Os Indicados ao Oscar 2008

O post pode parece atrasado, mas foi proposital. Deixei passar um pouco essa “onda” de comentar os indicados ao prêmio da Academia pra poder produzir alguns comentários meus. Ao estilo do post sobre os indicados ao BAFTA, aí vai:
- Sério que teve gente que se surpreendeu com a inclusão de O Leitor em melhor filme? Não é nem pelo filme de Stephen Daldry ser sobre o Holocausto, mas só pelo fato de que o longa já tinha aparecido em duas importantes premiações (BAFTA e Globo de Ouro) nas categorias de filme e diretor já dava pra considerá-lo um candidato em potencial para uma vaga entre os cinco filmes da Academia.
- Mesmo precisando de audiência – afinal, a do ano passado foi vergonhosa – o prêmio não se rendeu aos blockbusters para conseguir maior público e deixou Batman – O Cavaleiro das Trevas de fora das categorias principais. Assino embaixo da exclusão, já que eu não acho que o filme seja tão merecedor para aparecer entre os cinco de melhor filme.
- Não esperava tanto Benjamin Button na lista. Acho que tem potencial para vencer quase todas as categorias técnicas em que aparece.
- Aconteceu exatamente o que eu queria: Kate Winslet foi indicada em uma categoria só. Por mais que isso tire um dos maiores suspenses da festa – já que é imensamente provável que ela vença dessa vez – parece que a classificação de Winslet foi perfeita.
- Simpesmente odeio as seleções com apenas três indicados na categoria de melhor canção. A categoria normalmente já é ruim na seleção com cinco nomeados e esse ano inventaram de indicar duas de Quem Quer Ser Um Milionário? (só Jai Ho bastava) e deixaram The Wrestler de fora.
- Michael Shannon para ator coadjuvante? Tá, ele tem boa presença no longa, mas aparece tão pouco em um longa tão sem graça que nem merecia ser lembrado. Nem os protagonistas foram…
- Melissa Leo e seu Rio Congelado. E o cinema independente, mais uma vez, conquista um merecido espaço na premiação.
- WALL-E superou Ratatouille no número de indicações e, ao que tudo indica, a Pixar deve sair da festa com mais de um simples Oscar de animação. Muito mais, arrisco a dizer.
- Clint Eastwood não foi indicado a nada! Eu nunca pensei que eu ia dizer isso, mas bem feito! Não merecia mesmo.
- Penélope Cruz foi a única menção para Vicky Cristina Barcelona. Será mesmo que o prêmio dela é uma barbada tão grande assim?
- A categoria de trilha sonora é uma das mais disputadas. A.R. Rahman é o único dos selecionados que é novato na lista. Todos os outros já foram indicados e mereciam ter o prêmio. Será a vez do Thomas Newman? Do James Newton Howard? Do Danny Elfman? Ou do Desplat? Todos estupendos compositores. Difícil escolher.





O público já cantava o sucesso de Heath Ledger antes mesmo de o filme ir para os cinemas. E com toda razão. Ledger não apenas tem em Batman – O Cavaleiro das Trevas o melhor papel de sua vida (já acabada), tem uma personificação memorável. Fica evidente, durante o filme inteiro, que todos os méritos do Coringa são dele. Ledger conduz com maestria os momentos que lhe são proporcionados e seus trejeitos são impecáveis. Mas tudo sem nunca cair no exagero. Sem falar, é claro, que ele é ajudado por um grande filme que tem vários aspectos positivos para favorecer sua trajetória bem-sucedida. Seu personagem pode até não ter um desfecho satisfatório (só eu reclamo disso?), mas isso é mero detalhe perto da atuação do ótimo Ledger.
Esse é um jovem talento que ainda é meio subestimado por parte da crítica especialiazada. Já realizou filmes bem sucedidos como Pequena Miss Sunshine (e já merecia uma indicação ao Oscar, mais que seu companheiro Alan Arkin) e agora volta a acertar com Sangue Negro. Muitos julgam o seu papel no filme de Paul Thomas Anderson como exagerado (até porque o fanatismo religioso do personagem tem bastante disso), mas a verdade é que Dano captou muito bem a essência da figura que interpreta. Mesmo competindo em cena com um perfeito Daniel Day-Lewis, ele consegue seu espaço em cena. Isso já acaba sendo uma prova do quão competente é a atuação de Dano. Merecia mais respeito por seu momento em Sangue Negro. INDICAÇÃO ANTERIOR: Melhor Ator Coadjuvante em 2006 por Pequena Miss Sunshine
Mark Ruffalo faz parte de um dos grandes filmes de 2008: Ensaio Sobre a Cegueira. Mas não é no projeto de Fernando Meirelles que ele tem um destaque significativo. Em um ano muito fraco entre os atores coadjuvantes, Ruffalo conseguiu se sobressair com sua interpretação no pouco visto (e subestimado) Traídos Pelo Destino. Ele tem o papel mais interessante no filme de Terry George – um homem cheio de culpa por ter causado um acidente e matado um garoto. Além de ser a figura mais trabalhada da história, o personagem dá a chance de Ruffalo mostrar mais uma vez que é um excelente ator. Se o filme tivesse feito mais sucesso ou se até mesmo não fosse tão comum, o ator certamente teria mais reconhecimento (que já merece faz um bom tempo).
David Strathairn já conquistou meu respeito faz um bom tempo. Desde sua marcante interpretação em Boa Noite e Boa Sorte, o ator nunca caiu na qualidade. Sua participação em Um Beijo Roubado é bem restrita (e o filme não chega a ser mais significativo), mas temos aqui mais uma prova de sua enorme competência. Seu papel é basicamente clichê – um homem com problemas de bebida que não consegue esquecer um amor do passado – mas Strathairn humaniza a figura de tal maneira que o resultado acaba sendo hipnotizante a todo momento que ele aparece em cena. A química com sua companheira de tela, Rachel Weisz (igualmente excelente, e até melhor), só ajuda na qualidade. 

