Gran Torino

Direção: Clint Eastwood

Elenco: Clint Eastwood, Christopher Carley, Brian Haley, Geraldine Hughes, William Hill, John Caroll Lynch, Dreama Walker

EUA, 2009, Drama, 117 minutos, 14 anos.

Sinopse: O funcionário aposentado da indústria automotiva Walt Kowalski (Clint Eastwood) é um veterano da Guerra da Coréia. Ele preenche seus dias fazendo consertos em casa, tomando cerveja e com visitas mensais ao barbeiro. Inflexível e com determinação inabalável, vive num mundo em transformação e se vê forçado pelos vizinhos imigrantes – que acabam de se mudar, vindos do Laos – a confrontar seus próprios preconceitos quando um deles tenta roubar seu Gran Torino mas logo em seguida pede o seu perdão e vira seu amigo.

grantorino

Clint Eastwood não precisa provar mais nada pra ninguém. Tem uma coleção de prêmios em casa, apresenta grande vitalidade para sua idade e constantemente realiza obras de ótima qualidade. O problema é quando ele resolve inventar. Por alguma razão resolveu fazer esse Gran Torino, dirigido, produzido, estrelado e cantado (!!!) por ele mesmo. É de se estranhar que ele lance um filme justamente nessa época de premiações onde ele também vem com o drama A Troca, protagonizado por Angelina Jolie. O que me vem a mente é que ele queria concorrer ao Oscar de melhor ator. O que não aconteceu, como podemos ver na lista oficial da Academia divulgada poucos dias atrás.

Temos um fiapo de história que origina um longa de quase duas horas de duração. Na realidade, Gran Torino é uma reciclagem de vários temas que Clint já trabalhou em filmes anteriores. Temos a violência urbana de Sobre Meninos e Lobos, a relação mestre-aluno de Menina de Ouro e também a religiosidade. Só que dessa vez todas essas abordagens estão em um filme de estrutura muito mais simples, de pouca inspiração. Ainda que funcione e em nenhum momento desaponte em sua qualidade, fica a sensação de que algo faltou em Gran Torino. E eu aposto que a carência do filme reside na falta de originalidade.

Outro problema no longa é a figura criada pelo protagonista. Um tremendo chato e mal humorado, que tem como princípio de que homem só é homem se falar palavrões, dirigir um grande carro, sair com várias mulheres e ter várias armas em casa. É o tipo esterótipo que já vimos no rosto de Clint em outras produções – o velho rabugento, com problemas familiares mas que aos poucos vai mudando sua personalidade por causa de um relacionamento novo. O que vemos é um bom desempenho, mas longe de ser algo novo ou sequer interessante.

Gran Torino, então, decepciona por ser um filme bem abaixo da média. Especialmente agora que Clint vinha mostrando enorme vitalidade. Contudo, o longa não chega a ser tão ruim. É apenas irregular para o grande nome do diretor, que consegue sim criar uma boa atmosfera e um clima interessante, mas fica preso demais na simplicidade. Dessa vez o egocentrismo lhe impediu de realizar um longa de qualidade.

FILME: 6.0

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22 comentários em “Gran Torino

  1. concordo com o marcelo o critico ta de brincadeira!…filme espetacular! emocionante numa época em que são lançados filmes cheios de efeitos especiais mais vazios de sentimentos daquela coisa que toca quem esta assistindo…esse longa simples más altamente realista cativa o telespectador mostra diferenças, a velha america…resumindo filme de homem de verdade!

  2. Pessoal vocês ainda tem muito o que aprender sobre o que é um bom filme, GRAN TORINO é um dos melhores filmes já lançados no ano de 2008, com uma filmagem impecável, tomadas perfeitas, o filme se mosntra de forma com desenvolvimento, tanto em vida quanto em trabalho e comentando sobre a sinopse que critica o “esteriótipo” de Kowalski queria saber então o que é ser homen se não se falar palavrões, dirigir um grande carro, sair com várias mulheres e ter várias armas em casa.

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  5. Grande inversão de expectativa!

    Naquele momento do filme fiquei pensando: “E agora, como ele vai se safar somente com a pistola?” kkkkk

  6. meus amigos . ali não é um só filme. é uma aula de vida, de cinema, de belo, de dedicação. o menosprezo pela simplicidade é enorme, hoje em dia. o filme é a condensação final da obra de eastwood. ali está o ator o diretor, o roterista o compositor, o cowboy. o filme mostra valores perdidos, identidade perdidas. mas mostra tambem a esperança na transformaçao do velho ao novo. do encontro do velho e do novo. da convergencia das diferenças. uma visão aparetemente distoricda que tende ao equilibrio. a morte tudo resolve. é perturbador vemos isso na nossa cara todo dia. mas ali tambem se aponta a saida esse é o merito do filme. faz-nos acreditar na mudança na esperança na transformação. nao há patriodada, falsas ideologias, linguagem futurista ou qualque idiotice glamourizada pela estatueta. ali esta a vida de uma parte do mundo que podia ou melhor que é seu. tenho dito. pois alguem já dizia isso.

  7. Muito bom filme, numa época de filmes no máximo razoáveis, esse é um sopro de brisa num dia quente.

    • Peter concordo plenamente contigo, muito bom mesmo o filme..a que não chore.. merecia osca.

  8. Faltava o meu comentário sobre ‘Gran Torino’…

    Então, Mattie, achei simplesmente um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos, de verdade. Sem contar que é o ÚNICO longa do Eastwood que gostei de verdade até hoje.

    Acredite, o seu amigo Eastwood aqui até chorou com ‘Gran Torino’. E não consigo nem mais rir da música-tema. Achei até a cantoria dele boa.

    Adorei, above all. Desculpe por discordar mais uma vez.

    =/

  9. Concordo com o Fabio aí em cima. So nao sei se prefiro Gran Torino a A Troca, ambos realmente especiais. Na verdade nao se comparar o incomparavel. Sao filmes cada um a seu modo que se encaixam no modo como Eastwood ve a vida e o cinema, como faz da linguagem cinematografica sua morada. Achar que este homem de 78 anos, super premiado e reconhecido, que ja fez tanto pelo cinema, quer simplesmente ganhar Oscar é absurdo. Na verdade, se a Academia deixa de premia-lo e indica-lo, azar o dela que nao reconhece agora o que o futuro ira apontar como dois dos grandes filmes do cineasta e do ano de 2008.

    Abraços!

  10. Pessoal, já que eu vi que mais ou menos todo mundo teve a mesma opinião sobre o filme, digo o mesmo pra todos: infelizmente eu não gostei haha

  11. Eu discordo da crítica. Na verdade (apenas a mencionar) acho este filme infinitamente melhor que A Troca e todo aquele vazio que o roteiro cria, sem contar no final que se prolonga a todo momento.

    Talvez não seja um filme excepcional, mas Gran Torino é uma obra que tem muitos elementos que a tornam agradável de assistir. E isso, às vezes, é o bastante para que o espectador possa gostar do filme, quando se tem uma narrativa mais equilibrada e inteligente e, ao mesmo tempo, agradável.

    E eu adorei o filme. O vigor físico do Clint Eastwood, o roteiro com início, meio e fim, bastante convencional mas certeiro no desenvolvimento da sua história. Enfim, Gran Torino não é espetacular, concordo com isso. Mas mostra que Eastwood tem uma grande capacidade como diretor, porque ele sabe explorar bons planos neste filme que traduzem a realidade do bairro, assim como um bom ator ao mostrar todo o seu patriotismo pelos Estados Unidos.

  12. Meu Deus, é a menor nota que vi, de longe, até agora rsrsrsrsrsrs. Fiquei muito assustado, até pq achei que iria gostar do filme. Mas uma coisa é certa: a meu ver, Clint é infinitamente melhor como diretor.

    Abraços!

  13. Eu já não acho que ele queria ser indicado ao Oscar, pra quê? O cara já tem tanto prêmio em casa, isso nem deve importar mais.

    Discordo também sobre o filme. Eu adorei. O filme me cativou de verdade. Não vou me prolongar muito, senão prolongarei até demais, mas escrevi sobre ele no meu blog então…

    Mas é isso, viva a liberdade de expressão e a divergência de opiniões ;)

    xD

  14. Estou com o Vinícius! Após o mediano “A Troca” vem o vovô Eastwood pintando de machão… Ninguém merece esse clichê. Espero gostar do filme, apesar de estar farto do Sr. Eastwood. Veremos.

  15. A questão de Eastwood e o Oscar para mim é a velha mania da Academia de ter seus “eleitos” de determinadas épocas. Trabalhos como “Um Mundo Perfeito” e “As Pontes de Madison” são quase tão maduros quanto os atuais – As Pontes… é quase uma obra-prima – e na época foram esnobados. Fossem feitos hoje, empilhariam indicações.
    Não dou a mínima para o Oscar – até porque “O Lutador” não foi indicado a melhor filme, “Che” foi ignorado com Gran Torino e “Wall-E” não concorreu a melhor filme. Oscar é momento e modismo…

  16. Certamente o Eastwood queria concorrer ao Oscar, não tenho dúvida disso – já há algum tempo ele vem fazendo seus filmes tendo isso como um dos objetivos principais e isso pode atrapalhar mesmo no resultado final de seus longas (por isso agora, após a esnobada merecida da Academia, espero que tenhamos o velho Clint de volta). Mas gostei muito de “Gran Torino”! Não chega a ser um dos seus melhores, mas certamente emociona muito mais do que aquela chatura que foi “A Troca”. Abraço!

  17. Um dos melhores filmes do ano, para dizer o mínimo, em um ano muito ruim. O último filme de Clint como ator, onde ela usa justamente toda a imagem formada ao longo da carreira para desmoronar pretensões. Na verdade, desde “Sobre Meninos e Lobos”, nenhum filme dele me decepcionou. E “Gran Torino” é, pelo conjunto de pequenas idéias, pela própria maneira como ele despedaça os próprios estereótipos em torno da figura dele, como fala de diferenças culturais e como nunca apela para o fácil em sua narrativa, um dos melhores filmes do ano. Bem menos comercial e “premiável” do que “A Troca”, mas se a Academia fosse justa, filmes como “Clube da Luta”, “Zodíaco” e “Réquiem para um Sonho” seriam lembrados, o que não aconteceu.
    Filmaço de quem sempre tem algo a dizer, e dessa vez se despedindo com uma inversão de expectativa que ele próprio alimenta ao longo do filme, propositadamente. E como é legal ouvir essa despedida com ele próprio cantando “Gran Torino” no final.
    PS: Não espere que ele deixe de filmar algo por causa do Oscar. O cara é o mais prolifico diretor da atualidade, filmando em um mês o que outros demoram 3. Ele raramente repete uma tomada. Não imagino ele fazendo esse filme buscando Oscar de ator quando ele recria Harry, o Sujo para desmontar essa pretensão no final.
    Abraço

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