação parece ter voltado aos seus bons tempos. O que resta saber é se seus vencedores vão manter a boa distribuição de sua lista de nomeados. Abaixo, minhas apostas, com comentário em cada categoria.

Melhor Filme Drama

O Curioso Caso de Benjamin Button

Alt: Slumdog Millionaire

Nos últimos tempos essa categoria vem errando bastante o vencedor principal do Oscar, simplesmente pelo fato de consagrar aquela produção que desde o início é considerada favorita. O problema é que O Curioso Caso de Benjamin Button já não é tão favorito como antes – visto que Slumdog Millionaire está conquistando muito mais prêmios. Desejo e Reparação, Babel e O Segredo de Brokeback Mountain. Todos eles tinham cara de Oscar e não venceram o prêmio da Academia. O Curioso Caso de Benjamin Button tem o mesmo perfil e por isso acredito que novamente o Globo de Ouro premiará um filme desse tipo. Não pode deixar de se desconsiderar, claro, outro favorito da temporada, o próprio Slumdog Millionaire.

Melhor Filme Comédia/Musical

Vicky Cristina Barcelona

Alt: Queime Depois de Ler

O Globo de Ouro gostou mesmo de Vicky Cristina Barcelona. Chegou até o ponto de indicar uma atriz inesperada mas também merecedora (Rebeca Hall). Campeão de indicações no setor dos filmes de comédia/musical, o mais novo trabalho de Woody Allen vem com grande força para vencer o prêmio. E não é pra menos, fazia bastante tempo que o diretor não trabalhava a suas origens – filmes sobre relacionamentos que misturavam diálogos inteligentes, comédia, drama e romance. Vicky Cristina Barcelona consegue fazer isso com muito charme. Só a sua estrutura excessivamente convencional pode atrapalhar a sua vitória e dar espaço para  Queime Depois de Ler. Afinal, o prêmio não consagrou os irmãos Coen ano passado… Em escala bem menor, mas nem por isso impossível, Mamma Mia! que assustadoramente se tornou um fenômeno inesperado de bilheteria no mundo inteiro.

Melhor Atriz Drama

Kate Winslet, por Foi Apenas Um Sonho

Alt: Meryl Streep, por Dúvida

É uma verdade absoluta e que todo mundo concorda: Kate Winslet já merece um prêmio significativo faz horas. Se já é difícil acreditar que ela não tem Oscar, mais incompreensível ainda é ver que ela não tem um mísero Globo de Ouro. Mesmo que eu acredite que ela saia de mãos vazias novamente do Kodak Theater esse ano, vai ser bem difícil o Globo de Ouro ignorá-la. É difícil saber em que categoria ela vai se sair vencedora, mas eu acho que a mais provável é em Atriz Drama. Tem a concorrência de Meryl Streep (favorita e queridinha do prêmio) e o forte nome de Anne Hathaway, mas acho que ambas não têm motivos para serem premiadas dessa vez. Streep por ser uma veterana na categoria dramática e Hathaway por ainda não ser um nome sólido. Por mais que Foi Apenas Um Sonho tenha sido solenemente ignorado nas últimas listas divulgadas por aí, é sempre o nome de Winslet que faz com que o filme seja lembrado. E o fracasso do longa não deve ser empecilho para a atriz se sair vencedora.

Melhor Atriz Comédia/Musical

Meryl Streep, por Mamma Mia!

Alt: Sally Hawkins, por Simplesmente Feliz

Desde quando acabei de assistir Mamma Mia! tive a certeza de que Meryl Streep seria forte concorrente ao Globo de Ouro nessa categoria. É certo que as duas indicações da atriz podem fazer com que ela saia sem nada, mas acho meio difícil que o Globo de Ouro deixe de premiar um trabalho tão descontraído dela como esse. Recentemente premiada nessa categoria por O Diabo Veste Prada, Streep tem tudo pra ganhar o prêmio aqui. Sally Hawkins – uma das favoritas – tem um perfil muito independente para vencer, principalmente em uma festa tão comercial e que ilumina os artistas mais em alta da temporada. É por não conseguir ganhar por Dúvida que ela terá também aqui um prêmio de consolação. Cheia de prêmios ou não, acredito que Streep não poderia deixar de ser celebrada nesse ano. E o sucesso comercial de Mamma Mia! só impulsiona a sua vitória.

Melhor Ator Drama

Mickey Rourke, por O Lutador

Alt: Sean Penn, por Milk – A Voz da Igualdade

Di Caprio já tem o seu Globo de Ouro (por O Aviador), Brad Pitt apesar de indicado não tem forças e Frank Langella parece ser o azarão da categoria. O prêmio fica entre Sean Penn e Mickey Rourke. Penn já tem o prêmio em casa (e vale citar também que Milk foi bastante ignorado na lista), o que abre bastante espaço para uma provável e não-surpreendente vitória de Mickey Rourke, por  O Lutador. Não há muito o que comentar por aqui, uma vez que a concorrência não é tão grande e os candidatos nem são tão interessantes aqui. No final das contas, independente do vencedor, não teremos maiores surpresas.

Melhor Ator Comédia/Musical

Javier Bardem, por Vicky Cristina Barcelona

Alt: Dustin Hoffman, por Last Chance Harvey

Javier Bardem já venceu ano passado por Onde Os Fracos Não Têm Vez, mas é bem provável que vença de novo esse ano. Com uma naturalidade de impressionar e um papel muito bem conduzido, Bardem consegue ficar no mesmo nível (e, por muitas vezes, até bem melhor) de suas belas colegas de Vicky Cristina Barcelona. A concorrência não é grande, e Bardem está em mais um momento iluminado de sua carreira. Dos outros concorrentes, quem também pode levar – em chance menor – é Dustin Hoffman por Last Chance Harvey. Todo mundo sabe que o Globo de Ouro tem uma certa queda por atores veteranos e costuma premiá-los em momentos bem inusitados. Quem sabe isso não ocorre aqui também?

Melhor Atriz Coadjuvante

Penélope Cruz, por Vicky Cristina Barcelona

Alt: Kate Winslet, por O Leitor

Recordista de prêmios da temporada e merecedora de todos os elogios que lhe são dados, Panélope Cruz vem com força total para ganhar na categoria. Como possivelmente não tenha tanto fôlego para ser premiada com o Oscar (que, possivelmente, deve ir para Viola Davis ou Kate Winslet), deve ser lembrada aqui, exatamente por ter o perfil que o Globo de Ouro aprecia. Sua maior concorrente é Kate Winset, por O Leitor – se ela não vencer como atriz em drama, deve ter aqui seu prêmio de consolação. Mas em primeira análise, é Penélope que dispara, merecidamente, como grande favorita.

Melhor Ator Coadjuvante

Heath Ledger, por Batman – O Cavaleiro das Trevas

Alt: Philip Seymour Hoffman, por Dúvida

O falecido Heath Ledger já tinha sua vitória cantada por parte do público antes mesmo de sua indicação se confirmar nos prêmios. O fato é que o tempo passou e nenhum candidato em potencial apareceu. Legder, então, confirma-se como o favorito absoluto para o prêmio. Absoluto no sentido literal da palavra. E como já foi mencionado pelo Vinícius em um comentário aqui no blog, ficaria muito feio se não premiarem ele.

Outras Categorias:

  • Filme estrangeiro: Gomorra
  • Animação: WALL-E
  • Trilha sonora: O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Canção original: “The Wrestler”
  • Roteiro: Slumdog Millionaire
  • Direção: Danny Boyle

Road to the Oscars – Heath Ledger

Heath Ledger, por Batman – O Cavaleiro das Trevas

Tá certo, todo mundo já cantava a vitória do Heath Ledger antes mesmo das épocas de premiação. Eu era meio averso a esse tipo de atitude, mas agora que nenhum real adversário apareceu para combater Ledger, a consagração póstuma do seu nome já é certa – e merecida. Num ano em que o setor das atuações nas premiações é tão incerto (e fraca, principalmente entre os masculinos coadjuvantes), Ledger é a única certeza. Surpreendente e marcante no papel do insano Coringa, o ator se confirma como o vencedor absoluto em sua categoria nas diversas listas de prêmios que estão sendo divulgadas.

Potencial para indicação ao Oscar:


Bolt – Supercão

Direção: Chris Williams e Byron Howard

Com as vozes de: John Travolta, Miley Cyrus, Malcolm McDowell, Nick Swardson, James Lipton, Ronn Moss, Randy Savage

Bolt, Animação, 105 minutos, Livre

Sinopse: Em um programa de TV, uma garotinha (Miley Cyrus) e o cão Bolt (John Travolta) lutam contra o crime e Bolt usa seus super poderes como um latido alto o suficiente para acabar com qualquer um que esteja em sua mira. Assim, Bolt acha que ele realmente é um super-herói e tem todos aqueles super-poderes, e esquece que é um simples ator de TV e que Penny realmente é apenas uma atriz apenas contratada para fazer sua parte e não alguém que realmente o ama. O cãozinho não compreende que muitos de seus grandes feitos são trucagens desenvolvidas pela equipe do estúdio. Bolt então é um cão que vive um mundo de fantasia, sem nunca questionar a razão da sua existência. Nunca viu como é o mundo fora dos estúdios. Por acidente ele acaba conseguindo sair, e é enviado para Nova York. E é nessa situação adversa, longe de casa, que o cãozinho decide usar seus poderes para voltar para casa, mas é ai que percebe que na verdade ele não tem poderes nenhum e que vai precisar de amigos para conseguir voltar.

Bolt – Supercão é uma animação muito satisfatória dentro de suas características. Sincera e efetiva, consegue funcionar como muita animação por aí nao consegue.”

Na crítica de Madagascar 2, aleguei que é muito complicado ser uma animação em um tempo que a estupenda originalidade da Pixar domina o mercado. Mas Bolt – Supercão vem pra provar que ainda existe espaço para animações singelas e sinceras. O desenho de Chris Williams e Byron Howard – também disponível em uma boa versão 3D – não é nenhuma pérola, mas um dos bons exemplares infantis que estão circulando pelos nossos cinemas. A proposta é bem original e por mais que seu desenvolvimento não faça justiça a inovação da sinopse, é bem fácil entrar na história e se divertir com as aventuras do cãozinho Bolt.

As primeiras cenas impressionam com sua incrível ação e já nos mostram qual é o tratamento que a história vai trabalhar ao longo de seu roteiro. Aliado a isso temos personagens muito carismáticos – desde o protagonista até os coadjuvantes – que tornam muito fácil a transmissão da mensagem do filme. Mensagem esse que nunca soa forçada, realmente funcionando. Bolt – Supercão é feliz em suas escolhas e é um bom exemplo de como se fazer animação sem cair nas armadilhas de previsibilidades normalmente implantadas nesse tipo de filme.

O longa também tem duas excelentes músicas: Barking at the Moon (infelizmente dublada) e I Thought I Lost You, ambas igualmente efetivas dentro do contexto da aventura. Algumas vezes comprido e um pouco sem ritmo, Bolt – Supercão tem sim seus defeitos, mas é muito fácil perdoar seus deslizes diante de uma produção tão sincera como essa. O filme, no final das contas, quer nos mostrar que não é fácil mudarmos o nosso papel no ciclo da vida. Sonhadores são sonhadores, realistas são realistas. Cada um vive em seu mundo e a inversão dos papéis nem sempre é bem sucedida. E, mesmo que alguns prefiram acreditar em ilusões mais convenientes, nossa passagem aqui na Terra é significativa, independente de como enxergamos os fatos. Não podemos ter sete vidas como os gatos, mas essa vida que vivemos já é boa o suficiente, como diz o próprio filme.

FILME: 8.0

35

Melhores de 2008 – Atriz Coadjuvante

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A grande ameaça de O Nevoeiro não reside no misterioso fato natural do título ou nos ameaçadores monstros que atacam os personagens. O maior perigo, na realidade, é a própria mente humana. Marcia Gay Harden, como a fanática religiosa Sra. Carmody, representa isso de forma inigualável. Ela é a figura mais interessante do filme de Frank Darabont, possuindo uma crescente importância na trama. No início, é apenas mais um personagem como qualquer outro. Em determinado ponto, é a figura que mais chama atenção. Marcia Gay Harden dá um show de atuação, em uma intepretação muito efetiva e que desperta diversos tipos de sentimento no espectador. Vencedora do ano passado: Imelda Staunton por Harry Potter e a Ordem da Fênix.

Cate Blanchett como Jude em Não Estou Lá

emelhcateCate Blanchett chegou em um patamar onde ninguém mais duvida de seu talento. É uma atriz completa – já tem Oscar em casa, é aclamada por diversos trabalhos e atua com muita tranquilidade em variados projetos. O desempenho dela em Não Estou Lá é uma das mais gratas surpresas de sua carreira, especialmente por ela estar interpretando uma figura masculina. O grande feito da atriz é conseguir sumir completamente dentro do cantor Bob Dylan e fazer com que o espectador esqueça que é Cate Blanchett que está na tela. Muito premiada por sua participação no filme de Todd Haynes, Blanchett mais uma vez nos presenteou com uma grande atuação. Pena que num filme não tão especial como ela. INDICAÇÃO ANTERIOR: Melhor Atriz Coadjuvante por Notas Sobre Um Escândalo em 2007.

Penélope Cruz como Maria Elena em Vicky Cristina Barcelona

melhpenVolver poderia ter sido um golpe de sorte na carreira da bela Penélope Cruz. Mas Vicky Cristina Barcelona veio provar o contrário – Penélope tem talento sim. Ela aparece tardiamente no filme de Woody Allen e seu espaço em cena é menor do que o merecido, mas a atriz aproveita cada segundo em cena, sendo o grande destaque do longa. Sem dúvida o papel favorece a atuação – a Maria Elena é engraçada, louca e brilhante – mas Penélope não se intimida e consegue dar vida para a personagem com uma notável técnica humorística e dramática. Ela chama mais a atenção que qualquer uma de suas colegas de cena. Afinal, é linda e uma excelente atriz. E aqui ela mais uma vez deixou uma excelente marca para sua carreira. INDICAÇÃO ANTERIOR: Melhor Atriz por Volver em 2006.

Saoirse Ronan como Briony Tallis em Desejo e Reparação

melhsaoiBriony Tallis é a melhor personagem do drama-épico Desejo e Reparação. O maior destaque, na realidade, é o trio de atrizes selecionado para representar as três fases da personagem. Na infância, Briony é representada por essa notável Saoirse Ronan, que tem assustadora segurança ao interpretar um papel tão difícil e complexo. Não é fácil simpatizar com sua personagem e Saoirse não consegue mudar isso. O que importa na atuação dela é que ela faz justamente aquilo que é necessário – causar diversas sensações no espectador, que fica intrigado com aquela criança tão precoce e cheia de sentimentos negativos. Ela é a atriz que traz a fase mais interessante de Briony, em uma atuação impecável, que em nenhum momento se intimida diante dos outros atores.

Romola Garai como Briony Tallis em Desejo e Reparação

melhromBriony Tallis chega na sua segunda fase com a ótima Romola Garai. Agora Briony já é consciente das atitudes erradas que tomou quando era criança e quer consertar o que fez. O problema é que ela está sozinha e ninguém quer lhe dar ouvidos. A solidão e principalmente o arrependimento da personagem são representados com grande qualidade por Romola Garai. Sua história pode até estar inserida num ato cansativo do longa, mas em nenhum momento Romola deixa a qualidade de sua história cair. Ela é uma excelente atriz e sua persofinicação de Briony é mais uma prova disso. Muito subestimada por sua participação no filme de Joe Wright, Romola merecia mais reconhecimento por uma interpretação tão bem balanceada como essa.

Pela primeira vez os visitantes discordaram da escolha do Cinema e Argumento e elegeram Penélope Cruz como a melhor na categoria. A escolhida do blog, Marcia Gay Harden, ficou em segundo lugar. Abaixo, a preferência dos leitores na pesquisa realizada:

1. Penélope Cruz (38%, 13 votos)

2. Marcia Gay Harden (32%, 11 votos)

3. Cate Blanchett (15%, 5 votos)

4. Saoirse Ronan (12%, 4 votos)

5. Romola Garai (3%, 1 voto)

O Dia Em Que a Terra Parou

Direção: Scott Derrickson

Elenco: Jennifer Connelly, Keanu Reeves, Kathy Bates, John Cleese, Jaden Smith, Jon Hamm

The Day The Earth Stood Still, EUA, 2009, Ficção, 14 anos.

Sinopse: Um ser de outro planeta chamado Klaatu (Keanu Reeves) vem à Terra entregar ao presidente um presente, mas é impedido por soldados. Ele é preso e se esconde em uma pensão onde conhece Helen (Jennifer Connelly) e seu filho Bobby (Jaden Smith). Klaatu se decepciona várias vezes com os humanos ao se deparar com o uso desenfreado de armas de fogo. E, por isso, faz um alerta: A Terra será destruída caso os seus habitantes não mudem essa postura.

O Dia Em Que a Terra Parou faz parte do grupo das refilmagens de clássicos que não deram certo. O filme tem grandes efeitos e uma instigante ambientação, mas nunca dá sinal de originalidade ou inovação.”

Não compartilho da idéia de que clássicos do cinema devam ser refilmados. A maioria decepciona – e até resultam em tragédias como Psicose, de Gus Van Sant – e soam como produções desnecessárias. Não é certo fazer disso uma verdade absoluta, já que existem resultados maravilhosos como o King Kong de Peter Jackson, mas dificilmente temos resultados positivos desses projetos. O Dia Em Que a Terra Parou faz parte desses filmes decepcionantes do gênero. E não dá pra explicar muito bem o porquê, uma vez que a ambientação é grandiosa e o lado técnico impecável.

Scott Derrickson, diretor de O Exorcismo de Emily Rose, é quem comanda o espetáculo. O trabalho dele é, no mínimo, irregular. Em determinados momentos, ele tranquilamente imprime um tom muito autêntico para esse estilo de filme. O início é um excelente exercício de suspense, onde o diretor sabe criar o clima adequado de tensão, até porque o visual ajuda em muito nesse aspecto – onde se destaca a fotografia escura e nebulosa. O problema é que, a partir do momento em que Keanu Reeves entre em cena, o filme desanda, perdendo todo o seu tom de mistério. A culpa, dessa vez, não é do ator – que está em um papel condizente com suas limitações – mas do próprio roteiro, que não sabe administrar os fatos da trama. A complexidade envolvendo a mensagem do filme (“o planeta Terra tem que ser salvo de seus habitantes inconsequentes”) não tem o efeito apropriado e é usada de forma rasa. O pecado do filme é esse – a mensagem deveria ser o carro-chefe do filme, mas fica em plano completamente coadjuvante e subutilizada.

O que merece destaque (e bastante!) em O Dia Em Que a Terra Parou é o seu lado técnico, um dos melhores do gênero nesses últimos anos. Os efeitos, desde já merecedores de menção ao Oscar, impressionam, mesmo quando óbvios. Unido a eles temos a fotografia, a montagem e o visual. Tudo conspirando para que o longa dê certo. Ninguém pode reclamar disso no filme. Esse, então, é um dos pontos positivos para que uma refilmagem tenha sucesso. A tecnologia pode proporcionar coisas novas e tornar mais verossímil o que estamos vendo na tela. O Dia Em Que a Terra Parou é extremamente feliz nesse quesito. A protagonista Jennifer Connelly é aquele tipo de atriz que, mesmo em momentos sem inspiração, funciona. Isso é o que ocorre aqui. É visível que ela não consegue segurar o filme sozinha, mas é dotada de um carisma (leia-se também beleza) que tem um poder magnético. De mais significativo no elenco, temos também a boa Kathy Bates.

O Dia Em Que a Terra Parou, portanto, é uma diversão cheia de estilo visual e interessante tecnicamente. Podia ter uma boa mensagem e um resultado instigante, mas ficou muito fraco, com os pontos negativos se sobrepondo aos positivos. Uma pena, pois tinha toda uma força positiva no ar para que ele desse certo. Talvez seja outro alerta para que os clássicos fiquem guardados com suas respectivas excelências no passado.

FILME: 6.0

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